26.4.26

continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua

  
[..]

Fournier, sobre sua atividade como comerciante: Perdi meus belos anos nas oficinas da mentira, sentindo ressoar em meus ouvidos, por toda parte, este sinistro augúrio: Rapaz bom e honesto! Ele não vale nada para o comércio. Com efeito, fui enganado e roubado em tudo que empreendi. Mas se não valho nada para a prática do comércio, valho para desmascará-lo. Charles Fourier, 1820, Publication des Manuscrits, vol 1, p 17; cit em A.Pinloche, Fourier et le Socialisme, Paris, 1933, p 15

[W 1, 2]

[...]

 “Entre todos os contemporâneos de Hegel, Ch. Fourier foi o único que percebeu as relações burguesas de maneira tão lúcida quanto o primeiro.” G. Plekhanov, “Zu Hegels sechzigstem Todestag”, Die Neue Zeit, X, n° 1, Stuttgart, 1892, p. 243.

[W 2a, 7]

Fourier fala “da ascensão do princípio da ‘paixão industrial’ (fougue industrielle), o entusiasmo geral que é determinado pelas leis ... da ‘compósita’ ou da ‘coincidente’. Uma reflexão superficial poderia nos levar a crer que já atingimos esse estágio hoje em dia. A paixão industrial é representada pela furia da especulação e pelo afã de acúmulo de capital; a ‘passion coincidente’ (compulsão pela coesão), pelo acúmulo de capitais, por sua crescente concentração. Entretanto, mesmo que nesta relação existam os elementos descobertos por Fourier, eles não estão ordenados e organizados do modo como ele sonhava e imaginava. Charles Bonnier, “Das Fourier’sche Prinzip der Anziehung”, Die NeueZeit, X, n° 2, Stuttgart, 1892, p. 648.

[W 3, 1] 

[...]

“Os economistas e políticos que inspiraram os socialistas do período anterior a 1848 foram sempre contrários às greves. Explicavam aos operários que uma revolta, mesmo sendo vitoriosa, não lhes traria vantagens, e que, em vez de gastarem seu dinheiro em greves, eles deveriam empregá-lo na criação de cooperativas de consumo e produção. Proudhon teve ... a idéia genial de conclamar os operários à greve  não para conseguir um aumento de salários, e sim  para reduzi-los... Dessa forma o operário ganharia como consumidor duas ou três vezes mais do que ganhava como produtor.” Lafargue, Der Klassenkampf in Frankreich”, Die Neue Zeit, XII, n° 2, 1894, pp. 644 e 61 6.

“Fourier, Saint-Simon e os outros reformistas recrutavam seus adeptos quase exclusivamente dentre os artesãos ... e a elite intelectual da burguesia. Com poucas exceções, reuniam-se em torno deles pessoas cultas que achavam que a sociedade não lhes dava a devida atenção... Tratava-se de desclassificados que se tornaram empreendedores ousados, comerciantes ardilosos e especuladores... O Sr. Godian, por exemplo, ... fundou em Guise (département Aisne) um familistère conforme os princípios de Fourier. Deu moradia a numerosos operários ae sua fábrica de louça esmaltada, instalando-os em prédios vistosos, que se estendem em innn de um amplo pátio quadrangular coberto por um teto de vidro; ali, os operários encontravam, além de um lar, todos os artigos de uso diário..., um teatro e concertos para sna entretenimento, escolas para seus filhos etc. Em suma, o senhor Godin cuidava de todas as necessidades materiais e espirituais deles, e conseguia, além disso, lucros consideráveis. Ele conquistou a fama de um benfeitor da humanidade e morreu multimilionário.” Paul Lafargue, “Der Klassenkampf in Frankreich”, Die Neue Zeit, Xii, n° 2, 1894, p. 617.

[W 3 a, 1]

Fourier sobre as ações: “Em seu Traité de lUnité Universelle, Fourier enumera ... as vantagens que esta forma de propriedade oferece ao capitalista: ‘Ele não corre o risco de ser roubado ou de sofrer danos provocados por incêndios ou terremotos... Um investidor menor nunca é prejudicado na administração de seus bens, uma vez que a administração é a mesma para ele e para todos os demais investidores... Um capitalista  mesmo que possua cem milhões  pode realizar seu patrimônio a qualquer momento’ etc. Por outro lado, o pobre, mesmo que possua apenas um táler, poderia participar de uma das ações populares, que sao subdivididas em partes minúsculas ... e, desse modo, fala ... de nossos palácios, nossas lojas de departamentos, nossos tesouros’. Napoleão III e seus cúmplices no golpe de Estado eram muito favoráveis a estas idéias; ... eles democratizaram a renda pública, como um deles o disse, ao instituírem o direito de se comprar papéis por 5 francos ou até por 1 franco. Acreditavam despertar desta maneira o interesse das massas pela solidez do crédito publico e evitar as revoluções políticas.” Paul Lafargue, “Marx’ historischer Materialismus”, Die Neue Zeit, XXII, n° 1, Stuttgart, 1904, p. 831.

[W 3 a, 2]

“Fourier não é somente um crítico; sua natureza eternamente alegre torna-o um satírico, e certamente um dos maiores satíricos de todos os tempos.” Engels, cit. por Rudolf Franz em sua resenha de E. Silberling, Dictionnaire de Sociologie Phalanstérienne (Paris, 1911), Die Neue Zeit, XXX, n° 1, Stuttgart, 1912, p. 333.

 [W 3 a, 3]

[...] 

Na Inglaterra, a influência de Fourier foi comparável à de Swedenborg.

 [W 3 a, 5]

“Heine conhecia bem o socialismo. Ele ainda conheceu Fourier pessoalmente. Em seus artigos sobre A situação na França’ (Französische Zustände),2 escreveu certa vez (15 de junho de 1843): ‘Sim, Pierre Leroux é pobre, assim como o foram Samt-Simon e Fourier, e foi a pobreza providencial destes grandes socialistas que enriqueceu o mundo.. Fourier também teve que recorrer à caridade de seus amigos; quantas vezes o vi passar apressadamente ao longo das colunas do Palais-Royal, vestindo seu casaco cinzento e puído, com os bolsos tão cheios que se podia ver em um deles o gargalo de uma garrafa, e no outro, a ponta de um pão. Um de meus amigos, o primeiro a mostrá-lo para mim, chamou minha atenção para a indigência de um homem que precisava buscar ele mesmo a bebida na taverna e seu pão na padaria.”’ Cit. em “Heine an Marx”, Die Neue Zeit, XIV, n° 1, Stuttgart, 1896, p. 16. Texto original: Heine, Sämtliche Werke, ed. org. por W. Bölsche, Leipzig, vol. V, p. 34 [“Kommunismus, Philosophie und Klerisei”, I].

 [W 4, 1]

“Em suas notas sobre as memórias de Annenkoff, Marx escreveu: ...Fourier foi o primeiro a ridicularizar a idealização da pequena-burguesia.’” Relatado por P. Anski, “Zur Charakteristik von Marx”, Russkaia Mysl, agosto de 1903, p. 63; em N. Rjasanoff, “Marx und seine russischen Bekannten in den vierziger Jahren”, Die Neue Zeit, XXXI, n° 1, Stuttgart, 1913, p. 764.

[W 4, 2]

“O senhor Grün pode facilmente criticar a maneira como Fourier trata o amor; ele mede a crítica de Fourier às relações amorosas atuais tomando como base as fantasias pelas quais Fourier procurava chegar a uma percepção do amor livre. O senhor Grün, como bom filisteu alemão, leva estas fantasias a sério. São a única coisa que leva a sério. Se pretendia realmente aprofundar este aspecto do sistema, não dá para entender por que também não se interessou pelas considerações de Fourier sobre a educação, que são, de longe, o melhor cue existe neste ponto e que contêm suas observações mais geniais... ‘Fourier é justamente a pior expressão do egoísmo civilizado’ (p. 208). Ele comprova isto narrando que, na ordem do mundo concebida por Fourier, o mais pobre dos mortais se serve diariamente de -40 pratos, consumindo cinco refeições por dia, que as pessoas atingem a idade de 144 anos de vida, e assim por diante. A concepção grandiosa dos homens, que Fourier contrapõe com humor ingênuo à acanhada mediocridade dos homens da Restauração [em Dampfboot, palavras inseridas após ‘homens’: ‘infinitamente pequenos’, Béranger], serve para o senhor Grün apenas para retirar dali o aspecto mais inocente e usá-lo para fazer um comentário impregnado de moralismo filisteu.” Karl Marx sobre Karl Grün como historiador do socialismo (reprodução de um artigo do número de agosto-setembro de 1847 de Westphälisches Dampfboot) em Die Neue Zeit, XVIII, n° 1, Stuttgart, 1900, pp. 137-138.

[W 4, 3]

Pode -se caracterizar o falanstério como uma maquinaria humana. Isto não é uma recriminação, e nem se pretende fazer alusão a nada de mecanicista; a expressão designa apenas a grande complexidade de sua estrutura. O falanstério é uma máquina feita de homens.

[W 4, 4]

[...] 

Algumas observações sobre a mística dos números em Fourier, segundo Ferrari, “Des idées et de 1’école de Fourier”, Revue des Deux Mondes, XIV, n° 3, Paris, 1845: Tudo prova que o fourierismo se fundamenta na harmonia pitagórica... Sua ciência ... era a ciência dos antigos” (p. 397). “O número reproduz seu ritmo na avaliação dos benefícios” (p. 398). Os moradores do falanstério constituem-se de 2 x 810 homens e mulheres. Pois “o número 810 oferece uma série completa de acordes, correspondendo a uma grande quantidade de assonâncias cabalísticas” (p. 396). “Se em Fourier a ciência oculta assume uma forma nova, a forma da indústria, é preciso não esquecer que a forma em si não conta nessa poesia flutuante das mistagogias” (p. 405). “O número agrupa todos os seres segundo suas leis simbólicas; ele desenvolve todos os grupos por séries; a série distribui as harmonias no universo... Ora, a série ... é perfeita na natureza inteira... Só o homem é infeliz, porque a civilização inverte o número que deve governá-lo. Que ele seja arrancado da civilização... Aí então a ordem que domina o movimento físico, o movimento orgânico, o movimento animal, explodirá no ... movimento passional; a própria natureza organizará a associação” (pp. 395-396).

[W 6,1]

Antevisão do rei burguês em Fourier: “Ele fala dos reis dedicados à serralheria, à carpintaria, à venda de peixes, à fabricação da cera para selar.” Ferrari, “Des idées et de 1’école de Fourier”, Revue des Deux Mondes, XIV, n° 3, Paris, 1845, p. 393.

[W 6, 2]

“Fourier pensou durante toda sua vida, sem se perguntar nem uma vez de onde lhe vinham as idéias. Ele concebe o homem como uma machine passionelle: sua psicologia começa com os sentidos e se encerra com o compósito; ela não supõe ... a intervenção da razão para a solução do problema da felicidade.” Ferrari, “Des idées et de 1’école de Fourier”, Revue des Deux Mondes, XVI, n° 3, Paris, 1845, p. 404.

[W 6, 3]

Elementos utópicos: “A ordem combinada apresenta o lustro das ciências e das artes, o espetáculo da cavalaria andante, a gastronomia combinada no sentido político..., a politique galante para o recrutamento dos exércitos’.” (Ferrari, p. 399). “O mundo toma a forma de seu contrário, os animais ferozes ou maléficos se transformam para o uso do homem: os leões fazem o serviço de entrega de correspondência. Auroras boreais aquecem os pólos, a atmosfera torna-se uma superfície clara como um espelho, a água do mar se adoça, quatro luas clareiam a noite; em suma, a terra se renova vinte e oito vezes, até que a grande alma do nosso planeta, extenuada, fatigada, passe para um outro planeta, junto com todas as almas humanas” (Ferrari, p. 401).

[W 6, 4]

“Fourier é excelente na observação da animalidade, seja da besta, seja do homem; ele é dotado do gênio das coisas vulgares.” Ferrari, “Des idées et de 1’école de Fourier”, Revue des Deux Mondes, XIV, n° 3, Paris, 1845, p. 393.

[W 6a, 1] 

[...]

No esquema seguinte, referente às doze paixões, o segundo grupo de quatro representa as paixões agrupadoras; o terceiro, de três, as paixões serializantes: “primeiro os cinco sentidos, em seguida o amor, a amizade, o fãmilismo, a ambição; em terceiro lugar, as paixões da intriga, da variabilidade, da união — em outras palavras, a cabalista, a borboleteante, a compósita; uma décima terceira paixão, o uniteísmo, absorve todas as outras”. Ferrari, “Des idees et de 1’école de Fourier”, Revue des Deux Mondes, XIV, n° 3, Paris, 1 845, p. 394.

[W 6a, 3] 

2 Título de uma série de artigos de jornal publicados em 1831 e 1832 no Allgemeine Zeitung, de Augsburgo, e reunidos em livro em 1833. (w.b.) 

BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.  

25.4.26

gilberto mendes/música contempôranea brasileira/continua

13 Canção simples (1957)

sobre poema de Tereza de Almeida

Dedicado a Andrea Kaiser e Rubens Ricciardi

tenor: Fernando Portari • soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi 

14 Lagoa (1957) 

sobre poema de Carlos Drummond de Andrade

Dedicado a Andrea Kaiser e Rubens Ricciardi

tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi 

15 Desencanto (1957) 

sobre poema de Maria José Aranha Rezende

Dedicado a Andrea Kaiser e Rubens Ricciardi

soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi 

16 Dizei, Senhora (1966) 

sobre poema de Cid Marcus

Dedicado a Andrea Kaiser e Rubens Ricciardi

tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi 

17 A mulher e o dragão (1967) 

Texto-fragmento bíblico extraído de O Apocalipse de São João

Dedicado a Yuri Serov

soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi 

18 Poeminha poemeto poemeu poesseu poessua da flor (1984) 

sobre poema de Décio Pignatari

Dedicado a Eládio Perez González

tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi 

19 O trovador (1993) 

sobre poema de Mário de Andrade

Dedicado a Marta Herr

tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi 

20 Finismundo: a última viagem parte I (1993) 

sobre poema de Haroldo de Campos

Dedicado a Fernando Portari 

tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi 

MENDES, Gilberto (1922-2016). Música contemporânea brasileira: Gilberto Mendes / coordenação de projeto Francisco Carlos Coelho; texto de Décio Pignatari; inclui CD e caderno de partituras. — São Paulo: Centro Cultural São Paulo. Discoteca Oneyda Alvarenga, 2006. — (Música contemporânea brasileira; v.4) 

continua/Bertolt Brecht/Poesia/introdução & tradução André Vallias/SVENDBORG

3. SVENDBORG [1933-1939] 
 
Das Waschen
C. N.
Als ich dir vor Jahren zeigte
Wie du dich waschen solltest in der Frühe
Mit Eisstückchen im Wasser
Des kleinen kupfernenKessels
Das Gesicht eintauchend, die Augen offen
Beim Abtrocknen mit dem rauhen Tuch
Vom Blatt an der Wand die schwere Zeilen
Der Rolle lesend, sagte ich:
Das tust du für dich und tue es
Vorbildlich.
 
Jetzt höre ich, du sollst im Gefängnis sein.
Die Briefe, die ich für dich schrieb
Blieben unbeantwortet. Die Freunde, die ich für dich anging
Schweigen. Ich kann nichts für dich tun. Wie
Mag dein Morgen sein? Wirst du noch etwas tun für dich?
Hoffnungsvoll und verantwortlich
Mit guten Bewegungen, vorbildlichen? [1937]
 
A lavagem 
C. N. 
Quando há tempos te mostrei
Como devias te lavar de manhã
Com cubinhos de gelo
Da pequena bacia de cobre
Imergindo o teu rosto, os olhos abertos
E ao te enxugar com a toalha áspera
Lendo da página na parede as árduas
Linhas do teu papel, te disse:
Isso fazes para ti e faze-o
Exemplarmente.
 
Agora ouço que estarias no cárcere.
As cartas que te escrevi ficaram
Sem resposta. Os amigos a quem por ti recorri
Calaram-se. Nada posso fazer por ti. Como
Será teu amanhã Hás de fazer ainda algo por ti?
Cheia de esperança e responsável
Com bons movimentos, exemplares?

Notwendigkeit der Propaganda
 
1
Es ist möglich, daß in unserem Land nicht alles so geht, wie es gehen solite.
Aber niemand kann bezweifeln, daß die Propaganda gut ist.
Selbst Hungernde müssen zugeben
Daß der Minister für Ernährung gut redet.
 
2
Als das Regime an einem einzigen Tage
Tausend Menschen erschlagen ließ, ohne
Untersuchung noch Gerichtsurteil
Pries der Propagandaminister die unendliche Geduld des Führers
Der mit der Schlächterei so lange gewartet
Und die Schurken mit Gütern und Ehrenstellen überhäuft hatte
In einer so meisterlichen Rede, daß
An diesem Toge nicht nur die Verwandten der Opfer
Sondern auch die Schlächter selber weinten.
 
3
Und als an einem andern Tage das größte Luftschiff des Reiches
In Flammen aufging, weil man es mit entzündbarem Gas gefüllt hatte
Um das nicht entzündbare für Kriegszwecke zu sparen
Versprach der Luftfahrtminister vor den Särgen der Umgekommenen
Daß er sich nicht werde entmutigen lassen, worauf
Sich lauter Beifall erhob. Selbst aus den Särgen
Soll Händeklatschen gekommen sein.
 
4
Und wie meisterhaft ist die Propaganda
Für den Abfall und für das Buch des Führers!
Jedermann wird dazu gebracht, das Buch des Führers aufzulesen
Wo immer es herumliegt.
Um das Lumpensammeln zu propagieren, hat der gewaltige Göring
Sich als den größten Lumpensammler aller Zeiten erklärt und
Um die Lumpen unterzubringen, mitten in der Reichshauptstadt
Einen Palast gebaut
Der selber so groß wie eine Stadt ist
 
5
Ein guter Propagandist
Macht aus einem Misthaufen einen Ausflugsort.
Wenn kein Fett da ist, beweist er
Daß eine schlanke Taille jeden Mann verschönt.
Tausende, die ihn von den Autostraßen reden hören
Freuen sich, als ob sie Autos hätten.
Auf die Gröber der Verhungerten und Gefallenen
Pflanzt er Lorbeerbüsche. Aber lange bevor es soweit war
Sprach er vom Frieden, wenn die Kanonen vorbeirollten.
 
6
Nur durch vortreffliche Propaganda gelang es
Millionen davon zu überzeugen
Daß der Aufbau der Wehrmacht ein Werk des Friedens bedeutet
Jeder neue Tank eine Friedenstaube ist
Und jedes neue Regiment ein neuer Beweis
Der Friedensliebe.
 
7
Allerdings: vermögen gute Reden auch viel
So vermögen sie doch nicht alles. Manchen
Hat man schon sagen hören: schade
Daß das Wort Fleisch allein noch nicht sättigt, und schade
Daß das Wort Anzug so wenig warm hält.
Wenn der Planminister eine Lobrede auf das neue Edelgespinst hält
Darf es nicht dabei regnen, sonst
Stehen seine Zuhörer im Hemd da.
 
8 
Und noch etwas macht ein wenig bedenklich
Über den Zweck der Propaganda: je mehr es in unserem Land Propaganda
Desto weniger gibt es sonst. [1937]
 
Necessidade da propaganda
 
1
É possível que no nosso país nem tudo ande como deveria andar.
Mas ninguém pode duvidar de que a propaganda é boa
Até os famintos precisam reconhecer
Que o ministro da Alimentação fala bem.
 
2
Quando o regime mandou num único dia
Trucidar milhares de pessoas, sem
Inquérito nem sentença judicial
O ministro da Propaganda elogiou a infinita paciência do Führer
Que tanto tempo esperou pela carnificina
E cumulou os canalhas com bens e postos de honra
 Num discurso tão magistral, que
Nesse dia não só os parentes das vítimas
Como até mesmo os algozes choraram.
 
3
E quando num outro dia o maior dirigível do Reich
Se consumiu em chamas porque o encheram com gás inflamável
De modo a economizar o não inflamável para fins militares
O ministro da Aviação prometeu diante dos caixões dos mortos
Que não iria se deixar abater, no que
Arrancou aplausos efusivos. Até de dentro dos caixões
Dizem que as palmas retumbaram.
 
4
E que primorosa é a propaganda
Para o lixo e para o livro do Führer!
Qualquer um é levado a ler o livro do Führer
Onde quer que este se encontre jogado.
Para difundir a catação de trapos, o poderoso Göring
Declarou-se o maior catador de trapos de todos os tempos e
Para abrigar os trapos, construiu no meio da capital do Reich
Um palácio que é
Ele próprio tão grande quanto uma cidade.
 
5
Um bom propagandista
Faz de um monte de estrume um lugar de passeio.
Quando não há gordura, ele demonstra
Que uma compleição magra nos embeleza.
Milhares que o escutam discursar sobre rodovias
Alegram-se como se possuíssem automóveis.
Nos túmulos dos que tombaram ou morreram de fome
Ele planta loureiros. Mas bem antes de se chegar a isso
Falava da paz quando os canhões desfilavam ao lado
 
6
Somente através de uma propaganda excepcional
Foi possível convencer milhões
De que o incremento das forças armadas assinalova uma obra de paz
Que cada novo tanque era uma pombinho do paz
E cada novo regimento, uma nova demonstração
De amor à paz.
 
7
Todavia: ainda que se alcance muito com bons discursos
Não se alcança tudo. Escutou-se
Muitos dizerem: que pena
Que a palavra carne não sacie por si só, e pena
Que a palavra roupa aqueça tão pouco.
Quando o ministro do Planejamento tece loas ao valioso novo fio têxtil
Não pode chover, senão
Os ouvintes vão ser pegos de calças curtas.
 
8
E mais uma coisa nos deixa apreensivos
Sobre os propósitos da propaganda: quanto mais propaganda há
No nosso país, menos há no resto do mundo.
 
BRECHT, Bertolt. 1898-1956. Poesia / Bertolt Brecht (Eugen Bertholt Friedrich Brecht); 300 poemas (edição bilíngue); fragmentos dos diários, anotações autobiográficas, 20 textos sobre poesia; seleção, introdução & tradução André Vallias; texto de 2a capa Augusto de Campos; e 3a capa Lion Feuchtwanger (1928).  São Paulo: Perspectiva, 2019. – (Coleção Signos; 60 / dirigida por Augusto de Campos)  

23.4.26

Sibylline: Crônicas de uma Acompanhante • Sixtine Dano

Com apenas 19 anos, Raphaelle parece uma jovem comum de sua idade. Recém-chegada a Paris para cursar arquitetura, ela vive em um ritmo frenético entre as aulas, as noites em claro trabalhando em maquetes, os turnos servindo chope e as longas conversas sobre a vida com sua nova melhor amiga. Mas o que seus colegas de faculdade não sabem é que, em certas noites, Raphaelle desliza pelos quartos de hotéis parisienses para faturar alguns euros.

Em sua primeiríssima graphic novel, Sixtine Dano surpreende. Com a elegância da tinta e do carvão, ela retrata as questões existenciais da transição para a vida adulta, a exploração da feminilidade e as relações de poder em uma sociedade marcada pelo patriarcado e pelo capitalismo. Assinando tanto o roteiro quanto a arte, a jovem artista entrega uma narrativa terrivelmente moderna, ao mesmo tempo íntima e política. Uma joia gráfica imperdível.

A edição tem acabamento de luxo, com formato grande, capa dura e 256 páginas em preto e branco, impressas em papel couché de alta gramatura.

Graduada com mestrado em Cinema de Animação pela Gobelins l’école de l’image, Sixtine Dano é animadora 2D (longas e curtas-metragens, videoclipes e publicidade), ilustradora no setor associativo e no editorial infantil, além de professora de animação. Em 2018, codirigiu, com três colegas, seu curta-metragem de conclusão de curso, Thermostat 6, uma ecoficção premiada e selecionada para diversos festivais internacionais. Com Sibylline, sua primeira graphic novel, Sixtine compartilha o relato íntimo e complexo de uma estudante que ingressa no mundo da prostituição. A história é inspirada em depoimentos impactantes de escort girls e sugar babies reais que ela conheceu em Paris ao longo de vários anos.




Capa dura
Formato 21 x 27,5 cm
256 páginas
ISBN 9786501681023
edição: Ferréz e Thiago Ferreira 

entra/gilberto mendes/música contempôranea brasileira

1 Episódio (1949)

sobre poema de Carlos Drummond de Andrade 

Dedicado a Nancy Bello

tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi 

2 A Hora cinzenta (1951/52) 

sobre poema de Raul de Leoni

Dedicado a Maria Cecília de Oliveira e Antonio Eduardo

soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi 

Felicidade I (1951/52) 

sobre poema de Raul de Leoni

Dedicado a Maria Cecília de Oliveira e Antonio Eduardo

soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi 

Felicidade II (1951/52) 

sobre poema de Raul de Leoni

Dedicado a Maria Cecília de Oliveira e Antonio Eduardo

soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi 

Ingratidão (1951/52) 

sobre poema de Raul de Leoni

Dedicado a Maria Cecília de Oliveira e Antonio Eduardo

soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi 

Adolescência (1951/52) 

sobre poema de Raul de Leoni

Dedicado a Maria Cecília de Oliveira e Antonio Eduardo

soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi 

Confusão (1951/52) 

sobre poema de Raul de Leoni

Dedicado a Maria Cecília de Oliveira e Antonio Eduardo

soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi 

Sugestões do Crepúsculo (1951) 

sobre poema de Vicente de Carvalho

Dedicado a Rubens Ricciardi 

tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi 

Sonho póstumo (fragmento) (1955) 

sobre poema de Vicente de Carvalho

Dedicado a Rosana Lamosa e Rubens Ricciardi

soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi

10 Peixes de prata (1955) 

sobre poema de Antonieta Dias de Moraes

Dedicado a Eunice Katunda

tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi

11 A tecelã (1955) 

sobre poema de Antonieta Dias de Moraes

Dedicado a Andrea Kaiser e Rubens Ricciardi

tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi

12 Lamento (1956) 

sobre antigo poema chinês extraído do Tchu Ivan (320 a.C.)

Dedicado a Andrea Kaiser e Rubens Ricciardi

tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi

MENDES, Gilberto (1922-2016). Música contemporânea brasileira: Gilberto Mendes / coordenação de projeto Francisco Carlos Coelho; texto de Décio Pignatari; inclui CD e caderno de partituras. — São Paulo: Centro Cultural São Paulo. Discoteca Oneyda Alvarenga, 2006. — (Música contemporânea brasileira; v.4) 

continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua

  
<fase média>
O elemento mistagógico acentuou-se na organização mais rigorosa das sociedades secretas após 1835. [...] Cf.Ch.Benoist, Lhomme de 1848, parte I, Revue des Deux Mondes, 1 jul 1913, <pp 159-161>.
[V 5, 8]
[...]
Os conspiradores de 1850 tinham concepções rigorosamente clássicas e eram inimigos ferrenhos do Romantismo. Blanqui manteve-se fiel a este tipo durante toda a sua vida.
[V 8, 3]
[...]
<fase tardia>
[...] 
Com estas palavras, Marx resume uma caracterização detalhada da Sociedade do 10 de Dezembro enquanto organização do lupemproletariado: em suma, toda essa massa indefinida, desintegrada, flutuante, que os franceses chamam bohème. Karl Marx, Der achtzehnte Brumaire des Louis Bonaparte, ed org por D.Rjazanov, Viena-Berlin, 1927, p 73.13
[V 10, 1]
13 A Sociedade do 10 de Dezembro foi fundada por Luís Napoleão em 1849 (como Marx escreve na frase imediatamente anterior), sob o pretexto de uma associação beneficente; cf V 6, 3. Em 10 de dezembro de 1848, Napoleão tinha sido eleito Presidente da República. (E/M).
 
BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-WerkWalter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009. 

continua/Bertolt Brecht/Poesia/introdução & tradução André Vallias/SVENDBORG

3. SVENDBORG [1933-1939] 
 
Wenn das bleibt, was ist
Seid ihr verloren.
Euer Freund ist der Wandel
Euer Kampfgefährte ist der Zwiespalt.
Aus dem Nichts
Müst ihr etwas machen. Aber das Großmächtige
Soll zunichte werden.
Was ihr habt, das gebt auf, und nehmt euch
Was euch verweigert wird. [c. 1936]
 
Se o que está perdura
Estais perdidos.
Vossa amiga é a mudança.
Vosso irmão de armas, a discórdia.
Do nada tereis
De fazer algo. Mas o grão-senhor
Deve ser aniquilado.
Do que tendes, abri mão, e tomai
O que vos é negado.

Lied des Kin-Jeh über den enthaltsamen Kanzler
 
Ich habe gehört, der Kanzler trinkt nicht
Er iẞt kein Fleisch und er raucht nicht
Und er wohnt in einer kleinen Wohnung.
Aber ich habe auch gehört, die Armen
Hungern und verkommen im Elend.
Wieviel besser wäre da doch ein Staat, wo es hieße:
Der Kanzler sitz betrunken im Kabinettsrat
Dem Rauch ihrer Pfeifen nachsend, ändern
Einige Ungelehrte die Gesetze
Arme gibt es nicht. [c. 1936-1937]
 
Canção de Kin-jeh sobre o chanceler abstêmio

Ouvi dizer que o chanceler não bebe
Que ele não come carne e não fuma
E mora numa casa pequena.
Porém, ouvi também que os pobres passam
Fome e padecem na miséria.
Seria bem melhor um Estado em que se dissesse:
Estando o chanceler bêbado na sala ministerial
Contemplando a fumaça dos cachimbos
Alguns iletrados alteram a lei
Não existe pobre.

BRECHT, Bertolt. 1898-1956. Poesia / Bertolt Brecht (Eugen Bertholt Friedrich Brecht); 300 poemas (edição bilíngue); fragmentos dos diários, anotações autobiográficas, 20 textos sobre poesia; seleção, introdução & tradução André Vallias; texto de 2a capa Augusto de Campos; e 3a capa Lion Feuchtwanger (1928).  São Paulo: Perspectiva, 2019. – (Coleção Signos; 60 / dirigida por Augusto de Campos)