6.4.26

continua/Hugo Pratt/Corto Maltese: As Helvéticas/Corto Maltese: Les helvétiques/entra

PRATT, Hugo (1927-1995)Corto Maltese: As HelvéticasCorto Maltese: Les helvétiques / Hugo Pratt; prefácio Marco Steiner; fotos Marco D’Anna; tradução Reginaldo Francisco. — São Paulo: Loterie Romande; Grupo Autêntica: Nemo, 2012.

continua/Hugo Pratt/El Tango/entra/sai

PRATT, Hugo (1927-1995) El Tango del Corto en Buenos Aires (1923) por Hugo Pratt Libro del FIERRO 86/87 / Hugo Pratt; texto de introducción Los habitantes del cuadrito, El mundo le queda Corto de Marcelo Birmajer; El Libro de Fierro extra. — Buenos Aires: Ediciones de la Urraca, 1987.

continua/Hugo Pratt/Corto Maltese: A Juventude/Corto Maltese: La Jeunesse/sai

PRATT, Hugo (1927-1995)Corto Maltese: A JuventudeCorto Maltese: La Jeunesse / Hugo Pratt; 1983; prefácio Marco Steiner; fotos Marco D’Anna; tradução Ana Ban. — Belo Horizonte: ChinAsia; Grupo Autêntica: Nemo, 2011.

continua/Bertolt Brecht/Poesia/introdução & tradução André Vallias/continua

3. SVENDBORG [1933-1939] 
 
Über den schnellen Fall des guten Unwissenden
 
Als wir den Beredten seines Schweigens wegen entschuldigt hatten
Verging zwischen der Niederschrift des Lobs und seiner Ankunft
Eine kleine Zeit. In der sprach er.
 
Er zeugte aber gegen die, deren Mund verbunden war
Und brach den Stab über die, welche getötet waren.
Er rühmte die Mörder. Er beschuldigte die Ermordeten.
Den Hungernden zählte er die Brotkrusten nach, die sie erbeutet hatten.
Den Frierenden erzählte er von der Arktis.
Denen, die mit den Stöcken der Pfaffen geprügelt wurden
Drohte er mit den Stahlruten des Anstreichers.
So bewies er
Wie wenig Güte hilft, die sich nicht auskennt
Und wie wenig der Wunsch vermag, die Wahrheit zu sagen
Bei dem, der sie nicht weiß.
Der da auszog gegen die Unterdrückung, selber satt
Wenn es zur Schlacht kommt, steht er
Auf der Seite der Unterdrücker.
 
Wie unsicher ist die Hilfe derer, die unwissend sind!
Der Augenschein täuscht sie. Dem Zufall anheimgegeben
Steht ihr guter Wille auf schwankenden Beinen.
 
Welch eine Zeit, sagten wir schaudernd
Wo der Gutwillige, aber Unwissende
Noch nicht die kleine Zeit warten kann mit der Untat
Bis das Lob seiner guten Tat ihn erreicht!
So daß der Ruhm, den Reinen suchend
Schon niemand mehr findet über dem Schlamm
Wenn er keuchend ankommt. [1934]
 
Sobre a queda rápida do bom desinformado
 
Ao desculparmos o Loquaz por seu silêncio
Transcorreu entre a escrita do elogio e sua chegada
Um pequeno tempo. No qual ele falou.
 
Ele testemunhou contra os que tinham suas bocas unidas
E quebrou o bastão sobre os que foram mortos.
Enalteceu os assassinos. Culpou os assassinados.
Enumerou as migalhas que os famintos amealharam.
Falou sobre o Ártico aos que morriam de frio.
Os que foram espancados com o cajado dos padres
Ameaçou com o porrete de aço do pintor de paredes.
Assim comprovou
O quão pouco ajuda a bondade que não se entende
E quão pouco alcança a vontade de dizer a verdade
Em quem não a conhece.
Aquele que irrompeu contra a opressão, saciado de si
Quando a batalha vem, encontra-se
Do lado do opressor.
 
Quão insegura é a ajuda dos que são desinformados!
A aparência os ludibria. À mercê do acaso
Sua boa vontade está com as pernas bambas.
 
Que tempos, dissemos estremecidos
Em que o homem de boa vontade, mas desinformado
Não pode esperar com sua transgressão o pequeno
Tempo para receber o elogio de sua ação!
De modo que a fama à procura do puro
Não encontra ninguém sobre a lama
Quando chega resfolegando.

Wer belehrt den Lehrer?
 
Ich bin Lehrer
Aber wer belehrt mich?
Wie soll ich wissen, was sie gelehrt haben wollen?
Ich bin guten Willens, bereit, alles zu lehren
Den Schlächtern gebührt Ehre
Aber doch nicht allen Schlächtern?
Welchen zum Beispiel nicht? Vielleicht
Bin ich schon verloren: ich habe
Den Führer nur einen Heiligen genannt.
Ich tue alles, aber
Ich bin ein Mensch und kann irren. [1934]
 
Quem ensina o professor?
 
Sou professor
Mas com quem vou aprender?
Como vou saber o que querem que ensine?
De bom grado me disponho a tudo ensinar
Os carniceiros devem ser prestigiados
Mas nem todos os carniceiros?
Quais, por exemplo, não? Quem sabe
Eu já esteja perdido: chamei
O Führer apenas de santo.
Faço tudo, contudo
Sou humano e posso errar.
 
Die Medea von Lodz
 
Da ist eine Märe
Von einer Frau, Medea genannt
Die kam vor tausend Jahren
An einen fremden Strand.
Der Mann, der sie liebte
Brachte sie dorthin.
Er sagte: du bist zu Hause
Wo ich zu Hause bin.
 
Sie sprach eine anderer Sprache
Als die Leute dort
Für Milch und Brot und Liebe
Hatten sie ein anderes Wort.
Sie hatte andere Haare
Und ein anderes Gehn
Ist nie dort heimisch geworden
Wurde scheel angesehn.
 
Wie es mit ihr gegangen
Erzählt der Euripides
Seine mächtigen Chöre singen
Von einem vergilbten Prozeß.
 
Nur der Wind geht noch über die Trümmer
Der ungastlichen Stadt
Und Staub sind die Stein, mit denen
Sie die Fremde gesteinigt hat.
 
Da hören wir mit einem
Mal jetzt die Rede gehn
Es würden in unseren Städten
Von neuen Medeen gesehn.
Zwischen Tram und Auto und Hochbahn
Wird das alte Geschrei geschrien
1934
In unserer Stadt Berlin. [1934]

A Medeia de Lodz
 
Este é o mito de Medeia
Mulher que desembarcou
Há mil anos numa praia
Estrangeira por amor.
O homem que se enamorou
Dela e a levou pra lá
Disse: aonde quer que eu for
O meu lar será teu lar.
 
A língua que ela falava
Era estranha: para amor
Leite e pão, outras palavras
Usava. No corte e cor
Do cabelo e na maneira
Como andava ela diferia
E por isso com maus olhos
A população lhe via.
 
O que aconteceu com ela
Foi narrado por Euripedes
E seus coros poderosos
Entoaram o sucedido.

Só o vento ainda erra
Pela inóspita cidade
E viraram pó as pedras
Com que estranhos lapidava.
 
Mas ouvimos um rumor
(Não sabemos se é verdade)
Que novas Medeias foram
Vistas em nossas cidades.
Entre bondes, trens e carros
Gritam seu grito primal
1934
Em Berlim, a capital.

Ulm 1592
 
Bischof, ich kann fliegen
Sagte der Schneider zum Bischof.
Paß auf, wie ich's mach!
Und er stieg mit so 'nen Dingen
Die aussahn wie Schwingen
Auf das große, große Kirchendach.
Der Bischof ging weiter.
Das sind lauter so Lügen
Der Mensch ist kein Vogel
Es wird nie ein Mensch fliegen
Sagte der Bischof vom Schneider.
 
Der Schneider ist verschieden
Sagten die Leute dem Bischof.
Es war eine Hatz.
Seine Flügel sind zerspellet
Und er liegt zerschellet
Auf dem harten, harten Kirchenplatz.
Die Glocken sollen läuten
Es waren nichts als Lügen
Der Mensch ist kein Vogel
Es wird nie ein Mensch fliegen
Sagte der Bischof den Leuten. [1934]

Ulm 1592
 
Bispo, voar eu sei que posso
Disse o alfaiate ao bispo.
Veja sól E com um troço
A um par de asas parecido
Sobe ao mais alto local
Da alta, alta catedral.
Mas o bispo nem deu trela
E se foi. Que disparate!
O homem não é passarinho
Nunca vai sair do chão
Disse o bispo do alfaiate.
 
O alfaiate passou dessa
Pra melhor, disseram ao bispo.
Foi um grande rebuliço.
O par de asas se rompeu
E ele jaz espatifado
Sobre o duro, duro adro.
Logo soa o carrilhão:
Não passou de um disparate
O homem não é passarinho
Nunca vai sair do chão
Disse o bispo à multidão. 
 
BRECHT, Bertolt. 1898-1956. Poesia / Bertolt Brecht (Eugen Bertholt Friedrich Brecht); 300 poemas (edição bilíngue); fragmentos dos diários, anotações autobiográficas, 20 textos sobre poesia; seleção, introdução & tradução André Vallias; texto de 2a capa Augusto de Campos; e 3a capa Lion Feuchtwanger (1928).  São Paulo: Perspectiva, 2019. – (Coleção Signos; 60 / dirigida por Augusto de Campos) 

3.4.26

continua/Hugo Pratt/Corto Maltese: A Juventude/Corto Maltese: La Jeunesse/entra

PRATT, Hugo (1927-1995)Corto Maltese: A JuventudeCorto Maltese: La Jeunesse / Hugo Pratt; 1983; prefácio Marco Steiner; fotos Marco D’Anna; tradução Ana Ban. — Belo Horizonte: ChinAsia; Grupo Autêntica: Nemo, 2011.

continua/Hugo Pratt/Corto Maltese: La casa dorada de Samarcanda/sai

PRATT, Hugo (1927-1995) Corto MalteseLa casa dorada de Samarcanda Hugo Pratt; texto de introducción Los habitantes del cuadrito, El mundo le queda Corto de Marcelo Birmajer; El Libro de Fierro extra. — Buenos Aires: Ediciones de la Urraca, 1987.

continua/Bertolt Brecht/Poesia/introdução & tradução André Vallias/continua

3. SVENDBORG [1933-1939] 
 
An die Kämpfer in den Konzentrationslagern
 
Kaum Erreichbare, ihr!
In den Konzentrationslagern begraben
Abgeschnitten von jedem menschlichen Wort
Unterworfen den Miẞhandlungen
Niedergeknüppelte, aber
Nicht Widerlegte!
Verschwundene, aber
Nicht Vergessene!
 
Hören wir wenig von euch, so hören wir doch: ihr seid
Unverbesserbar.
Unbelehrbar, heißt es, seid ihr der proletarischen Sache ergeben
Unabbringbar davon, daß es immer noch in Deutschland
Zweierlei Menschen gibt: Ausbeuter und Ausgebeutete
Und daß nur der Klassenkampf
Die Menschenmassen der Städte und des Landes aus
dem Elend befreien kann.
Nicht durch Stockschläge, noch durch Aufhängen, hören wir, seid ihr
So weit zu bringen, zu sagen, daß
Zwei mal zwei jetzt fünf ist.
 
Also seid ihr
Verschwunden, aber
Nicht vergessen
Niedergeknüppelt, aber
Nicht widerlegt
Zusammen mit allen unverbesserbar Weiterkämpfenden
Unbelehrbar auf der Wahrheit Beharrenden
Weiterhin die wahren
Führer Deutschlands. [1933]
 
Aos combatentes nos campos de concentração
 
Quase inacessíveis, vocês!
Nos campos de concentração enterrados
Apartados de qualquer palavra humana
Submetidos aos maus-tratos
Espancados, mas
Não refutados!
Desaparecidos, mas
Não esquecidos!
 
Pouco escutamos de vocês, mas escutamos: vocês são
Imelhoráveis.
Inensináveis, diz-se, entregues à causa proletária
Irremovíveis disso, porquanto na Alemanha ainda
Há dois tipos de pessoas: explorador e explorado
E somente a luta de classes
Pode livrar as massas humanas da miséria
Na cidade e no campo.
Nem por meio de porretes nem por meio de forcas ouvimos
Que vocês estão prestes a dizer que
Dois mais dois são cinco.
 
Por isso vocês estão
Desaparecidos, mas
Não esquecidos!
Espancados, mas
Não refutados
Com todos os que seguem lutando, imelhoráveis
Inensináveis, perseverando na verdade
Os verdadeiros Führers
Da Alemanha.

In finsterer Zeit
 
Blutigster Unterdrückung
Geht die Wahrheit über das Land
In löchrigen Schuhen
Geht sie mitten durch die Verfolgung.
 
Der Knüppel sagt: es sind alle satt
Die Pistole schwört: hier friert keiner
Aber sieben mal weggescheucht
Kehrt der Verfolgte zu seinesgleichen zurück
Und verbreitet die Wahrheit.
 
Von der Oberfläche weggescheucht
Berät ohne Unterlaß
Der Untergrund.
 
Freilich
Kleiner werden die Kader. Es sinken Boten dahin
Nicht abgeholt wird die Nachricht.
Es gerät in Vergessenheit der Treffpunkt.
Die Folterung öffnet die Münder nicht
Aber der Mord schließt sie. [c. 1933]
 
Em tempos sombrios
 
De opressão mais sanguinária
A verdade anda pelo país
Com sapatos furados
Caminha em meio à perseguição.
 
O porrete diz: estão todos saciados
A pistola jura: ninguém morre de frio
Mas sete vezes escorraçado
O perseguido volta para os seus
E difunde a verdade.
 
Escorraçado da superfície
Aconselha sem trégua
O subterrâneo.
 
Claro
Os quadros encolhem. Os mensageiros escoceam
Não é recolhida a mensagem.
Cai em esquecimento o ponto de encontro.
A tortura não faz as bocas se abrirem
Mas o assassinio as fecha.
 
Verlust eines wertvollen Menschen
 
Du hast eines wertvollen Menschen verloren.
Daß er von dir ging, ist kein Beweis
Daß er nicht wertvoll ist. Gib zu:
Du hast eines wertvollen Menschen verloren.
 
Du hast eines wertvollen Menschen verloren.
Er ging von dir, weil du einer guten Sache dienst
Und er ging zu einer nichtigen. Und dennoch, gib zu:
Du hast eines wertvollen Menschen verloren. [c. 1933]
 
Perda de uma pessoa valiosa
 
Você perdeu uma pessoa de valor.
Que ela se foi não é nenhuma prova
De que não tinha valor. Reconheça:
Você perdeu uma pessoa de valor.
 
Você perdeu uma pessoa de valor.
Foi-se, pois você serve a uma causa boa
E ela foi para uma ruim. Mas reconheça:
Você perdeu uma pessoa de valor.

Gegen die Objektiven
1
Wenn die Bekämpfer des Unrechts
Ihre verwundeten Gesichter zeigen
Ist die Ungeduld derer, die in Sicherheit waren
Groß. 
 
2
Warum beschwert ihr euch, fragen sie
Ihr habt das Unrecht bekämpft! Jetzt
Hat es euch besiegt: schweigt also!
 
3
Wer kämpft, sagen sie, muß verlieren können
Wer Streit sucht, begibt sich in Gefahr
Wer mit Gewalt vorgeht
Darf die Gewalt nicht beschuldigen.
 
4
Ach, Freunde, die ihr gesichert seid
Warum so feindlich? Sind wir
Eure Feinde, die wir Feinde des Unrechts sind?
Wenn die Kämpfer gegen das Unrecht besiegt sind
Hat das Unrecht doch nicht recht!
 
5
Unsere Niederlagen nämlich
Beweisen nichts, als daß wir zu
Wenige sind
Die gegen die Gemeinheit kämpfen
Und von den Zuschauern erwarten wir
Daß sie wenigstens beschämt sind! [c. 1933]
 
Contra os imparciais
 
1
Quando os que combatem a injustiça
Mostram suas faces machucadas
A impaciência dos que estavam em segurança
É grande.
 
2
Por que vocês reclamam, eles perguntam
Vocês combateram a injustiça!
Ela venceu: calem-se, portanto!
 
3
Quem luta, dizem, tem que saber perder
Quem procura briga, põe-se em perigo
Quem procede com violência
Não pode a violência recriminar.
 
4
Ah, amigos que estão em segurança
Por que tanta inimizade? Então somos
Inimigos, nós, os inimigos da injustiça?
Se os que combatem a injustiça são vencidos
Não deixa a injustiça de ser injustal
 
5
Ora, as nossa derrotas
Apenas comprovam que somos
Muito poucos
Os que combatem a maldade
E dos espectadores esperamos
Que ao menos se envergonhem!

Über die Bedeutung des zehnzeiligen Gedichts
in der 888. Nummer der Fackel (Oktober 1933)
 
Als das Dritte Reich gegründet war
Kam von dem Beredten nur eine kleine Botschaft.
In einem zehnzeiligen Gedicht
Erhob sich seine Stimme, einzig um zu klagen
Daß sie nicht ausreiche.
 
Wenn die Greuel ein bestimmtes Maß erreicht haben
Gehen die Beispiele aus.
Die Untaten vermehren sich
Und die Weherufe verstummen.
Die Verbrechen gehen frech auf die Straße
Und spotten laut der Beschreibung.
 
Dem, der gewürgt wird
Bleibt das Wort im Halse stecken.
Stille breitet sich aus und von weitem
Erscheint sie als Bewilligung.
Der Sieg der Gewalt
Scheint vollständig.
 
Nur noch die verstümmelten Körper
Melden, daß da Verbrecher gehaust haben.
Nur noch über den verwüsteten Wohnstätten die Stille
Zeigt die Untat an.
 
Ist der Kampf also beendet?
Kann die Untat vergessen werden?
Können die Ermordeten verscharrt und die Zeugen geknebelt werden?
 
Kann das Unrecht siegen, obwohl es das Unrecht ist?
Die Untat kann vergessen werden.
Die Ermordeten können verscharrt und die Zeugen können geknebelt werden.
 
Das Unrecht kann siegen, obwohl es das Unrecht ist.
Die Unterdrückung setzt sich zu Tisch und greift nach dem Mahl Mit den blutigen Händen.
 
Aber die das Essen heranschleppen
Vergessen nicht das Gewicht der Brote; und ihr Hunger bohrt noch
Wenn das Wort Hunger verboten ist.
 
Wer Hunger gesagt hat, liegt erschlagen.
Wer Unterdrückung rief, liegt geknebelt.
Aber die Zinsenden vergessen den Wucher nicht.
Aber die Unterdrückten vergessen nicht den Fuß in ihrem Nacken.
Ehe die Gewalt ihr äußerstes Maß erreicht hat
Beginnt aufs neue der Widerstand.
 
Als der Beredte sich entschuldigte
Daß seine Stimme versage
Trat das Schweigen vor den Richtertisch
Nahm das Tuch vom Antlitz und
Gab sich zu erkennen als Zeuge. [1933]
 
Sobre o significado do poema de dez versos
no 888o número de O Archote (outubro 1933)
 
Quando o Terceiro Reich foi fundado
Veio do Loquaz apenas uma pequena mensagem.
Num poema de dez versos
Sua voz elevou-se só para lamentar
Que ela não bastava.
 
Quando o horror atinge um certo nível
Os exemplos se acabam.
Os crimes se multiplicam
E os clamores se calam.
A contravenção desfila atrevida pela rua
E debocha alto do relato.
 
Quem é estrangulado
Fica com a palavra presa na garganta.
O silêncio se alastra e de longe
Assemelha-se a uma licença.
O triunfo da força
Parece completo.
 
Somente os corpos mutilados ainda
Avisam que os criminosos moraram ali.
Somente nas moradias devastadas o silêncio ainda
Denuncia o crime.
 
Então a luta terminou?
Pode o crime ser esquecido?
Os assassinados podem ser enterrados e as testemunhas amordaçadas?
 
A injustiça pode vencer, apesar de ser injustiça?
O crime pode ser esquecido.
Os assassinados podem ser enterrados e as testemunhas amordaçadas.
 
A injustiça pode vencer, embora seja a injustiça.
A opressão se senta à mesa e agarra a refeição
Com mãos ensanguentadas.

Mas os que carregam a comida
Não esquecem o peso dos pães; e a fome deles persiste ainda
Que a palavra fome esteja proibida.
 
Quem disse fome, foi trucidado.
Quem clamou opressão, foi amordaçado.
Mas os endividados não esquecem os agiotas.
Mas os oprimidos não esquecem os pés em suas costas.
Antes que a força atinja o seu extremo
A resistência começa de novo.
 
Quando o Loquaz se desculpou
De que sua voz falhara
O silêncio se apresentou ao juiz
Tirou a toalha de seu rosto e
Declarou-se testemunha.

BRECHT, Bertolt. 1898-1956. Poesia / Bertolt Brecht (Eugen Bertholt Friedrich Brecht); 300 poemas (edição bilíngue); fragmentos dos diários, anotações autobiográficas, 20 textos sobre poesia; seleção, introdução & tradução André Vallias; texto de 2a capa Augusto de Campos; e 3a capa Lion Feuchtwanger (1928).  São Paulo: Perspectiva, 2019. – (Coleção Signos; 60 / dirigida por Augusto de Campos)

1.4.26

continua/Hugo Pratt/Corto Maltese: La casa dorada de Samarcanda/entra

PRATT, Hugo (1927-1995) Corto MalteseLa casa dorada de Samarcanda Hugo Pratt; texto de introducción Los habitantes del cuadrito, El mundo le queda Corto de Marcelo Birmajer; El Libro de Fierro extra. — Buenos Aires: Ediciones de la Urraca, 1987.

continua/Hugo Pratt/Corto Maltese: As Célticas/Corto Maltese: Le Celtiche/sai

PRATT, Hugo (1927-1995). Corto Maltese: As Célticas / Corto MalteseLe Celtiche / Hugo Pratt; 1971/1972; prefácio François RIVIÈRE; extras inéditos; tradução Marcello Fontana.  Salvador: Trem Fantasma, 2025.

Rio • Louise Garcia e Corentin Rouge

A editora sempre surpreendendo. No início lançou vários argentinos que achei que só eu conhecia no Brasil (lembro quando a Martins Fontes, que trouxe grandes quadrinhos em 80/90, lançou o Eternauta neste seculo xxi, já achei esquisito).

Depois a Comix Zone lançou vários outros que eu conhecia ou vim a descobrir com eles, de vários países. Até alguns que já tinha visto o autor, como Jodorowsky, que, entre outras coisas, vi todos os filmes dele até Santa Sangre (que era o último) do lado dele, chegando na Chantal Montellier, que falei com ela em dois dias.

Agora lança este, que parece muito bom, com grande técnica de desenho e estilo. Quadrinhos sobre o Rio, até onde me lembro, só me vem os do enorme Solano López (El Día del Juicio e Sangue Bom). E grande parte de Carimbê, do Ferréz e Doug Firmino. Mas Rio parece tão potente e carioca, desenhado por um Francês.

 Rubens e Nina cresceram em uma das maiores favelas do Rio de Janeiro. Sua vida muda drasticamente no dia em que sua mãe é assassinada por Jonas, um policial corrupto do qual ela era informante e amante. Lançados à própria sorte nas ruas, eles precisam aprender rapidamente a sobreviver em um ambiente impiedoso.

O destino, no entanto, oferece uma saída inesperada: a adoção por uma família rica. Assombrado pela morte da mãe e agora responsável por sua irmã mais nova, Rubens passa da pobreza das favelas e das ruas para a classe média alta brasileira, descobrindo os diferentes lados de uma sociedade marcada pela violência e pela desigualdade.

Este volume integral reúne amor, vingança, loucura, corrupção policial e intrigas políticas em um thriller urbano eletrizante, criado pela roteirista brasileira Louise Garcia e pelo desenhista francês Corentin Rouge (Thorgal Saga, XIII Mystery).

A edição tem acabamento de luxo, com formato grande, capa dura e 304 páginas em cores, impressas em papel couchê de alta gramatura.

Corentin Rouge nasceu em 1983, em Paris, França. Formado pela École supérieure des Arts Décoratifs em 2006, estreou nos quadrinhos em 2004 com uma história curta publicada na revista Métal Hurlant. Entre 2009 e 2013, publicou a série Milan K., com roteiro de Sam Timel. Em 2012, desenhou o one-shot Juarez, escrito por Nathalie Sergeef, e, em 2016, com Fred Duval no roteiro, desenhou um volume da série XIII Mystery. Entre 2016 e 2019, desenhou a série Rio, em quatro volumes, escrita por Louise Garcia, aclamada pelo realismo gráfico e pela intensidade narrativa. Em 2024, novamente com Fred Duval, desenhou um volume da série Thorgal Saga, e, em 2025, lançou o primeiro volume de sua nova série Islander, escrita por Caryl Férey. Seu traço é reconhecido por combinar realismo detalhado, fluidez narrativa e a tradição da escola franco-belga clássica.

Capa dura
Formato 21 x 27,5 cm
304 páginas
ISBN 9786501630175
edição: Ferréz e Thiago Ferreira

29.3.26

continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua

 
U
[Saint-Simon, Ferrovias]
[...]
Socialismo utópico. “A classe capitalista ... considerava seus adeptos como meros excêntricos ou fanáticos inofensivos... Estes adeptos, aliás, fizeram tudo o que era humanamente possível para parecerem ... como tais. Assim, vestiam roupas de corte especial (por exemplo, os saint-simonianos abotoavam seus hábitos nas costas, para que ao vesti-los fossem obrigados a pedir ajuda a um companheiro, sendo lembrados, dessa maneira, da necessidade da união), usavam chapéus excepcionalmente grandes, barbas muito longas etc.” Paul Lafargue, “Der Klassenkampf in Frankreich”, Die Neue Zeit, XII, n° 2, p. 618.
[U 3, 2] 
[...]
Engels sobre Das Wesen des Christentums [A Essência do Cristianismo] , de Feuerbach: “Mesmo as falhas do livro contribuíram para seu efeito imediato. O estilo beletrista, por vezes até empolado, garantiu um público maior, e em todo caso foi um conforto após longos anos de hegelianismo abstrato e abstruso. O mesmo vale para o endeusamento excessivo do amor, que encontrou uma desculpa diante da já insuportável soberania do pensamento puro’. Mas o que não deve ser esquecido é que precisamente estas duas fraquezas de Feuerbach foram tomadas como ponto de partida pelo verdadeiro socialismo’, que se alastrou desde 1844 na Alemanha culta como uma peste, substituindo o conhecimento científico pela retórica literária, e a emancipação do proletariado através da transformação econômica da produção pela libertação da humanidade por meio do ‘amor’. Em suma, ele naufragou na beletrística repugnante e no pdthos sentimental, cujo representante típico foi o Sr. Karl Grün.” Friedrich Engels, “Ludwig Feuerbach und der Ausgang der klassischen deutschen Philosophie”, Die Neue Zeit, IV, Stuttgart, 1886, p. 150. [Resenha de C. N. Starcke, Ludwig Feuerbach, Stuttgart, 1885.]
[U 3a, 1]
“As estradas de ferro ... exigiram, ao lado de outras coisas impossíveis, uma transformação do modo de propriedade... De fato, até então, um indivíduo burguês conduzia uma indústria ou um comércio apenas com seu dinheiro, ou, no máximo, com o dinheiro de mais um ou dois amigos ou conhecidos... Ele administrava o dinheiro e era o efetivo proprietário da fábrica ou do estabelecimento comercial. As estradas de ferro, no entanto, exigiram capitais tão gigantescos que não era possível encontrá-los concentrados nas mãos de algumas poucas pessoas. Assim, um grande número de burgueses teve que confiar seu precioso dinheiro, que nunca perdiam de vista, a pessoas que mal conheciam de nome... Uma vez que o dinheiro era aplicado, eles perdiam qualquer controle sobre sua utilização, e nem sequer tinham direito de propriedade sobre as estações ferroviárias, vagões, locomotivas etc. ... Tinham direito apenas sobre os proventos; em vez de um objeto, ... era-lhes entregue ... um mero pedaço de papel, que representava a ficção de uma parte infinitamente pequena e inacessível da propriedade efetiva, cujo nome vinha escrito embaixo em letras graúdas... Esta forma ... representava uma contradição tão violenta àquela familiar aos burgueses ... que em sua defesa se encontravam apenas pessoas ... suspeitas de querer derrubar a ordem social, ou seja, os socialistas: primeiro Fourier, e depois Saint-Simon, recomendaram a mobilização da propriedade na forma de ações em papel.” Paul Lafargue, “Marx’ historischer Materialismus”, Die Neue Zeit, XXII, Stuttgart, 1904, n° 1, p. 831.
[U 3a, 2]
Há uma revolta por dia. Nessas ocasiões, os estudantes, filhos de burgueses, unem-se fraternalmente aos operários, e estes crêem que chegou a hora. Conta-se também, seriamente, com os alunos da École Polytechnique.” Nadar, Quand Jétais Photographe, Paris, 1900, p. 287. 
[U 3a, 3]
[...]
Uma diferença notável entre Saint-Simon e Marx. O primeiro amplia do modo mais abrangente possível o número dos explorados, incluindo entre eles até os empresários, uma vez que estes pagam juros a seus credores. Marx, ao contrário, inclui na burguesia todos aqueles que de alguma forma são exploradores, ainda que estes também sejam vítimas de exploração.
[U 4,2]
BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-WerkWalter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.