Apenas na primeira olhada, já te pega para ler, como todo o trabalho do Mutarelli. Muita técnica e muita colagem, com personagens de outras obras dele e a eterna presença de Gardel. Tudo sob a sombra de Stevenson, Robert Louis.
O que começa como o desafio de reescrever um clássico gótico vitoriano transforma-se, nas mãos de Lourenço Mutarelli, em uma reflexão íntima sobre dependência, perda e criação artística. Ao receber o convite para adaptar O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, o autor esbarra em seus próprios demônios e na trágica figura de seu irmão, tragado pelo vício.
Esqueça a Londres de 1886. Entre doses de uísque, canetas nanquim e vislumbres de uma interdimensão lisérgica, Mutarelli entrega um de seus trabalhos gráficos mais ambiciosos e pessoais. Um livro em que texto e imagem se entrelaçam para explorar o limiar convulsivo, onde a identidade se dissolve e a arte se torna a última trincheira contra a morte.
A edição tem acabamento de luxo, com formato widescreen, capa dura, lombada arredondada e 112 páginas em cores, impressas em papel couchê de alta gramatura.
Lourenço Mutarelli nasceu em 1964, em São Paulo. Publicou diversos álbuns de quadrinhos, entre eles Transubstanciação (1991), Desgraçados (1993), Eu Te Amo Lucimar (1994), A Confluência da Forquilha (1997) — reunidos em Capa Preta (2019) — e Diomedes: A Trilogia do Acidente (volume único publicado em 2012). Escreveu peças de teatro — reunidas em O Teatro de Sombras (2007) — e os livros de ficção O Cheiro do Ralo (2002, adaptado para o cinema em 2007), Jesus Kid (2004), O Natimorto (2004, adaptado para o cinema em 2008), A Arte de Produzir Efeito Sem Causa (2008), Miguel e os Demônios (2009), Nada me Faltará (2010), O Grifo de Abdera (2015), O Filho Mais Velho de Deus e/ou Livro IV (2018) e O Livro dos Mortos (2022).







