7.5.26

continua/Bertolt Brecht/Poesia/introdução & tradução André Vallias/SVENDBORG

3. SVENDBORG [1933-1939] 
 

An die Nachgeborenen

1
 
Wirklich, ich lebe in finsteren Zeiten!
 
Das arglose Wort ist töricht. Eine glatte Stirn
Deutet auf Unempfindlichkeit hin. Der Lachende
Hat die furchtbare Nachricht
Nur noch nicht empfangen.
 
Was sind das für Zeiten, wo
Ein Gespräch über Bäume fast ein Verbrechen ist.
Weil es ein Schweigen über so viele Untaten einschließt!
Der dort ruhig über die Straße geht
Ist wohl nicht mehr erreichbar für seine Freunde
Die in Not sind?
 
Es ist wahr: ich verdiene noch meinen Unterhalt
Aber glaubt mir: das ist nur ein Zufall. Nichts
Von dem, was ich tue, berechtigt mich dazu, mich sattzuessen.
Zufällig bin ich verschont. (Wenn mein Glück aussetzt, bin ich verloren.)
 
Man sagt mir: iss und trink dul Sei froh, dass du hast!
Aber wie kann ich essen und trinken, wenn
Ich dem Hungernden entreiße, was ich esse, und
Mein Glas Wasser einem Verdurstenden fehlt?
Und doch esse und trinke ich.

Ich wäre gerne auch weise.
In den alten Büchern steht, was weise ist:
Sich aus dem Streit der Welt halten und die kurze Zeit
Ohne Furcht verbringen.
Auch ohne Gewalt auskommen
Böses mit Gutem vergelten
Seine Wünsche nicht erfüllen, sondern vergessen
Gilt für weise.
Alles das kann ich nicht:
Wirklich, ich lebe in finsteren Zeiten! [1937-1938]
 
2
 
In die Städte kam ich zur Zeit der Unordnung
Als da Hunger herrschte.
Unter die Menschen kam ich zur Zeit des Aufruhrs
Und ich empörte mich mit ihnen.
So verging meine Zeit
Die auf Erden mir gegeben war.
 
Mein Essen aß ich zwischen den Schlachten.
Schlafen legte ich mich unter die Mörder.
Der Liebe pflegte ich achtlos
Und die Natur sah ich ohne Geduld.
So verging meine Zeit
Die auf Erden mir gegeben war.
 
Die Straßen führten in den Sumpf zu meiner Zeit.
Die Sprache verriet mich dem Schlächter.
Ich vermochte nur wenig. Aber die Herrschenden
Saßen ohne mich sicherer, das hoffte ich.
So verging meine Zeit
Die auf Erden mir gegeben war.
 
Die Kräfte waren gering. Das Ziel
Lag in großer Ferne
Es war deutlich sichtbar, wenn auch für mich
Kaum zu erreichen.
So verging meine Zeit
Die auf Erden mir gegeben war. [1934]
 
3
 
Ihr, die ihr auftauchen werdet aus der Flut
In der wir untergegangen sind
Gedenkt
Wenn ihr von unseren Schwächen sprecht
Auch der finsteren Zeit
Der ihr entronnen seid.
Gingen wir doch, öfter als die Schuhe die Länder wechselnd
Durch die Kriege der Klassen, verzweifelt
Wenn da nur Unrecht war und keine Empörung.
 
Dabei wissen wir doch:
Auch der Hass gegen die Niedrigkeit
verzerrt die Züge.
Auch der Zorn über das Unrecht
Macht die Stimme heiser. Ach, wir
Die wir den Boden bereiten wollten für Freundlichkeit
Konnten selber nicht freundlich sein.
 
Ihr aber, wenn es so weit sein wird
Dass der Mensch dem Menschen ein Helfer ist
Gedenkt unserer
Mit Nachsicht. [1937-1938]
 
 
Aos pósteros
 
1
 
Verdade, vivo em tempos sombrios!
 
A palavra inofensiva é tola. Uma testa lisa
Sinal de insensibilidade. Aquele que ri
Apenas não recebeu ainda
A notícia terrível.
 
Que tempos são esses, em que
Uma conversa sobre árvores é quase um crime
Pois implica em calar-se sobre tanta atrocidade!
Quem atravessa calmamente a rua
Não está mais disponível para seus amigos
Necessitados?
 
É verdade: ainda ganho o meu sustento
Mas creiam-me: isso é mero acaso. Nada
Do que faço me permite comer até me saciar.
Fui poupado por acaso. (Quando acabar a minha sorte, estou perdido.)
 
Dizem para mim: coma e beba! Alegre-se de ter
Mas como posso comer e beber, se
Tiro aquilo que como do faminto, e
Meu capo d'água falta a quem tem sede?
E, contudo, bebo e como.
 
Quem me dera ser sábio também,
Nos velhos livros se lê o que é sábio:
Afastar-se da peleja do mundo e passar
O breve tempo sem medo.
Também evitar a violência
Pagar a maldade com o bem
Não satisfazer seus desejos, mas esquecê-los
É tido por sábio.
Nada disso eu consigo:
Verdade, vivo em tempos sombrios!
 
2
 
Vim para as cidades no tempo da desordem
Quando a fome imperava.
Cheguei entre os homens no tempo da revolta
E com eles me insurgi.
Assim transcorreu o tempo
Que na Terra me foi dado.
 
Minha comida comi entre batalhas.
Fui dormir entre assassinos.
Do amor cuidei desatento
E a natureza olhei sem paciência.
Assim transcorreu o tempo
Que na Terra me foi dado.
 
As estradas levavam ao pântano no meu tempo.
A linguagem me entregou ao carniceiro.
Eu pouco podia. Mas sem mim os poderosos
Sentavam-se mais seguros, esperava.
Assim transcorreu o tempo
Que na Terra me foi dado.

As forças eram poucas. O alvo
Estava a uma grande distância
Visível o bastante, ainda que para mim
Quase inatingível.
Assim transcorreu o tempo
Que na Terra me foi dado.
 
3
 
Vocês que emergirão da enchente
Em que nós soçobramos
Lembrem-se
Quando falarem das nossas fraquezas
Também do tempo sombrio
Do qual fugiram.
Mas fomos, trocando de países mais do que de sapatos
Através das guerras de classes, desesperados
Quando havia só injustiça e nenhuma revolta.
 
E contudo sabemos:
O ódio contra a baixeza
Também desfigura o semblante.
A ira contra a injustiça
Também enrouquece a voz. Oh, nós
Que queríamos preparar o solo para a gentileza
Não conseguimos nós mesmos ser gentis.
 
Mas vocês, quando então chegar a hora
Do ser humano ser do ser humano amparo
Lembrem-se de nós
Com benevolência.

Schlechte Zeit für Lyrik
 
Ich weiß doch: nur der Glückliche
Ist beliebt. Seine Stimme
Hört man gern. Sein Gesicht ist schön.
 
Der verkrüppelte Baum im Hof
Zeigt auf den schlechten Boden, aber
Die Vorübergehenden schimpfen ihn einen Krüppel
Doch mit Recht.
 
Die grünen Boote und die lustigen Segel des Sundes
Sehe ich nicht. Von allem
 
Sehe ich nur der Fischer rissiges Garnnetz.
Warum rede ich nur davon
Daß die vierzigjährige Häuslerin gekrümmt geht?
Die Brüste der Mädchen
Sind warm wie ehedem.
 
In meinem Lied ein Reim
Käme mir fast vor wie Übermut.
In mir streiten sich
Die Begeisterung über den blühenden Apfelbaum
Und das Entsetzen über die Reden des Anstreichers.
Aber nur das zweite
Drängt mich zum Schreibtisch. [1939]
 
Mau tempo para poesia
 
Eu sei: só quem é feliz
É amado. Sua voz
Se ouve com prazer. Seu rosto é belo.
 
A árvore atrofiada no pátio
Indica um solo ruim, mas
Os passantes a insultam por seu aleijão
E com razão.
 
Os barcos verdes e as divertidas velas do estreito
Eu não vejo. De tudo
 
Vejo apenas a rede esgarçada do pescador.
Por que só falo disso
Que a criada quarentona caminha encurvada?
Os seios das meninas
Estão quentes como antes.
 
Na minha canção uma rima
Me soaria quase uma arrogância.
 
Brigam dentro de mim:
O entusiasmo pela macieira florindo
A ojeriza aos discursos do pintor de paredes.
Mas somente a última
Me impele à escrivaninha.

BRECHT, Bertolt. 1898-1956. Poesia / Bertolt Brecht (Eugen Bertholt Friedrich Brecht); 300 poemas (edição bilíngue); fragmentos dos diários, anotações autobiográficas, 20 textos sobre poesia; seleção, introdução & tradução André Vallias; texto de 2a capa Augusto de Campos; e 3a capa Lion Feuchtwanger (1928).  São Paulo: Perspectiva, 2019. – (Coleção Signos; 60 / dirigida por Augusto de Campos) 

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