15.5.26

continua/Bertolt Brecht/Poesia/introdução & tradução André Vallias/LIDINGÖ/HELSINQUE [1939-1941]

4. LIDINGÖ/HELSINQUE [1939-1941] 
 
Die Festung Europa
 
Europa ist Hitlers Festung
Sagt Göbbels jedem Kind
Doch wo hat man je eine Festung gesehn
Wo die Feinde nicht nur außen stehn
Sondern auch innen sind? [1939]
   
Fortaleza Europa
 
A Europa é o baluarte de Hitler
Goebbels diz a qualquer criança
Mas onde já se viu um baluarte
Em que o inimigo está em toda parte
E dentro também avança?
 
Mutter Courages Lied
 
Herr Hauptmann, laß die Trommel ruhen
Und laß dein Fußvolk halten an:
Mutter Courage, die kommt mit Schuhen
In denens besser laufen kann.
Mit seinen Läusen und Getieren
Bagasch, Kanone und Gespann 
Soll es dir in den Tod marschieren
So will es gute Schuhe han.
Das Frühjahr kommt. Wach auf, du Christ!
Der Schnee schmilz weg. Die Toten ruhn.
Doch was noch nicht gestorben ist
Das macht sich auf die Socken nun.
 
Herr Hauptmann, deine Leut marschieren
Dir ohne Wurst nicht in den Tod.
Laß die Courage sie erst kurieren
Mit Wein von Leibs- Geistesnot.
Kanonen auf die leeren Mägen
Herr Hauptmann, das ist nicht gesund
Doch sind sie satt, hab meinen Segen
Und führ sie in den Höllenschlund.
Das Frühjahr kommt. Wach auf, du Christ!
Der Schnee schmilz weg. Die Toten ruhn.
Doch was noch nicht gestorben ist
Das macht sich auf die Socken nun.
 
So mancher wollt so manches haben
Was es für manchen gar nicht gab;
Er wollt sich schlau ein Schlupfloch graben
Und grub sich nur ein frühes Grab.
Schon manchen sah ich abjagen
In Eil nach einer Ruhestatt 
Liegt er dann drin, mag er sich fragen
Warums ihm so geeilt hat.
Das Frühjahr kommt. Wach auf, du Christ!
Der Schnee schmilz weg. Die Toten ruhn.
Doch was noch nicht gestorben ist
Das macht sich auf die Socken nun.
 
Von Ulm nach Metz, von Metz nach Mähren!
Mutter Courage ist dabei!
Der Krieg wird seinen Mann ernähren
Er braucht nur Pulver zu und Blei.
Von Blei allein kann er nicht leben
Von Pulver nicht, er braucht noch Leut!
Müßts euch zum Regiment begeben
Sonst steht er um! So kommt noch heut!
Das Frühjahr kommt. Wach auf, du Christ!
Der Schnee schmilz weg. Die Toten ruhn.
Doch was noch nicht gestorben ist
Das macht sich auf die Socken nun.
 
Mit seinem Glück, seiner Gefahre
Der Krieg, er zieht sich etwas hin:
Der Krieg, er dauert hundert Jahre
Der gmeine Mann hat keinn Gewinn.
Ein Dreck sein Fraß, sein Rock ein Plunder!
Sein halben Sold stiehlts Regiment
Jedoch vielleicht geschehn noch Wunder:
Der Feldzug ist noch nicht zu End!
Das Frühjahr kommt. Wach auf, du Christ!
Der Schnee schmilz weg. Die Toten ruhn.
Doch was noch nicht gestorben ist
Das macht sich auf die Socken nun. [1939] 
 
Canção da Mãe Coragem
 
Seo Capitão, cala o tambor
E dá aos teus peões descanso:
A Mãe Coragem vai repor
Coturnos pro melhor avanço
No ataque. Com piolhos, bestas
Tralhas, canhões e munição 
Se à marcha pra morte te prestas
Que pises bem calçado o chão.
Cristãos, a primavera é linda!
Derrete a neve. O morto jaz
Em paz. Quem não morreu ainda
Se manda sem olhar pra trás.
 
Seo Capitão, soldados sem
Linguiça não marcham pra morte.
Deixa, que a Mãe Coragem tem
O que alma e corpo reconforte.
Levar de estômago vazio
Chumbo não é, Seo Capitão
Sadio, mas se os homens sacio
Até no inferno marcharão.
Cristãos, a primavera é linda!
Derrete a neve. O morto jaz
Em paz. Quem não morreu ainda
Se manda sem olhar pra trás.

 
O que se quer e mal se viu 
A maioria nunca prova;
Esperto, ele cava um covil
E assim cavou a própria cova.
Muitos já vi com afobação
A procurar um bom jazigo 
Deitando, surge uma questão:
Por que a pressa, meu amigo?
Cristãos, a primavera é linda!
Derrete a neve. O morto jaz
Em paz. Quem não morreu ainda
Se manda sem olhar pra trás.
 
De Ulm a Metz, de Metz a Mähren!
A Mãe Coragem perambulal
Com chumbo e pólvora, essa guerra
Fornece aos seus uma matula.
Mas chumbo e pólvora somente
Não pode ser, vai precisar
De bons recrutas, minha gente
Ou ela acaba! Cheguem lá!
Cristãos, a primavera é linda!
Derrete a neve. O morto jaz
Em paz. Quem não morreu ainda
Se manda sem olhar pra trás.
 
Com risco, sorte e desenganos
A guerra então vai se estendendo:
E esta já dura cem anos
E ao pobre não traz dividendos.
Comida é um lixo, a roupa um saque!
E o meio soldo alguém lhe furta:
Mas pode ser que um dia emplaque
Por um milagre, e segue a luta!
Cristãos, a primavera é linda!
Derrete a neve. O morto jaz
Em paz. Quem não morreu ainda
Se manda sem olhar pra trás.


Ardens sed virens
 
Herrlich, was im schönen Feuer
Nicht zu kalter Asche kehrt!
Schwester, sieh, du bist mir teuer
Brennend, aber nicht verzehrt.
 
Viele sah ich schlau erkalten
Hitzige stürzen unbelehrt
Schwester, dich kann ich behalten
Brennend, aber nicht verzehrt.
 
Ach, für dich stand, wegzureiten
Hinterm Schlachtfeld nie ein Pferd
Darum sah ich dich mit Vorsicht streiten
Brennend, aber nicht verzehrt. [1939]
 
Ardens sed virens
 
Soberbo, o que no fogo belo
Não quer volver à cinza fria!
Vê só, irmã, como eu te quero
Queimando, mas não consumida.
 
Muitos eu vi dentro do gelo
De cabeça-quente e vazia
Então, irmã, eu te conservo
Queimando, mas não consumida.
 
Para fugir, jamais te deram
No campo de batalha montaria
Por isso vi lutares com cautela
Queimando, mas não consumida.
 
BRECHT, Bertolt. 1898-1956. Poesia / Bertolt Brecht (Eugen Bertholt Friedrich Brecht); 300 poemas (edição bilíngue); fragmentos dos diários, anotações autobiográficas, 20 textos sobre poesia; seleção, introdução & tradução André Vallias; texto de 2a capa Augusto de Campos; e 3a capa Lion Feuchtwanger (1928).  São Paulo: Perspectiva, 2019. – (Coleção Signos; 60 / dirigida por Augusto de Campos) 

14.5.26

entra/Boris Schnaiderman/Tradução, Ato Desmedido

 

SCHNAIDERMAN, Boris (1917-2016). Tradução, Ato Desmedido / Boris Schnaiderman; Coleção Debates dirigida por J.Guinsburg. — São Paulo: Perspectiva, 2011. (Debates 321)

Rokurou Ogaki 大柿ロクロウ/Crazy food truck クレイジーフードトラック/sai

OGAKI, Rokurou 大柿ロクロ. Crazy food truck クレイジーフードトラック — volume 1 / Rokurou Ogaki; tradução de Drik Sada; edição Ferréz e Thiago Ferreira. São Paulo: Comix Zone!, 2024.
_________________.
Crazy food truck クレイジーフードトラック — volume 2 / Rokurou Ogaki; tradução de Drik Sada; edição Ferréz e Thiago Ferreira. — São Paulo: Comix Zone!, 2024.

continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua

  

 X

[MARX]

[...]

Origem da falsa consciência: “A divisão do trabalho só se torna realmente uma divisão a partir do momento em que se dá uma divisão do trabalho ... material e espiritual. A partir desse momento, a consciência pode realmente imaginar ser algo diferente da consciência da práxis existente..., e que ela realmente representa algo, sem representar algo real.” Marx und Engels über Feuerbach: Aus dem literarischen Nachlaß von Marx und Engels”, Marx-Engels-Archiv, org. por D. Rjazanov, vol. I, Frankfurt a. M., 1928, p. 248.

[X 1, 4] 

[...]

Auto-alienação: “O operário produz o capital, o capital o produz; portanto, ele produz a si mesmo e ... suas qualidades humanas existem apenas ..., na medida em que elas existem para o capital alheio a ele... O operário existe como operário apenas enquanto ele existe para si como capital, e ele existe como capital apenas enquanto algum capital existe para ele. A existência do capital é sua existência..., e esta determina o conteúdo de sua vida de uma maneira que lhe é indiferente... A produção produz o homem ... como um ... ser desumanizado.” Karl Marx, Der historische Materialismus: Die Frühschriften, ed. org. por S. Landshut e J. P. Mayer, Leipzig, vol. I, pp. 361-362 (“Nationalõkonomie und Philosophie”).

[X 1a, 1]

[...]

“A natureza que se constitui na história humana  no ato de criação da sociedade humana — é a natureza real do homem; por isso a natureza, tal como se constitui através da indústria — ainda que sob uma forma alienada , é a verdadeira natureza antropológica.” Karl Marx, Der historische Materialismus: Die Frühschriften, ed. org. por S. Landshut e J. P. Mayer, Leipzig, vol. I, p. 304 (“Nationalökonomie und Philosophie”).

[X 1a, 3]   

Ponto de partida para uma crítica da “cultura”: “A superação positiva da propriedade privada enquanto apropriação da vida humana é ... a superação positiva de toda alienação  portanto, o retorno do homem da religião, da família, do Estado etc., para sua existência humana, isto é, social.” Karl Marx, Der historische Materialismus, ed. org. por Mayer e Landshut, Leipzie, vol. I, p. 296 (“Nationalökonomie und Philosophie”).

[X 1a, 4]

Uma derivação do ódio de classe, que se refere a Hegel: “A superação da objetividade sob a forma da alienação  que vai necessariamente da estranheza indiferente até a alienação hostil real  significa para Hegel ao mesmo tempo, e principalmente, que a objetividade deve ser superada, porque não é o caráter determinado do objeto, e sim seu caráter de objeto que é, para a autoconsciência, o elemento ofensivo na alienação.” Karl Marx, Der historische Materialismus, Leipzig, vol. I, p. 335 (“Nationalökonomie und Philosophie”).

[X 1a, 5] 

[...]

Seria um erro desenvolver a psicologia da burguesia a partir da atitude do consumidor. O ponto de vista do consumidor é representado apenas pela camada social dos esnobes. As bases para uma psicologia da classe burguesa encontram-se antes na seguinte frase de Marx, que permite descrever também — e principalmente — a influência que esta classe exerce sobre a arte, como modelo e como comitente: “Um certo grau de desenvolvimento da produção capitalista exige que o capitalista possa utilizar todo o tempo em que ele funciona como capitalista, isto é, como capital personificado, para a apropriação e, portanto, para o controle do trabalho alheio e para a venda dos produtos desse trabalho.” Karl Marx, Das Kapital, vol. I, ed. org. por K. Korsch, Berlim, 1932, p. 298.

 [X 2, 2] 

[...]

O tempo na técnica. “Como em uma verdadeira ação política, a escolha ... do momento certo é decisiva. ‘A ordem do capitalista no campo da produção torna-se agora tão indispensável quanto a ordem do general no campo de batalha’ (I, p. 278). ...O ‘tempo’ possui aqui, na técnica, um significado diferente daquele que possui no decorrer dos acontecimentos históricos da mesma época, em que ... as ‘ações coincidem sem mais nem menos’. O ‘tempo’ possui ainda, na técnica ... um significado diferente daquele que possui na economia moderna, que ... mede o tempo do trabalho pelo relógio.” Hugo Fischer, Karl Marx und sein Verhältnis zu Staat und Wirtschaft, Jena, 1932, p. 42; citando Das Kapital, vol. I, 1923.
[X 2, 4]

2 Na revisão das passagens extraídas de Karl Marx, Das Kapital, foi consultada a edição brasileira: O CapitalCrítica da Economia Política, vol. I, tomo 1, trad. de Regis Barbosa e Flávio R. Kothe, São Paulo, Abril Cultural, 1983; a passagem citada encontra-se na p. 243. (w.b.)

BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.

12.5.26

Rokurou Ogaki 大柿ロクロウ/Crazy food truck クレイジーフードトラック — volume 2/entra

OGAKI, Rokurou 大柿ロクロ. Crazy food truck クレイジーフードトラック — volume 2 / Rokurou Ogaki; tradução de Drik Sada; edição Ferréz e Thiago Ferreira. São Paulo: Comix Zone!, 2024.

Rokurou Ogaki 大柿ロクロウ/Crazy food truck クレイジーフードトラック — volume 1/sai

OGAKI, Rokurou 大柿ロクロ. Crazy food truck クレイジーフードトラック — volume 1 / Rokurou Ogaki; tradução de Drik Sada; edição Ferréz e Thiago Ferreira. São Paulo: Comix Zone!, 2024.

continua/Bertolt Brecht/Poesia/introdução & tradução André Vallias/LIDINGÖ HELSINQUE [1939-1941]/[DOS DIÁRIOS 1939-1941]

4. LIDINGÖ HELSINQUE [1939-1941] 
 
10.1.41
A razão pela qual poetas como Gelsted fracassam assim na política: para eles, a exploração ou a luta de classes não é uma categoria poética, mas moral. Há muito que consideram tais coisas como naturais, ainda que para fins inestéticos. Agora veem-no como antinatural, e o antinatural nunca é um campo da estética. Na poesia, a moralidade não consiste na indignação, mas na verdade. Além disso, esses poetas gostam de impor uma alta missão aos trabalhadores. O que enche os trabalhadores de uma suspeita justificada, porque eles não querem ser bucha de canhão para missões éticas. Seu objetivo não é a ética, ainda que seja ético. Eles não precisam prometer nada a ninguém além de a si mesmos. Esses poetas são contra o capitalismo porque este não é tão inofensivo quanto eles. Aos trabalhadores, parecem uns pobres coitados.

[ANOTAÇÕES AUTOBIOGRÁFICAS 1940]
 
Brecht é ariano, seu irmão ainda é professor universitário na Alemanha. A mulher de Brecht, que foi atriz do Staatstheater e do Teatro de Max Reinhardt sob seu nome de solteira Helene Weigel, é judia; o que por si só já teria sido um motivo para Brecht emigrar da Alemanha. No entanto, anos antes de Hitler chegar ao poder, ele já era um dos que combatiam os nazis, e toda a sua produção literária seria impossível sob o regime nazista. Ele nunca pertenceu a um partido político e não pertence a nenhum agora. Contra os nazistas, publicou poemas e escreveu a peça Terror e Miséria do Terceiro Reich, que mostra em 27 cenas independentes, que se passam em residências, clínicas, tribunais, campos de concentração, escolas, fábricas, casernas etc., a escravidão de quase todos os estratos do povo alemão sob a ditadura. Atualmente, está trabalhando num romance histórico satírico sobre o fim da República Romana, Os Negócios do Sr Júlio César. É membro do PEN Clube. É amigo pessoal de Lion Feuchtwanger. W.H.Auden e Archibald MacLeish provavelmente o defenderão também. Assim como a atriz americana Stella Adler, Fritz Kortner e o diretor de cinema Fritz Lang. Não tem agentes comerciais. Além da peça Terror e Miséria do Terceiro Reich, ele completou a peça Vida do Físico Galileu (a partir de pesquisa livre) e uma peça-parábola A Boa Alma de Setsuan (que mostra como é difícil e dispendioso ser uma pessoa boa em nosso tempo). Além disso, um pequeno livro satírico (mais semelhante em estilo ao Cândido de Voltaire) no qual um refugiado foge de um país para outro porque em toda parte virtudes demais são exigidas. Num país, para se poder comer três vezes ao dia, é necessária uma energia com a qual daria outrora para se conquistar reinos; num outro, para que o regime continue governando é necessário ajudá-lo a conquistar o mundo inteiro; no terceiro, é preciso ter bastante amor à liberdade, porque lá impera a proibição em demasia etc. etc. O refugiado procura um país onde se possa, num meio termo, viver com virtudes medianas e alguns vícios modestos.

Provavelmente na Suécia, em 1939
 
BRECHT, Bertolt. 1898-1956. Poesia / Bertolt Brecht (Eugen Bertholt Friedrich Brecht); 300 poemas (edição bilíngue); fragmentos dos diários, anotações autobiográficas, 20 textos sobre poesia; seleção, introdução & tradução André Vallias; texto de 2a capa Augusto de Campos; e 3a capa Lion Feuchtwanger (1928).  São Paulo: Perspectiva, 2019. – (Coleção Signos; 60 / dirigida por Augusto de Campos)

9.5.26

almeida prado/música contempôranea brasileira/sai

Balada para violino e piano Bnai brith  (1993) 

Dedicada a Meri e Natan Schwartzmann

violino: Constanza Almeida Prado • piano: Achille Picchi

ALMEIDA PRADO (1943-2010). Música contemporânea brasileira: Almeida Prado / coordenação de projeto Francisco Carlos Coelho; inclui CD e caderno de partituras. — São Paulo: Centro Cultural São Paulo. Discoteca Oneyda Alvarenga, 2006. — (Música contemporânea brasileira; v.1) 

continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua

  

Após 70.000 anos, o fim da harmonia virá sob a forma de um novo período da civilização, com tendência ao declínio, ao qual sucederão novamente os limbos obscuros. Assim, fugacidade e felicidade estão intimamente ligadas em Fourier. Engels observa: “Assim como Kant introduz o fim vindouro da terra na ciência da natureza, Fourier introduz o fim vindouro da humanidade no estudo da história.” Engels, Anti-Dühring, vol. III, p. 12.11

[W 15a, 1]

[...]

Um grande número de universos (como um universo, depois do homem e do planeta, constitui o terceiro escalão... Fourier chama-o de tri-verso) forma um quatri-verso; e assim por diante até o octo-verso, que representa a ... natureza inteira, a totalidade dos seres de harmonia. Fourier se entrega a cálculos minuciosos e proclama que o octo-verso se compõe de 10% universos.” Armand e Maublanc, Fourier, Paris, 1937, vol. I, p. 112.

[W 15a, 3]

[...]

 A maçã de Fourier — o correspondente daquela de Newton — que no restaurante Février custa cem vezes mais do que na província de onde ela é proveniente. Também Proudhon se compara a Newton.

[W 16, 3]

[...]

<fase tardia>

 [...]

Sob a rubrica “O garantismo do ouvido”, Fourier, além de se ocupar da elevação da linguagem do povo e de sua educação musical (coros de operários do teatro de Toulouse!). trata de medidas contra o barulho. Ele quer ver as oficinas isoladas e transferidas em sua maior parte para as periferias.

[W 17, 2] 

[...]

Marx faz referência a Fourier em Die heilige Familie [A Sagrada Família] (onde?).

[W 17a, 2] 

Toussenel foi um dos fundadores da Société Républicaine Centrale (o clube de Blanqui) em 1848.

[W 17a. 3]

11 Friedrich Engels, Herm Eugen Dührings Umwäzung der Wissenschaft, in: MEW, vol. XX. 2aed., Berlim 1968, p. 243. (R.T.)

BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.

7.5.26

continua/Bertolt Brecht/Poesia/introdução & tradução André Vallias/SVENDBORG

3. SVENDBORG [1933-1939] 
 

An die Nachgeborenen

1
 
Wirklich, ich lebe in finsteren Zeiten!
 
Das arglose Wort ist töricht. Eine glatte Stirn
Deutet auf Unempfindlichkeit hin. Der Lachende
Hat die furchtbare Nachricht
Nur noch nicht empfangen.
 
Was sind das für Zeiten, wo
Ein Gespräch über Bäume fast ein Verbrechen ist.
Weil es ein Schweigen über so viele Untaten einschließt!
Der dort ruhig über die Straße geht
Ist wohl nicht mehr erreichbar für seine Freunde
Die in Not sind?
 
Es ist wahr: ich verdiene noch meinen Unterhalt
Aber glaubt mir: das ist nur ein Zufall. Nichts
Von dem, was ich tue, berechtigt mich dazu, mich sattzuessen.
Zufällig bin ich verschont. (Wenn mein Glück aussetzt, bin ich verloren.)
 
Man sagt mir: iss und trink dul Sei froh, dass du hast!
Aber wie kann ich essen und trinken, wenn
Ich dem Hungernden entreiße, was ich esse, und
Mein Glas Wasser einem Verdurstenden fehlt?
Und doch esse und trinke ich.

Ich wäre gerne auch weise.
In den alten Büchern steht, was weise ist:
Sich aus dem Streit der Welt halten und die kurze Zeit
Ohne Furcht verbringen.
Auch ohne Gewalt auskommen
Böses mit Gutem vergelten
Seine Wünsche nicht erfüllen, sondern vergessen
Gilt für weise.
Alles das kann ich nicht:
Wirklich, ich lebe in finsteren Zeiten! [1937-1938]
 
2
 
In die Städte kam ich zur Zeit der Unordnung
Als da Hunger herrschte.
Unter die Menschen kam ich zur Zeit des Aufruhrs
Und ich empörte mich mit ihnen.
So verging meine Zeit
Die auf Erden mir gegeben war.
 
Mein Essen aß ich zwischen den Schlachten.
Schlafen legte ich mich unter die Mörder.
Der Liebe pflegte ich achtlos
Und die Natur sah ich ohne Geduld.
So verging meine Zeit
Die auf Erden mir gegeben war.
 
Die Straßen führten in den Sumpf zu meiner Zeit.
Die Sprache verriet mich dem Schlächter.
Ich vermochte nur wenig. Aber die Herrschenden
Saßen ohne mich sicherer, das hoffte ich.
So verging meine Zeit
Die auf Erden mir gegeben war.
 
Die Kräfte waren gering. Das Ziel
Lag in großer Ferne
Es war deutlich sichtbar, wenn auch für mich
Kaum zu erreichen.
So verging meine Zeit
Die auf Erden mir gegeben war. [1934]
 
3
 
Ihr, die ihr auftauchen werdet aus der Flut
In der wir untergegangen sind
Gedenkt
Wenn ihr von unseren Schwächen sprecht
Auch der finsteren Zeit
Der ihr entronnen seid.
Gingen wir doch, öfter als die Schuhe die Länder wechselnd
Durch die Kriege der Klassen, verzweifelt
Wenn da nur Unrecht war und keine Empörung.
 
Dabei wissen wir doch:
Auch der Hass gegen die Niedrigkeit
verzerrt die Züge.
Auch der Zorn über das Unrecht
Macht die Stimme heiser. Ach, wir
Die wir den Boden bereiten wollten für Freundlichkeit
Konnten selber nicht freundlich sein.
 
Ihr aber, wenn es so weit sein wird
Dass der Mensch dem Menschen ein Helfer ist
Gedenkt unserer
Mit Nachsicht. [1937-1938]
 
 
Aos pósteros
 
1
 
Verdade, vivo em tempos sombrios!
 
A palavra inofensiva é tola. Uma testa lisa
Sinal de insensibilidade. Aquele que ri
Apenas não recebeu ainda
A notícia terrível.
 
Que tempos são esses, em que
Uma conversa sobre árvores é quase um crime
Pois implica em calar-se sobre tanta atrocidade!
Quem atravessa calmamente a rua
Não está mais disponível para seus amigos
Necessitados?
 
É verdade: ainda ganho o meu sustento
Mas creiam-me: isso é mero acaso. Nada
Do que faço me permite comer até me saciar.
Fui poupado por acaso. (Quando acabar a minha sorte, estou perdido.)
 
Dizem para mim: coma e beba! Alegre-se de ter
Mas como posso comer e beber, se
Tiro aquilo que como do faminto, e
Meu capo d'água falta a quem tem sede?
E, contudo, bebo e como.
 
Quem me dera ser sábio também,
Nos velhos livros se lê o que é sábio:
Afastar-se da peleja do mundo e passar
O breve tempo sem medo.
Também evitar a violência
Pagar a maldade com o bem
Não satisfazer seus desejos, mas esquecê-los
É tido por sábio.
Nada disso eu consigo:
Verdade, vivo em tempos sombrios!
 
2
 
Vim para as cidades no tempo da desordem
Quando a fome imperava.
Cheguei entre os homens no tempo da revolta
E com eles me insurgi.
Assim transcorreu o tempo
Que na Terra me foi dado.
 
Minha comida comi entre batalhas.
Fui dormir entre assassinos.
Do amor cuidei desatento
E a natureza olhei sem paciência.
Assim transcorreu o tempo
Que na Terra me foi dado.
 
As estradas levavam ao pântano no meu tempo.
A linguagem me entregou ao carniceiro.
Eu pouco podia. Mas sem mim os poderosos
Sentavam-se mais seguros, esperava.
Assim transcorreu o tempo
Que na Terra me foi dado.

As forças eram poucas. O alvo
Estava a uma grande distância
Visível o bastante, ainda que para mim
Quase inatingível.
Assim transcorreu o tempo
Que na Terra me foi dado.
 
3
 
Vocês que emergirão da enchente
Em que nós soçobramos
Lembrem-se
Quando falarem das nossas fraquezas
Também do tempo sombrio
Do qual fugiram.
Mas fomos, trocando de países mais do que de sapatos
Através das guerras de classes, desesperados
Quando havia só injustiça e nenhuma revolta.
 
E contudo sabemos:
O ódio contra a baixeza
Também desfigura o semblante.
A ira contra a injustiça
Também enrouquece a voz. Oh, nós
Que queríamos preparar o solo para a gentileza
Não conseguimos nós mesmos ser gentis.
 
Mas vocês, quando então chegar a hora
Do ser humano ser do ser humano amparo
Lembrem-se de nós
Com benevolência.

Schlechte Zeit für Lyrik
 
Ich weiß doch: nur der Glückliche
Ist beliebt. Seine Stimme
Hört man gern. Sein Gesicht ist schön.
 
Der verkrüppelte Baum im Hof
Zeigt auf den schlechten Boden, aber
Die Vorübergehenden schimpfen ihn einen Krüppel
Doch mit Recht.
 
Die grünen Boote und die lustigen Segel des Sundes
Sehe ich nicht. Von allem
 
Sehe ich nur der Fischer rissiges Garnnetz.
Warum rede ich nur davon
Daß die vierzigjährige Häuslerin gekrümmt geht?
Die Brüste der Mädchen
Sind warm wie ehedem.
 
In meinem Lied ein Reim
Käme mir fast vor wie Übermut.
In mir streiten sich
Die Begeisterung über den blühenden Apfelbaum
Und das Entsetzen über die Reden des Anstreichers.
Aber nur das zweite
Drängt mich zum Schreibtisch. [1939]
 
Mau tempo para poesia
 
Eu sei: só quem é feliz
É amado. Sua voz
Se ouve com prazer. Seu rosto é belo.
 
A árvore atrofiada no pátio
Indica um solo ruim, mas
Os passantes a insultam por seu aleijão
E com razão.
 
Os barcos verdes e as divertidas velas do estreito
Eu não vejo. De tudo
 
Vejo apenas a rede esgarçada do pescador.
Por que só falo disso
Que a criada quarentona caminha encurvada?
Os seios das meninas
Estão quentes como antes.
 
Na minha canção uma rima
Me soaria quase uma arrogância.
 
Brigam dentro de mim:
O entusiasmo pela macieira florindo
A ojeriza aos discursos do pintor de paredes.
Mas somente a última
Me impele à escrivaninha.

BRECHT, Bertolt. 1898-1956. Poesia / Bertolt Brecht (Eugen Bertholt Friedrich Brecht); 300 poemas (edição bilíngue); fragmentos dos diários, anotações autobiográficas, 20 textos sobre poesia; seleção, introdução & tradução André Vallias; texto de 2a capa Augusto de Campos; e 3a capa Lion Feuchtwanger (1928).  São Paulo: Perspectiva, 2019. – (Coleção Signos; 60 / dirigida por Augusto de Campos) 

6.5.26

entra/Rokurou Ogaki 大柿ロクロウ/Crazy food truck クレイジーフードトラック — volume 1

OGAKI, Rokurou 大柿ロクロ. Crazy food truck クレイジーフードトラック — volume 1 / Rokurou Ogaki; tradução de Drik Sada; edição Ferrez e Thiago Ferreira. São Paulo: Comix Zone, 2024.