8.7.26

continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua

<fase tardia>
Sobre “Um rio subterrâneo em Paris”, que foi coberto em grande parte no começo do século XVII: “O rio ... assim ... descia gradualmente o declive em direção à casa que, já no século XV, tinha dois salmões como insígnia, e que deu lugar à passagem de mesmo nome. Lá, tendo se avolumado com as águas que vinham dos Halles, ele se afundava sob a terrà, no lugar em que hoje começa a rua Mandar, e onde a entrada do grande esgoto, que ficou aberta durante muito tempo, deu passagem aos bustos de Marat e de Saint-Fargeau ... depois do Termidor... O rio se perdia ... no Sena, bem embaixo da cidade... Foi o suficiente para que o rio lodoso empesteasse em sua passagem os bairros que atravessava, e que formavam uma das partes mais populosas de Paris... Quando irrompeu a peste, via-se que ela surgia primeiro nas ruas em que o rio, com sua vizinhança infecta, produzia antecipadamente fixos de pestilência.” Édouard Fournier, Énigmes des Rues de Paris, Paris, 1860, pp. 18-19, 21-22 (“Une rivière souterraine dans Paris”).
[l 2, 1]
[...]
m

[ÓCIO e Ociosidade]1
 
 1 Neste arquivo temático, o ócio tradicional, aristocrático, criativo (o otium dos Romanos; o alemão Muße: o francês loisir, o inglês leisure) é confrontado com a ociosidade moderna (respectivamente Müßiggang, oisiveté e idleness). No sistema de valores burguês, baseado no negócio (de nec-otiumnegação do ócio), o ócio dos antigos e da sociedade aristocrática  isto é, o privilégio de estar livre da obrigação de trabalhar  é visto como algo superado e depreciado como ociosidade, ou seja, “indolência e preguiça. Por outro lado, a ociosidade moderna é um protesto contra a fetichização burguesa do trabalho. Nossa distinção entre ociosidade e ócio procura reproduzir a diferenciação entre Müßiggang e Muße, tentando expressar, ao mesmo tempo, através da afinidade fonética, a dialética da mudança e da continuidade históricas. (J.L.; w.b.)
 
<fase tardia>

Entrecruzamento notável: na Grécia antiga, o trabalho prático era reprovado e proscrito; embora fosse executado essencialmente por mãos escravas, era condenado principalmente por revelar uma aspiração vulgar por bens terrenos (riqueza); ademais, esta concepção serviu para a difamação do comerciante, apresentando-o como servo de Maramon: “Platão prescreve, nas Leis (VIII, 846), que nenhum cidadão deve exercer profissão mecânica; a palavra banausos, que significa artesão, torna-se sinônimo de desprezível...; tudo o que é artesanal ou envolve trabalho manual traz vergonha e deforma a alma e o corpo ao mesmo tempo. Em geral, os que exercem tais ofícios ... só se empenham para satisfazer ... o ‘desejo de riqueza, que nos priva de todo tempo de ócio...’ Aristóteles, por sua vez, opõe aos excessos da crematística [arte de adquirir riquezas] ... a sabedoria da economia doméstica... Assim, o desprezo que se tem pelo artesão estende-se ao comerciante: em relação à vida liberal, ocupada pelo ócio do estudo (scolé, otium), o comércio e ‘os negócios (neg-otium, ascolía) não têm, na maioria das vezes, senão um valor negativo.” Pierre-Maxime Schuhl, Machinisme et Philosophie, Paris, 1938, pp. 11-12.
[m 1, 1]
Quem desfruta do ócio, escapa da Fortuna; quem se rende à ociosidade, não lhe escapa. A Fortuna que o aguarda na ociosidade é, contudo, uma deusa menor do que aquela da qual escapou quem se entregou ao ócio. Esta Fortuna não se sente mais em casa na vita activa; seu quartel general é a vida mundana. “Os imaginários da Idade Média representam os homens que se dedicam à vida ativa ligados à roda da Fortuna, elevando-se ou rebaixando-se segundo O sentido em que ela gira, enquanto o contemplativo permanece imóvel no centro.” P.-M. Schuhl, Machinisme et Philosophie, Paris, 1938, p. 30.
[m 1, 2]
Sobre a caracterização do ócio. Sainte-Beuve no ensaio sobre Joubert: ‘“Conversar e conhecer, era sobretudo nisso que consistia, segundo Platão, a felicidade da vida privada.’ Esta classe de conhecedores e amadores ... quase desapareceu na França depois que cada um assumiu um ofício.” Correspondance de Joubert, Paris, 1924, p. XCIX.
[m 1, 3]
Na sociedade burguesa, a preguiça — para usar uma palavra de Marx — tinha deixado de ser “heróica” (Marx fala da “vitória ... da indústria sobre a preguiça heróica”. Bilanz der preußischen Revolution, em Gesammelte Schriften von Karl Marx und Friedrich Engels, vol. III, Smrtgart, 1902, p. 211.)
[m 1a, 1]
Na figura do dândi, Baudelaire procura encontrar para a ociosidade uma utilidade como aquela que o ócio tinha anteriormente. A vita contemplativa é representada e substituída por algo que se poderia chamar de vita contemptiva. (Comparar com a parte III de meu manuscrito <“Das Paris des Second Empire bei Baudelaire”>.)2
 2 W. Benjamin, Die Moderne, GS 1, 570-604  A Modernidade, OE III, pp. 67-101. (w.b.)
[m 1a, 2]

A experiência [Erfahrung] é o fruto do trabalho, a vivência [Erlebnis] é a fantasmagoria do ocioso.
3
3 Um traço marcante do pensamento de Benjamin é a diferenciação entre experiência e vivência. Enquanto Erfahrung (do verbo erfahren, que originalmente significava viajar", atravessar) pressupõe tradição e continuidade: Erlebnis, que é algo mais espontâneo, implica em choque e descontinuidade. Em notas relacionadas com o ensaio Über einige Motive bei Baudelaire (Sobre Alguns Temas em Baudelaire), Benjamin escreve que as vivências são, por natureza, não utilizáveis para a produção poética e que se trata de transformar as vivências em experiências (GS I, 1183). (E/M)
[m 1a, 3]
No lugar do campo de força que a humanidade perde com a desvalorização da experiência, um novo campo se abre para ela na forma do planejamento. A massa das uniformidades desconhecidas é mobilizada para fazer face à diversidade comprovada do tradicional. “Planificar”, a partir de então, só é possível em grande escala. Não mais em escala individual, isto é, nem para o indivíduo, nem por meio dele. Valéry tem razão ao dizer: “Os projetos elaborados ao longo de muito tempo, os profundos pensamentos de um Maquiavel ou de um Richelieu teriam hoje a consistência e o valor de um bom palpite na Bolsa de Valores.” Paul Valéry, Œuvres Complètes, J, Paris, 1938, p. 30.
[m 1a, 4]
[...]
A ociosidade possui poucos elementos representativos, embora seja muito mais exibida que o ócio. O burguês começou a envergonhar-se do trabalho. Ele, para quem o ócio não tem mais um significado em si mesmo, gosta de exibir sua ociosidade.
[m 2, 2] 
[...]
Estudante e caçador. O texto é uma floresta na qual o leitor é o caçador. Rumores na floresta: a idéia — a presa arisca; a citação — uma peça do quadro. (Nem todo leitor consegue encontrar a idéia.)
[m 2a, 1]
[...]
Na sociedade feudal, o ócio a desobrigação do trabalho — era um privilégio reconhecido. Na sociedade burguesa não é mais assim. O que distingue o ócio, tal como o conhece o feudalismo, é o fato de ele se comunicar com dois tipos importantes de comportamento social. A contemplação religiosa e a vida na corte representam, por assim dizer, as matrizes em que podia ser moldado o ócio do nobre, do prelado, do guerreiro. Estas atitudes — tanto a da piedade quanto a da representação  traziam vantagens ao poeta. Sua obra as favorecia pelo menos indiretamente, ao preservar o contato com a religião e com a vida na corte. (Voltaire foi o primeiro dos grandes escritores a romper com a Igreja, mas não deixou de assegurar para si um lugar na corte de Frederico, o Grande.) Na sociedade feudal, o ócio do poeta é um privilégio reconhecido. É somente na sociedade burguesa que o poeta é considerado como alguém que vive na ociosidade.
[m 2a, 5]
A ociosidade procura evitar qualquer relação com o trabalho de quem é ocioso, e mesmo qualquer relação com o processo de trabalho em geral. Isto diferencia a ociosidade do ócio.
[m 3, 1] 
[...]
O abalo da experiência relaciona-se intimamente com o abalo das certezas jurídicas. “No período liberal, o poder econômico estava intimamente ligado à propriedade jurídica dos meios de produção... Mas a rápida concentração ... do capital no século passado, impulsionada pelo desenvolvimento da técnica, fez com que a maior parte dos proprietários, em termos legais, fosse afastada da direção dos negócios... Uma vez que os meros detentores de títulos de propriedade são separados da produção efetiva..., restringe-se o seu horizonte ... e, por fim, o benefício que ainda obtêm de sua propriedade ... parece socialmente inútil... A idéia de um direito autônomo, com um conteúdo estável e independente da sociedade como um todo, perde sua força.” Ocorre assim “a abolição de todo direito determinado pelo conteúdo..., que é levada a cabo nos Estados autoritários”. Max Horkheimer, “Traditionelle und kritische Theorie, Zeitschrift für Sozialforschung, <ano VI>, 1937, n° 2, pp. 285-287; cf. Horkheimer, “Bemerkungen zur philosophischen Anthropologie”, op. cit., <ano IV>, n° 1, p. 12.
[m 3, 3]
[...]
Sobre o folhetim. Tratava-se, por assim dizer, de injetar na experiência, por via intravenosa, o veneno da sensação; isto quer dizer: ressaltar na experiência comum o caráter de vivência. A isto se prestava, em primeiro lugar, a experiência do habitante das grandes cidades. O folhetinista tira proveito disso. Ele torna a grande cidade estranha para os seus habitantes. Desta forma, ele é um dos primeiros técnicos convocados pela necessidade premente de vivências. (A mesma necessidade manifesta-se com a teoria da “beleza moderna”, tal como proposta por Poe, Baudelaire e Berlioz. A surpresa constitui-se nela como um elemento dominante.)
[m 3a, 2]
O processo de estiolamento da experiência começa já na manufatura. Em outras palavras: ele coincide, em seus primórdios, com os primórdios da produção de mercadorias. (Cf. Marx, Das Kapital, vol. I, ed. Korsch, Berlim, 1932, p. 336.)
[m 3a, 3]
A fantasmagoria é o correlato intencional da vivência.
[m 3a, 4]
Assim como o processo de trabalho industrial se destaca do artesanato, também a forma de comunicação correspondente a esse processo de trabalho — a informação — destaca-se da forma de comunicação correspondente ao processo de trabalho artesanal, que é a narração. (Cf. Walter Benjamin, “Der Erzähler”, Orient und Occident , nova série, n° 3, outubro de 1936, p. 21, parágrafo 3 até p. 22, parágrafo 1, linha 3; p. 22, parágrafo 2, linha 1 ate o fim, da citação de Valéry).5 É preciso prestar atenção a esta correlação para se ter uma idéia da força explosiva contida na informação. Esta força explode na sensação. Com ela, arrasa-se tudo que ainda evoca a sabedoria, a tradição oral, o lado épico da verdade.
5 W. Benjamin, “Der Erzähler”, GS II, 447, linhas 13-20; e 448, linhas 16-33; 0 Narrador, OE I, p. 205, linhas 15-22; e p. 206, linhas 14-29. (R.T.; w.b.)
[m 3a, 5]
[...]
O verdadeiro “flâneur assalariado” (Henri Béraud) é o homem-sanduíche.
[m 4, 2]
[...]
Pode-se deixar em suspenso a questão de saber se e em que sentido o ócio é determinado pela ordem de produção que o torna possível. Em vez disso, deve-se procurar elucidar o quão profundamente arraigados na ociosidade estão os traços da ordem econômica capitalista em que ela viceja.  Por outro lado, a ociosidade na sociedade burguesa — que desconhece o ócio — é uma condição da produção artística. E freqüentemente é a própria ociosidade que marca aquela produção artística de forma drástica com os traços que evidenciam seu parentesco com o processo de produção econômico.
[m 4a, 4]
O estudante “nunca termina de aprender”, o jogador “nunca se contenta com o que tem”, o flâneur “sempre tem algo a mais para ver”. A ociosidade traz em si o desígnio de uma duração ilimitada, que a distingue do simples prazer sensorial de qualquer natureza. (Seria correto dizer que o “mau infinito”, que predomina na ociosidade, aparece em Hegel como marca da sociedade burguesa?)
[m 5, 1]  
[...]
As palavras de Flaubert  “poucas pessoas serão capazes de imaginar como foi preciso estar triste para ressuscitar Cartago”9 — tornam transparente a correlação entre estudo e melancolia. (Esta, decerto, ameaça não somente esta forma de ócio, como também toda forma de ociosidade.) Cf. “mon âme est triste et j’ai lu tous les livres” [minha alma está triste e li todos os livros] (Mallarmé); “Spleen II” e “La voix” (Baudelaire); “Habe nun ach” [Ai de mim!] (Goethe ).10
9 Cf. a tese VII de W. Benjamin, Über den Begríff der Geschíchte, GS I, 696; Teses, p. 70. (w.b.)
10 Benjamin cita de memória um verso do poema Brise Marine, de Mallarmé: La chair est triste, hélas! et j’ai lu tous les livres.[A carne é triste, sim, e eu li todos os livros. Mallarmé, ed. org. e trad. por Augusto de Campos (, Decio Pignatari e Haroldo de Campos), São Paulo/Editora Perspectiva, 2002, p. 44]; cf. J 87,5.  A citação de Goethe é o início do primeiro monólogo (Noite) de Fausto: Ai de mim! Da filosofia / Medicina, jurisprudência, / E, mísero eu! da teologia, / 0 estudo fiz, com máxima insistência. Fausto, ed. org. por Marcus Mazzari, trad. de Jenny Klabin Segai, São Paulo/Editora 34, 2004, p. 63. (J.L.; w.b.)  
[m 5, 3]
O elemento especificamente moderno se manifesta em Baudelaire sempre como complemento do elemento especificamente arcaico. No flâneur, cuja ociosidade o faz percorrer uma cidade imaginária de passagens, o poeta encontra o dândi (o dândi que se movimenta pela multidão sem dar atenção aos esbarrões a que está exposto). Entretanto, existe também no flâneur uma criatura há muito desaparecida, que lança um olhar sonhador que atinge fundo o coração do poeta. Trata-se do “filho da selva”, o homem a quem uma natureza generosa outrora prometeu o ócio. O dandismo é o último lampejo do heróico em tempos de decadência. É com prazer que Baudelaire encontra em Chateaubriand uma referência a dândis índios, um testemunho do tempo de antigo esplendor dessas tribos.
[m 5, 4]
BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.

7.7.26

Little Bird: A Batalha por Alento • Darcy Van Poelgeest & Ian Bertram

A jornada distópica de uma jovem indígena em revolta contra uma teocracia opressora.

Nascida em meio a uma guerra interminável entre o opressor Império Americano e uma resistência à beira do colapso, Pássaro Pequeno é a última esperança da rebelião. Com sua vila destruída, sua mãe feita refém e seu país em ruínas, a jovem guerreira precisa atravessar as paisagens distópicas do Canadá em uma jornada desesperada para libertar o lendário Machado e reacender as chamas da revolução, para salvar seu país, seu povo e descobrir sua verdadeira identidade em um mundo em chamas.

Little Bird: A Batalha por Alento é um épico de ficção científica assinado pelo roteirista e cineasta Darcy Van Poelgeest e pelo artista Ian Bertram. Publicada originalmente em 2019 pela Image Comics, a obra conquistou grande reconhecimento da crítica especializada, vencendo o prestigiado Prêmio Eisner de Melhor Minissérie em 2020.

Esta edição tem acabamento de luxo, com capa dura, 192 páginas coloridas, impressas em papel couchê de alta gramatura.

Darcy Van Poelgeest é um roteirista e cineasta premiado que vive em Vancouver, no Canadá. Seu trabalho é reconhecido pela abordagem poética e provocativa em múltiplas mídias. Já teve suas histórias em quadrinhos publicadas por grandes editoras como BOOM! Studios, Dark Horse e Image Comics. Sua estreia nos quadrinhos, Little Bird, publicada pela Image Comics (EUA) e pela Glénat (França) em 2019, tornou-se um sucesso internacional, sendo traduzida para diversos idiomas. A obra foi indicada como Melhor Livro no Harvey Awards de 2020 e venceu o prestigiado Eisner Award de 2020 na categoria Melhor Minissérie. 

Ian Bertram é um quadrinista e ilustrador que vive e trabalha em Nova York. Formado pela renomada School of Visual Arts, foi selecionado para a prestigiada bolsa da Society of Illustrators em 2012. O artista publica regularmente por grandes editoras como Marvel, DC Comics, Dark Horse e Image Comics. Fora das páginas dos quadrinhos, Ian também expõe suas obras em galerias ao redor do mundo, com exposições em Nova York, Paris e Sri Lanka.


Capa dura
Formato 17 x 25,4 cm
192 páginas
ISBN 9786584191044
edição: Ferréz e Thiago Ferreira 

continua/Charles Baudelaire/Poesia e prosa poética/Pequenos Poemas em Prosa (O Spleen de Paris)/Aurélio Buarque de Holanda Ferreira/entra

BAUDELAIRE, Charles. 1821-1867. Poesia e prosa / Pequenos Poemas em Prosa (O Spleen de Paris), tradução Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, tradução do poema epílogo de Manuel Bandeira / Charles Baudelaire; volume único; edição organizada por Ivo Barroso; traduções, introduções e notas: Ivan Junqueira, Alexei Bueno; Antônio Paulo Graça, Aurélio Buarque de Holanda Ferreiro, Cleone Augusto Rodrigues, Fernando Guerreiro, Heitor Ferreira da Costa, Ivan Junqueira, Joana Angélica dÁvila Melo, José Saramago, Maiza Martins de Siqueira, Manuel Bandeira, Marcella Mortara, Mário Pontes, Marise M.Curioni, Plínio Augusto Coêlho, Suely Cassal, Wilson Coutinho; revisão geral e notas adicionais Ivo Barroso.  Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1995.

Flavio Colin/Edição de artista #1: aventuras do Anjo/Aventuras do Anjo #5: O Lenhador Maldito/sai

COLIN, Flavio (1930-2002). Edição de artista #1: aventuras do Anjo / Flavio Colin, Álvaro Aguiar; prefácio Rodrigo Rosa; introdução Gonçalo Junior; volume com fac-símile da obra em lápis, finalizados com pinceladas a nanquim, aplicação de guache branca como correção e efeitos, grafia do texto nos balões, anotações nos cantos das páginas e, tudo, no formato original da página: 29,7 x 42 cm; direção da edição e projeto gráfico Rodrigo Rosa; edição e produção Ivette Giraldo; título original: Aventuras do Anjo #5: O Lenhador Maldito; 1959. — São Paulo: Figura, 2021.
 
Impressionante ver estes desenhos do Flavio Colin, mas antes de ter O estilo Flavio Colin. Copiando até a assinatura de Milton Caniff.
CANIFF, Milton (1907-1988). Steve Canyon / Milton Caniff; prefácio Goida; tradução William Guedes; King Features Syndicate. — São Paulo: L&PM Editores S/A, 1990.

continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua

<fase média>

Surgiu na Comuna o projeto de um Marco Maldito, que deveria ser erigido na esquina de uma praça cujo centro seria ocupado por um memorial. Nele (conforme o projeto) deveriam ser listadas todas as personalidades oficiais do Segundo Império. Não faltaria nem mesmo o nome de Haussmann. Desta forma, deveria ser inaugurada uma “história infernal’ do regime. Contudo, pretendia-se remontar até Napoleão I, “o celerado do Brumário — chefe desta Raça maldita de boêmios coroados que a Córsega vomitou sobre nós, desta linhagem fatal de bastardos que já não seria reconhecida nem mesmo em seu país de origem”. Este projeto, impresso na forma de um cartaz, data de 15 de abril de 1871. (Exposição La Commune de Paris”, Prefeitura de Saint-Denis).
[k 2, 1]
[...]
 As ilusões que ainda alimentavam a Comuna vêm à tona expressamente na fórmula de Proudhon, em seu apelo à burguesia: “Salvai o povo, salvai a vós mesmos, como fizeram vossos pais: pela Revolução.” Max Raphael, Proudhon, Marx, Picasso, Paris, 1933, p. 118.
[k 2a, 1]
[...]
No Primeiro Império e, sobretudo, no Segundo Império, Engels vê estados que poderiam exercer o papel de instâncias de mediação entre os burgueses e os proletários, que dispõem de força praticamente igual. Cf. G. Mayer, Friedrich Engels, vol. II, Berlim, 1933, p.441.
[k 2a, 7]
[...]
Engels e a Comuna: “Enquanto o Comitê Central da Garde Narionale comandou as ações militares, ele mantinha suas esperanças. Partiu dele, sem dúvida, o conselho que Marx transmitiu a Paris na ocasião — o de fortificar o lado norte das colinas de Montmartre, o lado prussiano’.5 Ele temia que, de outra forma, a sublevação pudesse cair em uma ratoeira’. Mas a Comuna não seguiu o conselho e, como lamentou Engels, ela perdeu o momento certo para lançar uma ofensiva... No início, Engels ainda achava que o combate duraria muito tempo... No Conselho Geral, ele enfatizou ... que os operários parisienses estavam melhor organizados que em qualquer outra revolta anterior; que os trabalhos de alargamento das ruas, realizados sob Napoleão III, os favoreceriam, caso ocorresse um ataque à cidade; que, pela primeira vez, as barricadas seriam defendidas por canhões e tropas regularmente organizadas.” Gustav Mayer, Friedrich Engels, vol. II, Engels und der Aufstieg der Arbeiterbewegung in Europa, Berlim, 1933, p. 227.
[k 3, 2]
“Em 1884, ele” [Engels] “confessou a Bernstein que no texto de Marx ‘as tendências inconscientes da Comuna foram atribuídas a ela como planos mais ou menos conscientes’, e acrescentou que, ‘em vista das circunstâncias, isto tinha sido legítimo e mesmo necessário’... A maioria dos participantes da revolta era constituída de blanquistas, portanto, de revolucionários nacionalistas, que depositavam suas esperanças na ação política imediata e em uma ditadura autoritária exercida por alguns poucos homens decididos. Somente uma minoria pertencia à <Primeira> Internacional, que, além do mais, era dominada pelo espírito de Proudhon, e por isso náo se poderia dizer que era constituída por revolucionários sociais, e muito menos por marxistas. Isto não impediu que em toda a Europa os governos e a burguesia considerassem esta sublevação ... como uma trama do Conselho Geral da Internacional.” Gustav Mayer, Friedrich Engels, vol. II, Engels und der Aufstieg der Arbeiterbewegung in Europa, Berlim, p. 228. 
[k 3a, 1]
A primeira communio: a cidade. “Os imperadores da Alemanha, como Frederico I e Frederico II, por exemplo, promulgaram editos contra estas communiones [comunidades], conspirationes..., bem no espírito do parlamento federal alemão... É engraçado que a palavra communio ... tenha sido amaldiçoada, muitas vezes, da mesma maneira que o comunismo hoje em dia. Assim, por exemplo, escreve o clérigo Guilbert de Noyon: ‘Communio é uma designação nova e péssima.’ Há por vezes algo de patético na maneira como os Spießrger [os burgueses filisteus]6 do século XII convidam os camponeses a se refugiar nas cidades, na communio jurata.” Marx a Engels, 27 de julho de 1854, de Londres, in: Karl Marx e Friedrich Engels, Ausgewählte Briefe, ed. org. por V. Adoratskij, Moscou-Leningrado, 1534, pp. 60-61.
[k 3a, 2]  
[...]
<fase tardia>
[...]
Georges Laronze em Histoire de la Commune de 1871, Paris, 1928, p. 143, sobre o fuzilamento dos reféns: “Quando caíram os reféns, a Comuna havia perdido o poder. Mas ela continuou sendo responsável <pelos seus atos>.”7
[k 4, 3]
O aparato administrativo parisiense durante a Comuna: “Ela conservava intacto todo o seu organismo, animada por um desejo agudo de recolocar em funcionamento suas menores engrenagens e de aumentar ainda, bem ao gosto burguês, o número de funcionários de classe média.” Georges Laronze, Histoire de la Commune de 1871, Paris, 1928, p. 450.
[k 4, 4]
 
5 Depois da vitória em Sedan e a prisão de Napoleão III, em 1 de setembro de 1870, o exército prussiano avançou sobre Paris, completando o cerco da cidade em 23 de setembro. 0 estado de sítio durou até fins de janeiro de 1871, quando foi assinado um armistício, preparando o fim da Guerra Franco-Prussiana. (E/M)
6 Cf. arquivo [I], nota 3.
7 Durante a “Semana Sangrenta” (de 21 a 28 de maio de 1871), os comunardos resistiram às tropas do governo de Thiers em combates rua por rua, recuando até o centro de Paris. Nessa situação de desespero, executaram vários reféns, entre eles o arcebispo de Paris. (E/M) 
  
[...]
l
[O Sena, A Paris Mais Antiga]
<fase média>
 [...]
Antes de Haussmann: “Antes dele, os antigos aquedutos só conseguiam levar água até o segundo andar.” Dubech e D’Espezel, Histoire de Paris, p. 418.
[l 1, 4 ]
[...]
“O Sena parece seguir exalando o ar parisiense até sua foz.” Friedrich Engels, “Von Paris nach Bern”, Die Neue Zeit, XVII, n° 1 (Stuttgart, 1899), p. 11.
[l 1, 8]
“Se agora é permitido ler nos jardins públicos, é proibido fumar ali; a liberdade, como se começa a dizer, não é permissividade.” Nadar, Quand Jétais Photographe, Paris, 1900, p. 284 (“1830 e environs” [Por volta de 1830]).
[l 1, 9]
[...]
“Paris está entre duas camadas: uma camada de água e uma camada de ar. O lençol aquático, situado numa profundidade subterrânea bastante grande ... é sustentado por uma camada de arenito verde, situada entre o calcário cretácio e o calcário jurássico. Esta camada pode ser representada por um disco de vinte e cinco milhas de raio; uma grande quantidade de rios e ribeirões é filtrada por ela; bebe-se o Sena, o Marne, o Yonne, o Oise, o Aisne, o Cher, o Vienne e o Loire em um copo de água do poço de Grenelle. A camada de água é salubre, ela vem primeiro do céu, em seguida da terra; a camada de ar é insalubre, ela vem do esgoto.” Victor Hugo, Œuvres Completes, Roman, IX (Les Misérables), Paris, 1881, p. 182.
[l la, 2]
 
BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.

continua/CATALVNYA ROMÀNICA XV EL PALLARS: EL PALLARS SOBIRÀ, EL PALLARS JVSSÀ/Antoni Pladevall i Font