tacet
silenciós
13.7.26
continua/CATALVNYA ROMÀNICA XV EL PALLARS: EL PALLARS SOBIRÀ, EL PALLARS JVSSÀ/Antoni Pladevall i Font
Charles Baudelaire/Poesia e prosa poética/Pequenos Poemas em Prosa [O Spleen de Paris]/Aurélio Buarque de Holanda Ferreira/continua
Charles Baudelaire. Fotografia de Nadar.
XII
AS MULTIDÕES
NEM A TODOS é dado tomar um banho de multidão: gozar da multidão é uma arte; e só pode fazer, à custa do gênero humano, uma farta refeição de vitalidade, aquele em quem uma fada insuflou, no berço, o gosto do disfarce e da máscara, o horror ao domicílio e a paixão da viagem.
Multidão, solidão: termos iguais e conversíveis para o poeta diligente e fecundo. Quem não sabe povoar sua solidão também não sabe estar só em meio a uma multidão atarefada.
O poeta goza do incomparável privilégio de ser, à sua vontade, ele mesmo e outrem. Como as almas errantes que procuram corpo, ele entra, quando lhe apraz, na personalidade de cada um. Para ele, e só para ele, tudo está vago; e, se alguns lugares parecem vedados ao poeta, é que a seus olhos tais lugares não valem a pena de uma visita.
O passeador solitário e pensativo encontra singular embriaguez nessa comunhão universal. Aquele que desposa facilmente a multidão conhece gozos febris, de que estarão privados para sempre o egoísta, fechado com um cofre, e o preguiçoso, encaramujado feito um molusco. Ele adota todas as profissões, todas as alegrias e todas as misérias que as circunstâncias lhe deparam.
Aquilo a que os homens chamam amor é muito pequeno, muito limitado e muito frágil, comparado a essa inefável orgia, a essa sagrada prostituição da alma que se dá inteira, poesia e caridade, ao imprevisto que surge, ao desconhecido que passa.
É bom alguma vez lembrar aos felizes deste mundo, ao menos para lhes humilhar por um instante o orgulho tolo, que há felicidades superiores à deles, mais vastas e mais requintadas. Os fundadores de colônias, os pastores de povos, os padres missionários exilados no fim do mundo, conhecem, por certo, algo dessas misteriosas embriaguezes; e, no seio da vasta família que seu gênio criou, eles devem por vezes rir daqueles que lhes deploram o destino tão agitado e a vida tão casta.
XIII
BAUDELAIRE, Charles. 1821-1867. Poesia e prosa / Pequenos Poemas em Prosa [O Spleen de Paris], tradução Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, tradução do poema epílogo de Manuel Bandeira / Charles Baudelaire; volume único; edição organizada por Ivo Barroso; traduções, introduções e notas: Ivan Junqueira, Alexei Bueno; Antônio Paulo Graça, Aurélio Buarque de Holanda Ferreiro, Cleone Augusto Rodrigues, Fernando Guerreiro, Heitor Ferreira da Costa, Ivan Junqueira, Joana Angélica dÁvila Melo, José Saramago, Maiza Martins de Siqueira, Manuel Bandeira, Marcella Mortara, Mário Pontes, Marise M.Curioni, Plínio Augusto Coêlho, Suely Cassal, Wilson Coutinho; revisão geral e notas adicionais Ivo Barroso. — Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1995.
entra/O Gabinete do Dr Caligari/Das Cabinet des Dr Caligari/Robert Wiene/sai
abel carlevaro/Villa-Lobos/Preludio No3; Estudio No10; Estudio No1/Prélude No3; Étude No10; Étude No1/Augustín Barrios/Las abejas/As abelhas/sai
CARLEVARO, Abel. En Estudios de Grabación 1949/1980 Abel Carlevaro; Heitor Villa-Lobos: Preludio No3, Estudio No10, Estudio No1; Augustín Barrios (Mangoré): Las abejas. – 5/6. Montevideo: Ayui/Ediciones Tacuapé s.r.l; 2010.

continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua
[A 2, 2]
Sarah Bernhardt
Charles Baudelaire. Fotografia de Nadar.
Cocotes com crinolinas. Litografia de Honoré Daumier.
Litografia de Honoré Daumier do Nadar fotografando e os Esgotos de Paris, fotografados por Nadar (1861-1862).
Esquerda: Alexandre Dumas, pai, 1855. Fotografia de Nadar (esquerda). Dumas empregava mais de 8000 pessoas para os romances publicados com seu nome.
Direita: “Esta obra é minha pois eu a assino.”
“Um pobre diabo observa com tristeza um jovem senhor que assina o quadro que ele havia pintado.”
Manuscrito das Passagens, em caracteres góticos. de [N 1, 1] até [N1, 11].
N
[Teoria do Conhecimento, Teoria do Progresso]
[...]
“A reforma da consciência consiste apenas em despertar o mundo ... do sonho de si mesmo.”
Karl Marx, Der historische Materialismus: Die Frühschriften, Leipzig, 1932, vol. I, p. 226 (Carta de Marx a Ruge, Kreuzenach, setembro de 1843.)
Nos domínios de que tratamos aqui, o conhecimento existe apenas em lampejos. O texto é o trovão que segue ressoando por muito tempo.
[N 1, 1]
Comparação das tentativas dos outros com empreendimentos de navegação, nos quais os navios são desviados do Pólo Norte magnético. Encontrar esse Pólo Norte. O que são desvios para os outros, são para mim os dados que determinam a minha rota. - Construo meus cálculos sobre os diferenciais de tempo - que, para outros, perturbam as “grandes linhas” da pesquisa.
[N 1, 2]
Dizer algo sobre o próprio método da composição: como tudo em que estamos pensando durante um trabalho no qual estamos imersos deve ser-lhe incorporado a qualquer preço, Seja pelo fato de que sua intensidade aí se manifesta, seja porque os pensamentos de ão carregam consigo um télos em relação a esse trabalho. É o caso também deste projeto, que deve caracterizar e preservar os intervalos da reflexão, os espaços entre as partes essenciais deste trabalho, voltadas com máxima intensidade para fora.
[N 1, 3]
[…]
O pathos deste trabalho: não há épocas de decadência. Tentativa de ver o século XIX de maneira tão positiva quanto procurei ver o século XVII no trabalho sobre o drama barroco.1 Nenhuma crença em épocas de decadência. Assim também (fora dos limites) qualquer cidade para mim é bela; e, por isso, não acho aceitável qualquer discurso sobre o valor maior ou menor das línguas.
1 W. Benjamin, Ursprung des deutschen Trauerspiels (1928), in: GS I, 203-430; Origem do Drama Barroco Alemão (ODBA). (R.T.; w.b.)
[N 1, 6]
[...]
Este trabalho deve desenvolver ao máximo a arte de citar sem usar aspas. Sua teoria está intimamente ligada à da montagem.
[N 1, 10]
Referências topográficas das Passagens
BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.
11.7.26
Charles Baudelaire/Poesia e prosa poética/Pequenos Poemas em Prosa [O Spleen de Paris]/Aurélio Buarque de Holanda Ferreira/continua
VIII
O Cão e o Frasco
— Meu belo cão, meu cãozinho,
meu querido totó, vem cá, vem respirar um excelente perfume comprado
no melhor perfumista da cidade .
E o cão, agitando a cauda, o que é, suponho, entre esses pobres seres, o sinal correspondente ao riso e
ao sorriso, aproxima-se e, curioso, mete o nariz úmido no frasco
destampado; porém subitamente, recuando de susto, late contra mim, à
feição de reprimenda .
— Ah, miserável cão! Se eu te houvesse
oferecido um embrulho de excremento, decerto o cheirarias com delícia e
talvez o tivesses devorado. Assim, ó indigno companheiro de minha
triste vida, tu te assemelhas ao público, a quem nunca se devem
apresentar perfumes delicados, que o exasperam, mas imundíces
cuidadosamente escolhidas.
BAUDELAIRE, Charles. 1821-1867. Poesia e prosa / Pequenos Poemas em Prosa [O Spleen de Paris], tradução Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, tradução do poema epílogo de Manuel Bandeira / Charles Baudelaire; volume único; edição organizada por Ivo Barroso; traduções, introduções e notas: Ivan Junqueira, Alexei Bueno; Antônio Paulo Graça, Aurélio Buarque de Holanda Ferreiro, Cleone Augusto Rodrigues, Fernando Guerreiro, Heitor Ferreira da Costa, Ivan Junqueira, Joana Angélica dÁvila Melo, José Saramago, Maiza Martins de Siqueira, Manuel Bandeira, Marcella Mortara, Mário Pontes, Marise M.Curioni, Plínio Augusto Coêlho, Suely Cassal, Wilson Coutinho; revisão geral e notas adicionais Ivo Barroso. — Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1995.
Casablanca • Michael Curtiz • Humphrey Bogart • Ingrid Bergman • Claude Rains • Peter Lorre • Marcel Dalio • Cinesesc
CineSesc: Clássicos do Cinema de Rua
Aquele filme bem Hollywood, onde, mesmo se você nunca assistiu, já assistiu muitas vezes. Mas este tem aquele interesse que os atores estrangeiros interpretam estrangeiros (mesmo que falando inglês, como disse na primeira frase). Mas, mesmo entre clichês, até chorei na sequencia da ajuda no jogo para o casal juntar dinheiro (e nem um pouco pela sequencia final).continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua
[Materialismo Antropológico, História das Seitas]
[École Polytechnique]
As tendências pós-revolucionárias da arquitetura, que se manifestam em Ledoux, são caracterizadas por estruturas separadas em forma de blocos, aos quais se acrescentam, muitas vezes, escadas e pedestais “modulares”. Talvez seja possível perceber neste estilo um reflexo da arte napoleônica da guerra. A isso se acrescenta o empenho de criar certos efeitos por meio de massas. Segundo Kaufmann, “a arquitetura revolucionária pretendia impressionar valendo-se de massas gigantescas, do ímpeto das formas — daí a preferência pelas formas egípcias, que se expressava já antes da campanha napoleônica — e, finalmente, do tratamento do material. A bossagem ciclópica das Salinas, a possante estrutura do Palais de Justice de Aix, a extrema severidade da penitenciária projetada para esta cidade ... dão uma idéia exata dessa aspiração.” Emil Kaufmann, Von Ledoux bis Le Corbusier, Viena-Leipzig, 1933, p. 29.
10.7.26
Stage Struck / Este Mundo é um Teatro • Gloria Swanson • Allan Dwan • Cinesesc
CineSesc: Clássicos do Cinema de Rua
Filme de 1925 que já tinha toda a estrutura repetida ad infinitum pelo cinema Hollywoodiano. Sem contar a qualidade de grandes narrações através de imagens, o que se perdeu no cinema comercial pós-som (e grande parte do não comercial do mundo também...). Bom filme.
As sequências de abertura e final foram filmadas em cor (Technicolor) (em 25!).
Com a famosa, na época, Gloria Swanson. Que todos atualmente conhecem como protagonista de Sunset Boulevard (Crepúsculo dos Deuses) do Billy Wilder.
entra/abel carlevaro/Carlos García Tolsa/Enriqueta (habanera)/sai
Carlos García Tolsa nasceu na Península Ibérica (1858) e morreu em Montevideo (1905). A música Enriqueta foi composta por ele, conhecia por este CD que tenho do Abel Carlevaro. Um dia eu encontrei esta partitura no IMSLP do Francisco Tárrega (1852-1902) com o nome, impreciso, de Tango (!?).
CARLEVARO, Abel. Música popular del Río de la Plata / Carlos García Tolsa (1858 - 1905): Enriqueta (habanera). – 4. Montevideo: Ayui/Ediciones Tacuapé s.r.l; 2003.
8.7.26
continua/CATALVNYA ROMÀNICA XV EL PALLARS: EL PALLARS SOBIRÀ, EL PALLARS JVSSÀ/Antoni Pladevall i Font

continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua
A experiência [Erfahrung] é o fruto do trabalho, a vivência [Erlebnis] é a fantasmagoria do ocioso.3


































