30.6.26

continua/drummond/Dispersos/Viola de Bolso III/

 

A Outra Face
 
O cômico, um enigma. Oscarito era sério
e agora faz chorar seus amigos diletos.
Se vive acaso numa estrela, está rindo
dessa combinação de contrastes secretos.
 
 DEDICATÓRIAS PARA BROTOS
 
I
Sílvia, cicio em si, brisa levinha,
sussurro no silvado, silva poética.
No silêncio de um vôo de andorinha,
a esquiva graça e a sugestão estética.
II
É Tânia, é Tânia, é Tânia
Maria.
Espontânea
como o sol e o dia.
É Tânia, é Tânia, é Tânia
Maria.
Contemporânea
dos astronautas,
da informática,
da cibernética.
E não abstrusa
nem circuncisfláutica.
É Tânia, é Tânia, é Tânia
simples: Maria 

Exposição
 
Não canto
as armas e os barões assinalados.
Canto
as arcas e os baús de Minas Gerais
já sem ouro e diamantes,
sem escrituras de terras e escravos,
sem belbutinas, veludos,
chamalotes,
rendas.
As arcas e os baús despojados
de turvos segredos familiares,
mas guardando ainda e sempre
um não sei quê de eterno,
a respiração discreta, o silêncio,
a vida recolhida
dos mineiros do Setecentos,
que Iara Tupinambá, o lindo nome,
veio mostrar na Galeria Chica da Silva
recriando com flores? criando
o tempo-e-alma em forma de objeto.
 
Livro
 
Boitempo, ou seja, aquele vago boi
imóvel na planura do passado,
a ruminar o verde-azul-dourado
silêncio do que é de quando foi.
 
Mata Atlântica
 
A Câmara Viajante
 
Que pode a câmara fotográfica?
Não pode nada.
Conta só o que viu.
Não pode mudar o que viu.
Não tem responsabilidade no que viu.
A câmara, entretanto,
Ajuda a ver e rever, a multi-ver
O real nu, cru, triste, sujo.
Desvenda, espalha, universaliza.
A imagem que ela captou e distribui.
Obriga a sentir,
A, driticamente, julgar,
A querer bem ou a protestar,
A desejar mudança.
A câmara hoje passeia contigo pela Mata Atlântica.
No que resta - ainda esplendor - da mata Atlântica
Apesar do declínio histórico, do massacre
De formas latejantes de viço e beleza.
Mostra o que ficou e amanhã - quem sabe? acabará
Na infinita desolação da terra assassinada.
E pergunta: "Podemos deixar
Que uma faixa imensa do Brasil se esterilize,
Vire deserto, ossuário, tumba da natureza?"
Este livro-câmara é anseio de salvar
O que ainda pode ser salvo,
O que precisa ser salvo
Sem esperar pelo ano 2 mil. 
 

Sem o lirismo das orquídeas,
Sem o charme decorativo das samambaias,
Nua de liquens e bromélias do litoral,
A mata da Caratinga, protegida dos ventos,
Espera de nós
A proteção maior contra o machado,
A serra mecânica, o fogo.

 II 

Samambaias, palmeiras... São alfaias
Da casa vegetal de Itatiaia.
São tesouros, bem mais que barras de ouro,

A guardar com amor para os vindouros. 

III 

Não, não haverá para os ecossistemas aniquilados
Dia seguinte.
O ranúnculo da esperança não brota
No dia seguinte.
O vazio da noite, o vazio de tudo
Será o dia seguinte.

IV

Muriqui, muriqui, tu estavas aqui
bem antes do europeu, bem antes do progresso.
Teu alegre saltar entre ramos e ventos
vai ficando tão longe. Onde estás, muriqui?

És apenas uma lembrança
De um tempo que eu não vi.

V

De cada cem árvores antigas
Restam cinco testemunhas acusando
O inflexível carrasco secular.
Restam cinco, não mais. Resta o fantasma
Da orgulhosa floresta primitiva.

VI 

A água serpeia entre musgos seculares
Leva um recado de existência a homens surdos
E vai passando, vai dizendo
Que esta mata em redor é nossa companheira,
É pedaço de nós florescendo no chão.

XII

Xaxim, teu nome raro não te deixa
Arborescer no mato em flor.
És enfeite doméstico. Nos lares,
Mulheres maltratam com amor. 

IX 

Uma espuma de azul bóia nas névoas da altura,
Um resto de sonho perdura na resina dos caules.
Manhã-quase-manhã, a terra acorda
Do seu sono de perfumes e lianas.

Na mata de caratinga,
Tem paca, tem capivara,
Tem anta e mais jacutinga,
Tem silêncio tem arara,
E nas ramarias densas
De suas copas imensas,
Paira um segredo mineiro
Que dura um século inteiro… 

XI 

Riacho de Campo Belo,
Crivado de pedras lisas,
Como rápido deslizas
Modulando um ritornelo:
Mais amar sabe quem ama
Sua terra e sua dama.” 

XII 

No esforço de fugir à mata obscura,
Bromélias em família buscam luz
E em suas folhas uma gota d’água,
Puro diamante líquido, reluz.

XIII

Um som de flauta rude se derrama
No que restou da terra comburida.
O sanhaço é nostálgica lembrança
De outro tempo, outra mata, noutra vida. 

XV

Penúltima jacutinga do Brasil?
Ou última, talvez?
Sem coco de palmito-juçara para comer,
Sem galho forte para pouso,
Sem ambiente para viver,
A jacutinga espera o fim de toda a fauna. 

XVII 

Meu gavião-de-penacho,
Meu rei aéreo da mata,
Meu rapinante invencível
De hálux certeiro e cruel,
Quem diria, quem diria
Que um dia se acabaria
Na floresta ressecada
Teu domínio, teu poder? 

XVIII

Meu verdoengo tucano
De bico leve e guloso,
Escuta este teu amigo:
Te arriscas, se não me engano,

A ter um fim doloroso
Se não te pões ao abrigo
Do destruidor ser humano. 

 XIX

O canto-risada
do japuguaçu
No alto da embaúbs 
Me deixa intrigado.
Ele ri de Quê?
Da mão que derruba
Seu ninho cuidado?
Vou adivinhar:
Se a ave ri, coitada.
É que, por destino,
Não sabe chorar.

XX 

Como é palrador este chauá!
Imita voz de gente, é bom ator,
Porém no oco do pau logo se esconde
Se percebe o sinistro caçador.

XXII

Olha o barbado, olha o bando do barbado!
Olha o coro de barbados na floresta!
À sua maneira.
Está berrando, aos deuses implorando
Que detenham a fúria arrasadora
Da sacrificada mata brasileira. 

XXIII 

Leãozinho dourado, o mico
É joia-animal raríssima.
Deixai-o viver, arisco.
Com seu vermelho sedoso,
Seu ouro nativo, seu
Focinho avioletado.
Salve, mico-leão dourado! 

XXIV

Tigrina
Beleza
Felina.
Elástica,
Plástica
Imagem
Selvagem
Da vida
Inserida
Noverso-
Universo
Da mata! 

XXV 

Que rumor é esse na mata?
Por que se alarma a natureza?
Ai…é a moto-serra que mata,
Cortante, oxigênio e beleza.

M.T.A.
 
Imagino o puro semblante:
Maria Teresa Amarante.

Em sua graça natural
lembra andorinha no beiral.

Lembra flor, lembra luz, que sei?
O diamante oculto do rei.

E me pergunto: que poesia
lhe darei, que não seja fria

imitação do melhor verso:
uma garota no universo?

(E além do mais, com esta rima:
neta querida de Herman Lima.)

 

ANDRADE, Mario Drummond de. 1902-1987. Poesia Completa / Dispersos / Viola de Bolso III / Carlos Drummond de Andrade. (conforme as disposições do autor) Fixação de textos e notas de Gilberto Mendonça Teles. Introdução de Silviano Santiago. Biblioteca Luso-brasileira / Série Brasileira.  1a tiragem da primeira edição, 2002  Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar S.A., 2003. 

continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua

Benjamin Gastineau já havia sido deportado duas vezes para a Argélia sob o governo de Napoleão III. “Durante a Comuna de Paris, o Sr. Gastineau foi nomeado inspetor das bibliotecas comunais. O 20o conselho de guerra, encarregado de julgá-lo, não pôde levantar contra ele acusação de nenhum delito do direito comum. Mas condenou-o, a despeito disso, à deportação para um recinto fortificado.” Pierre Larousse, Grand Dictionnaire Universel du XIXe Siecle, vol. VIII, Paris, 1872, p. 1062.  Gastineau iniciou sua carreira como tipógrafo.
[d 11, 4]
Pierre Dupont: O poeta, como ele diz num de seus pequenos poemas,

Ouve alternadamente as florestas e a multidão.

Trata-se, com efeito, de grandes sinfonias agrestes, de vozes com que fala a natureza inteira, ou dos clamores e desesperos, das aspirações e dos lamentos da multidão que ele faz brotar ama dupla inspiração. A canção, como a compreendiam nossos pais..., a canção de beber, ou mesmo a simples balada, lhe são absolutamente estranhas.” Pierre Larousse, 
Grand Dictionnaire Universel du XIXe Siecle, vol. VI, Paris, 1870, p. 141 (verbete: “Dupont”). Assim, o ódio de Baudelaire por Béranger é ao mesmo tempo um elemento de seu amor por Dupont.
[d 11a, 1]
[...]
Os trechos decisivos do romance Les Misérables sao baseados em fatos reais. A condenação de Jean Valjean foi inspirada no caso de um homem que, por ter roubado um pão para os filhos de sua irmã, havia sido condenado a cinco anos de prisão. Hugo documentava tais acontecimentos com grande exatidão.
[d 12, 1]
Uma apresentação detalhada da atitude de Lamartine durante a Revolução de Fevereiro é fornecida por Pokrowski em um artigo que se baseia em parte nos relatos diplomáticos de Kisseliov, que na época era embaixador da Rússia em Paris. ‘“Lamartine ... admitiu escreve Kisseliov  que a França se encontrava numa situação que costuma ocorrer quando um governo é derrubado e o seguinte ainda não se consolidou. Ele acrescentou, porém, que a população provou possuir muito bom senso e um tal respeito pela família e pela propriedade que a ordem em Paris seria preservada pelas próprias circunstâncias e pelo estado de espírito da massa... Dentro de oito ou dez dias seria organizada uma guarda nacional de 200.000 homens — prosseguiu Lamartine ; além disso, havia 15.000 recrutas, cujo estado de espírito era excelente, e 20.000 homens da tropa de linha que já cercavam Paris e que deviam avançar cidade adentro.’ Aqui é preciso parar por um instante. Como se sabe, o pretexto para a reconvocaçao das tropas, que tinham sido retiradas de Paris depois de fevereiro, foi a manifestação dos operários de 16 dc abril; entretanto, a conversa entre Lamartine e Kisseliov deu-se em 6 de abril. Com efeito, Marx percebera, de maneira genial (em Die Khassenkämpfe in Frankreich), que a manifestação fora provocada com a finalidade de trazer de volta à capital ... a mais leal das forças da ordem. Prossigamos, pois. Estas massas (isto é, a guarda nacional burguesa, os recrutas e as tropas de linha  M. N. E)  disse Lamartine — ‘refrearão os fanáticos dos clubes que se apóiam em alguns milhares de vagabundos e elementos criminosos (!) e evitarão qualquer excesso. M. N. Pokrowski, Historische Aufsätze, Viena-Berlim, 1928, pp. 108-109 (“Lamartine, Cavaignac e Nicolau I”).
[d 12, 2] 
Em 6 de abril, é enviada de São Petersburgo uma instrução de Nesselrode a Kisseliov. “Nicolau e seu chanceler não esconderam de seu agente que precisavam da aliança com a França contra a Alemanha  contra a nova Alemanha vermelha que, com suas cores revolucionárias, começava a fazer sombra à França, que, por sua vez, já começava a readquirir o bom senso.” M. N. Pokrowski, Historische Aufsãtze, Viena -Berlim, p. 112.
[d 12, 3]
[...]
“Um observador perspicaz disse um dia que a Itália fascista era dirigida como um grande jornal e, aliás, por um grande jornalista: uma idéia por dia, concursos, sensações, uma hábil e insistente orientação do leitor para certos aspectos da vida social enfatizados de modo desmedido, uma deformação sistemática do entendimento do leitor para certos fins práticos. Numa palavra, os regimes fascistas são regimes publicitários.” Jean de Lignières, “Le centenaire de La Presse”, Vendredi , junho 1936.
[d 12a, 2]
[...] 
“Hoje em dia tantos fatos demonstrados e autênticos originam-se das ciências ocultas que um dia essas ciências serão ministradas como se ministra a química e a astronomia. E mesmo notável que, no momento em que se criam em Paris cadeiras de eslavo, de manchu e de literaturas tão pouco ensinadas como as literaturas do Norte  que nem deveriam dar lições, mas recebê-las , não se tenha reinstaurado, com o nome de Antropologia, o ensino da filosofia oculta, uma das glórias da antiga Universidade. Nisto, a Alemanha ... adiantouse à França.” Honoré de Balzac, Le Cousin Pons [Œuvres Complètes, vol. XVIII, La Comédie Humaine: Scènes de la Vie Parisienne, vol. VI], Paris, 1914, p. 131. ■ Fisiologias ■ 
[d 13, 2] 
[...]
A respeito de Victor Hugo, vale o mesmo que se diz sobre Dickens: “Dickens é um exemplo admirável do que acontece quando um autor de gênio tem o mesmo gosto literário que o público. Essa conformidade de gosto, no caso, era de ordem moral e intelectual. Dickens não era como nossos demagogos e nossos jornalistas comuns; não escrevia apenas o que as pessoas do povo gostavam — ele mesmo gostava do que elas gostavam... Morreu em 1870; a nação inteira lamentou-o como nunca nenhum grande personagem foi lamentado; porque os primeiros ministros e os príncipes, em comparação com Dickens, eram apenas simples indivíduos. Ele foi um grande soberano popular, semelhante a um rei de alguma época primitiva, ao qual o povo podia chegar quando ele fazia justiça sob um carvalho.” G. K. Chesterton, Dickens, traduzido por Laurent e Martin-Dupont, Paris, 1927, pp. 72 e 168.15
[d 13a, 3]
[...] 
Valéry, em sua Introdução às Fleurs du Mal (Paris, 1928, p. XV), sobre Hugo: “Durante mais de sessenta anos, este homem extraordinário trabalhou todos os dias, das cinco da manhã ao meio-dia! Procurava incessantemente combinações de linguagem, desejava-as, esperava por elas e ouvia as suas respostas. Escreveu cem ou duzentos mil versos, e adquiriu com esse exercício ininterrupto uma maneira singular de pensar, que os críticos superficiais julgaram como puderam.”
[d 14, 8]
Em quase todos os românticos, o arquétipo do herói é o boêmio. Em Hugo, o arquétipo é o mendigo. A esse respeito, não se deve deixar de observar que Hugo fez fortuna como escritor.
[d 14a, 1] 
 
15 Op Cit, pp. 106 e 237. (E/M) 
 
BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.   

29.6.26

entra/Karlheinz Stockhausen/Tierkreis/Oberlippentanz für Trompete Solo/Markus Stockhausen/sai

Tierkreis

Suzanne Stephens, Klarinette

Kayhinka Pasveer, Flöte

Markus Stockhausen, Trompete und Klavier

 

Oberlippentanz für Trompete Solo

 Markus Stockhausen, Trompete

Texto do encarte de 1986: Karlheinz Stockhausen (1928-2007)

28.6.26

continua/drummond/Dispersos/Viola de Bolso III/entra

 

ANDRADE, Mario Drummond de. 1902-1987. Poesia Completa / Dispersos / Viola de Bolso III / Carlos Drummond de Andrade. (conforme as disposições do autor) Fixação de textos e notas de Gilberto Mendonça Teles. Introdução de Silviano Santiago. Biblioteca Luso-brasileira / Série Brasileira.  1a tiragem da primeira edição, 2002  Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar S.A., 2003. 

Mathias Lehmann/Chumbo/sai

LEHMAN, Mathias (1978- ). Chumbo / Mathias Lehmann; tradução Fernando Scheibe, Bruno Ferreira Castro; texto de 4a capa Érico Assis. –1 ed– São Paulo: Autêntica Editora; Nemo, 2024.  (60 anos do Golpe Militar no Brasil/19642024)
 
Bela narrativa que mistura personagens semelhantes com pessoas reais (parentes do autor) e com a História do Brasil entre 1937 até 2003.
Através de Minas Gerais (e Belo Horizonte): Vargas e o Estado Novo; coronel Olímpio Mourão Filho criando falso relatório a partir do falso Protocolo dos Sábios de Sião, mas com nome plano Cohen; Acção Integralista Brasileira; torturas; Pampulha; suicídio de Vargas; Olímpio Mourão Filho voltando como um dos principais responsáveis pelo início da ditadura, em 1 de abril de 64; DOI-CODI; Carlos Brilhante Ustra; torturas e mortes; Collor, etc.
E os muitos personagens da trama: Desde um torturador da Acção Integralista Brasileira, que vira torturador do DOI-CODI, até virar chefe de jogo do Bicho, até virar reportagem por ter sido torturador. Outro, o personagem principal, a partir do tio do Lehman, começa criança, o personagem anterior trabalhava para o seu pai, vira jornalista, é perseguido, torturado, pelo personagem anterior também, etc. 
O tio foi o escritor Roberto Drummond. O livro termina com a escultura sendo inaugurada.
Depois ela já passou por vários atos de destruição. A última vez ela foi derrubada e, atualmente, está sendo restaurada(?).

logotipo Ferréz

Logotipo de Paulo Vidal de Castro & Thais Vilanova

Usando o tipo Rialto, em versal. Talvez um dos tipos mais bonitos e puros já criados. Como o nome já diz, que é o mesmo da ponte Rialto, sua estrutura foi desenvolvida a partir da arquitetura de Veneza (a mais impressionante da Europa, depois de Atenas séculos antes), que, tanto a ponte quanto a cidade, atingiu o seu ponto extremo, moderno e funcional no séc xvi. Foi desenvolvida pelo calígrafo veneziano Giovani de Faccio e pelo tipógrafo austríaco Lui Karner e lançada em 1999.

Já o É foi realizado como um contraste marginal. Com o traço na vertical que faz tanto a ligação dos traços na horizontal, para criar a letra, como o acento. 

26.6.26

continua/CATALVNYA ROMÀNICA XV EL PALLARS: EL PALLARS SOBIRÀ, EL PALLARS JVSSÀ/Antoni Pladevall i Font

El Pallars é dividida em El Pallars Sobirá e El Pallars Jussá. 

Em baixo (Sul) da lagoa principal está a capital, Tremp. 
 
Em cima (Norte) está La Pobla de Segur.


As construções mais antigas da Catalunha são o túmulos que existem desde o Período Neolítico até a Idade de Bronze. Todos na região de La Pobla de Segur. A maioria sobre a terra, mas seque abaixo um exemplo de um a céu aberto:

Tenhos um ímã/lembrança de geladeira da Casa Mauri, de quando estivemos em La Pobla de Segur. Casa Mauri (Pobla)/Sesc Lina Bo Bardi (aqui do lado):

FONT, Antoni Pladevall i. CATALVNYA ROMÀNICA XV EL PALLARS: EL PALLARS SOBIRÀ, EL PALLARS JVSSÀ / Coordinador científic de lobra Joan-Albert Adell i Gisbert Arquitecte. Amb la col·laboració de la Generalitat de Catalunya i sota l’alt patrocini de L’Organització de les Nacions Unides per a l’educació, la ciència i la cultura (UNESCO). — Barcelona: Fundació Enciclopèdia Catalana, 1993.

continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua

<fase média>

Dumas pai: “Em setembro de 1846, o ministro Salvandy lhe propôs que partisse para a Argélia para escrever um livro sobre a colônia... Dumas ... que era lido  num cálculo modesto  por cinco milhões de franceses, transmitiria certamente a 50 ou 60.000 mil deles o gosto de colonizar... Salvandy ofereceu 10.000 francos para pagar as despesas de viagem, Alexandre ainda exigiu ... um navio do Estado... Por que o Veloce, que deveria embarcar prisioneiros liberados em Melilla, foi para Cádiz...? ...Os parlamentares ... se lançaram sobre o incidente; e o Sr. de Castellane questionou a lógica de uma missão científica ser confiada ... a um empresário de folhetins. A bandeira francesa foi rebaixada para proteger sob sua sombra ‘este senhor’; 40.000 francos foram gastos sem razão, e o ridículo foi enorme.” O caso terminou a favor de Dumas, depois que ele teve sua proposta de duelo recusada por Castellane. J. Lucas-Dubreton, La Vie dAlexandre Dumas Père, Paris, 1928, pp. 146, 148-149.
[d 4, 1]
[...]
“O exemplar incompleto da Biblioteca Nacional é suficiente para avaliarmos a ousadia e a novidade do empreendimento tentado por Balzac... O Feuilleton des Joumaux Politiques não visava nada menos que a supressão das livrarias. Seria preciso organizar a venda direta do editor ao comprador ... cada um teria seu benefício — o editor e o autor ganhando mais, e o comprador pagando menos pelos livros. O acordo ... não deu resultado, sem dúvida porque as livrarias se opuseram.” Louis Lumet, Introdução a Honoré de Balzac, Critique Littéraire, Paris, 1912, p. 10.
[mas, finalmente, isso acontece hoje. Algumas livrarias — Simples, Martins Fontes — também tentam fazer o mesmo com livros das editoras (como a Martins, que tem mesmo tendo 2 editoras, faz de outras, até de editoras estrangeiras)] 
[d 4a, 3]
[...]
Victor Hugo, em carta a Baudelaire  com referência específica aos poemas “Les sept vieillards” e “Les petites vieilles”, ambos dedicados a Hugo (que forneceu o modelo para o segundo poema, como comunica Baudelaire a Poulet-Malassis): “Você põe no céu da Arte algo como um raio macabro. Você cria um frêmito novo.” Cit. em Louis Barthou, Autour de Baudelaire, Paris, 1917, p. 42 (“Victor Hugo et Baudelaire”).
[d 5, 6]
Maxime Leroy, em Les Premiers Amis Français de Wagner, explica que o momento revolucionário representou um papel importante na conversão de Baudelaire a favor de Wagner. De fato, reunia-se em tomo das obras de Wagner uma fronda antifeudal. O fato de o balé ter sido abolido de suas óperas escandalizou os aficionados do gênero.
[d 5, 7]
[...]
A respeito de Victor Hugo: Baudelaire “acreditava na coexistência do gênio com a tolice”. Louis Bardiou, Autour de Baudelaire, Paris, 1916, p. 44 (“Victor Hugo et Baudelaire”). No mesmo sentido, antes do banquete organizado por ocasião do tricentenário do nascimento de Shakespeare (23 de abril de 1864), ele fala do “livro de Victor Hugo sobre Shakespeare, que, cheio de belezas e de tolices como todos os seus outros livros, talvez ainda desaponte seus mais sinceros admiradores” (cit. em op. cit., p. 50). E: “Hugo, sacerdote, tem sempre a cabeça inclinada, inclinada demais para enxergar alguma coisa além de seu umbigo.” (cit. em op. cit., p. 57)
[d 6, 2]
A administração do Feuilleton des Joumaux Politiques oferecia certos livros abaixo do preço oficial, sem intermédio das livrarias. Balzac orgulha-se da própria iniciativa, contra as hostilidades dos opositores, e almeja consolidar por meio dela o contato direto entre editor e público. No primeiro exemplar da publicação, Balzac apresenta a história do mercado livreiro e editorial desde a revolução de 1789, encerrando-a com a seguinte exigência: “É preciso, enfim, que se consiga que um livro seja fabricado exatamente como um pão, e seja vendido como um pão; que não haja outro intermediário entre um autor e um consumidor senão o livreiro. Então esse comércio será o mais seguro de todos... Quando um livreiro for obrigado a gastar uma dezena de milhares de francos numa operação, ele não a fará de forma arriscada nem mal planejada. Então eles perceberão que a instrução é uma necessidade de sua profissão. Um vendedor que não sabe em que ano Gutemberg imprimiu a Bíblia não imaginará que, para ser livreiro, basta apenas inscrever seu nome acima de uma loja.” Honorc de Balzac, Critique Littéraire, com introdução de Louis Lumet, Paris, 1912, pp. 34-35.
[Atualmente temos que pesquisar para encontrar as, boas, padarias que fazem pão de verdade, azedo e  com fermentação natural lenta. Mas ainda existe]
[d 6, 3]
Pélin publica a carta de um editor que se declara disposto a comprar o manuscrito de um autor com a condição de poder publicá-lo sob o nome de quem ele quisesse (“com a condição ... de que ele seja assinado por uma pessoa cujo nome poderá ser para meu negócio um elemento de sucesso”). Gabriel Pélin, Les Laitleurs du Beau Paris, Paris, 1861, pp. 98-99.
[d 6, 4]
Honorários. Victor Hugo recebe 300.000 francos de Lacroix em troca da cessão dos direitos sobre Les Misérables por 12 anos. “É a primeira vez que Victor Hugo recebe uma soma tão elevada. ‘Em vinte e oito anos de trabalho intenso, diz o Sr. Paul Souday, com uma obra de 31 volumes ... ele havia embolsado ao todo 553.000 francos... Ele nunca ganhou tanto quanto Lamartine, Scribe ou Dumas pai...’ Lamartine, de 1838 a 1851, recebeu algo em torno de cinco milhões de francos, dos quais 600.000 foram pela Histoire des Girondins. Edmond Benoit-Lévy, “Les Misérablesde Victor Hugo, Paris, 1929, p. 108. Relação entre ganhos e aspirações políticas.
[d 6a, 1]
“Quando Eugène Sue, depois de Les Mystères de Londres ... concebeu o projeto de escrever Les Mystères de Paris, sua proposta básica era a de interessar o leitor pela descrição do submundo. Ele começou qualificando seu romance de ‘história fantástica’... Foi um artigo de jornal que decidiu seu futuro; o La Phalange fez um elogio ao início do romance que abriu os olhos do autor: ‘O Sr. Sue acaba de empreender a crítica mais incisiva da sociedade... A ele as nossas felicitações, por haver retratado ... os terríveis sofrimentos do povo e a cruel indiferença da sociedade...’ O autor desse artigo ... recebeu a visita de Sue; eles conversaram — e foi assim que o romance já começado tomou um novo rumo... O próprio Eugène Sue convenceu-se, participou da batalha eleitoral, foi eleito... (1848)... As tendências e o alcance dos romances de Sue eram tais que o Sr. Alfred Nettement viu neles uma das causas determinantes da Revolução de 1848.” Edmond Benoit-Lévy, “Les Misérablesde Victor Hugo, Paris, 1929, pp. 18-19.
[d 6a, 2]
Um poema saint-simoniano dedicado a Sue como autor de Les Mystères de Paris. Savinien Lapointe, “De mon échoppe”,9 in: Une Voix den Bas, Paris, 1844, pp. 283-296.
[d 6a, 3]
[...]
Os romances de George Sand provocaram um aumento do número de divórcios, quase todos requeridos pela mulher. A autora mantinha uma vasta correspondência, na qual assumia o papel de conselheira das mulheres.
[d 6a, 7]
[...]
“A audácia com que o comunismo, esta lógica ... da democracia, ataca a sociedade na ordem moral, anuncia que ... o Sansão popular, tornando-se prudeiue, solapará as colunas sociais no porão, em vez de sacudi-las na sala do banquete.” Balzac, Les Paysans, cit. em Abbé Charles Calippe, Balzac: Ses ldées Sociales, Reims-Paris, 1906, p. 108.
[d 9,1]
 
9 Échoppe tem o duplo sentido de oficina e buril. 0 autor, Savinien Lapointe, foi um sapateiro que realizou também gravuras em couro. (E/M) 

BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.