20.4.26

Terror na Ópera • Opera • Dario Argento • CineSesc


O voyerismo em todos os aspectos, começando pelos olhos de quem assiste, passando para os olhos do Corvo, e assim ad æternum.

continua/drummond/Farewell

 

Dois Sonhos

 

O gato dorme a tarde inteira no jardim.
Sonha (?) tigres enviesados a chamá-lo
para a fraternidade no jardim.
Gato sonhando, talvez sonho de homem?
Continua dormindo, enquanto ignoro
a natureza e o limite do seu sonho
e por minha vez
também me sonho (inveja) gato no jardim 

 

Duração

Fortuna, ó Glória, se evapora,
e a glória se esvanece, Glória.
Não assim o cisco da hora
— nossa —, que desdenhou a História.

Há de restar, Glória — ossatura
desfeita embora em linha espúria —
de modo, Glória, que a criatura,
morta, de amor ostente a fúria.

Enumeração

Velhos amores incompletos
no gelo seco do passado,
velhos furores demenciais
esmigalhados no mutismo
de demônios crepusculares,
velhas traições a doer sempre
na anestesia do presente,
velhas jogadas de prazer
sem a menor deleitação,
velhos signos de santidade
atravessando a selva negra
como cervos escorraçados,
velhos gozos de torva índole,
velhas volúpias estagnadas,
velhos braços e mãos e pés
em transtornada oscilação
logo detida, velhos choros
que não puderam ser chorados,
velhos issos, velhos aquilos
dos quais sequer me lembro mais...

Fora de Hora

Entrega fora de hora
e posse fora de hora.
Quem mandou
você atrasar a hora,
você apressar a hora,
você aceitar a hora
não madurada
ou demasiado madura?

O tempo fora de hora
não é tempo nem é nada.
O amor fora de hora
é como rolar a escada.
 

ANDRADE, Mario Drummond de. 1902-1987. Poesia Completa. / Carlos Drummond de Andrade. (conforme as disposições do autor) Fixação de textos e notas de Gilberto Mendonça Teles. Introdução de Silviano Santiago. Biblioteca Luso-brasileira / Série Brasileira. / Farewell, 1996. 1a tiragem da primeira edição, 2002  Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar S.A., 2003.

19.4.26

O Gato de Nove Caudas • Il Gatto a Nove Code • Dario Argento • CineSesc

Nunca tinha assistido este. Bom policial/assassino. 

E com Trilha do Ennio Morricone. 

continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua

  
V
[Conspirações, Compagnonnage1]
 [...]
Insurreição de Junho: “Bastava ter a aparência de pobre para ser tratado como um criminoso. Naqueles dias, inventou-se o que se chamaria de perfil do insurrecto’, e qualquer um que tivesse essa aparência era preso... A própria Garde Nationale foi, sem dúvida, a responsável pela Revolução de Fevereiro,2 no entanto, nem a ela ocorreria chamar de insurgentes aqueles que lutavam contra o rei. Apenas aqueles que tinham se revoltado ... contra a propriedade eram chamados de insurgentes. Como a Garde Nationale ‘salvara a sociedade’, ela podia fazer naqueles dias tudo o que lhe passasse pela cabeça, e médico algum teria ousado impedir-lhe a entrada no hospital... Sim, os guardas nacionais em sua fúria rega chegavam mesmo a gritar ‘silêncio’ aos doentes febris que falavam durante o delírio, e os teriam assassinado se os estudantes não os tivessem impedido.” Engländer, <Geschichte der franzdsischen Arbeiter-Associationen, Hamburgo, 1864, > vol. II, pp. 320, 327-328, 327.
[V 1, 6]
“É facilmente compreensível que as associações de operários tenham perdido terreno com o golpe de Estado de 21 de dezembro de 1851... Todas as associações de operários, tanto aquelas que recebiam subvenções do Estado quanto as restantes, começaram rapidamente a retirar seus letreiros, nos quais havia os símbolos da igualdade e as palavras: ‘Liberdade, Fraternidade e Igualdade’, como se estivessem chocados com o sangue do golpe de Estado. Mesmo depois do golpe, certamente ainda existem associações de operários em Paris, mas os operários não ousam mais usar este nome. Seria difícil localizar as associações remanescentes, pois não mais se encontra o nome ‘associação de operários’ nem no guia de endereços da cidade nem nos letreiros. Depois do golpe de Estado, as associações de operários continuaram a existir apenas como sociedades comerciais comuns. Assim, a antiga associação fraterna dos pedreiros é agora conhecida apenas como a empresa ‘Bouyer Cohadon & Co.’; a associação dos douradores, que também existe ainda, leva agora a firma ‘Dreville, Thibout & Co.’, e assim, em todas as associações de operários ainda existentes, são os nomes dos gerentes que figuram como razão social... Desde o golpe de Estado, nenhuma delas admitiu um único membro novo. Qualquer membro novo teria sido visto com total desconfiança. Mesmo a visita de qualquer cliente novo era recebida com desconfiança, pois se farejava por toda parte a presença da polícia, e isto com plena razão, pois muitas vezes a própria polícia se apresentava oficialmente sob este ou aquele pretexto.” Sigmund Englãnder, Geschichte der französischen Arbeiter-Associationen, Hamburgo, 1864, vol. IV, pp. 195, 197-198, 200.
[V la, 1]
Sobre Cabet. “Após a Revolução de Fevereiro, havia sido encontrada ... nos arquivos da prefeitura de Toulouse uma carta de Gouhenant, o delegado ou presidente da primeira Avant-Garde, que se oferecera no ano de 1843, durante o processo de Toulouse,3 como agente à polícia de Luís Filipe. Sabia-se que o veneno da espionagem já estava infiltrado na fiança até nos poros da vida familiar, mas causou repúdio o fato de que um agente da polícia, a pústula mais asquerosa da velha sociedade, chegasse à testa da vanguarda dos icarianos para levá-la à ruína, mesmo arriscando com isso a própria vida. Afinal, tinha-se visto em Paris espiões da polícia lutando e sucumbindo nas barricadas contra o mesmo governo que lhes pagava os soldos! Sigmund Englãnder, op. cit., vol. II, pp. 159-160. ■ Utopistas ■
[V 1a, 2]
“Com o desenvolvimento das conspirações proletárias, surgiu a necessidade da divisão do mabalho; os membros dividiam-se em conspiradores ocasionais, conspirateurs doccasion — ou seja, operários que participavam da conspiração, mas continuavam com sua ocupação habitual, apenas indo às reuniões e ficando a postos para aparecer no local combinado por ordem dos chefes — , e em conspiradores profissionais, que dedicavam toda sua energia à conspiração e viviam às custas desta... As condições de existência desta classe determinam desde o início todo seu caráter. A conspiração proletária oferece-lhes naturalmente apenas meios de existência muito limitados e incertos. Por isso são obrigados a atacar constantemente os cofres da conspiração. Muitos deles entram mesmo em conflito direto com a sociedade burguesa em geral, e aparecem, com maior ou menor dignidade, diante dos tribunais de polícia. Sua existência incerta, que depende mais propriamente do acaso do que de sua arrridade, sua vida desregrada, que tem como únicas estações fixas as tavernas dos vendedores jr vinho — os lugares de encontro dos conspiradores — , seu inevitável contato com todo ripo de gente dúbia, colocam-nos naquele ambiente que em Paris é denominado a bohème. Esses boêmios democráticos de origem proletária ... são, portanto, ou operários que abriram mão de seu trabalho e por isso passaram a levar uma vida dissoluta, ou sujeitos saídos do lumpemproletariado, que transferiram todos os hábitos dissolutos desta classe à sua nova existência... A vida inteira destes conspiradores profissionais tem um caráter decididamente boêmio. Como oficiais de recrutamento da conspiração, vão de taverna em taverna, tomam o pulso dos operários, escolhem sua gente, atraem-na para a conspiração e deixam que os cofies da sociedade ou o novo amigo paguem a conta do inevitável consumo de vinho. Ü dono da taverna é quem geralmente providencia o abrigo para os conspiradores. É sob seu teto que o conspirador muitas vezes se aloja, mantém seus encontros com os colegas, com as pessoas de sua seção, com os homens a serem recrutados; finalmente, é lá que se realizam os encontros secretos das seções (grupos) e dos chefes de seção. Neste permanente ambiente de taverna, o conspirador, de caráter alegre — como, aliás, todos os proletários de Paris —, transforma-se logo num perfeito bambocheur [galhofeiro]. O conspirador mais austero, que nas reuniões secretas assume um ar de rigor espartano, sai de sua posição e transforma-se em assíduo freguês, conhecido por todos, que sabe apreciar muito bem o vinho e o sexo feminino. Este humor típico das tavernas se intensifica ainda mais devido ao permanente perigo a que está exposto o conspirador: a cada instante, pode ser chamado às barricadas e lá sucumbir; a cada passo, encontra armadilhas da polícia que podem levá-lo à prisão ou mesmo às galeras... Ao mesmo tempo, o hábito de enfrentar o perigo faz com que a vida e a liberdade tornem-se para ele absolutamente indiferentes. Sente-se em casa tanto na prisão quanto na taverna. Cada dia espera a ordem para entrar em ação. A audácia desesperada que vem à tona em cada insurreição parisiense manifesta-se justamente através destes velhos conspiradores profissionais, os hommes de coups de main [os homens de ação imediata]. São eles que montam as primeiras barricadas e as comandam, são eles que organizam a resistência, o saque às lojas de armas, que dirigem o roubo de armas e munição das casas e que, em plena revolta, executam aqueles golpes audaciosos que muitas vezes desconcertam o partido do governo. Em suma, eles são os oficiais da insurreição. É óbvio que estes conspiradores não se limitam a organizar de maneira geral o proletariado revolucionário. Sua tarefa consiste precisamente em antecipar o processo de desenvolvimento revolucionário, conduzi-lo artificialmente à crise, fazer uma revolução de improviso, sem haver as condições para uma revolução. Para eles, a única condição para a revolução é que sua conspiração seja suficientemente organizada. Eles são os alquimistas da revolução e compartilham totalmente o pensamento caótico, o espírito tacanho e as idéias fixas dos primeiros alquimistas. Metem-se em invenções que devem operar milagres revolucionários: bombas incendiárias, máquinas de destruição de efeitos mágicos, sublevações populares, que devem ter um efeito tanto mais prodigioso e surpreendente quanto menos tiverem um fundamento racional. Ocupados com tais projetos mirabolantes, eles não têm outro objetivo a não ser a imediata derrubada do governo vigente, e desprezam profundamente a idéia de um maior esclarecimento teórico dos operários a respeito de seus interesses de classe. Advém daí sua irritação, não de natureza proletária, e sim plebéia, com os habits noirs (casacos pretos), estes homens mais ou menos educados, que representam o outro lado do movimento e dos quais não conseguem se libertar totalmente, pois são eles os representantes oficiais do partido. E de tempos em tempos os habits noirs devem servir-lhes como fonte de recursos financeiros. Aliás, fica claro que os conspiradores devem, querendo ou não, acompanhar o desenvolvimento do partido revolucionário. A principal característica da vida dos conspiradores é sua luta com a polícia, com a qual mantêm praticamente o mesmo relacionamento que os ladrões e as prostitutas.” Em outra passagem do mesmo ensaio, lê-se a respeito do seguinte relato de Chenu sobre Lucien de la Hodde: “Vemos [nele] ... a prostituição política da mais reles espécie, [nele] que fica na rua sob a chuva esperando uma gorjeta do primeiro policial que aparecer.” “Em uma de minhas caminhadas noturnas, relata Chenu, percebi De la Hodde fazendo sua ronda pelo Quai Voltaire. Chovia torrencialmente, e esta circunstância me fez pensar. Será que este prezado De la Hodde também se beneficia do baú de fundos secretos? ... ‘Boa noite, De la Hodde, com mil diabos, o que fazes aqui a esta hora e neste tempo horroroso?’ — ‘Estou à espera de um finório que me deve dinheiro, e como ele passa por aqui todas as noites a esta hora, ele terá que me pagar, caso contrário...’ — e ele bateu com força sua bengala sobre a mureta do cais. De la Hodde procura livrar-se de Chenu ... este se afasta ... mas unicamente para esconder-se sob as arcadas do Institut <de France>... Quinze minutos depois, percebi o veículo com as duas pequenas lanternas verdes... Um homem desceu, De la Hodde caminhou em sua direção; conversaram por instantes, e vi De la Hodde fazer o gesto de quem coloca dinheiro no bolso.” Marx e Engels, resenha de Chenu, Les Conspirateurs, Paris, 1850, e De la Hodde, La Naissance de la République, Paris, 1850, publicada em Die Neue Rheinische Zeitung e reimpressa em Die Neue Zeit, ano IV, Stuttgart, 1886, pp. 555-556, 552-551.
[V 2; V 2a]
Os operários de 1848 e a grande Revolução: “Embora estes sofressem sob as condições impostas pela revolução, não a responsabilizavam por sua miséria; imaginavam que a revolução não tinha conseguido trazer a felicidade das massas populares porque intrigantes tinham pervertido o princípio que lhe servia de base. Na opinião deles, a grande revolução em si mesma era boa, e a miséria humana só poderia ser eliminada se houvesse a decisão de fazer um novo 1793. Assim, afastaram-se desconfiados dos socialistas e sentiram-se atraídos pelos republicanos burgueses, que conspiravam com o intuito de criar uma república por vias revolucionárias. As sociedades secretas, à época do governo de Luís Filipe, recrutavam grande parte de seus membros mais ativos na classe operária.” Paul Lafargue, “Der Klassenkampf in Frankreich”, Die Neue Zeit, XII, n° 2, 1894, p. 615.
[V 3, 1]
Marx sobre a “Liga dos Comunistas”: ‘“Quanto à ... doutrina secreta da liga, ela passou por todas as transformações do socialismo e do comunismo francês e inglês, assim como as suas variantes alemãs... A forma secreta da sociedade deve sua origem a Paris... Durante minha primeira estada em Paris (do final de 1843 até o início de 1845), cultivei o contato pessoal com os dirigentes locais da liga, assim como com os chefes da maioria das sociedades secretas de operários franceses, sem filiar-me, contudo, a nenhuma delas. Em Bruxelas..., a autoridade central de Londres nos contatou e enviou ... o relojoeiro Josef Moll ... para solicitar a nossa entrada na liga. Moll desfez nossas hesitações, revelando que a seção central tinha a intenção de convocar um congresso da liga em Londres... Assim, nós nos filiamos. O congresso ... foi realizado, e após acirrados debates que duraram várias semanas foi aprovado o Manifesto do Partido Comunista, redigido por Engels e por mim.’ Quando Marx escreveu estas linhas, qualificou seu conteúdo como ‘histórias meio esquecidas e há muito desaparecidas.’ ...Em 1860, o movimento operário, derrotado pela contra-revolução dos anos cinqüenta, ainda não tinha despertado novamente em nenhum lugar da Europa... A história do Manifesto Comunista fica mal compreendida se estabelecemos o surgimento do movimento operário europeu a partir de sua publicação. O Manifesto foi, antes de tudo, a conclusão de seu primeiro período, que vai da Revolução de Julho até a Revolução de Fevereiro... O máximo que puderam alcançar foi a clareza teórica... Uma liga secreta de operários, que durante anos conseguiu acompanhar e participar intelectualmente do socialismo francês e inglês da época, bem corno da filosofia alemã contemporânea, demonstrou uma energia de pensamento que só pode despertar o maior respeito.” “Ein Gedenktag des Kommunismus”, Die Neue Zeit, XVI, n° I, Stuttgart, 1898, p. 354-355. A citação de Marx é extraída do libelo contra Vogt.
[V 3,  2]
“Os programas práticos dos conspiradores comunistas da época ... distinguem-se ... de maneira bastante vantajosa dos programas dos socialistas utópicos pela firme convicção de que a libertação da classe operária (‘o povo’) é inimaginável sem a luta contra as classes superiores (‘a aristocracia’). Decerto a luta de um punhado de homens que urdiram uma conspiração em nome dos interesses do povo não pode de maneira alguma ser chamada de luta de classes. Porém, quando a maior parte dos conspiradores se compõe de operários, então a conspiração constitui um germe da luta revolucionária da classe operária. A concepção que a Société des Saisons4 tem da ‘aristocracia testemunha a estreita relação genética entre as idéias dos comunistas revolucionários na França da época e as idéias dos revolucionários burgueses do século XVHI, como também da oposição liberal na época da Restauração... Assim como Augustin Thierry, os comunistas revolucionários franceses partiam da idéia de que a luta contra a aristocracia seria necessária no interesse de todo o conjunto da sociedade. Entretanto, enfatizam com razão que a aristocracia de sangue foi substituída pela aristocracia do dinheiro, e que conseqüentemente a luta ... devia se voltar contra a burguesia. Georg Plekhanov, “Über die Anfãnge der Lehre vom Klassenkampf” (extraído da introdução a uma edição russa do Manifesto Comunista), parte III, “Die Anschauungen des vormarxistischen Sozialismus vom Klassenkampf”, Die Neue Zeit, XXI, n 1, Stuttgar , 1903, p. 297.
[V 3a, 1]
1851: “Um decreto publicado em 8 de dezembro autorizou a deportação sem julgamento de qualquer pessoa que pertencesse ou tivesse pertencido a uma sociedade secreta. Entendeu-se por este termo qualquer tipo de sociedade, ainda que fosse uma sociedade de assistência mútua ou uma associação literária, mesmo se constituída às claras, mas sem registro junto ao prefeito de polícia.” A. Malet e P. Grillet, XIX' Siecle, Paris, 1919, p 264.
[V 3a, 2]
“Depois do atentado de Orsini ... o governo imperial logo aprovou uma la, dita de segurança geral, que lhe dava o poder de deter e deportar sem julgamento ... qualquer pessoa que tivesse sido punida anteriormente por ocasião das jornadas de junho de 1848 e dos acontecimentos de dezembro de 1851... Os prefeitos de todos os départements receberam ordens para designarem de imediato um número determinado de vítimas.” A. Malet e P. Grillet, XIXe Siecle, Paris, 1919, p. 273.
[v 3a , 3]
1 O compagnonnage é uma associação de operários para fins de formação profissional e de solidariedade. O termo vem de compagnon, que designa o artesão que já não é aprendiz e ainda não é mestre. Até meados do século XIX era costume desses jovens profissionais fazerem o tour de France (o circuito da França), empregando-se em oficinas de várias cidades com o objetivo de completarem sua formação. (E/M) Ver também nota 9. 
2 Diante da postura passiva da Garde Nationale, o exército resolveu não intervir no conflito. (E/M)
3 Trata-se do processo contra Étienne Cabet, por suas críticas ao regime. (E/M) 
4 A “Sociedade das Estações do Ano" foi uma sociedade secreta fundada, em 1837, por Auguste Blanqui com a ajuda de dois outros jovens republicanos. Ela usava técnicas clássicas de conspiração e tinha uma organização hierárquica e rigorosamente disciplinada. A precursora dessa instituição foi a também secreta Société des Familles, fundada por Blanqui, em 1834, depois de ele ter sido, em 1832, membro da Société des Amis du Peuple, republicana e saint-simoniana. (E/M) 
 
BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-WerkWalter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.

18.4.26

Suspiria • Dario Argento • CineSesc

Suspiria (1977), de Dario Argento teve hoje (ou ontem, acabei de chegar em casa) a pré-estreia no CineSesc, com o Carlão sempre na porta. 

Trilha da banda Goblin.

A estreia será partir de 23 de abril, com distribuição da FJ Cines.

 

continua/Bertolt Brecht/Poesia/introdução & tradução André Vallias/SVENDBORG/continua

3. SVENDBORG [1933-1939] 
 
Fragen eines lesenden Arbeiters
 
Wer baute das siebentorige Theben?
In den Büchern stehen die Namen von Königen.
Haben die Könige die Felsbrocken herbeigeschleppt?
Und das mehrmals zerstörte Babylon
Wer baute es so viele Male auf ? In welchen Häusern
Des goldstrahlenden Lima wohnten die Bauleute?
Wohin gingen an dem Abend, wo die chinesische Mauer fertig war
Die Maurer? Das große Rom
Ist voll von Triumphbögen. Wer errichtete sie? Über wen
Triumphierten die Cäsaren? Hatte das vielbesungene Byzanz
Nur Paläste für seine Bewohner? Selbst in dem sagenhaften Atlantis
Brüllten doch in der Nacht, wo das Meer es verschlang
Die Ersaufenden nach ihren Sklaven.
 
Der junge Alexander eroberte Indien.
Er allein?
Cäsar schlug die Gallier.
Hatte er nicht wenigstens einen Koch bei sich?
Philipp von Spanien weinte, als seine Flotte
Untergegangen war. Weinte sonst niemand?
Friedrich der Zweite siegte im Siebenjährigen Krieg. Wer
Siegte außer ihm?
 
Jede Seite ein Sieg.
Wer kochte den Siegesschmaus?
Alle zehn Jahre ein großer Mann.
Wer bezahlte die Spesen?
 
So viele Berichte
So viele Fragen. [1935]
 
Perguntas de um trabalhador que lê
 
Quem construiu a Tebas de sete portas?
Nos livros estão os nomes dos reis.
Foram os reis que arrastaram os blocos de pedra?
E a mais de uma vez destruída Babilônia
Quem a construiu tantas vezes? Em que casas
Da ouro-radiante Lima residiam os peões de obra?
Para onde foram, na noite em que a muralha da China ficou
Pronta, os pedreiros? A grande Roma
Está repleta de arcos de triunfo. Quem os erigiu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? Tinha a tão decantada Bizâncio
Palácios só para seus moradores? Mesmo na lendária Atlântida
Na noite em que o mar a tragou, gritavam por seus
Escravos os que se afogavam.
 
O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Ele sozinho?
César subjugou os gauleses.
Não tinha ao menos um cozinheiro ao seu lado?
Felipe de Espanha chorou quando sua frota
Afundou. Não chorou mais ninguém?
Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos. Quem
Além dele, venceu?
 
Cada página uma vitória.
Quem preparou o festim da vitória?
Cada década um grande homem.
Quem pagou a conta?
 
Tantos relatos
Tantas perguntas.

Gedanken eines Revuemädchen während
des Entkleidungsaktes
 
Mein Los ist es, auf dieser queren Erde
Der Kunst zu dienen als die letzte Magd
Auf daß den Herrn ein Glück bescheret werde
Doch wenn ihr fragt
 
Was ich wohl fühle, wenn ich mich entblöße
In schönen schlauen Griffen und des Lichts
Der goldenen Lampen teilhaft, als Stripptöse
Antwort ich: nichts.
 
Es geht auf zwölf. Ich komm zu spät zum Bus.
Der Käse ist im andern Laden besser.
Die Dicke sagt, sie geht jetzt in den Fluß
Er hat ein Messer.
 
Halbvoll. Am Samstag! Heut wird's wieder zwölfe.
Mehr lächeln. Diese Luft ist ein Skandal.
Halt's Maul da vorn, ich zeig sie dir schon. Wölfe.
Wie ich die Miete zahl..?
 
Milchabbestellen hab ich auch vergessen.
Den Hintern aber zeig ich heute nicht.
Ein bißchen schwenken muß ich ihn. Das Essen
Im Gelben Hund ist so, daß man's erbricht. [1935]
 
Pensamentos de uma corista durante
o ato de se despir
 
Meu destino é servir, no mundo torto
A arte como última empregada
Que ao patrão dá de prenda algum conforto.
No entanto, cada
 
Vez que perguntam o que eu sinto quando
Lânguida à luz da lâmpada dourada
No estripetise, vou me desnudando
Respondo: nada.
 
Deu meia-noite. O ônibus saiu?
Ali vende o melhor queijo de vaca.
A gorda diz que agora vai pro rio.
O homem tem uma faca.
 
Que sábado minguado... E não termina.
Sorrir mais. Esse ar faz um estrago.
Calem seus bicos, aves de rapina!
O aluguel, como eu pago?
 
Cancelei o leiteiro? Hoje não quero
Mostrar o meu traseiro. Mas preciso
Sacudi-lo. A comida no Cão Amarelo
Basta comer pra vomitar no piso.
 
BRECHT, Bertolt. 1898-1956. Poesia / Bertolt Brecht (Eugen Bertholt Friedrich Brecht); 300 poemas (edição bilíngue); fragmentos dos diários, anotações autobiográficas, 20 textos sobre poesia; seleção, introdução & tradução André Vallias; texto de 2a capa Augusto de Campos; e 3a capa Lion Feuchtwanger (1928).  São Paulo: Perspectiva, 2019. – (Coleção Signos; 60 / dirigida por Augusto de Campos)  

17.4.26

Sesc Consolação Vila Nova • VIVA VAIA • Augusto de Campos

 

continua/drummond/Farewell

 

A ILUSÃO DO IMIGRANTE


Quando vim da minha terra,
se é que vim da minha terra
(não estou morto por lá?),
a correnteza do rio
me sussurrou vagamente
que eu havia de quedar
lá donde me despedia.


Os morros, empalidecidos
no entrecerrar-se da tarde,
pareciam me dizer
que não se pode voltar,
porque tudo é conseqüência
de um certo nascer ali.


Quando vim, se é que vim
de algum para outro lugar,
o mundo girava, alheio
à minha baça pessoa,
e no seu giro entrevi
que não se vai nem se volta
de sítio algum a nenhum.


Que carregamos as coisas,
moldura da nossa vida,
rígida cerca de arame,
na mais anônima célula,
e um chão, um riso, uma voz
ressoam incessantemente
em nossas fundas paredes.

Novas coisas, sucedendo-se,
iludem a nossa fome
de primitivo alimento.
As descobertas são máscaras
do mais obscuro real,
essa ferida alastrada
na pele de nossas almas.


Quando vim da minha terra,
não vim, perdi-me no espaço,
na ilusão de ter saído.
Ai de mim, nunca saí.
Lá estou eu, enterrado
por baixo de falas mansas,
por baixo de negras sombras,
por baixo de lavras de ouro,
por baixo de gerações,
por baixo, eu sei, de mim mesmo,
este vivente enganado, enganoso.

 

ANDRADE, Mario Drummond de. 1902-1987. Poesia Completa. / Carlos Drummond de Andrade. (conforme as disposições do autor) Fixação de textos e notas de Gilberto Mendonça Teles. Introdução de Silviano Santiago. Biblioteca Luso-brasileira / Série Brasileira. / Farewell, 1996. 1a tiragem da primeira edição, 2002  Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar S.A., 2003.

14.4.26

CineSesc exibe Ciclo Dario Argento, com clássicos do mestre do horror restaurados em 4K

continua/Boulez conducts Webern

Anton Webern (18831945)

Pierre Boulez (1925—2016)

2 Lieder Op8 

for voie and eight instruments • für Gesang und acht Instrumente • pour voix et huit instruments • per voce e otto strumenti

after poems by / nach Gedichten von / sur des poèmes de / su liriche di Rainer Maria Rilke  

3  I. »Du, Der Ichs Nicht Sage« Langsam 1:05

4  II. »Du Machst Mich Allein« Sehr Langsam 1:14  

FRANÇOISE POLLET, soprano 

5 Pieces For Orchestra Op. 10

5 Stücke für Orchestre • 5 Pièces pour orchestre • 5 pezzi per orchestra 

Orchestra – Ensemble Intercontemporain 

5  I. Sehr Ruhig Und Zart 0:44

6  II. Lebhaft Und Zart Bewegt 0:39

7  III. Sehr Langsam Und Äußerst Ruhig« 1:48

8  IV. Fließend, Äußerst Zart 0:29

9  V. Sehr Fließend 0:56 

continua/drummond/Farewell/entra

 

ANDRADE, Mario Drummond de. 1902-1987. Poesia Completa. / Carlos Drummond de Andrade. (conforme as disposições do autor) Fixação de textos e notas de Gilberto Mendonça Teles. Introdução de Silviano Santiago. Biblioteca Luso-brasileira / Série Brasileira. / Farewell, 1996. 1a tiragem da primeira edição, 2002  Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar S.A., 2003.

Hugo Pratt/Corto Maltese/sai

PRATT, Hugo (1927-1995). Corto Maltese: Uma balada para o mar salgado / Corto Maltese: Una ballata del mare salato / Hugo Pratt; 1967; prefácio Umberto Eco; tradução Marcello Fontana. – Salvador: Trem Fantasma, 2023.

continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua

  
<fase tardia>
 
“Na arquitetura de sonho da Revolução, os projetos de Ledoux ocupam um lugar especial. O cubo de sua ‘Casa da Paz’ parece-lhe legítimo, pois é o símbolo da justiça e da permanência; de forma semelhante, todas as formas elementares devem ter sido para ele signos importantes de clarificação interior. A ‘cidade nascente’, a cidade em que uma vida mais elevada encontraria seu refugio, é cercada pelo contorno puro de uma elipse... A propósito da casa do novo direito, a ‘Pacifère’, ele escreve em LArchitecture. ‘Esta construção, nascida de minha fantasia, deve ser tão simples quanto o direito que nela for pronunciado.”’ Emil Kaufmann, Von Ledoux bis Le Corbusier: Ursprung und Entwicklung der autonomen Architektur, Viena-Leipzig, 1933, p. 32.
[U 17, 1]
BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-WerkWalter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.