25.7.26

gilberto mendes/música contempôranea brasileira/entra/sai

1 Episódio (1949)

sobre poema de Carlos Drummond de Andrade 

Dedicado a Nancy Bello

tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi 

2 A Hora cinzenta (1951/52) 

sobre poema de Raul de Leoni

Dedicado a Maria Cecília de Oliveira e Antonio Eduardo

soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi 

Felicidade I (1951/52) 

sobre poema de Raul de Leoni

Dedicado a Maria Cecília de Oliveira e Antonio Eduardo

soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi 

Felicidade II (1951/52) 

sobre poema de Raul de Leoni

Dedicado a Maria Cecília de Oliveira e Antonio Eduardo

soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi 

Ingratidão (1951/52) 

sobre poema de Raul de Leoni

Dedicado a Maria Cecília de Oliveira e Antonio Eduardo

soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi 

Adolescência (1951/52) 

sobre poema de Raul de Leoni

Dedicado a Maria Cecília de Oliveira e Antonio Eduardo

soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi 

Confusão (1951/52) 

sobre poema de Raul de Leoni

Dedicado a Maria Cecília de Oliveira e Antonio Eduardo

soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi 

Sugestões do Crepúsculo (1951) 

sobre poema de Vicente de Carvalho

Dedicado a Rubens Ricciardi 

tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi 

Sonho póstumo (fragmento) (1955) 

sobre poema de Vicente de Carvalho

Dedicado a Rosana Lamosa e Rubens Ricciardi

soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi

10 Peixes de prata (1955) 

sobre poema de Antonieta Dias de Moraes

Dedicado a Eunice Katunda

tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi

11 A tecelã (1955) 

sobre poema de Antonieta Dias de Moraes

Dedicado a Andrea Kaiser e Rubens Ricciardi

tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi

12 Lamento (1956) 

sobre antigo poema chinês extraído do Tchu Ivan (320 a.C.)

Dedicado a Andrea Kaiser e Rubens Ricciardi

tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi

13 Canção simples (1957)

sobre poema de Tereza de Almeida

Dedicado a Andrea Kaiser e Rubens Ricciardi

tenor: Fernando Portari • soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi 

14 Lagoa (1957) 

sobre poema de Carlos Drummond de Andrade

Dedicado a Andrea Kaiser e Rubens Ricciardi

tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi 

15 Desencanto (1957) 

sobre poema de Maria José Aranha Rezende

Dedicado a Andrea Kaiser e Rubens Ricciardi

soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi 

16 Dizei, Senhora (1966) 

sobre poema de Cid Marcus

Dedicado a Andrea Kaiser e Rubens Ricciardi

tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi 

17 A mulher e o dragão (1967) 

Texto-fragmento bíblico extraído de “O Apocalipse” de São João

Dedicado a Yuri Serov

soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi 

18 Poeminha poemeto poemeu poesseu poessua da flor (1984) 

sobre poema de Décio Pignatari

Dedicado a Eládio Perez González

tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi 

19 O trovador (1993) 

sobre poema de Mário de Andrade

Dedicado a Marta Herr

tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi 

20 Finismundo: a última viagem parte I (1993) 

sobre poema de Haroldo de Campos

Dedicado a Fernando Portari 

tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi 

21 Anatomia da musa (1995) 

sobre poema de José Paulo Paes

Dedicado a Rosana Lamosa e Rubens Ricciardi 

tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi 

22 Fenomenologia da certeza (1995) 

sobre poema de José Paulo Paes

Dedicado a Fernando Portari e Rubens Ricciardi

tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi 

23 Sol de Maiakovski (1995) 

sobre poema de Augusto de Campos

Dedicado a Victoria Evtodieva

soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi 

24 Tvgrama I (Tombeau de Mallarmé) (1995) 

sobre poema de Augusto de Campos

Dedicado a Rosana Lamosa e Rubens Ricciardi 

soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi 

25 Desesncontros, à memória de Kurt Weil, à lembrança de Gilberto Mendes (1995) 

sobre poema de José Paulo Paes

Dedicado a Rosana Lamosa

soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi 

26 Luz mediterrânea: no olvido do tempo (1995) 

sobre poema de Gil Nuno Vaz

Dedicado a Julia Novikova

soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi 

27 O pai do universo (1997) 

Texto-fragmento extraído do “Baghavad Gita” com tradução de Rogério Duarte

Dedicado a João Duarte

tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi 

28 Amplitude (1999) 

sobre poema de Alberto Martins

Dedicado a Rosana Lamosa e Rubens Ricciardi  

soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi 

29 Mais uma vez (1999) 

sobre poema de Carlos Ávila

Dedicado a Fernando Portari e Rubens Ricciardi

tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi  

30 A festa (1999) 

sobre poema de Narciso de Andrade

Dedicado a Fernando Portari e Rubens Ricciardi

tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi  

MENDES, Gilberto (1922-2016). Música contemporânea brasileira: Gilberto Mendes / coordenação de projeto Francisco Carlos Coelho; texto de Décio Pignatari; inclui CD e caderno de partituras. — São Paulo: Centro Cultural São Paulo. Discoteca Oneyda Alvarenga, 2006. — (Música contemporânea brasileira; v.4) 

continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua

“Os mais grosseiros papéis pintados que forram as paredes dos albergues serão aprofundados como esplêndidos dioramas.” Baudelaire: Les Paradis Artificiels, Ap.72.30 

30 Baudelaire, OC I, p. 430. (R.T.)

[...]

Aconteceu-me muitas vezes apreender certos fatos menores que se passavam diante de meus olhos e perceber neles uma fisionomia original, na qual eu me comprazia em discernir o espírito da época. ‘Isto’, eu dizia a mim mesmo, ‘só poderia se dar hoje, não poderia ser em outro momento. Isto é um sinal do tempo.’ Ora, reencontrei nove vezes em dez o mesmo fato em circunstâncias análogas em velhos relatos ou em velhas histórias.” A. France, Le Jardin dÉpicure, p. 113. [cf. S 1, 2] 

<G°, 4>



A figura do flâneur. Ele se assemelha ao comedor de haxixe, como este absorve o espaço em si. Na embriaguez do haxixe, o espaço começa a piscar para nós: “Então, o que terá acontecido em mim?” E com a mesma pergunta, o espaço aproxima-se do flâneur. [cf. M 1a, 3] Em nenhuma outra cidade ele pode respondê-la de maneira mais exata do que aqui. Pois a respeito de nenhuma outra foi escrito tanto e aqui sabe-se mais sobre certas ruas do que em outros lugares sobre a história de países inteiros.



<G°, 5>

A morte e a moda, Rilke, o trecho nas Elegias de Duíno. [cf. B 1 , 5]



<G°, 6>

[...]

Definição do “moderno” como o novo no contexto do que sempre existiu. [cf. S 1, 4]  

<G°, 8>

[...]

A perspectiva no decorrer dos séculos. Galerias barrocas. Cosmorama do século XVIII.

[quer dizer: europeu]

<G°, 10>

[...]

Viagem microcósmica que o sonhador empreende através dos domínios do próprio corpo. Pois ele se sente como o louco: os ruídos do interior do próprio corpo — que para a pessoa sadia se associam para compor a maré da saúde que lhe traz o sono saudável, e que ele mal costuma ouvir — dissociam-se para ele: pressão arterial, movimentos dos intestinos, batimentos cardíacos, sensações musculares, tudo isso torna-se para ele isoladamente perceptível e exige uma explicação, que a loucura ou a imagem onírica têm à disposição. Possui essa aguçada capacidade de percepção o coletivo que sonha, o qual se aprofunda nas passagens como se fossem as entranhas do próprio corpo. Devemos segui-lo para interpretar o século XIX como sua visão onírica. [cf. K 1, 4]

<G°, 14>

O farfalhar da folhagem pintada na abóbada da Bibliothèque Nationale provém das incontáveis páginas viradas dos livros que aqui são constantemente manuseados. [cf. S 3, 3]

<G°, 15>

Paisagem da charneca, tudo fica sempre novo, sempre igual (Kafka, O Processo). [cf. S 1, 4]  

<G°, 1 6 >

[...]

Verificação cuidadosa, qual a relação entre a óptica do miriorama33 e a época da modernidade, do mais novo. Ambas são certamente organizadas como as coordenadas fundamentais deste mundo. É um mundo de estrita descontinuidade, o sempre-novo não é o velho que permanece, tampouco o já ocorrido que retorna, e sim uma e a mesma coisa entrecruzada por in úm eras intermitências. (Assim vive o jogador na intermitência.) A intermitência faz com que cada olhar no espaço encontre uma nova constelação. Intermitência, a medida do film e. E o que resulta disso? Tempo do inferno e capítulo sobre a origem no Livro sobre o Barroco.34 

33 Pintura de paisagem composta de vários recortes que podem ser combinados de diferentes maneiras. (E/M)

34 Cf. ODBA, pp. 67-69. (w.b.) 

<G°, 19>

Todo verdadeiro conhecimento provoca redemoinhos. Nadar a tempo contra a corrente em redemoinhos. Tal como na arte, o decisivo é: escovar a natureza a contrapelo.

<G°, 20>

[...]

“Boneca de tragacanto <?>”. O texto de Rilke sobre bonecas.35 

35 Bonecas de cera? Cf. Rainer Maria Rilke, Puppen. Zu den Wachspuppen von Lotte Pritzel, in: Sämtliche Werke, vol. 6, Frankfurt a. M., 1966, pp. 1063-1074. (w.b.; R.T).

<G°, 23>

Vidro sobre pinturas a óleo  só no século XIX?

<G°, 24>

Fisiologia do aceno. O aceno dos deuses (v. a introdução ao espólio de Heinle36). O aceno a partir da diligência postal, no ritmo orgânico dos cavalos que trotam. O aceno absurdo, desesperado, cortante, que se faz da janela do trem que parte. O aceno perdeu-se na estação. De outro tipo, o aceno a desconhecidos que passam no trem em movimento. Isto, principalmente, nas crianças que acenam para as pessoas silenciosas, desconhecidas, que nunca retornam, como se fossem anjos. (Elas acenam também ao trem em movimento.)

36 O espólio do poeta Cristoph Friedrich Heinle se perdeu em 1933 assim como o estudo que Benjamin lhe consagrara. (R.T.)

<G°, 25>

[...] Com o neoclassicismo de Cocteau, Stravinsky, Picasso, Chirico etc, ocorre o seguinte: o espaço de transição do despertar, no qual vivemos agora, é percorrido de bom grado pelos deuses. Esta travessia do espaço pelos deuses dá-se com a rapidez de um raio. Também deve pensar-se nesta oportunidade somente em certos deuses. Principalmente em Hermes, o deus viril. É significativo que as musas, que no classicismo humanista são tão importantes, nada significa no neoclassicismo. [...]  A falha fundamental do neoclassicismo é que ele constrói para os deuses em travessia uma arquitetura que nega as relações básicas de sua aparição. (Uma arquitetura ruim, reacionária.)  

 <G°, 26>

[...]
........................................................  
[...] 

Sobre o ritmo atual que determina este trabalho. É característico no cinema o antagonismo entre a seqüência bastante sincopada das imagens que satisfaz a mais profunda necessidade desta estirpe de ver repudiado o “fluxo” da “evolução” e a música de acompanhamento. Expulsar toda “evolução” da imagem da história e apresentar o devir como uma constelação no ser graças à ruptura dialética entre sensação e tradição, eis também a tendência deste trabalho.

<H°, 16>

Delimitação da tendência deste trabalho em relação a Aragon: enquanto Aragon persiste no domínio do sonho, deve ser encontrada aqui a constelação do despertar. Enquanto em Aragon permanece um elemento impressionista - a “mitologia” — (e a esse impressionismo se devem os muitos filosofemas vagos do livro), trata-se aqui da dissolução da “mitologia” no espaço da história. Isso, de fato, só pode acontecer através do despertar de um saber ainda não consciente do ocorrido. [cf. N 1 , 9]

<H°, 17>

Interiores de nossa infância como laboratórios para a representação de aparições de fantasmas. Relações experimentais. O livro proibido. Ritmo da leitura: duas angústias, em níveis diferentes, apostam uma corrida. A estante com vidros abaulados de onde o livro proibido foi retirado. A vacinação por aparições de fantasmas. O outro antídoto: as “imagens enganosas”.

<H”, 18>

A poesia dos surrealistas trata as palavras como nomes de firmas comerciais e elabora textos que são, na verdade, prospectos de empresas que ainda não se estabeleceram. Nos nomes de firmas aninham-se as qualidades que se queria procurar antigamente nas palavras originárias. [cf. G la, 2]

<H°, 19>

Daumier <?>, Grandville  Wiertz —

<H°, 20>

........................................................  
[...] 

Revolta das anedotas. As épocas, correntes, culturas, movimentos afetam a vida física sempre da mesma maneira, invariavelmente. Nunca houve uma época que não se sentisse “moderna” no sentido mais excêntrico do termo e não se julgasse estar à beira de um abismo. Uma consciência desesperadamente lúcida da “crise” decisiva é crônica na história da humanidade. Cada época parece a si mesma irremediavelmente moderna. O “moderno”, porém, que afeta fisicamente os homens, é exatamente tão variado quanto os variados aspectos do mesmo caleidoscópio. — As construções da história são comparáveis a instruções que comandavam a verdadeira vida e a confinam em quartéis. Contra isso, se dá a revolta da nas ruas. A anedota aproxima as coisas espacialmente de nós, faz com que entrem ou nossa vida. Ela representa a rigorosa oposição à história que exige a “empatia”, que torna tudo abstrato. “Empatia”, eis o que resulta da leitura do jornal. Aqui está o verdadeiro método um tomar as coisas presentes: representá-las em nosso espaço (não nos representar no espaço delas). Só a anedota consegue nos levar a isso. Apresentadas assim, as coisas não permitem uma construção mediadora a partir de “grandes contextos”.  Assim também a contemplação de grandes coisas passadas  a Catedral de Chartres, o Templo de Paestum  é, na verdade, um recebê-las em nosso espaço (não a empatia em relação a seus arquitetos ou sacerdotes). Não somos nós que nos transportamos até elas: são elas que entram em nossa vida. — A mesma técnica da proximidade deve ser usada em relação às épocas, à maneira dos calendários. Imaginemos que um homem morra exatamente ao completar cinquenta anos, no dia do nascimento de seu filho, a quem ocorrerá o mesmo etc.  Daí resulta: desde o nascimento de Cristo, não viveram mais do que umas quarenta pessoas. Objetivo desta ficção: aplicar às épocas históricas uma escala adequada à vida do homem e que faça sentido para ele. Este páthos da proximidade, o ódio contra a configuração abstrata da vida humana em épocas, animou os grandes céticos. Anatole France é um bom exemplo disso. Sobre a oposição empatia versus presentificação: Leopardi, 13 (“Jubileus”). 38 [cf. S la, 4; S la, 3; H 2, 3]

<I°, 2>

Benda relata a surpresa de um alemão quando, duas semanas após a tomada da Bastilha, sentado à mesa de hóspedes em Paris, ninguém falava de política. A anedota de Anatole France sobre Pôncio Pilatos que, em Roma, durante o lava-pés não se lembra direito do nome do judeu crucificado. [cf. S 1, 3]

<, 3>

Máscaras para as orgias. Ladrilhos de Pompéia. Arcos de portão. Talas. Luvas. 

<, 4>

[...]
........................................................  
[...] 

História da criança com a mãe no panorama. O panorama representa a batalha de Sedan. A criança lamenta que o céu esteja encoberto. “Assim fica o tempo na guerra”, retruca a mãe. [cf. D 1, 1]

<J°, 4>

No fim dos anos sessenta, Alphonse Karr escreve que não se sabe mais fazer espelhos, [cf. R 1, 7]

<J°, 5>

[...]
........................................................  
Complemento às observações sobre as estações do metrô: elas fazem com que os nomes dos lugares onde Napoleão I conquistou vitórias se transformem em deuses do Hades.
<K°, 1>
[...]
Para a arte de colecionar é importante o isolar, o considerar cada um dos objetos em particular. Uma totalidade, cujo caráter integral é tão distante quanto possível da utilidade, e que, no máximo, consiste em uma espécie fenomenologicamente bastante definida, bastante singular, de “completude” e que se opõe (diametralmente à utilidade), [cf. H 1a, 2]
<K°, 8>
Relação histórica e dialética entre diorama e fotografia.
<K°, 9>
Um aspecto importante da arte de colecionar: o fato de que o objeto esteja separado de todas as funções originais de sua utilidade torna-o mais decisivo no ato de significar. O objeto torna-se então uma verdadeira enciclopédia de toda a ciência da época, da paisagem, da indústria, dos proprietários, de onde provém. [cf. H la, 2]
<K°, 10>
Havia o pleorama (passeios náuticos, do grego pléo, “eu navego”), navalorama, cosmorama, diafanorama, efeitos ópticos pitorescos, viagens pitorescas no quarto, pitoresca viagem pelo quarto e o diafanorama. [cf. Q 1, 1]
<K°, 11>
[...]
Tempo e tédio. Como as energias cósmicas têm apenas efeito soporífero, narcotizante, sobre a pessoa comum, isto atesta sua relação com uma de suas manifestações superiores: o tempo. Comparação com o modo como Goethe soube investigar o tempo — nos estudos sobre a meteorologia.40  Sobre o tempo atmosférico criado num recinto onde há uma fonte. (Vestíbulo do diorama de Daguerre em Berlim.) Tempo atmosférico nos cassinos. [cf D 1, 3]
40 Cf. Goethe, Versuch einer Witterungslehre, 1825. (R.T.)
 <K°, 14>
Um balé cuja cena principal se passa no cassino de Monte Cario. Barulho das bolas rolando, dos ratôs, os jetons determinando a música.
<K°, 15>
Outros nomes: belvedere óptico.
<K°, 16 >
No ano em que Daguerre inventou a fotografia (1839), seu diorama foi destruído pelo fogo. [cf. Q 2, 5]
<K°, 17>
A mencionar-se em relação à moda dos xales: a verdadeira e em sentido estrito única decoração dos aposentos de estilo Biedermeier é “constituída pelas cortinas cujos drapeados extremamente requintados, de preferência numa mistura de vários xales de diferentes cores, eram arranjados pelo tapeceiro; teoricamente, pelo decorrer de quase um século, a decoração de interiores limita-se a fornecer ao tapeceiro orientações para o arranjo apurado das cortinas”. Max von Boehn, Die Mode im XIX. Jahrhundert, II, Munique, 1907, p. 130. [cf. E 1, 1]
<K°, 22>
Relógios de pedestal com cenas de gênero em bronze. O tempo está dentro da base. Duplo significado de “temps” <x>.41 [cf. D 2a, 3]
41 Isto é: tempo cronológico e tempo atmosférico. Em alemão, estes termos são inteiramente diferentes: Zeit e Wetter; por isso, a observação de Benjamin. (w.b.)
<K°, 23>
Rue des Immeubles Industrieis  qual será a sua idade? [cf. P 1a, 5]
<K°, 24>
“Para o homem atual, as estações ferroviárias são verdadeiramente fábricas de sonhos.” Jacques de Lacretelle, “Le rêveur parisien” (N R. F, 1927). [cf. L 1, 4]
<K°, 25>
Ruas vazias e iluminadas quando se chega à noite nas cidades. As mas se abrem ao nosso redor em forma de leque, como raios de uma mandorla da qual somos o centro. E o olhai para dentro da sala revela sempre uma família durante a refeição ou ocupada com misteriosa futilidade à mesa sob a lâmpada de teto com a cúpula de vidro sobre uma armação de metal. Tais eidola42 são as células primevas da obra de Kafka. E essa experiência é uma propriedade inalienável de sua geração, e apenas de sua geração e, portanto, da nossa, porque apenas para ela o mobiliário de terror do incipiente auge do capitalismo preenche os cenários de suas mais tenras experiências infantis. — Inesperadamente, surge aqui a rua de um modo que ainda não conhecemos, como caminho, como estrada urbanizada. [cf. I 3, 3]
42 Imagens-fantasma, (w.b.)
<K°, 27>
O que sabemos nós, afinal, das esquinas de ruas, dos meio-fios, da arquitetura da calçada, nós que nunca sentimos a rua, o calor, a sujeira e as arestas das pedras sob os pés descalços, e que tampouco examinamos o desnível entre as largas lajotas para ver se poderiam nos servir de leito?43 [cf. P 1, 10]
43 Assim como os tradutores americanos, lemos aqui betten (acamar  de onde servir de leito, como em P 1, 10) em vez de leiten (guiar). (w.b.)
<K°, 28>
........................................................
BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.

23.7.26

A Turma do Pererê: uma História para Celebrar • Ziraldo

A turma mais brasileira dos quadrinhos está de volta!

Criada por Ziraldo, A Turma do Pererê foi um marco na história dos quadrinhos nacionais. Lançada em 1960, a série apresentou aos leitores um universo genuinamente brasileiro, povoado por personagens inspirados no nosso folclore, na nossa fauna e na nossa cultura. Na Mata do Fundão, Pererê, Tininim, Galileu, Geraldinho e seus amigos viveram aventuras inesquecíveis que ajudaram a formar gerações de leitores e consolidaram Ziraldo como um dos maiores artistas do país.

Agora, a Comix Zone!, o Instituto Ziraldo e a Ziraldo Artes Produções celebram esse legado com um artbook especial que resgata uma rara história publicada originalmente em 1983 e há décadas fora de catálogo. Ao longo de suas 64 páginas coloridas, o leitor é convidado a mergulhar no processo criativo de Ziraldo por meio de esboços, estudos, materiais de arquivo e textos de Thiago Ferreira, Mig Mendes, Bruno Porto, Guto Lins e Adriana Lins, revelando os bastidores da criação de uma das obras mais importantes dos quadrinhos brasileiros.

Com acabamento de luxo, formato 20 x 20 cm e capa dura, A Turma do Pererê: uma História para Celebrar é uma homenagem ao talento de Ziraldo e ao legado de personagens que continuam encantando leitores de todas as idades. Um convite para revisitar a Mata do Fundão e celebrar o poder da imaginação. 

Ziraldo nasceu em 1932, em Caratinga (MG), e tornou-se uma das figuras centrais da cultura gráfica e da literatura infantil no Brasil. Em 1948, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde iniciou sua carreira na imprensa e na publicidade, consolidando-se como jornalista, cartunista e artista gráfico. Nos anos 1960, lançou a pioneira revista Pererê, um marco dos quadrinhos nacionais com forte presença do folclore e de temas sociais. Nesse mesmo período, teve atuação destacada na vida política e cultural do país, sendo um dos fundadores do jornal satírico O Pasquim, grande referência de resistência durante a ditadura militar. Em 1969, estreou na literatura infantil com Flicts, obra poética que ganhou projeção internacional. Já em 1980, criou seu personagem mais famoso, O Menino Maluquinho, que se tornou um fenômeno editorial e cultural, sendo adaptado com sucesso para o teatro, o cinema e a televisão. Ziraldo faleceu em 2024, deixando uma obra vasta, premiada e profundamente enraizada no imaginário brasileiro.

Capa dura
Formato 20 x 20 cm
64 páginas
ISBN 9786584191051
edição: Ferréz e Thiago Ferreira
Comix Zone!
!Z INSTITUTO Ziraldo  

almeida prado/música contempôranea brasileira/entra/sai

Balada para violino e piano Bnai brith  (1993) 

Dedicada a Meri e Natan Schwartzmann

violino: Constanza Almeida Prado • piano: Achille Picchi

Cantiga da Amizade (1978) 

Dedicada a Max Feffer

violino: Constanza Almeida Prado • piano: Achille Picchi

Diálogos (1967) 

Dedicada a Oswaldo e Adelci Paulino 

violino: Constanza Almeida Prado • piano: Achille Picchi

Sonata para violino e piano n.3 (1991) 

Dedicada a Maria Constanza Audi de Almeida Prado 

violino: Constanza Almeida Prado • piano: Achille Picchi

ALMEIDA PRADO (1943-2010). Música contemporânea brasileira: Almeida Prado / coordenação de projeto Francisco Carlos Coelho; inclui CD e caderno de partituras. — São Paulo: Centro Cultural São Paulo. Discoteca Oneyda Alvarenga, 2006. — (Música contemporânea brasileira; v.1)  

ALMEIDA PRADO (1943-2010). Música contemporânea brasileira: Almeida Prado / coordenação de projeto Francisco Carlos Coelho; inclui CD e caderno de partituras. — São Paulo: Centro Cultural São Paulo. Discoteca Oneyda Alvarenga, 2006. — (Música contemporânea brasileira; v.1) 

continua/CATALVNYA ROMÀNICA XV EL PALLARS: EL PALLARS SOBIRÀ, EL PALLARS JVSSÀ/Antoni Pladevall i Font

FONT, Antoni Pladevall i. CATALVNYA ROMÀNICA XV EL PALLARS: EL PALLARS SOBIRÀ, EL PALLARS JVSSÀ / Coordinador científic de lobra Joan-Albert Adell i Gisbert Arquitecte. Amb la col·laboració de la Generalitat de Catalunya i sota l’alt patrocini de L’Organització de les Nacions Unides per a l’educació, la ciència i la cultura (UNESCO). — Barcelona: Fundació Enciclopèdia Catalana, 1993. 

Fellini — Satyricon • Cinemateca Brasileira


Filme de 1969 dirigido por Federico Fellini, baseado no livro homônimo escrito pelo autor romano Petrônio no século I.

Antigamente, entre todos os trabalhos do Fellini, eu achava o 8 1/2 o melhor, seguido por A Doce Vida e, bem atrás, mas superior ao resto (resto que gosto bastante, tanto antes como depois) o Satyricon. Fora os quadrinhos com o Milo Manara, que gosto muito: Viaggio a Tulum (1989) e Il viaggio di G. Mastorna (1992).

Com o passar do tempo, comecei a preferir A Doce Vida do que 8 1/2. E Satyricon em terceiro. Mas, pelo menos neste momento, que acabei de ver, acho muito difícil algum deles superar.

Satyricon é, sem dúvida, o melhor. 

E fora as imagens (que imagens!) e a montagem, a trilha de Tod Dockstader, Ilhan Mimaroglu, Nino Rota e Andrew Rudin parece que já saiu daquele passado romano antigo. Tudo parece romano antigo, com referências gregas, mas com algo de Bosch e Jodorowsky (neste caso o inverso). 

Cinemateca Brasileira

Espaço Alberto Cavalcanti 

22/07/26 20h00 

continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua

<D°, 5>
[...]
........................................................  
[...]
Disposição dos panoramas: uma plataforma elevada, cercada por uma balaustrada, permite a vista sobre superfícies pintadas situadas à frente e abaixo. A pintura estende-se ao longo de uma parede cilíndrica, de aproximadamente 100 metros de comprimento e 20 metros de altura. Os principais panoramas de Prévost (o grande pintor de panoramas): Paris, Toulon, Roma, Nápoles, Amsterdam, Tilsit, Wagram, Calais, Antuérpia, Londres, Florença, Jerusalém, Atenas. Entre seus discípulos: Daguerre. [cf. Q la, 1]
<E°, 24>
Localização da Passage du Caire na mal-afamada “Cour des Miracles (v. Hugo, Notre Dame de Paris). Era denominada cour des miracles porque os mendigos ao chegar ali  que era o refugio de sua corporação —, despiam-se de suas doenças simuladas, [cf. A 3a, 6]
<E°, 25>
[...]
Um fabricante de pianos, Schmidt, de Estrasburgo, construiu a primeira guilhotina.
<E°, 27 >
[...]
Rei-Maçon — apelido de Luís Filipe, [cf. E la, 1]
<E°, 32>
Em 1863, Jacques Fabien publica Paris en Songe. Ele demonstra ali como a eletricidade freqüentemente provoca cegueira pelo excesso de luz, e desvario por conta do ritmo acelerado das notícias, [cf. B 2, 1]
<E°, 33>
[...]
Origem da lanterna mágica. Descobridor Athanasius Kircher.
<E°, 37>
Em 1757, só havia três cafés em Paris. [cf. D 3a, 1]
<E°, 38>
[...]
Quando surge o costume de conferir às ruas nomes que não têm relação alguma com elas, e sim que devem lembrar um homem famoso etc.?
<E°, 50>
[...]
O que é a lâmpada astral? Inventada por Bordin-Marcet <?> em 1809- 22
<E°, 53>

O que são os trens de ferro atmosféricos de Vallance?
23
23 Um senhor Vallance (de Brighton) foi o primeiro a ter a idéia de utilizar trens com rodas pneumáticas no transporte de passageiros. Experiências foram feitas na década de 1840. (J.L.) 
<E°, 54>
[...]
De onde Picabia tirou a sugestão de fazer dois espelhos se olharem um ao outro e um dentro do outro? Igualmente citado em Crevel. Como epígrafe do capítulo sobre espelhos.
<E°, 56>
Informações sobre a construção da lâmpada Carcel, na qual um mecanismo impulsionava o óleo até o pavio, enquanto na lâmpada Argand (quinquet) o óleo pingava de um recipiente em cima do pavio, produzindo assim uma sombra, [cf. T la, 7]
<E°, 57>
Onde Charles Nodier escreveu contra a iluminação a gás?25 [cf. T 2a, 3]
25 Ch. Nodier e Amédée Pichot, Essai Critique sur le Gaz Hydrogène et les Divers Modes dÉclairage Artificiei, Paris, 1823. (J.L.)
<E°, 58>
[...]
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[...]
Música nas passagens. Parece ter se estabelecido nesses espaços com o declínio das passagens, isto é, simultaneamente à época da música mecânica. (Gramofone. O teatrofone, de certa forma seu precursor.) E, no entanto, havia música no espírito das passagens, uma música panoramática que se consegue ouvir agora apenas em antiquados concertos elegantes, por exemplo, da orquestra da estação de águas de Monte Cario: as composições panoramáticas de David (Le Désert, Herculanuni). [cf. H 1, 5]
<F°, 3>
As nove musas do Surrealismo: Luna, Cléo de Mérode, Kate Greenaway, Mors, Fríederike Kempner, Baby Cadum, Hedda Gabler, Libido, Angelika Kauffmann, a Condessa de Geschwitz. 27 [cf. F°, 10 e C 1, 3]
27 Luna: a lua; Cléo de Mérode (1875-1966): dançarina de boate; Kate Greenaway (1846-1901): pintora inglesa, conhecida por suas ilustrações de livros infantis; Mors: a morte; Friederlke Kempner (18361904): poetisa e sodalite alemã; Baby Cadum: figura do reclame e da publicidade; Hedda Gabler: heroína da peça homônima de Henrik Ibsen; Libido: referência a Freud; Angelika Kaufmann (17411807): pintora, amiga de Goethe; Condessa de Geschwitz: artista lésbica, personagem da peça de Frank Wedekind, A Caixa de Pandora, que inspirou a ópera Lulu, de Alban Berg. Esse catálogo de musas reaparece, com leves variações, em F°, 10 e C 1, 3. A primeira versão, bastante diferente, parece ser a de h°, 1. (J.L.; E/M.)
<F°, 4>
Na fumaça das batalhas das folhas ilustradas mora uma fumaça na qual emergem os espíritos (das Mil e Uma Noites), [cf. D 2a, 8]
<F°, 5>
Existe uma experiência da dialética totalmente singular. A experiência compulsória, drástica, que desmente toda “progressividade” do devir e comprova toda aparente “evolução” como reviravolta dialética eminente e cuidadosamente composta, é o despertar do sonho. Para o esquematismo dialético, que está na base dessa ocorrência mágica, os chineses encontraram em sua literatura de contos maravilhosos e novelas a expressão mais radical. E assim apresentamos o método novo, dialético, de escrever a historia: atravessar o ocorrido com a intensidade de um sonho para experienciar o presente como o mundo da vigília ao qual o sonho se refere! (E cada sonho refere-se ao mundo da vigília. Todo o anterior deve ser perscrutado historicamente.) [cf. h°, 4 e K 1, 3]
<F, 6>
O despertar é um processo gradual que se impõe na vida tanto do indivíduo quanto da geração. O sono é o seu estágio primário. A experiência de juventude de uma geração tem muito em comum com a experiência do sonho. Sua configuração histórica é configuração onírica. Cada época tem um lado voltado aos sonhos, o lado infantil. Para o século passado, isto aparece claramente nas passagens. Porém, enquanto a educação de gerações anteriores interpretava esses sonhos segundo a tradição, no ensino religioso, a educação atual volta-se simplesmente à “distração” das crianças. O que é apresentado a seguir é um ensaio sobre a técnica do despertar. A revolução dialética, copernicana, da rememoração (Bloch). [c£ h°, 4 e K 1, 1]
<P, 7>
Tédio e poeira. Sonho, um casaco que não se pode virar do avesso. Por fora, o tédio cinzento (do sono). O estado de sono, isto é, hipnótico, das figuras empoeiradas do Musée Grevin. Uma pessoa que dorme não pode ser bem representada em cera. O tédio é sempre o lado exterior do acontecimento inconsciente. Por isso, o tédio pôde parecer elegante para os grandes dândis. Como justamente <?> o dândi despreza a roupa nova; o que ele veste, precisa ter a aparência levemente usada. Contra uma teoria do sonho, segundo a qual “almas” surgem a nós, o mundo em que não há espanto. Como é ele? [cf. e°, 2 e D 2a, 2]
<F°, 8>
Passagens: casas, galerias, que não têm o lado exterior. Como o sonho. [cf. L la, 1]
<F°, 9>
Catálogo de musas: Luna, a Condessa de Geschwitz, Kate Greenaway, Mors, Cléo de Mérode, Dulcinéia (variante: Hedda Gabler), Libido, Baby Cadum e Friederike Kempner.28 [cf. F°, 4 e C 1, 3]
28 As duas diferenças desta lista de musas, em comparação com a de F°, 4, são a introdução de Dulcinéia, a mulher amada de Dom Quixote, e a ausência de Angelika Kaufmann. (w.b.)
<F°, 10>
E o tédio é a treliça diante da qual a cortesã provoca a morte. [cf. B 1, 1]
<F°, 11>
Há, no fundo, dois tipos de filosofia c dois modos de anotar os pensamentos: um é semeá-los na neve — ou então, se você preferir, na argila das páginas. Saturno é o leitor para contemplar o crescimento deles, ate mesmo para deles recolher a flor, o sentido ou o seu fruto, o verbo. O outro é enterra-los dignamente e erguer como sepultura a imagem, a metáfora, mármore frio e infecundo, acima de seu túmulo.
<F°, 12>
Aspecto mais secreto das grandes cidades: esse objeto histórico da cidade grande com suas mas uniformes e incontáveis fileiras de casas faz existir arquiteturas sonhadas pelos antigos: ela transformou em realidade os labirintos. Homem da Multidão. Instinto que transforma as grandes cidades em labirinto. Perfeição através das galerias cobertas das passagens, [cf M 6a, 4]
<F°, 13>
[...]
Hegel: em si  para si — em si e para si. Estes momentos da dialética tornam-se na Fenomenolona consciência — consciência de si — razão.
<F°, 16>
Escalas musicais na palavra “passage”.
<F°, 17>
“As pancadas de chuva fizeram nascer muitas aventuras.” Diminuição da força mágica da chuva. Capa de chuva [cf D 1, 7]
<F°, 18>
O que a cidade grande da era moderna fez da antiga concepção do labirinto. Através dos nomes de ruas, ela o elevou à esfera da linguagem, a partir da rede de ruas, na qual ela denominava <x> de <x> no interior da linguagem <x>.
<F°, 19 >
A cidade possibilitou a todas as palavras, ou pelo menos a uma grande quantidade delas, algo que só era acessível a pouquíssimas, a uma casta privilegiada delas, aos nomes: serem elevadas à nobreza do nome. E esta suprema revolução na língua foi realizada pelo que há de mais comum: a rua. E uma poderosa ordem vem aí à tona, o fato de que nas cidades todos os nomes se entrechocam sem exercer influências <x> uns sobre os outros. De fato, mesmo os nomes de homens ilustres, por serem empregados com excessiva freqüência, quase já se tornaram conceitos, passam aqui mais uma vez por um filtro e reencontram o absoluto. A cidade, através dos nomes de mas, é imagem de um cosmos lingüístico. [cf. P 3, 5]
<F°, 20>
Apenas o encontro de dois nomes diferentes de ruas produz a magia da “esquina”.
<F°, 21> 
[...]
Luzes vermelhas como entrada ao Hades dos nomes. Combinação de nome e labirinto no metrô. [cf. C la, 2]
<F°, 30>
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Ao fim de Matière et Mémoire, Bergson desenvolve a idéia de que a percepção é uma função do tempo. Poder-se-ia dizer que, se vivêssemos segundo um outro ritmo, mais sereno, não existiria para nós nada “duradouro”; ao contrário, tudo se desenrolaria diante de nossos olhos, tudo viria de encontro a nós. Ora, assim é precisamente o sonho. Para compreender as passagens a fundo, nós as imergimos na camada onírica mais profunda, falamos delas como se tivessem vindo de encontro a nós. De maneira semelhante um colecionador observa as coisas. As coisas vêm de encontro ao grande colecionador. Como ele as persegue e as encontra, qual não é a modificação provocada por uma nova peça em seu conjunto — tudo isso faz com que ele veja as suas coisas como dissolvidas num fluxo perpétuo, como o real no sonho. [cf. H la, 5]
<F°, 34>
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BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.