tacet
silenciós
17.5.26
continua/Bertolt Brecht/Poesia/introdução & tradução André Vallias/LIDINGÖ/HELSINQUE [1939-1941]
15.5.26
continua/Bertolt Brecht/Poesia/introdução & tradução André Vallias/LIDINGÖ/HELSINQUE [1939-1941]
Sagt Göbbels jedem Kind
Doch wo hat man je eine Festung gesehn
Wo die Feinde nicht nur außen stehn
Sondern auch innen sind? [1939]
Fortaleza Europa
A Europa é o baluarte de Hitler
Goebbels diz a qualquer criança
Mas onde já se viu um baluarte
Em que o inimigo está em toda parte
E dentro também avança?
Mutter Courages Lied
Herr Hauptmann, laß die Trommel ruhen
Und laß dein Fußvolk halten an:
Mutter Courage, die kommt mit Schuhen
In denen’s besser laufen kann.
Mit seinen Läusen und Getieren
Bagasch, Kanone und Gespann –
Soll es dir in den Tod marschieren
So will es gute Schuhe han.
Das Frühjahr kommt. Wach auf, du Christ!
Der Schnee schmilz weg. Die Toten ruhn.
Doch was noch nicht gestorben ist
Das macht sich auf die Socken nun.
Herr Hauptmann, deine Leut marschieren
Dir ohne Wurst nicht in den Tod.
Laß die Courage sie erst kurieren
Mit Wein von Leibs- Geistesnot.
Kanonen auf die leeren Mägen
Herr Hauptmann, das ist nicht gesund
Doch sind sie satt, hab meinen Segen
Und führ sie in den Höllenschlund.
Das Frühjahr kommt. Wach auf, du Christ!
Der Schnee schmilz weg. Die Toten ruhn.
Doch was noch nicht gestorben ist
Das macht sich auf die Socken nun.
So mancher wollt so manches haben
Er wollt sich schlau ein Schlupfloch graben
Und grub sich nur ein frühes Grab.
Schon manchen sah ich abjagen
In Eil nach einer Ruhestatt –
Liegt er dann drin, mag er sich fragen
Warum’s ihm so geeilt hat.
Das Frühjahr kommt. Wach auf, du Christ!
Der Schnee schmilz weg. Die Toten ruhn.
Doch was noch nicht gestorben ist
Das macht sich auf die Socken nun.
Von Ulm nach Metz, von Metz nach Mähren!
Mutter Courage ist dabei!
Der Krieg wird seinen Mann ernähren
Er braucht nur Pulver zu und Blei.
Von Blei allein kann er nicht leben
Von Pulver nicht, er braucht noch Leut!
Müßt’s euch zum Regiment begeben
Sonst steht er um! So kommt noch heut!
Das Frühjahr kommt. Wach auf, du Christ!
Der Schnee schmilz weg. Die Toten ruhn.
Doch was noch nicht gestorben ist
Das macht sich auf die Socken nun.
Mit seinem Glück, seiner Gefahre
Der Krieg, er zieht sich etwas hin:
Der Krieg, er dauert hundert Jahre
Der gmeine Mann hat kein’n Gewinn.
Ein Dreck sein Fraß, sein Rock ein Plunder!
Sein halben Sold stiehlt’s Regiment
Jedoch vielleicht geschehn noch Wunder:
Der Feldzug ist noch nicht zu End!
Das Frühjahr kommt. Wach auf, du Christ!
Der Schnee schmilz weg. Die Toten ruhn.
Doch was noch nicht gestorben ist
Das macht sich auf die Socken nun. [1939]
Canção da Mãe Coragem
Seo Capitão, cala o tambor
E dá aos teus peões descanso:
A Mãe Coragem vai repor
Coturnos pro melhor avanço
No ataque. Com piolhos, bestas
Tralhas, canhões e munição –
Se à marcha pra morte te prestas
Que pises bem calçado o chão.
Cristãos, a primavera é linda!
Derrete a neve. O morto jaz
Em paz. Quem não morreu ainda
Se manda sem olhar pra trás.
Seo Capitão, soldados sem
Linguiça não marcham pra morte.
Deixa, que a Mãe Coragem tem
O que alma e corpo reconforte.
Levar de estômago vazio
Chumbo não é, Seo Capitão
Sadio, mas se os homens sacio
Até no inferno marcharão.
Cristãos, a primavera é linda!
Derrete a neve. O morto jaz
Em paz. Quem não morreu ainda
Se manda sem olhar pra trás.
Esperto, ele cava um covil
E assim cavou a própria cova.
Muitos já vi com afobação
A procurar um bom jazigo –
Deitando, surge uma questão:
Por que a pressa, meu amigo?
Cristãos, a primavera é linda!
Derrete a neve. O morto jaz
Em paz. Quem não morreu ainda
Se manda sem olhar pra trás.
De Ulm a Metz, de Metz a Mähren!
A Mãe Coragem perambulal
Com chumbo e pólvora, essa guerra
Fornece aos seus uma matula.
Mas chumbo e pólvora somente
Não pode ser, vai precisar
De bons recrutas, minha gente
Ou ela acaba! Cheguem lá!
Cristãos, a primavera é linda!
Derrete a neve. O morto jaz
Em paz. Quem não morreu ainda
Se manda sem olhar pra trás.
Com risco, sorte e desenganos
A guerra então vai se estendendo:
E esta já dura cem anos
E ao pobre não traz dividendos.
Comida é um lixo, a roupa um saque!
E o meio soldo alguém lhe furta:
Mas pode ser que um dia emplaque
Por um milagre, e segue a luta!
Cristãos, a primavera é linda!
Derrete a neve. O morto jaz
Em paz. Quem não morreu ainda
Se manda sem olhar pra trás.
Ardens sed virens
Herrlich, was im schönen Feuer
Nicht zu kalter Asche kehrt!
Schwester, sieh, du bist mir teuer
Brennend, aber nicht verzehrt.
Viele sah ich schlau erkalten
Hitzige stürzen unbelehrt
Schwester, dich kann ich behalten
Brennend, aber nicht verzehrt.
Ach, für dich stand, wegzureiten
Hinterm Schlachtfeld nie ein Pferd
Darum sah ich dich mit Vorsicht streiten
Brennend, aber nicht verzehrt. [1939]
Ardens sed virens
Soberbo, o que no fogo belo
Não quer volver à cinza fria!
Vê só, irmã, como eu te quero
Queimando, mas não consumida.
Muitos eu vi dentro do gelo
De cabeça-quente e vazia
Então, irmã, eu te conservo
Queimando, mas não consumida.
Para fugir, jamais te deram
No campo de batalha montaria
Por isso vi lutares com cautela
Queimando, mas não consumida.
14.5.26
entra/Boris Schnaiderman/Tradução, Ato Desmedido
SCHNAIDERMAN, Boris (1917-2016). Tradução, Ato Desmedido / Boris Schnaiderman; Coleção Debates dirigida por J.Guinsburg. — São Paulo: Perspectiva, 2011. (Debates 321)
Rokurou Ogaki 大柿ロクロウ/Crazy food truck クレイジーフードトラック/sai
_________________. Crazy food truck クレイジーフードトラック — volume 2 / Rokurou Ogaki; tradução de Drik Sada; edição Ferréz e Thiago Ferreira. — São Paulo: Comix Zone!, 2024.
continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua
X
[MARX]
[...]
Origem da falsa consciência: “A divisão do trabalho só se torna realmente uma divisão a partir do momento em que se dá uma divisão do trabalho ... material e espiritual. A partir desse momento, a consciência pode realmente imaginar ser algo diferente da consciência da práxis existente..., e que ela realmente representa algo, sem representar algo real.” “Marx und Engels über Feuerbach: Aus dem literarischen Nachlaß von Marx und Engels”, Marx-Engels-Archiv, org. por D. Rjazanov, vol. I, Frankfurt a. M., 1928, p. 248.
[X 1, 4]
[...]
Auto-alienação: “O operário produz o capital, o capital o produz; portanto, ele produz a si mesmo e ... suas qualidades humanas existem apenas ..., na medida em que elas existem para o capital alheio a ele... O operário existe como operário apenas enquanto ele existe para si como capital, e ele existe como capital apenas enquanto algum capital existe para ele. A existência do capital é sua existência..., e esta determina o conteúdo de sua vida de uma maneira que lhe é indiferente... A produção produz o homem ... como um ... ser desumanizado.” Karl Marx, Der historische Materialismus: Die Frühschriften, ed. org. por S. Landshut e J. P. Mayer, Leipzig, vol. I, pp. 361-362 (“Nationalõkonomie und Philosophie”).
[X 1a, 1]
[...]
“A natureza que se constitui na história humana — no ato de criação da sociedade humana — é a natureza real do homem; por isso a natureza, tal como se constitui através da indústria — ainda que sob uma forma alienada —, é a verdadeira natureza antropológica.” Karl Marx, Der historische Materialismus: Die Frühschriften, ed. org. por S. Landshut e J. P. Mayer, Leipzig, vol. I, p. 304 (“Nationalökonomie und Philosophie”).
[X 1a, 3]
Ponto de partida para uma crítica da “cultura”: “A superação positiva da propriedade privada enquanto apropriação da vida humana é ... a superação positiva de toda alienação — portanto, o retorno do homem da religião, da família, do Estado etc., para sua existência humana, isto é, social.” Karl Marx, Der historische Materialismus, ed. org. por Mayer e Landshut, Leipzie, vol. I, p. 296 (“Nationalökonomie und Philosophie”).
[X 1a, 4]
Uma derivação do ódio de classe, que se refere a Hegel: “A superação da objetividade sob a forma da alienação — que vai necessariamente da estranheza indiferente até a alienação hostil real — significa para Hegel ao mesmo tempo, e principalmente, que a objetividade deve ser superada, porque não é o caráter determinado do objeto, e sim seu caráter de objeto que é, para a autoconsciência, o elemento ofensivo na alienação.” Karl Marx, Der historische Materialismus, Leipzig, vol. I, p. 335 (“Nationalökonomie und Philosophie”).
[X 1a, 5]
[...]
Seria um erro desenvolver a psicologia da burguesia a partir da atitude do consumidor. O ponto de vista do consumidor é representado apenas pela camada social dos esnobes. As bases para uma psicologia da classe burguesa encontram-se antes na seguinte frase de Marx, que permite descrever também — e principalmente — a influência que esta classe exerce sobre a arte, como modelo e como comitente: “Um certo grau de desenvolvimento da produção capitalista exige que o capitalista possa utilizar todo o tempo em que ele funciona como capitalista, isto é, como capital personificado, para a apropriação e, portanto, para o controle do trabalho alheio e para a venda dos produtos desse trabalho.” Karl Marx, Das Kapital, vol. I, ed. org. por K. Korsch, Berlim, 1932, p. 298.2
[X 2, 2]
[...]
O tempo na técnica. “Como em uma verdadeira ação política, a escolha ... do momento certo é decisiva. ‘A ordem do capitalista no campo da produção torna-se agora tão indispensável quanto a ordem do general no campo de batalha’ (I, p. 278). ...O ‘tempo’ possui aqui, na técnica, um significado diferente daquele que possui no decorrer dos acontecimentos históricos da mesma época, em que ... as ‘ações coincidem sem mais nem menos’. O ‘tempo’ possui ainda, na técnica ... um significado diferente daquele que possui na economia moderna, que ... mede o tempo do trabalho pelo relógio.” Hugo Fischer, Karl Marx und sein Verhältnis zu Staat und Wirtschaft, Jena, 1932, p. 42; citando Das Kapital, vol. I, 1923.
[X 2, 4]
BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.
12.5.26
continua/Bertolt Brecht/Poesia/introdução & tradução André Vallias/LIDINGÖ HELSINQUE [1939-1941]/[DOS DIÁRIOS 1939-1941]
9.5.26
almeida prado/música contempôranea brasileira/sai
Balada para violino e piano “B’nai brith” (1993)
Dedicada a Meri e Natan Schwartzmann
violino: Constanza Almeida Prado • piano: Achille Picchi
ALMEIDA PRADO (1943-2010). Música contemporânea brasileira: Almeida Prado / coordenação de projeto Francisco Carlos Coelho; inclui CD e caderno de partituras. — São Paulo: Centro Cultural São Paulo. Discoteca Oneyda Alvarenga, 2006. — (Música contemporânea brasileira; v.1)
continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua
Após 70.000 anos, o fim da harmonia virá sob a forma de um novo período da civilização, com tendência ao declínio, ao qual sucederão novamente os limbos obscuros. Assim, fugacidade e felicidade estão intimamente ligadas em Fourier. Engels observa: “Assim como Kant introduz o fim vindouro da terra na ciência da natureza, Fourier introduz o fim vindouro da humanidade no estudo da história.” Engels, Anti-Dühring, vol. III, p. 12.11
[W 15a, 1]
[...]
Um grande número de universos (como um universo, depois do homem e do planeta, constitui o terceiro escalão... Fourier chama-o de tri-verso) forma um quatri-verso; e assim por diante até o octo-verso, que representa a ... natureza inteira, a totalidade dos seres de harmonia. Fourier se entrega a cálculos minuciosos e proclama que o octo-verso se compõe de 10% universos.” Armand e Maublanc, Fourier, Paris, 1937, vol. I, p. 112.
[W 15a, 3]
[...]
A maçã de Fourier — o correspondente daquela de Newton — que no restaurante Février custa cem vezes mais do que na província de onde ela é proveniente. Também Proudhon se compara a Newton.
[W 16, 3]
[...]
<fase tardia>
[...]
Sob a rubrica “O garantismo do ouvido”, Fourier, além de se ocupar da elevação da linguagem do povo e de sua educação musical (coros de operários do teatro de Toulouse!). trata de medidas contra o barulho. Ele quer ver as oficinas isoladas e transferidas em sua maior parte para as periferias.
[W 17, 2]
[...]
Marx faz referência a Fourier em Die heilige Familie [A Sagrada Família] (onde?).
[W 17a, 2]
Toussenel foi um dos fundadores da Société Républicaine Centrale (o clube de Blanqui) em 1848.
[W 17a. 3]
11 Friedrich Engels, Herm Eugen Dühring’s Umwäzung der Wissenschaft, in: MEW, vol. XX. 2aed., Berlim 1968, p. 243. (R.T.)
BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.
7.5.26
continua/Bertolt Brecht/Poesia/introdução & tradução André Vallias/SVENDBORG
An die Nachgeborenen
BRECHT, Bertolt. 1898-1956. Poesia / Bertolt Brecht (Eugen Bertholt Friedrich Brecht); 300 poemas (edição bilíngue); fragmentos dos diários, anotações autobiográficas, 20 textos sobre poesia; seleção, introdução & tradução André Vallias; texto de 2a capa Augusto de Campos; e 3a capa Lion Feuchtwanger (1928). – São Paulo: Perspectiva, 2019. – (Coleção Signos; 60 / dirigida por Augusto de Campos)






