26.5.26

continua/Bertolt Brecht/Poesia/introdução & tradução André Vallias/SANTA MONICA [1941-1947]

5. SANTA MONICA [1941-1947] 
[DOS DIÀRIOS 1941-1947]
21.7.41
Chegamos em San Pedro, o porto de Los Angeles. [...]
[...]
9.8.41
Sinto-me como se eu tivesse sido tirado de uma era, isto aqui é um Tahiti em forma de metrópole; agora mesmo olho para um pequeno jardim com grama. Arbustos florindo vermelhos, uma palmeira e cadeiras de jardim brancas, e a voz de um homem cantando algo sentimental ao piano  não no rádio. Eles têm natureza aqui e, como tudo é tão artificial, até um sentimento mais forte pela natureza, que é alienada. Da casa de Dieterle pode-se ver o vale San Fernando; um reluzente fluxo incessante de carros rompe a natureza; mas a gente descobre que apenas por meio de sistemas de irrigação todo esse verde é arrancado do deserto. Arranhe um pouco, e o deserto transparece: deixe de pagar a conta de água, que nada mais floresce. A quinze mil quilômetros de distância através da Europa, onde é mais longo, dia e noite, um massacre sangrento e crucial para o nosso destino produz uma fraca reverberação no burburinho do mercado de arte. 
Walter Benjamin envenenou-se numa pequena localidade da fronteira espanhola [a la regió catalana]. A guarda nacional havia detido o pequeno grupo em que estava. Quando os seus companheiros de viagem quiseram informar-lhe, na manhã seguinte, que a continuação da viagem fora autorizada, encontraram-no morto. Estou a ler o último trabalho que ele enviou ao Instituto Para Pesquisa Social. Günther Stern me entregou com a observação de que seria obscuro e confuso, creio que a palavra  também foi empregada. O pequeno tratado aborda a pesquisa histórica e pode ter sido escrito depois da leitura do meu César (com qual Benjamin, quando o leu em Svendborg, não soube muito o que fazer). Benjamin vira-se contra as noções de história como um fluxo, do progresso como um poderoso empreendimento de mentes descansadas, do trabalho como fonte de moralidade, do operariado como protegidos da técnica etc. Ele zomba da frase frequentemente ouvida de que é preciso se surpreender com o fato de que algo como o fascismo possa ter acontecido ainda neste século (como se não fosse o fruto de todos os séculos). — Em suma, a pequena obra é clara e desembaraçante (apesar de toda a metafórica e judaísmos), e a gente pensa com horror o quão pequeno é o número daqueles que estão dispostos a pelo menos mal interpretá-la.
E agora aos sobreviventes! Numa garden party na casa de Rolf Nürnberg, encontrei a dupla de palhaços Horkheimer e Pollock, os dois tuis do Instituto Sociológico de Frankfurt. Horkheimer é milionário, Pollock apenas de uma boa família, por isso só Horkheimer consegue comprar uma cátedra no lugar em
que reside para cobrir externamente as atividades revolucionárias do instituto. Desta vez é na Columbia, mas desde que as grandes razzias contra vermelhos tiveram lugar, Horkheimer perdeu o desejo de vender a sua alma, o que sempre se sucede em menor ou maior grau numa universidade, e eles se mudam para o oeste paradisíaco. O que são palmeiras acadêmicas! — Com seu dinheiro, eles mantêm à tona uma dúzia de intelectuais que precisam entregar todo o seu trabalho sem a garantia de que a revista alguma vez irá publicá-lo. Assim, podem afirmar que poupar o dinheiro do instituto tem sido o seu principal dever revolucionário ao longo de todos esses anos.
 
22.10.41
A relação com o dinheiro revela aqui o capitalismo colonial. A gente tem a impressão de que todas as pessoas, onde quer que estejam, estão aqui apenas para fugir. Elas estão nos Estados Unidos apenas para ganhar dinheiro. É um teatro nômade, de pessoas em trânsito para pessoas que perderam o caminho. Time is money, os tipos são montados já prontos, os ensaios são puro trabalho de montagem. Não se vive nas colônias.
[...]
21.1.42
Estranho, não consigo respirar neste clima. O ar é completamente inodoro, tanto de manhã como à noite, dentro de casa como no jardim. [...]. Em todo lugar, fazia parte das minhas tarefas matinais inclinar-me à janela e apanhar o ar fresco; aqui cortei essa tarefa. Não há cheiro de fumaça nem de grama. As plantas me parecem como os galhos que a gente espetava na areia quando era criança; dez minutos depois, as folhas murchavam. Sempre se espera aqui também que a irrigação possa ser desligada de repente, e então o qué? As vezes, especialmente ao dirigir para Beverly Hills, percebo algo como feições de uma paisagem que parecem realmente atraentes: linhas suaves de colina, arbustos de limão, um carvalho californiano e um ou outro posto de gasolina que é realmente divertido, mas tudo isso fica como atrás de uma vidraça, e em cada grupo de colinas ay em cada limoeiro eu procuro involuntariamente uma etiqueta de preço. Essas etiquetas de preços a gente também procura nas pessoas.  Não cabe a mim, por si só, ficar insatisfeito com um ambiente, especialmente nestas circunstancia Atribuo grande importância à minha posição distinta de refugiado, e ao refugiado não é de todo apropriado ser tão servil e subserviente como esse ambiente o é. Mas são provavelmente as condições de trabalho que me tornam impaciente. O costume aqui exige que se procure vender tudo, desde um encolher de ombros até uma ideia, ou seja, é preciso lutar constantemente por um comprador, e assim se é incessantemente um comprador ou vendedor vende-se para o pinico a própria urina. O oportunismo é tido como a mais alta virtude, a gentileza vira logo covardia.
 
27.2.42
Feuchtwanger e outros não conseguem lidar com o fenômeno de Hitler porque não veem o fenômeno da pequena burguesia governante. A pequena burguesia não é economicamente uma classe independente. Permanece sempre objeto da politica, agora é o objeto da politica da grande burguesia. (Os sociais-democratas exilados, por exemplo, agarram-se agora classes da alta burguesia da Inglaterra e da América.) Isso é o marionetismo de Hitler. Ele é um mero ator que apenas interpreta o grande homem, o Ninguém (qualquer um seria tão bom quanto), o homem sem caroço” porque justamente representa a pequena burguesia, que sempre, no político, somente atua e joga (jogar aqui é jogo de azar) [como vemos exemplos em todo o mundo atual. O que era tragédia, no Brasil, já mira para uma sanguinolenta Comédia, de pai para filho]. No teatro, isso significaria que Hitler só poderia ser concebido como figurante (figura de proa). Isso, porém, seria inadequado. Ele é falso, na verdade, apenas como representante da pretensão ao poder da pequena burguesia, não pessoalmente. Dentro da pequena burguesia, ele não é falso. O seu destino é real quando é levado ao limite das possibilidades pequeno burguesas, aí se torna subitamente uma personalidade” e protagonista.
 
17.3.42
Palestra de Reichenbach na Universidade da Califória sobre determinismo Nosso sistema de razões é limitado por um tipo de reproduibilidade que Einstein uma vez expressou como segue: ele fez alguns movimentos muito irregulares e ritmicamente instáveis com seu dedo e disse: Se as estrelas se movessem assim, por exemplo, não haveria astronomia. (Ainda que tivessem, sem dúvida, boas razões para isso.) Os filósofos ficom imitados com o teorema de Heisenberg, segundo o qual o ponto de espaço e o ponto de tempo não podem ser coordenados. Mesmo que se houvesse apontado um limite para além do qual os métodos de descrição não pudessem, em principio, ser melhorados, continuaria a ser para os filósofos uma questão do possibilidade de descrição, de modo que o teorema deles de que nodo acontece sem razão permaneceria válido. Os físicos derrubam-no provando o seu vazio; deixam-no, por assim dizer, abandonando-o. Razões que, par princípio, não podem ser conhecidas não são, para eles, razões.
A incapacidade dos filósofos de imaginar o nada já não impede os físicos, naturalmente, de tratar o nada como nada. Afinal, eles têm como um de seus hábitos saudar o zero como uma grandeza, com a maior consciência. Num sistema de grandezas, o zero pode talvez ser referido como grandeza, ou melhor, dificilmente pode ser chamado de outro jeito, mas sem um sentimento pela dialética, não se pode dar o salto lógico das outras grandezas para esta não grandeza. Assim, o espaço como propriedade da matéria torna-se inimaginável para os filósofos. Que o espaço deva ser apenas o que a matéria absorve é estranho para eles. Infelizmente, Reichenbach não diz uma palavra sobre isso.
 
22.3.42
Em certo sentido, os nazistas têm o direito de chamar seus feitos de revolução. A burguesia alemã leva a cabo a sua revolução sob a forma de uma tentativo de conquistar o mundo. Emancipou-se imediatamente como condutora de escravos e apresentou-se para o posto — como assaltante. No final, porém, não conseguiu acabar ainda, mesmo agora, com a sua aristocracia, e assim começou imediatamente a sua guerra de roubos, pulou por cima de seu Robespierre, submeteu-se imediatamente ao seu Napoleão (que, depois deste, é um Napoleão fetal!). Por isso essa miséria de ferro, essa síndrome de Amok meticulosamente planejada, essa Potsdam de Schwabing.
 
BRECHT, Bertolt. 1898-1956. Poesia / Bertolt Brecht (Eugen Bertholt Friedrich Brecht); 300 poemas (edição bilíngue); fragmentos dos diários, anotações autobiográficas, 20 textos sobre poesia; seleção, introdução & tradução André Vallias; texto de 2a capa Augusto de Campos; e 3a capa Lion Feuchtwanger (1928).  São Paulo: Perspectiva, 2019. – (Coleção Signos; 60 / dirigida por Augusto de Campos) 

24.5.26

Enquanto leio: Boris Schnaiderman/Tradução, Ato Desmedido

SCHNAIDERMAN, Boris (1917-2016). Tradução, Ato Desmedido / Boris Schnaiderman; Coleção Debates dirigida por J.Guinsburg. — São Paulo: Perspectiva, 2011. (Debates 321)
 
dou uma (re)espiada em: 
 
ROSA, João Guimarães (1908-1967). Grande sertão: veredas / João Guimarães Rosa; fac-símile de poema de Carlos Drummond de Andrade; prefácio Paulo Ronai Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.

22.5.26

continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua

  
Se na concepção burguesa as coisas e as relações econômicas’ parecem ser, aos olhos do cidadão individual, apenas elementos exteriores a ele..., na nova concepção os homens, em todas as suas ações, movem-se desde o início nas condições sociais determinadas que se originam, por sua vez, de um dado estágio de desenvolvimento da produção material... Os ideais da sociedade burguesa, como o indivíduo livre e autônomo, a liberdade e a igualdade de todos os cidadãos no exercício de seus direitos políticos e a igualdade de todos perante a lei, revelam-se agora apenas como conceitos correlatos ao fetichismo da mercadoria, derivados do intercâmbio de mercadorias... Apenas através do recalque das relações sociais reais para o inconsciente..., apenas através da metamorfose fetichista das relações sociais que se estabelecem entre a classe dos capitalistas e a classe dos assalariados, graças à ‘livre’ venda da mercadoria força de trabalho’ ao proprietário do ‘capital’ ... é possível falar nesta sociedade de liberdade e de igualdade.” Korsch, op. cit., vol. II, pp. 75-77.26
[X 8a, 1]
“A barganha individual e coletiva das condições de venda da mercadoria força de trabalho ainda pertence totalmente ao mundo da aparência fetichista. Considerados do ponto de lista social, junto com os meios materiais de produção, os operários assalariados sem propriedade, que vendem como indivíduos sua força de trabalho por meio do ‘livre contrato de trabalho’ a um empreendedor capitalista, são, enquanto classe, desde o início e para sempre, a propriedade da classe que dispõe dos meios materiais de trabalho. Portanto, não é inteiramente verdadeiro o que Marx afirmara no Manifesto Comunista... A burguesia ainda não ... introduziu a ‘exploração aberta, não velada, ela apenas colocou no lugar da exploração enfeitada de ilusões religiosas e políticas” [da Idade Média] “uma outra forma de exploração velada, mais refinada e mais difícil de desmascarar. Se em épocas passadas as relações de dominação e servidão, abertamente proclamadas, aparecem como as molas propulsoras imediatas da produção, na época burguesa ... ao contrário, a produção ... serve como pretexto para as ... relações de exploração.” Korsch, op. cit., pp. 64-6 57.27
[X 8a, 2]
[...]  Na “realidade”, para Marx, naturalmente, “os diversos trabalhos efetuados para a produção dos diferentes bens de consumo são efetivamente diferentes também sob o domínio da lei do valor”. Op. cit., vol. I, p. 68.28 Isto contra Simmel, cf. X 6, X 6a.
[X9]
“Marx e Engels ... chamaram a atenção para o fato de que o ideal de igualdade que se formou na época da produção burguesa de mercadorias, e que se expressa, no plano econômico, na ‘lei de valor’ dos clássicos burgueses, conserva como tal um caráter burguês e, por isso, só é incompatível com a exploração da classe operária pelo capital do ponto de vista ideológico, não na realidade. Os socialistas ricardianos imaginavam..., a partir do princípio econômico de que ‘só o trabalho produz o valor’, poder transformar todos os homens em operários imediatos, que trocam quantidades de trabalho de valor igual. Marx replicou ... que esta relação igualitária ... é, ela própria, apenas o reflexo do mundo atual, e que é, em consequência, totalmente impossível reconstituir a sociedade sobre uma base que é apenas sua sombra embelezada. À medida que a sombra toma corpo, percebe-se que esse corpo, longe de ser sua sonhada transformação, é o corpo atual da sociedade.’” A citação é extraída de La Misère de la Philosophie, Korsch, vol. II, p. 4.29
[X 9a, 1]
Korsch: Na época burguesa, “a fabricação dos produtos do trabalho serve de pretexto e invólucro para as ... relações de opressão e de exploração. A economia política é a forma científica da dissimulação deste estado de coisas.” Sua função: deslocar “a responsabilidade pela inibição do desenvolvimento e pela destruição da vida  que já se dão no atual estágio das forças sociais produtivas e que emergem de forma catastrófica nas grandes crises econômicas  da esfera da ação humana ... para a esfera das relações naturais e imutáveis entre as coisas.” Korsch, op. cit., vol. II, p. 65.30
[X 9a, 2]
“A distinção entre valor de uso e valor de troca, sob a forma abstrata em que é apresentada pelos economistas burgueses..., não constitui um ponto de partida aproveitável para o conhecimento da produção burguesa de mercadorias... Segundo Marx, trata-se na economia não do valor de uso em geral, e sim do valor de uso da mercadoria. Ora, o valor de uso da ‘mercadoria não é só premissa (extra-econômica) para seu ‘valor’. Ele é um elemento do valor... O fato de uma coisa ter uma utilidade qualquer para um homem qualquer  por exemplo, para aquele que a produz  ainda não determina a definição econômica do valor de uso. Somente o fato de uma coisa ... ter utilidade ‘para outrem’ determina a definição econômica do valor de uso como característica da mercadoria. Se o valor de uso da mercadoria é determinado economicamente como valor de uso social (valor de uso ‘para outrem’), então o trabalho que produz este valor de uso também é definido economicamente corno ... trabalho ‘para outrem’. O trabalho produtor de mercadorias aparece, pois, como trabalho social em um duplo sentido. Ele tem ... um caráter social geral enquanto ‘trabalho especificamente útil’ que produz um certo gênero de ‘valor de uso’ social. Ele tem um caráter histórico específico enquanto ‘trabalho social geral’ que produz uma certa quantidade de ‘valor de troca. A capacidade do trabalho social de produzir certas coisas úteis aos homens ... manifesta-se no valor de uso, sua capacidade de produzir um valor e uma mais-valia para o capitalista (uma característica decorrente da forma particular da socialização do trabalho ... no âmbito da atual época histórica) aparece no valor de troca do produto do trabalho. A fusão dos dois caracteres sociais das mercadorias produzidas pelo trabalho aparece na ‘forma de valor do produto do trabalho’ ou ‘forma da mercadoria’.” Korsch, op. cit., vol. II, pp. 42-44.31
[X 10]
“Ao derivarem o valor a partir do trabalho, os economistas burgueses, no início, quando as categorias abstratas da economia política ainda se encontravam no processo de separação de seu conteúdo material, pensaram também nas diversas formas do trabalho real. Assim, os mercantilistas, os fisiocratas etc. proclamaram que a verdadeira fonte da riqueza seria o trabalho realizado nas indústrias exportadoras, no comércio e nos transportes marítimos, na agricultura etc., nesta ordem. Mesmo em Adam Smith, que definitivamente passou dos diversos ramos do trabalho para a forma geral do trabalho produtor de mercadorias, encontra-se uma determinação paralela, que toma lugar ao lado da definição formalista do ‘trabalho’ (que ele partilha com Ricardo) como uma entidade abstrata que aparece exclusivamente no ‘valor’ (valor de troca). O mesmo trabalho que ele havia definido como trabalho gerador de valor de troca foi definido por ele também ... como a única fonte da riqueza material ou dos valores de uso. Esta doutrina, que sobrevive inerradicável até hoje no socialismo vulgar..., é economicamente falsa.” Partindo destes pressupostos, seria difícil “explicar por que na sociedade ... atual, são pobres justamente aqueles que até agora dispunham sozinhos desta fonte de riqueza, e mais difícil ainda explicar por que eles permanecem ‘sem trabalho’ e pobres, em vez de produzir riqueza com seu trabalho. Mas ... Adam Smith, ao fazer o elogio da força criadora do ‘trabalho’, tinha em mente não tanto o trabalho forçado do operário assalariado moderno, que aparece no valor das mercadorias e que produz o lucro capitalista, mas principalmente a necessidade natural geral do trabalho humano; assim como a glorificação pouco crítica da ‘divisão do trabalho’ naquelas grandes manufaturas’, termo que para ele resume a economia capitalista moderna em seu conjunto, se aplica muito menos à forma extremamente imperfeita da divisão do trabalho na sociedade capitalista amai do que à forma social geral do trabalho humano que aparece de maneira nebulosa.” Korsch, op. cit., vol. II, pp. 44-46.32
[X 10a]
Uma passagem decisiva sobre a mais-valia, mesmo que a frase final necessite ainda de esclarecimento: “Também a doutrina da mais-valia, considerada usualmente corno o elemento socialista propriamente dito da teoria econômica de Marx, não é, na forma aperfeiçoada em que ele a apresenta, nem uma simples operação de aritmética econômica, que atribui ao capitalismo um logro formal praticado contra os operários, nem uma lição moral da economia, que exige que seja devolvida aos operários a parte do ‘produto integral do trabalho’ que foi desviada pelo capital. Como teoria ‘econômica’, ela parte do princípio de que o empresário capitalista adquire ‘normalmente’ a força de trabalho dos assalariados por meio de uma troca leal em que o operário recebe como salário o equivalente integral da ‘mercadoria’ que ele vendeu. A vantagem do capitalista neste negócio não advém da economia, e sim de sua posição social privilegiada de proprietário exclusivo dos meios materiais de produção, que lhe permite explorar, para produzir mercadorias, o valor de uso específico da força de trabalho comprada por ele por seu ‘valor’ (valor de troca). Entre o valor das mercadorias produzidas pela exploração da força de trabalho na empresa capitalista e o preço pago por esta força de trabalho a seus vendedores não existe, segundo Marx, nenhuma relação econômica nem outro tipo de relação que possa ser racionalmente determinada. O tamanho do valor produzido pelos operários na forma dos produtos de seu trabalho acima do equivalente de seu salário, ou seja, a quantidade de mais-trabalho despendido para criar esta ‘mais-valia’, e a relação deste ‘mais-trabalho’ com o trabalho necessário (isto é a taxa de mais-valia ou a taxa de exploração’ vigente respectivamente por um tempo determinado e em um determinado país) não são, portanto, resultado de um cálculo econômico. São o resultado de uma luta social de classes.” Korsch, op. cit., vol. II, pp. 71-72.33
[X 11]
“O sentido da doutrina marxista do valor não consiste absolutamente..., em última análise, na constituição de uma base teórica qualquer para o cálculo prático dos benefícios particulares que busca o homem de negócios, ou para as medidas político-econômicas do homem de Estado burguês, que se preocupa com a manutenção e o crescimento geral da mais-valia capitalista. Segundo Marx, a finalidade científica de sua teoria consiste em ‘desvendar a lei econômica do movimento da sociedade moderna — e isto significa, ao mesmo tempo, a lei de seu desenvolvimento histórico.” Korsch, op. cit., vol. II, p. 70.34
[X 11a, 1]
“Determinação completa do caráter social real daquele processo fundamental da produção capitalista moderna que é apresentado de maneira unilateral tanto pelos economistas burgueses quanto por seus adversários, os socialistas vulgares, ora como produção de bens de consumo, ora como produção de valor ou como simples produção de lucro”: uma “produção de mais-valia mediante a produção de valor mediante a produção de bens de consumo em uma sociedade na qual os bens de produção materiais entram no processo de produção dominado pelo capitalista como capital, enquanto os produtores reais entram como mercadoria força de trabalho.” Korsch, op. cit., vol. III, pp. 10-11.35
[X 11a, 2]
A experiência de nossa geração: o capitalismo não morrerá de morte natural.
[A experiência da atual geração: o capitalismo morre de forma sangrenta (levando com ele tudo o que ainda resta da vida humana, incluindo a sobrevivência fisica)]. 
 [X 11a, 3]
A disputa entre Lafargue e Jaurès caracteriza muito bem a grande forma do materialismo.
[X 11a, 3]
Fontes de Marx e Engels: “Eles tomaram de empréstimo dos historiadores burgueses do período da Restauração o conceito de classe social e de luta de classes; de Ricardo, a fundamentação econômica das diferenças de classe; de Proudhon, a proclamação do proletariado moderno como a única classe realmente revolucionária; dos denunciadores feudais e cristãos da nova ... ordem econômica, o desmascaramento impiedoso dos ideais liberais burgueses, a invectiva carregada de ódio que atinge fundo o coração; do sooal pequeno-burguês de Sismondi, o desmembramento perspicaz das contradições do modo moderno de produção; dos companheiros iniciais da esquerda hegeliana, principalmente Feuerbach, o humanismo e a filosofia da ação; dos partidos políticos operários seus contemporâneos — os social-democratas franceses e os cartistas ingleses — , o significado da luta política para a classe operária; da Convenção francesa, de Blanqui e dos blanquistas, a doutrina da ditadura revolucionária; de Saint-Simon, Fourier e Owen, todo o conteúdo de seu programa socialista e comunista: a transformação total dos fundamentos da sociedade capitalista vigente, a abolição das classes ... e a transformação do Estado em uma simples instância administrativa da produção.” Korsch, op. cit, vol. III, p. 101.36
[X 12, 1]
“Por meio da referência a Hegel, o novo materialismo da teoria proletária estabeleceu uma conexão com a soma do pensamento social burguês de toda a época anterior, na mesma forma antitética em que, na prática, a ação social do proletariado dá continuidade ao movimento social precedente da classe burguesa.” Korsch, op. cit., vol. III, p. 99.37
[X 12, 2]
Com razão, Korsch afirma  e a esse respeito poderíamos pensar em De Maistre e Bonald: “Assim, a teoria ... do movimento operário moderno foi impregnada também de uma parte daquela ... ‘desilusão’ que ... fora proclamada após a grande Revolução Francesa, primeiro pelos primeiros teóricos franceses da contra-revolução, e depois pelos românticos alemães, desilusão que exerceu uma forte influência sobre Marx, principalmente através de Hegel.” Korsch, op. cit., vol. II, p. 36.38
[X 12, 3]
Conceito de força produtiva: “‘Força produtiva’ é, em primeiro lugar, nada mais do que a real força de trabalho terrena dos homens: a força..., portanto, de produzir ‘mercadorias’ sob condições capitalistas. Tudo que faz aumentar este efeito útil da força de trabalho humana ... é uma nova ‘força produtiva social. Fazem parte das forças de trabalho materiais, além da natureza, a técnica, a ciência, e sobretudo também a própria organização social e as forças sociais criadas ... pela cooperação e pela divisão do trabalho industrial.” Korsch, op. cit., vol. III, pp. 54-55.39
[X 12a, 1] 
26 Op. cit, pp. 115-116. (R.T.)
27 Op. cit, pp. 106-107. (R.T.)
28 Op. cit., pp. 108-110 e 109. (R.T.) 
29 Op. cit, p. 61. (R.T.)
30 Op. cit, p. 107. (R.T.)
31 Op. cit, pp. 89-90. (R.T.)
 
32 Op. cit, pp. 91-92. (R.T.)
33 Op. cit, p. 112; grifos de Benjamín. (R.T.)
34 Op. cit, p. 256. (R.T.)
35 Op. cit, p. 260. (R.T.)
36 Op. cit, pp. 205-206. (R.T.)
  
37 Op. cit. p. 204; cf. também p. 277. (R.T.)
38 Op. cit, p. 84. (R.T.)
39 Op. cit., p. 167. (R.T.) 
 
BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009. 

21.5.26

Enquanto leio: Boris Schnaiderman/Tradução, Ato Desmedido

SCHNAIDERMAN, Boris (1917-2016). Tradução, Ato Desmedido / Boris Schnaiderman; Coleção Debates dirigida por J.Guinsburg. — São Paulo: Perspectiva, 2011. (Debates 321)
 
dou uma (re)espiada em: 
 

POUND, Ezra Loomis (1885-1972). Poesia / Ezra Pound; tradução, organização e notas de Augusto de Campos; traduções de Augusto de Campos, Décio Pignatari, Haroldo de Campos, José Lino Grünewald e Mário Faustino; textos críticos de Haroldo de Campos São Paulo: HUCITEC; Brasília: Ed.Universidade de Brasília, 1993.
MENDES, Murilo (1901-1975). Poesia Completa e Prosa / Murilo Mendes; organização, preparação do texto e notas Luciana Stegagno Picchio; fortuna crítica Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Giuseppe Ungaretti, Ruggero Jacobbi, Jorge Andrade, Haroldo de Campos; homenagens poéticas Manuel Bandeira, Alphonsus de Guimaraens Filho, Jean Arp, Alexandre Eulálio, Aldo Palazzeschi, Lélia Coelho Frota, Sophia de Mello Breyer-Andresen, Carlos Drummond de Andrade, Antonio Ramos Rosa, João Cabral de Melo Neto. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1997. 4v (Biblioteca Luso-brasileira. Série brasileira)

20.5.26

Enquanto leio: Boris Schnaiderman/Tradução, Ato Desmedido

SCHNAIDERMAN, Boris (1917-2016). Tradução, Ato Desmedido / Boris Schnaiderman; Coleção Debates dirigida por J.Guinsburg. — São Paulo: Perspectiva, 2011. (Debates 321)
 
dou uma (re)espiada em: 
 
PÚCHKIN, Aleksandr (1799-1837). A dama de espadas: prosa e poemas / Пиковая дама / Aleksandr Púchkin Алекса́ндр Пу́шкин; tradução de Boris Schnaiderman e Nelson Ascher.  São Paulo: Ed.34, 1999.
  
Poesia Russa Moderna / traduções de Augusto de Campos, Haroldo de Campos, Boris Schnaiderman.  6.ed rev e ampl.  São Paulo: Perspectiva, 2001.  (Signos; 33 / dirigida por Haroldo de Campos)
CAMPOS, Haroldo de (1929-2003). Metalinguagem e outras metas: ensaios de teoria e crítica literária / Haroldo de Campos.  São Paulo: Perspectiva, 2013.  (Debates; 247 / dirigida por J.Guinsburg)
CAMPOS, Augusto de (1931- ). À margem da margem / Augusto de Campos.  São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
BARONE, Orlando. Diálogos Borges Sabato / Jorge Luis Borges (1899-1986); Ernesto Sabato (1911-2011); 1976. 1aed Buenos Aires: Emecé Editores, 2007.
_________________. Diálogos: Borges Sabato / compilados por Orlando Barone; 1976; tradução Maria Paula Gurgel Ribeiro. 1
a
reimpressão São Paulo: Globo, 2005.
MAIAKÓVSKI, Vladimir (1893-1930). Maiakóvski poemas / Vladimir Maiakóvski Владимир Маяковскийtraduções de Boris Schnaiderman, Augusto de Campos e Haroldo de Campos. 6aed1areimpressão— São Paulo: Perspectiva, 2002.  (Signos; 10 / dirigida por Haroldo de Campos)
MANN, Thomas (1875-1955). A Montanha MágicaDer Zauberberg / Thomas Mann; 1924; tradução por Herbert Caro.  São Paulo: Editora Globo, 1952.  (Coleção Nobel / Vol G 35)

entra/Abel Carlevaro/Milán/Sor/sai


CARLEVARO, Abel. Recital de Música Española. Tomas de sonido realizadas entre 1972 y 1974.  Montevideo: Ediciones Tacuapé, 1996.

SOR, Fernando. Twenty Studies for the guitar / Fernando Sor (1778-1839); op35 No13; op6 No2; op31 No19; op31 No16; op6 No6; op35 No16. Andrés Segovia Edition. — Milwaukee: Edward B.Marks Company / Hal • Leonard Corporation, 1945.

MILÁN, Luis de (n. 1500 – 1561 ou possivelmente depois). Pavana I e Pavana II / Luis de Milán / Henrique Pinto (1941–2010). Curso Progressivo de Violão (nível médio) para 2o, 3o e 4o ano (em sequência ao livro Iniciação ao Violão. São Paulo: Ricordi Brasileira, 1982. 

19.5.26

Smiley • Yushi Kamome

Yushi Kamome, um jornalista freelancer falido, tenta reencontrar sentido na própria vida desde a partida de sua esposa, Megumi. Mas a visita de duas mulheres que pregam em nome de uma misteriosa “Igreja do Coração Sorridente” muda o rumo de sua existência. A princípio relutante em ouvi-las, um detalhe chama sua atenção: no panfleto do culto, ele reconhece sua ex-mulher, que estava desaparecida…

Yushi mergulha em uma busca cada vez mais sufocante, enquanto cadáveres começam a surgir pela cidade, com os rostos mutilados e completamente nus…

Smiley foi serializado entre 2021 e 2025 na revista Weekly Manga Goraku. A obra rapidamente se destacou por sua abordagem psicológica sombria e estética visual arrojada, estabelecendo Mitei Hattori como uma das novas vozes mais instigantes do universo 青年漫画. Movido por seu desconforto com sorrisos forçados e inspirado por relatos de ex-membros de seitas religiosas, Hattori explora temas como fé, mecanismos de controle e a ditadura da felicidade imposta pela sociedade.

A edição nacional tem acabamento de luxo, com capa cartão, sobrecapa, papel pólen bold de alta gramatura e miolo com acabamento colado e costurado, garantindo o melhor manuseio das páginas. Além disso, inclui um cartão-postal exclusivo.

Mitei Hattori estreou em 2021 com o fenômeno Smiley, serializado na revista Weekly Manga Goraku (日本文芸社). A obra rapidamente se destacou por sua abordagem psicológica sombria e estética visual arrojada, estabelecendo Hattori como uma das novas vozes mais instigantes do universo 青年漫画. Movido por seu desconforto com sorrisos forçados e inspirado por relatos de ex-membros de seitas religiosas, Hattori explora temas como fé, mecanismos de controle e a ditadura da felicidade imposta pela sociedade. 

Brochura
Formato 15,5 x 22 cm
408 páginas
ISBN 9786584191006
edição: Ferréz e Thiago Ferreira  

entra/beethoven/op 120/sai


 

Beethoven, Ludwig van. Variaciones para piano. (Fugatta, Giuseppe). Trentatre Variazioni, su un Valzer di A.Diabelli, Op120. Ludwig van Beethoven. Buenos Aires: Ricordi Americana S.A.E.C., 1921.

BEETHOVEN, Ludwig van. Diabelli Variations, Op.120 / Ludwig van Beethoven; Marco Alcantara; primeira gravação mundial com piano com a afinação da época[?, segundo os afinadores de máquina do tempo]. São Paulo: Sui Generis, 2006. 

Tenho um amor eterno pelas Folias, Chaconas, Passacaglias e Variações. É impressionante estas Variações que Beethoven fez no início do século 19.

Mas todas as outras já tem uma genialidade, desde o Op34.