6.9.12
46º Festival Música Nova
24.7.12
Wadade Leo Smith & Peter Brötzman
WADADA LEO SMITH (EUA) SESC Vila Mariana Dia(s) 27/07, 28/07, 29/07 Sexta e sábado, às 21h. Domingo, às 18h. O trompetista norte-americano de Mississipi apresenta o Ten Freedom Summers, lançado em 2012. Um trabalho de 21 peças inspiradas pelo ativismo do movimento dos direitos civis nos EUA desde o começo do século 20 até a década de 1970, constituindo-se em interpretação psicológica dos eventos pertinentes aquele momento. Com sonoridade próxima ao free jazz, essas peças são dividas em 3 partes, sendo que, para cada espetáculo, 7 serão executadas, ou seja, 3 concertos, sendo eles, Momentos Decisivos na América, O que é Democracia? e Ten Freedom Summers. Wadada começou a tocar bateria, mellophone e frenchhorn antes de se identificar com o trompete. Na década de 1970, estudou etnomusicologia na Universidade Wesleyan. Em meados da década de 1980, tornou-se Rastafari e passou a usar o nome Wadada (antes era conhecido apenas como Leo Smith). Além de trompete e flugelhorn, toca outros instrumentos mais tradicionais de outras partes do mundo, como o koto (instrumento de cordas japonês), kalimba (instrumento de percussão africano) e atenteben (flauta de bambu ganense). Para esta Mostra o músico traz o Wadada Leo Smith’s Golden Quintet, em companhia do vídeo artista Jesse Gilbert. PETER BRÖTZMANN / STEVE NOBLE / JOHN EDWARDS (ALE /GBR) SESC Belenzinho Dia(s) 27/07, 28/07, 29/07 Sexta e sábado, às 21h. Domingo, às 18h. Saxofonista e clarinetista autodidata, o músico alemão de free jazz está de volta ao Brasil, acompanhado do contrabaixista John Edwards e do percussionista e baterista Steve Noble, ambos ingleses. Juntos, realizam espetáculo baseado em seu recém-lançado álbum “...The Worse The Better”, gravado em 2010 no Café OTO em Londres. A gravação deu origem ao primeiro disco do selo OtoRoku, próprio da casa, disponível em vinil e download e se resume em 40 minutos de improvisação livre, especialidade de Brötzmann. Teatro.
21.6.12
Música de Agora Série de concertos reúne compositores e intérpretes da nova geração
Marcos Balter – “And Also a Fountain” (fagote solo)
Elliott Carter – “Esprit Rude/Esprit Doux” (flauta e clarinete)
Felipe Lara – duo de flautas TBA
Roberto Toscano – “...Transversal/Weight/Level...” (flauta, oboé, fagote, trompa, gongos múltiplos, thunder sheet [folha de zinco], violoncelo ou bumbo com arco, bumbo, piano)
17h30 – A Sonoridade da Imagem
[entrada franca]
[classificação livre]
Evaldo Mocarzel é jornalista, documentarista, roteirista e dramaturgo. Dirigiu, entre outros documentários, À Margem do Concreto (2006), Mensageiras da Luz – Parteiras da Amazônia (2004), Do Luto à Luta (2005), BR-3, peça teatral filmada, documentário sobre o Rio Tietê (2009), e São Paulo Companhia de Dança (2010). Em 2010, assinou o texto de Kastelo, espetáculo do Teatro da Vertigem.
Marcos Balter é compositor. Atualmente reside em Chicago, onde é o diretor do departamento de composição da Columbia College Chicago. Para mais informações e catálogo completo de obras, visite a página oficial do compositor: www.marcosbalter.com.
Marcus Siqueira é compositor. Foi premiado em concursos de composição no Brasil, além de receber bolsas de criação musical da Funarte, da Fundação Vitae e da RioArte. Ministrou aulas nos conservatórios de Bologna e Pesaro na Itália, em 2010, e estudou com Willy Corrêa de Oliveira (1993-2002). Atualmente é professor da Emesp e do Colégio Santa Cruz.
Nelson Rubens Kunze é engenheiro e músico de formação. É fundador, sócio e diretor da empresa Clássicos Editorial Ltda., que, desde 1995, publica a revista Concerto, da qual é editor.
Sérgio Rodrigo Lacerda é compositor e, atualmente, realiza mestrado em composição na UFMG. Participa regularmente de festivais nacionais e internacionais de composição.
15.6.12
Carlos Reichenbach (Porto Alegre, 14 de junho de 1945 - São Paulo, 14 de junho de 2012)
1) o diretor de vários tipos de filme (os meus preferidos são aqueles que ele tem várias funções [diretor de fotografia, compositor da trilha, etc] e que possuem cenas no centro de São Paulo [e do vale do Anhangabaú]; principalmente Olhar e Sensação e Alma Corsária [do qual fiz um trabalho totalmente a partir de citações dele, que já é recheado de citações (até Gilberto Mendes)]);
2) pai da amiga de minha irmã (Eleonora), onde já fui para a sua casa quando criança (eu sou da mesma idade do Leonel);
3) organizador da Seção (dupla) do Comodoro, que no início eu costumava ser o segundo da fila e ultimamente eu tentava sempre ir (mas nem sempre conseguia), onde, entre outras coisas, descobri Jodorowsky e vi em tela grande filmes como Eraserhead). Será muito difícil continuar sem estas primeiras quartas do mês...
Sempre me entristece quando morrem pessoas que admiro, mas com ele estou bastante triste, pois eram vários em um só.
Pensarei nele com alegria e saudades em todas as primeiras quartas; passando onde ele morava (e passo lá todo dia); e quando eu for ao CineSesc.
obrigado Reichenbach.
5.3.12
Giulio Girardi
(Il Cairo, 23 febbraio 1926 – Rocca di Papa, 26 febbraio 2012)segue em anexo o arquivo de uma pequena edição (traduzida para o português) de um livro do presbítero, teólogo e filósofo italiano Giulio Girardi: Educar, para qual sociedade? (Educare: per quale società?)
http://www.thaisvilanova.com.br/site/portfolio/educar-para-qual-sociedade/
3.2.12
Simona Cavuoto, O violino na metrópole
A violinista italiana Simona Cavuoto apresenta, dia 3 de fevereiro (sexta-feira, 21h) no Espaço Cachuera!, recital de lançamento do CD O Violino na Metrópole, com entrada franca.Das oito peças gravadas, seis foram escritas especialmente para o projeto e todas foram trabalhadas junto aos compositores, fomentando um ambiente que reaproxima intérprete e compositor.
A partir do arco histórico da tradição do violino, as peças buscam um diálogo com a sociedade urbana contemporânea, com suas peculiaridades e idiossincrasias. Nesse desafio, ora resvalam nas origens do instrumento, ora almejam novas sonoridades, formas e relações harmônicas, onde o instrumento cujo timbre nos é tão familiar ganha espaço novo e inusitado em nossa percepção musical. De um lado a metrópole como símbolo da sociedade no século xxi e, de outro, o violino em sua memória de mais de quatro séculos de história revelam-se nos diversos gestos, afetos e cores alcançados nas composições reunidas.
À luz da vigorosa produção da música brasileira do século xxi para o violino, o projeto propõe um recorte singular em um repertório fruto de um elaborado e cuidadoso trato da linguagem musical.
O lançamento do CD O Violino na Metrópole (pelo selo ÁguaForte) conta com o apoio do Programa de Ação Cultural (ProAC - 2010), da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. A produção é da ÁguaForte.
Programa
Willy Corrêa de OliveiraAllgemeine Periodik
Maurício De BonisPaulistinha (Imaginária)
Marcus Alessi BittencourtUm Móbile (seleção)Estandarte
Telegrama n. 1
Arboreto
Primeiro Espelho
Segundo Espelho
Espelho Último
Marcus SiqueiraCapricci Urbani
Capriccio I
Quase Barrocas
Pirano
Rodrigo LimaRecitare
Intérprete

Simona Cavuoto
Italiana, nascida em Rimini, formou-se pelo Conservatório de Música G. Martini de Bolonha, onde estudou com G. Armuzzi e Enzo Porta. Frequentou o Mozarteum em Salzburgo, com Ruggero Ricci, e a Academia Musical Perosi em Biella, com Corrado Romano. Recebeu orientação em várias masterclasses
com Franco Gulli, Michael Frischenschlager, Kolja Blacher, Franco Mezzena, Valery Gradow e Osvaldo Scilla. Também estudou na Escola Internacional de Música de Câmara do Trio de Trieste e com Franco Rossi - violoncelista do Quarteto Italiano -, na Escola de Música de Câmara para Quarteto de cordas, em Firenze.
Foi premiada em vários concursos como o Concorso Internazionale di Musica da Camera di Caltanissetta, em 1999, Concurso F. Schubert, em 1989, Concorso Città di Monferrato, em 1990.
Desde cedo integrou vários grupos italianos de música de câmera como o Trio Schubert (1989 a 1996) e Quartetto Agorà (1995 a 2003). No Brasil, integrou o Quarteto Portinari (2006 a 2008) e desde 2007,integra o Trio Arkhé, formado por Heloísa Meirelles e Horácio Gouveia. Em 1997, ao lado de Emanuelle Baldini, gravou pelo selo Agorà um CD dedicado aos Duos para violinos do compositor Giovanni Battista Viotti.
Em 2003, venceu o concurso da Orchestra della Fondazione Teatro Verdi em Trieste; desde 2005 integra a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp). Colabora frequentemente com vários grupos voltados para música contemporânea, destacando o Percorso Ensemble e Camerata Aberta, gravando CDs, estreando obras de jovens compositores brasileiros e executando um vasto repertório consagrado de obras de compositores dos séculos xx e xxi. Toca em um instrumento J.B. Vuillaume de 1845.
Sobre as composições que integram o CD Violino na Metrópole, por seus autores:
Marcus Siqueira3 Capricci Urbani (2011)
Trata-se de uma obra aberta que almeja retratar dois universos sonoros distintos: de um lado o espectro sonoro do violino advindo dos séculos xvii ao xix e de outro, intentamos uma nova profusão de sons, articulações e texturas advindas da estrutura física natural do instrumento. A escolha do nome “Capricci” é inspirado diretamente de Paganini, porém, buscamos aqui um conceito de virtuosidade que esbarra em critérios como clareza, precisão técnica e principalmente a materialização de novas estratégias motoras que o violinista desenvolverá de modo a obter sons dúbios e complexos. A palavra “urbano” se relaciona com a poética da cidade grande que, de tão devastada em sua dimensão geológica natural, estabeleceu novos paradigmas sobre o lírico e o belo. Desta forma, intentamos aqui extrair timbres que aparentemente seriam débeis ou inadequados para um discurso musical tradicional.
Marcus Alessi BittencourtUm Móbile (2001)
Em dez vinhetas, duas semanas da intimidade de uma pessoa solitária, senhor único de uma nação deserta, declamadas por um instrumento solitário: algumas leituras de Mário de Andrade, mensagens crípticas lançadas flutuantes ao mar proverbial, um passeio ao parque e três tentativas malfadadas de autorretrato em meio a um vulto angelical. Como mote, Maiakovski:
Eu levantei como um halterofilista,
carreguei como um acrobata.
Após, gritei:
"Aqui está! Aqui! É seu!"
As donzelas esconderam-se de mim
como foguetes:
"Preferimos algo um pouco menor;
talvez melhor fosse dançar um tango..."
Não tenho condições de carregar tal fardo - mas carrego.
Eu gostaria de atirá-lo longe - mas eu sei
que eu não devo atirá-lo longe!
As réguas de minhas costelas não aguentarão o tranco.
A gaiola de meu peito estala com tamanha pressão.
Willy Corrêa de OliveiraArya per Yara (2011)
Escutava a Sheherazade de Rimski e uma ideia ocupou-me, fixa: vislumbrava um movimento claro desde o agudo do violino baixando gradativamente até ao grave: um longo arpejo florido. De cada nota do arpejo florescendo uma “fioritura” ou um buquê ou um arranjo de flores. A cada novo regresso do arpejo as flores murcham, pétalas caem mais e mais, até que sobre apenas o ramo nu. Que essa ideia fosse compreendida como um estalo. Na realidade, a peça está apresentada no CD em outra ordem, embaralhada: à terceira aparição corresponde a ideia do arpejo totalmente florido; a primeira e a segunda das enunciações do arpejo apresentam diferentes etapas da perda de “fiorituri”. A última das enunciações do arpejo exibe-o como um galho que perdeu suas flores (fiorituri) , tanto aqui no CD como desde a ideia inicial.
Maurício de BonisPaulistinha (2011)Paulistinhas são pequenas imagens em barro ou madeira, produzidas por santeiros populares a partir de modelos portugueses – típicas da imaginária sacra paulista nos séculos xviii e xix. Imaginei uma Paulistinha em que o violino contasse do trabalho de esculpir. Num primeiro estágio, a peça de abertura (a madeira bruta sendo ferida pelos instrumentos), em que aos poucos se delineia a imagem almejada. Em um segundo estágio, o segundo movimento, em que a imagem se faz clara, polida, pintada. Para figurar minha escultura, utilizei como modelo um antigo canto de igreja registrado por Mário de Andrade, originário de um canto português (em minha “figura” o canto se transfigura na imagem que imaginei).
Rodrigo Lima
Recitare (2011)
Dois acordes, um quase “rasgueado” de violão, golpes de arco, linhas e uma voz quase muda, são alguns dos materiais que compõem a narrativa de Recitare. Não temos aqui a palavra como personagem tão expressivo e típico dos recitativos do período Barroco, mas é o próprio som emoldurado de diferentes maneiras que assume o papel principal, guiando essa espécie de declamação sonora. Para tanto, ao intérprete se exige grande flexibilidade, pois a música ao desenrolar do tempo sofre mudanças contínuas de momentos de extrema vida rítmica, sonoridades mais ásperas e outros momentos mais estáticos onde a voz em boca chiusa revela sempre um território mais sutil e lírico. Recitare é especialmente dedicada à violinista Simona Cavuoto, que me presenteou neste trabalho com sua dedicada e envolvente interpretação.
Willy Corrêa de Oliveira
¡Oh! este viejo y roto violín!
Recopio, aqui, o poema “Con el violín roto” de León Felipe, como introdução para a minha peça. Queria que o violino dissesse coisas alteradas, distintas, sim, poderia rumorejar, grunhir, que esbravejasse, mas, desta feita não cantasse, outrossim:
Con el violín roto
¡QUÉ MAL suena este violín!
León Felipe, vas a tener que comprarte otro violín...
— ¡A buena hora ...! ¡A los 80 años!
¡No vale la pena!
Con este mismo violín roto
voy a tocar para mí mismo
dentro de unos días «Las golondrinas»,
esa canción ¡tan bonita!
que los mexicanos cantan siempre
a los que se van de viaje.
¿Cómo empieza?
¡Adiós...! ¡Adiós...!
Cagh, Cagh..., ¡qué ronco estoy!
En verdad que suena muy mal este violín...
Pero con él tengo que tocar todavía
unas cuantas canciones
que se me olvidaron en mis Obras completas.
No quiero que se queden perdidas
en el barullo de mis papeles inútiles.
Marcus SiqueiraQuase Barrocas (2004-11)
Trata-se de uma obra metalinguística que tem como base três importantes compositores do Período Barroco: Bach, Tartini e Vivaldi. Esta obra busca estabelecer um discurso musical que dialoga às vezes direta e indiretamente com o gesto e afeto destes compositores. “Linhas de Eisenach”, intentam um discurso polifônico que nasce de uma linha (melodia); aqui encontramos fragmentos de um tratamento bachiano. “Pirano”, está voltada diretamente a Tartini; todo seu lirismo esbarra em um conceito violinístico peculiar em seu tempo. “Venezia”, retrata a dimensão lírico-textural de Vivaldi; uma profusão intensa de gestos e afetos. Em “Memórias” encontramos fragmentos das três peças anteriores e outras memórias de gestos violinísticos presentes nos períodos que sucederam ao Barroco até o Séc. xx. Tudo muito “escondido” aos ouvintes mais preparados.
Willy Corrêa de OliveiraAllgemeine Periodik
Quando meu pai morreu, anos passados: escrevi um pequeno Tombeau para ele, utilizando como material básico, (não mármores preciosíssimos), mas a canção, simples, que ele tanto cantava: Nature Boy!
Movido pela morte de Pousseur, há pouco, tornei àquela canção. Agora, como uma espécie de REFRÃO que acomoda vozes vindas através dos ventos mais distantes: coplas que entoam por sua partida. O REFRÃO, desde sua primeira aparição (quase abstrata), distante, vai aos poucos – em suas voltas – chegando cada vez mais próximo da canção, no final. Utilizei o violino porque devia uma peça para a Simona Cavuoto e porque o violino mais canta – quanto mais esteja só.
“Embaraçoso aproximar-se da citação de Mozart, assim, fora do contexto”, disse-me uma amiga, e eu respondi-lhe: incrustrado no Concerto K 216, tampouco me parece que esteja a salvo no “contexto”. Aliás, nesta minha peça, as vozes que se sucedem, tendem a ampará-las, apenas, o que elas queriam dizer ao Pousseur, tudo iluminado por Mozart – mestre valoroso de dialética – ele (por seu turno) ,mestre de Pousseur, e Pousseur, meu mestre mais direto. Se não calhar, pode ser que não tenha bem compreendido a dialética ... ainda mais: na música.
O título da peça é o mesmo do curso inesquecível que Pousseur ministrou em Darmstadt, em 1962.
Recital de Lançamento do CD O Violino na Metrópole, de Simona Cavuoto
Data: 03 de fevereiro de 2012 (sexta-feira)
Horário: 21 horas
Local: Espaço Cachuera! - Rua Monte Alegre, 1094 - Perdizes - São Paulo
Entrada franca
Capacidade: 100 pessoas
Mais informações: 11 3872 8113 . 3875 5563 . cachuera@cachuera.org.br . www.cachuera.org.br
ÁguaForte Produções
11 3258 0615
producaoaguaforte@gmail.com . aguaforte@aguaforte.art.br
Idealização: Marcus Siqueira & Simona Cavuoto
Produção Musical: Thiago Cury & Marcus Siqueira
Gravação: Carlos (KK) Akamine
Assistente: Silvio Romualdo
Coordenação de Estúdio: Shen Ribeiro
Mixagem: Homero Lotito (Estúdio Trilha Certa)
Masterização: Homero Lotito (Reference Studio)
Gravado no estúdio Cachuera nos instrumentos J.B. Vuillaume de 1985 & David Baghé i Soler de 1997
Design Gráfico: Paulo Vidal de Castro & Thais Vilanova
Arte Original & Fotos: Julio Kohl
Tipografias: Hoefler & Gothan
texto de Paulo Vidal de Castro e Thais Vilanova escrito no início da programação visual do CD:Montagem
O princípio básico da capa é uma montagem. Tal qual a idéia de Eisenstein e os ideogramas japoneses. A montagem da imagem do minhocão com as 4 linhas como as cordas do violino sobre ele já diz: violino na cidade.
Logo antes das cordas do violino aparece a afinação tradicional, como vimos em um livro barroco sobre música escrito no ano 1650 (http://num-scd-ulp.u-strasbg.
Le Corbusier (1887–1965) e Leonardo Fibonacci (1170–1250)
Toda estrutura do tamanho das fontes e entrelinhamento (como uma escala dentro de uma harmonia) partiu a partir da combinação entre duas séries de Fibonacci (que se relacionam entre si) que foi utilizada por Le Corbusier em toda a sua arquitetura e proporção tipográfica:
4 / 6,5 / 10,5 / 17 / 27,5 / 44,5 / 72 / ...
/ 5 / 8 / 13 / 21 / 34 / 55 / 89
O bloco de texto e imagens do livrinho/encarte será criado a partir de princípios do livro Le Modulor (1954), de Le Corbusier.
Fontes – Jonathan Hoefler
Ambas as fontes (Hoefler e Gothan) foram criadas por Jonathan Hoefler – um grande tipógrafo contemporâneo que nasceu em 1970, e criou algumas das mais brilhantes (e profundas) fontes para serem utilizadas nas simples e planas impressões digitais atuais.
A Hoefler é uma família completa de tipos criada no início da era digital. O Jonathan criou uma fonte que utiliza várias citações: como criações do início do século xx, barroco, arabescos partindo do renascimento – entre outras influencias – para chegar em vários elementos novos deste século (pontuações, combinações entre acentuação e letras, versaletes em itálico, etc).
Já a Gothan (sem serifa) foi inicialmente encomendada para uma revista, e foi baseada em estruturas geométricas e atuais – tudo girando em torno de uma grande cidade (Nova Yorque, no caso). Ambas as fontes possuem uma perfeita combinação de estrutura tipográfica em relação à outra.
O nome da Simona sempre aparece com uma das opções do S da Hoefler que parece um ouvido de um violino. O mesmo ocorre com o Q – da Quase Barrocas –, que é uma citação Barroca desta tipografia; e o e – de Um Mobile – que tem a forma bem similar a um pedaço de uma escultura de Alexander Calder.
24.8.11
Homenagem a Willy Corrêa de Oliveira
20.7.11
Todo Nazareth – Obras Completas
Polcas
Tangos: A–E
Tangos: F–O
Tangos: P–Z
Valsas
Peças de Concerto e Danças Diversas
20 de julho, quarta-feira, às 18h30
onde: Livraria Cultura (Loja de Artes – Conjunto Nacional)
endereço: Av. Paulista, 2073
título: Todo Nazareth – Obras Completas
autor: Ernesto Nazareth
organização: Thiago Cury
Cacá Machado
direção editorial: Thiago Cury
consultoria, catálogo e imagens: Luiz Antonio de Almeida
produção executiva: Joana Cury
projeto gráfico: Paulo Vidal de Castro
Thais Vilanova
edição musical: Maurício De Bonis
Marcus Siqueira
Thomas Hansen
Daniel Bondaczuk de Castro Lobo
layout musical: Maurício De Bonnis
Thiago Cury
Thomas Hansen
revisão musicológica: Maurício De Bonnis
Thiago Cury
Cacá Machado
tradução: Alexandre Barbosa de Souza
Alex Barros (Cronologia)
divulgação: Manoel Carlos Jr
tipo: Kennerley
formato: 23,6 x 31 cm
realização: Água-Forte Edições Musicais








texto de Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo
texto de SIDNEY MOLINA, na Folha
22.3.11
Sob o Azul do Céu

"Selo Povo
Selo feito para livros de bolso, livros esses escritos por e para mãos operárias, rebeldes, marginais, periféricas.
Que possa alcançar o público despossuído de recurso que geralmente vê o livro como um item raro e elitista.
Um vinho guardado e nunca degustado, enquanto queremos que todos bebam pelo menos sua tubaína diária.
Um selo em um livro de bolso, para ser posto na sexta básica, para ser lido na rua, no horário de almoço, nas prisões, nos acampamentos, nas zonas, nos bares, barracos e barrancos desse imenso país periferia.
Esse selo garante um livro de fácil leitura e que será lido, relido, emprestado, e gasto, andando de mão em mão até que volte para onde veio, a vida.
Ao preço de 1 cerveja e meia, e mais barato que um prato feito, a desculpa para não ler acabou.
Bem vindo ao Selo Povo, feito pra você e pra todo mundo.
Ferréz"
Dia 22 (terça-feira),19h30, na Ação Educativa.
Endereço:
Rua General Jardim 660 – Vila Buarque
Cep: 01223-010 – São Paulo – SP
Fone: 11 3151 2333
_____________________________________________
título: Sob o Azul do Céu
autor: Marcos Teles
revisão e preparação de texto: Alexandre Barbosa de Souza
projeto gráfico: Paulo Vidal de Castro & Thais Vilanova
coordenação: Marcelo Martorelli Vessoni
formato: 10 x 16 cm
número de páginas: 80
tipo: Caecilia
tiragem: 1000
ISBN-13: 9788562848025

29.10.10
Duo Cavuoto-Gouveia (Simona Cavuoto, violino; Horácio Gouveia, piano)

Hoje haverá um recital com a violinista Simona Cavuoto e o pianista Horácio Gouveia.
Eles tocarão obras de Bach – Sonata para violino e piano em fá menor BWV 1018 –; passarão pelo século xix – Sonata para violino e piano em lá menor Op 105, de Schumann –; pelo início do séc xx – Sonata em lá menor para violino e piano, de Ravel –; e terminarão (terminará, no caso) a apresentação com duas obras contemporâneas para violino solo (e que homenageiam outros compositores): Riconoscenza per Goffredo Petrassi, do norte-americano Elliott Carter; e Allgemeine Periodik – in memoriam Henri Pousseur, do brasileiro Willy Corrêa de Oliveira.
onde: Funarte SP/ Sala Guiomar Novaes
endereço: Al Nothmann, 1058 –Centro. Tel: (11) 3662 5177
Data e Hora: Hoje (sexta, 29 de Outubro de 2010), às 21h00
14.10.10
45º Festival Musica Nova
Já começou o Festival deste ano.
“Idealizado pelo compositor Gilberto Mendes, o Festival Música Nova é o maior evento de música contemporânea da América Latina e ocorre simultaneamente nas cidades de São Paulo e Santos.” [site do SESC]
vide programação nos sescs
e
a entrevista que fiz com Gilberto Mendes na época do 40º Festival Musica Nova.

13.9.10
Amazônia em Chamas

Textos do Ferréz:
“Diretamente de Rondônia, a escritora Catia Cernov vem fazer seu lançamento em São Paulo, dia 14 de Setembro as 19:00 horas.
Amazônia em Chamas é o primeiro livro da escritora.
mais um livro da coleção Selo Povo, representando a Literatura Marginal.
ao preço de apenas R$ 6,00.
Dia 14 de Setembro na Ação Educativa.
Endereço:
Rua General Jardim 660 – Vila Buarque
Cep: 01223-010 – São Paulo – SP
Fone: 11 3151 2333
Quem é Catia Cernov?
Catia Cernov publicou seu primeiro texto pela revista Literatura Marginal Ato III, da Caros Amigos.
Escreve, edita, imprime e distribui seus contos de forma independente em bancas de revistas, livrarias e sebos. Também é envolvida em manifestações e lutas ambientais.
Amazônia em chamas é seu primeiro livro.
Nas palavras da autora ‘A minha ecologia, que se reflete na literatura (quando assim o tema exige), acontece de forma mais direta, na pratica. É no não consumo de coisas danosas, de ensinar aos filhos o amor á terra, de criar filhos-pessoas e não filhos-consumidores, de não tratar plantas ou animais como propriedade, de entender a importancia de todas as formas de vida, rompendo com antropocentrismo, que trabalho ecologia dentro de casa.’
Nasceu no Paraná e migrou para o norte, mora há muitos anos em Porto Velho – RO.
O que mais aprecia nesse estilo de trabalho é a possibilidade de interagir pessoalmente com seus leitores. Seus contos são experiências do pensamento, fruto de devires que nascem de seu universo em movimento.”
______________________________________________
título: Amazônia em Chamas
autora: Catia Cernov
revisão: e preparação de texto Alexandre Barbosa de Souza
projeto gráfico: Paulo Vidal de Castro & Thais Vilanova
coordenação: Marcelo Martorelli Vessoni
formato: 10 x 16 cm
número de páginas: 104
tipo: Caecilia
tiragem: 2000
ISBN-13: 9788562848018
30.8.10
Com Villa-Lobos (lançamento)

Encontro com o autor
Lançamento do livro Com Villa-Lobos (EDUSP) e bate-papo com o autor e compositor Willy Corrêa de Oliveira. O livro analisa a obra do músico brasileiro Heitor Villa-Lobos e traz também várias pinturas do artista plástico e jornalista Enio Squeff, que serão expostas por ocasião do evento.
Dia 31, das 18h30 às 20h30
Biblioteca Mário de Andrade
Rua da Consolação, 94
Telefone: 3256 5270
___________________________________________
Ficha técnica
Título: Com Villa-Lobos
Autor: Willy Corrêa de Oliveira
Pinturas: Enio Squeff
Produção: Henrique P. Xavier
Projeto Gráfico e Capa: Henrique P. Xavier
Imagem da Capa e Cartão: Thais Vilanova & Paulo Vidal de Castro
Fotos das Pinturas: Ronie Prado
Tratamento de Imagens: Henrique P. Xavier
Editoração Eletrônica: Henrique P. Xavier
Revisão de Provas: Leonardo Ortiz Matos
Editora: Edusp
Formato: 16 X 21 cm
Ano de publicação: 2009
Preço: R$ 39,00
ISBN: 8531411998
ISBN-13: 9788531411991
4.8.10
Cinco advertências sobre a Voragem – Willy Corrêa de Oliveira

Recital com o pianista Mauricio De Bonis e a soprano Caroline De Comi executando obras de Willy Corrêa de Oliveira. Junto acontecerá o lançamento de seu ultimo livro: 5 advertências sobre a Voragem
Projeto Música para Todos – Ciclo de Música Erudita
Concerto: Canções e peças para piano de Willy Corrêa de Oliveira
Repertório:
Lluvia, para canto e piano - versos de Manoel Altolaguirre
Song, para canto e piano - versos de Seamus Heaney
Miserere, ciclo de peças para piano
Infância (1ª versão) para canto e piano - versos de João Cabral de Melo Neto
Infância (2ª versão) para canto e piano - versos de João Cabral de Melo Neto
Infância (3ª versão) para canto e piano - versos de João Cabral de Melo Neto
Teatro Coletivo Rua da Consolação, 1623
Dia 06 de agosto (sexta-feira), 21h
Entrada Franca
Informações: (11) 3255 5922
sobre o livro:
título: Cinco advertências sobre a Voragem
autor: Willy Corrêa de Oliveira
revisão: Alexandre Barbosa de Souza
projeto gráfico: Paulo Vidal de Castro & Thais Vilanova
colaboradores: André de Cillo Rodrigues, Lauren Couto Fernandes, Thiago Senna, João Daniel, Luis Felipe S. Corrêa, Carlos Zeron, Marcelo Martorelli Vessoni e Jorge de Almerida
editora: Luzes no Asfalto
tipos: Minion Pro & Meta
número de páginas: 224
Retrato do artista em movimento
Ao longo de aulas reunidas em Cinco Advertências Sobre a Voragem, o compositor Willy Corrêa de Oliveira relembra a sua trajetória - dos anos de comunismo até a retomada do ''anseio pela arte''
João Marcos Coelho, O Estado de S.Paulo23 Outubro 2010 | 00h00
Escrever música, para mim, tornou-se algo semelhante a um louco que aplacasse sua loucura escrevendo cartas; como não dispõe de destinatário, não tem para quem escrever, com quem se corresponder, escreve para si mesmo. Vai ao correio, como todo mundo que tem cartas para enviar, sela, e manda para seu próprio endereço. E aguarda. E continua a escrever outras.
Mandar cartas sonoras para si mesmo é como esperar Godot, "rien à faire". "E agora, José?", não há mais por que lutar após a Queda do Muro de Berlim; não há sentido mais em fazer música nas portas de fábricas. E muito menos em reassumir o posto de compositor contemporâneo burguês. O que fazer? Escrever música, apesar de tudo. Música como "muleta, a arte como consolação, como um meio de escapar da morte. Isso! Escrever músicas tornou-se pra mim, ao mesmo tempo que um lenitivo, um diálogo de vida ou morte com a criação".
Há um sentimento claro de desesperança e resignação no núcleo mais profundo do novo livro do compositor Willy Corrêa de Oliveira, Cinco Advertências sobre a Voragem. Willy é um dos mais importantes criadores e pensadores musicais brasileiros do último meio século. Sua ideia-mestra nas cinco aulas no Departamento de História da USP transcritas no livro é dupla: aos historiadores, recomenda que pensem a música como sinal do mundo; e aos músicos, que escutem a História como um sinal que perpassa a música.
Mas, aos 72 anos, ele as acaba transformando em mais uma entre várias recriações obsessivas de seu trajeto como compositor. As duas primeiras - Como me tornei um compositor e O artista incompreendido - já são de há muito conhecidas. Entretanto, sua leitura entusiasma. Mesmo para quem sabe de cor as passagens de Hanns Eisler e Bertolt Brecht que ele não se cansa de repetir (com notável verve, reconheça-se).
Vocábulos bíblicos pululam nas páginas da surpreendente terceira advertência, intitulada O artista comunista. Dúvidas atrozes rondavam seu dia a dia. Treze páginas, sobretudo, são antológicas. Qual Saulo de Tarso, o perseguidor dos cristãos na Roma antiga que ajudou a apedrejar Estevão e converteu-se no apóstolo Paulo ao ter uma visão a caminho de Damasco, Willy converteu-se assistindo a uma encenação do Moteto dos Passos de Cristo na Sexta-Feira Santa de 1982 em Prados, Minas Gerais. "Foi estranhíssimo, me veio assim uma certeza assim avassaladora mesmo, alucinante: Deus existe (...) uma certeza tão irredutível que, puxa vida, assustei-me a princípio (...) Mas como: mas como é que é? E a dialética?... (...) Falei com um grande amigo do partido que eu estava com todos estes problemas e ele perguntou: "você deixou de ser comunista por isso?" Respondi: "Em nenhum momento" (...) Ele disse: "Então não levanta esse problema, deixa isso pra lá e continua a sua vida." Impossível não lembrar dos dilemas de Don Peppone, o folclórico prefeito comunista e católico às voltas com o pároco Don Camillo nas historietas de Giovanni Guareschi. A comicidade aumenta quando lembra uma aula sobre a série dodecafônica de Schoenberg na USP. "Eu ria tanto, dizia para os alunos "mas isto é uma estupidez tão grande". O mundo nesta situação e eu falando aqui que não posso repetir uma nota antes das outras doze"..."
A questão fundamental era conciliar sua condição de comunista com a prática de uma "arte burguesa" como a música contemporânea. "Essa é outra das mudanças que causaram na minha vida aquele caminho de Damasco, aquele momento de dizer: como é que posso ser comunista e fazer uma música tão... tão não comunista." Passou a testar cada composição junto aos trabalhadores do ABC. Mas, em 1989, aquele mundo ruiu. Assistimos a uma dolorosa autoanálise em O artista comunista após a Queda do Muro de Berlim. "De certo modo, o meu mundo caiu, como cantava a Maísa. (...) O trabalho simplesmente não teve continuação."
Necessidade. Willy é preciso. Foi dramática sua recaída na música burguesa, depois de assistir a O Sacrifício, de Tarkovski. "Eu sentia aquela necessidade (de novo) de arte... e o pior de tudo, arte no velho sentido burguês da palavra; (...) Meu Deus, que desgraça! O mundo como está, tudo isso acontecendo e eu ainda agora quero voltar a ser artista! Não acredito!" (...) Então comecei a ter uma necessidade, não nostalgia, uma necessidade exasperante de arte."
A questão passou a ser que tipo de material usar para compor. Tarkovski levou-o ao universo da cultura japonesa e ao fascínio pela ikebana, a arte de compor vasos de flores. "Cada ikebana é uma expressão, manifestação das relações do homem com a terra e com o cosmo (...) e me propus a escrever peças musicais como se estivesse compondo um vaso de ikebana." Sua filha Susana cantarolou uma canção infantil que ouvira em Belém, onde Willy morou, e ele completou-a ao piano. Foi seu primeiro ikebana musical. "Foi a primeira satisfação que tive ao voltar a... trabalhar com arte... (uma maneira velha de lidar com a arte), um regozijo interior diante de algo que se concretizava assustadoramente, e amenizava algumas mazelas que eu andava sofrendo com o mundo."
Naquele momento - e esta é sua fase atual -, Willy reconhece "as coisas ruins do mundo acontecendo mais e mais", porém confessa que "cada vez eu fui... tendo vontade de fazer arte, e arte naquele velho, decrépito sentido... Arte consoladora, expressão do "eu", lirismo cansativo. De qualquer modo, havia, agora, uma novidade (...); eu não fazia mais uma arte nem para o homem do futuro, nem para o homem do passado, "pra homem nenhum botar defeito"... Eu fazia porque precisava dela."
Recupera até o estilo, conceito que usara anteriormente para esculhambar Stravinsky, argumentando que "escrevo pra mim mesmo, e para aplacar as necessidades inquestionáveis de arte; consciente, também, de que não tem nada desse negócio de "artista", "personalidade", "estilo". Mas no fundo, o estilo, sempre ele está aí, quer dizer... mas muito mais solto, porque... não estou tão preso a todos aqueles conceitos que a gente trabalhou durante tanto tempo no passado, acriticamente".
Chegamos a 2008 - e à longa entrevista concedida ao Estado e ao artigo sobre as Cirandas em que reabilitou Villa-Lobos. "Foi nesse momento, em meio à catástrofe do socialismo e à mais imediata e fétida decomposição final do cadáver capitalista, que voltei a ler Joyce e ouvir Chopin. (...) Mas acho que se tudo continuar como está, os dias que me restam, haverei de vivê-los ouvindo Chopin. Chopin, Joyce, o inconfundível e súbito anseio pela arte, no fundo são parte de mim, no fundo. Sou isto também."
"E no entanto é preciso cantar/ Mais que nunca é preciso cantar." O verso de Carlos Lyra tem a ver com o estado de espírito de Willy hoje. É preciso cantar, mas cantar a memória. A partir da leitura dos escritos do português Vergílio Ferreira surgiu o Willy memorialista. "É uma literatura feita do sentimento que você tem... na memória (...) E isto foi me dando novamente essa satisfação no campo da arte: de... trabalhar a memória, de... falar de coisas que tinha vivido. Porque eu estava escrevendo sobretudo pra mim mesmo. (...) Não tenho mais uma comunidade com a qual me identifique a ponto de pôr minha arte a serviço dela."
Willy não é de desistir. A descrição de seu itinerário pode parecer um gasto videoteipe dos anos 80. Até os autores-âncora e os textos são os mesmos. Mas é instrutivo observar um criador na sua maturidade reconhecendo que termina seu ciclo virtuoso como começou: "Hoje, no auge do capitalismo (e por causa disso, da inexistência de uma linguagem musical e erudita comum, falada por todo mundo), tudo que ouço não responde às indagações e necessidades que reclamo e necessito da arte. (...) Escrever músicas também me faz um grande bem: é aí que me entretenho (e também me angustio, outro tanto) em confeccionar respostas concretas para os anseios, para as perguntas que me ocupam. Pode ser que não satisfaçam a ninguém além de mim, mas, nesta hora do mundo, foi assim que encontrei jeito de sobreviver..."
3.8.10
Rainer Maria Rilke: Poemas

Initiale
Aus unendlichen Sehnsüchten steigen
endliche Taten wie schwache Fontänen,
die sich zeitig und zitternd neigen.
Aber, die sich uns sonst verschweigen,
unsere fröhlichen Kräfte – zeigen
sich in diesen tanzenden Tränen.
título: Poemas
autor: Rainer Maria Rilke
tradução (livro bilíngüe), seleção e notas: Geir Campos
revisão: Alexandre Barbosa de Souza
projeto gráfico: Paulo Vidal de Castro & Thais Vilanova
editora: Luzes no Asfalto
formato: 14 x 21 cm
número de páginas: 120
tiragem: 1000
tipo: Rialto Piccolo
preço: r$ 38,00
isbn: 8561530057
isbn-13: 9788561530051
Schlußstück
Der Tod ist groß.
Wir sind die Seinen
lachenden Munds.
Wenn wir uns mitten im Leben meinen,
wagt er zu weinen
mitten in uns.


















