8.7.09

d#


O meu vídeo (d#, de Paulo Vidal de Castro) foi selecionado para participar do projeto Minuto Móvel, em que um caminhão do Festival percorre cidades exibindo – em praças, praias, bares, universidades e escolas – uma seleção de filmes premiados do Minuto e fazendo promoção dos temas do Festival por onde passa.
Segue abaixo a lista das datas e dos locais (como o feriado desta semana em Campos do Jordão):

Julho
07/07 Monteiro Lobato
10h: Praça Dep. A.S. Cunha Bueno, localizado na rua Abilio Pereira Dias nº 140, ao lado do Paço Municipal.
13h: Mesmo lugar.
15h: Mesmo Lugar.

08/07 São Francisco Xavier
13h: Praça Cônego Antônio Manzi (praça do coreto), ponto de referência: em frente a Casa de Cultura.
15h: Mesmo lugar.
18h: Mesmo lugar.

09/07 Santo Antonio do Pinhal
17h: Praça do Artesão, localizado entre a rua Governador Carvalho Pinto com Praça Benedito Marcondes Raposo.
18:30h: Mesmo lugar.
20:30h: Mesmo lugar.

10 a 12/07 Campos do Jordão
Exibição nos três dias das 12 as 20 hrs: Praça Pinho Bravo, localizado entre av. Emilio Ribas com rua Dr. Camilo de Moraes, (ponto de referência: em frente a Gialla Pousada e posto Esso).

16/07 Santos

17 a 19/07 Caraguatatuba

24 a 26/07 São Sebastião

Agosto
05/08 Mogi das Cruzes

06/08 Suzano

07/08 Ferraz de Vasconcelos

08/08 Poá

09/08 Itaquaquecetuba

12/08 Guaratinguetá

13/08 Cruzeiro

14/08 Lorena

15/08 Cachoeira Paulista

16/08 Aparecida

19/08 São José dos Campos

20/08 Jacareí

21/08 Jambeiro

22/08 Santa Branca

23/08 Guararema

26/08 Pindamonhangaba

27/08 Tremembé

28/08 Taubaté

29/08 Caçapava

Setembro
02/09 Guarulhos

24.5.09

Rietveld Arsenale


6 monitors
my two videos – Praça da Sé (
Tomás Senna as the cameramen) and Anoitecer (In memoriam Philadelpho Menezes, of Willy Corrêa de Oliveira, as the soundtrack; Thiago Senna as an actor; and Tomás Senna as assistant), from City One Minute (s) – has been selected for an installation, a short impression of The One Minutes City project: Amman, Amsterdam, Beijing, Honkong, Las Vegas, San Francisco, São Paulo and Yogyakarta.

They will be in the Arsenale Novissimo in Venice during the Biennale.

12 monitors
Train One Minute (s) installation of moving landscapes shown in the Arsenale Novissimo in Venice during the Biennale. In total 260 videos have been selected. A journey through 30 countries.

2 monitors
Splitscreen One Minutes

More info: rietveld arsenale, the one minutes and city one minutes.

paulistas [e brasileiros (e outros)] que estiverem por , apareçam,

paulo vidal de castro

23.5.09

De

Caroline De Comi (soprano) e Mauricio De Bonis (pianista) interpretarão obras de Strauss e Nepomuceno além do grande Claude Debussy e do catalão satieano Federico Mompou.


Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho – Grátis
24/05/2009 domingo 11h30

20.5.09

Capa - DVD Brasileiro – City One Minutes - São Paulo




15.5.09

Dandara Guerra

Nada como a filha de uma belíssima mulher com cinema e charuto.

24.3.09

São Paulo – City One Minutes –

Primeira exibição da São Paulo – City One Minutes –
24min que representam 24h de São Paulo

Segunda – 30 de março – 19h30 – Galeria Olido
Av. São João, 473 – centro – São Paulo – SP
Entrada Gratuita

O projeto é dirigido pela artista holandesa Mariëlle Videler em parceria com a Galeria Olido, o Festival do Minuto, MASP e com o canal digital holandês de documentários Holland/Doc VPRO e a Universidade East China Normal, em Shangai. Os vídeos serão projetados na Bienal de Arquitetura em novembro de 2009 em Roterdã, seguidas por outras exibições como a World Expo Shanghai 2010. Ele passará em vários websites, como www.cityoneminutes.org e www.theoneminutes.org.

Eu (Paulo Vidal de Castro) dirigi o das
0h-1h, na Praça da Sé,
com o Tomás Senna como diretor de fotografia;
o das
18h-19h, na vista superior de São Paulo,
com o Tomás Senna como assistente,
Thiago Senna como ator
e a obra In memoriam Philadelpho Menezes, de Willy Corrêa de Oliveira, como boa estrutura para a cidade de São Paulo;
e ajudei o Tomas Senna no das 23h-24h

2.3.09

1000 minutos de 80 países

Uma exposição que reúne o melhor do Festival do Minuto, com produções de 80 países, chega ao MASP em 3 de março (abertura) – e fica de 4 a 29 de março. Com quase 17 horas de material, a mostra 1000 Minutos de 80 Países compõe um panorama da produção audiovisual internacional de vídeos curtíssimos e traz ainda, com exclusividade para o MASP, uma seleção de vídeos brasileiros feita pelo curador nacional Marcelo Masagão. Organizada pelo Festival do Minuto da Holanda, a mostra já passou por Pequim (junho de 2008), Florença (setembro de 2008), Lisboa (novembro de 2008) e Bruxelas (outubro de 2008 a janeiro de 2009); fica no MASP até 29 de março, depois segue para África do Sul e Egito.
A mostra no MASP conta com dois diferenciais daquelas que foram exibidas em outros países. Um deles é a Mostra 60 minutos do Brasil. Exclusiva para o Museu e com sala separada, a seleção é composta de 60 vídeos-minuto e 10 vídeos nanominutos (com até 10 segundos), de realizadores brasileiros que participam do festival desde a primeira edição, em 1991 (Relação de vídeos em anexo – 1), com trabalhos de Kiko Goifman, Fernando Bianchi, André Abujamra, Jarbas Agnelli [e um meu (d#, de Paulo Vidal de Castro)]. O outro destaque é uma seleção, também feita pelo curador nacional, Marcelo Masagão, de 60 vídeos-minuto para serem projetados do teto para o chão do MASP (Relação de vídeos em anexo – 2).
Os vídeos da exposição internacional, organizada pela equipe do Festival do Minuto da Holanda, serão exibidos em 30 monitores de TV de 42 polegadas, espalhados pelo 1º e 2º subsolos do museu. “O Festival do Minuto poderia se chamar também Festival da Ideia. Privilegiamos boas ideias independentemente dos equipamentos utilizados”, afirma o criador e cineasta Marcelo Masagão. Segundo ele, o suporte no qual o vídeo foi captado se torna cada vez mais irrelevante, já que o desenvolvimento tecnológico tende a confundir os formatos. "Tem celulares que já captam melhor que o VHS”, diz. A mostra tem direção e produção executiva de Gustavo Steinberg.

Sobre o Festival do Minuto
O Festival do Minuto foi criado no Brasil, em 1991, e é hoje o maior festival de vídeo da América Latina, tendo inspirado festivais semelhantes em mais de 40 países. Na Holanda existe desde 1993, vinculado ao Sandberg Institute, importante escola de arte localizada em Amsterdam. A partir do evento brasileiro surgiram Festivais do Minuto em mais de 50 países, cada um com dinâmica e formato próprios. No Canadá, por exemplo, os realizadores se encontram mensalmente em um galpão, levando no bolso os vídeos produzidos, que são exibidos e premiados na mesma noite.
A partir do final de 2007, o Festival do Minuto brasileiro tornou-se permanente e online: passou a receber e exibir vídeos diretamente pela internet. Mensalmente, novos temas são lançados e os melhores vídeos recebem prêmios em dinheiro.

Quem faz o Festival do Minuto
Marcelo Masagão: Criador e curador, é cineasta, tendo realizado, entre outros, os filmes Nós que Aqui Estamos por Vós Esperamos (1999), 1,99 – Um Supermercado que Vende Palavras (2004), O zero não é vazio (2005) e Otávio e as Letras (2007).

Gustavo Steinberg: Diretor e produtor executivo. Mestre em Ciências Políticas (PUC-SP) e em Comunicação (London School of Economics), é autor de dois livros e produziu cinco filmes longa-metragem. Sua estréia na direção de longas aconteceu em 2008, com Fim da Linha.
_______________________________________________

O vídeo d# tem como tema a mínima diferença entre um homem e uma mulher, tela branca e tela preta, imagem e não-imagem, som e silencio, etc. Talvez o mais radical de meus trabalhos. Elementos presentes nos outros vídeos – silêncios, telas repartidas polifonicamente, textos, telas vazias (pretas & brancas) – atingem autonomia em um universo autônomo. Nenhuma imagem (fixa, em movimento ou metamorfose) aparece durante mais que frações de segundo, no limite da percepção consciente. Cada aparição de palavra dura 1/16 de segundo. Esta é a menor unidade de tempo sobre a qual a estrutura do todo é montada através de operações matemáticas que orientam sons e imagens – proporção áurea (Fibonacci na proporção temporal), séries, quadrado mágico de dominós regulando aspectos da estrutura, etc. Metade do tempo é composto de não imagens – ¼ pretas, ¼ brancas. É a primeira vez que componho toda a trilha sonora. Um vídeo sensorial, para os olhos e ouvidos.

*nota sobre o vazio:

uma cadeira
começa
onde
termina
uma cadeira

dois corpos

são
dois
corpos
pelo
vazio
que
os
separa

um corpo só É pelo espaço vazio que o delimita

só lemos um texto num papel pelo branco que cerca e preenche os pretos das letras

o som – por ser uma onda – só existe pelo silêncio
todo som é ½ som ½ silêncio
todo som é permeado de silêncio

o cinema só é possível pelo obturador da câmera cinematográfica – que se fecha entre um quadro e outro e impede a entrada da luz

toda escultura é construída pelo vazio

de um bloco maciço de mármore, subtrai-se – acrescentando vazio – e faz-se um homem

o vídeo não possui silêncio – a imagem é “escrita” por linha de varredura.
tento sempre recuperar a não imagem silêncio do vídeo

21.2.09

volta da Sessão Dupla do Comodoro

Na próxima quarta finalmente haverá o retorno de uma Sessão Dupla do Comodoro (que se tornou a exibição de um filme apenas). Nada melhor para uma quarta-feira de cinzas.
“1º Filme
CRONOS (Cronos - 1993)
México, 94 minutos, Colorido
Falado em espanhol, com legendas em português
Direção e Roteiro: Guillermo del Toro
Música Original: Javier Álvarez
Fotografia: Guillermo Navarro
Montagem: Raúl Dávalos
Elenco: Federico Luppi, Ron Perlman, Claudio Brook, Margarita Isabel e Tamara Shanath.
21 Prêmios em Festivais Internacionais
SINOPSE
Em 1535 um alquimista cria um artefato em ouro que oferece a vida eterna a quem o possuir. 450 anos mais tarde o artefato vai parar acidentalmente nas mãos de um vendedor de antiguidades que, por acaso, faz disparar o seu maquinismo...
De dentro sai uma espécie de aranha que injeta em seu corpo um estranho líquido. Eventualmente, ele descobre que a sua saúde e vigor estão retornando em abundância, como na juventude. Sua pele perde as rugas, o cabelo engrossa e aumenta o seu apetite sexual. Infelizmente, ele desenvolve também uma obsessiva sede por sangue alheio.
...
2º Filme
O TÚMULO SINISTRO (The Tomb of Ligeia - 1964)
EUA, 81 minutos, colorido
Falado em inglês, com legendas em português
Direção: Roger Corman
Roteiro: Robert Towne (baseado em um conto de Edgar Allan Poe)
Música Original: Kenneth V. Jones
Fotografia: Arthur Grant e Nicholas Roeg (não creditado)
Montagem: Alfred Cox
Elenco: Vincent Price, Elizabeth Shepherd, John Westbrook, Derek Francis e Oliver Johnston.
SINOPSE
Em 1821, quando a mulher de Verden Fell (Vincent Price), Ligeia (Elizabeth Shepherd) morre, ela é enterrada num cemitério cristão, apesar das objeções do vigário local. Antes da sepultura ser fechada, ouve-se o guincho de um gato preto, e Ligeia abre os olhos. Verden fica convicto de que ela não está morta. Meses mais tarde, Lady Rowena (também desempenhada por Shepherd) é jogada de seu cavalo e cai aos pés da sepultura de Ligeia. Verden logo se apaixona por ela. Eles se casam e passam a viver em Verden, numa sombria abadia gótica. Rowena começa a ter estranhos sonhos envolvendo Ligeia e um gato preto.”

Outro dia eu fiz outra palestra sobre Edgar Poe, e, após comentar das invenções de linguagem criadas por ele, mostrei o que talvez seja o melhor longa feito a partir de um conto dele: A Queda da Casa de Usher, dirigido por Jean Epstein. O grande compositor (Willy Corrêa de Oliveira) falou que até este filme tende a ser ruim, e que é impossível transformar a estrutura e as idéias de Poe para algo audiovisual (e o pior é que ele tem em DVD as minhas tentativas...). Mas, sem dúvida, Roger Corman foi o diretor que realizou traduções de Poe que não tem nada (nada mesmo) a ver com os seus grandes textos. Mas, talvez, por isso mesmo, guardam um grade charme (até o Willy concorda com isso). Além de Vincent Price (como n’O Uivo da Bruxa, que foi bem interessante na última sessão) e tudo o mais...

Literatura Marginal

Está sendo realizada uma nova coleção da editora Literatura Marginal com (alteração do) logo, capa e programação visual realizadas por Thais Vilanova e Paulo Vidal de Castro (eu).
A Coleção é do Ferréz e também está sendo colaborada pelo editor Marcelo Martorelli e o poeta, tradutor (de Moby Dick da Cosac, por ex.) e revisor Alexandre Barbosa de Souza.

18.2.09

Bauhaus – Josef Albers

Vejam a exposição de Josef Albers, mas, bem antes, descubram quem ele foi e, o mais importante, o que foi a Bauhaus e Walter Gropius – uma das boas idéias do século XX que acabaram em ruínas (e lojas de decoração, como uma cadeira exposta na Pinacoteca onde é proibido sentar) [Walter Benjamin já havia avisado anos atrás sobre a não possibilidade da Bauhaus anos (quase um século) atrás].
Uma das (várias) idéias é começar com o livro do Gropius traduzido pela Perspectiva.

Instituto Tomie Ohtak
Rua Coropés, 88 -Pinheiros
Ter. a dom. das 11h às 20h
Até 1 de março
(11) 2245 1900
Grátis

Praça da Luz, 2 - centro
Ter. a dom. das 10h às 18h
Até 8 de março

27.1.09

Unidos sumidos

É terrível quando morre algum(a) querido(a).
É ruim quando morre alguém de grande referência – como já morreram quase todas do séc.XX.
Mas também acho terrível quando morre (ou desaparece) alguém que você já tenha tido algum tipo de relação.
Exemplos:
1)

a melhor pizzaria de São Paulo – “Giovanni, o Italiano” – do grande e tradicional (como toda boa pizza deve ser) Giovanni Tarallo, que infelizmente faleceu. (e o filho dele queria que a pizzaria fosse igual à Veridiana, para você ver...) Provavelmente a melhor pizza Marguerita e a melhor pastiera de grano (feita por sua filha Caterina) que já existiram. Ao menos tenho em casa um belíssimo jogo de talheres de prata que ele deu aos meus pais quando eles se casaram;

2) o pianista que tocava um piano muito velho (teclas caindo aos pedaços) no restaurante Vico d'o Scunizzo – (restaurante mil (10 mil) vezes menos interessante que o Giovanni, mesmo tendo pastiera e tudo) –. Eu adorava ver aquele pianista (acompanhado de seu baixista), tanto lá – onde trocávamos olhares –, assim como quando nos encontrávamos no centro – entre o Theatro Municipal e a biblioteca Mário de Andrade. Ele morreu, se não me engano, no ano passado;

3)Marta, mulher que ficava sentada nas calçadas, com vestidos bem coloridos (costurados por ela), cabelo pintado de loiro (com o apelido – que ela odeia – de Xuxa) e vários guarda-chuvas abertos. Escutava um rádio antigo e escrevia textos (ou xingamentos sem sentido) sem pé nem cabeça com um preconceito total contra todas as pessoas, crédulos e raças (e com muita pornografia até) que ela amarrava nas paredes e postes. Eu a via pelo menos uma vez por dia. Os locais mais comuns eram no começo da Higienópolis e ruas próximas, mas já a encontrei até na frente da Igreja São Bento como na Alameda Santos. Na terrível Revista de Higienópolis e região, apareceu uma foto de seus textos colados, se perguntando quem poderia ser. Ora, era impossível andar pela Higienópolis sem vê-la. E ela ficava também nas pequenas ruas de Santa Cecília escrevendo os seus textos. Eu tirei uma má foto dela a distância, mas ela pode ser vista no filme O zero não é vazio, de Marcelo Masagão. Infelizmente, faz mais ou menos 3 meses, ela (e seus textos) desapareceram. Eu, faz alguns anos, coleciono estes textos. A péssima revista bairrista disse que não sabe quem ela é (repórteres que nunca andaram na rua), mas na maioria dos textos tinha estes dados:
Marthia Pasquali RG. 7.896.631.0;
4)o maluco que se vestia de policial e orientava os carros na Rua Marquês de Itu na frente da Praça da República. (*antes da C.E.T., e mesmo no seu início, os policias também faziam o trabalho de marronzinhos – é provável que ele fizesse isso nesta época) Ele também desapareceu faz alguns anos (talvez tenha se aposentado do seu emprego já aposentado).

5) No último dia do ano passado (31/12/2008), morreu o grande Tide Hellmeister. Eu (e a Thais) fomos apenas uma vez ao seu ateliê (em Perdizes), indicados pelo Haron Cohen. Grande pena.


6.12.08

Livraria Cultura - Bourbon Shopping Pompéia - Rua Turiassú, 2100

Nesta quarta fui até a nova Livraria Cultura de São Paulo. Como a cada dia as livrarias boas de São Paulo vão à falência, uma atrás da outra, graças às Mega Stores [outro dia mesmo, enquanto eu estava na pequena grande Livraria Asteka – Perdizes –, o dono comentava – com certo humor – como todas hão de falir e que eles estão na lista (que são responsáveis pela grande editora de livros mexicanos Fondo de Cultura)], mas, como eu dizia, torço para que a nova Cultura torne-se uma grande livraria (em qualidade, não no que é esperado pelos empresários – ou seja, no lucro cada vez maior).
Por quê?
Por 2 razões:
1) O principal comprador é nada mais nada menos do que o grande Rodrigo. (Ronoc aqui, Paulo Vidal lá) Os grandes traficantes de droga não podem usar as próprias drogas. Assim também tendem a ser as livrarias. Mas ele é, felizmente, um viciado em livros.
2) Ela fica em frente ao Sesc Pompéia, projeto da (talvez maior) arquiteta brasileira: Lina Bo Bardi, assim como a da Paulista está perto do Masp (também da Lina). Infelizmente (como todo shopping) não existem janelas com direito a vista de uma das grandes obras de São Paulo (é possível ver o Sesc apenas subindo de carro para o estacionamento).

Mas o mais engraçado é que ela fica na Turiassu, rua onde já esteve uma antiga Livraria Cultura (perto do parque Água Branca), que virou uma livraria do irmão do (e brigado com o) Pedro Herz. Recentemente, em uma entrevista para o jornal da própria livraria, Pedro disse que "Joaquim ficou com uma livraria que havíamos aberto na Rua Turiassu e eu com a Cultura." Não deixa de ser engraçado, pois eu tenho marcadores da Livraria Cultura com endereços da Paulista e da Turiassu. Meu pai já foi muito amigo do irmão do Pedro. Quando eu era pequeno (década de 80), costumávamos (minha família e o irmão do Pedro) ir no marvilhoso Hotel das Fontes, projetado por Oscar Niemeyer em Águas de Lindóia. Apesar de eu ter tido experiências muito importantes neste hotel (como o meu primeiro beijo: uma linda garota de cabelos escuros e covinha na bochecha corria atrás de mim – eu fugia. Um dia eu corri até o banheiro de homem, mas ela foi atrás e me deu o primeiro beijo. Eu tinha uns 8 anos e nos agarrávamos intensamente dia a dia até o fim da viagem). Mas quanto ao Herz, só me lembro que ele chamava meu pai de Chico Tomate.

2.12.08

Paganini = Klaus Kinski

“Low at times and loud at times,

And changing like a poet’s rhymes,”

Henry Wadsworth Longfellow

13.11.08

Imagens & Sons a partir de Poe

palestra que apresentarei hoje, às 18h30, na Casa das Rosas — Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura —, na 3ª Mostra Curta Fantástico.
Paulo Vidal de Castro

Edgar Allan Poe

“Há em nós uma presença obscura de Poe,
uma latência de Poe. Todos nós,
em algum lugar de nossa pessoa, somos ele,
e ele foi um dos grandes porta-vozes do homem,
aquele que anuncia o seu tempo noite adentro.”Cortázar

Na obra de Poe, alguns elementos insinuados em um conto, desenvolvem-se mais amplamente em outro. O que é parte ou detalhe em um conto, torna-se espinha dorsal de outro. Cria-se, assim, um sistema de referências internas, rebatimentos de um conto a outro: duplicações, espelhamentos, labirintos textuais. Em todos os seus contos existem obsessões ficcionais. Comentaremos agora algumas destas características:

A loucura pessoal dentro da lógica racional

Segundo Cortázar, Edgar Allan Poe escrevia “sem compromissos exteriores, escritas a sós, divorciadas de uma realidade bem cedo considerada precária, insuficiente, falsa. E o orgulho assume ainda o matiz característico do egoísmo. Poe é um dos egoístas mais cabais da literatura. Se no fundo ignorou sempre o diálogo, a presença do tu, que é a autêntica inauguração do mundo, isto se deve ao fato de que só consigo mesmo se dignava a falar. Por isso, não lhe importava que os seres queridos o compreendessem. Bastava-lhe o carinho e o cuidado; não necessitava deles para a confidência intelectual (...). Por fim o egotismo desembocará na loucura. (...) A conseqüência inevitável de todo orgulho e todo egotismo é a incapacidade de compreender o humano, de se aproximar dos outros, de medir a dimensão alheia. Por isso, Poe não conseguirá criar nunca uma só personagem com vida interior; o chamado romance psicológico o teria desconcertado”. Criam-se assim “personagens anormais”, para utilizar o termo cortazáriano. O material que Edgar Poe utiliza para construir os personagens é apenas o que ele possui: ele mesmo.

Mulher Amada

A mulher amada morta apresenta-se sempre como uma constante, e o amante é sempre o seu assassino – consciente ou inconscientemente, direta ou indiretamente. A constante relação amante/amada na obra de Poe remete ao que será falado sobre a questão do duplo, e a dialética vida/morte implícita nesta.
O amante sempre acaba por idealizar a sua amada transformando-a em um signo, e, por conseqüência, matando-a. Citando o final do conto O Retrato Oval: “– É a vida, é a própria Vida que eu aprisionei na tela! E quando se voltou para contemplar sua esposa... Estava morta!” No conto Ligéia, se observarmos com atenção, não é Ligéia que ressuscita e sim os seus olhos, pois era a única coisa que o narrador dizia no início não conseguir definir. O resto era pura idealização, de um amante com assumida doença de memória, que só se lembrava de sua amada descrevendo-a como um mosaico de citações, ou seja, uma imagem construída por ele. Essa idealização apresenta-se como fuga, pois ao invés de relacionar-se diretamente com a mulher, e, conseqüentemente, com o lado perene da vida, o narrador prefere construir para ele um signo dela.

Em toda a obra de Edgar Allan Poe, seja em poesia, seja em prosa, a morte é representada simbolicamente pela aparência da mulher amada. Enquanto viva (sendo idealizada), tem os cabelos negros e encaracolados; e, quando morta (já idealizada), tem os cabelos loiros e lisos – mas todas elas apresentam uma testa avantajada (originada pela crença de Poe na frenologia).

Duplo/Morte/Espelhamento

“O leitor deve ter em mente
que a base de toda a arte da solução,
no que respeita esses assuntos,
deve ser encontrada nos princípios gerais
da própria linguagem”. Poe

O Duplo é presente em toda obra de Poe, justamente na época da invenção da máquina fotográfica que causou enorme impacto na época:
O registro do objeto nunca é o próprio objeto, e sim a sua representação. Um instante congelado e eternizado em uma fotografia apenas demonstra o seu inverso: a morte e a evanescência de cada instante vivido. Qualquer signo, em relação com o objeto, é um duplo. A única foto que se tem de Poe foi tirada um dia após a sua tentativa de suicídio.
O duplo aparece de várias formas na obra de Poe e manifesta-se tanto aos estados psicológicos quanto à linguagem e à estrutura, formando verdadeiras Gestalts compactas. Quebra-cabeças semióticos. Como disse Decio Pignatari após uma brilhante análise heurística do conto Berenice: “o conto de terror era afinal um puzzle”, e, segundo ele, o conto O Retrato Oval é uma “vinheta da alienação que o signo – a consciência do signo – produz em relação à vida”. O duplo chega até as formas mais radicais, como no conto William Wilson. Tanto a estrutura, como os procedimentos de linguagem, são decisivos para obter, nas palavras do próprio E. A. Poe, as “correntes subjacentes de significado”. Utilizando-se desses procedimentos, o escritor apresenta como constante, em toda a sua obra, uma obsessão pelos processos de inversão ou reversão do signo sobre si mesmo. Em 1925, W. Carlos Williams já percebia no escritor “o hábito, emprestado talvez da álgebra, de equilibrar suas frases no meio, ou de invertê-las na última cláusula, um sentido de jogo, como se se tratasse de objetos...”. Essa mesma fascinação de Poe foi demonstrada por Roman Jakobson no seu estudo do poema O Corvo: no refrão Never more/ Never more, tem-se o “never”: imagem especular de “raven” (corvo).

Decio Pignatari já disse que o escritor “compõe ao revés, no componedor, palavras e frases, assim Poe endereça a linguagem à sua função poética por processos anagramáticos e hipogramáticos...”.
Em toda obra de Poe o espelhamento é sempre uma constante. Ao compor as suas narrativas através de elaborada construção cerebral, ele rompe com a linearidade do discurso. O escritor usa de forma intensa jogos de inversão, que se manifestam tanto no nível anagramático lexical quanto na sintaxe das frases. Mas eles também aparecem na macroconstrução de todas as suas obras. A narrativa sempre é dividida em dois blocos, sendo que um é a inversão do outro.

No poema Raven, por exemplo, a ave surge como uma projeção e exteriorização do personagem (espelhamento – duplo), para conseguir colocar para fora, através do desabafo, os seus questionamentos. Como diz Poe, na Filosofia da Composição, ele o faz pela simples “autotortura”, e, como também é dito neste ensaio, pergunta motivado pela segurança de ter o controle da situação (que ele tanto busca, por temer as suas dúvidas e incertezas), pois sabe que terá apenas uma única resposta.
O poema, como já é de se esperar, apresenta uma estrutura dividida ao meio, sendo uma metade a inversão da outra. Na primeira, que tem como característica mais evidente o refrão “nada mais”, o personagem passa por um processo de auto-ilusão, imaginando coisas que quer que aconteçam, e banalizando os seus anseios e a sua decepção pelas ilusões que não se concretizam, com frases do tipo: “É apenas isso e nada mais”. Atitude que apenas torna patente a sua insegurança.
Na segunda parte ocorre o inverso: a crescente e contínua desilusão do personagem é refletida na imagem do Corvo (símbolo do mau agouro), pois, como dizem Jakobson e Pignatari, a ave é aquilo que diz (a desilusão) e diz a si mesmo (como a ave, no poema, fala com o personagem, e, como foi dito, ela fala a si mesmo, ela não é nada mais nada menos que a projeção do personagem).
Poe percebeu que na impressão tipográfica os caracteres são colocados na prensa de forma “espelhada” – o escritor deve ter tido um dos insights que originaram esta característica marcante no seu estilo. No conto Xizando um Editorial, por exemplo, foi incorporada de maneira metalingüística no seu texto.
Podemos perceber o espelhamento de toda a estrutura em várias de suas obras. N’O Barril de Amnontillado, por exemplo, onde – na metade do conto – aparece o “intervalo entre dois colossais pilares de teto das catacumbas”, que é o elemento mais importante da narrativa.
O conto A Queda da Casa de Usher é espelhado de várias formas diferentes. Bem no centro do texto, há um poema diagramado em ziguezague que reflete uma fenda também descendo em ziguezague bem no meio da casa, onde esta é divida no final do conto. Logo no início o narrador vê a própria casa no espelhamento do eco no lago e sente o reflexo “com um tremor ainda mais forte do que antes". Até a imagem do quadro pintado por Usher na primeira parte ecoa com o local onde ele enterra a sua irmã (o túnel ou adega).
Na verdade, a casa e os Ushers eram uma coisa só. Existiam "janelas vazias, semelhando olhos". Os gêmeos, a casa e seu espelhamento gêmeo no lago morrem todos juntos.“Nos livros de Edgar Poe, [segundo Baudelaire] o estilo é cerrado, concatenado; (...) todas as idéias, como flechas obedientes, voam para o mesmo alvo.”

Sons a partir de Poe

Poe e Anton Webern

“assim como uma intensa paixão pelas sutilezas,
talvez mesmo mais do que pelas belezas ortodoxas
e facilmente reconhecíveis,
da ciência musical.”A Queda da Casa de Usher, Poe

Podemos encontrar diversas semelhanças estruturais entre as obras poeana e weberniana. Uma delas é a fixação por formas espelhadas. Webern radicalizou o dodecafonismo schoenberguiano, com utilização das formas espelho, caranguejo e retrógrado construindo espelhamentos em todos os sentidos, construindo diamantes musicais, o que levou Herbert Eimert a denominá-lo “o arquiteto monádico da forma-espelho” – Poe foi denominado por muitos como o engenheiro dos espelhos. Assim, como o escritor, o compositor buscava montar estruturas simétricas e bipartidas, tanto nas macro como nas micro-estruturas.

É consenso geral nomear Edgar Allan Poe como o criador dos contos curtos. Para o escritor, cada conto deveria ser lido em “uma sentada”, o que o levou a buscar sempre o máximo de concentração e brevidade. Assim também fez o compositor vienense, compondo obras que duram entre dois e três minutos, com movimentos de poucos segundos, verdadeiros haicais sonoros. Ambos usaram com muita importância tanto o silêncio quanto o espelhamento geral da estrutura.

Outros

Poe influenciou direta, ou indiretamente, vários outros compositores. Ravel tinha-o como grande professor de composição e Debussy – que tem como uma de suas primeiras obras-primas o Prelúdio à tarde de um fauno, a partir de um poema de Mallarmé (enorme discípulos de Poe) – passou os últimos anos tentando compor a ópera A Queda da Casa de Usher, que nunca concluiu.

Imagens a partir de Poe


Vários pintores e gravuristas foram influenciados por Poe, inclusive os que fizeram obras a partir de seus textos. Citaremos apenas o gravurista Gustave Doré – que fez uma série de gravuras a partir do Corvo – e Odilon Redon – pintor e artista gráfico, influenciado por Doré e amigo de Mallarmé, que fez uma série de gravuras a partir da obra de Poe.

Ele também influenciou muito os quadrinhos, com desenhistas criando grandes obras a partir de seus contos. Falaremos apenas de dois grandes mestres/inventores: Will Eisner, que criou uma versão da Queda da Casa de Usher; e Guido Crepax, que fez ilustrações a partir do conto Os Crimes da Rua Morgue em 1951, quando era ainda estudante de arquitetura, até desenhar, em 1972, contos de Poe quando já era o mestre dessa técnica e na qual imprimiu sua leitura sadomasoquista.

Imagens & Sons a partir de Poe

Grande quantidade de diretores de cinema foi influenciada por criações de Poe (assim como na literatura, filosofia, etc.). Até os terríveis filmes blockbusters sobre crimes e assassinatos foram paridos das idéias poeanas.

tradução cinematográfica de Jean Epstein para A Queda da Casa de Usher

No conto, Roderick Usher têm hipersensibilidade dos sentidos – já no filme, Epstein faz o oposto: o narrador é que têm os sentidos muito fracos (tendo que usar uma lente para os olhos, quando quer ler; e um fone para os ouvidos, quando quer escutar).
Epstein constrói o filme a partir de dois contos de Poe: A Queda da Casa de Usher e O Retrato Oval. No primeiro conto Roderick é irmão gêmeo de Madeline, mas no filme eles são marido e mulher (como n’O Retrato Oval, e, como neste conto, ele a pinta transformando-a em idéia, à medida que ela vai morrendo) – o filme mostra a idealização das mulheres da família Usher através de seus retratos, que criam “a idéia sobre o real”. No filme, Roderick Usher olha para o quadro (onde Madeleine até pisca os olhos) e diz: “É lá que ela vive”. Quanto mais a pintura vive, mais a mulher morre – até morrer de fato.
No conto, Roderick e o narrador não contam para ninguém que Madeleine morreu – no filme, todos sabem e Usher tenta convencer o médico de que ela não morreu. Enquanto ele olha para a sua pintura, o mordomo e o médico passam a tampa do caixão pela frente de sua esposa pintada. No texto de Poe, apesar dos ruídos, só vemos Madeleine voltando para a casa quando ela entra no quarto – já no filme, enquanto o narrador lê para Roderick, já aparece ela saindo e, ao contrário do conto em que os Ushers morrem com a casa, infelizmente os três escapam.

Biliografia

Araújo, Ricardo. Edgar Allan Poe: Um Homem em Sua Sombra. Poema Alone traduzido por Augusto de Campos. São Paulo: Ateliê Editorial, 2002.
Bachelard, Gaston. A Água e os Sonhos: ensaio sobre a imaginação da matéria. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
Balbuena, Monique Rodrigues. Poe e Rosa à luz da cabala. Nota por Haroldo de Campos. Rio de Janeiro: Imago Editora,1994.
Barbosa, Almiro Rolmes & Cavalheiro, Edgar, orgs. As Obras-Primas do Conto Universal. O Escaravelho de Ouro, Edgar Allan Poe. Introdução, Notas, Compilação e Traduções por Almiro Rolmes Barbosa e Edgar Cavalheiro. São Paulo: Livraria Martins Editora, 1943.
Baudelaire, Charles. Poesia e Prosa. Edgar Allan Poe, Sua Vida e Suas Obras (págs.627-656). Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 2002.
Benjamin, Walter. Charles Baudelaire um lírico no auge do capitalismo. São Paulo: Editora Brasiliense, 2000.
Cortázar, Julio. Obra crítica. vol. 2. Vida de Edgar Allan Poe (1956). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999.
________. Valise de Cronópio. Poe: o Poeta, o Narrador e o Crítico. São Paulo: Editora Perspectiva, 1993.
Jakobson, Roman. Lingüística. Poética. Cinema. São Paulo: Editora Perspectiva, 1970.
Mallarmé, Stéphane. Mallarmé. Poema Le Tombeau d’Edgar Allan Poe traduzido por Augusto de Campos. São Paulo: Editora Perspectiva, 2002.
Penteado, Jacob, org. Obras-Primas do Conto de Terror. O gato prêto, Edgar Allan Poe. Seleção, Introdução e Notas por Jacob Penteado. São Paulo: Livraria Martins Editora,1962.
Pessoa, Fernando. Obra Poética em um volume. Tradução dos poemas O Corvo, Annabel Lee e Ulalume. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 2005.
Pignatari, Decio. Informação Linguagem Comunicação. São Paulo: Ateliê Editorial, 2002.
________. Semiótica e Literatura. São Paulo: Editora Perspectiva, 1974.
Poe, Edgar Allan. A Narrativa de A. Gordon Pym. Tradução de José Marcos Mariani de Macedo. Textos críticos de F. M. Dostoievski e Charles Baudelaire. São Paulo: Cosac & Naify Edições, 2002.
________. Ficção Completa, Poesia & Ensaios. Organizados, Traduzidos e Anotados por Oscar Mendes com a colaboração de Milton Amado. Estudos biográficos e críticos por Hervey Allen, Charles Baudelaire e Oscar Mendes de uma breve cronologia e de uma bibliografia. Ilustrações de Eugênio Hirsch e Augusto Iriarte Gironaz. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 2001.
________. Histórias Extraordinárias. Traduzido por Brenno Silveira e outros. São Paulo: Círculo do Livro, 1973.
________. Il Corvo. Traduzione e Introduzione di Mario Praz. Illustrazioni di Gustave Doré. Milano: Rizzoli Editore, 1974.
________. “O Corvo” e suas traduções. Organizado por Ivo Barroso. Notas e dados biográficos por Ivo Barroso. Nota por Carlos Heitor Cony. Rio de Janeiro: Lacerda Editores, 2000.
________. Os Melhores Contos de. Traduzido por José Paulo Paes. Edgar Allan Poe: o que em mim sonhou está pensando; estudo crítico por Lucia Santaella. São Paulo: Círculo do Livro, 1984.
________. Poesia e Prosa. Traduzido por Oscar Mendes e Milton Amado. Notícia bibliográfica por Hervey Allen. Estudo crítico por Baudelaire. Rio de Janeiro: Ediouro, s.d..
________. The Collected Tales and Poems of Edgar Allan Poe. New York: The Modern Library, 1992.
Ravoni, Marcelo & Riva, Valerio. Il Piacre della Paura. Lady Ligeia, Dino Battaglia. Textos e desenhos sobre a influência de Poe nos quadrinhos (Will Eisner, Guido Crepax, etc.). Verona: Arnoldo Mondadori Editore, 1973.
Selz, Jean. Odilon Redon. Paris: Flammarion, 1971.
Silva, Fernando Correia da, org. Maravilhas do Conto Policial. Introdução e Seleção por José Paulo Paes. Os Assassinos da Rua Morgue, Edgar Allan Poe. São Paulo: Editora Cultrix, 1958.
Xavier, Ismail, org. A Experiência do Cinema : antologia. O Cinema e as Letras Modernas, de Jean Epstein. Rio de Janeiro: Edições Graal: Embrafilme, 1983.

FILMOGRAFIA

Epstein, Jean & BUÑUEL, Luis. The Fall of the House of Usher. 1928.
Fellini, Federico; Roger, Vadim & Malle, Louis. História Extraordinárias da obra de Edgar Allan Poe. 1969

CD
Walken, Christopher. The Raven. s.d.

10.11.08

Imagens & Sons a partir de Poe

2º esboço sobre palestra que será dada nesta quinta (13) às 18h30 na Casa das Rosas — Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura —, na 3ª Mostra Curta Fantástico.


Edgar Allan Poe

“Há em nós uma presença obscura de Poe,
uma latência de Poe. Todos nós,
em algum lugar de nossa pessoa, somos ele,
e ele foi um dos grandes porta-vozes do homem,
aquele que anuncia o seu tempo noite adentro.”
Cortázar

Na obra de Poe, alguns elementos insinuados em um conto, desenvolvem-se mais amplamente em outro. O que é parte ou detalhe em um conto, torna-se espinha dorsal de outro. Cria-se, assim, um sistema de referências internas, rebatimentos de um conto a outro: duplicações, espelhamentos, labirintos textuais. Em todos os seus contos existem obsessões ficcionais. Comentaremos agora algumas destas características:

A loucura pessoal dentro da lógica racional

Segundo Cortázar, Edgar Allan Poe escrevia “sem compromissos exteriores, escritas a sós, divorciadas de uma realidade bem cedo considerada precária, insuficiente, falsa. E o orgulho assume ainda o matiz característico do egoísmo. Poe é um dos egoístas mais cabais da literatura. Se no fundo ignorou sempre o diálogo, a presença do tu, que é a autêntica inauguração do mundo, isto se deve ao fato de que só consigo mesmo se dignava a falar. Por isso, não lhe importava que os seres queridos o compreendessem. Bastava-lhe o carinho e o cuidado; não necessitava deles para a confidência intelectual (...). Por fim o egotismo desembocará na loucura. (...) A conseqüência inevitável de todo orgulho e todo egotismo é a incapacidade de compreender o humano, de se aproximar dos outros, de medir a dimensão alheia. Por isso, Poe não conseguirá criar nunca uma só personagem com vida interior; o chamado romance psicológico o teria desconcertado”. Criam-se assim “personagens anormais”, para utilizar o termo cortazáriano. O material que Edgar Poe utiliza para construir os personagens é apenas o que ele possui: ele mesmo.

Cenários Fechados

“sempre me pareceu que uma circunscrição fechada do espaço
é absolutamente necessária para o efeito do incidente insulado”.
Poe

Podemos perceber em toda obra de Edgar Allan Poe, enormes coincidências nas características dos ambientes. Esses locais quase sempre herméticos, representam em todos os elementos, características simbólicas das personalidades dos personagens.

Mulher Amada

A mulher amada morta apresenta-se sempre como uma constante, e o amante é sempre o seu assassino – consciente ou inconscientemente, direta ou indiretamente. A constante relação amante/amada na obra de Poe remete ao que será falado sobre a questão do duplo, e a dialética vida/morte implícita nesta.
O amante, sempre acaba por idealizar a sua amada, transformando-a em um signo, e, por conseqüência, matando-a. Citando o final do conto O Retrato Oval: “– É a vida, é a própria Vida que eu aprisionei na tela! E quando se voltou para contemplar sua esposa... Estava morta!” No conto Ligéia, se observarmos com atenção, não é Ligéia que ressuscita e sim os seus olhos, pois era a única coisa que o narrador dizia no início não conseguir definir. O resto era pura idealização, de um amante com assumida doença de memória, que só se lembrava de sua amada descrevendo-a como um mosaico de citações, ou seja, uma imagem construída por ele. Essa idealização apresenta-se como fuga, pois ao invés de relacionar-se diretamente com a mulher, e, conseqüentemente, com o lado perene da vida, o narrador prefere construir para ele um signo dela.
Em toda a obra de Edgar Allan Poe, seja em poesia, seja em prosa, podemos perceber a morte criada a partir da construção de um signo pela própria aparência da mulher amada: enquanto “viva” no processo de idealização, tem os cabelos negros e encaracolados, e, quando morta, tem os cabelos loiros e lisos – mas todas elas apresentam uma testa avantajada (originada pela crença de Poe na frenologia).

Duplo/Morte/Espelhamento

“O leitor deve ter em mente
que a base de toda a arte da solução,
no que respeita esses assuntos,
deve ser encontrada nos princípios gerais
da própria linguagem”.
Poe


O Duplo é presente em toda obra de Poe, justamente na época da invenção da máquina fotográfica, que causou enorme impacto na época:
O registro do objeto nunca é o próprio objeto, e sim a sua representação. Um instante congelado e eternizado em uma fotografia, apenas demonstra o seu inverso: a morte e a evanescência de cada instante vivido. Qualquer signo, em relação com o objeto, é um duplo. A única foto que se tem de Poe foi tirada um dia após a sua tentativa de suicídio.
O duplo aparece de várias formas na obra de Poe e manifesta-se tanto aos estados psicológicos, quanto à linguagem e à estrutura, formando verdadeiras Gestalts compactas. Quebra-cabeças semióticos. Como disse Decio Pignatari, após uma brilhante análise heurística do conto Berenice: “o conto de terror era afinal um puzzle”, e, segundo ele, o conto O Retrato Oval é uma “vinheta da alienação que o signo – a consciência do signo – produz em relação à vida”. O duplo chega até as formas mais radicais, como no conto William Wilson.
Tanto a estrutura, como os procedimentos de linguagem, são decisivos para obter, nas palavras do próprio E. A. Poe, as “correntes subjacentes de significado”. Utilizando-se esses procedimentos, o escritor apresenta como constante, em toda a sua obra, uma obsessão pelos processos de inversão ou reversão do signo sobre si mesmo. Em 1925, W. Carlos Williams já percebia no escritor “o hábito, emprestado talvez da álgebra, de equilibrar suas frases no meio, ou de invertê-las na última cláusula, um sentido de jogo, como se se tratasse de objetos...”. Essa mesma fascinação de Poe foi demonstrada por Roman Jakobson no seu estudo do poema O Corvo: no refrão Never more/ Never more, tem-se o “never”: imagem especular de “raven” (corvo).
Decio Pignatari já disse que o escritor “compõe ao revés, no componedor, palavras e frases, assim Poe endereça a linguagem à sua função poética por processos anagramáticos e hipogramáticos...”.
Em toda obra de Poe o espelhamento é sempre uma constante. Ao compor as suas narrativas através de elaborada construção cerebral, ele rompe com a linearidade do discurso. O escritor usa de forma intensa jogos de inversão, que se manifestam tanto no nível anagramático lexical, quanto na sintaxe das frases. Mas eles também aparecem na macroconstrução de todas as suas obras. A narrativa sempre é dividida em dois blocos, sendo que um é a inversão do outro.
No poema Raven, por exemplo, a ave surge como uma projeção e exteriorização do personagem (espelhamento – duplo), para conseguir colocar para fora, através do desabafo, os seus questionamentos. Como diz Poe, na Filosofia da Composição, ele o faz pela simples “autotortura”, e, como também é dito neste ensaio, pergunta motivado pela segurança de ter o controle da situação (que ele tanto busca, por temer as suas dúvidas e incertezas), pois sabe que terá apenas uma única resposta.
O poema, como já é de se esperar, apresenta uma estrutura dividida ao meio, sendo uma metade uma inversão da outra. Na primeira, que tem como característica mais evidente o refrão “nada mais”, o personagem passa por um processo de auto-ilusão, imaginando coisas que quer que aconteçam, e banalizando os seus anseios e a sua decepção pelas ilusões que não se concretizam, com frases do tipo: “É apenas isso e nada mais”. Atitude que apenas torna patente a sua insegurança.
Na segunda parte ocorre o inverso: a, crescente e contínua, desilusão do personagem é refletida na imagem do Corvo (símbolo do mau agouro), pois, como dizem Jakobson e Pignatari, a ave é aquilo que diz (a desilusão) e diz a si mesmo (como a ave, no poema, fala com o personagem, e, como foi dito, ela fala a si mesmo, ela não é nada mais nada menos que a projeção do personagem).
Poe percebeu que na impressão tipográfica os caracteres são colocados na prensa de forma “espelhada” – o escritor deve ter tido um dos insights que originou esta característica marcante no seu estilo. No conto Xizando um Editorial, por exemplo, foi incorporada de maneira metalingüística no seu texto.
Podemos perceber o espelhamento de toda a estrutura em várias de suas obras, como n’O Barril de Amnontillado, onde – na metade do conto – aprece o “intervalo entre dois colossais pilares de teto das catacumbas”, que é o elemento mais importante do conto; e na Queda da Casa de Usher, que tem um poema bem no centro do conto, como se fosse a “fenda (...) descendo em ziguezague” pelo meio da casa (com “janelas vazias, semelhando olhos”) no ponto onde ela é rompida no final do conto – o rosto da casa é morto junto com os Ushers –, e logo no início o narrador vê a própria casa no espelhamento do eco no lago “– com um tremor ainda mais forte do que antes”. Até a imagem do quadro pintado por Usher na 1ª parte ecoa com o local onde ele enterra a sua irmã (o túnel ou adega). “Nos livros de Edgar Poe, [segundo Baudelaire] o estilo é cerrado, concatenado; (...) todas as idéias, como flechas obedientes, voam para o mesmo alvo.”

“No caso presente – assim como em todos os casos de escrita cifrada – a primeira questão diz respeito à linguagem”. (O Escaravelho de Ouro, Poe)

Não Palavra

No conto O Poder das Palavras, ele afirma que a emissão das palavras modifica toda a estrutura do cosmos, alterando o curso das estrelas, criando e tirando vida. Como resposta ao uso banalizado que julgava ser feito das palavras na sua época, Edgar Poe explorou também a não-palavra, acreditando também que somente assim determinados sentimentos e impressões poderiam ser expressos.


Fixação de Poe pelos pêndulos

“O pêndulo oscilava para lá e para cá...”
A Máscara da Morte Rubra, Poe

Uma característica presente em toda a obra de Edgar Poe é a fixação por movimentos pendulares, presentes tanto nos textos quanto nas próprias estruturas. Podemos observar tanto em exemplos óbvios, como O Poço e o Pêndulo entre outros, como na estrutura de poemas, como The Bells, ou na própria repetição nothing more/ nevermore, do poema O Corvo. Não raro os movimentos pendulares são associados aos ciclos naturais e cósmicos; e principalmente à morte como, por exemplo, no Colóquio Entre Monos e Una onde lemos a seguinte descrição de desfalecimento: “E então, do aniquilamento e do caos dos sentidos normais pareceu-se ter-se erguido dentro de mim um sexto sentido, inteiramente perfeito.(...) Deixa-me denominá-la uma pulsação mental pendular. Era a corporificação moral da idéia abstrata que o homem tem do Tempo. Em absoluta consonância com esse movimento – ou coisa equivalente – é que os ciclos dos próprios orbes celestiais foram ajustados.”

Sons a partir de Poe

Poe e Anton Webern

“assim como uma intensa paixão pelas sutilezas,
talvez mesmo mais do que pelas belezas ortodoxas
e facilmente reconhecíveis,
da ciência musical.”
A Queda da Casa de Usher, Poe

Podemos encontrar diversas semelhanças estruturais na obra poeana e weberniana. Uma delas é a fixação por formas espelhadas. Webern radicalizou o dodecafonismo schoenberguiano, com utilização das formas espelho, caranguejo e retrógrado construindo espelhamentos em todos os sentidos, construindo diamantes musicais, o que levou Herbert Eimert denominá-lo “o arquiteto monádico da forma-espelho” – Poe foi denominado por muitos como o engenheiro dos espelhos. Assim, como o escritor, o compositor buscava montar estruturas simétricas e bipartidas, tanto nas macro como nas micro-estruturas.
É um consenso geral nomear Edgar Allan Poe como o criador dos contos curtos. Para o escritor, cada conto deveria ser lido em “uma sentada”, o que o levou a buscar sempre o máximo de concentração e brevidade. Assim também fez o compositor vienense, compondo obras que duram entre dois e três minutos, com movimentos de poucos segundos, verdadeiros haicais sonoros. Ambos usaram com muita importância tanto o silêncio, quanto o espelhamento geral da estrutura.

Poe e Bach

No poema The Raven, por exemplo, a repetição constante do nothing more / nevermore atua como um baixo contínuo durante todo o poema, com uma alteração na sua metade, o que é uma característica marcante na música barroca, assim como as constantes repetições e estruturas simétricas.
É importante salientar a obra de Bach como grande alicerçadora do sistema temperado de afinação e das regras harmônicas presentes por séculos na música erudita ocidental: o chamado tonalismo – aonde todas as notas giram em torno de um mesmo centro tonal – assim como continuam várias estruturas criadas por Poe na literatura. Podemos encontrar na “Filosofia da Composição” fragmentos que realçam este raciocínio (tonal): “(...) fazendo com que os incidentes e, especialmente, o tom da obra tendam para o desenvolvimento de sua intenção. (...) Estando assim determinados (...) o tom, entreguei-me à indução normal, a fim de obter algum efeito artístico agudo que me pudesse servir de nota – chave na construção do poema, algum eixo sobre que toda a estrutura devesse girar.(...) Resolvi fazer diversamente, e assim elevar o efeito, aderindo, em geral à monotonia do som, porém continuamente variando na idéia; isto é, decidi produzir continuamente novos efeitos pela variação da aplicação do estribilho, permanecendo este, na maior parte das vezes, invariável.”

Outros

Poe influenciou direta, ou indiretamente, vários outros compositores. Ravel tinha-o como grande professor de composição, e Debussy – que tem como uma de suas primeiras obras-primas o Prelúdio à tarde de um fauno, a partir de um poema de Mallarmé (enorme discípulos de Poe) – passou os últimos anos tentando compor a ópera A Queda da Casa de Usher, que nunca concluiu.

Imagens a partir de Poe

Vários pintores e gravuristas foram influenciados por Poe, inclusive os que fizeram obras a partir de seus textos. Citaremos apenas o gravurista Gustave Doré – que fez uma série de gravuras a partir do Corvo – e Odilon Redon – pintor e artista gráfico, influenciado por Doré e amigo de Mallarmé, que fez uma série de gravuras a partir da obra de Poe.
Ele também influenciou muito os quadrinhos, com desenhistas criando grandes obras a partir de seus contos. Falaremos apenas de dois grandes mestres/inventores que trabalharam a partir de seus contos: Will Eisner, que criou uma versão da Queda da Casa de Usher; e Guido Crepax, que fez ilustrações a partir do conto Os Crimes da Rua Morgue em 1951, quando era estudante de arquitetura, até desenhar, em 1972, contos de Poe com a sua grande técnica de quadrinhos (e cheio do seu lado sadomasoquista).

Imagens & Sons a partir de Poe

Uma grande quantidade de diretores de cinema foi influenciada por criações de Poe (assim como na literatura, filosofia, etc.). Até os terríveis filmes blockbusters sobre crimes e assassinatos pariram das idéias poeanas. Ficaremos em poucos exemplos, que foram realmente feitos a partir de obras de Edgar Allan Poe.

tradução cinematográfica de Jean Epstein para A Queda da Casa de Usher

No conto, Roderick Usher têm como doença uma hipersensibilidade dos sentidos – já no filme, Epstein faz o oposto: o narrador é que têm os sentidos muito fracos (tendo que usar uma lente para os olhos, quando quer ler; e um fone para os ouvidos, quando quer escutar).
Epstein constrói o filme a partir de dois contos de Poe: A Queda da Casa de Usher e O Retrato Oval. No primeiro conto Roderick é irmão gêmeo de Madeline, mas no filme eles são marido e mulher (como n’O Retrato Oval, e, como neste conto, ele a pinta transformando-a em idéia, conforme ela vai morrendo) – até nos textos que aparecem no filme está escrito que é nas pinturas onde as mulheres da família Usher tornam-se “a idéia sobre o real”. No filme, Roderick Usher olha para o quadro (onde Madeleine até pisca os olhos) e diz: “É lá que ela vive”. Quanto mais a pintura vive, mais a mulher morre – até morrer de fato.
No conto, Roderick e o narrador não contam para ninguém que a Madeline morreu – no filme, todos sabem e Usher tenta convencer o médico de que ela não morreu. Enquanto ele olha para a sua pintura, o mordomo e o médico passam a tampa do caixão pela frente de sua esposa pintada. No texto de Poe, apesar dos ruídos, só vemos Madeleine voltando para a casa quando ela entra no quarto – já no filme, enquanto o narrador lê para Roderick, já aparece ela saindo e, ao contrário do conto, que os Ushers morrem com a casa (e várias vezes é citado que os Ushers são a casa) infelizmente os três escapam.


BIBLIOGRAFIA


Araújo, Ricardo. Edgar Allan Poe: Um Homem em Sua Sombra. Poema Alone traduzido por Augusto de Campos. São Paulo: Ateliê Editorial, 2002.
Bachelard, Gaston. A Água e os Sonhos: ensaio sobre a imaginação da matéria. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
Balbuena, Monique Rodrigues. Poe e Rosa à luz da cabala. Nota por Haroldo de Campos. Rio de Janeiro: Imago Editora,1994.
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Mallarmé, Stéphane. Mallarmé. Poema Le Tombeau d’Edgar Allan Poe traduzido por Augusto de Campos. São Paulo: Editora Perspectiva, 2002.
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Ravoni, Marcelo & Riva, Valerio. Il Piacre della Paura. Lady Ligeia, Dino Battaglia. Textos e desenhos sobre a influência de Poe nos quadrinhos (Will Eisner, Guido Crepax, etc.). Verona: Arnoldo Mondadori Editore, 1973.
Selz, Jean. Odilon Redon. Paris: Flammarion, 1971.
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Xavier, Ismail, org. A Experiência do Cinema : antologia. O Cinema e as Letras Modernas, Jean Epstein. Rio de Janeiro: Edições Graal: Embrafilme, 1983.

FILMOGRAFIA

Epstein, Jean & BUÑUEL, Luis. The Fall of the House of Usher. 1928.
Fellini, Federico; Roger, Vadim & Louis Malle. História Extraordinárias da obra de Edgar Allan Poe. 1969

CD
Walken, Christopher. The Raven. s.d.