tacet
silenciós
1.5.26
continua/Bertolt Brecht/Poesia/introdução & tradução André Vallias/SVENDBORG
29.4.26
3″ • Marc-Antoine Mathieu
3 Segundos é o tempo em que a luz percorre 900.000 km. É o tempo em
que uma bala de revólver transpõe 1 km. É uma respiração. É o tempo de
uma lágrima, uma explosão, um SMS.
3 Segundos é um enigma sem falas, no qual personagens e pistas se
entrelaçam. Quais são as conexões entre este avião, estes tiros, este
estádio? É você quem monta o quebra-cabeça.
3 Segundos é uma narrativa que se lê como quadrinho e se revela em
múltiplas camadas. São várias maneiras de vivenciar o espaço-tempo em um
vertiginoso zoom gráfico.
Marc-Antoine Mathieu, o aclamado autor da série Prisioneiro dos Sonhos, está de volta, desafiando os limites da narrativa gráfica.
A edição tem acabamento de luxo, com formato 22 x 22 cm, capa dura, 72
páginas em preto e branco, impressas em papel couchê de alta gramatura.
Marc-Antoine Mathieu nasceu em 1959, em Antony, uma cidade ao sul de Paris, e estudou na Escola de Belas Artes de Angers. Trata-se de um quadrinista que, a cada novo livro, expande os limites da forma, através de uma combinação única de peso intelectual e domínio da mídia. Também atua como cenógrafo no coletivo Lucie Lom, que fundou junto com Philippe Leduc, em 1984. Projeta painéis, cenários e instalações para museus, teatros, parques, ruas ou festivais de todos os tipos. É especialista em design de exposições, muitas delas ambientadas no mundo dos quadrinhos. Entre seus principais trabalhos estão a retrospectiva Moebius/Giraud (2000) e a exposição Will Eisner, génie de la bande dessinée américaine (2017). Publicou seus primeiros quadrinhos nas revistas Marcel, Le Banni e Morsures. Em 1989, começou a trabalhar no que se tornaria sua obra principal: Julius Corentin Acquefacques, Prisioneiro dos Sonhos. A série conta até o momento com sete volumes e é caracterizada por seu estilo kafkiano (Acquefacques, o sobrenome do protagonista, é um palíndromo sonoro de Kafka). O primeiro volume da série, A Origem, foi publicada em 1990 e recebeu diversos prêmios, sendo o mais importante o Prêmio Revelação do Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, em 1991. Esse álbum foi seguido por outros seis volumes: A Qu... (1991), O Processo (1993, vencedor do prêmio de Melhor Roteiro em Angoulême em 1994), O Começo do Fim (1995), A 2,333ª Dimensão (2004), O Descompasso (2013) e O Hipersonho (2020).
entra/almeida prado/música contempôranea brasileira
Sonata para violino e piano n.1 (1980)
1. 1o mov: granítico, intenso. 6′36″
2. 2o mov: contínuo, fantástico. 1′50″
3. 3o mov: com luminosidade interior — tema com 5 variações. 5′04″
4. 4o mov: Movimento contínuo e acelerante. 2′31″
Dedicado a Natan Schwartzmann
violino: Constanza Almeida Prado • piano: Achille Picchi
ALMEIDA PRADO (1943-2010). Música contemporânea brasileira: Almeida Prado / coordenação de projeto Francisco Carlos Coelho; inclui CD e caderno de partituras. — São Paulo: Centro Cultural São Paulo. Discoteca Oneyda Alvarenga, 2006. — (Música contemporânea brasileira; v.1)
28.4.26
gilberto mendes/música contempôranea brasileira/sai
21 Anatomia da musa (1995)
sobre poema de José Paulo Paes
Dedicado a Rosana Lamosa e Rubens Ricciardi
tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi
22 Fenomenologia da certeza (1995)
sobre poema de José Paulo Paes
Dedicado a Fernando Portari e Rubens Ricciardi
tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi
23 Sol de Maiakovski (1995)
sobre poema de Augusto de Campos
Dedicado a Victoria Evtodieva
soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi
24 Tvgrama I (Tombeau de Mallarmé) (1995)
sobre poema de Augusto de Campos
Dedicado a Rosana Lamosa e Rubens Ricciardi
soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi
25 Desesncontros, à memória de Kurt Weil, à lembrança de Gilberto Mendes (1995)
sobre poema de José Paulo Paes
Dedicado a Rosana Lamosa
soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi
26 Luz mediterrânea: no olvido do tempo (1995)
sobre poema de Gil Nuno Vaz
Dedicado a Julia Novikova
soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi
27 O pai do universo (1997)
Texto-fragmento extraído do “Baghavad Gita” com tradução de Rogério Duarte
Dedicado a João Duarte
tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi
28 Amplitude (1999)
sobre poema de Alberto Martins
Dedicado a Rosana Lamosa e Rubens Ricciardi
soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi
29 Mais uma vez (1999)
sobre poema de Carlos Ávila
Dedicado a Fernando Portari e Rubens Ricciardi
tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi
30 A festa (1999)
sobre poema de Narciso de Andrade
Dedicado a Fernando Portari e Rubens Ricciardi
tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi
MENDES, Gilberto (1922-2016). Música contemporânea brasileira: Gilberto Mendes / coordenação de projeto Francisco Carlos Coelho; texto de Décio Pignatari; inclui CD e caderno de partituras. — São Paulo: Centro Cultural São Paulo. Discoteca Oneyda Alvarenga, 2006. — (Música contemporânea brasileira; v.4)
27.4.26
continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua
“Querem fortificar Paris, gastando assim centenas de milhões numa obra de guerra, enquanto esse mágico, com um milhão, teria extirpado para sempre a causa de todas as revoluções, de todas as guerras.” Ferrari, “Des idees et de l’école de Fourier”, Revue des Deux Mondes, XIV, n° 3, Paris, 1845, p. 413.
[W 7, 2]
Michelet, a respeito de Fourier: “Singular contraste entre tamanha ostentação de materialismo e uma vida espiritualizada, abstêmia e desinteressada!” J. Michelet, Le Peuple, Paris, 1846, p. 294.
[W 7, 3]
Comparar a idéia de Fourier sobre a propagação dos falanstérios por meio de explosões com duas idéias de minha “política”:6 a da revolução como inervação dos órgãos técnicos do coletivo (comparação com a criança que, ao tentar pegar a lua, aprende a agarrar as coisas) e a idéia da “ruptura da teleologia natural”. <Cf. X la, 2 e W 8a, 5>
[W 7, 4]
[...]
“É fácil compreender que todo ‘interesse’ da massa..., tão logo ele surge no palco do mundo, ultrapassa seus limites reais como ‘idéia’ ou ‘representação’ e se confunde com o interesse humano em geral. Esta ilusão constitui aquilo que Fourier denomina o tom de cada época histórica.” Marx e Engels, Die heilige Familie, in: Der historische Materialismus. vol. I, Leipzig, 1932, p. 379.
[W 7, 8]
[...]
A propósito do feminismo da escola de Fourier: “Em Herschell e em Júpiter, os cursos de botânica são ministrados por jovens vestais de dezoito a vinte anos... Quando digo ‘de dezoito a vinte anos’, refiro-me à linguagem da Terra, já que os anos em Júpiter são muito mais longos que os nossos, e o vestalato só se inicia ali por volta dos cem anos.” A. Toussenel, L’Esprit des Bêtes, Paris, 1884, p. 93.
[W 7a, 3]
Um modelo de psicologia fourierista no capítulo de Toussenel sobre o javali: “Existe na humanidade uma enorme quantidade de cacos de garrafa, pregos que se soltaram e tocos de velas que estariam completamente perdidos para a sociedade se alguma mão cuidadosa e inteligente não se encarregasse de recolher todos esses dejetos sem valor, e reconstituí-los ruma massa suscetível de ser reelaborada e devolvida de novo ao consumo. Essa tarefa importante entra nas atribuições do avarento... Aqui, o caráter e a missão do avarento se devam visivelmente: o sovina torna-se trapeiro... O porco é o grande trapeiro da natureza; de não engorda as custas de ninguém.” A. Toussenel, L’Esprit des Bêtes, Paris, 1884, pp. 249 - 250 .
[W 7a, 4]
Marx caracteriza a insuficiência de Fourier, que “concebeu um modo particular de trabalho — o trabalho nivelado, segmentado, e por isso não-livre... — como a fonte da perniciosidade da propriedade privada e de sua existência alienada do homem”, em vez de denunciar o trabalho enquanto tal como essência da propriedade privada. Karl Marx, Der historische Materialismus, ed. org. por S. Landshut e J. P. Mayer, Leipzig, 1932, vol. I, p. 292 (“Nationalökonomie und Philosophie”).
[W 7a, 5]
[...]
“Segundo ele, as almas transmigram de corpo em corpo, e mesmo de mundo em mundo. Cada planeta tem uma alma que irá animar outro planeta superior, levando com ela as almas dos homens que o habitaram. É dessa forma que, antes do fim de nosso planeta (que deve durar oitenta e um mil anos), as almas humanas terão tido mil seiscentas e vinte existências, e terão assim vivido cinqüenta e quatro mil anos num outro planeta, vinte e sete mil neste... No exercício de sua primeira infância, a terra foi atingida por uma febre pútrida, que ela transmitiu à lua, que por isso morreu. Mas a terra, organizada em harmonia, ressuscitará a lua.” Nettement, Histoire de la Littérature Française sous le Gouvemement de Juillet, Paris, vol. II, pp. 57, 59.
[W 8, 6]
O fourierista, sobre a aviação: “O aeróstato leve ... é a carruagem de fogo que ... respeita em toda parte a obra de Deus, não precisando nem encher os vales, nem perfurar as montanhas, como a locomotiva homicida que o agiota desonrou.” A. Toussenel, Le Monde des Oiseaux, vol. I, Paris, 1853, p. 6.
[W 8a, 1]
[pensamento anterior ao pensar nos aviões movidos a petróleo...]
[...]
Os homens de cauda de Fourier foram objeto de caricatura em 1849, nos desenhos eróticos de Emy, publicados em Le Rire. Para explicar as extravagâncias de Fourier, é preciso evocar a figura de Mickey Mouse, na qual se consumou a mobilização moral da natureza, bem no espírito das concepções de Fourier. Com Mickey Mouse, o humor põe a política à prova. Confirma-se, assim, que Marx tinha razão ao ver em Fourier principalmente um grande humorista. A ruptura da teleologia natural se dá segundo o plano do humor.
[W 8a, 5]
6 Não fica claro se Benjamin se refere aqui às suas idéias políticas em geral, ou mais específicamente ao seu artigo, infelizmente perdido, "Der wahre Politiker" (O político autêntico, 1919-1920), chamado por ele também de "Prolegomena zur zweiten Lesabéndio-Kritik" (Prolegômenos para uma segunda crítica do Lesabéndio — romance utópico de Paul Scheerbart); cf. GS II, 1423. (R.T.)
BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.

















