29.6.26

entra/Karlheinz Stockhausen/Tierkreis/Oberlippentanz für Trompete Solo/Markus Stockhausen/sai

Tierkreis

Suzanne Stephens, Klarinette

Kayhinka Pasveer, Flöte

Markus Stockhausen, Trompete und Klavier

 

Oberlippentanz für Trompete Solo

 Markus Stockhausen, Trompete

Texto do encarte de 1986: Karlheinz Stockhausen (1928-2007)

28.6.26

continua/drummond/Dispersos/Viola de Bolso III/entra

 

ANDRADE, Mario Drummond de. 1902-1987. Poesia Completa / Dispersos / Viola de Bolso III / Carlos Drummond de Andrade. (conforme as disposições do autor) Fixação de textos e notas de Gilberto Mendonça Teles. Introdução de Silviano Santiago. Biblioteca Luso-brasileira / Série Brasileira.  1a tiragem da primeira edição, 2002  Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar S.A., 2003. 

Mathias Lehmann/Chumbo/sai

LEHMAN, Mathias (1978- ). Chumbo / Mathias Lehmann; tradução Fernando Scheibe, Bruno Ferreira Castro; texto de 4a capa Érico Assis. –1 ed– São Paulo: Autêntica Editora; Nemo, 2024.  (60 anos do Golpe Militar no Brasil/19642024)
 
Bela narrativa que mistura personagens semelhantes com pessoas reais (parentes do autor) e com a História do Brasil entre 1937 até 2003.
Através de Minas Gerais (e Belo Horizonte): Vargas e o Estado Novo; coronel Olímpio Mourão Filho criando falso relatório a partir do falso Protocolo dos Sábios de Sião, mas com nome plano Cohen; Acção Integralista Brasileira; torturas; Pampulha; suicídio de Vargas; Olímpio Mourão Filho voltando como um dos principais responsáveis pelo início da ditadura, em 1 de abril de 64; DOI-CODI; Carlos Brilhante Ustra; torturas e mortes; Collor, etc.
E os muitos personagens da trama: Desde um torturador da Acção Integralista Brasileira, que vira torturador do DOI-CODI, até virar chefe de jogo do Bicho, até virar reportagem por ter sido torturador. Outro, o personagem principal, a partir do tio do Lehman, começa criança, o personagem anterior trabalhava para o seu pai, vira jornalista, é perseguido, torturado, pelo personagem anterior também, etc. 
O tio foi o escritor Roberto Drummond. O livro termina com a escultura sendo inaugurada.
Depois ela já passou por vários atos de destruição. A última vez ela foi derrubada e, atualmente, está sendo restaurada(?).

logotipo Ferréz

Logotipo de Paulo Vidal de Castro & Thais Vilanova

Usando o tipo Rialto, em versal. Talvez um dos tipos mais bonitos e puros já criados. Como o nome já diz, que é o mesmo da ponte Rialto, sua estrutura foi desenvolvida a partir da arquitetura de Veneza (a mais impressionante da Europa, depois de Atenas séculos antes), que, tanto a ponte quanto a cidade, atingiu o seu ponto extremo, moderno e funcional no séc xvi. Foi desenvolvida pelo calígrafo veneziano Giovani de Faccio e pelo tipógrafo austríaco Lui Karner e lançada em 1999.

Já o É foi realizado como um contraste marginal. Com o traço na vertical que faz tanto a ligação dos traços na horizontal, para criar a letra, como o acento. 

26.6.26

continua/CATALVNYA ROMÀNICA XV EL PALLARS: EL PALLARS SOBIRÀ, EL PALLARS JVSSÀ/Antoni Pladevall i Font

El Pallars é dividida em El Pallars Sobirá e El Pallars Jussá. 

Em baixo (Sul) da lagoa principal está a capital, Tremp. 
 
Em cima (Norte) está La Pobla de Segur.


As construções mais antigas da Catalunha são o túmulos que existem desde o Período Neolítico até a Idade de Bronze. Todos na região de La Pobla de Segur. A maioria sobre a terra, mas seque abaixo um exemplo de um a céu aberto:

Tenhos um ímã/lembrança de geladeira da Casa Mauri, de quando estivemos em La Pobla de Segur. Casa Mauri (Pobla)/Sesc Lina Bo Bardi (aqui do lado):

FONT, Antoni Pladevall i. CATALVNYA ROMÀNICA XV EL PALLARS: EL PALLARS SOBIRÀ, EL PALLARS JVSSÀ / Coordinador científic de lobra Joan-Albert Adell i Gisbert Arquitecte. Amb la col·laboració de la Generalitat de Catalunya i sota l’alt patrocini de L’Organització de les Nacions Unides per a l’educació, la ciència i la cultura (UNESCO). — Barcelona: Fundació Enciclopèdia Catalana, 1993.

continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua

<fase média>

Dumas pai: “Em setembro de 1846, o ministro Salvandy lhe propôs que partisse para a Argélia para escrever um livro sobre a colônia... Dumas ... que era lido  num cálculo modesto  por cinco milhões de franceses, transmitiria certamente a 50 ou 60.000 mil deles o gosto de colonizar... Salvandy ofereceu 10.000 francos para pagar as despesas de viagem, Alexandre ainda exigiu ... um navio do Estado... Por que o Veloce, que deveria embarcar prisioneiros liberados em Melilla, foi para Cádiz...? ...Os parlamentares ... se lançaram sobre o incidente; e o Sr. de Castellane questionou a lógica de uma missão científica ser confiada ... a um empresário de folhetins. A bandeira francesa foi rebaixada para proteger sob sua sombra ‘este senhor’; 40.000 francos foram gastos sem razão, e o ridículo foi enorme.” O caso terminou a favor de Dumas, depois que ele teve sua proposta de duelo recusada por Castellane. J. Lucas-Dubreton, La Vie dAlexandre Dumas Père, Paris, 1928, pp. 146, 148-149.
[d 4, 1]
[...]
“O exemplar incompleto da Biblioteca Nacional é suficiente para avaliarmos a ousadia e a novidade do empreendimento tentado por Balzac... O Feuilleton des Joumaux Politiques não visava nada menos que a supressão das livrarias. Seria preciso organizar a venda direta do editor ao comprador ... cada um teria seu benefício — o editor e o autor ganhando mais, e o comprador pagando menos pelos livros. O acordo ... não deu resultado, sem dúvida porque as livrarias se opuseram.” Louis Lumet, Introdução a Honoré de Balzac, Critique Littéraire, Paris, 1912, p. 10.
[mas, finalmente, isso acontece hoje. Algumas livrarias — Simples, Martins Fontes — também tentam fazer o mesmo com livros das editoras (como a Martins, que tem mesmo tendo 2 editoras, faz de outras, até de editoras estrangeiras)] 
[d 4a, 3]
[...]
Victor Hugo, em carta a Baudelaire  com referência específica aos poemas “Les sept vieillards” e “Les petites vieilles”, ambos dedicados a Hugo (que forneceu o modelo para o segundo poema, como comunica Baudelaire a Poulet-Malassis): “Você põe no céu da Arte algo como um raio macabro. Você cria um frêmito novo.” Cit. em Louis Barthou, Autour de Baudelaire, Paris, 1917, p. 42 (“Victor Hugo et Baudelaire”).
[d 5, 6]
Maxime Leroy, em Les Premiers Amis Français de Wagner, explica que o momento revolucionário representou um papel importante na conversão de Baudelaire a favor de Wagner. De fato, reunia-se em tomo das obras de Wagner uma fronda antifeudal. O fato de o balé ter sido abolido de suas óperas escandalizou os aficionados do gênero.
[d 5, 7]
[...]
A respeito de Victor Hugo: Baudelaire “acreditava na coexistência do gênio com a tolice”. Louis Bardiou, Autour de Baudelaire, Paris, 1916, p. 44 (“Victor Hugo et Baudelaire”). No mesmo sentido, antes do banquete organizado por ocasião do tricentenário do nascimento de Shakespeare (23 de abril de 1864), ele fala do “livro de Victor Hugo sobre Shakespeare, que, cheio de belezas e de tolices como todos os seus outros livros, talvez ainda desaponte seus mais sinceros admiradores” (cit. em op. cit., p. 50). E: “Hugo, sacerdote, tem sempre a cabeça inclinada, inclinada demais para enxergar alguma coisa além de seu umbigo.” (cit. em op. cit., p. 57)
[d 6, 2]
A administração do Feuilleton des Joumaux Politiques oferecia certos livros abaixo do preço oficial, sem intermédio das livrarias. Balzac orgulha-se da própria iniciativa, contra as hostilidades dos opositores, e almeja consolidar por meio dela o contato direto entre editor e público. No primeiro exemplar da publicação, Balzac apresenta a história do mercado livreiro e editorial desde a revolução de 1789, encerrando-a com a seguinte exigência: “É preciso, enfim, que se consiga que um livro seja fabricado exatamente como um pão, e seja vendido como um pão; que não haja outro intermediário entre um autor e um consumidor senão o livreiro. Então esse comércio será o mais seguro de todos... Quando um livreiro for obrigado a gastar uma dezena de milhares de francos numa operação, ele não a fará de forma arriscada nem mal planejada. Então eles perceberão que a instrução é uma necessidade de sua profissão. Um vendedor que não sabe em que ano Gutemberg imprimiu a Bíblia não imaginará que, para ser livreiro, basta apenas inscrever seu nome acima de uma loja.” Honorc de Balzac, Critique Littéraire, com introdução de Louis Lumet, Paris, 1912, pp. 34-35.
[Atualmente temos que pesquisar para encontrar as, boas, padarias que fazem pão de verdade, azedo e  com fermentação natural lenta. Mas ainda existe]
[d 6, 3]
Pélin publica a carta de um editor que se declara disposto a comprar o manuscrito de um autor com a condição de poder publicá-lo sob o nome de quem ele quisesse (“com a condição ... de que ele seja assinado por uma pessoa cujo nome poderá ser para meu negócio um elemento de sucesso”). Gabriel Pélin, Les Laitleurs du Beau Paris, Paris, 1861, pp. 98-99.
[d 6, 4]
Honorários. Victor Hugo recebe 300.000 francos de Lacroix em troca da cessão dos direitos sobre Les Misérables por 12 anos. “É a primeira vez que Victor Hugo recebe uma soma tão elevada. ‘Em vinte e oito anos de trabalho intenso, diz o Sr. Paul Souday, com uma obra de 31 volumes ... ele havia embolsado ao todo 553.000 francos... Ele nunca ganhou tanto quanto Lamartine, Scribe ou Dumas pai...’ Lamartine, de 1838 a 1851, recebeu algo em torno de cinco milhões de francos, dos quais 600.000 foram pela Histoire des Girondins. Edmond Benoit-Lévy, “Les Misérablesde Victor Hugo, Paris, 1929, p. 108. Relação entre ganhos e aspirações políticas.
[d 6a, 1]
“Quando Eugène Sue, depois de Les Mystères de Londres ... concebeu o projeto de escrever Les Mystères de Paris, sua proposta básica era a de interessar o leitor pela descrição do submundo. Ele começou qualificando seu romance de ‘história fantástica’... Foi um artigo de jornal que decidiu seu futuro; o La Phalange fez um elogio ao início do romance que abriu os olhos do autor: ‘O Sr. Sue acaba de empreender a crítica mais incisiva da sociedade... A ele as nossas felicitações, por haver retratado ... os terríveis sofrimentos do povo e a cruel indiferença da sociedade...’ O autor desse artigo ... recebeu a visita de Sue; eles conversaram — e foi assim que o romance já começado tomou um novo rumo... O próprio Eugène Sue convenceu-se, participou da batalha eleitoral, foi eleito... (1848)... As tendências e o alcance dos romances de Sue eram tais que o Sr. Alfred Nettement viu neles uma das causas determinantes da Revolução de 1848.” Edmond Benoit-Lévy, “Les Misérablesde Victor Hugo, Paris, 1929, pp. 18-19.
[d 6a, 2]
Um poema saint-simoniano dedicado a Sue como autor de Les Mystères de Paris. Savinien Lapointe, “De mon échoppe”,9 in: Une Voix den Bas, Paris, 1844, pp. 283-296.
[d 6a, 3]
[...]
Os romances de George Sand provocaram um aumento do número de divórcios, quase todos requeridos pela mulher. A autora mantinha uma vasta correspondência, na qual assumia o papel de conselheira das mulheres.
[d 6a, 7]
[...]
“A audácia com que o comunismo, esta lógica ... da democracia, ataca a sociedade na ordem moral, anuncia que ... o Sansão popular, tornando-se prudeiue, solapará as colunas sociais no porão, em vez de sacudi-las na sala do banquete.” Balzac, Les Paysans, cit. em Abbé Charles Calippe, Balzac: Ses ldées Sociales, Reims-Paris, 1906, p. 108.
[d 9,1]
 
9 Échoppe tem o duplo sentido de oficina e buril. 0 autor, Savinien Lapointe, foi um sapateiro que realizou também gravuras em couro. (E/M) 

BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.  

23.6.26

Ca la Naïta a la USP

Tenim la gran il·lusió d'anunciar-vos que Ca la Naïta venen a la Universitat de São Paulo aquest 23 de juny per presentar-nos el seu projecte Les Dones de la Nova Cançó!
Ens oferiran una xerrada i un concert en què descobrirem les veus femenines més destacades d'aquest moviment musical, nascut a finals dels anys cinquanta com a forma de resistència cultural i lingüística contra la dictadura franquista. 

23 de juny
17 h
Aula 266 de l'edifici de Lletres (FFLCH)
L'entrada és oberta a tothom!
Us hi esperem per compartir una tarda de música, història i cultura catalana!

Activitat duta a terme amb el suport de @irllull. 

É curioso pois, mesmo se aproximando de varias culturas, de vários séculos, até chegar algumas vezes no jazz, é comum estar presente algo da raiz dos Trovadores da Occitânia, o auge da poesia como som, como escreveu Ezra Pound.

Faltou apenas um Pa amb tomàquet após a apresentação. 

20.6.26

continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua

  
b
[Daumier]
<fase média>

Uma descrição paradoxal da arte de Daumier: “A caricatura, para ele, tornou-se uma espécie de operação filosófica que consistia em separar o homem daquilo que a sociedade fez dele, para mostrar como ele era, fundamentalmente, o que ele poderia ter sido em um outro meio; numa palavra, ele extraía o eu latente.” Edouard Drumont, Les Héros et les Pitres, Paris, 1900, p. 299 (“Daumier”).
[b 1, 1]
Sobre o burguês de Daumier: “O guarda-chuva sobre o qual se apóia este ser ossificado, inerte, cristalizado, à espera do ônibus, exprime algo como uma idéia de petrificação absoluta.” Edouard Drumont, Les Héros et les Pitres, Paris, 1900, p. 304 (“Daumier”).
[b 1, 2]
[...]
Sobre Daumier: “Ninguém como ele conheceu e amou (à maneira dos artistas) o burguês, este último vestígio da Idade Média, esta ruína gótica cuja vida é tão dura, este tipo ao mesmo tempo tão banal e tão excêntrico.” Charles Baudelaire, Les Dessins de Daumier, Paris, 1924, p. 14.3 
[b 1a, 3]
[...]
3 Baudelaire, OC II, p. 555. (J.L.)  
[...] 
d
[História Literária, Hugo]
 [...]
“Quem conhece os títulos de todos os livros que Dumas assinou? Será que ele próprio os conhece? Se ele não manteve um registro com duas colunas, a de débito e a de crédito, evidentemente ele terá se esquecido ... de mais de um desses filhos, de quem ele é o pai legítimo, ou o pai natural, ou o padrinho. As produções desses últimos meses somam mais de trinta volumes.” Paulin Limayrac, “Du roman actuel et de nos romanciers”, Revue des Deux Mondes, XI, Paris, 1845, n° 3, pp. 953-954.
[d 1, 4]
 
BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.  

19.6.26

continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua

  
<fase tardia> 
 [...] 
Blanqui no Libérateur de março de 1834: “Ele demoliu com uma comparação o famoso lugar comum: ‘Os ricos colocam os pobres para trabalhar.’ ‘Mais ou menos’, disse ele, como os fazendeiros colocam os negros para trabalhar, com a diferença que o operário não é um capital para ser administrado, como o era o escravo’.” Gustave Geffroy, LEnfermé, Paris, 1926, vol. I, p. 69.
[a 20, 2]
Propostas de Garat, de 2 de abril de 1848: “Instalação de um cordon sanitaire [cordão de isolamento] em volta das residências dos ricos, que são destinados a morrer de fome.” Gustave Geffroy, LEnfermé, Paris, 1926, vol. I, p. 152.
[a 20, 3]
[...]
Blanqui, durante o interrogatório do processo da Societè des Amis du Peuple, respondendo às perguntas do presidente: ‘“Qual a sua profissão?’ — Blanqui: ‘Proletário.’ — O presidente: ‘Isso não é uma profissão.’  Blanqui: ‘Como não?! Não é uma profissão?! Pois é a profissão de trinta milhões de franceses que vivem de seu trabalho e que estão privados de direitos políticos.’ — O presidente: ‘Pois bem! que seja. Escrivão, escreva que o acusado é proletário.Défense du Citoyen Louis Auguste Blanqui Devant la Cour dAssises, 1832, Paris, 1 832, p. 4.
[a 20, 8]
[...]
“O homem de gênio representa ao mesmo tempo a maior força e a maior fraqueza da humanidade... Ele prega às nações que o interesse do fraco e o interesse do gênio se confundem, que não se pode atingir um sem atingir o outro, e que o último limite da perfeição só será alcançado quando o direito do mais fraco tiver substituído sobre o trono o direito do mais forte.” Auguste Blanqui, Critique Sociale, Paris, 1885, vol. II, Fragments et Notes, p. 46 (“Propriété intellectuelle” — 1867 — Conclusão!).
[a 20a, 3]
[...] 
Doutrina de Blanqui: “Não! Ninguém sabe nem detém o segredo do futuro. Somente alguns pressentimentos, golpes de vista, vislumbres vagos e fugidios, são possíveis aos mais clarividentes. Apenas a Revolução, aplainando o terreno, iluminará o horizonte, levantará pouco a pouco as velas, abrirá as estradas, ou melhor, as trilhas múltiplas que conduzem à ordem nova. Aqueles que pretendem ter no bolso o mapa completo dessa terra desconhecida, estes são insensatos.” Auguste Blanqui, Critique Sociale, Paris, 1885, vol. II, pp. 115-116 (“Les Sectes et la Révolution”, outubro de 1866).
[a 20a, 5]
[...] 
“A matéria assumirá ... a figura de um ponto no céu? Ou se contentará com mil, dez mil, cem mil pontos que aumentariam de modo insignificante seu magro domínio? Não, sua vocação e sua lei é o infinito. Ela não se deixará ultrapassar pelo vazio. O espaço não se tornará seu cárcere.” A. Blanqui, LEternité par les Astres: Hypothese Astronomique, Paris, 1872, p. 54.
[a 21, 4]
No fim de uma assembléia, nos primeiros dias da Terceira República: “Louise Michel anunciou que iam pedir esmolas para as mulheres e os filhos dos prisioneiros. ‘O que nós vos pedimos’, disse ela, hão é um ato de caridade, mas um ato de solidariedade, porque aqueles que fazem caridade sentem-se depois orgulhosos e contentes; mas nós, nós não estamos nunca satisfeitos’.” Daniel Halévy, Pays Parisiens, Paris, 1932, p. 165.
[a 21, 5] 
[...]
Barricadas: “Às nove horas, em uma bela noite de verão, Paris  sem lampiões, sem boutiques , sem gás, sem veículos  oferecia um quadro único de desolação. À meia-noite, com as pedras do calçamento amontoadas, com suas barricadas, seus muros em ruínas, suas mil carruagens atoladas na lama, seus boulevards devastados, com suas mas negras e desertas, Paris não se parecia com nada de conhecido; Tebas e Herculano seriam menos tristes: nenhum ruído, nenhuma sombra, nenhum ser vivo, fora o operário imóvel que guardava a barricada com seu fuzil e suas pistolas. Como moldura de tudo isso, o sangue da véspera e a incerteza do amanhã.” Barthélemy e Méry, LInsurrection: Poème, Paris, 1830, pp. 52-53 (Nota). ■ Antiguidade parisiense ■
[a 21a, 1]
“Quem poderia imaginar! Dizem que, irritados contra a hora,
Novos Josués, ao pé de cada torre,
Atiraram nos relógios para parar o dia.”

A este respeito, a nota: “Este é um traço único na história da insurreição; é o único ato de vandalismo cometido pelo povo contra os monumentos públicos — e que vandalismo! Como ele exprime bem o estado dos espíritos na noite de 28!
27 Com que raiva assistia-se cair a sombra, e o impassível ponteiro que avançava para a noite como nos dias comuns! O que há de mais singular neste episódio é que ele se deu na mesma hora em bairros diferentes; não foi uma idéia isolada, um capricho excepcional, mas um sentimento quase geral.”28 Barthélemy e Méry, LInsurrectionPoème Dedié aux Parisiens, Paris, 1830, pp. 22 e 52.
[a 21a, 2]
Na Revolução de Julho, pouco tempo antes que se afirmasse a bandeira tricolor, o estandarte dos insurgentes era negro. Com ele cobriu-se o <corpo> feminino, sem dúvida o mesmo que foi carregado à luz de tochas pelas ruas de Paris.29 Cf. Barthélemy e Méry, LInsurrection, Paris, 1830, p. 51.
[a 21a, 3] 
[...]
O tipógrafo Burgy, em seu livro Présent et Avenir des Ouvriers, prega ... o celibato a seus compagnons: o quadro da condição proletária não estaria completo sem o traço da resignação e do derrotismo.” Jean Cassou, Quarante-huit, Paris, 1939, p. 77.
[a 22a, 1]
Guizot em Du Mouvement et de la Résistance en Politique: “Todo homem que, com uma inteligência acima da média, não tem nem uma propriedade nem uma indústria, isto é, que não quer ou não pode pagar um tributo ao Estado, deve ser considerado um homem perigoso do ponto de vista político.” Cit. em Cassou, Quarante-huit, p. 152.
[a 22a, 2]
Guizot, em 1837, na Câmara: “Contra essa disposição revolucionária das classes pobres, os senhores hoje não têm nenhuma outra garantia eficaz e poderosa  afora o uso da força legal — a não ser o trabalho, a necessidade incessante do trabalho.” Cit. em Cassou, Quarante-huit, pp. 152-153.
[a 22a, 3]
Blanqui na carta a Maillard: “Graças aos céus, há muitos burgueses no campo Proletário. São eles que constituem a principal força, ou, pelo menos, a mais persistente. Eles trazem nm contingente de luzes que o povo infelizmente não pode ainda fornecer. Foram os Burgueses que ergueram primeiro a bandeira do Proletariado, que formularam as doutrinas igualitárias, que as propagam, que as mantêm, e que as reerguem depois da queda. Por toda parte, são os burgueses que conduzem o povo em suas batalhas contra a Burguesia.” A passagem seguinte trata da exploração do proletariado como tropa de choque da política burguesa. Maurice Dommanget, Blanqui à Belle-Ile, Paris, 1935, pp. 176-177.
[a 22a, 4]
 
27 28 de julho de 1830 foi o segundo dos três dias de insurreição, conhecidos como “os três dias gloriosos (les trois gloríeuses) da Revolução de Julho. (E/M)
28 Cf. a tese XV de W. Benjamin, Über den Begriff der Geschichte, GS I, 702; Teses, p. 123. (w.b.)
29 Ver a 1, 3, embora esta passagem se refira à Revolução de Fevereiro de 1848. (E/M)  
 
BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.  

continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua

  
Diferente de Saint-Simon e Fourier, Proudhon não se interessa pela história. “A história da propriedade, nas nações antigas, não é mais para nós senão um caso de erudição e de curiosidade.” (Cit. em Cuvillier, “Marx et Proudhon”, in: op. cit., p. 201 .) O conservadorismo associado à falta de sentido histórico é tão pequeno-burguês quanto o conservadorismo associado ao sentido histórico é feudal.
[a 19a, 1]
[...]
Cuvillier apresenta Proudhon como precursor de um “socialismo nacional”, no sentido do fascismo.
[a 19a, 3]
“Proudhon pensou que fosse possível suprimir os lucros sem trabalho e a mais-valia sem mudar a organização da produção... Proudhon concebeu esse sonho insensato de socializar a troca num meio de produção não-socializado.” A. Cuvillier, “Marx et Proudhon”, in: À la Lumière du Marxisme, vol. II, parte 1, Paris, 1937, p. 210.
[a 19a, 4]
“O valor medido pelo trabalho ... é ..., aos olhos de Proudhon, o próprio objetivo do progresso. Para Marx é bem diferente. A determinação do valor pelo trabalho não é um ideal, é um fato: ela existe em nossa sociedade atual.” Armand Cuvillier, “Marx et Proudhon”, in: À la Lumière du Marxisme, vol. II, parte 1, Paris, 1937, p. 208.
[a 19a, 5]
Proudhon manifestou-se sobre Fourier de maneira extremamente malévola, e expressou opiniões não menos desdenhosas sobre Cabet. Marx discordou energicamente desta atitude, pois via em Cabet um homem muito respeitável por seu papel político junto ao operariado.
[a 19a, 6]
Exclamação de Blanqui ao adentrar o salão de Mlle de Montgolfier na noite de 19 de julho de 1830: “Os Românticos foram derrotados!”
[a 19a, 7]
<fase tardia> 
 
BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.