22.10.18
Camerata Aberta – Varèse
Grande Auditório do MASP
Camerata Aberta
Guillaume Bourgogne | regente
Quarteto Modigliani
Diana Ligeti | violoncelo
Guillaume Bourgogne | regente
Quarteto Modigliani
Diana Ligeti | violoncelo
Camerata AbertaAlunos da EMESP Tom Jobim
A Camerata Aberta apresenta três concertos gratuitos na série
extra-assinatura da Cultura Artística: nos dias 22 e 24 de outubro no
Auditório do MASP, com regência do maestro Guillaume Bourgogne e
participação do Quarteto Modigliani e da violoncelista Diana Ligeti;
e no dia 18 de outubro na 33ª Bienal de São Paulo, com a participação de
alunos da Escola de Música do Estado de São Paulo (EMESP Tom Jobim).
Especializada na interpretação, divulgação e ensino da música dos séculos XX e XXI, a Camerata foi fundada em 2010 pela Santa Marcelina Cultura como corpo Artístico Pedagógico da EMESP. Com direção artística do compositor Sergio Kafejian, o grupo inaugura, a partir deste ano, uma nova fase de sua existência, na qual suas atividades passaram a ser geridas pelo seus músicos integrantes, direção e conselho artístico.
Na Bienal de São Paulo, a Camerata realiza a performance “Estados Transitórios”, junto à obra de Alejandro Corujeira e com repertório especialmente selecionado para a ocasião, incluindo uma peça inédita de Sergio Kafejian. "De forma a explorar sonoramente os espaços arquitetônicos do Pavilhão da Bienal, a performance Estados Transitórios desenvolve uma narrativa cujas forças de atração se fazem através da associação entre estados sonoros e espaços físicos do pavilhão. Esses estados, que se transformam ao longo do tempo, encontram no deslocamento espacial de seus materiais sonoros a lógica de condução de seu discurso", explica Kafejian.
Já no auditório do MASP, com ingressos gratuitos distribuídos uma hora antes da apresentação, a Camerata Aberta interpreta obras de Kaija Saariaho, Edgard Varèse, Valéria Bonafé, Tatiana Catanzaro, Rodrigo Lima e Alexandre Lunsqui com regência de Guillaume Bourgogne e a participação da violoncelista Diana Ligeti e do Quarteto Modigliani, que realiza concerto na Temporada 2018 da Cultura no dia 23 de outubro
22 de outubro às 20h30, MASP
VARÈSE Edgard - Octandre
BONAFÉ Valéria - Terceira Margen do Rio
LUNSQUI Alexandre - Telluris****
SAARIAHO Kaija - Terra Memoria
SAARIAHO Kaija - Notes on LightParticipação: Quarteto Modigliani
24 de outubro às 20h30, MASP
VARÈSE Edgard - Octandre
CATANZARO Tatiana - Ijareheni
LIMA Rodrigo - AntiphonasSolista: Pedro Bittencourt (saxofone)
****
SAARIAHO Kaija - Terra Memoria
SAARIAHO Kaija - Notes on LightParticipação: Quarteto Modigliani
Especializada na interpretação, divulgação e ensino da música dos séculos XX e XXI, a Camerata foi fundada em 2010 pela Santa Marcelina Cultura como corpo Artístico Pedagógico da EMESP. Com direção artística do compositor Sergio Kafejian, o grupo inaugura, a partir deste ano, uma nova fase de sua existência, na qual suas atividades passaram a ser geridas pelo seus músicos integrantes, direção e conselho artístico.
Na Bienal de São Paulo, a Camerata realiza a performance “Estados Transitórios”, junto à obra de Alejandro Corujeira e com repertório especialmente selecionado para a ocasião, incluindo uma peça inédita de Sergio Kafejian. "De forma a explorar sonoramente os espaços arquitetônicos do Pavilhão da Bienal, a performance Estados Transitórios desenvolve uma narrativa cujas forças de atração se fazem através da associação entre estados sonoros e espaços físicos do pavilhão. Esses estados, que se transformam ao longo do tempo, encontram no deslocamento espacial de seus materiais sonoros a lógica de condução de seu discurso", explica Kafejian.
Já no auditório do MASP, com ingressos gratuitos distribuídos uma hora antes da apresentação, a Camerata Aberta interpreta obras de Kaija Saariaho, Edgard Varèse, Valéria Bonafé, Tatiana Catanzaro, Rodrigo Lima e Alexandre Lunsqui com regência de Guillaume Bourgogne e a participação da violoncelista Diana Ligeti e do Quarteto Modigliani, que realiza concerto na Temporada 2018 da Cultura no dia 23 de outubro
22 de outubro às 20h30, MASP
VARÈSE Edgard - Octandre
BONAFÉ Valéria - Terceira Margen do Rio
LUNSQUI Alexandre - Telluris****
SAARIAHO Kaija - Terra Memoria
SAARIAHO Kaija - Notes on LightParticipação: Quarteto Modigliani
24 de outubro às 20h30, MASP
VARÈSE Edgard - Octandre
CATANZARO Tatiana - Ijareheni
LIMA Rodrigo - AntiphonasSolista: Pedro Bittencourt (saxofone)
****
SAARIAHO Kaija - Terra Memoria
SAARIAHO Kaija - Notes on LightParticipação: Quarteto Modigliani
18.10.18
Cronista de um Tempo Ruim
Vocês fizeram essa realidade, eu sou só o cronista (Ferréz)
O autor escreveu na revista caros amigos por 10 anos, além de inumeras colaborações com: folha de são paulo, Estadão, Le Monde diplatique, Brasil, RevistaTrip, e relatório da ONU.
Neste Livro pode - se encontrar a crônica sppcc, que o escritor escreveu meses antes dos atentatdos cometidos pela facção criminosa, assim como também a crônica Meu Dia na Guerra que, além de narrar os fatos após os atentados, denuncia as dezenas de chacinas que vieram em seguida.
O Autor
Nascido e criado no capão redondo, bairro da periferia de SP, começou a escrever aos 12 anos, seu primeiro foi fortaleza da Desilusão (1997) Seguido por Capão pecado, Manual Pratico do ódio, amanhecer esmeralda, O Pote Magico, Os Ricos também Morrem, Entre outros, Sua Obras foram traduzidas na Italia, Alemanha, Inglaterra, Portugal, Espanha, França e Estados Unidos.
Editora selo povo
A Selo povo é uma Editora Fundada na Periferia de São Paulo e já Publicou 8 Autores, nossa missão é trabalhar tanto o autor como o livro de forma digna.
www.selopovo.com.br
Medium: Facebook e Instagram, youtube
Vocês fizeram essa realidade, eu sou só o cronista (Ferréz)
o autor escreveu na revista caros amigos por 10 anos, além de inumeras colaborações com: folha de são paulo, Estadão, Le Monde diplatique, Brasil, RevistaTrip, e relatório da ONU.
Título Cronista de um tempo ruim
Autor Ferréz
Capa dura 21x28,9 cm, 4xo cores, escala europa em couchefosco LD 170g
Miolo: 1 cor, tinta preta em polen bold Ld
Lombada: 9 mm, dobrado, cartunagem, vinco capa, alceado, trilateral, laminação fosca, papelão 18
Projeto Gráfico Paulo Vidal de Castro & Thais Vilanova
Formato 14 x 21 cm
Fontes Caecilia & Syntax
O autor escreveu na revista caros amigos por 10 anos, além de inumeras colaborações com: folha de são paulo, Estadão, Le Monde diplatique, Brasil, RevistaTrip, e relatório da ONU.
Neste Livro pode - se encontrar a crônica sppcc, que o escritor escreveu meses antes dos atentatdos cometidos pela facção criminosa, assim como também a crônica Meu Dia na Guerra que, além de narrar os fatos após os atentados, denuncia as dezenas de chacinas que vieram em seguida.
O Autor
Nascido e criado no capão redondo, bairro da periferia de SP, começou a escrever aos 12 anos, seu primeiro foi fortaleza da Desilusão (1997) Seguido por Capão pecado, Manual Pratico do ódio, amanhecer esmeralda, O Pote Magico, Os Ricos também Morrem, Entre outros, Sua Obras foram traduzidas na Italia, Alemanha, Inglaterra, Portugal, Espanha, França e Estados Unidos.
Editora selo povo
A Selo povo é uma Editora Fundada na Periferia de São Paulo e já Publicou 8 Autores, nossa missão é trabalhar tanto o autor como o livro de forma digna.
www.selopovo.com.br
Medium: Facebook e Instagram, youtube
Vocês fizeram essa realidade, eu sou só o cronista (Ferréz)
o autor escreveu na revista caros amigos por 10 anos, além de inumeras colaborações com: folha de são paulo, Estadão, Le Monde diplatique, Brasil, RevistaTrip, e relatório da ONU.
Título Cronista de um tempo ruim
Autor Ferréz
Capa dura 21x28,9 cm, 4xo cores, escala europa em couchefosco LD 170g
Miolo: 1 cor, tinta preta em polen bold Ld
Lombada: 9 mm, dobrado, cartunagem, vinco capa, alceado, trilateral, laminação fosca, papelão 18
Projeto Gráfico Paulo Vidal de Castro & Thais Vilanova
Formato 14 x 21 cm
Fontes Caecilia & Syntax
13.8.18
Fred Frith Trio com participação de Susana Santos Silva (ING/POR)
O guitarrista britânico Fred Frith integrou grupos de jazz rock e avant-garde como Henry Cow, Art Bears e Naked City. Com um trio, ele mostra o disco Another Day in Fucking Paradise, em show com participação da trompetista portuguesa Susana Santos Silva, destaque da cena de jazz contemporânea por seu talento em improvisar. A artista visual Heike Liss é responsável pelas projeções durante as apresentações.
Local: Teatro
Sesc Pompéia
30/08
QUI
21H
31/08
SEX
21H
Local: Teatro
Sesc Pompéia
30/08
QUI
21H
31/08
SEX
21H
Archie Shepp & Ritual Trio, com Kahil El’Zabar (EUA)
Um dos ícones do jazz avant-garde, o saxofonista americano Archie Shepp reúne-se com o percussionista Kahil El Zabar para um tributo a John Coltrane. Um de seus mais talentosos discípulos, Shepp tocou com Coltrane em seus últimos anos de vida.
Local: Teatro
Sesc Pompéia
01/09
SAB
21H
DOM
18H
Willy Corrêa de Oliveira

12h00
Caroline De Comi – sopranoGustavo Fontes – contrabaixo
Maurício De Bonis – piano
Rodrigo Prado – violoncelo
Escola Municipal de Música.
Tons da Escola. Núcleo Réplica.
Música de Câmara Hoje.
Programa: obras de Willy Corrêa de Oliveira.
Sala do Conservatório.
Cidade: São Paulo, SP
Data: 25/08/2018
Local: Praça das Artes Endereço: Av. São João, 281 - Centro - Tel. (11) 4571-0401 - Auditório e Escola de Música de São Paulo (80 lugares); Sala Mário de Andrade (200 lugares). Ingressos:
Entrada franca.
23.2.18
Sala Guiomar Novaes recebe recital dedicado a Willy Corrêa de Oliveira
O programa acompanha o percurso do autor ao lado de diversos poetas e inclui obras compostas para Caroline De Comi e Maurício De Bonis
No dia 25 de fevereiro, domingo, às 17h, a Sala Guiomar Novaes recebe o recital Willy Corrêa de Oliveira – primeiras audições III, apresentado pelo Núcleo Réplica. A entrada é gratuita.
O repertório traz uma amostra da extensa produção de Willy Corrêa de Oliveira para voz e piano, comentada pelo próprio compositor. O programa inclui diversas canções compostas para o duo formado por Caroline De Comi e Maurício De Bonis, que há cerca de quinze anos vem se dedicando à música contemporânea e ao trabalho de Willy Corrêa de Oliveira. A seleção de obras acompanha o percurso de Willy ao lado de diversos poetas: de Brecht a Hölderlin, de Emily Dickinson a Paul Celan, de Jorge Koshiyama a Alexandre Barbosa de Souza.
O crítico de arte Alfredo Bosi, em O desafio de traduzir Ungaretti, prefácio da edição bilíngue de poemas traduzidos e interpretados por Geraldo Holanda Cavalcanti, afirma a complexidade dos processos de tradução e interpretação. É o caso da relação entre poesia e música, que enfrenta um duplo desafio: a busca do registro em música de uma leitura do poema, durante o processo de composição, e a interpretação, no cruzamento entre as duas linguagens. Assim, os sentidos para a interpretação de uma canção devem ser descobertos e, muitas vezes, encontra-se aquilo que não estava previsto. Nem sempre o que é descoberto existe, muitas vezes é criado, surge de dentro da obra, já que a obra vive, sendo independente do criador.
Formado por Caroline De Comi, Maurício De Bonis, Gilson Antunes e convidados, o Núcleo Réplica dedica-se à interpretação e à criação como esferas inseparáveis da prática musical. O grupo atua na relação direta com compositores e seus processos de criação, na apresentação de repertórios referenciais para a criação musical contemporânea ou na recuperação crítica do repertório da história da música. Desde o início de suas atividades, o núcleo mantém uma dedicação especial à obra de Willy Corrêa de Oliveira.
Sala Guiomar Novaes – Complexo Cultural Funarte SP
(Alameda Nothmann, 1058, Campos Elíseos, São Paulo, SP)
Projeto: Willy Corrêa de Oliveira – primeiras audições III
Dia 25 de fevereiro. Domingo, às 17h.
Entrada franca
Intérpretes:
Núcleo Réplica: Caroline De Comi (soprano) e Maurício De Bonis (piano) | Participação especial: Manuela Freua (soprano) | Comentários sobre as obras: Willy Corrêa de Oliveira
Programa : Obras para voz e piano de Willy Corrêa de Oliveira (nascido em 1938), comentadas ao vivo pelo próprio compositor.
Cantares por Diamantina (2ª versão, 1982/2001) (versos de Bertolt Brecht)
I. A exceção e a regra
II. As águas do rio
III. Se a pedra diz
IV. Entendimento
Se fôssemos infinitos (1990) (versos de Bertolt Brecht)
4 canções sobre poemas de Jorge Koshiyama (2001)
I. Coral
II. Antífona
III. Ricercata
IV. Vislumbres
Cristal (2001) (versos de Paul Celan)
Canções de Celan (versão para Caroline, 1997/2002) [versos de Paul Celan]
I. Fiapossóis
II. Os vestígios da mordida no nenhures
III. A mim
Uma porta (2011) (versos de Alexandre Barbosa de Souza)
Poema 3 (2011) (versos de Alexandre Barbosa de Souza)
3 Duetti, para duas vozes femininas* e piano (2005) (versos de Emily Dickinson)
I. Ample make this bed
II. A sepal, a petal and a thorn
III. Wild nights, wild nights
Sem título (2012) (versos de Alexandre Barbosa de Souza)
Replica (2013) (versos de García Lorca)
Não há rio… (2017) (versos de Alexandre Barbosa de Souza)
Canção terrível (2016) (versos de Alexandre Barbosa de Souza)
Ample make this bed (2017) (versos de Emily Dickinson)
Hölderlin Lied (2017) (versos de Friedrich Hölderlin)
Mais informações: (11) 3662-5177 (11) 3822-5671 (bilheteria – abre uma hora antes dos espetáculos) funartesp@gmail.com
Núcleo Réplica apresenta ‘Serial e Antes’, na Sala Guiomar Novaes
Recital acompanha o percurso dos compositores Alban Berg e Anton Webern em direção ao dodecafonismo
No dia 23 de fevereiro, sexta, às 20h, o Núcleo Réplica apresenta obras de Alban Berg (1885-1935) e Anton Webern (1883-1945). O recital, com entrada franca, é realizado na Sala Guiomar Novaes do Complexo Cultural Funarte SP.A apresentação acompanha o percurso de Berg e Webern em direção ao método de composição dodecafônico, proposto inicialmente por Arnold Schoenberg. O repertório mostra expressões distintas a que o método conduziu, o que é sinal de sua efetividade, e reforça a ideia de que o ambiente radical da composição dodecafônica não cessa de dialogar com a história da música.
A obra de Berg apresenta dois pontos extremos desse percurso: o tratamento do mesmo poema de Theodor Storm, Feche meus olhos, em duas versões, uma tonal e outra dodecafônica. As peças são repletas de simbolismos e mensagens cifradas sob as notas, o que é representativo do espírito romântico que nunca foi abandonado pelo autor. Entre a composição dessas duas peças, em um ponto já distante do sistema tonal e ainda bem distinto do dodecafonismo, situam-se as Quatro peças para clarineta e piano op.5. Elas são exemplos do chamado “estilo aforístico”, em que as informações apresentadas em um curto período condensam o potencial expressivo e respondem à ausência dos recursos tonais para a estruturação de discursos mais longos.
A música vocal também é um dos campos explorados com frequência pelos
compositores dessa época. Na ausência de uma organização em larga
escala, como no sistema tonal, a relação com o texto estrutura o
discurso, que se apoia em um recurso extramusical. Um exemplo distinto
das peças de Berg pode ser visto nas Quatro canções para voz e piano op. 12, de
Webern. Os textos usados têm diversas origens: uma tradução de um poema
clássico chinês, um trecho de um romance de August Strindberg, além de
poemas de Goethe e Rosegger inspirados em quadras populares. Na obra, a
relação com cada nuance do texto orienta a composição como um todo.
Essas canções podem, ainda, ser comparadas com outra proposta, os Quatro cânones sobre textos latinos op.16. Eles
evocam um lado religioso e recuperam uma técnica de composição típica
da Renascença, que adquire novo significado como procedimento serial.
Formado por Caroline De Comi, Maurício De Bonis, Gilson Antunes e
convidados, o Núcleo Réplica dedica-se à interpretação e à criação como
esferas inseparáveis da prática musical. O grupo atua na relação direta
com compositores e seus processos de criação, na apresentação de
repertórios referenciais para a criação musical contemporânea ou na
recuperação crítica do repertório da história da música.
Sala Guiomar Novaes – Complexo Cultural Funarte SP
(Alameda Nothmann, 1058, Campos Elíseos, São Paulo, SP)
Projeto: Serial e Antes
Dia 23 de fevereiro. Sexta, às 20h.
Entrada franca
Intérpretes:
Núcleo Réplica: Caroline De Comi (soprano), Maurício De Bonis (piano), Gilson Antunes (violão), José Luiz Braz (clarinete)
Programa
Alban Berg (1885-1935)
Schliesse mir die Augen beide, para voz e piano (Feche meus olhos, versos de Theodor Storm)
1ª versão (1900)
2ª versão (1925)
Vier Stücke für Klarinette und Klavier, op.5 (1913) (Quatro peças para clarinete e piano)
I. Mäßig
II. Sehr langsam
III. Sehr rasch
IV. Langsam
Anton Webern (1883-1945)
Vier Lieder für Singstimme und Klavier, Op.12 (1917) (Quatro canções para voz e piano)
I. Der Tag ist vergangen (‘O dia passou’, versos de Peter Rosegger)
II. Die geheimnisvolle Flöte (‘A flauta misteriosa’, versos de Li Tai Po / trad. Hans Bethge)
III. Schien mir’s, als ich sah die Sonne (‘Parecia-me, quando via o sol’, versos de August Strindberg)
IV. Gleich und Gleich (‘Diga-me com quem andas’, versos de Johann Wolfgang von Goethe)
Fünf Canons nach lateinischen Texten für hohen Sopran, Klarinette und Bassklarinette, op.16 (1924) (Quatro cânones sobre textos latinos para soprano agudo, clarinete e clarone)
I. Christus factus est pro nobis (‘Cristo tornou-se obediente por nós’)
II. Dormi Jesu, mater ridet (‘Dorme Jesus, sua mãe sorri’)
III. Crux fidelis, inter omnes arbor una nobilis (‘Ó Cruz fiel, entre todas a árvore mais nobre’)
IV. Asperges me, Domine, hyssopo, et mundabor (‘Aspergi-me, Senhor, com o hissopo, e ficarei puro’)
V. Crucem tuam adoramus, Domine (‘Tua Cruz adoramos, Senhor’)
Mais informações:
(11) 3662-5177
(11) 3822-5671 (bilheteria – abre uma hora antes dos espetáculos)
funartesp@gmail.com
Sala Guiomar Novaes – Complexo Cultural Funarte SP
(Alameda Nothmann, 1058, Campos Elíseos, São Paulo, SP)
Projeto: Serial e Antes
Dia 23 de fevereiro. Sexta, às 20h.
Entrada franca
Intérpretes:
Núcleo Réplica: Caroline De Comi (soprano), Maurício De Bonis (piano), Gilson Antunes (violão), José Luiz Braz (clarinete)
Programa
Alban Berg (1885-1935)
Schliesse mir die Augen beide, para voz e piano (Feche meus olhos, versos de Theodor Storm)
1ª versão (1900)
2ª versão (1925)
Vier Stücke für Klarinette und Klavier, op.5 (1913) (Quatro peças para clarinete e piano)
I. Mäßig
II. Sehr langsam
III. Sehr rasch
IV. Langsam
Anton Webern (1883-1945)
Vier Lieder für Singstimme und Klavier, Op.12 (1917) (Quatro canções para voz e piano)
I. Der Tag ist vergangen (‘O dia passou’, versos de Peter Rosegger)
II. Die geheimnisvolle Flöte (‘A flauta misteriosa’, versos de Li Tai Po / trad. Hans Bethge)
III. Schien mir’s, als ich sah die Sonne (‘Parecia-me, quando via o sol’, versos de August Strindberg)
IV. Gleich und Gleich (‘Diga-me com quem andas’, versos de Johann Wolfgang von Goethe)
Fünf Canons nach lateinischen Texten für hohen Sopran, Klarinette und Bassklarinette, op.16 (1924) (Quatro cânones sobre textos latinos para soprano agudo, clarinete e clarone)
I. Christus factus est pro nobis (‘Cristo tornou-se obediente por nós’)
II. Dormi Jesu, mater ridet (‘Dorme Jesus, sua mãe sorri’)
III. Crux fidelis, inter omnes arbor una nobilis (‘Ó Cruz fiel, entre todas a árvore mais nobre’)
IV. Asperges me, Domine, hyssopo, et mundabor (‘Aspergi-me, Senhor, com o hissopo, e ficarei puro’)
V. Crucem tuam adoramus, Domine (‘Tua Cruz adoramos, Senhor’)
Mais informações:
(11) 3662-5177
(11) 3822-5671 (bilheteria – abre uma hora antes dos espetáculos)
funartesp@gmail.com
13.2.18
Núcleo Réplica apresenta-se na Sala Guiomar Novaes
No segundo recital do projeto ‘Willy Corrêa de Oliveira – “primeiras audições”, as obras se alternam entre o canto e os momentos de silêncio
No dia 18 de fevereiro, domingo, às 17h, o Núcleo Réplica
apresenta, na Sala Guiomar Novaes, o projeto Willy Corrêa de Oliveira –
primeiras audições ii. A entrada é franca.
O recital se alterna entre o cantar e os momentos em que a voz se
silencia, dando lugar ao solilóquio entre ruídos, à flauta transversal,
ao violão, à flauta doce e ao piano. Um dos poemas, Rasgos,
de García Lorca, apresentado em voz e violão, sugere esse silêncio e a
conversa consigo mesmo, como nos versos: “Aquele caminho sem gente.
Aquele caminho”, “Aquele grilo sem lar. Aquele grilo.” e “E esta sineta
que dorme. Esta sineta…”
Nas peças para violão desacompanhado e também na obra Miserere, para piano, incitada pelo ciclo homônimo de Georges Rouault, o silêncio da gravura em metal e o ruído que o precede são transplantados para o que se possa revelar audível. A solidão nesse programa está presente em obras como El silencio, de García Lorca, e In den Geräuschen, de Paul Celan.
Formado por Caroline De Comi, Maurício De Bonis, Gilson Antunes e convidados, o Núcleo Réplica dedica-se à interpretação e à criação como esferas inseparáveis da prática musical. O grupo atua na relação direta com compositores e seus processos de criação, na apresentação de repertórios referenciais para a criação musical contemporânea ou na recuperação crítica do repertório da história da música. Desde o início de suas atividades, o núcleo mantém uma dedicação especial à obra de Willy Corrêa de Oliveira, compositor, professor e pianista.
Sala Guiomar Novaes – Complexo Cultural Funarte SP
(Alameda Nothmann, 1058, Campos Elíseos, São Paulo, SP)
Projeto: Willy Corrêa de Oliveira – primeiras audições II
Dia 18 de fevereiro. Domingo, às 17h.
Entrada franca
Intérpretes:
Núcleo Réplica: Caroline De Comi (soprano), Maurício De Bonis (piano), Gilson Antunes (violão), Luciano Morais (violão), Sarah Hornsby (flauta transversal), André de Cillo (piano) | Participação especial: Maurílio Silva (flauta doce) | Comentários sobre as obras: Willy Corrêa de Oliveira
Programa:
Obras de Willy Corrêa de Oliveira (nascido em 1938)
El silencio, para soprano e silêncios (2013) [versos de García Lorca]
Caroline De Comi
Gesang des Abends, para flauta solo (1973)
Sarah Hornsby
Nove Gravuras para guitarra (2012)
Gilson Antunes
Noche, para voz e violão (2013) [versos de García Lorca]
Flor, para voz e violão (2013) [versos de García Lorca]
Rasgos, para voz e violão (2013) [versos de García Lorca]
Caroline De Comi, Luciano Morais
Duo I, para flauta e violão (1974)
Sarah Hornsby, Gilson Antunes
Miserere, para piano (1999-2017)
André de Cillo, Maurício De Bonis
Os olhos de Analivia, para voz e violão (2012) [versos de Donizete Galvão]
Caroline De Comi, Gilson Antunes
In memoriam Philadelpho Menezes, para flauta doce soprano (2000)
Maurílio Silva Junior (artista convidado)
En los ruídos, para soprano (2014) [versos de Paul Celan]
Caroline De Comi
Mais informações:
(11) 3662-5177
(11) 3822-5671 (bilheteria – abre uma hora antes dos espetáculos)
funartesp@gmail.com
Nas peças para violão desacompanhado e também na obra Miserere, para piano, incitada pelo ciclo homônimo de Georges Rouault, o silêncio da gravura em metal e o ruído que o precede são transplantados para o que se possa revelar audível. A solidão nesse programa está presente em obras como El silencio, de García Lorca, e In den Geräuschen, de Paul Celan.
Formado por Caroline De Comi, Maurício De Bonis, Gilson Antunes e convidados, o Núcleo Réplica dedica-se à interpretação e à criação como esferas inseparáveis da prática musical. O grupo atua na relação direta com compositores e seus processos de criação, na apresentação de repertórios referenciais para a criação musical contemporânea ou na recuperação crítica do repertório da história da música. Desde o início de suas atividades, o núcleo mantém uma dedicação especial à obra de Willy Corrêa de Oliveira, compositor, professor e pianista.
Sala Guiomar Novaes – Complexo Cultural Funarte SP
(Alameda Nothmann, 1058, Campos Elíseos, São Paulo, SP)
Projeto: Willy Corrêa de Oliveira – primeiras audições II
Dia 18 de fevereiro. Domingo, às 17h.
Entrada franca
Intérpretes:
Núcleo Réplica: Caroline De Comi (soprano), Maurício De Bonis (piano), Gilson Antunes (violão), Luciano Morais (violão), Sarah Hornsby (flauta transversal), André de Cillo (piano) | Participação especial: Maurílio Silva (flauta doce) | Comentários sobre as obras: Willy Corrêa de Oliveira
Programa:
Obras de Willy Corrêa de Oliveira (nascido em 1938)
El silencio, para soprano e silêncios (2013) [versos de García Lorca]
Caroline De Comi
Gesang des Abends, para flauta solo (1973)
Sarah Hornsby
Nove Gravuras para guitarra (2012)
Gilson Antunes
Noche, para voz e violão (2013) [versos de García Lorca]
Flor, para voz e violão (2013) [versos de García Lorca]
Rasgos, para voz e violão (2013) [versos de García Lorca]
Caroline De Comi, Luciano Morais
Duo I, para flauta e violão (1974)
Sarah Hornsby, Gilson Antunes
Miserere, para piano (1999-2017)
André de Cillo, Maurício De Bonis
Os olhos de Analivia, para voz e violão (2012) [versos de Donizete Galvão]
Caroline De Comi, Gilson Antunes
In memoriam Philadelpho Menezes, para flauta doce soprano (2000)
Maurílio Silva Junior (artista convidado)
En los ruídos, para soprano (2014) [versos de Paul Celan]
Caroline De Comi
Mais informações:
(11) 3662-5177
(11) 3822-5671 (bilheteria – abre uma hora antes dos espetáculos)
funartesp@gmail.com
4.2.18
Willy Corrêa de Oliveira – Grupo Réplica
No dia 4 de fevereiro, às 17h, a Sala Guiomar Novaes recebe o projeto Willy Corrêa de Oliveira – primeiras audições I, realizado pelo Núcleo Réplica. A apresentação tem entrada gratuita.
Compositor, professor e pianista, Willy Corrêa de Oliveira nasceu em Recife em 1938. Em sua produção mais recente, destacam-se peças que remetem a uma reunião reservada ou a um ambiente intimista de conversa, leitura e reflexão. O Núcleo Réplica se propõe a correr o risco de reproduzir essa atmosfera em uma sala de concertos. O canto em português, criado sobre versos de poetas como Alexandre Barbosa, Donizete Galvão e Ruy Proença, conversa com o violão. As peças para piano, por sua vez, quase pedem um piano vertical, uma vez que o instrumento de cauda ocuparia grande espaço em uma conversa informal. Como contrapartida da conversa entre voz e violão, há ainda uma prosa com soprano e violoncelo, composta em duas versões sobre o poema Outro ouro, de Ruy Proença.
Formado por Caroline De Comi, Maurício De Bonis, Gilson Antunes e convidados, o Núcleo Réplica dedica-se à interpretação e à criação como esferas inseparáveis da prática musical. O grupo atua na relação direta com compositores e seus processos de criação, na apresentação de repertórios referenciais para a criação musical contemporânea ou na recuperação crítica do repertório da história da música. Desde o início de suas atividades, o núcleo mantém uma dedicação especial à obra de Willy Corrêa de Oliveira.
Sala Guiomar Novaes – Complexo Cultural Funarte SP
(Alameda Nothmann, 1058, Campos Elíseos, São Paulo, SP)
Projeto: Willy Corrêa de Oliveira – primeiras audições I
Dia 4 de fevereiro. Domingo, às 17h.
Entrada franca
Ficha técnica:
Núcleo Réplica: Caroline De Comi (soprano), Maurício De Bonis (piano), Gilson Antunes (violão), André de Cillo (piano), Rodrigo Prado (violoncelo) | Comentários sobre as obras: Willy Corrêa de Oliveira
Programa:
Obras de Willy Corrêa de Oliveira (nascido em 1938)
Outro ouro, para voz e violão (2015) [versos de Ruy Proença]
Poema breve, para voz e violão (2015) [versos de Mao Tse-Tung]
Equilíbrio, para voz e violão (2015) [versos de Donizete Galvão]
Madrigal, para piano (2017)
Mattina (1ª versão), para voz e violão (2015) [versos de Giuseppe Ungaretti
Mattina (2ª versão), para voz e violão (2015) [versos de Giuseppe Ungaretti]
Mattina (3ª versão), para voz e violão (2015) [versos de Giuseppe Ungaretti]
Epitalâmio, para piano (2016)
5 Cânticos para soprano e cello (2012) [versos de Ruy Proença]
I. Saudade
II. Fiat Lux
III. Amor
IV. Fruto
V. Poente
Modelos para armar, para piano (2009)
A noite entre paredes brancas, para voz e violão (2013) [versos de Alexandre Barbosa de Souza]
Canzone, para voz e violão (2015) [versos de Alexandre Barbosa de Souza]
Cantar, para voz e violão (2013) [versos de Alexandre Barbosa de Souza]
Ruba’i, para piano (2012)
Outro ouro, para voz e violoncelo (2015) [versos de Ruy Proença]
Mais informações: (11) 3662-5177 (11) 3822-5671 (bilheteria – abre uma hora antes dos espetáculos) funartesp@gmail.com
17.7.17
Sobre o conceito da História
“Lula condenado,
Aécio liberado,
Temer protegido, soberania fulminada,
trabalhador escravizado, mercado triunfante,
até que o Brasil se levante”
Roberto Requião
“Lula condenado, Aécio no Senado, Temer no Poder e Maluf discursando na Comissão de Justiça provam que a democracia brasileira é deturpada”
Marcelo Rubens Paiva
“Pensam que podem roubar, mentir, usurpar, enganar o povo brasileiro em qualquer tempo, por qualquer razão, fazendo o que fizeram com o Brasil. Olha aí o que deu”
Doria
«ix
Há um quadro de Klee intitulado Angelus Novus. Representa um anjo que parece preparar-se para se afastar de qualquer coisa que olha fixamente. Tem os olhos esbugalhados, a boca escancarada e as asas abertas. O anjo da história deve ter este aspecto. Voltou o rosto para o passado. A cadeia de factos que aparece diante dos nossos olhos é para ele uma catástrofe sem fim, que incessantemente acumula ruínas sobre ruínas e lhas lança aos pés. Ele gostaria de parar para acordar os mortos e reconstituir, a partir dos seus fragmentos, aquilo que foi destruído. Mas do paraíso sopra um vendaval que se enrodilha nas suas asas, e que é tão forte que o anjo já as não consegue fechar. Este vendaval arrasta-o imparavelmente para o futuro, a que ele volta costas, enquanto o monte de ruínas à sua frente cresce até ao céu. Aquilo a que chamamos o progresso é este vendaval.»
Walter Benjamin
22.5.17
26.4.17
Lulu – Frank Wedekind
Benjamin Franklin Wedekind (Hanover, 1864 – Munique, 1918)
foi ator, dramaturgo e romancista. Seu pai era um alemão que emigrou
para a América, voltando mais tarde para sua terra natal, depois de
passar algum tempo praticando medicina em São Francisco. Insatisfeito
com a política prussiana de Otto von Bismarck, o velho Wedekind partiu
novamente e estabeleceu-se na Suíça, onde seu filho cresceu e trabalhou
como jornalista freelancer, redator de publicidade e como secretário em um circo.
Frank Wedekind também trabalhou para o jornal satírico Simplicimuss. Em 1898, durante sua visita à Palestina, Wilhem II se opôs a uma publicação feita neste jornal, na qual aparece, cujo artigo tinha Wedekind como autor. Uma ação judicial foi movida contra Wedekind, a editora e o cartunista. A editora fugiu e permaneceu no exílio por cinco anos; Wedekind e o cartunista foram condenados a seis e sete meses de prisão, respectivamente.
Em sua juventude, manteve um diário que sua filha lançou com o pertinente título Diário de uma vida erótica. É sabido que o jovem Frank, especialmente durante seus anos parisienses, era um grande mulherengo. Só em 1906, quando se casou com a jovem atriz austríaca Tilly Newes, se tornou monogâmico e ciumento. Foi esse ciúme que o matou, pois ele sentia que tinha que ser, criativa e sexualmente, sempre ativo para preservar a devoção de sua esposa. Assim, ainda insuficientemente recuperado de uma apendicectomia, voltou de forma vigorosa à atividade sexual, desenvolvendo uma hérnia que um especialista se recusou a operar de imediato. Wedekind morreu de consequentes complicações.
Sua ampla visão artística fez com que sua obra se antecipasse à ascensão do expressionismo em várias décadas. Em Munique, centro da literatura de vanguarda e dos precursores do drama naturalista, Wedekind se diferenciou, sentindo que o artista não deve ser “cientificamente objetivo” acerca da sociedade que descreve, senão totalmente envolvido nela. Considerado um moralista que desgastava a máscara da imoralidade, foi o terror da burguesia alemã. Suas peças foram perseguidas e a encenação permitida somente em versões censuradas, já que consideradas pornográficas porque ousavam tratar as questões da liberdade, da liberação sexual, dos enganos e da violência. Sua linguagem é brilhante e poética, construída principalmente de sentenças curtas, com uma ou duas palavras, desrespeitando todos os clichês do teatro de seu tempo. É autor de Frühlings Erwachen (O despertar da primavera), sua peça teatral mais conhecida.
Karl Kraus, em Literatur und Lüge (Literatura e fraude), diz: “Frank Wedekind é o primeiro dramaturgo alemão que abriu ao pensamento um acesso ao cenário tão largamente inutilizado. Todas as extravagâncias acerca da naturalidade foram dissipadas como um sopro. O que há dentro dos seres humanos e atrás deles volta a ser mais importante que o dialeto que falem”. John Willet nos lembra que Artur Kutscher, amigo e biógrafo de Wedekind, descreve o seu estilo de representação como um realçar da apresentação teatral “onde (Wedekind) não desejava que as pessoas esquecessem estar no teatro”, conservando sempre o público e suas reações em mente. Willet considera que sua obra antecipa o teatro épico brechtiano e aponta para o que veio a se chamar teatro do absurdo.
Bertolt Brecht o considera “um dos grandes educadores da Europa moderna”, como Tolstoi e Strindberg.
Em Paris, Frank Wedekind escreveu a trilogia Lulu, composta por O espírito da terra, A caixa de Pandora e Morte e diabo. Lá, ele assistiu a uma performance chamada Lulu, o Clown Dancer – um cruzamento entre pantomima e ato de circo –, que pode ter gerado ideias para a construção da trilogia; além disso, conheceu Lou Andreas-Salomé, amiga de Freud, Nietzsche, Rilke, que alguns dizem ser a inspiração para Lulu.
Wedekind trabalhou muito para escrever as peças. Seu editor previu que a história de uma jovem mulher à deriva na Alemanha do fim do século xix , que deixa evidente seu êxtase sexual e ocasiona a morte para seus muitos amantes, enfrentaria dificuldades legais para ser publicada. Por isso, Wedekind foi obrigado a revisar incansavelmente as peças, um processo que continuaria até que existissem várias versões, de acordo com as diversas necessidades.
As duas primeiras peças serviram como modelo para a ópera Lulu, de Alban Berg e para o filme Pandora’s Box, de G. W. Pabst, cujo desempenho de Louise Brooks transformou-a no primeiro grande ícone do cinema, a eterna mulher-criança.
Segundo Karl Kraus, o grande crítico de Wedekind, quando Alwa, escritor e amante, oscilando entre o amor e a criação artística da beleza feminina segura a mão de Lulu na sua, diz que ela é “uma alma que se desperta esfregando o sono de seus olhos”, enuncia as palavras que são a chave para esse labirinto da feminilidade, no qual, às vezes, o homem perde o sinal de sua razão. É assim no último ato de O espírito da terra, quando a dona do amor reúne ao seu redor todos os tipos masculinos para que eles a sirvam, na medida em que aceitem o que ela tem a oferecer. É, ainda, Alwa, o filho de seu marido, quem no último ato de A caixa de Pandora faz a revelação, ao se inebriar totalmente na doce fonte da perdição, quando seu destino quer se concretizar. Ele dirá, delirando diante do quadro de Lulu, as seguintes palavras: “‘Diante deste quadro recobro meu amor-próprio. Ele torna meu destino mais compreensível. Tudo o que vivemos se torna tão natural, tão evidente, tão claro quanto o sol. Quem se sentir seguro em sua posição burguesa diante desses lábios voluptuosos, carnudos, desses olhos inocentes de criança, desse corpo rosado, exuberante, que atire a primeira pedra’. Essas palavras, ditas diante do quadro da mulher que se tornou a destruidora de tudo, porque tinha sido destruída por todos, deixam clara a ideia marcante que envolve o mundo do escritor Frank Wedekind: um mundo no qual a mulher que tenha alcançado a maturidade estética não esteja condenada a livrar o homem da cruz da sua responsabilidade moral”.
Frank Wedekind também trabalhou para o jornal satírico Simplicimuss. Em 1898, durante sua visita à Palestina, Wilhem II se opôs a uma publicação feita neste jornal, na qual aparece, cujo artigo tinha Wedekind como autor. Uma ação judicial foi movida contra Wedekind, a editora e o cartunista. A editora fugiu e permaneceu no exílio por cinco anos; Wedekind e o cartunista foram condenados a seis e sete meses de prisão, respectivamente.
Em sua juventude, manteve um diário que sua filha lançou com o pertinente título Diário de uma vida erótica. É sabido que o jovem Frank, especialmente durante seus anos parisienses, era um grande mulherengo. Só em 1906, quando se casou com a jovem atriz austríaca Tilly Newes, se tornou monogâmico e ciumento. Foi esse ciúme que o matou, pois ele sentia que tinha que ser, criativa e sexualmente, sempre ativo para preservar a devoção de sua esposa. Assim, ainda insuficientemente recuperado de uma apendicectomia, voltou de forma vigorosa à atividade sexual, desenvolvendo uma hérnia que um especialista se recusou a operar de imediato. Wedekind morreu de consequentes complicações.
Sua ampla visão artística fez com que sua obra se antecipasse à ascensão do expressionismo em várias décadas. Em Munique, centro da literatura de vanguarda e dos precursores do drama naturalista, Wedekind se diferenciou, sentindo que o artista não deve ser “cientificamente objetivo” acerca da sociedade que descreve, senão totalmente envolvido nela. Considerado um moralista que desgastava a máscara da imoralidade, foi o terror da burguesia alemã. Suas peças foram perseguidas e a encenação permitida somente em versões censuradas, já que consideradas pornográficas porque ousavam tratar as questões da liberdade, da liberação sexual, dos enganos e da violência. Sua linguagem é brilhante e poética, construída principalmente de sentenças curtas, com uma ou duas palavras, desrespeitando todos os clichês do teatro de seu tempo. É autor de Frühlings Erwachen (O despertar da primavera), sua peça teatral mais conhecida.
Karl Kraus, em Literatur und Lüge (Literatura e fraude), diz: “Frank Wedekind é o primeiro dramaturgo alemão que abriu ao pensamento um acesso ao cenário tão largamente inutilizado. Todas as extravagâncias acerca da naturalidade foram dissipadas como um sopro. O que há dentro dos seres humanos e atrás deles volta a ser mais importante que o dialeto que falem”. John Willet nos lembra que Artur Kutscher, amigo e biógrafo de Wedekind, descreve o seu estilo de representação como um realçar da apresentação teatral “onde (Wedekind) não desejava que as pessoas esquecessem estar no teatro”, conservando sempre o público e suas reações em mente. Willet considera que sua obra antecipa o teatro épico brechtiano e aponta para o que veio a se chamar teatro do absurdo.
Bertolt Brecht o considera “um dos grandes educadores da Europa moderna”, como Tolstoi e Strindberg.
Em Paris, Frank Wedekind escreveu a trilogia Lulu, composta por O espírito da terra, A caixa de Pandora e Morte e diabo. Lá, ele assistiu a uma performance chamada Lulu, o Clown Dancer – um cruzamento entre pantomima e ato de circo –, que pode ter gerado ideias para a construção da trilogia; além disso, conheceu Lou Andreas-Salomé, amiga de Freud, Nietzsche, Rilke, que alguns dizem ser a inspiração para Lulu.
Wedekind trabalhou muito para escrever as peças. Seu editor previu que a história de uma jovem mulher à deriva na Alemanha do fim do século xix , que deixa evidente seu êxtase sexual e ocasiona a morte para seus muitos amantes, enfrentaria dificuldades legais para ser publicada. Por isso, Wedekind foi obrigado a revisar incansavelmente as peças, um processo que continuaria até que existissem várias versões, de acordo com as diversas necessidades.
As duas primeiras peças serviram como modelo para a ópera Lulu, de Alban Berg e para o filme Pandora’s Box, de G. W. Pabst, cujo desempenho de Louise Brooks transformou-a no primeiro grande ícone do cinema, a eterna mulher-criança.
Segundo Karl Kraus, o grande crítico de Wedekind, quando Alwa, escritor e amante, oscilando entre o amor e a criação artística da beleza feminina segura a mão de Lulu na sua, diz que ela é “uma alma que se desperta esfregando o sono de seus olhos”, enuncia as palavras que são a chave para esse labirinto da feminilidade, no qual, às vezes, o homem perde o sinal de sua razão. É assim no último ato de O espírito da terra, quando a dona do amor reúne ao seu redor todos os tipos masculinos para que eles a sirvam, na medida em que aceitem o que ela tem a oferecer. É, ainda, Alwa, o filho de seu marido, quem no último ato de A caixa de Pandora faz a revelação, ao se inebriar totalmente na doce fonte da perdição, quando seu destino quer se concretizar. Ele dirá, delirando diante do quadro de Lulu, as seguintes palavras: “‘Diante deste quadro recobro meu amor-próprio. Ele torna meu destino mais compreensível. Tudo o que vivemos se torna tão natural, tão evidente, tão claro quanto o sol. Quem se sentir seguro em sua posição burguesa diante desses lábios voluptuosos, carnudos, desses olhos inocentes de criança, desse corpo rosado, exuberante, que atire a primeira pedra’. Essas palavras, ditas diante do quadro da mulher que se tornou a destruidora de tudo, porque tinha sido destruída por todos, deixam clara a ideia marcante que envolve o mundo do escritor Frank Wedekind: um mundo no qual a mulher que tenha alcançado a maturidade estética não esteja condenada a livrar o homem da cruz da sua responsabilidade moral”.
Lulu
O espírito da terra ● A caixa de Pandora ● Morte e diabo
Erdgeist ● Die Büchse Der Pandora ● Tod Und Teufel ● Aus Der Vorrede Zur Dritten Auflage
Frank Wedekind
Die Büchse Der Pandora
Karl Kraus
tradução ● Claudia Abeling
revisão ● Alexandre Barbosa de Souza & M. Silvia Mourão Netto
projeto gráfico ● Paulo Vidal de Castro & Thais Vilanova
www.acigarraebooks.com.br
isbn: 978-85-93709-00-5
6.2.17
A Revolução dos Feios
autor: Ni Brisant
desenhos: Ni Brisant
editor: Ferréz
revisor: Damásio Marques
projeto gráfico: Paulo Vidal de Castro & Thais Vilanova
tipo: Caecilia
isbn: 9788562848063
2016
livros lançados (selo povo):
1 Ferréz – Cronista de um tempo Ruim (SP)
2 Catia Cernov – Amazônia em Chamas (RO)
3 Marcos Teles – Sob o Azul do Céu (BA)
4 Cidinha da Silva – Oh, Margem! Reinventa os Rios! (RJ)
5 Wesley Barbosa – O diabo na Mesa dos Fundos (SP)
6 Ferréz – Ninguém é Inocente em São Paulo (SP)
7 Ni Brisant – A Revolução dos Feios (BA)
5.2.17
Ninguém é inocente em São Paulo
O livro “Ninguém é Inocente em São Paulo” (2016, Selo Povo) reúne diversos contos que relatam a realidade da periferia de São Paulo e de seus habitantes. Na luta em se construir uma sociedade melhor. O autor retrata o caos que é a cidade de São Paulo, a “correria”, onde ninguém tem tempo, diante das diversas dificuldades que encontram os moradores das periferias. Ferréz aponta uma arma bastante poderosa no combate àqueles “que exterminaram” a sua gente: O livro. A realidade refletida no livro é aquela vivida diariamente pelo escritor, e retrata um cenário comum para muitos brasileiros. A obra carrega consigo críticas acerca da estagnação do status quo da sociedade e sobre a situação na qual foram deixadas as pessoas que habitam as favelas: esquecidas pelo poder público, marginalizadas pela sociedade e constantemente vítimas de preconceitos enraizados na cultura brasileira. Ferréz, em sua literatura e em matérias que publica regularmente em seu Blog e no facebook, na internet, tem a preocupação de alertar àqueles desprivilegiados sobre os entraves que enfrentam, explica sobre a máquina do capitalismo e sua premissa da desigualdade, além disso, discorre sobre a injustiça social. Utiliza-se de uma linguagem coloquial, assim o acesso aos textos é abrangente. Apesar desse cenário que condiciona a vida difícil nas periferias, Ferréz consegue abordar tais temas de maneira leve e engraçada, como é o caso do conto “Buba e o Muro Social”. Nele, a história é contada por um cachorro que, após ser adotado, se muda de um bom apartamento para a favela, na qual, apesar das dificuldades, recebe mais amor e, portanto é mais feliz. Ademais, elementos como a ironia e o estilo de linguagem, mais coloquial, também colaboram para criar esse aspecto cômico de retratar uma realidade dura. O tipo de linguagem permite uma maior aproximação entre o autor e o leitor, uma vez que a obra é direcionada aos moradores de periferia, os quais se identificam não apenas com o assunto do livro, como também com o estilo da escrita. Ferréz não narra apenas às dificuldades, mas também valoriza sua comunidade, realçando o lado trabalhador e determinado da população. O livro foi editado pelo próprio autor, e lançado por sua editora, a Selo Povo, que publica também autores de várias periferias do Brasil.
autor: Ferréz
editor: Ferréz
projeto gráfico: Paulo Vidal de Castro & Thais Vilanova
tipo: Caecilia
isbn: 9788562848056
27.10.16
claudio Santoro Inédito
ficha técnica
Fagote/Basson: Fábio Cury
Cravo, Piano/Harpsichord, Piano: Alessandro Santoro
Produção musical/Producers: Alessandro Santoro, Fábio Cury e Thiago Cury
Técnico de Gravação/Recording: Raffaello Santoro
Masterização/Master: Homero Lotito – Reference Mastering
Produção executiva/Executive Producer: ÁguaForte Produções
Tradução/Translation: Sarah Hornsby
Projeto Gráfico/ Graphic Design: Paulo Vidal de Castro & Thais Vilanova
Tipos/Types: Minion & Neutra
Foto/Photo: Heloísa Bortz
Pinturas/Paintings: Claudio Santoro
Gravado no/Recorded at: Teatro da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto
Fagote/Basson: Püchner, Model Superior, 2015
Cravo/Harpsichord: Joop Klinkhamer, Amsterdam, 1978,
cópia de/ after I. Ruckers/Blanchet, 1627/1756
Piano: Steinway modelo D
agradecimentos/Thanks to:
usp Ribeirão Preto; Praça das Artes – Sala do Conservatório
Fagote/Basson: Fábio Cury
Cravo, Piano/Harpsichord, Piano: Alessandro Santoro
Produção musical/Producers: Alessandro Santoro, Fábio Cury e Thiago Cury
Técnico de Gravação/Recording: Raffaello Santoro
Masterização/Master: Homero Lotito – Reference Mastering
Produção executiva/Executive Producer: ÁguaForte Produções
Tradução/Translation: Sarah Hornsby
Projeto Gráfico/ Graphic Design: Paulo Vidal de Castro & Thais Vilanova
Tipos/Types: Minion & Neutra
Foto/Photo: Heloísa Bortz
Pinturas/Paintings: Claudio Santoro
Gravado no/Recorded at: Teatro da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto
Fagote/Basson: Püchner, Model Superior, 2015
Cravo/Harpsichord: Joop Klinkhamer, Amsterdam, 1978,
cópia de/ after I. Ruckers/Blanchet, 1627/1756
Piano: Steinway modelo D
agradecimentos/Thanks to:
usp Ribeirão Preto; Praça das Artes – Sala do Conservatório
3.9.16
Handel: Chacona em G – Duo Siqueira Lima
Em épocas em que votos não são válidos,
escutaremos o duo tocando Handel.
Escutei eles tocando em Montevideo (de Cecília Siqueira, de Mujica, de Galeano e de Benedetti) esta obra, que foi uma das escutas mais fortes e impressionantes.
Como quando eu ouvi o Quarteto Arditti tocando o 2o Quarteto de Ligeti e Beethoven, ou o Quarteto Parisii tocando Livre pour Quatuour de Boulez e o de Debussy, ou o Alban Berg tocando Beethoven (, pois é, adoro quartetos).
(já quando ouvi eles em uma pequena escola de alguma cidade do ABC – não lembro qual –, o recital não foi tão bom [pois não tocaram a chacona e estavam deveras resfriados]).
27.8.16
hoje: O Compositor é Vivo!
No segundo encontro da série, o compositor brasileiro Willy Corrêa de Oliveira, um dos articuladores do Grupo Música Nova e do Festival Música Nova, fala a respeito de seu processo criativo. Para ilustrar sua obra, será executada a peça Morandi Omaggi por sexteto instrumental formado por oboé, fagote, percussão, piano, violino e violoncelo. A obra, como o próprio nome diz, é uma homenagem ao pintor italiano Giorgio Morandi.
Willy é considerado um dos principais pensadores sobre o lugar da música erudita no país, e sua trajetória incluiu desde tendências neofolcloristas, visitas a laboratórios de música eletroacústica na Europa, Cursos de Férias de Darmstadt, na Alemanha, até atividades com grupos musicais de trabalhadores e sindicatos. Além disso, foi docente da disciplina Linguagem e Estruturação Musical, no departamento de Música da USP, onde influenciou diversos compositores e pensadores da área.
Retirada de ingressos 1h antes, limitada a 2 por pessoa, na Bilheteria.
27/08 18h30
Sesc Vila Mariana
Willy é considerado um dos principais pensadores sobre o lugar da música erudita no país, e sua trajetória incluiu desde tendências neofolcloristas, visitas a laboratórios de música eletroacústica na Europa, Cursos de Férias de Darmstadt, na Alemanha, até atividades com grupos musicais de trabalhadores e sindicatos. Além disso, foi docente da disciplina Linguagem e Estruturação Musical, no departamento de Música da USP, onde influenciou diversos compositores e pensadores da área.
Retirada de ingressos 1h antes, limitada a 2 por pessoa, na Bilheteria.
27/08 18h30
Sesc Vila Mariana
15.8.16
link para o arquivo de 5 advertências sobre a Voragem
Link para o arquivo do livro 5 advertências sobra a Voragem, com a capa, lombada e quarta capa inclusas
título: Cinco advertências sobre a Voragem
autor: Willy Corrêa de Oliveira
revisão: Alexandre Barbosa de Souza
projeto gráfico: Paulo Vidal de Castro & Thais Vilanova
colaboradores: André de Cillo Rodrigues, Lauren Couto Fernandes, Thiago Senna, João Daniel, Luis Felipe S. Corrêa, Carlos Zeron, Marcelo Martorelli Vessoni e Jorge de Almerida
editora: Luzes no Asfalto
tipos: Minion Pro & Meta
número de páginas: 224
crítica do João Marcos Coelho
links
Educar: para qual sociedade, de Giulio Girardi (Educare: per quale società?)
tradução: Alexandre Barbosa de Souza, Marcelo Martorelli Vessoni, Silvia Bazi & Willy Corrêa de Oliveira
revisão: Alexandre Barbosa de Souza
projeto gráfico: Paulo Vidal de Castro & Thais Vilanova
tipo: Aldus
formato: 14cm x 21 cm
no de páginas: 128
tiragem: 300
gráfica: Prol
papel: polen bold 90g
Entrevista com Marcus
Capa
A capa é construída com linhas brancas (como a luz) sobre a ausência de luz.
A sua estrutura é feita a partir de pontos separados em pequenos grupos. Cada um deles é um símbolo simples de instrumentos musicais, e cada pequeno grupo representa uma obra. Como são 12 obras no CD dividimos a sua seqüência visual – como a espacialização da violonista nas instruções das 12 peças que formam a obra Bouquet (a 12a na frente [baixo], a 9a atras [cima], etc).
Cada instrumento se conecta com a sua aparição nas outras obras, ou seja: cada violino se liga com todos os violinos; mas o violão – que aparece apenas duas vezes – só tem um traço ligando ambos.
Quartacapa
Na divisão entre o texto dos instrumentos tocados e do ano de composição de cada obra, fizemos uma quantidade de círculos coloridos que representam o timbre dos instrumentos (assim como ao lado de cada obra no encarte – para representar os timbres –, e do nome de cada instrumento).
CorPara cada instrumento escolhemos uma cor seguindo o espectro de divisão do branco (luz) – como o arco-íris. Cada padrão de cor representa uma série de timbres semelhantes dos instrumentos tocados no CD. O padrão timbrístico: cordas (do violino até o cravo – timbre indo para o percussivo); percussão (dos timbres mais claros aos mais complexos); instrumentos que vão entre teclas e sopros; e instrumentos de sopro (do metal à madeira). Do timbre puro de um lado (violino) ao timbre mais puro do outro (flauta).
Fundo branco, da luz completa. Olhando por dentro, cada instrumento está em sua cor. Já o CD é o oposto, sem a ligação dos instrumentos; apenas eles separados nas suas formações (com exceção da obra que o Marcus toca, que está ligada a ele).
No centro do CD, é visível a ligação dos instrumentos, pois, quando ele é retirado, ficam apenas os traços, sem os círculos dos instrumentos (que estão no CD).
Fonte/Rialto
Nas gravuras de Giovanni Battista Piranesi (que influenciaram Prigioneri di un sogno nelle Carceri di Piranesi) existe uma tipografia de versais. A partir desta influencia, utilizamos uma tipografia realizada em 1999 por um grande calígrafo veneziano (Giovanni de Faccio) e um tipógrafo austríaco (Lui Karner). O primeiro é de Veneza – como o Piranesi –, e esta tipografia de uma beleza impressionante foi realizada a partir da própria arquitetura de Veneza. Ela tem a estrutura semelhante a de Piranesi, mas com uma beleza mais complexa e com uma grande família tipográfica.
Roma
Como Piranesi fez estas gravuras em Roma, acabamos por utilizar todo um padrão de um grande admirador de Roma: Le Corbusier (mas não a Roma de Piranesi, mas a Roma de Michelangelo). Toda a distribuição das obras na capa do CD (a partir do Bouquet) foram distribuídas a partir de um padrão de duas séries de Fibonacci (Modulor), assim como a escala de tamanho do texto e o seu entrelinhamento.
Adenilson Telles ● trompete
Alex Buck ● bateria
Cassia Carrascoza ● flautas
Cláudio Torezan ● contrabaixo
Douglas Kier ● violoncelo
Edson Beltrami ● flauta
Elisa Monteiro ● viola
Felipe Scagliusi ● piano
Francisco Formiga ● fagote
Gabriel Levy ● acordeão
Gilson Antunes ● violão
Horácio Gouveia ● piano
Lliuba Klevtsova ● harpa
Marcos Kiehl ● flauta em sol
Marcus Alessi Bittencour (programação
pd + Live eletronics)
Marcus Siqueira ● conduítes ● violão
Maurício De Bonis ● cravo
Pedro Gadelha ● contrabaixo
Peter Apps ● oboé
Peter Pas ● viola
Ricardo Bologna ● percussão
Ruben Zuniga ● vibrafone ● crotales
Samuel Hamzem ● trompa
Sergio Burgani ● requinta ● clarineta ● clarinete
Simona Cavuoto ● violino
Thiago Cury ● escaleta
CD: Contraluz
de Marcus Siqueira
Selo Sesc
Água Forte
diagramação: Paulo Vidal de Castro & Thais Vilanova
encarte completo
30.7.16
23.7.16
O diabo na mesa dos fundos
Wesley Barbosa em seu primeiro livro, trazendo toda a inspiração do seus 25 anos de periferia.
Título: O diabo na mesa dos fundos
Autor: Wesley Barbosa
Editor: Ferréz
Projeto Gráfico: Paulo Vidal de Castro & Thais Vilanova
Formato: 14 x 21 cm
tipo: Caecilia
Editora: Selo Povo
volume 5 da coleção
ISBN: 978-85-62848-04-9
Título: O diabo na mesa dos fundos
Autor: Wesley Barbosa
Editor: Ferréz
Projeto Gráfico: Paulo Vidal de Castro & Thais Vilanova
Formato: 14 x 21 cm
tipo: Caecilia
Editora: Selo Povo
volume 5 da coleção
ISBN: 978-85-62848-04-9
21.5.16
Boris Schnaiderman (Борис Шнайдерман) — 17 de maio de 1917 — São Paulo, 18 de maio de 2016
Ele morava perto da minha casa e sempre eu o via, nunca falei com ele. Gostaria de ter conhecido-o.
11.4.16
16.3.16
Sobre o conceito da História
1936
Alemanha
"1936
Rio de Janeiro
Olga y él
A la cabeza de su ejército rebelde, Luis Carlos Prestes había atravesado a pie el inmenso Brasil de punta a punta, ida y vuelta desde las praderas del sur hasta los desierr tos del nordeste, a través de la selva amazónica. En tres años de marcha, la Columna Prestes había peleado contra la dictadura de los señores del café y del azúcar sin sufrir jamás una derrota. De modo que Olga Benárío lo imaginaba gigantesco y devastador. Menuda sorpresa se llevó cuando conoció al gran capitán. Prestes resultó ser un hombrecito frágil, que se ponía colorado cuando OIga lo m'rraba a los ojos. Ella, fogueada en las luchas revolucionarias en Alemania, militante. Sin fronteras, se vino al Brasil. Y él, que nunca había conocido mujer, fue por ella amado y fundado.Al tiempo, caen presos los dos. Se los Ilevan a cárceles diferentes.
Desde Alemania, Hitler reclama a Olga por. judía y comunista, sangre vil, viles ideas, y el presidente brasileño, Getulio Vargas, se la entrega. Cuando los soldados llegan a buscarla a la cárcel, se amotinan los presos. Olga acaba con la revuelta, para evitar una matanza inútii, y se deja llevar Asomado a la rejilla de su celda, el novelista Graciliano Ramos la ve pasar, esposada, panzona de embarazo.
En los muelles, la espera un navío que ostenta la cruz esvástica. El capitán tiene órdenes de no parar hasta Hamburgo. Allá Olga será encerrada en un campo de concentración, asfixiada en una cámara de gas, carbonizada en un horno.
(263, 302 y 364)"
1940
«ix
Há um quadro de Klee intitulado Angelus Novus. Representa um anjo que parece preparar-se para se afastar de qualquer coisa que olha fixamente. Tem os olhos esbugalhados, a boca escancarada e as asas abertas. O anjo da história deve ter este aspecto. Voltou o rosto para o passado. A cadeia de factos que aparece diante dos nossos olhos é para ele uma catástrofe sem fim, que incessantemente acumula ruínas sobre ruínas e lhas lança aos pés. Ele gostaria de parar para acordar os mortos e reconstituir, a partir dos seus fragmentos, aquilo que foi destruído. Mas do paraíso sopra um vendaval que se enrodilha nas suas asas, e que é tão forte que o anjo já as não consegue fechar. Este vendaval arrasta-o imparavelmente para o futuro, a que ele volta costas, enquanto o monte de ruínas à sua frente cresce até ao céu. Aquilo a que chamamos o progresso é este vendaval.»**
1964
Rio de Janeiro
«Hay nubes sombrías»,
dice Lincoln Gordon:—Nubes sombrías se ciernen sobre nuestros intereses económicos en Brasil…
El presidente João Goulart acaba de anunciar la reforma agraria, la nacionalización de las refinerías de petróleo y el fin de la evasión de capitales; y el embajador de los Estados Unidos, indignado, lo ataca a viva voz.
Desde la embajada, palabras de dinero caen sobre los envenenadores de la opinión pública y los militares que preparan el cuartelazo. Se difunde por todos los medios un manifiesto que pide a gritos el golpe de Estado. Hasta el Club de Leones estampa su firma al pie.
Diez años después del suicidio de Vargas, resuenan, multiplicados, los mismos clamores. Políticos y periodistas llaman al uniformado mesías capaz de poner orden en este caos. La televisión difunde películas que muestran muros de Berlín cortando en dos a las ciudades brasileñas. Diarios y radios exaltan las virtudes del capital privado, que convierte los desiertos en oasis, y los méritos de las fuerzas armadas, que evitan que los comunistas se roben el agua. La Marcha de la Familia con Dios por la Libertad pide piedad al Cielo, desde las avenidas de las principales ciudades.
El embajador Lincoln Gordon denuncia la conspiración comunista: el estanciero Goulart está traicionando a su clase a la hora de elegir entre los devoradores y los devorados, entre los opinadores y los opinados, entre la libertad del dinero y la libertad de la gente.
(115 y 141)"
13/032016
São Paulo
115. Corrêa, Marcos Sá, 1964 visto e comentado pela Casa Branca, Porto Alegre, LPM, 1977.
141. Dreifuss, René Armand, 1964: A conquista do Estado. Ação política, poder e golpe de classe, Petópolis, Vozes, 1981.
263. Lima, Louren,co Moreira, A coluna Prestes (marchas e combates), São Paulo, Alfa-Omega, 1979.
302. Morais, Fernando, Olga, São Paulo, Alfa-Omega, 1979.
364. Ramos, Graciliano, Memória do cárcere, Rio de Janeiro, José Olímpio, 1954.
**Benjamin, Walter. O anjo da história. Belo Horizonte, Autêntica, 2012.
Galeano, Eduardo. Memória del fuego (iii). El siglo del viento. Montevideo, Ediciones del Chanchoto, 1987.
*Wagner, Richard. Tannhäuser WWV 70. Leipzig: C.F. Peters, 1920.
27.1.16
3.1.16
Gilberto Ambrósio Garcia Mendes (Santos, 13 de outubro de 1922 - Santos, 1 de janeiro de 2016)
Foi-se uma mistura de Debussy, jazz/bossa nova (7ªs, 9ªs, etc), com algo de brega e um grande clima Santista: Gilberto Mendes.Entrevista que eu fiz com ele na época do 40º Festival Música Nova.
Já
ouvi o senhor falar que tentou acabar com o Festival várias vezes, mas
sempre te impedem e falam para continuar. Sempre cobraram muito do
senhor, e o senhor sempre diz ser um compositor e não um empresário. Mas
agora com o Lorenzo Mammì cuidando da parte administrativa, e o Luiz
Gustavo Petri, o senhor fica só na direção artística. Ainda pensa em
desistir?
Agora é como eu sempre desejei que tivesse sido, e aconteceu porque há dois, três anos, eu encerrei um deles, e até fico pensando que eu poderia ter encerrado há mais tempo porque assim apareceriam as pessoas interessadas (risos), como aconteceu agora. Eu me acostumei com a idéia de ter acabado o Festival, e não pretendia, realmente, fazer mais. Mas como é um espaço para músicos, há uma pressão grande para que continue. E o Lorenzo Mammì lá do Centro Maria Antônia, que é da USP (e eu também sou professor aposentado da USP, somos colegas), ele propôs fazer lá. Eu disse: –Tudo bem, mas vocês fazem. Eu não quero mais mexer nessas coisas, correr atrás de verba, nada disso. E eles se encarregariam disso, eu ficaria simplesmente como diretor de honra, diretor artístico. Opinar, dizer sim, não, está bem, está legal, dar o molde da coisa, mas sem precisar entrar em contato com o dinheiro. Mas em Santos acharam ruim, porque o pessoal de Santos e outras Sociedades aqui, Aplauso (que é uma associação da Orquestra Sinfônica Municipal, maestro Luiz Gustavo Petri), também quiseram fazer em Santos. Eu falei a mesma coisa, que tudo bem que eles fizessem, eu ficaria muito contente. Agora eles estão no terceiro ano.
No debate que ocorreu no auditório da Folha, o senhor estava comentando a falta de divulgação da música de nosso tempo e da música de alto repertório em geral. Falam que o povo não quer saber dessas coisas, e o senhor disse que a situação atual é, na verdade, responsabilidade das pessoas que cuidam disso, dos responsáveis que são ignorantes...
Não há a menor dúvida. Ninguém dá dinheiro para o Festival. Mas embora eu consiga geralmente verbas pequenas para ele, ele é super bem sucedido. A função dele não é ser um Festival como Campos do Jordão, esse tipo de coisa, é um Festival de compositores que se reuniram para mostrar a sua própria música e, posteriormente, conforme foi continuando, daqueles que aderiram à nossa linha de programa. Depois começam os contatos, primeiro latino-americano, depois mundial, internacional, virou um movimento realmente grande. Eu não queria ir atrás de bastante dinheiro. Eu não sou nem empresário e nem produtor. Na verdade eu preferiria um Festival de porte pequeno, mas que não desse trabalho. Se tivesse muito dinheiro na minha mão eu teria que alugar umas duas salas, ter secretárias e ficar trabalhando o tempo todo com a organização do Festival, mas não é o meu campo esse aí (risos), eu sou compositor.
E até perderia a liberdade do Festival...
E o caráter também não é esse.
O Festival sempre traz coisas interessantes, como nesta edição que tem o Dieter Schnebel e o Ensemble Orchestral Contemporain...
O Festival este ano é muito pequeno porque entrou muito pouco dinheiro. No ano passado, por exemplo, foi maior. Então muita coisa a gente cortou. É muito pequeno, com sete eventos no total. Mas está muito bom, não é?
Sim, está pequeno, mas está muito bom...
O Dieter Schnebel, que é uma das figuras maiores deste movimento da Neue Musik – Música Nova – aqui presente. Figura histórica, uma das maiores figuras da Música Nova, um dos maiores compositores da Alemanha, e a Alemanha foi a comandante deste movimento. Tem também o Ensemble Orchestral Contemporain que vai ser muito bom. Tem uma obra até do Pierre Boulez no meio...
Edgar Varèse...
Varèse também, e um compositor da nova geração que é muito interessante. Uma pianista inglesa muito curiosa também que vai tocar um programa com composições da Renascença, Bach, Ligeti...
E música pop também...
Pop, músicas dela mesma, muito interessante. E também uma flautista holandesa muito boa vai tocar com a Orquestra Sinfônica de Santos um concerto para flauta e orquestra que é do próprio marido dela, que é compositor também, ele é norte-americano, mas é radicado na Holanda. Além das presenças estrangeiras boas, grupos brasileiros também. Desta vez não deu para formar grupos de câmara – trios, quintetos, etc. Não é possível fazer milagres. A Orquestra de Câmara do departamento de música da Usp e a Banda Sinfônica têm muita música brasileira. O Festival sempre apresenta música brasileira...
E agora não tem mais a Sinfonia Cultura.
É, tivemos esta perda lamentável que se deve a esses fatos de que falava aqui. As pessoas que às vezes ocupam certos cargos de direção de TV e de rádio, elas levam para ali a sua ignorância. Acham: (fazendo outra voz) “Não! O povo não quer ouvir isso.” Mas não consultaram ninguém. É isso. Na verdade, eles é que não gostam. Porque o cara que gosta da alta cultura e que está em um cargo de direção artística, um cara que ama a alta cultura, aí ele vai repugnar essas coisas. Como agora a TV Cultura abaixou o nível da programação, não é?
Muito, e a Rádio também.
É, a Rádio e a TV. Para quê? Para atingir o grande público. E é inclusive burrice, porque não atinge. Quem ouve a Cultura não vai ver a televisão e ouvir, por causa dessa mudança, e vai perder o público que tinha. Quem gosta da alta cultura, não tem mais rádio, não liga mais para lá. Não existe com essa finalidade. A direção, eles é que não gostam. O que precisa, o fundamental de todo projeto cultural, mesmo educacional, o fundamento dessa mecânica é dar chance de escolha. Porque ficar com esse preconceito – porque isso é um preconceito, preconceito de ignorante: “Não! Esses caras não querem.” O cara que está dizendo isso. Eles não gostam e não toleram esse tipo de coisa. E não é nada disso, tem que mostrar tudo, para a pessoa optar. Eu, que peguei os anos antigos, tenho bastante idade e ouvi rádio nos anos 30 e tal, tinha uma opção incrível naquela época. Só na área popular, você ouvia grupos da Hungria, grupos da Tchecoslováquia, grupos dos Estados Unidos, música francesa, ouvia de tudo. Rádio é popular, ainda mais naquele tempo. Então eu fui formado pela melhor música, a mais variada possível. A geração de hoje não tem opção, você liga o rádio e é tudo rock. Só tem a música ruim e não a boa. Então não há mais a chance da opção. Opção é fundamental. Colocar tudo e é o público que deve decidir. Eles só mostram uma coisa. E a TV Cultura agora faz coisas como o programa da Silvia Poppovic (risos). Eles têm que perceber que deviam deixar essa vulgaridade para as outras...
Que fazem melhor isso...
Que fazem melhor, não é? E ninguém vai deixar de ver a outra para ver essa aí. Vai perder o público que já tinha para alguma concorrente.
O senhor já disse que compõe para poder escutar os grandes mestres. O Festival Música Nova acabou chegando em um ponto que estréia no Brasil muitas obras, tanto de compositores brasileiros quanto estrangeiros. O senhor não acha que com o Festival o senhor também acabou conseguindo pagar um tributo, tanto aos mestres quanto aos contemporâneos?
Essa frase que eu disse uma vez, na verdade eu escrevi [Uma Odisséia Musical, Edusp, 1994]. É que volta e meia perguntam para a gente: “Por que você compõe?” E a gente tem umas respostas meio padronizadas, nós, os compositores. Mas no fim eu pensei bem, e o porquê de eu compor é estar como que a merecer ouvir a grande música de Bach, Beethoven, Renascença, Idade Média, grandes contemporâneos... Merecer. Acho que tem que merecer ouvir essa gente. Não precisa se tornar um grande compositor. Grandes compositores são poucos no mundo, na história da humanidade. Eu quero apenas ser um compositor, aí eu me sinto como que no direito a poder ouvir. Uma vez eu li aquele escritor, um escritor russo, que escreveu o Doutor Jivago, Pasternak. Uma vez ele declarou que quando ele foi criança, ouviu Scriabin ou alguma coisa assim, e ele quis ser músico. Engraçado... E tentou, estudou, tal e tal, mas parece que não foi adiante, não tinha talento. E aí ele desistiu, se interessou pela literatura, e disse que nunca mais quis ouvir música... Engraçado. E ele gostava muito a ponto de querer ser compositor, ele queria ser músico. Pelo menos não sei se a vida toda, mas em um dado momento ele se desinteressou. Eu pensei bem – eu passei por uma fase um pouco assim, quando eu estudava música, ainda não era ninguém na música, na década de 40, eu às vezes pensava um pouco assim. Mas felizmente hoje eu posso ouvir música com muito prazer. Ruim ou não, eu me tornei um compositor.
Agora é como eu sempre desejei que tivesse sido, e aconteceu porque há dois, três anos, eu encerrei um deles, e até fico pensando que eu poderia ter encerrado há mais tempo porque assim apareceriam as pessoas interessadas (risos), como aconteceu agora. Eu me acostumei com a idéia de ter acabado o Festival, e não pretendia, realmente, fazer mais. Mas como é um espaço para músicos, há uma pressão grande para que continue. E o Lorenzo Mammì lá do Centro Maria Antônia, que é da USP (e eu também sou professor aposentado da USP, somos colegas), ele propôs fazer lá. Eu disse: –Tudo bem, mas vocês fazem. Eu não quero mais mexer nessas coisas, correr atrás de verba, nada disso. E eles se encarregariam disso, eu ficaria simplesmente como diretor de honra, diretor artístico. Opinar, dizer sim, não, está bem, está legal, dar o molde da coisa, mas sem precisar entrar em contato com o dinheiro. Mas em Santos acharam ruim, porque o pessoal de Santos e outras Sociedades aqui, Aplauso (que é uma associação da Orquestra Sinfônica Municipal, maestro Luiz Gustavo Petri), também quiseram fazer em Santos. Eu falei a mesma coisa, que tudo bem que eles fizessem, eu ficaria muito contente. Agora eles estão no terceiro ano.
No debate que ocorreu no auditório da Folha, o senhor estava comentando a falta de divulgação da música de nosso tempo e da música de alto repertório em geral. Falam que o povo não quer saber dessas coisas, e o senhor disse que a situação atual é, na verdade, responsabilidade das pessoas que cuidam disso, dos responsáveis que são ignorantes...
Não há a menor dúvida. Ninguém dá dinheiro para o Festival. Mas embora eu consiga geralmente verbas pequenas para ele, ele é super bem sucedido. A função dele não é ser um Festival como Campos do Jordão, esse tipo de coisa, é um Festival de compositores que se reuniram para mostrar a sua própria música e, posteriormente, conforme foi continuando, daqueles que aderiram à nossa linha de programa. Depois começam os contatos, primeiro latino-americano, depois mundial, internacional, virou um movimento realmente grande. Eu não queria ir atrás de bastante dinheiro. Eu não sou nem empresário e nem produtor. Na verdade eu preferiria um Festival de porte pequeno, mas que não desse trabalho. Se tivesse muito dinheiro na minha mão eu teria que alugar umas duas salas, ter secretárias e ficar trabalhando o tempo todo com a organização do Festival, mas não é o meu campo esse aí (risos), eu sou compositor.
E até perderia a liberdade do Festival...
E o caráter também não é esse.
O Festival sempre traz coisas interessantes, como nesta edição que tem o Dieter Schnebel e o Ensemble Orchestral Contemporain...
O Festival este ano é muito pequeno porque entrou muito pouco dinheiro. No ano passado, por exemplo, foi maior. Então muita coisa a gente cortou. É muito pequeno, com sete eventos no total. Mas está muito bom, não é?
Sim, está pequeno, mas está muito bom...
O Dieter Schnebel, que é uma das figuras maiores deste movimento da Neue Musik – Música Nova – aqui presente. Figura histórica, uma das maiores figuras da Música Nova, um dos maiores compositores da Alemanha, e a Alemanha foi a comandante deste movimento. Tem também o Ensemble Orchestral Contemporain que vai ser muito bom. Tem uma obra até do Pierre Boulez no meio...
Edgar Varèse...
Varèse também, e um compositor da nova geração que é muito interessante. Uma pianista inglesa muito curiosa também que vai tocar um programa com composições da Renascença, Bach, Ligeti...
E música pop também...
Pop, músicas dela mesma, muito interessante. E também uma flautista holandesa muito boa vai tocar com a Orquestra Sinfônica de Santos um concerto para flauta e orquestra que é do próprio marido dela, que é compositor também, ele é norte-americano, mas é radicado na Holanda. Além das presenças estrangeiras boas, grupos brasileiros também. Desta vez não deu para formar grupos de câmara – trios, quintetos, etc. Não é possível fazer milagres. A Orquestra de Câmara do departamento de música da Usp e a Banda Sinfônica têm muita música brasileira. O Festival sempre apresenta música brasileira...
E agora não tem mais a Sinfonia Cultura.
É, tivemos esta perda lamentável que se deve a esses fatos de que falava aqui. As pessoas que às vezes ocupam certos cargos de direção de TV e de rádio, elas levam para ali a sua ignorância. Acham: (fazendo outra voz) “Não! O povo não quer ouvir isso.” Mas não consultaram ninguém. É isso. Na verdade, eles é que não gostam. Porque o cara que gosta da alta cultura e que está em um cargo de direção artística, um cara que ama a alta cultura, aí ele vai repugnar essas coisas. Como agora a TV Cultura abaixou o nível da programação, não é?
Muito, e a Rádio também.
É, a Rádio e a TV. Para quê? Para atingir o grande público. E é inclusive burrice, porque não atinge. Quem ouve a Cultura não vai ver a televisão e ouvir, por causa dessa mudança, e vai perder o público que tinha. Quem gosta da alta cultura, não tem mais rádio, não liga mais para lá. Não existe com essa finalidade. A direção, eles é que não gostam. O que precisa, o fundamental de todo projeto cultural, mesmo educacional, o fundamento dessa mecânica é dar chance de escolha. Porque ficar com esse preconceito – porque isso é um preconceito, preconceito de ignorante: “Não! Esses caras não querem.” O cara que está dizendo isso. Eles não gostam e não toleram esse tipo de coisa. E não é nada disso, tem que mostrar tudo, para a pessoa optar. Eu, que peguei os anos antigos, tenho bastante idade e ouvi rádio nos anos 30 e tal, tinha uma opção incrível naquela época. Só na área popular, você ouvia grupos da Hungria, grupos da Tchecoslováquia, grupos dos Estados Unidos, música francesa, ouvia de tudo. Rádio é popular, ainda mais naquele tempo. Então eu fui formado pela melhor música, a mais variada possível. A geração de hoje não tem opção, você liga o rádio e é tudo rock. Só tem a música ruim e não a boa. Então não há mais a chance da opção. Opção é fundamental. Colocar tudo e é o público que deve decidir. Eles só mostram uma coisa. E a TV Cultura agora faz coisas como o programa da Silvia Poppovic (risos). Eles têm que perceber que deviam deixar essa vulgaridade para as outras...
Que fazem melhor isso...
Que fazem melhor, não é? E ninguém vai deixar de ver a outra para ver essa aí. Vai perder o público que já tinha para alguma concorrente.
O senhor já disse que compõe para poder escutar os grandes mestres. O Festival Música Nova acabou chegando em um ponto que estréia no Brasil muitas obras, tanto de compositores brasileiros quanto estrangeiros. O senhor não acha que com o Festival o senhor também acabou conseguindo pagar um tributo, tanto aos mestres quanto aos contemporâneos?
Essa frase que eu disse uma vez, na verdade eu escrevi [Uma Odisséia Musical, Edusp, 1994]. É que volta e meia perguntam para a gente: “Por que você compõe?” E a gente tem umas respostas meio padronizadas, nós, os compositores. Mas no fim eu pensei bem, e o porquê de eu compor é estar como que a merecer ouvir a grande música de Bach, Beethoven, Renascença, Idade Média, grandes contemporâneos... Merecer. Acho que tem que merecer ouvir essa gente. Não precisa se tornar um grande compositor. Grandes compositores são poucos no mundo, na história da humanidade. Eu quero apenas ser um compositor, aí eu me sinto como que no direito a poder ouvir. Uma vez eu li aquele escritor, um escritor russo, que escreveu o Doutor Jivago, Pasternak. Uma vez ele declarou que quando ele foi criança, ouviu Scriabin ou alguma coisa assim, e ele quis ser músico. Engraçado... E tentou, estudou, tal e tal, mas parece que não foi adiante, não tinha talento. E aí ele desistiu, se interessou pela literatura, e disse que nunca mais quis ouvir música... Engraçado. E ele gostava muito a ponto de querer ser compositor, ele queria ser músico. Pelo menos não sei se a vida toda, mas em um dado momento ele se desinteressou. Eu pensei bem – eu passei por uma fase um pouco assim, quando eu estudava música, ainda não era ninguém na música, na década de 40, eu às vezes pensava um pouco assim. Mas felizmente hoje eu posso ouvir música com muito prazer. Ruim ou não, eu me tornei um compositor.
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