12.8.26

continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua

PARALIPÔMENOS83
83 Estas notas, escritas por Walter Benjamin e Franz Hessel, em 1927, para um artigo conjunto sobre as passagens parisienses, foram datilografadas em itálico e são reproduzidas aqui da mesma forma. As anotações à mão por parte de Benjamin são apresentadas em itálico e sublinhadas: as de Hessel, em redondo. Entre colchetes, [...], as notas do editor. (R.T.) 
[...]
Tipografias
[...]
[Tiposcrito 2768]
[...] 
nenhuma responsabilidade
em relação à nova época: no
futuro nada mais pode acontecer

de extinto


* {Baudelaire: A Cabeleira
(La Chevelure). Redon e Baudelaire,
que criaram um mundo próprio a
partir da cabeleira. Vendido e
traído — é um destino que só
compreende nestes espaços. Aqui até
mesmo a cdbeca de Salomé tornou-
-se um acessório; ou melhor, uma
cabeça que vagueia indecisa entre a
de Anna Cyllacs e a de Salomé.}

** (No centro da porta há um espelho e, como todas as paredes
são entrecortadas por espelhos, estamos perdidos em meio de tanta
ambígua claridade
. Paris é a cidade dos espelhos ...)
 

 

não é de se admirar. A madrasta de Branca de Neve tinha pentes assim. E quando o pente não conseguiu cumprir sua tarefa, ele teve que ser substituído por uma maçã vermelha-e-verde.
Lojas de venda de ingressos para os teatros dispõem de lugares à vontade para teatros vazios de
tanto fazer bocejar. E então não seremos enganados caso tenhamos a nosso lado uma criatura
amassada [?] que [interrompido]
Em uma tal loja foi inventado o bilhete de entrada 

 

introduções a vícios ultrapassados,  

 

 

caminho em direção ao inferno 

 

* tais pessoas devem viver aqui, é o que se conclui da fato de que existe uma Agência de emprego para eles 


 E não muito longe dali deve ter ficado a oficina, onde, no fim da época do Biedermeier, o Doutor Milagre criou sua Olímpia. Pois são as verdadeiras fadas destas passagens, mais vendáveis e utilizadas do que as bonecas em tamanho natural, as bonecas parisienses de fama internacional, que giravam sobre um pedestal sonoro, segurando nas mãos uma cestinha de onde, ao som de um acorde em tom menor, uma ovelhinha esticava seu focinho a farejar. 

 

[Tiposcrito 2761-2767] 

BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009. 

continua/CATALVNYA ROMÀNICA XV EL PALLARS: EL PALLARS SOBIRÀ, EL PALLARS JVSSÀ/Antoni Pladevall i Font

 
.
Sant Joan DIsil (o De Gil)
 




i Pont D
Isil & Castell DÀrreu
 
.
Castell DÀrreu & Sant Serni DÀrreu & Pont DÀrreu & Mare de Déu de les Neus DÀrreu

Mare de Déu de les Neus DÀrreu
FONT, Antoni Pladevall i. CATALVNYA ROMÀNICA XV EL PALLARS: EL PALLARS SOBIRÀ, EL PALLARS JVSSÀ / Coordinador científic de lobra Joan-Albert Adell i Gisbert Arquitecte. Amb la col·laboració de la Generalitat de Catalunya i sota l’alt patrocini de L’Organització de les Nacions Unides per a l’educació, la ciència i la cultura (UNESCO). — Barcelona: Fundació Enciclopèdia Catalana, 1993.

9.8.26

continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua

O ANEL DE SATURNO
OU SOBRE A CONSTRUÇÃO EM FERRO  
[...]
Enquanto, num âmbito maior, realizava-se um trabalho heróico em construções exemplares e pioneiras, reina curiosamente, ainda, uma confusão jocosa num âmbito menor. Parece que as pessoas [...] não conseguem utilizar abertamente esse novo material com todas as suas possibilidades. Enquanto deixamos hoje nossos móveis de aço lisos e lustrosos como são, há cem anos padecíamos com o esforço de impingir aos móveis de ferro, já então produzidos, a aparência das madeiras mais nobres, graças às elaboradas camadas de tinta. Na época, começou a ser uma questão de honra produzir vidros imitando porcelana, jóias de ouro imitando correias de couro, mesas de ferro imitando o vime, e coisas desse gênero. Ainda em 1805, um líder da velha escola publicou um texto com o título: “Sobre a incapacidade da matemática em assegurar a estabilidade de construções.”81 [...] Simultaneamente, porém, essa época heróica da técnica encontrou seu monumento na incomparável Torre Eiffel, a respeito da qual o primeiro historiador das construções de ferro escreveu: “Aqui a forma plástica da imagem cede espaço a uma enorme tensão de energia espiritual... Cada uma das 12.000 peças de metal foi milimetricamente definida, como também cada um dos dois e meio milhões de parafusos... Neste canteiro de obras não se ouvia nenhum golpe de formão que retira da pedra a sua forma; mesmo ali o pensamento dominava a força muscular, transferindo-a para seguros andaimes e gruas.”82

81 Charles-François Viel, De Llmpuissance dês Mathématiques pour Assurer la Solidité des Bâtimens <sic>, et Recherches sur la Constructions des Ponts, Paris, 1805. (R.T.)

82 Alfred Gotthold Meyer, Eisenbauten: Ihre Ceschichte und Aesthetik, Esslingen, 1907, p. 93. Cf. F 4a, 2. (R.T.; J.L.) 

 

BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.

Paolo Bacilieri/Fun/entra

BACILIERI,  Paolo (1965- ). Fun / Paolo Bacilieri; tradução Michele Aguiar Vartuli; 2020; contribuição do Ministério das Relações Exteriores e da Cooperação Internacional da Itália [Ministerio degli Affari Esteri e della Cooperazione Internazionale italiano]. — São Paulo: Veneta, 2021.

Petrarca/Il Canzonieri/O Cancioneiro/sai

 
I
Voi chascoltare in riem sparse il suono
Di quei sospiri ondio mudrival core
In sul mio primo giovenile errore,
Quandera in parte altruom da quel chisono
 
Del vario stile in chio piango e ragiono
Fra le vane speranze el van dolore,
Ove sai chi per prova intenda amore,
Spero trovar pietà, non che perdóno.
 
Ma ben veggio or si come al popol tutto
Favola fui gran tempo, onde sovente
Di me medesmo meco mi vergogno;
 
E del mio vaneggiar vergogna èl frutto,
El pentersi, él conoscer chiaramente
Che quanto piace al mondo è breve sogno.

Vós que escutais em rimas espalhado
Desde meu peito o suspirado ardor
E que o nutria ao juvenil error
Quando era mui diverso o meu estado;
 
O incerto estilo por que eu ei variado
Entre a vã esperança e o vão temor,
Se vós houverdes entendido amor
Terá vossa piedade despertado.
 
Vejo que a todos meu amor assim
Quase sempre foi fábula somente.
E agora eu de mim mesmo me envergonho.
 
De minha vida vã vergonha é o fim
E o arrepender-se e o ver mui claramente
Que quanto apraz ao mundo é breve sonho.
XVIII
Madrigal 
Bem vês, Amor, que a tão jovem amada
De ti desdenha e do meu mal não cura,
E é entre dois imigos tão segura.
 
És armado e vem ela desarmada,
E senta-se descalça entre a erva e a rosa,
É-me tão crua e te é tão orgulhosa.
 
Sou preso e sonho que contra a impiedosa
Teu arco uma certeira frecha lança
Para fazer assim nossa vingança. 
L
Talvez suponham que em louvar aquela
Que adoro, eu exagere-lhe o perfil,
Dizendo-a entre as demais, alta e gentil,
Santa, sábia, graciosa, honesta e bela.

Mas eu sinto o contrário; e temo que ela
Despreze o meu louvor por ser tão vil,
Digna de algo mais alto e mais sutil,
E quem não o acredite venha vê-la.

Então dirá: Aquilo a que este aspira
É de estancar Atenas, como Arpino,
Mantua e Smirna e uma e outra lira?³

Língua mortal estado tão divino
Não pudera cantar. Se amor me inspira
Não é por eleição, mas por destino.
LV
Morte, a mais bela face descoraste
E a vista mais fermosa escureceste.
Mais sublimado espírito escolheste
E do corpo mais belo o separaste.
 
Num momento o meu bem todo roubaste,
E o acento mais suave emudeceste.
Quanto eu vejo ou escuto é rudo e agreste,
E cheio de lamentos me deixaste.
 
Oh, torna a consolar tamanha dor,
Clara dama. E a piedade a reconduz
À alma que só por ela vive e espera.

E se como ela fala ou como luz,
Dizer pudesse, acendera eu de amor,
Quanto peito existir de homem ou fera. 
LX
Mia benigna fortuna el viver lieto,
I chiari giorni et le tranquille notti
E i soavi sospiri el dolce stile
Che solea resonare in versi en rime,
Vòlti subitamente in doglia en pianto,
Odiar vita mi fanno, et bramar morte.
Crudel, acerba, inexorabil Morte,
Cagion mi dài di mai non esser lieto,
Ma di menar tutta mia vita in pianto,
E i giorni oscuri et le dogliose notti.
I mei gravi sospir' non vanno in rime,
El mio duro martir vince ogni stile.
Ove è condutto il mio amoroso stile?
A parlar dira, a ragionar di morte.
Usono i versi, uson giunte le rime,
Che gentil cor udia pensoso et lieto;
Ove'l favoleggiar damor le notti?
Or non parlio, né penso, altro che pianto.
Già mi fu col desir sí dolce il pianto,
Che condia di dolcezza ogni agro stile,
Et vegghiar mi facea tutte le notti:
Or mèl pianger amaro piú che morte,
Non sperando mail guardo honesto et lieto,
Alto sogetto a le mie basse rime.
 
[...]

Far mi pò lieto in una on poche notti:
En aspro stile en angosciose rime
prego chel pianto mio finisca Morte.
 
Minha doce fortuna e o viver ledo,
Os claros dias e as tranquilas noites,
O suave suspirar e o doce estilo
Que soia ressoar em verso e rimas,
Mudados são subitamente em pranto,
E assim odeio a vida e anseio a Morte.
 
Cruel, acerba, inexorábil Morte,
Tu não me dás razão de viver ledo,
Mas de levar a minha vida em pranto
E obscuros dias e doridas noites.
Não vai meu suspirar expresso em rimas
E vence meu martírio todo estilo.

Aonde me levou o meu estilo?
A falar de ira, de tristeza e Morte.
Onde esta hora estão versos e rimas
Que gentil coração ouvia ledo?
Onde o amoroso devaneio às noites?
Não penso agora em nada mais que pranto.

Já me foi com o amor tão doce o pranto,
Amor doçura dava ao agro estilo,
Mantendo-me em vigília sempre às noites;
O pranto agora é amaro mais que Morte,
Posto que não espero o olhar tão ledo, 
Tão alto objeto às minhas baixas rimas. 
 
 [...]

Pode fazer-me ledo em poucas noites;
Em duro estilo e em angustiantes rimas
Peço que o pranto meu o acabe a Morte.
 
PETRARCA, Francesco (1304-1374). O Cancioneiro / Il Canzonieri / Francesco Petrarca; tradução, introdução e notas Jamil Almansur Haddad; alguns poemas com reproduções antigas em italiano. — Rio de Janeiro: Ediouro, 1998. (Clássicos de Bolso)

ernesto nazareth/tadeu borges/continua

NAZARETH, Ernesto {1863-1934}. Todo Nazareth: obras completas: caixa com 6 volumes  2o vol: tangos vol 1 O alvorecer; Chave de ouroBatuque; texto de 4a capa: Mario de Andrade / Ernesto Nazareth. Organização: Thiago Cury & Cacá Machado. Direção editorial: Thiago Cury. Consultoria, Catálogo e Imagens: Luiz Antonio de Almeida. Produção Executiva: Joana Cury. Projeto Gráfico: Paulo Vidal de Castro & Thais Vilanova. Edição musical: Maurício De Bonis, Marcus Siqueira, Thomas Hansen & Daniel Bondaczuk de Castro Lobo. Reprodução de partituras: Maurício De Bonis, Thiago Cury & Cacá Machado. Tradução: Alexandre Barbosa de Souza & Alex Barros (Cronologia). Água-Forte Edições Musicais. São Paulo: 2011. fonte de texto: Kennerley (1911), de Frederic Goudy.Papel Pólen Bold 90 g/m2.Projeto Gráfico: Paulo Vidal de Castro & Thais Vilanova. São Paulo: Água Forte Produções, 2011.
 



BORGES, Tadeu. (piano) interpreta Ernesto Nazareth Alvorecer / Chave de Ouro / Batuque / Ernesto Nazareth / Tadeu Borges. Paulus: 2009.

8.8.26

Petrarca/Il Canzonieri/O Cancioneiro/continua

I
Voi chascoltare in riem sparse il suono
Di quei sospiri ondio mudrival core
In sul mio primo giovenile errore,
Quandera in parte altruom da quel chisono
 
Del vario stile in chio piango e ragiono
Fra le vane speranze el van dolore,
Ove sai chi per prova intenda amore,
Spero trovar pietà, non che perdóno.
 
Ma ben veggio or si come al popol tutto
Favola fui gran tempo, onde sovente
Di me medesmo meco mi vergogno;
 
E del mio vaneggiar vergogna èl frutto,
El pentersi, él conoscer chiaramente
Che quanto piace al mondo è breve sogno.

Vós que escutais em rimas espalhado
Desde meu peito o suspirado ardor
E que o nutria ao juvenil error
Quando era mui diverso o meu estado;
 
O incerto estilo por que eu ei variado
Entre a vã esperança e o vão temor,
Se vós houverdes entendido amor
Terá vossa piedade despertado.
 
Vejo que a todos meu amor assim
Quase sempre foi fábula somente.
E agora eu de mim mesmo me envergonho.
 
De minha vida vã vergonha é o fim
E o arrepender-se e o ver mui claramente
Que quanto apraz ao mundo é breve sonho.
XVIII
Madrigal 
Bem vês, Amor, que a tão jovem amada
De ti desdenha e do meu mal não cura,
E é entre dois imigos tão segura.
 
És armado e vem ela desarmada,
E senta-se descalça entre a erva e a rosa,
É-me tão crua e te é tão orgulhosa.
 
Sou preso e sonho que contra a impiedosa
Teu arco uma certeira frecha lança
Para fazer assim nossa vingança. 
L
Talvez suponham que em louvar aquela
Que adoro, eu exagere-lhe o perfil,
Dizendo-a entre as demais, alta e gentil,
Santa, sábia, graciosa, honesta e bela.

Mas eu sinto o contrário; e temo que ela
Despreze o meu louvor por ser tão vil,
Digna de algo mais alto e mais sutil,
E quem não o acredite venha vê-la.

Então dirá: Aquilo a que este aspira
É de estancar Atenas, como Arpino,
Mantua e Smirna e uma e outra lira?³

Língua mortal estado tão divino
Não pudera cantar. Se amor me inspira
Não é por eleição, mas por destino.
LV
Morte, a mais bela face descoraste
E a vista mais fermosa escureceste.
Mais sublimado espírito escolheste
E do corpo mais belo o separaste.
 
Num momento o meu bem todo roubaste,
E o acento mais suave emudeceste.
Quanto eu vejo ou escuto é rudo e agreste,
E cheio de lamentos me deixaste.
 
Oh, torna a consolar tamanha dor,
Clara dama. E a piedade a reconduz
À alma que só por ela vive e espera.

E se como ela fala ou como luz,
Dizer pudesse, acendera eu de amor,
Quanto peito existir de homem ou fera. 
LX
Mia benigna fortuna el viver lieto,
I chiari giorni et le tranquille notti
E i soavi sospiri el dolce stile
Che solea resonare in versi en rime,
Vòlti subitamente in doglia en pianto,
Odiar vita mi fanno, et bramar morte.
Crudel, acerba, inexorabil Morte,
Cagion mi dài di mai non esser lieto,
Ma di menar tutta mia vita in pianto,
E i giorni oscuri et le dogliose notti.
I mei gravi sospir' non vanno in rime,
El mio duro martir vince ogni stile.
Ove è condutto il mio amoroso stile?
A parlar dira, a ragionar di morte.
Usono i versi, uson giunte le rime,
Che gentil cor udia pensoso et lieto;
Ove'l favoleggiar damor le notti?
Or non parlio, né penso, altro che pianto.
Già mi fu col desir sí dolce il pianto,
Che condia di dolcezza ogni agro stile,
Et vegghiar mi facea tutte le notti:
Or mèl pianger amaro piú che morte,
Non sperando mail guardo honesto et lieto,
Alto sogetto a le mie basse rime.
 
[...]

Far mi pò lieto in una on poche notti:
En aspro stile en angosciose rime
prego chel pianto mio finisca Morte.
 
Minha doce fortuna e o viver ledo,
Os claros dias e as tranquilas noites,
O suave suspirar e o doce estilo
Que soia ressoar em verso e rimas,
Mudados são subitamente em pranto,
E assim odeio a vida e anseio a Morte.
 
Cruel, acerba, inexorábil Morte,
Tu não me dás razão de viver ledo,
Mas de levar a minha vida em pranto
E obscuros dias e doridas noites.
Não vai meu suspirar expresso em rimas
E vence meu martírio todo estilo.

Aonde me levou o meu estilo?
A falar de ira, de tristeza e Morte.
Onde esta hora estão versos e rimas
Que gentil coração ouvia ledo?
Onde o amoroso devaneio às noites?
Não penso agora em nada mais que pranto.

Já me foi com o amor tão doce o pranto,
Amor doçura dava ao agro estilo,
Mantendo-me em vigília sempre às noites;
O pranto agora é amaro mais que Morte,
Posto que não espero o olhar tão ledo, 
Tão alto objeto às minhas baixas rimas. 
 
 [...]

Pode fazer-me ledo em poucas noites;
Em duro estilo e em angustiantes rimas
Peço que o pranto meu o acabe a Morte.
 
PETRARCA, Francesco (1304-1374). O Cancioneiro / Il Canzonieri / Francesco Petrarca; tradução, introdução e notas Jamil Almansur Haddad; alguns poemas com reproduções antigas em italiano. — Rio de Janeiro: Ediouro, 1998. (Clássicos de Bolso)

entra/ernesto nazareth/tadeu borges/polcas

NAZARETH, Ernesto {1863-1934}. Todo Nazareth: obras completas: caixa com 6 volumes  1o vol: Polcas A Fonte do Lambary; CaçadoraPipoca; texto de 4a capa: Darius Milhaud / Ernesto Nazareth. Organização: Thiago Cury & Cacá Machado. Direção editorial: Thiago Cury. Consultoria, Catálogo e Imagens: Luiz Antonio de Almeida. Produção Executiva: Joana Cury. Projeto Gráfico: Paulo Vidal de Castro & Thais Vilanova. Edição musical: Maurício De Bonis, Marcus Siqueira, Thomas Hansen & Daniel Bondaczuk de Castro Lobo. Reprodução de partituras: Maurício De Bonis, Thiago Cury & Cacá Machado. Tradução: Alexandre Barbosa de Souza & Alex Barros (Cronologia). Água-Forte Edições Musicais. São Paulo: 2011. fonte de texto: Kennerley (1911), de Frederic Goudy.Papel Pólen Bold 90 g/m2.Projeto Gráfico: Paulo Vidal de Castro & Thais Vilanova. São Paulo: Água Forte Produções, 2011.
 


BORGES, Tadeu. (piano) interpreta Ernesto Nazareth A Fonte do Lambari / Caçadora / Pipoca / Ernesto Nazareth / Tadeu Borges. Paulus: 2009.