10.3.26

continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua

 
<fase média>
Sobre a Exposição universal de Londres de 1851. “Esta exposição obteve sucesso não só no domínio da técnica e das máquinas, mas também no desenvolvimento artístico, e seus efeitos são sentidos por nós até hoje... Perguntamo-nos agora se o movimento que levou à construção de um edifício monumental de vidro e ferro ... não se manifestou igualmente no desenho de móveis e utensílios. Em 1851 essas questões não se colocavam. E no entanto havia muito a observar. Durante as primeiras décadas do século XIX, a indústria de maquinaria da Inglaterra levou a eliminar a decoração supérflua de móveis e utensílios para que as máquinas pudessem fabricá-los mais facilmente. Com isso surgiu, principalmente para os móveis, uma série de formas bastante simples, mas construtivas e extraordinariamente inteligentes, que despertam novamente o nosso interesse hoje em dia. Os móveis ultramodernos de 1900, que dispensam qualquer ornamento e enfatizam as linhas puras, retomam imediatamente aqueles móveis de mogno maciços e ligeiramente torneados de 1830-1850. Ocorre que em 1850 não se apreciava o que, de fato, já havia sido conquistado na busca por novas formas básicas. (Ao contrário, houve uma tendência ao historicismo, que conduziu principalmente à moda renascença.) Julius Lessing, Das halbe Jahrhunden der Weltausstellungen, Berlim, pp. 11-12.
[S 5, 1]
A propósito de Titorelli, em Kafka, fazer uma comparação com o programa dos pintores naturalistas por volta de 1860: “Segundo eles, a posição do artista frente à natureza deve ser ... impessoal — a ponto de ele ser capaz de pintar o mesmo quadro dez vezes seguidas, sem hesitar e sem que as cópias posteriores se diferenciem em nada da cópia precedente. Gisela Freund, La Photographie au Point de Vue Sociologique (manuscrito, p. 128).
[S 5, 2]
[...]
 Influência dos procedimentos de reprodução técnica sobre a teoria da pintura dos realistas: “Segundo eles, a posição do artista frente à natureza deve ser inteiramente impessoal, impessoal a ponto de ele ser capaz de pintar o mesmo quadro dez vezes seguidas, sem hesitar e sem que as cópias posteriores se diferenciem em nada da cópia precedente. Gisèle Freund, La Photographie en France au XIXe Siècle, Paris, 1936, p. 106.
[S 5, 5]
É necessário prestar atenção à relação entre Simbolismo e Jugendstil, o que aponta para o lado esotérico deste último. Thérive escreve na resenha sobre o livro de Édouard Dujardin, Mallarmé par un des Siens, Paris, 1936: “No prefácio astucioso que escreveu para o livro de Édouard Dujardin, o Sr. Jean Cassou explica que o Simbolismo era um empreendimento mísnco e mágico, e que colocava o eterno problema do jargão, ‘gíria sofisticada, onde se apressa a vontade de ausência e de evasão da casta artística’... O Simbolismo se prestara sobretudo aos jogos meio paródicos do sonho, às formas ambíguas, e o comentarista chega a dizer que a mistura de esteticismo e mau gosto no estilo do Chat Noir (caf conc [para café concert], mangas tufadas, orquídeas e penteados com tiaras) foi uma combinação refinada, necessária.” André Thérive, “Les livres”, Le Temps, 25 jun. 1936.
[S 5a, 1]
Denner trabalhou quatro anos em um retrato que está exposto no Louvre, sem hesitar em usar a lupa para conseguir uma fidelidade absoluta na reprodução da natureza. E isto em uma época em que já tinha sido inventada a fotografia. (?) Isto demonstra como é difícil para o homem ceder o seu posto e deixar a máquina comandar em seu lugar. (Cf. Gisèle Freund, La Photographie en France au XIXXIXe Siècle, Paris, 1936, p. 1 12.)
[S 5a, 2]
Em uma prefiguração do Jugendstil, Baudelaire concebe “um quarto que se pareça com um devaneio, um quarto verdadeiramente espiritual... Os móveis têm formas alongadas, prostradas, lânguidas. Os móveis parecem sonhar; dir-se-ia que são dotados de uma vida sonâmbula, como o vegetal e o mineral.” Com isso, ele invoca um ídolo que talvez leve a pensar nas “mães malvadas” de Segantini11 ou em Hedda Gabler, de Ibsen: “o ídolo. Eis o que são esses olhos ... esses sutis e terríveis mirantes, que reconheço por sua assustadora malícia!” Charles Baudelaire, Le Spleen de Paris, Paris, Ed. R. Simon, p. 5 (“La chambre double”).
[S 5a, 3]
[...]
“O que é mais distante de nós que a ambição desconcertante de um Leonardo, que, considerando a Pintura como um fim supremo ou uma suprema demonstração do conhecimento, pensava que ela exigisse a aquisição da onisciência, e que não recuava diante de uma análise geral cuja profundidade e precisão nos confundem? A passagem da antiga grandeza da Pintura a seu estado atual é bem perceptível na obra e nos escritos de Eugène Delacroix. A inquietude, o sentimento de impotência dilaceram esse moderno cheio de idéias, que encontra a cada instante os limites de seus meios em seu esforço de igualar-se aos mestres do passado. Nada revela melhor a diminuição de não sei que força de outrora, de que plenitude, que o exemplo desse tão nobre artista, dividido em si mesmo, e enfrentando vigorosamente o último combate do grande estilo na arte.” Paul Valéry, Pièces sur lArt, Paris, pp. 191-192 (“Autour de Corot”).12
[S 6, 1]
“As vitórias da arte parecem ser conquistadas às custas de uma perda de caráter.” Karl Marx, “Die Revolutionen von 1848 und das Proletariat”, discurso por ocasião do quarto aniversário do Peoples Paper, publicado em The Peoples Paper, em 19 de abril de 1856 [in: Karl Marx als Denker, Mensch und Revolutionär, ed. org. por D. Rjazanov, Viena-Berlim, 1928, p. 42].
[S 6, 2]
O ensaio de Dolf Sternberger, “Hohe See und Schiffbruch” [Alto mar e naufrágio], Die Neue Rundschau, XLVI, 8 ago. 1935, trata das “metamorfoses de uma alegoria”. “A alegoria tornou-se um gênero. O naufrágio como alegoria significava ... a transitoriedade do mundo em geral — o naufrágio como gênero é uma fresta que dá visão sobre um mundo situado além do nosso, uma fresta voltada para uma vida cheia de perigos, que nao é a própria, mas que é necessária... Este gênero heróico permanece sendo o signo sob o qual começa a reorganização e a reconciliação da sociedade”, é o que se lê em uma outra passagem, com especial referência à obra de Spielhagen, Sturmflut [Mar revolto] (1877) (pp. 196 e 199).
[S 6, 3]
“O conforto privado era quase desconhecido entre os gregos; esses cidadãos de pequenas cidades, que erguiam em torno de si tantos admiráveis monumentos públicos, moravam em casas mais que modestas, nas quais alguns vasos — na verdade, obras-primas da elegância — constituíam todo o mobiliário.” Ernest Renan, Essais de Morale et de Critique, Paris, 1859, p. 359 (“La poésie à l’Exposition”). Fazer uma comparação com o caráter dos cômodos na casa de Goethe. — Cf., ao contrário, o amor pelo conforto na produção de Baudelaire.
[S 6, 4]
[...]
Baudelaire na resenha de Madame Bovary: “Realismo — injúria nojenta atirada ao rosto de •andas os analistas, palavra vaga e elástica que significa, para o vulgo, não um método novo de criação, mas uma descrição minuciosa dos acessórios.” Baudelaire, LArt Romantique, p 413.13 
[S 6a, 3]
No capítulo XXIV — “Beaux-Arts”, do Argument du Livre sur la Belgique: “Especialistas. — Um pintor para o sol, um para a neve, um para o clarão da lua, um para os móveis, um para os tecidos, um para as flores — e subdivisão de especialistas ao infinito. - A colaboração necessária, como na indústria.” Baudelaire, Œuvres , vol. II, ed. org. por Y.-G. Le Dantec, lais. 1932, p. 718.14 
[S 6a, 4]
<fase tardia>
“A elevação da vida urbana à qualidade de mito significa imediatamente para os mais lúcidos uma decidida opção pela modernidade. Sabe-se que lugar este último conceito ocupa em Baudelaire... Como ele mesmo o diz, trata-se da questão ‘principal e essencial’ ir saber se seu tempo possui ‘uma beleza particular, inerente às novas paixões’. Conhecemos resposta: é a própria conclusão de seu escrito teórico mais considerável, pelo menos à sua extensão: ‘O maravilhoso nos envolve e nos sacia como a atmosfera, mas nós o vemos... Pois os heróis da Ilíada não chegam aos nossos pés, ó Vautrin, ó Rastignac, ó Birotteau — nem aos teus, ó Fontanarès, que não ousaste contar ao público tuas dores sob fúnebre e convulso que todos assumimos; — e nem aos teus, ó Honoré de Balzac, tu, heróico, o mais singular, o mais romântico e o mais poético entre todos os personagens tiraste do teu seio.’ (Baudelaire, Salon de 1846, cap. XVIII).” Roger Caillois, “Paris, mythe moderne”, Nouvelle Revue Française, XXV, n° 284, 1 maio 1937, pp. 690-691.
[S 7, 1]
Nocapítulo XXIV — “Beaux-Arts” do Argument du Livre sur la Belgique: “Algumas páginas este infame puffiste [charlatão] que se chama Wiertz, paixão dos turistas ingleses.” Baudelaire, Œuvres, vol. II, ed. org. por Y.-G. Le Dantec, Paris, 1932, p. 718. E na p. 720: Pinturaw independentes. — Wiertz. Charlatão. Idiota. Ladrão... / Wiertz, o pintor filósofo Tagarelices modernas. O Cristo dos humanitários... / Tolice análoga à de Victor Hugo, no final das Contemplations. / Abolição da pena de morte. / Poder infinito do homem... / As inscrições nos muros. Graves ofensas contra os críticos franceses e a França, de Wiertz por todo lado... Bruxelas, capital do mundo. Paris província... / Os livros de Wiertz. Plágios. Ele não sabe desenhar, e sua estupidez é tão grande quanto seus colossos. / Em suma, esse charlatão soube fazer seus negócios. Mas o que Bruxelas fará de tudo isso, depois de sua morte? / Os trompe-l’œil. / A Bofetada. / Napoleão no Inferno. / O Leão de Waterloo. / Wiertz e Victor Hugo querem salvar a humanidade.”15 
[S 7, 2]
[...] 
 A vida das flores no Jugendstil: um arco se estende desde as Fleurs du Mal, passando sobre as almas florais de Odilon Redon, até as orquídeas que Proust mescla à vida erótica de Swann.
[S 7a, 3]
As “mães malvadas” de Segantini, enquanto tema do Jugendstil, são parentes próximas das lesbiennes. A mulher depravada mantém-se longe da fertilidade, assim como mantém-se longe dela o sacerdote. De fato, o Jugendstil descreve duas linhas distintas. A da perversão conduz de Baudelaire a Wilde e Beardsley; a linha hierática vai de Mallarmé a George. Finalmente, delineia-se mais fortemente uma terceira linha, a única que extrapolou o domínio da arte. Trata-se da linha da emancipação que, partindo das Fleurs du Mal, liga os subterrâneos de onde surgiu o Tagebuch einer Verlorenen [Diário de uma Garota Perdida]16 aos pontos culminantes de Zaratustra. (Este é o sentido que se pode atribuir à observação de Capus.17)
[S 7a, 4]
O tema da infertilidade: as personagens femininas de Ibsen não dormem com seus maridos; elas caminham “de mãos dadas” com eles ao encontro de algo terrível.
[S 7a, 5]
O perverso olhar floral de Odilon Redon.
[S 7a, 6]
[...]
A idéia do eterno retorno em Zaratustra é, segundo sua verdadeira natureza, uma estilização da concepção do mundo que Blanqui apresenta ainda em seus traços infernais. É uma estilização da existência até os mínimos fragmentos de seu decurso temporal. Não obstante, o estilo de Zaratustra é desmentido pela doutrina exposta nesta obra.
[S 8, 3]
Os três “temas” nos quais se manifesta o Jugendstil: o tema hierático, o tema da perversão, o tema da emancipação. Todos eles têm seu lugar nas Fleurs du Mal, a cada um deles pode-se atribuir um poema representativo do livro. Para o primeiro, “Bénédiction”, para o segundo, “Delphine et Hippolyte”, para o terceiro, “Les litanies de Satan”.
[S 8, 4]
Zaratustra apropriou-se em primeiro lugar dos elementos tectônicos do Jugendstil, em amuraste com seus temas orgânicos. Particularmente as pausas, que são características de anu ritmo, são um contraponto exato ao fenômeno tectônico básico desse estilo, que é a minância da forma vazia sobre a forma cheia.
[S 8, 5]
Canos temas do Jugendstil originaram-se de formas técnicas. Assim, perfis de suportes de ferro aparecem como temas ornamentais em fachadas. (Cf. um ensaio [de Martin?] no Frankfurter Zeitung, por volta de 1926-1929.)
[S 8, 6]
Jugendstil é a segunda tentativa da arte de confrontar-se com a técnica. A primeira foi o Realismo. Neste, o problema se situava mais ou menos na consciência dos artistas. Eles inquietos com os novos procedimentos da técnica de reprodução. (A teoria do Realismo comprova isto; c£ S 5, 5.) No Jugendstil, o problema como tal já havia sido recalcado. Ele não se considerava mais ameaçado pela concorrência da técnica. Assim o confronto com a técnica que está oculto no Jugendstil se tornou tão mais agressivo. Sua recorrência a temas técnicos advém da tentativa de esterilizá-los através da ornamentação. (Aliás, isto conferiu excepcional significado político ao combate que Adolf Loos empreendeu contra o ornamento.)
[S 8a. 1]
O tema fundamental do Jugendstil é a transfiguração da infertilidade. O corpo é desenhado preferencialmente nas formas que precedem a maturidade sexual.
[S 8 a, 2]
O amor lésbico transporta a espiritualização até o regaço feminino. Lá ele hasteia o estandarte lirial do “amor puro”, que não conhece nem a gravidez nem a família.
[S 8a, 3]
[...] 
O Jugendstil é um progresso na medida em que a burguesia se aproxima dos fundamentos técnicos de seu domínio sobre a natureza; um retrocesso, na medida em que lhe falta a força para ainda olhar o cotidiano de frente. (Isto só é possível sob a proteção da mentira da vida. 22) — A burguesia sente que não tem muita vida pela frente, uma razão a mais para ela querer ser jovem. Assim, ela imagina para si uma vida mais longa, ou pelo menos uma bela morte.
[S 9a, 4]
[...] 
A seguinte passagem de Valéry (Œuvres Complètes, J, cit. em Thérive, Le Temps, 20 abr. 1939) pode ser lida como uma réplica a Baudelaire: “O homem moderno é escravo da modernidade... Em breve será necessário construir celas rigorosamente isoladas... Aí serão desprezados a velocidade, o número, os efeitos de massa, de surpresa, de contraste, de repetição, de novidade e de credulidade.”
[S 10, 2]
Sobre a sensação: este arranjo  a novidade e a depreciação que a atinge como um choque — encontrou desde meados do século XIX uma expressão particularmente drástica. A moeda usada nada perde de seu valor; o selo carimbado é depreciado. É sem dúvida o primeiro valor cuja validade é indissociável de seu caráter de novidade. (O reconhecimento do valor coincide aqui com a desvalorização.)
[S 10, 3]
[...]
“Novidade. Vontade de novidade. O novo é um daqueles venenos excitantes que acabam sendo mais necessários que qualquer alimento, e cuja dose é preciso aumentar sempre, uma vez que são nossos senhores, e torná-la mortal porque sem ela morreríamos. É estranho prender-se assim à parte perecível das coisas, que é exatamente sua qualidade de serem novas.” Paul Valéry, Choses Tues, Paris, 1930, pp. 14-15.
[S 10, 6]
Passagem decisiva sobre a aura em Proust. Ele fala de sua viagem a Balbec e comenta que ela provavelmente poderia ser feita hoje em dia de automóvel, e que isto até teria algumas vantagens: “Mas, enfim, o prazer específico da viagem não é poder descer durante o percurso..., mas tornar a diferença entre a partida e a chegada não tão imperceptível, mas tão profunda quanto possível, de forma que se possa senti-la ... intacta, tal como era em nosso pensamento quando nossa imaginação nos levou do lugar em que vivíamos até o coração de um lugar desejado, num salto que nos parecia menos miraculoso por vencer uma distância do que por unir duas individualidades distintas da terra, por nos levar de um nome a outro nome; e esquematizar (melhor que um passeio em que, como se desembarca onde se quer, não há mais chegada) a operação misteriosa que se cumpria nesses lugares especiais, as estações ferroviárias, que não fazem parte, por assim dizer, da cidade, mas contêm a essência de sua personalidade, assim como em uma placa de sinalização trazem seu nome... Infelizmente esses lugares maravilhosos que são as estações, de onde se parte para um destino longínquo, são também lugares trágicos, porque ... é preciso deixar para trás qualquer esperança de voltar e deitar-se em casa, uma vez que se decidiu penetrar no antro empesteado por onde se chega ao mistério, numa dessas grandes oficinas envidraçadas, como a de Saint-Lazare, onde eu ia pegar o trem de Balbec, e que desenrolava por cima da cidade dilacerada um desses imensos céus, nus e pesados com ameaças carregadas de drama, como alguns céus pintados com uma modernidade quase parisiense, de Mantegna ou de Veronesi, e sob o qual não podia se cumprir senão algum ato terrível e solene como a partida em uma estrada de ferro ou a elevação da Cruz.” Marcei Proust, À lOmbre des James Filies en Fleurs, vol. II, Paris, pp. 62-63.24
[S 10a] 
11 O quadro As mães malvadas (O castigo das mães malvadas ou a Infanticida) (1894), do pintor italiano Giovanni Segantini, encontra-se no Kunsthistorisches Museum, em Viena; uma “variante noturna” deste quadro, de 1897, está no Kunsthaus de Zurique. (R.T.) Cf. S 7a, 4. 
12 P. Valéry, Œuvres, ed. org. por J. Hytier, Paris, 1960, vol. II, p. 1323. (R.T.) 
13 Baudelaire, OC II, p. 80. (R.T.) 
14 Op. cit, p. 931 . (J.L.) 
15 Op. c/f., pp. 931 e 935-936. (J.L.) Duas transcrições de Tiedemann foram corrigidas, conforme o texto da ed. de Baudelaire org. por Cl. Pichois: “paixão dos cockneys ingleses” por “paixão dos turistas ingleses” e “Le Livre de Waterloo” por “Le Lion de Waterloo” A Bofetada [de uma dama belga], Napoleão no Inferno e O Leão de Waterloo são títulos de quadros de Wiertz; sobre o primeiro, cf 00, 22. (w.b.)
16 Trata-se de anotações anônimas de uma prostituta, editadas sob o título Tagebuch einer Verlorenen por Margarete Böhme, Berlim 1905. Esse livro foi a base para o filme homônimo de G. W. Pabst, em 1929. (R.T.; w.b.)
17 Talvez uma referência ao escritor francês Alfred Capus (1858-1922). (R.T.) 
22 Cf. Henrik Ibsen; “the saving lie ... is the stimulating principie of life, ... to keep life going”, The Wild Duck [O Pato Selvagem] in: Hedda Gabler and Other Plays, Harmondsworth, Penguin, 1982, pp. 243-244. (E/M)
24 M. Proust, À la Recherche du Temps Perdu, I, pp. 644-645. (J.L.) 
 
BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-WerkWalter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.  

7.3.26

entra/Hugo Pratt/Corto Maltese: Uma balada para o mar salgado/Corto Maltese: Una ballata del mare salato/Umberto Eco

PRATT, Hugo (1927-1995). Corto Maltese: Uma balada para o mar salgado / Corto Maltese: Una ballata del mare salato / Hugo Pratt; prefácio Umberto Eco; tradução Marcello Fontana. – Salvador: Trem Fantasma, 2023.

Sylvia Plath/A redoma de vidro/The bell jar/sai

PLATH, Sylvia (1932-1963). A redoma de vidro / The bell jar / Sylvia Plath; 1963; tradutor Chico Mattoso. 1.ed. São Paulo: Mediafashion, 2016.  (Coleção Folha. Grandes nomes da literatura; v.22) 

Grande (pequeno) romance. Autobiográfico, mantendo várias referências da literatura do séc xx, tudo na sua precisa estrutura (de vidro). Como o personagem da Dra Nolan, aparece pouco, e tem tanta força em tudo depois que aparece (como todos os demais elementos).

Único romance desta poeta.

6.3.26

J.S.Bach/BWV 883; BWV 878/Glenn Gold/sai

Bach J.S. (1685-1750) / O Cravo bem Temperado / 2a parte / J.S.Bach; Revisão de Mugellini; Piano; Fuga XIV (a 3 voci); Fuga IX (a 4 voci). — São Paulo: Ricordi Brasileira, 1976.

Johann Sebastian Bach (1685-1750). Goldberg Varistions, BWV 988 / Glenn Gold, piano; Fugue in F-sharp Minor, BWV 883; Fugue in E Major, BWV 878; Text, with musical score quotations, by Genn Gould; recorded June 1955. — USA: Sony, 2003.

5.3.26

Baby vol3 • Chang Sheng

1º de dezembro de 2043. O “Dia da Extinção” está próximo. Nas ruas devastadas de Taiwan, um parasita misterioso conhecido como Baby transforma pessoas em monstros mecânicos, provocando um verdadeiro massacre e deixando a humanidade à beira do colapso. Atacada por um desses mutantes, Elisa sobrevive, mas um Baby se aloja em sua mão esquerda, sem, no entanto, transformá-la em um híbrido mecânico. Um ano depois, decidida a descobrir a verdade, ela deixa a cidade em busca de respostas. Gravemente ferida, Elisa encontra um esquadrão de resgate em uma missão secreta: escoltar uma jovem enigmática chamada Alice até o último refúgio dos humanos. Encurralados pelos mutantes, eles percebem que Alice pode ser a peça central desse enigma.

Qual é a verdadeira origem de Baby? Talvez a identidade de Alice seja a chave para desvendar a origem do caos…

Este é o terceiro e último volume da série Baby. A edição tem acabamento de luxo, com capa cartão, sobrecapa, papel pólen bold de alta gramatura e miolo com acabamento colado e costurado, garantindo melhor manuseio e durabilidade. Como brinde, acompanha marcador de página e uma luva exclusiva para acomodar os três volumes da coleção.

Chang Sheng nasceu em Taiwan em 1968. Após uma carreira de 15 anos na área da publicidade, decidiu dedicar-se exclusivamente aos mangás aos 35 anos. Com seu estilo único, ele reinterpreta temas de fantasia e ficção científica de maneira realista, frequentemente colocando mulheres como protagonistas. Ao longo dos anos, tornou-se muito popular tanto em Taiwan quanto no Japão, acumulando diversos prêmios: em 2011, recebeu o Golden Comic Awards pelo mangá Baby; em 2013, conquistou o Bronze Award no Japan International Manga Award com Oldman; e em 2017, The Hidden Level recebeu o Grand Prize no Kyoto International Creators Award. Seu projeto mais recente, Yan, já foi traduzido para inglês, italiano, russo, francês e português.












Brochura
Formato 15,5 x 22 cm
312 páginas
ISBN 9786501684062
edição: Ferréz e Thiago Ferreira   

continua/Bertolt Brecht/Poesia/introdução & tradução André Vallias/continua

 2. BERLIM [1924-1933]
 
Blasphemie
 
Wenn es etwas gibt
Was du haben kannst für Geld
Dann nimm dir das Geld
Wenn einer vorüber geht und hat Geld
Schlage ihn auf den Kopf
Und nimm dir sein Geld
Du darfst es.
 
Willst du wohnen in einem Haus?
Gehe in ein Haus
Lege dich in ein Bett
Wenn die Frau herein kommt
Beherberge sie.
Wenn das Dach durchbricht, gehe weg.
Du darfst es.
 
Wenn es einen Gedanken gibt
De du nicht kennst
Denke den Gedanken
Kostet er dich Geld
Verlangt er dein Haus
Denke ihn, denke ihn.
Du darfst es.
 
Im Interesse der Ordnung
Zum Besten des Staates
Für die Zukunf der Menschheit
Zu deinem eigenem Wohlbefinden
Darfst du. [1927]
 
Blasfêmia
 
Se há alguma coisa
Que você pode ter por dinheiro
Tome então o dinheiro
Se alguém passar e tiver dinheiro
Bata-lhe na cabeça
E tome seu dinheiro
Isso você pode.
 
Você deseja morar numa casa?
Entre numa casa
E deite-se na cama
Se a mulher entrar
Abrigue-a.
Se o telhado desabar, dê o fora.
Isso você pode.
Se há um pensamento
Que você não conhece
Pense o pensamento
Se lhe custar dinheiro
Exigir sua casa
Pense-o, pense-o.
Isso você pode.
 
No interesse da ordem
Pro bem do Estado
Pelo futuro da humanidade
Pro seu próprio bem-estar
Você pode.


Ich höre gern meine Rechte aufzählen
Es ist mein Recht
Genug zu essen zu haben
(Mir mein Essen zu nehmen, ist nicht mein Recht)
 
Es ist ein Recht von mir
Unter einem Dach zu schlafen
Aber gibt es so viele Dächer?
Wie es Rechte gibt?
 
Es ist mein Recht
Gerechtigkeit zu bekommen
Eingeladen zu werden
Nicht zu kommen
Einen guten Anzug zu tragen
Einen schlechten zu tragen
 
Geld auszuleihen
Mir einen Tritt in den Hintern geben zu lassen
Ihnen die Wahrheit zu sagen
Die Wahrheit zu hören
 
Vor allem hätte ich doch wohl noch das Recht
Zu leben. [c. 1927]
 
 
Eu gosto de ouvir enumerarem meus direitos
É meu direito
Ter o suficiente pra comer
(Tirar a comida de mim não é meu direito)
 
É um direito meu
Dormir sob um teto
Mas há tanto teto assim?
Tanto quanto há direitos?
 
É meu direito
Rocaber justica
Ser convidado
Não ir
Trajar um bom terno
 
Trajar um ruim
Pedir dinheiro emprestado
Deixar alguém me dar um chute no traseiro
Dizer a verdade a você
Ouvir a verdade
 
Queria ter, acima de tudo, ainda o direito
De viver.
 
Aber wenn sie meine Ansicht kennenlernen
wollen, meine Herren
 
Meine Herrn, das kenne ich alles
Das ist für uns ein Hohn
Liebe, Tugend, Gesundheit
Und das Dümmste der Himmelslohn
Ja Himmel, das ist schön gesagt
Da können Sie von mir einen Tritt haben
Die Frage ist, wer friẞt wen
Sonst wird weiter nichts gefragt
Ein Mensch muß eben Appetit haben
Und dann muß es ohne Mühe gehn [1927]

Mas se quiserem conhecer meu ponto
de vista, Senhores
 
Senhores, sei disso tudo
É um insulto para nós
Amor, saúde, virtude
E o Reino dos Céus, que tolice atroz
Sim, Céu, bonito falar
Mas mando vocês praquele lugar
A questão é quem devora
Quem, sem mais perguntas: ora
Tem que ter apetite a pessoa
Pra que tudo corra numa boa

Die Seeräuber-Jenny oder Träume eines Küchenmädchens

Meine Herrn, heute sehn Sie mich Gläser abwaschen
Und ich mache das Bett für jeden
Und Sie geben mir einen Penny und ich bedanke mich schnell
Und Sie sehen meine Lumpen und dies lumpige Hotel
Und Sie wissen nicht, mit wem Sie reden.
Aber eines Abends wird ein Geschrei sein am Hafen.
Und man fragt: “Was ist das für ein Geschrei?
Und man wird mich lächeln sehn bei meinen Gläsern
Und man sagt: “Was löchelt die dabei?
Und ein Schiff mit acht Segeln
Und mit fünfzig Kanonen
Wird liegen am Kai.
 
Man sagt: “Geh, wisch deine Gläser, mein Kind
Und man reicht mir den Penny hin
Und der Penny wird genommen und das Bett wird gemacht
Es wird keiner mehr drin schlafen in dieser Nacht
Und sie wissen immer noch nicht, wer ich bin.
Aber eines Abends wird ein Getös sein am Hafen
Und man frogt: “Was ist das für ein Getös
Und man wird mich stehen sehn hinterm Fenster
Und man fragt: “Was lächelt die so bös?
Und das Schiff mit acht Segeln
Und mit fünfzig Kanonen
Wird beschießen die Stadt.
 
Meine Herren, da wird wohl ihr Lachen aufhörn
Denn die Mauern werden fallen hin
Und die Stadt wird gemacht dem Erdboden gleich
Nur ein lumpiges Hotel wird verschont von jedem Streich
Und man fragt: “Wer wohnt Besonderer darin?
Und in dieser Nacht wird ein Geschrei um das Hotel sein
Und man fragt: “Warum wird das Hotel verschont?
Und man wird mich sehen treten aus der Tür gen Morgen
Und man sagt: “Die hat darin gewohnt?
Und das Schiff mit acht Segeln
Und mit fünfzig Kanonen
Wird beflaggen den Mast.
 
Und es werden kommen Hundert gen Mittag an Land
Und werden in den Schatten treten
Und fangen einen jeglichen aus jeglicher Tür
Und legen in Ketten und bringen zu mir
Und fragen: “Welchen sollen wir töten?
Und an diesem Mittag wird es still sein am Hafen
Wenn man fragt, wer wohl sterben muß
Und dann werden sie mich sagen hören: “Alle!
Und wenn dann der Kopf fällt, sag ich: “Hoppla!
Und das Schiff mit acht Segeln
Und mit fünfzig Kanonen
Wird entschwinden mit mir. [1927]
 
Jenny Bucaneira ou Sonhos de uma ajudante de cozinha
 
Senhores, hoje vocês me veem lavando copos
E eu faço a cama de todo mundo
E vocês me dão um vintém e eu agradeço na hora
E vocês veem os meus trapos e este hotel imundo.
E vocês não sabem com quem jogam conversa fora.
Mas uma tarde vai ter gritaria no porto
E vão perguntar: “Essa gritaria quem faz?
E vão me ver rindo enquanto lavo os copos
E vão dizer: “Mas do que ela ri ali atrás?
E o navio com oito velas
E com cinquenta canhões
Atraca no cais.
 
Eles dizem: “Lava os teus copos, garota
E me oferecem mais um vintém
E o vintém é aceito e a cama é arrumado
Mas nesta noite não vai dormir ninguém
E de mim eles ainda não sabem nada.
Mas uma tarde vai ter alvoroço no porto
E vão perguntar: “Mas o que é esse alvoroço?
E vão me ver em pé, atrás das janelas
E vão perguntar: “Por que esse riso maldoso?
E o navio com oito velas
E com cinquenta canhões
Arrasa a cidade.
 
Senhores, aí o riso de vocês se acabe
Porque as muralhas vieram ao chão
E desmoronado ficou a cidade
Só um imundo hotel escapa ons firos de conhão
E vão perguntor: “More all ume celebridade?
E nesto noite voi ter gritario em voho do hotel
E vão perguntar, “Por que pouparam essa ruína?
E vão me ver saindo do hotel pela manhã
E vão falar: “Era ali que morava a menina?
E o navio com oito velas
E com cinquenta canhões
Desfroldo a bandeira.

E uns cem vão descer à terra ao meio-dia
E vão se esgueirar por entre as sombras
E aprisionar cada um de porta em porta
E vão trazer até mim ocorrentados
E vão perguntar: “Qual dessas gentinhas deve ser morto?
E nesse meio-dia emudece o porto
Quando se pergunta quem deve ser morto
E então eles vão me ouvir dizendo: “Todos!
E quando a cabeça cai, eu grito: “Hurra!
E o navio com oito velas
E com cinquenta canhões
Zarpa comigo.
 
Die Ballade vom Nein und Ja
 
Einst glaubte ich, als ich noch unschuldig war
Und das war ich einst grad so wie du 
Vielleicht kommt auch zu mir einmal einer
Und dann muß ich wissen, was ich tu.
Und wenn er Geld hat, und wenn er nett ist
Und sein Kragen ist auch werktags rein
Und wenn er weiß, was sich bei einer Dame schickt
Dann sage ich ihm: Nein!
Da behält man seinen Kopf oben
Und man bleibt ganz allgemein.
Sicher scheint der Mond die ganze Nacht
Sicher wird das Boot am Ufer losgemacht
Ja, aber weiter kann nichts sein.
Ja, da kann man sich doch nicht nur hinlegen
Ja, da muß man kalt und herzlos sein
Ja, da könnte doch viel geschehen
Ach, da gibt's überhaupt nur: Nein!
 
Der erste, der kam, war ein Mann aus Kent
Der war, wie ein Mann sein soll.
Der zweite hatte drei Schiffe im Hafen
Und der dritte war nach mir toll.
Und als sie Geld hatten und als sie nett waren
Und ihr Kragen war auch werktags rein

Und als sie wußten, was sich bei einer Dame schickt
Da sagte ich ihnen: Nein.
Da behielt ich meinen Kopf oben
Und ich blieb ganz allgemein.
Sicher schien der Mond die ganze Nacht
Sicher ward das Boot am Ufer losgemacht
Ja, aber weiter konnte nichts sein.
Ja, da kann man sich doch nicht nur hinlegen,
ja, da mußt' ich kalt und herzlos sein.
Ja, da könnte doch viel geschehen
Aber da gibt's überhaupt nur: Nein!
 
Jedoch eines Tages, und der Tag war blau
Kam einer, der mich nicht bat
Und er hängte seinen Hut an den Nagel in meiner Kammer
Und ich wußte nicht was ich tat.
Und als er kein Geld hatte, und als er nicht nett war,
Und sein Kragen war auch am Sonntag nicht rein
Und als er nicht wußte, was sich bei einer Dame schickt
Zu ihm sagte ich nicht: Nein.
Da behielt ich meinen Kopf nicht oben
Und ich blieb nicht allgemein.
Ach, es schien der Mond die ganze Nacht
Und es ward das Boot am Ufer festgemacht
Und es konnte gar nicht anders sein.
Ja, da muß man sich doch einfach hinlegen
Ja, da kann man doch nicht kalt und herzlos sein.
Ach, da mußte soviel geschehen
Ja da gab's überhaupt kein Nein! [1927]
 
Balada do sim e não
 
Acreditava, quando eu era pura
Sim, isso eu fui assim como você 
Que se talvez também me viesse um
Teria que saber o que fazer.
Se ele é gentil e for cheio da grana
Conserva o colarinho branco na semana
Sabe tratar uma dama com educação
Então lhe digo: nãol
Depois espicho o colo
E sigo o protocolo.
É claro, a lua brilha a noite inteira.
É claro, o barco fica ali na beira.
Sim, porém não tem prorrogação.
Sim, não pode apenas se deitar
Sim, nada de abrir o coração
Sim, sabe-se lá o que vai rolar
Ah, aí só pode ser um: não!
 
O primeiro que veio era de Kent
Era tal qual um homem deve ser
O segundo possuia três navios
O terceiro gamou de enlouquecer.
E como são gentis, cheios da grana
Conservam o colarinho branco na semana

Sabem tratar uma dama com educação
Então lhes disse: não.
Espichei depois o colo
E segui o protocolo.
É claro, a lua brilha a noite inteira.
É claro, o barco fica ali na beira.
Sim, porém não tem prorrogação.
Sim, não pode apenas se deitar
Sim, nada de abrir o coração
Sim, sabe-se lá o que vai rolar
Ah, aí só pode ser um: não!
 
Mas um dia, e o dia estava azul
Veio um que nada me pedia
Pendurou seu chapéu num prego do meu quarto
E eu não sabia mais o que eu fazia.
Mas como é descortês e não tem grana
Seu colarinho é sujo até em fim-de-semana
Nunca tratou uma dama com educação
A ele, eu não disse: não.
Não espichei depois o colo
E nem segui o protocolo.
Ah, a lua brilhou a noite inteira
O barco ficou preso ali na beira.
Mas de outra forma não deu, não
Sim, aí basta apenas se deitar
Sim, aí tem que abrir o coração
Ah, aí tanta coisa vai rolar
Sim, aí não teve nenhum não!

700 Intellektuelle beten einen Öltank an
 
1
Ohne Einladung
Sind wir gekommen
700 (und viele sind noch unterwegs)
Überall her, wo kein Wind mehr weht
Von den Mühlen, die langsam mahlen, und
Von den Ofen, hinter denen es heißt
 
2
Daß kein Hund mehr vorkommt
Und haben dich gesehen
Plötzlich über Nacht
Öltank.
 
3
Gestern warst du noch nicht da
Aber heute
Bist nur du mehr.
 
4
Eilet herbei, alle!
Die ihr absägt den Ast, auf dem ihr sitzet
Werktätigel
Gott ist wiedergekommen
In Gestalt eines Öltanks.
 
5
Du Häßlicher
Du bist der Schönste!
Tue uns Gewalt an
Du Sachlicher!
Lösche aus unser Ich!
Mache uns kollektivl
Denn nicht, wie wir wollen
Sondern wie du willst.
 
6
Du bist nicht gemacht aus Elfenbein
Und Ebenholz, sondern aus
Eisen.
Herrlich! Herrlich! Herrlich!
Du Unscheinbarer!
 
7
Du bist kein Unsichtbarer
Nicht unendlich bist dul
Sondern sieben Meter hoch.
In dir ist kein Geheimnis
Sondern Öl.
Und du verfährst mit uns
Nicht noch Gutdünken noch unerforschlich
Sondern nach Berechnung.
 
Was ist für dich ein Gras?
Du sitzest darauf.
Wo ehedem ein Gras war
Da sitzest jetzt Du, Oltank!
Und vor Dir ist ein Gefühl
Nichts.
 
9 
Darum erhöre uns
Und erlöse uns von dem Übel des Geistes
Im Namen der Elektrifizierung
Des Fordschrift und der Statistik. [1927]

700 intelectuais rezam a um tanque de petróleo
 
1
Sem convite
Nós viemos
700 (e muitos estão ainda a caminho)
De todo lugar onde não venta mais
Dos moinhos que moem devagar, e
Dos fornos, atrás dos quais, se diz
Que nenhum cão aparece mais
 
2
E súbito avistamos você
À noite, tanque de
Petróleo.

3
Ontem você não estava ainda aí
Mas hoje
Só você é mais.
 
4
Depressa, venham todos!
Vocês que serram o galho em que estão sentados
Trabalhadores!
Deus voltou na forma de um
Tanque de petróleo.

5
Você, o feio
É o mais bonito!
Violente-nos
Você, tão objetivol
Apague o nosso eul
Torne-nos coletivos!
Seja feita: não a nossa
Mas a sua vontade.
 
Você não é feito de marfim
E ébano, mas de
Ferro.
Forte! Forte! Forte!
Você, imperceptivel!
 
7
Você não é nenhum invisível
E infinito você não é
Você tem sete metros de altura.
Em você não há mistério
Mas petróleo.
E você não nos trata
Com capricho ou despropósito
Mas com cálculo.
 
8
O que é para você a relva?
Você está sentado nela.
Onde antes havia relva
Lá está você, tanque de petróleo
E diante de você um sentimento é
Nada.

9
Por isso escute-nos
E livre-nos do mal do espírito
Em nome da fordificação
Do dieselvolvimento e da estatística.
SEALIM
221

Morgenchoral für Jedermann
 
Wach auf, du verrotteter Christ!
Mach dich an dein sündiges Leben
Zeig, was für ein Schurke du bist
Der Herr wird es dir dann schon geben.
 
Verkauf deinen Bruder, du Schuft!
Verschacher dein Ehweib, du Wicht!
Der Herrgott, für dich ist er Luft?
Er zeigt dir's beim jüngsten Gericht! [1928]

Coral matutino para um qualquer
 
Ei, cristão enferrujado, acordal
Gás na tua vida de pecado
Mostra a tua classe de calhorda
O teu troco, Deus já pôs de lado!
 
Vende o teu irmão, seu mau-caráter!
Vai, leiloa a esposa, sacripanta!
Achas que o Senhor apenas late
No Juízo Final, Ele te janta!
 
Grabschrift 1919
 
Die rote Rosa nun auch verschwand.
Wo sie liegt, ist unbekannt.
Weil sie den Armen die Wahrheit gesagt
Haben die Reichen sie aus der Welt gejagt. [1929]
 
Epitafio 1919
 
Rosa, a vermelha, se foi também.
Onde jaz, não sabe ninguém.
Falou a verdade aos pobres, por isso
Os ricos do mundo lhe deram sumiço.

BRECHT, Bertolt. 1898-1956. Poesia / Bertolt Brecht (Eugen Bertholt Friedrich Brecht); 300 poemas (edição bilíngue); fragmentos dos diários, anotações autobiográficas, 20 textos sobre poesia; seleção, introdução & tradução André Vallias; texto de 2a capa Augusto de Campos; e 3a capa Lion Feuchtwanger (1928).  São Paulo: Perspectiva, 2019. – (Coleção Signos; 60 / dirigida por Augusto de Campos)