7.6.26

entra/Abel Carlevaro – 20 Microestudios/sai

20 Microestudios  

Volumen 1 

Volumen 2 

Volumen 3 

Volumen 4 

Aires De Vidalita (sobre un tema de E.Cotelo)

Milonga Oriental 

Introduccion Y Capricho

El Poncho   (Eduardo Fabini / transcriptíon Atilio Rapat)

Tres Cadencias

Cadencia 1

Cadencia 2

Cadencia 3

 

Abel Carlevaro (1916-2001)

 

Tacuabé – T/E CD

Serie De Los Recitales

Formato:   CD

Uruguay

1998

continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua

 
a
[Movimento social] 
[...] 
“No ano de 1839, alguns operários fundaram em Paris um jornal com o título La Ruche Populaire [A Colmeia do Povo]... A redação situava-se no bairro mais pobre de Paris, na Rue de Quatre-Fils. Era um dos poucos jornais dirigidos por operários com repercussão junto ao povo, o que se explica pela linha editorial adotada. Com efeito, o jornal tinha estabelecido como programa levar a miséria oculta ao conhecimento dos benfeitores ricos... No escritório do jornal havia um registro da miséria, aberto para que todo cidadão faminto ali pudesse se inscrever. Este registro da desgraça causava impacto, e como nessa época o romance Les Mystères de Paris, de Eugène Sue, havia contribuído para que a caridade se tornasse moda no mundo elegante, viam-se carruagens paradas diante do prédio sujo da redação, onde damas; de pose procuravam os endereços dos desvalidos para levar-lhes esmolas pessoalmente, do assim uma nova excitação em seus nervos amortecidos. Cada número dessa publicação dos operários começava com uma lista sumária das pessoas pobres que tinham feito sua inscrição junto ao redator; detalhes sobre sua desgraça eram encontrados no registro... Mesmo depois da Revolução de Fevereiro, quando todas as classes se olhavam com desconfiança..., o jornal La Ruche Populaire continuou a favorecer os contatos pessoais entre pobres e ricos... Isto parece ainda mais excepcional quando se pensa que mesmo nesta época todos os artigos da Ruche Populaire eram escritos por operários de verdade, que exerciam uma atividade prática.” Sigmund Engländer, Geschichte der französischen Arbeiter-Associationen, Hamburgo, 1864, vol. II, pp. 78-80, 82-83.
[a 3, 1]
[...]
Sobre o trabalho infantil entre os operários da indústria têxtil: “Os operários ... não podendo prover às despesas de alimentação e manutenção de seus filhos com seu magro salário, que muitas vezes não passa de quarenta sous por dia, mesmo acrescentando a ele o salário de sua mulher, que mal chega à metade dessa soma, vêem-se obrigados ... a colocar seus filhos nos estabelecimentos de que falamos, a partir da idade em que são capazes de algum trabalho. Essa idade é normalmente de 7 a 8 anos... Esses operários deixam seus filhos na fábrica ou nas tecelagens até a idade de 12 anos. Nessa idade eles providenciam para que os filhos façam a primeira comunhão e, em seguida, encaminham-nos para uma aprendizagem numa oficina.” H. A. Frégier, op. cit., vol. I, pp. 98-100.
[a 3a, 3]
[...]
Jenny, lOuvrière11 revelava de modo pungente uma das chagas mais terríveis do organismo social: a jovem do povo ... forçada a sacrificar sua virtude por sua família, vendendo-se para poder levar pão aos seus... Quanto ao prólogo de Jenny, a Operária, ele não informa o ponto de partida do drama nem os detalhes da miséria e da fome.” Victor Hallays-Dabot, La Censure Dmmatique et le Théâtre (1850-1870), Paris, 1871, pp. 75-76.
[a 4a, 5] 
[...]
“A Convenção, órgão do povo soberano, fará desaparecer, de uma só vez, a mendicância e a miséria... Ela garante um trabalho a todos os cidadãos que não o têm... Infelizmente, a parte da lei que tinha como finalidade reprimir a mendicância como um crime era mais facilmente aplicável que aquela que prometia à indigência os benefícios da generosidade nacional. As medidas de repressão foram aplicadas e ficaram no texto, assim como no espírito da lei, enquanto o sistema de caridade que as motivava, como sua justificativa, jamais existiu, exceto nos decretos da Convenção!” E. Buret, De la Misère des Classes Laborieuses, Paris, 1840, vol. I, pp. 222-224. Napoleão apropriou-se da disposição aqui descrita por meio da lei de 5 de julho de 1808; a lei da Convenção data de 15 de outubro de 1793: o mendigo que fosse flagrado pela terceira vez corria o risco de ser deportado para Madagascar e lá permanecer por oito anos.
[na parte da mendicância é como anda acontecendo, atualmente por via governo/prefeitura, na cidade de São Paulo (para pegar apenas um grão de uma grande areia). Assim como o trabalho público virando privatizado  escravizado]
[a 5, 4]
 
[...]
“Os quinze anos da Restauração tinham sido anos de grande prosperidade agrícola e industrial... Com exceção de Paris e das grandes cidades, o regime da imprensa e os diversos sistemas de eleição entusiasmaram apenas uma parte da nação e a menos numerosa; a burguesia. E mesmo dentro da burguesia, muitos temiam uma revolução.” A. Malet e P. Grillet, XIXe Siècle, Paris, 1919, p. 72.
[a 5a, 3]
“A crise de 1857-1858 ... pôs um fim abrupto em todas as ilusões do socialismo imperial. Todos os esforços para manter o salário em um nível que fosse razoavelmente compatível com a elevação constante dos preços dos gêneros alimentares e do custo de habitação revelaram-se vãos.” D. Rjazanov, “Zur Geschichte der ersten Internationale”, in: Marx-Engels-Archiv, vol. I, Frankfurt a. M., 1928, p. 145.
[a 5a, 4]
“Em Lyon, a crise econômica havia provocado a redução dos salários dos tecelões  os canuts — para 18 sous por jornada de quinze a dezesseis horas de trabalho. O prefeito havia tentado conduzir operários e patrões a um acordo que estabelecesse um valor mínimo para os salários. Após o fracasso dessa tentativa, irrompeu, em 21 de novembro de 1831, uma insurreição sem caráter político, um levante da miséria. ‘Viver trabalhando ou morrer combatendo’, lia-se na bandeira negra que os canuts portavam à frente... Depois de dois dias de combate,12 as tropas de linha, que a Garde Nationale se recusara a sustentar, tiveram que evacuar Lyon. Os operários depuseram as armas. Casimir Périer retomou a cidade com um exército de 36.000 homens, destituiu o prefeito, anulou o valor que este havia conseguido estabelecer com os patrões e licenciou a Garde Nationale (3 de dezembro de 1831)... Dois anos mais tarde ... perseguições empreendidas contra uma associação de operários de Lyon, os mutualistas, foram a ocasião para um levante que durou cinco dias.” A. Malet e P. Grillet, XIXe Siècle, Paris, 1919, pp. 86-88.
[a 6, 1]
“Uma pesquisa sobre a condição dos operários da indústria têxtil, em 1840, revelou que para uma jornada de 1 5 horas e meia de trabalho efetivo, o salário médio era de menos de 2 francos para os homens e de apenas 1 franco para as mulheres. O mal ... se agravou ... sobretudo a partir de 1834, porque, uma vez assegurada a tranqüilidade interna, as empresas industriais se multiplicaram tanto que, em dez anos, viu-se a população das cidades aumentar em dois milhões de homens, unicamente em razão do afluxo dos camponeses rumo às fábricas.” A. Malet e P Grillet, XIXe Siècle, Paris, 1919, p. 103.
[a 6, 2]
[...]
Em 8 de dezembro de 1831, o Journal des Débats, ligado ao grande capitalismo, posicionase em relação à insurreição de Lyon. “O artigo no Journal des Débats causou enorme sensação. O inimigo dos operár ios havia dado grande ênfase ao significado internacional dos sintomas de Lyon. Contudo, nem a imprensa republicana, nem a imprensa legitimista queriam apresentar a questão de maneira tão perigosa... Os legitimistas ... protestaram com intenção puramente demagógica, pois o lema deste partido naquele momento era acirrar o antagonismo entre a classe operária e a burguesia liberal, visando ao restabelecimento da linhagem mais antiga dos Bourbons... Os republicanos, ao contrário, tinham interesse em minimizar tanto quanto possível o aspecto puramente proletário do movimento..., para não perder a classe operária como futura aliada na luta contra a Monarquia de Julho. Não obstante, a impressão imediata da insurreição de Lyon foi tão peculiar e tão embaraçosa para seus contemporâneos, que só por isso os acontecimentos de Lyon já mereceram um lugar especial na história. Em princípio, dever-se-ia pensar que esta geração, que vivenciou ... a Revolução de Julho, possuísse nervos de aço. No entanto, eles viam na insurreição de Lyon algo totalmente novo..., que os assustava tanto mais quanto os próprios operários de Lyon pareciam não enxergar e tampouco compreender esse aspecto novo.” E. Tarlé, “Der Lyoner Arbeiteraufstand”, in: Marx-Engels-Archiv, ed. org. por D. Rjazanov, vol. II, Frankfurt a. M., 1928, p. 102.
[a 6a, 1]
Tarlé cita uma passagem de Börne, relativa à insurreição de Lyon, em que este expressa sua indignação com Casimir Périer, pois, como escreve Tarlé: “Périer se regozija com a ausência do elemento político na insurreição de Lyon, com o fato de esta ser apenas uma guerra dos pobres contra os ricos.” Nessa passagem (Ludwig Borne, Gesammelte Schriftien, Hamburgo-Frankfurt a. M., 1862, vol. X, p. 20) lê-se o seguinte: “Diz-se que isto nada mais é do que uma guerra dos pobres contra os ricos, daqueles que nada têm a perder contra aqueles que possuem alguma coisa! E esta verdade terrível, que  por ser a pura verdade  deveria ser sepultada no poço mais profundo, é elevada por esse homem insano e exibida ao mundo inteiro!” Em E. Tarlé, “Der Lyoner Arbeiteraufstand”, in: Marx-Engels-Archiv, ed. org. por D. Rjazanov, vol. II, Frankfurt a. M., 1928, p. 112.
[a 6a, 2]
Buret foi um discípulo de Sismondi. Charles Andler atribui-lhe uma influência sobre Marx (Andler, Le Manifeste Communiste, Paris, 1901), o que Mehring (“Ein methodologisches Problem”, Die Neue Zeit, XX, n° 1, pp. 450-451) contesta veementemente.
[a 6a, 3]
 
11 Jenny lOuvrière [Jenny, a Operária] drama em cinco atos (1850), de Adrien Decourcelle e Jules Barbier. (w.b.)
12 15.000 operários enfrentaram a Garde Nationale nas ruas de Lyon e sofreram cerca de 600 baixas antes de capitularem. (E/M) 
 
BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.   

continua/Bertolt Brecht/Poesia/introdução & tradução André Vallias/SANTA MONICA [1941-1947]

5. SANTA MONICA [1941-1947] 
[DOS DIÀRIOS 1941-1947]
20.11.45
Ezra Pound foi preso na Itália e trazido para cá como traidor. Um quê de dignidade feudal paira sobre George, Kipling, D’Annunzio, Pound. Em todo caso, são personalidades históricas que a gente não encontra exatamente nos mercados, mas sim nos templos — nos arredores dos mercados.
[...]
30.10.47
Pela manhã, em Washington, perante o Un-American Activities Committee [Comitê de Atividades Antiamericanas]. Após dois escritores de Hollywood (Lester Cole e Ring Lardner Jr.) terem respondido à pergunta se pertenciam ao Partido Comunista dizendo apenas que a pergunta era inconstitucional, eu fui chamado a depor, seguido pelos advogados dos 1967, Bob Kenny e Bartley C. Crum, que não foram autorizados a intervir de forma alguma.
Cerca de oitenta representantes da imprensa, duas estações de rádio, cinegrafistas, fotógrafos; no público, pessoas do teatro da Broadway como observadores simpáticos a nós. Em concordância com os 18 e os advogados, respondi à pergunta, enquanto estrangeiro, e conforme à verdade, com um “não”. O procurador Stripling lê muito da “Medida Tomada” e me deixa contar-lhe a fábula. Remeto ao ensinamento japonês, dou como conteúdo a devoção a uma ideia e nego a interpretação de que se trate de um assassinato disciplinar, retificando que se trata de um autoextermínio. Admito que a base das minhas peças é marxista e observo que as peças, especialmente as de conteúdo histórico, não poderiam ser de outra maneira escritas de forma inteligente. O interrogatório é desproporcionadamente educado e termina sem acusação; beneficia-me o fato de eu não ter quase nada a ver com Hollywood, de nunca ter interferido na política americana, e de os meus antecessores na bancada terem se recusado a dar resposta aos congressistas.  Os 18 estão muito satisfeitos com o meu testemunho, bem como os advogados.
Deixo Washington imediatamente, com Losey e Hambleton, que tinham ido para lá.  À noite, escuto no rádio uma parte do meu interrogatório com Hellie Budzislawski.

[ANOTAÇÕES AUTOBIOGRÁFICAS 1942]
[...]
São certamente exteriores, mas não vejo qualquer solução interior para esse problema. A morte não é boa para nada. Nem todas as coisas devem servir para o melhor, nenhuma sabedoria insondável se estabelece daí. Não pode haver consolação.
[uma lógica e um sentimento da não-lógica e do não-sentir. Como uma não-compreensão do branco ser todas as cores juntas; e o negro não ser nenhuma cor; e um só existir pelo outro; e todas as cores possíveis nascerem daí. É o eterno vice-versa. A beleza da vida está nas boas coisas e nas más coisas. Sorrimos porque choramos. Assim como choramos de alegria e rimos de tristeza.] 

WB
 
selbst der wechsel der
jahreszeiten
rechtzeitig erinnert
hame ihn zurückhalten
müssen
 
der anblick never gesichter
und alter auch
 
never gedanken heraufkunft
und never schwierigkeiten [1941]
 
WB
 
mesmo a mudança das
estações do ano
rememorada a tempo
deveria tê-lo
detido
 
a visão de novos rostos
e antigos também
 
a vinda de novas ideias
e novas dificuldades
 
Zum Freitod des Flüchtlings W. B.
 
Ich höre, daß du die Hand gegen dich erhoben hast
Dem Schlächter zuvorkommend.
Acht Jahre verbannt, den Aufstieg des Feindes beobachtend
Zuletzt an eine unüberschreitbare Grenze getrieben
Hast du, heisst es, eine überschreitbare überschritten.
 
Reiche stürzen. Die Bandenführer
Schreiten daher wie Staatsmänner. Die Völker
Sieht man nicht mehr unter den Rüstungen.
 
So liegt die Zukunft in Finsternis, und die guten Kräfte
Sind schwach. All das sahst du
Als du den quälbaren Leib zerstörtest. [1941]
 
Ao suicídio do fugitivo W. B.
 
Ouço que levantaste a mão contra ti mesmo
Te antecipando ao carniceiro.
Oito anos desterrado, observando a ascensão do inimigo
Por fim, coagido a uma fronteira intransponível
Uma transponível, diz-se, ultrapassaste.
 
Reinos desabam. Os chefes de quadrilha
Avançam como homens de Estado. Não
Se vé mais os povos sob os armamentos.
 
Assim o futuro jaz na escuridão, e as forças do bem
Estão fracas. Tudo isso tu vias
Ao destruíres o torturável corpo.

Die Verlustliste
 
Flüchtend vom sinkenden Schiff, besteigend ein sinkendes
— Noch ist in Sicht kein neues , notiere ich
Auf einem kleinen Zettel die Namen derer
Die nicht mehr um mich sind.
Kleine Lehrerin aus der Arbeiterschaft
MARGARETE STEFFIN. Mitten im Lehrkurs
Erschöpft von der Flucht
Hinsiechte und starb die Weise.
So auch verließ mich der Widersprecher
Vieles Wissende, neues Suchende
WALTER BENJAMIN. An der unübertretbaren Grenze
Müde der Verfolgung, legte er sich nieder.
Nicht mehr aus dem Schlaf erwachte er.
Und der stetige, des Lebens freudige
KARL KOCH, Meister im Disput
Merzte sich aus in dem stinkenden Rom, betrügend
Die eindringende SS.
Und nichts höre ich mehr von
KASPAR NEHER, dem Maler. Könnte ich doch wenigstens ihn
Streichen von dieser Liste!
 
Diese holte der Tod. Andere
Gingen weg von mir für das Lebens Notdurft
Oder Luxus. [1941]
 
A lista de óbitos
 
Fugindo do navio que afunda, subindo em um que afunda
 Ainda não há nenhum novo à vista , anoto
Num pequeno papel os nomes dos
Que já não estão mais ao meu redor.
Pequena professora vinda do operariado
MARGARETE STEFFIN. No meio do curso
Exaurida da fuga
Definhou e morreu a sapiente.
Assim também me deixou o contraditor
O que muito sabia, e o novo buscava
WALTER BENJAMIN. Na intransponível fronteira
Cansado da perseguição, ele se deitou.
Para não mais levantar do sono.
E o perene, alegre da vida
KARL KOCH, mestre em disputar
Erradicou-se na fétida Roma, ludibriando
Os SS invasores.
E nada mais ouvi de
KASPAR NEHER, o pintor. Quem me dera ao menos
Riscar seu nome desta lista!
 
Estes, a morte os levou. Outros
Se foram de mim por necessidades da vida
Ou luxo.
 
Angesichts der Zustände in dieser Stadt
Handle ich so:
Wenn ich eintrete, sage ich meinen Namen und zeige
Die Papiere, die ihn belegen mit Stempeln, die
Nicht gefälscht sein können.
Wenn ich etwas sage, führe ich Zeugen an, für deren Glaubwürdigkeit
Ich belege habe.
Wenn ich schweige, gebe ich meinen Gesicht
Einen Ausdruck der Leere, damit man sieht:
Ich denke nicht nach.
So
Erlaube ich niemandem, mir zu glauben. Jedes Vertrauen
Lehne ich ab.
 
2
Dies tue ich, weil ich weiß: der Zustand dieser Stadt
Macht zu glauben unmöglich.
 
Dennoch geschiet es mitunter
Ich bin zerstreut oder beschäftigt
Daß ich überumpelt werde und gefragt
Ob ich kein Schwindler bin, nicht gelogen habe, nichts
Bestimmtes im Schilde führe
Und ich
Werde immer noch verwint, rede unsicher und verschweige
Alles, was für mich spricht, sondern
Schäme mich. [1941]
 
Em face à situação desta cidade
Procedo assim:
Quando entro, digo meu nome
mostro
Os documentos que o comprovam com carimbos que
Não podem ser falsificados.
Quando digo algo, apresento testemunhas cuja idoneidade
Posso comprovar.
Quando me calo, dou à minha cara
Uma expressão de vazio, para que se veja:
Não estou pensando em nada.
Assim
Não permito que ninguém acredite em mim. Recuso
Qualquer confiança.
 
2
Faço isso porque sei: a situação desta cidade
Torna impossível crer-se em algo.
 
3
Contudo, quando estou disperso
Ou ocupado, acontece às vezes
De eu ser surpreendido e questionado
Se não sou um impostor, se não menti, se não
Tenho segundas intenções.
E vou
Ficando atrapalhado, converso inseguro e omito
Tudo o que falaria a meu favor, e sinto
Vergonha de mim.
[Franz Kafka, entre outros, e em outros locais, já via isso antes no Império Austro-Húngaro. Das Passagen-Wer, de Walter Benjamin, foca isto no século anterior.]
 
BRECHT, Bertolt. 1898-1956. Poesia / Bertolt Brecht (Eugen Bertholt Friedrich Brecht); 300 poemas (edição bilíngue); fragmentos dos diários, anotações autobiográficas, 20 textos sobre poesia; seleção, introdução & tradução André Vallias; texto de 2a capa Augusto de Campos; e 3a capa Lion Feuchtwanger (1928).  São Paulo: Perspectiva, 2019. – (Coleção Signos; 60 / dirigida por Augusto de Campos) 

6.6.26

entra/Demônio da mão de vidro/Harlan Ellison/Marshall Rogers

ELLISON, Harlan (1934-2018); Rogers, Marshall (1950-2007). Demônio da mão de vidro / Demon with a Glass Hand / escrito por Harlan Ellison; desenhado por Marshall Rogers; cores Chris Goldberg, Rene Reynolds, Marshall Rogers; 1986. — São Paulo: Editora Globo; DC Comics, 1989

Boris Schnaiderman/Tradução, Ato Desmedido/sai

SCHNAIDERMAN, Boris (1917-2016). Tradução, Ato Desmedido / Boris Schnaiderman; Coleção Debates dirigida por J.Guinsburg. — São Paulo: Perspectiva, 2011. (Debates 321)
 
dei uma (re)espiada em: 
ALIGHIERI, Dante (1265-1321). A divina comédia: Inferno, Purgatório e ParaísoLa Divina Commedia: ParadisoPurgatorio & Inferno / Edição bilíngüe / Dante Alighieri; tradução e notas de Italo Eugenio Mauro.  São Paulo: Ed.34, 1988.
BÁBEL, Isaac (1894-1940). No campo da honra e outros contos / Isaac Bábel  Исаа́к Ба́бель; organização, tradução, posfácio e notas Nivaldo dos Santos; prefácio Boris Schnaiderman São Paulo: Ed.34, 2014. (Coleção Leste)
BARONE, Orlando. Diálogos Borges Sabato / Jorge Luis Borges (1899-1986); Ernesto Sabato (1911-2011); 1976. 1aed Buenos Aires: Emecé Editores, 2007.
_________________. Diálogos: Borges Sabato / compilados por Orlando Barone; 1976; tradução Maria Paula Gurgel Ribeiro. 1
areimpressão São Paulo: Globo, 2005.

BENJAMIN, Walter (1892-1940)Escritos sobre mito e linguagem (1915-1921) / A tarefa do tradutor / Walter Benjamin; organização e notas Jeane Marie Gagnebin; tradução Susana Kampff Lages e Ernani Chaves. —2a ed— São Paulo: Duas Cidades; Editora 34, 2013. (Coleção Espírito Crítico).
_________________.
 Linguagem, Tradução, literatura (Filosofia, teoria e crítica/ Walter Benjamin; edição e tradução de João Barrento. Gesammelte Schriften. —1a ed; 1a reimp— Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2024. (Filô/Benjamin) 
BORGES, Jorge Luis (1899-1986). Obras Completas vol ii 1952-1972 / O Fazedor/ El Hacedor / Jorge Luis Borges; tradução Josely Vianna Baptista. São Paulo: Editora Globo, 2000.
_________________. 
Obras Completas vol iv 1975-1988 / 
Textos Cativos / Textos Cautivos / Jorge Luis Borges; tradução Sérgio Molina São Paulo: Editora Globo, 2000.
 
CAMPOS, Augusto de (1931- ). Belli, Diabolus in Poesia. À margem da margem / Augusto de Campos.  São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
CAMPOS, Haroldo de (1929-2003). Metalinguagem e outras metas: ensaios de teoria e crítica literária / Haroldo de Campos.  São Paulo: Perspectiva, 2013.  (Debates; 247 / dirigida por J.Guinsburg)   
 
CORTÁZAR, Julio (1914-1984). Último Round Tomo I & Tomo II / Julio Cortázar; 1969. México: Siglo Veintiuno Editores, 2006.

DOSTOIÉVSKI, Fiódor (1821-1881). Dostoiévski Prosa Poesia / “O senhor Prokhartchin Господин Прохарчин” Fiódor Dostoiévski Фёдор Достое́вскийBoris Schnaiderman; traduções de Boris Schnaiderman; tese de livre-docência sobre este conto Boris Schnaiderman; produção Plínio Martins Filho São Paulo: Perspectiva, 1982.  (Signos; 8 / dirigida por Haroldo de Campos)
_________________. 
O eterno marido Вечный муж Fiódor Dostoiévski Фёдор Достое́вскийtradução, posfácio e notas Boris Schnaiderman3a ed São Paulo: Ed.34, 2010. (Coleção Leste) 
GÓGOL, Nikolai (1809-1852). O capote e outras histórias / Nikolai Gógol  Николай Гоголь; tradução, posfácio e notas Paulo Bezerra São Paulo: Ed.34, 2010. (Coleção Leste) 
HUXLEY, Aldous (1894-1964). Admirável mundo novo / Aldous Huxley; tradução Lino Vallandro e Vidal Serrano. 
 São Paulo: Globo, 2001. 
JAKOBSON, Roman. Lingüística. Poética. Cinema. / Roman Jakobson.  São Paulo: Editora Perspectiva, 1970. 
MAIAKÓVSKI, Vladimir (1893-1930). Maiakóvski poemas / Vladimir Maiakóvski Владимир Маяковскийtraduções de Boris Schnaiderman, Augusto de Campos e Haroldo de Campos. 6aed1areimpressão— São Paulo: Perspectiva, 2002.  (Signos; 10 / dirigida por Haroldo de Campos) 
MANN, Thomas (1875-1955). A Montanha MágicaDer Zauberberg / Thomas Mann; 1924; tradução por Herbert Caro.  São Paulo: Editora Globo, 1952.  (Coleção Nobel / Vol G 35) 
 
MENDES, Murilo (1901-1975). Poesia Completa e Prosa / Murilo Mendes; organização, preparação do texto e notas Luciana Stegagno Picchio; fortuna crítica Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Giuseppe Ungaretti, Ruggero Jacobbi, Jorge Andrade, Haroldo de Campos; homenagens poéticas Manuel Bandeira, Alphonsus de Guimaraens Filho, Jean Arp, Alexandre Eulálio, Aldo Palazzeschi, Lélia Coelho Frota, Sophia de Mello Breyer-Andresen, Carlos Drummond de Andrade, Antonio Ramos Rosa, João Cabral de Melo Neto. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1997. 4v (Biblioteca Luso-brasileira. Série brasileira) 
PIGNATARI, Décio (1927-2012). Poesia, pois é poesia: 1950-2000 / Décio Pignatari.  Cotia, SP: Ateliê Editorial; Campinas SP: Editora da UNICAMP, 2004.

POUND, Ezra Loomis (1885-1972). ABC da Literatura / ABC of Reading / Ezra Pound; organização e apresentação da edição brasileira Augusto de Campos; tradução Augusto de Campos e José Paulo Paes.  São Paulo: Editora Cultrix, 2001.
_________________. Poesia / Ezra Pound; tradução, organização e notas de Augusto de Campos; traduções de Augusto de Campos, Décio Pignatari, Haroldo de Campos, José Lino Grünewald e Mário Faustino; textos críticos de Haroldo de Campos São Paulo: HUCITEC; Brasília: Ed.Universidade de Brasília, 1993.
PÚCHKIN, Aleksandr (1799-1837). A dama de espadas: prosa e poemas / Пиковая дама / Aleksandr Púchkin Алекса́ндр Пу́шкин; tradução de Boris Schnaiderman e Nelson Ascher; tradução da epígrafe do conto A dama de espadas Haroldo de Campos.  São Paulo: Ed.34, 1999.
 
ROSA, João Guimarães (1908-1967). Grande sertão: veredas / João Guimarães Rosa; fac-símile de poema de Carlos Drummond de Andrade; prefácio Paulo Ronai Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.
SCHNAIDERMAN, Boris (1917-2016). A poética de Maiakóvski através de sua Prosa/ Boris Schnaiderman; revisão Boris Schnaiderman; produção Plínio Martins Filho; Coleção Debates dirigida por J.Guinsburg. —reimpressão 1984 São Paulo: Perspectiva, 1971. (Debates 39) 

  
Poesia Russa Moderna / traduções de Augusto de Campos, Haroldo de Campos, Boris Schnaiderman.  6.ed rev e ampl.  São Paulo: Perspectiva, 2001.  (Signos; 33 / dirigida por Haroldo de Campos)
 
dei uma (re)espiada em: 
EISENSTEIN, Serguei. 1898-1948. Outubro / Октябрь / Serguei Eisentein / Сергей Эйзенштейн; patrocinados pelo governo soviético em honra ao décimo aniversário da Revolução de Outubro; 1927; trilha de Dmitri Shostakovich [Дмитрий Шостакович], 1966 São Paulo: Continental, Sesi. 
 
Eu já anotei: O meu preferido dele até então (talvez de todos?), mesmo com cenas retiradas.”   Schnaiderman diz o mesmo. Ele comenta daquela boa passagem, no início do assalto do Palácio de Inverno (em 1917). Um lado: comunistas, o povo. Outro: cadetes e as mulheres do Batalhão da Morte. De um lado alguém grita: A mãe!!. Do outro: A tua!!!. Próximo corte: quadros do Ermitaj (Госуда́рственный Эрмита́ж) que representam a maternidade, sublinhando tal palavra virar xingamento, idêntico ao português.
 As cenas do museu estão cortadas neste DVD.
 
dei uma (re)ouvida em: 
 
“Sonata Dante” de Franz Liszt (1811-1886), tocada por Daniel Barenboim (1981  Deutsche Grammophon)