Páginas

19.1.26

continua/Bertolt Brecht/Poesia/introdução & tradução André Vallias/continua

INTRODUÇÃO
[DEVOCIONÁRIO]
[REGRESSO]
5.13
Em seu discurso no Kremlin, o poeta declarou que os clássicos do socialismo reavivados pelo grande outubro e os relatos sobre a construção de uma nova sociedade na União Soviética tiveram uma influência decisiva sobe ele e lhe deram o conhecimento necessário:
A mais importante das lições era que um futuro para a humanidade só se torna visível a partir de baixo, do ponto de vista dos oprimidos e explorados. Somente lutando ao seu lado, luta-se pela humanidade.
5.16
“Fui eu que fiz.” Eisler quis então saber como ele a tinha composto e ouviu o seguinte: “sempre me lembrei de que você, em certas composições, também utiliza o método contrapontístico da inversão, de que você inverte um tema. Assim, peguei a marcha fúnebre de Chopin, o trio, inverti e surgiu essa melodia”.
5.17
Era o semioticista Roland Barthes, que assistira à peça com seus colegas da recém-fundada revista Théâtre Populaire. Num depoimento a Jean-José Marchand gravado em 1971, ele revela:
lluminou completamente não só a minha concepção do teatro como revelou, deu uma base teórica àquilo que eu amava e àquilo que eu não amava no teatro. Mas, além disso, eu descobri com entusiasmo, no que concerne ao teatro, um pensamento que não tinha medo da teoria. Foi o que me tocou em Brecht. E, também em Brecht, um marxista que não tinha medo de levantar problemas estéticos de gosto, de não vulgaridade, de sentido moral etc.
Perguntado se essa exemplaridade tinha relação com a fundamentação marxista de Brecht, Barthes responde:
Sim, mas, como sempre, não só. Isso quer dizer, não basta ser marxista para se fazer um bom teatro, é óbvio, é até mesmo, muitas vezes, um obstáculo. E, justamente, Brecht, para mim, foi o exemplo de alguém que havia assimilado profundamente a própria essência do marxismo que é, perde-se muito de vista isso atualmente, a dialética. Brecht foi um grande dialético, no sentido realmente forte da palavra, e no sentido que a palavra dialética tem no marxismo. Brecht foi um grande dialético, e o que era admirável é que esse dialético colocava em cena problemas técnicos de dramaturgia de uma extrema fineza.

BRECHT, Bertolt. 1898-1956. Poesia / Bertolt Brecht (Eugen Bertholt Friedrich Brecht); 300 poemas (edição bilíngue); fragmentos dos diários, anotações autobiográficas, 20 textos sobre poesia; seleção, introdução & tradução André Vallias; texto de 2a capa Augusto de Campos; e 3a capa Lion Feuchtwanger (1928).  São Paulo: Perspectiva, 2019. – (Coleção Signos; 60 / dirigida por Augusto de Campos)

Nenhum comentário:

Postar um comentário