20.2.26

continua/Bertolt Brecht/Poesia/introdução & tradução André Vallias/continua

 2. BERLIM [1924-1933]
 
 
1
Auf nach Mahagonny
Die Luft ist kühl und frisch
Dort gibt es Pferd- und Weiberfleisch
Whisky- und Pokertisch.
Schöner grüner Mond von Mahagonny, leuchte uns!
Denn wir haben heute hier
Unterm Hemde Geldpapier
Für ein großes Lachen deines großen dummen Munds.
 
2
Schöner grüner Mond von Mahagonny
Der Ostwind, der geht schon 
Dort gibt es frischen Fleischsalat
Und keine Direktion.
Schöner grüner Mond von Mahagonny, leuchte uns!
Denn wir haben heute hier
Unterm Hemde Geldpapier
Für ein großes Lachen deines großen dummen Munds.

 
3
Auf nach Mahagonny
Das Schiff wird losgeseilt
Die Zi-zi-zi-zi-zivilis
Die wird uns dort geheilt.
Schöner grüner Mond von Mahagonny, leuchte uns!
Denn wir haben heute hier
Unterm Hemde Geldpapier
Für ein großes Lachen deines großen dummen Munds. [1924-1925]

 
Cântico de Mahagonny nº1
 
1
Vamos pra Mahagonny
O ar é fresco e frio e, diz que
Lá tem carne de mula e mulher
Mesas de pôquer e uísque.
Lua verde de Mahagonny, nos ilumina!
Nossa cueca está forrada
De cédulas, pra risada
Graúda da tua boca gigante e cretina.
 
 
2
Vamos pra Mahagonny
Que o leste já está ventando
Lá tem salpicão de carne
Fresco e nem sinal de mando.
Lua verde de Mahagonny, nos ilumina!
Nossa cueca está forrada
De cédulas, pra risada
Graúda da tua boca gigante e cretina.
 
 
3
Vamos pra Mahagonny
O navio vai zarpar.
Lá, da si-fi-li-za-ção
Enfim vamos nos curar.
Lua verde de Mahagonny, nos ilumina!
Nossa cueca está forrada
De cédulas, pra risada
Graúda da tua boca gigante e cretina.
 
 
Vom Geld
 
Vor dem Taler, Kind, fürchte dich nicht.
Nach dem Taler, Kind, sollst du dich sehnen.
Wedekind
 
Ich will dich nicht zur Arbeit verführen.
Der Mensch ist zur Arbeit nicht gemacht.
Aber das Geld, um das sollst du dich rühren!.
Das Geld ist gut. Auf das Geld gib acht!
 
Die Menschen fangen einander mit Schlingen.
Gross ist die Bösheit der Welt.
Darum sollst du dir Geld erringen
Denn größer ist ihre Liebe zum Geld.
 
Hast du Geld, hängen alle an dir wie Zecken:
Wir kennen dich wie das Sonnenlicht.
Ohne Geld müssen dich deine Kinder verstecken
Und müssen sagen, sie kennen dich nicht.
 
Hast du Geld, musst du dich nicht beugen!
Ohne Geld erwirbst du keinen Ruhm.
Das Geld stellt dir die grossen Zeugen.
Geld ist Wahrheit. Geld ist Heldentum.
 
Was dein Weib dir sagt, das sollst du ihr glauben.
Aber komme nicht ohne Geld zu ihr:
Ohne Geld wirst du sie um deiner berauben
Ohne Geld bleibt bei dir nur das unvernünftige Tier.
 
Dem Geld erweisen die Menschen Ehren.
Das Geld wird ueber Gott gestellt.
Willst du deinem Feind die Ruhe im Grab verwehren
Schreibe auf seinen Stein: Hier ruht Geld. [1926]
 
 
Do dinheiro
 
Do táler, guri, não tenhas medo.
O táler, guri, tens que almejar.
Wedekind
 
Não quero te incitar a trabalhar
Para o trabalho o homem não foi feito.
Mas o dinheiro deves almejar!
Dinheiro é bom. Merece o teu respeito!
 
Os homens pegam homens com cilada.
A malvadeza assola o mundo inteiro.
Arranja então dinheiro: não há nada
Maior do que o amor pelo dinheiro.
 
Tens dinheiro, não há quem se descole
De ti, e brilhas feito um sol no céu.
Não tendo, todos fogem. E a tua prole
Vai dizer que jamais te conheceu.
 
Se tens dinheiro, nunca te acabrunhas.
Mas se não tens: adeus, celebridade!
Dinheiro te granjeia testemunhas.
Dinheiro é heroísmo, e é verdade.
 
Dé crédito ao que a esposa te disser
Mas nunca te aproximes sem dinheiro
Ou vais ter que extorquir tua mulher.
Só o animal terás por companheiro.
 
Dinheiro é o que se honra neste mundo.
Deus fica atrás, a grana vem primeiro.
Queres tirar a paz de algum defunto
Na pedra inscreve: Aqui jaz o dinheiro.


Von den großen Männern
 
Die großen Männer sagen viele dumme Sachen
Sie halten alle Leute für dumm
Und die Leute sagen nichts und lassen sie machen
Dabei geht die Zeit herum.
 
Die großen Männer essen aber und trinken
Und füllen sich den Bauch
Und die andern Leute hören von ihren Taten
Und essen und trinken auch.
 
Der große Alexander, um zu leben
Brauchte die Großstadt Babylon
Und es hat andere Leute gegeben
Die brauchten sie nicht. Du bist einer davon.
 
Der große Kopernikus ging nicht schlafen
Er hatte ein Fernrohr in der Hand
Und rechnete aus: die Erde drehe sich um die Sonne
Und glaubte nun, daß er den Himmel verstand.
 
Der große Bert Brecht verstand nicht die einfachsten Dinge
Und dachte nach über die schwierigsten, wie zum Beispiel das Gras
Und lobte den großen Napoleon
Weil er auch aẞ.
 
Die großen Männer tun, als ob sie weise wären
Und reden sehr laut  wie die Tauben.
Die großen Männer sollte man ehren
Aber man sollte ihnen nicht glauben. [1926]
 
 
Dos grandes homens
 
Os grandes homens dizem muito disparate
E fazem os outros de idiota
Contudo o povo não rebate
E o tempo segue a sua rota.
 
Os grandes homens bebem e comem no entanto
E enchem os buchos. Porém
O povo escutando suas façanhas
Bebe e come também.
 
Alexandre, o Grande, pra viver
Precisou da Babilônia, uma cidade
Grande. Mas, assim como você
Outros não terão necessidade.
 
O grande Copérnico não foi dormir
Tinha um telescópio em sua mão
Calculou assim que a Terra gira
Ao redor do sol, achando ter razão.
 
O grande Bert Brecht não entendia as coisas mais elementares
E pensava sobre as mais difíceis, por exemplo: copim
E louvava o grande Bonaparte
Pois ele comia mesmo assim.
 
Os grandes homens agem como se fossem
Sábios: falam alto  feito os sabiás.
Devemos honrar os grandes homens
Mas acreditar neles, jamais.


Die Städte
 
Unter ihnen sind Gossen.
Ih ihnen ist nichts, und über ihnen ist Rauch.
Wir waren drinnen. Wir haben nichts genossen.
Wir vergingen rasch. Und langsam vergehen sie auch. [c. 1926]
 
As cidades
 
Por baixo delas corre esgoto,
Por dentro, nada; por cima, fumaça.
Lá estivemos. Só tivemos desgosto.
Passamos. Elas também, a cada ano que passa. 

BRECHT, Bertolt. 1898-1956. Poesia / Bertolt Brecht (Eugen Bertholt Friedrich Brecht); 300 poemas (edição bilíngue); fragmentos dos diários, anotações autobiográficas, 20 textos sobre poesia; seleção, introdução & tradução André Vallias; texto de 2a capa Augusto de Campos; e 3a capa Lion Feuchtwanger (1928).  São Paulo: Perspectiva, 2019. – (Coleção Signos; 60 / dirigida por Augusto de Campos)

19.2.26

entra/Sylvia Plath/A redoma de vidro/The bell jar

PLATH, Sylvia (1932-1963). A redoma de vidro / The bell jar / Sylvia Plath; 1963; tradutor Chico Mattoso. 1.ed. São Paulo: Mediafashion, 2016.  (Coleção Folha. Grandes nomes da literatura; v.22) 

Andrea Pazienza/sai

PAZIENZA, Andrea (1956-1988). Zanardi / Andrea Pazienza; prefácio Manuele Fior; posfácio Oscar Glioti; tradução Paulo Guanaes; edição Ferréz e Thiago Ferreira. São Paulo: Comix Zone!, 2023. 
 

 
[dou uma espiada em: 
Ah, se eu antes soubera desta sina,
Quando me preparava para a estréia,
Que há morte nestas linhas,  assassinas!,
Como um golpe de sangue na traquéia.
 
Os folguedos desta busca de avessos
Eu deixaria, inúteis, de uma vez 
Já tão remoto o esforço do começo,
Tão temeroso o primeiro interesse.
 
Mas a velhice é Roma. Não lhe peça
Que venha com estórias de ninar.
Ela exige do ator mais que uma peça,
Uma entrega total, um naufragar.
 
Quando o verso é um ditado do mais íntimo,
Ele imola um escravo em cena aberta.
E aqui termina a arte, o pano fecha,
Ao respirar da terra e do destino.

(Tradução de Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman)
 
PASTERNAK, Boris (1890-1960). Ah, se eu antes soubera desta sina... / Boris Pasternak (Boris Leonidovitch Pasternak Борис Леонидович Пастернак. em Poesia Russa Moderna / traduções de Augusto de Campos, Haroldo de Campos, Boris Schnaiderman.  6.ed rev e ampl.  São Paulo: Perspectiva, 2001.  (Signos; 33)]

PAZIENZA, Andrea (1956-1988). Storia di Astarte / A História de Astarte – 1988 / Andrea Pazienza; em ANIMAL / editor Rogério de Campos; No 9. São Paulo: VHD, 1989.

 

18.2.26

continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua

 

P 
[As Ruas de Paris]
 [...]
Quacumque ingredimus in aliquam historiam
vestigium ponimus .1

Dizem que Paris era a ville qui remue, a cidade que se move sem parar. Porém, não menos importante do que a vitalidade do mapa da cidade é a força invencível dos nomes de ruas, praças ou teatros que se mantêm a despeito de todos os deslocamentos topográficos. Quantas vezes não foram demolidos alguns daqueles pequenos teatros que, ainda à época de Luís Filipe, ficavam lado a lado no Boulevard du Temple, para ressurgirem novamente icffii tim outro quartier (repugna-me falar de “bairros”)? Quantos nomes de ruas mantêm 3mmÃs hoje o nome de um proprietário que, séculos atrás, possuíra seus terrenos naquele chão? O nome “Château d’Eau”, de uma antiga fonte que há muito não existe, aparece tis hoje como assombração em diversos arrondissements. A sua maneira, mesmo os estabelecimentos famosos asseguraram sua pequena imortalidade municipal, sem falar ia grande imortalidade literária reservada ao Rocher de Cancale, ao Véfour, aos Trois iteres Provinçaux. Pois mal um nome consegue impor-se no mundo gastronômico, mal um Vatel ou Riche tornam-se famosos, pululam até nas periferias de Paris os “Petits Vatels
 ou “Petits Riches”. Eis o movimento das ruas, o movimento dos nomes, que muitas vezes se chocam desordenadamente uns contra os outros.
[P 1, 1]
E depois as pequenas praças atemporais que surgem de repente, e às quais não se liga nenhum nome - que não foram planejadas com muita antecedência, como o foram a Place Vêndórne ou a Place des Grèves, e que não se encontram sob o patronato da história universal, mas que compareceram lentamente, sonolentas e atrasadas, como agrupamentos de construções, ao chamado do século. Em tais praças, as árvores têm a palavra, e até mesmo as menores dão uma sombra densa. Mais tarde, porém, diante das lanternas a gás, folhas parecem um vidro opaco verde-escuro, e seu precoce brilho verde à noite é osinal automático da chegada da primavera na cidade grande.
[P 1, 2]
[...]
Q
[Panorama]
No mesmo ano em que Daguerre inventou a fotografia, seu diorama foi destruído pelo fogo: 1839. ■ Precursores 
[Q 2, 5] 
 
1 "Toda vez que entramos em alguma história, deixamos um vestígio." (w.b.)

BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-WerkWalter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.

13.2.26

entra/Almeida Prado/Cartas Celestes/O Rosáriode Medjugorjie/Sonata No3 para violino e piano/sai

Cartas Celestes

O Rosáriode Medjugorjie

Sonata No3 para violino e piano

CD com 3 obras de Almeida Prado. 

 

Lembro de um dos bons recitais na USP original, Maria Antônia, que era organizado pelo Lorenzo Mammi, com o Almeida Prado tocando a sua obra.

Junto com o Joaquim Zito Abreu eles tocaram a Cartas Celestes XI.

NANCARROW/sai

2 Toccata for Violin and Player Pian

3 Prelude and Blues

4 Study No. 15 

5 Tango?

Sonatina 

  • 6 I. Presto

  • 7 II. Moderato

  • 8 III. Allegro molto

9 Trio Movement

String Quartet No. 1 

  • 10 I. Allegro molto 02:40 

  • 11 II. Andante moderato 03:15 

  • 12 III. Prestissimo

13 Piece No. 2 for Small Orchestra

Composer(s): Nancarrow, Conlon
Arranger(s): Mikhashoff, Yvar Emilian
Conductor(s): Sachs, Joel
Ensemble(s): Continuum
Artist(s): Evans, Rachel; Kitsopoulos, Maria; Krakauer, David; Roy, Celeste Marie; Sachs, Joel; Seltzer, Cheryl; Steinberg, Mark; Wu, Mia
Label: Naxos
Series: American Classics
Genre: Chamber Music; Instrumental
Period: 20th Century
Catalogue No: 8.559196
Barcode: 636943919620
Release Date: 06/2005

Toccata for Violin and Player Piano 2 Toccata for Violin and Player Piano 01:38 Prelude and Blues 3 Prelude and Blues 03:22 Nancarrow, Conlon Mikhashoff, Yvar Emilian - Arranger Study No. 15 (trans. Y. Mikhashoff) 4 Study No. 15 (trans. Y. Mikhashoff) 01:13 Tango? 5 Tango? 02:49 Sonatina (trans. Y. Mikhashoff) 6 I. Presto 01:29 7 II. Moderato 01:47 8 III. Allegro molto 01:33 Nancarrow, Conlon Trio Movement 9 Trio Movement 02:41 String Quartet No. 1 10 I. Allegro molto 02:40 11 II. Andante moderato 03:15 12 III. Prestissimo 04:43 Piece No. 2 for Small Orchestra 13 Piece No. 2 for Small Orchestra 

8.2.26

continua/Andrea Pazienza/Zanardi/entra

PAZIENZA, Andrea (1956-1988). Zanardi / Andrea Pazienza; prefácio Manuele Fior; posfácio Oscar Glioti; tradução Paulo Guanaes; edição Ferréz e Thiago Ferreira. São Paulo: Comix Zone!, 2023.

continua/Andrea Pazienza/Storia di Astarte/A História de Astarte/sai

PAZIENZA, Andrea (1956-1988). Storia di Astarte / A História de Astarte – 1988 / Andrea Pazienza; em ANIMAL / editor Rogério de Campos; No 9. São Paulo: VHD, 1989.

entra/NANCARROW/Piece No. 1 for Small Orchestra

Piece No. 1 for Small Orchestra

Composer(s): Nancarrow, Conlon
Arranger(s): Mikhashoff, Yvar Emilian
Conductor(s): Sachs, Joel
Ensemble(s): Continuum
Artist(s): Evans, Rachel; Kitsopoulos, Maria; Krakauer, David; Roy, Celeste Marie; Sachs, Joel; Seltzer, Cheryl; Steinberg, Mark; Wu, Mia
Label: Naxos
Series: American Classics
Genre: Chamber Music; Instrumental
Period: 20th Century
Catalogue No: 8.559196
Barcode: 636943919620
Release Date: 06/2005

7.2.26

continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua

 
 <fase tardia>
[...] 
A propósito da conjetura de Freud sobre a sexualidade como uma função em extinção “do” ser humano, Brecht observou o quanto a burguesia decadente difere da classe feudal à época de seu declínio: ela se considera em tudo a quintessência do ser humano em geral, equiparando assim a sua decadência à extinção da humanidade. (Esta equiparação, aliás, pode ter seu papel na crise absolutamente evidente da sexualidade na burguesia.) A classe feudal sentia-se como uma classe à parte por seus privilégios, o que correspondia à realidade. Isto lhe permitiu mostrar em seu declínio uma certa elegância e desenvoltura.
[O 11a, 3]
BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009. 

3.2.26

continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua

 
 <fase média>
[...] 
“Veja, ... há em Paris dois tipos de mulheres, como há dois tipos de casas ... a casa burguesa, onde só se entra com um contrato de aluguel, e o hotel mobiliado, onde se mora por mês... O que os distingue? A tabuleta comercial... Ora, a toalete é a tabuleta da mulher ... e há toaletes tão eloqüentes, que é absolutamente como se você lesse no primeiro nível dos babados do vestido: apartamento mobiliado para alugar!”’ Dumanoir e Th. Barrière, Les Toilettes Tapageuses: Comédie en un Acte, Paris, 1856, p. 28.
[o que, no séc xxi, ainda  acontece]
[O 7, 2]
[...] 
Quando Engels era seguido por agentes secretos da polícia  devido a denúncias feitas por artesãos-aprendizes alemães (entre os quais sua atuação como agitador teve pouco sucesso, exceto o enfraquecimento da posição de Grün), ele escreve a Marx: “Se os indivíduos suspeitos que me seguem há quinze dias são realmente agentes espiões..., a Prefeitura de Polícia deve ter gasto nos últimos tempos muito dinheiro com a compra de entradas para os bailes Montesquieu, Valentino, Prado etc. Devo ao Sr. Delessert o conhecimento de algumas adoráveis grisettes e muito plaisir.” Cit. em Gustav Mayer, Friedrich Engels, voL Friedrich Engels in seiner Frühzeit, 2 a ed., Berlim, 1933, p. 252.
[O 9a, 4]
Engels descobre em 1848, durante uma viagem pelas regiões vinícolas da França, “que cada um destes vinhos provoca uma embriaguez diferente: com poucas garrafas pode-se percorrer todos os degraus intermediários entre a quadrilha de Musard e a Marselhe entre o prazer frenético do cancã e o ardor selvagem da febre revolucionária!” Cit. em Gustav Mayer, Friedrich Engels, vol. I, Friedrich Engels in seiner Frühzeit, Berlim, p. 319. [Cf. a 4, 1]
[O 9a, 5] 
[...] 
“Os operários das fábricas na França chamam a prostituição de suas mulheres e filhas de enésima hora de trabalho, o que é literalmente verdadeiro.” Karl Marx, Der historische Materialismus, ed. org. por Landshut e Mayer, Leipzig, 1932, p. 318.
[O 10, 1]
[...] 
 “A regulamentação da jornada de trabalho ... o primeiro freio racional imposto aos assassinos e frívolos caprichos da moda, incompatíveis com o sistema da grande indústria.” Nota a este respeito: “John Bellers censurava já em 1699 estes efeitos da ‘incerteza da moda (Essays about the Poor, Manufactures, Trade, Plantations, and Immorality, p. 9). Karl Marx, Das Kapital, ed. org. por K. Korsch, Berlim, 1932, p. 454.
[O 10, 4]
[...]  
Uma proposta de Ganilh: utilizar uma parte do capital da loteria estatal para aposentadorias de jogadores que atingiram uma certa idade. 
[O 10a, 2]
[...]  
“Se é a fé no mistério que faz o crente, então há provavelmente mais jogadores crentes no mundo do que homens de fé.” Cari Gustav Jochmann, Reliquien, ed. por Heinrich Zschokke, vol. II, Hechingen, 1837, p. 46 (“Die Glücksspiele”).
[O 10a. 4]
Segundo Poisson,13 em “Mémoire sur les chances que les jeux de hasard, admis dans les maisons de jeu de Paris, présentent à la banque” [Relatório sobre as oportunidades que os jogos de azar, admitidos nas casas de jogo de Paris, apresentam para o banco], texto lido na Academia de Ciências, em 1820, o movimento anual de negócios no trinta- e um é de 230 milhões de francos (lucro do banco: 2.760.000), e na roleta, de 100 milhões de francos (lucro do banco: 5 milhões). Cf. Cari Gustav Jochmann, Reliquien, ed. org. por Heinrich Zschokke, vol. II, Hechingen, 1837, p. 51 (“Die Glücksspiele”).
[O 10a, 5]
O jogo é o contraponto infernal da música dos exércitos celestiais.
[O 10a, 6] 
13 Trata-se, muito provavelmente, do matemático Denis Poisson (1781-1840). (J.L.) 
 
BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.