14.4.26

CineSesc exibe Ciclo Dario Argento, com clássicos do mestre do horror restaurados em 4K

continua/Boulez conducts Webern

Anton Webern (18831945)

Pierre Boulez (1925—2016)

2 Lieder Op8 

for voie and eight instruments • für Gesang und acht Instrumente • pour voix et huit instruments • per voce e otto strumenti

after poems by / nach Gedichten von / sur des poèmes de / su liriche di Rainer Maria Rilke  

3  I. »Du, Der Ichs Nicht Sage« Langsam 1:05

4  II. »Du Machst Mich Allein« Sehr Langsam 1:14  

FRANÇOISE POLLET, soprano 

5 Pieces For Orchestra Op. 10

5 Stücke für Orchestre • 5 Pièces pour orchestre • 5 pezzi per orchestra 

Orchestra – Ensemble Intercontemporain 

5  I. Sehr Ruhig Und Zart 0:44

6  II. Lebhaft Und Zart Bewegt 0:39

7  III. Sehr Langsam Und Äußerst Ruhig« 1:48

8  IV. Fließend, Äußerst Zart 0:29

9  V. Sehr Fließend 0:56 

continua/drummond/Farewell/entra

 

ANDRADE, Mario Drummond de. 1902-1987. Poesia Completa. / Carlos Drummond de Andrade. (conforme as disposições do autor) Fixação de textos e notas de Gilberto Mendonça Teles. Introdução de Silviano Santiago. Biblioteca Luso-brasileira / Série Brasileira. / Farewell, 1996. 1a tiragem da primeira edição, 2002  Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar S.A., 2003.

Hugo Pratt/Corto Maltese/sai

PRATT, Hugo (1927-1995). Corto Maltese: Uma balada para o mar salgado / Corto Maltese: Una ballata del mare salato / Hugo Pratt; 1967; prefácio Umberto Eco; tradução Marcello Fontana. – Salvador: Trem Fantasma, 2023.

continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua

  
<fase tardia>
 
“Na arquitetura de sonho da Revolução, os projetos de Ledoux ocupam um lugar especial. O cubo de sua ‘Casa da Paz’ parece-lhe legítimo, pois é o símbolo da justiça e da permanência; de forma semelhante, todas as formas elementares devem ter sido para ele signos importantes de clarificação interior. A ‘cidade nascente’, a cidade em que uma vida mais elevada encontraria seu refugio, é cercada pelo contorno puro de uma elipse... A propósito da casa do novo direito, a ‘Pacifère’, ele escreve em LArchitecture. ‘Esta construção, nascida de minha fantasia, deve ser tão simples quanto o direito que nela for pronunciado.”’ Emil Kaufmann, Von Ledoux bis Le Corbusier: Ursprung und Entwicklung der autonomen Architektur, Viena-Leipzig, 1933, p. 32.
[U 17, 1]
BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-WerkWalter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.

11.4.26

continua/Bertolt Brecht/Poesia/introdução & tradução André Vallias/continua

3. SVENDBORG [1933-1939] 
 
Es war einmal ein Rabe
Ein schlauer alter Knabe
Dem sagte ein Kanari, der
In einem Käfig sang: schau her
Von Kunst
Hast du keinen Dunst.
Der Rabe sagte ärgerlich:
Wenn du nicht singen könntest
Wärst du so frei wie ich. [1934]
 
Era uma vez uma gralha-
-azul, sagaz e grisalha.
Um canarinho gabola
Que cantava na gaiola
Disse-lhe: da arte
Você não faz parte.
Brava, a gralha respondeu:
Se você não soubesse cantar
Seria tão livre quanto eu.

Den Hungernden, der dir
Das letzte Brot wegnimmt, siehst du als Feind an.
Aber dem Dieb, der nie gehungert hat
Springst du nicht an die Gurgel. [c. 1934]
 
O faminto que leva
Teu último pão tu vês como inimigo.
Mas no pescoço do ladrão que nunca
Passou fome tu não pulas.

Aber aus dem Montag wird der Dienstag
Er beginnt am Montag.
Aus dem Heute wird das Morgen und das Morgen fängt heute an.
Da ist keine Grenze.
 
Wo die Grenzpfähle laufen, da ist keine Wand. Die Grenzpfähle
Sind zum Herumtragen.
Die da schweigen zu den Schreien de Gequälten
Werden selber schreien und nicht gehört werden. [c. 1934]
 
Mas da segunda-feira virá a terça
Ela inicia na segunda.
Do hoje virá o amanhã e o amanhã começa hoje.
Aí não há fronteira.
 
Onde correm os marcos de fronteira, aí não há parede. Os marcos
De fronteira são transportáveis.
Os que se calam ante os gritos dos torturados
Hão de gritar eles próprios sem serem ouvidos.
 
Seht ihr nicht, daß ihr zu viele seid?
 
Als der Anstreicher kam, hat er euch versprochen
Daß da keiner mehr herumlaufen soll
Der nicht seinen Schweiß vergießen darf.
 
Viele bereiten jetzt den Krieg vor
So sind sie von der Straße.
Aber da sind immer noch viele, die zuviel sind.
 
Im Krieg
Werden sie beschäftigt werden.
Nach dem Krieg
Werden sie nicht mehr da sein. [c. 1934]

Vocês não veem que estão sobrando?
 
Quando o pintor de paredes veio, prometeu
Que ninguém mais iria perambular
Que não pudesse dar o seu suor.
 
Muitos agora preparam a guerra
E por isso estão longe das ruas.
Mas ainda há muitos que estão sobrando.
 
Na guerra
Vão receber ocupação.
Depois da guerra
Não estarão mais aí.

BRECHT, Bertolt. 1898-1956. Poesia / Bertolt Brecht (Eugen Bertholt Friedrich Brecht); 300 poemas (edição bilíngue); fragmentos dos diários, anotações autobiográficas, 20 textos sobre poesia; seleção, introdução & tradução André Vallias; texto de 2a capa Augusto de Campos; e 3a capa Lion Feuchtwanger (1928).  São Paulo: Perspectiva, 2019. – (Coleção Signos; 60 / dirigida por Augusto de Campos) 

10.4.26

continua/Hugo Pratt/Corto Maltese: MU, a cidade perdida/Corto Maltese: La cité perdue/entra

PRATT, Hugo (1927-1995)Corto Maltese: MU, a cidade perdidaCorto Maltese: La cité perdue / Hugo Pratt; prefácio Marco Steiner; fotos Marco D’Anna; tradução Reginaldo Francisco e Fernando Scheibe. — São Paulo: Grupo Autêntica: Nemo, 2012.

continua/Hugo Pratt/Corto Maltese: As Helvéticas/Corto Maltese: Les helvétiques/sai

PRATT, Hugo (1927-1995)Corto Maltese: As HelvéticasCorto Maltese: Les helvétiques / Hugo Pratt; prefácio Marco Steiner; fotos Marco D’Anna; tradução Reginaldo Francisco. — São Paulo: Loterie Romande; Grupo Autêntica: Nemo, 2012.

9.4.26

entra/Boulez conducts Webern

Anton Webern (18831945)

Pierre Boulez (1925—2016)

1) Piano Quintet • for piano, violins [2], viola and cello (1907)

Quintett für Streicher und Klavier • Quintette avec piano • Qintetto per pianoforte ed archi

Moderato

Pierre Boulez  (conductor)  Pierre-Laurent Aimard  (piano)  Ensemble InterContemporain  (ensemble) 

2) »Entfliehet auf leichten Kahnen« Op2

for mixed choir • für gemischten Chor • pour chœur mixte • per coro misto

after a poem by / nach einem Gedicht von / sur un poème de / su una lirica di Stefan Georg

Zart bewegt

BBC Singers

(Chorus master / Einstudierung / Chef de chœur / Maestro del coro: Malcolm Hicks) 

MORT CINDER – EDIÇÃO DEFINITIVA • Héctor Oesterheld • Alberto Breccia

Descobri os gigantes quadrinistas argentinos no fim da primeira década deste século, em Buenos Aires ou Montevidéu — não lembro ao certo —, o que me fez dar uma virada para os gigantes quadrinistas de lá; como o gigantesco Breccia, por exemplo (tenho obras dele desde a Métal Hurlant até um livro da Arnoldo Mondadori Editore).  Depois foram lançadas grandes obras deles por aqui. 

Um clássico absoluto do quadrinho mundial em uma edição de formato gigante e com novos extras, em comemoração aos 10 anos da Figura Editora.

Mort Cinder é a união do roteiro potente e profundamente humano de Héctor Oesterheld com a arte ao mesmo tempo clássica e vanguardista de Alberto Breccia culminou em uma obra indispensável para todo o fã de HQ.

Ezra Winston, proprietário de um antiquário londrino, vive cercado de objetos que trazem um pedaço da história. Um dia, um relógio estilo Luís VI misteriosamente volta a funcionar, enquanto lhe chega as mãos um intrigante amuleto. Ambos serão a chave de um intrincado enigma que fará Ezra adentrar pelos sombrios subúrbios de Londres, até levá-lo ao encontro de um ser imortal: Mort Cinder, o homem das mil mortes, se erguerá uma vez mais de sua tumba. Junto ao pó de suas roupas, está todo o peso da saga humana sobre a Terra: as obras da Torre de Babel, os navios do tráfico de escravos, as trincheiras da I Guerra Mundial, a mítica batalha das Termópilas... Mort Cinder esteve em meio a tudo isso, e volta ao mundo dos vivos para contar.

 “Héctor Oesterheld é o maior escritor de quadrinhos que já encontrei, porque era capaz de transformar um gag numa pequena novela. Era um mestre da narrativa." – Hugo Pratt

“A história dos quadrinhos é dividida em duas épocas: a que vem antes e a que vem depois de Alberto Breccia." – Frank Miller

Apresentação de Mariano Buscaglia, extras de Rodrigo Rosa e Antoni Segarra

 
Capa dura 
Formato 27 x 38 cm
304 páginas
ISBN 97865573403-4
Coordenação editorial e projeto gráfico: Ferréz e Thiago Ferreira
Edição e produção: Ivette Giraldo 

continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua

  
<fase média>
[...]
George Sand, para quem o amor conduzirá à união das classes, compreende esta questão da seguinte maneira: “Um jovem de baixa condição, mas genial e belo, umu-se a uma bela, e perfeita jovem: eis as classes fundidas... Lémor, do Meunier dAngibault, heróico artesão, recusa a mão de uma viúva patrícia, porque ela é rica ... e a viúva alegra-se com o incêndio que a arruina, e faz cair o último obstáculo entre ela e seu amante. Charles Brun, Le Roman Social en France au XIXe Siécle, Paris, 1910, pp. 96-97.
[U 13a, 8]
Enfantin pressupunha constituições físicas (e também doenças) bem diferentes em padres, artistas, comerciantes etc.
[U 13a, 9]
[E The Man of the Crowd, de Edgar Allan Poe]
[...]
Augustin Thierry, um “filho de criação” de Saint-Simon. Segundo Marx, ele “descreveu muito bem ... como, logo de início, pelo menos desde o desenvolvimento das cidades, a burguesia francesa ganha uma grande influência pelo fato de constituir-se como parlamento, burocracia etc., e não como na Inglaterra, somente através do comércio e da indústria”. Karl Marx a Friedrich Engels, Londres, 17 de julho de 1854 [Karl Marx e Friedrich Engels, Ausgewählte Briefe, ed. por V. Adoratskij, Moscou-Leningrado, 1934, p. 60].
[U 16a, 1] 
BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-WerkWalter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.

6.4.26

continua/Hugo Pratt/Corto Maltese: As Helvéticas/Corto Maltese: Les helvétiques/entra

PRATT, Hugo (1927-1995)Corto Maltese: As HelvéticasCorto Maltese: Les helvétiques / Hugo Pratt; prefácio Marco Steiner; fotos Marco D’Anna; tradução Reginaldo Francisco. — São Paulo: Loterie Romande; Grupo Autêntica: Nemo, 2012.

continua/Hugo Pratt/El Tango/entra/sai

PRATT, Hugo (1927-1995) El Tango del Corto en Buenos Aires (1923) por Hugo Pratt Libro del FIERRO 86/87 / Hugo Pratt; texto de introducción Los habitantes del cuadrito, El mundo le queda Corto de Marcelo Birmajer; El Libro de Fierro extra. — Buenos Aires: Ediciones de la Urraca, 1987.

continua/Hugo Pratt/Corto Maltese: A Juventude/Corto Maltese: La Jeunesse/sai

PRATT, Hugo (1927-1995)Corto Maltese: A JuventudeCorto Maltese: La Jeunesse / Hugo Pratt; 1983; prefácio Marco Steiner; fotos Marco D’Anna; tradução Ana Ban. — Belo Horizonte: ChinAsia; Grupo Autêntica: Nemo, 2011.

continua/Bertolt Brecht/Poesia/introdução & tradução André Vallias/continua

3. SVENDBORG [1933-1939] 
 
Über den schnellen Fall des guten Unwissenden
 
Als wir den Beredten seines Schweigens wegen entschuldigt hatten
Verging zwischen der Niederschrift des Lobs und seiner Ankunft
Eine kleine Zeit. In der sprach er.
 
Er zeugte aber gegen die, deren Mund verbunden war
Und brach den Stab über die, welche getötet waren.
Er rühmte die Mörder. Er beschuldigte die Ermordeten.
Den Hungernden zählte er die Brotkrusten nach, die sie erbeutet hatten.
Den Frierenden erzählte er von der Arktis.
Denen, die mit den Stöcken der Pfaffen geprügelt wurden
Drohte er mit den Stahlruten des Anstreichers.
So bewies er
Wie wenig Güte hilft, die sich nicht auskennt
Und wie wenig der Wunsch vermag, die Wahrheit zu sagen
Bei dem, der sie nicht weiß.
Der da auszog gegen die Unterdrückung, selber satt
Wenn es zur Schlacht kommt, steht er
Auf der Seite der Unterdrücker.
 
Wie unsicher ist die Hilfe derer, die unwissend sind!
Der Augenschein täuscht sie. Dem Zufall anheimgegeben
Steht ihr guter Wille auf schwankenden Beinen.
 
Welch eine Zeit, sagten wir schaudernd
Wo der Gutwillige, aber Unwissende
Noch nicht die kleine Zeit warten kann mit der Untat
Bis das Lob seiner guten Tat ihn erreicht!
So daß der Ruhm, den Reinen suchend
Schon niemand mehr findet über dem Schlamm
Wenn er keuchend ankommt. [1934]
 
Sobre a queda rápida do bom desinformado
 
Ao desculparmos o Loquaz por seu silêncio
Transcorreu entre a escrita do elogio e sua chegada
Um pequeno tempo. No qual ele falou.
 
Ele testemunhou contra os que tinham suas bocas unidas
E quebrou o bastão sobre os que foram mortos.
Enalteceu os assassinos. Culpou os assassinados.
Enumerou as migalhas que os famintos amealharam.
Falou sobre o Ártico aos que morriam de frio.
Os que foram espancados com o cajado dos padres
Ameaçou com o porrete de aço do pintor de paredes.
Assim comprovou
O quão pouco ajuda a bondade que não se entende
E quão pouco alcança a vontade de dizer a verdade
Em quem não a conhece.
Aquele que irrompeu contra a opressão, saciado de si
Quando a batalha vem, encontra-se
Do lado do opressor.
 
Quão insegura é a ajuda dos que são desinformados!
A aparência os ludibria. À mercê do acaso
Sua boa vontade está com as pernas bambas.
 
Que tempos, dissemos estremecidos
Em que o homem de boa vontade, mas desinformado
Não pode esperar com sua transgressão o pequeno
Tempo para receber o elogio de sua ação!
De modo que a fama à procura do puro
Não encontra ninguém sobre a lama
Quando chega resfolegando.

Wer belehrt den Lehrer?
 
Ich bin Lehrer
Aber wer belehrt mich?
Wie soll ich wissen, was sie gelehrt haben wollen?
Ich bin guten Willens, bereit, alles zu lehren
Den Schlächtern gebührt Ehre
Aber doch nicht allen Schlächtern?
Welchen zum Beispiel nicht? Vielleicht
Bin ich schon verloren: ich habe
Den Führer nur einen Heiligen genannt.
Ich tue alles, aber
Ich bin ein Mensch und kann irren. [1934]
 
Quem ensina o professor?
 
Sou professor
Mas com quem vou aprender?
Como vou saber o que querem que ensine?
De bom grado me disponho a tudo ensinar
Os carniceiros devem ser prestigiados
Mas nem todos os carniceiros?
Quais, por exemplo, não? Quem sabe
Eu já esteja perdido: chamei
O Führer apenas de santo.
Faço tudo, contudo
Sou humano e posso errar.
 
Die Medea von Lodz
 
Da ist eine Märe
Von einer Frau, Medea genannt
Die kam vor tausend Jahren
An einen fremden Strand.
Der Mann, der sie liebte
Brachte sie dorthin.
Er sagte: du bist zu Hause
Wo ich zu Hause bin.
 
Sie sprach eine anderer Sprache
Als die Leute dort
Für Milch und Brot und Liebe
Hatten sie ein anderes Wort.
Sie hatte andere Haare
Und ein anderes Gehn
Ist nie dort heimisch geworden
Wurde scheel angesehn.
 
Wie es mit ihr gegangen
Erzählt der Euripides
Seine mächtigen Chöre singen
Von einem vergilbten Prozeß.
 
Nur der Wind geht noch über die Trümmer
Der ungastlichen Stadt
Und Staub sind die Stein, mit denen
Sie die Fremde gesteinigt hat.
 
Da hören wir mit einem
Mal jetzt die Rede gehn
Es würden in unseren Städten
Von neuen Medeen gesehn.
Zwischen Tram und Auto und Hochbahn
Wird das alte Geschrei geschrien
1934
In unserer Stadt Berlin. [1934]

A Medeia de Lodz
 
Este é o mito de Medeia
Mulher que desembarcou
Há mil anos numa praia
Estrangeira por amor.
O homem que se enamorou
Dela e a levou pra lá
Disse: aonde quer que eu for
O meu lar será teu lar.
 
A língua que ela falava
Era estranha: para amor
Leite e pão, outras palavras
Usava. No corte e cor
Do cabelo e na maneira
Como andava ela diferia
E por isso com maus olhos
A população lhe via.
 
O que aconteceu com ela
Foi narrado por Euripedes
E seus coros poderosos
Entoaram o sucedido.

Só o vento ainda erra
Pela inóspita cidade
E viraram pó as pedras
Com que estranhos lapidava.
 
Mas ouvimos um rumor
(Não sabemos se é verdade)
Que novas Medeias foram
Vistas em nossas cidades.
Entre bondes, trens e carros
Gritam seu grito primal
1934
Em Berlim, a capital.

Ulm 1592
 
Bischof, ich kann fliegen
Sagte der Schneider zum Bischof.
Paß auf, wie ich's mach!
Und er stieg mit so 'nen Dingen
Die aussahn wie Schwingen
Auf das große, große Kirchendach.
Der Bischof ging weiter.
Das sind lauter so Lügen
Der Mensch ist kein Vogel
Es wird nie ein Mensch fliegen
Sagte der Bischof vom Schneider.
 
Der Schneider ist verschieden
Sagten die Leute dem Bischof.
Es war eine Hatz.
Seine Flügel sind zerspellet
Und er liegt zerschellet
Auf dem harten, harten Kirchenplatz.
Die Glocken sollen läuten
Es waren nichts als Lügen
Der Mensch ist kein Vogel
Es wird nie ein Mensch fliegen
Sagte der Bischof den Leuten. [1934]

Ulm 1592
 
Bispo, voar eu sei que posso
Disse o alfaiate ao bispo.
Veja sól E com um troço
A um par de asas parecido
Sobe ao mais alto local
Da alta, alta catedral.
Mas o bispo nem deu trela
E se foi. Que disparate!
O homem não é passarinho
Nunca vai sair do chão
Disse o bispo do alfaiate.
 
O alfaiate passou dessa
Pra melhor, disseram ao bispo.
Foi um grande rebuliço.
O par de asas se rompeu
E ele jaz espatifado
Sobre o duro, duro adro.
Logo soa o carrilhão:
Não passou de um disparate
O homem não é passarinho
Nunca vai sair do chão
Disse o bispo à multidão. 
 
BRECHT, Bertolt. 1898-1956. Poesia / Bertolt Brecht (Eugen Bertholt Friedrich Brecht); 300 poemas (edição bilíngue); fragmentos dos diários, anotações autobiográficas, 20 textos sobre poesia; seleção, introdução & tradução André Vallias; texto de 2a capa Augusto de Campos; e 3a capa Lion Feuchtwanger (1928).  São Paulo: Perspectiva, 2019. – (Coleção Signos; 60 / dirigida por Augusto de Campos)