2.8.26
continua/CATALVNYA ROMÀNICA XV EL PALLARS: EL PALLARS SOBIRÀ, EL PALLARS JVSSÀ/Antoni Pladevall i Font
1.8.26
continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua
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[...]
Sobre a figura do colecionador. Pode-se partir do pressuposto de que o verdadeiro colecionador retira o objeto de suas relações funcionais. Esse olhar, todavia, não explica a fundo esse comportamento singular. Pois não é esta a base sobre a qual se constrói uma contemplação “desinteressada” no sentido de Kant c de Schopenhauer, de tal modo que o colecionador consegue lançar um olhar incomparável sobre o objeto, um olhar que vê mais e enxerga coisas diferentes do que o olhar do proprietário profano, e o qual deveria ser melhor comparado ao olhar de um grande fisiognomonista. Entretanto, o modo como este olhar sc depara com o objeto deve ser presentificado de maneira ainda mais aguda através de <uma outra> consideração. [cf. H 2, 7 e H 2a, 1]
<O°, 6>
É preciso saber: para o colecionador, o mundo está presente em cada um de seus objetos e, ademais, de modo organizado. Organizado, porém, segundo um arranjo surpreendente, incompreensível para uma mente profana. Este arranjo está para o ordenamento e a esquematização comum das coisas mais ou menos como a ordem num dicionário está para uma ordem natural. Basta que nos lembremos quão importante é para cada colecionador não só o seu objeto, mas também todo o passado deste, tanto aquele que faz parte de sua gênese e de sua qualificação objetiva, quanto os detalhes advindos de sua história, aparentemente exterior: proprietários anteriores, preço de aquisição, valor etc. Tudo isso, os dados “objetivos”, como os outros, forma para o autêntico colecionador em relação a cada uma de suas possessões uma completa enciclopédia mágica, uma ordem do mundo, cujo esboço é o destino de seu objeto. Aqui, portanto, neste âmbito estreito, é possível compreender como os grandes fisiognomonistas (e colecionadores são fisiognomonisras do mundo das coisas) tornam-se intérpretes do destino. Basta que acompanhemos um colecionador que manuseia os objetos de sua vitrine. Mal segura-os nas mãos, parece estar inspirado por eles, parece olhar através deles para o longe, como um mago. (Seria interessante situar o colecionador de livros como o único que não necessariamente desvinculou seus tesouros de seu contexto funcional.) [cf. H 2, 7 e H 2a, 1]
<O°, 7>
[...]
Ter sempre em mente que o comentário de uma realidade (tal como o escrevemos aqui) exige um método totalmente diferente do que aquele requerido para um texto. No primeiro caso, a ciência fundamental é a teologia, no segundo, a filologia. [cf. N 2, 1]
<O°, 9>
A perscrutação como princípio no filme, na nova arquitetura, na colportagem.
<O°, 1o>
[...]
Gabinete de figuras de cera: misto do efêmero e do que está na moda. “Mulher que prende sua liga.” [André Breton,] Nadja, Paris, 1928, p. 200. [cf B 3, 4 e E 2a, 2]
<O°, 30>
[...]
Poder-se-ia dizer que há duas orientações neste trabalho: a que vai do passado até o presente e apresenta as passagens etc. como precursoras, e a que vai do presente até o passado a fim de fazer explodir no presente a completude revolucionária destes “precursores”, sendo que esta orientação entende também a observação elegíaca, enlevada, do passado recente como sua explosão revolucionária.
<O°, 56>
[...]
Uma diferença notável entre Saint-Simon e Marx. O primeiro amplia do modo mais abrangente possível a classe dos explorados (os produtores), incluindo entre eles até os empresários, uma vez que estes pagam juros a seus credores. Marx, ao contrário, inclui na burguesia todos aqueles que de alguma forma são exploradores, ainda que estes também sejam vítimas de exploração. [cf. U 4, 2]
<O°, 64>
Agravamento dos antagonismos de classe: a ordem social como uma escada na qual a distância entre os degraus aumenta de ano para ano. O número infinito de degraus intermediários entre a riqueza e a miséria na França do século passado.
<O°, 65>
[...]
Não foi Marx quem ensinou que a burguesia como classe nunca poderia atingir uma consciência perfeitamente clara de si mesma? E, caso isso seja verdade, não seria legítimo complementar a sua tese com a idéia do coletivo onírico (que é o coletivo burguês)? [cf. S 2, 1]
<O°, 67>
Não seria possível, ademais, comprovar como todos os fatos de que trata este trabalho se esclarecem no processo de autoconscientização do proletariado?
<O°, 68>
Os primeiros estímulos do despertar aprofundam o sono — (estímulos do despertar), [cf. K 1a, 9]
<O°, 69>
Os Comptes Fantastiques d’Haussmann66 foram publicados primeiramente como série de artigos no Temps.
66 Trocadilho entre o gênero dos “contos” fantásticos (contes), típico do escritor alemão E.T.A. Hoffmann (1776-1822), e a prestação de “contas” (comptes) do Barão de Haussmann, prefeito de Paris, (w.b.)
<O°, 70>
Boa formulação de Bloch sobre o trabalho das Passagens: a história mostra seu distintivo da Scodand Yard. Foi no contexto de uma conversa na qual eu explicava como este trabalho — comparável ao método da fissão nuclear que libera as forças gigantescas que mantêm unidos os átomos — deve liberar as forças gigantescas da história que são acalentadas no “era uma vez” da narrativa histórica clássica. A historiografia que se empenhou em mostrar “como as coisas efetivamente aconteceram”,67 foi o narcótico mais poderoso do século XIX. [cf. N 3, 4]
67 “Mostrar como as coisas efetivamente aconteceram” foi o lema do historiador Leopold Ranke (1795-1886), que representa a posição do historicismo. Cf. a critica de Benjamin ao historicismo em “Sobre o Conceito de História”, tese XVI. (J.L.)
<O°, 71 >
A concretude apaga o pensamento, a abstração o acende. Toda antítese é abstrata, toda síntese, concreta. (A síntese apaga o pensamento.)
<O°, 72>
[...]
Não é preciso fazer o tempo passar, é preciso carregá-lo em si. Passar o tempo (expulsar o tempo, matá-lo): drenar-se. Tipo: o jogador, o tempo jorra-lhe dos poros. — Carregar-se de tempo como uma bateria: tipo: o tipo flâneur. Por fim, o tipo sintético: ele carrega e transmite a energia “tempo” sob uma outra forma: aquele que espera. [cf. D 3, 4]
<O°, 78>
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BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.
31.7.26
Erich von Stroheim • Foolish Wives • Esposas Ingênuas • 5ª MOSTRA SAC • Cinemateca Brasileira
Passou a versão mais restaurada do Esposas Ingênuas, com 143 min. Bom filme.
Cinemateca Brasileira
Sala Oscarito
31/07/26
continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua
<M°, 3>
A superposição segundo o ritmo do tempo. Em relação ao cinema e à transmissão “sensacionalista” das notícias. Do ponto de vista do ritmo, segundo a percepção temporal, o “devir”, para nós, não possui mais qualquer evidência. Nós o decompomos dialeticamente em sensação e tradição. — Importante dar a estas coisas uma expressão analógica no domínio biográfico.
<M°, 4 >
[...]
Haxixe ao meio-dia: sombras são uma ponte sobre a corrente luminosa da rua.
<M°, 6>
Na arte de colecionar, a aquisição como fator decisivo.
<M°, 7>
A arte de preparar o fundo no ler e no escrever. Quem souber esboçar da maneira mais superficial é o melhor autor.
<M°, 8>
Visita subterrânea aos canais de esgoto: percurso preferido Chatelet-Madeleine. [cf. C 2a, 7]
<M°, 9>
[...]
A melhor arte de capturar, sonhando, a tarde nas malhas da noite é fazer planos. [cf. M 3a, 2]
<M°, 11>
[...]
O páthos deste trabalho: não há épocas de decadência. Tentativa de ver o século XIX de maneira tão positiva quanto procurei ver o século XVII no Livro sobre o drama barroco. Nenhuma crença em épocas de decadência. Assim também (fora dos limites) qualquer cidade para mim é bela; e, por isso, não acho aceitável qualquer discurso sobre o valor maior ou menor das línguas. [cf. N 1, 6]
<M°, 13>
O coletivo que sonha ignora a história. Para ele, os acontecimentos se desenrolam segundo um curso sempre idêntico e sempre novo. Com efeito, a sensação do mais novo, do mais moderno, é tanto uma forma onírica do acontecimento quanto o eterno retomo do sempre igual. A percepção do espaço que corresponde a essa percepção do tempo é a superposição. Quando então estas formas se dissolvem na consciência iluminada, surgem em seu lugar categorias político-teológicas. E apenas sob estas categorias, que congelam o fluxo dos acontecimentos, forma-se em seu interior a história como constelação cristalina. — As condições econômicas, sob as quais a sociedade existe, a determinam não apenas em sua existência material e na superestrutura ideológica: elas encontram também sua expressão. Assim como o estômago estufado de um homem que dorme não encontra sua superestrutura ideológica no conteúdo onírico, assim também ocorre com as condições econômicas da vida do coletivo. O coletivo interpreta essas condições e as explica, elas encontram sua expressão no sonho e sua interpretação no despertar. [cf. S 2, 1 e K 2, 5]
<M°, 14>
O homem que espera como tipo oposto ao flâneur. A apercepção do tempo histórico do flâneur comparada ao tempo do homem que espera. Não olhar as horas. Caso de superposição na espera: a imagem da mulher que é aguardada sobrepõe-se à de uma desconhecida. Somos uma barragem onde se acumula o tempo, que se precipita em nós mesmos quando surge aquela que esperamos. “Todos os objetos são como chefes.” Édouard Karyade.
<M°, 15>
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Investigar a relação entre colportagem e pornografia. Imagem pornográfica de Schiller uma litografia — numa pose pitoresca, ele aponta com uma das mãos para um longínquo ideal, com a outra, se masturba. Paródias pornográficas de Schiller. O monge fantasmagórico e lascivo: a longa procissão de fantasmas e da lascívia: nas Mémoires de Saturnin, de Madame de Pompadour, a fileira lasciva dos monges; à frente, o abade com sua prima.
<M°, 17>
Sentimos tédio quando não sabemos o que estamos esperando. E o fato de o sabermos ou imaginar que o sabemos é quase sempre nada mais do que a expressão de nossa superficialidade ou distração. O tédio é o limiar para grandes feitos. [cf. D 2, 7]
<M°, 18>
[...]
Limiar e fronteira devem ser rigorosamente diferenciados. O limiar é uma zona. Mais exatamente, uma zona de transição. Mudança, transição, fluxo <?> estão contidos na palavra schwellen (inchar, entumescer), e a etimologia não deve negligenciar estes significados. Por outro lado, é necessário determinar o contexto tectônico imediato que deu à palavra o seu significado. Tornamo-nos muito pobres em experiências liminares. O “adormecer” é talvez a única delas que nos restou. Porém, assim como se sobrepõe ao limiar o mundo onírico com suas figuras, também sobrepõem-se a ele as oscilações do entretenimento e as mudanças de comportamento entre os sexos ao longo das gerações. — Do círculo de experiências liminares desenvolveu-se então o portal que transforma aquele que passa sob seu arco. O arco romano da vitória transforma em triumphator o general que retorna. Contra-senso do relevo na face interna do portal, um equívoco classicista. [cf. O 2a, 1 e C 2a, 3]
<M°, 26>
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BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.
30.7.26
Fritz Lang • M • 5ª MOSTRA SAC • Cinemateca Brasileira
Dois atores na Alemanha em 1931 que tiveram futuros opostos: Peter Lorre, um amigo de Bertold Brecht (Lorre, Brecht e Lang fugirão para os EUA, apenas Lorre não voltará para a Alemanha com o fim do nazismo); e Otto Wernicke, que trabalhará para o Nazismo (como Thea von Harbou, roteirista, que na época era casada com Lang).
entra/Petrarca/Il Canzonieri/O Cancioneiro
Dormindo entre cadáveres/Luís Moreira Gonçalves & Felipe Parucci/sai
29.7.26
continua/CATALVNYA ROMÀNICA XV EL PALLARS: EL PALLARS SOBIRÀ, EL PALLARS JVSSÀ/Antoni Pladevall i Font
27.7.26
continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua
<L°, 2>
“O sobrenatural não me inspira. Não faço senão contemplar o mundo exterior; minhas obras são verdadeiras não importa o que se diga.” Odilon Redon.
<L°, 3>
[...]
Stahr relata que o primeiro dançarino de cancan do Bal Mabille, um certo Chicard, dança sob a vigilância de dois agentes da polícia, cuja única função é vigiar a dança deste único homem. [cf. O 4, 2]
<L°, 8>
[...]
Sobre Redon: “Enfim e sobretudo indiferente ao efeito móvel e passageiro, por mais sedutor que seja, é a própria essência da vida, como uma alma profunda, que ele quer dar às suas flores.” André Mellerio, Odilon Redon, Paris, 1923, p. 163.
<L°, 10>
Projeto de Redon: ilustrar Pascal.
<L°, 11>
Apelido de Redon após 1870, no salão de Mme de Rayssac: O príncipe dos sonhos.
<L°, 12>
As flores de Redon e o problema da ornamentação, principalmente no haxixe. Mundo das flores.
<L°, 13>
[...]
Passagens como templos do capital mercantil. [cf. A 2, 2]
<L°, 28>
Passage des Panoramas, antes: Passage Mirès. [cf. A1a, 2]
<L°, 29>
Nos domínios de que tratamos aqui, o conhecimento existe apenas em lampejos. O texto é o trovão que segue ressoando por muito tempo. [cf. N 1, 1]
<L°, 30>
[...]
A necessidade de sensação como vício supremo. A associar com dois dos sete pecados capitais. Quais? A profecia de que os homens se tornariam cegos por excesso de luz elétrica e desvairados pela velocidade da transmissão das notícias. [cf. B 2, 1]
<L°, 32>









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