Passou a versão mais restaurada do Esposas Ingênuas, com 143 min. Bom filme.
Cinemateca Brasileira
Sala Oscarito
31/07/26
Passou a versão mais restaurada do Esposas Ingênuas, com 143 min. Bom filme.
Cinemateca Brasileira
Sala Oscarito
31/07/26
<M°, 3>
A superposição segundo o ritmo do tempo. Em relação ao cinema e à transmissão “sensacionalista” das notícias. Do ponto de vista do ritmo, segundo a percepção temporal, o “devir”, para nós, não possui mais qualquer evidência. Nós o decompomos dialeticamente em sensação e tradição. — Importante dar a estas coisas uma expressão analógica no domínio biográfico.
<M°, 4 >
[...]
Haxixe ao meio-dia: sombras são uma ponte sobre a corrente luminosa da rua.
<M°, 6>
Na arte de colecionar, a aquisição como fator decisivo.
<M°, 7>
A arte de preparar o fundo no ler e no escrever. Quem souber esboçar da maneira mais superficial é o melhor autor.
<M°, 8>
Visita subterrânea aos canais de esgoto: percurso preferido Chatelet-Madeleine. [cf. C 2a, 7]
<M°, 9>
[...]
A melhor arte de capturar, sonhando, a tarde nas malhas da noite é fazer planos. [cf. M 3a, 2]
<M°, 11>
[...]
O páthos deste trabalho: não há épocas de decadência. Tentativa de ver o século XIX de maneira tão positiva quanto procurei ver o século XVII no Livro sobre o drama barroco. Nenhuma crença em épocas de decadência. Assim também (fora dos limites) qualquer cidade para mim é bela; e, por isso, não acho aceitável qualquer discurso sobre o valor maior ou menor das línguas. [cf. N 1, 6]
<M°, 13>
O coletivo que sonha ignora a história. Para ele, os acontecimentos se desenrolam segundo um curso sempre idêntico e sempre novo. Com efeito, a sensação do mais novo, do mais moderno, é tanto uma forma onírica do acontecimento quanto o eterno retomo do sempre igual. A percepção do espaço que corresponde a essa percepção do tempo é a superposição. Quando então estas formas se dissolvem na consciência iluminada, surgem em seu lugar categorias político-teológicas. E apenas sob estas categorias, que congelam o fluxo dos acontecimentos, forma-se em seu interior a história como constelação cristalina. — As condições econômicas, sob as quais a sociedade existe, a determinam não apenas em sua existência material e na superestrutura ideológica: elas encontram também sua expressão. Assim como o estômago estufado de um homem que dorme não encontra sua superestrutura ideológica no conteúdo onírico, assim também ocorre com as condições econômicas da vida do coletivo. O coletivo interpreta essas condições e as explica, elas encontram sua expressão no sonho e sua interpretação no despertar. [cf. S 2, 1 e K 2, 5]
<M°, 14>
O homem que espera como tipo oposto ao flâneur. A apercepção do tempo histórico do flâneur comparada ao tempo do homem que espera. Não olhar as horas. Caso de superposição na espera: a imagem da mulher que é aguardada sobrepõe-se à de uma desconhecida. Somos uma barragem onde se acumula o tempo, que se precipita em nós mesmos quando surge aquela que esperamos. “Todos os objetos são como chefes.” Édouard Karyade.
<M°, 15>
[...]
Investigar a relação entre colportagem e pornografia. Imagem pornográfica de Schiller uma litografia — numa pose pitoresca, ele aponta com uma das mãos para um longínquo ideal, com a outra, se masturba. Paródias pornográficas de Schiller. O monge fantasmagórico e lascivo: a longa procissão de fantasmas e da lascívia: nas Mémoires de Saturnin, de Madame de Pompadour, a fileira lasciva dos monges; à frente, o abade com sua prima.
<M°, 17>
Sentimos tédio quando não sabemos o que estamos esperando. E o fato de o sabermos ou imaginar que o sabemos é quase sempre nada mais do que a expressão de nossa superficialidade ou distração. O tédio é o limiar para grandes feitos. [cf. D 2, 7]
<M°, 18>
[...]
Limiar e fronteira devem ser rigorosamente diferenciados. O limiar é uma zona. Mais exatamente, uma zona de transição. Mudança, transição, fluxo <?> estão contidos na palavra schwellen (inchar, entumescer), e a etimologia não deve negligenciar estes significados. Por outro lado, é necessário determinar o contexto tectônico imediato que deu à palavra o seu significado. Tornamo-nos muito pobres em experiências liminares. O “adormecer” é talvez a única delas que nos restou. Porém, assim como se sobrepõe ao limiar o mundo onírico com suas figuras, também sobrepõem-se a ele as oscilações do entretenimento e as mudanças de comportamento entre os sexos ao longo das gerações. — Do círculo de experiências liminares desenvolveu-se então o portal que transforma aquele que passa sob seu arco. O arco romano da vitória transforma em triumphator o general que retorna. Contra-senso do relevo na face interna do portal, um equívoco classicista. [cf. O 2a, 1 e C 2a, 3]
<M°, 26>
........................................................
BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.
Dois atores na Alemanha em 1931 que tiveram futuros opostos: Peter Lorre, um amigo de Bertold Brecht (Lorre, Brecht e Lang fugirão para os EUA, apenas Lorre não voltará para a Alemanha com o fim do nazismo); e Otto Wernicke, que trabalhará para o Nazismo (como Thea von Harbou, roteirista, que na época era casada com Lang).
<L°, 2>
“O sobrenatural não me inspira. Não faço senão contemplar o mundo exterior; minhas obras são verdadeiras não importa o que se diga.” Odilon Redon.
<L°, 3>
[...]
Stahr relata que o primeiro dançarino de cancan do Bal Mabille, um certo Chicard, dança sob a vigilância de dois agentes da polícia, cuja única função é vigiar a dança deste único homem. [cf. O 4, 2]
<L°, 8>
[...]
Sobre Redon: “Enfim e sobretudo indiferente ao efeito móvel e passageiro, por mais sedutor que seja, é a própria essência da vida, como uma alma profunda, que ele quer dar às suas flores.” André Mellerio, Odilon Redon, Paris, 1923, p. 163.
<L°, 10>
Projeto de Redon: ilustrar Pascal.
<L°, 11>
Apelido de Redon após 1870, no salão de Mme de Rayssac: O príncipe dos sonhos.
<L°, 12>
As flores de Redon e o problema da ornamentação, principalmente no haxixe. Mundo das flores.
<L°, 13>
[...]
Passagens como templos do capital mercantil. [cf. A 2, 2]
<L°, 28>
Passage des Panoramas, antes: Passage Mirès. [cf. A1a, 2]
<L°, 29>
Nos domínios de que tratamos aqui, o conhecimento existe apenas em lampejos. O texto é o trovão que segue ressoando por muito tempo. [cf. N 1, 1]
<L°, 30>
[...]
A necessidade de sensação como vício supremo. A associar com dois dos sete pecados capitais. Quais? A profecia de que os homens se tornariam cegos por excesso de luz elétrica e desvairados pela velocidade da transmissão das notícias. [cf. B 2, 1]
<L°, 32>
sobre poema de Carlos Drummond de Andrade
Dedicado a Nancy Bello
tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi
2 A Hora cinzenta (1951/52)
sobre poema de Raul de Leoni
Dedicado a Maria Cecília de Oliveira e Antonio Eduardo
soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi
3 Felicidade I (1951/52)
sobre poema de Raul de Leoni
Dedicado a Maria Cecília de Oliveira e Antonio Eduardo
soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi
4 Felicidade II (1951/52)
sobre poema de Raul de Leoni
Dedicado a Maria Cecília de Oliveira e Antonio Eduardo
soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi
5 Ingratidão (1951/52)
sobre poema de Raul de Leoni
Dedicado a Maria Cecília de Oliveira e Antonio Eduardo
soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi
6 Adolescência (1951/52)
sobre poema de Raul de Leoni
Dedicado a Maria Cecília de Oliveira e Antonio Eduardo
soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi
7 Confusão (1951/52)
sobre poema de Raul de Leoni
Dedicado a Maria Cecília de Oliveira e Antonio Eduardo
soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi
8 Sugestões do Crepúsculo (1951)
sobre poema de Vicente de Carvalho
Dedicado a Rubens Ricciardi
tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi
9 Sonho póstumo (fragmento) (1955)
sobre poema de Vicente de Carvalho
Dedicado a Rosana Lamosa e Rubens Ricciardi
soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi
10 Peixes de prata (1955)
sobre poema de Antonieta Dias de Moraes
Dedicado a Eunice Katunda
tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi
11 A tecelã (1955)
sobre poema de Antonieta Dias de Moraes
Dedicado a Andrea Kaiser e Rubens Ricciardi
tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi
12 Lamento (1956)
sobre antigo poema chinês extraído do Tchu Ivan (320 a.C.)
Dedicado a Andrea Kaiser e Rubens Ricciardi
tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi
13 Canção simples (1957)
sobre poema de Tereza de Almeida
Dedicado a Andrea Kaiser e Rubens Ricciardi
tenor: Fernando Portari • soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi
14 Lagoa (1957)
sobre poema de Carlos Drummond de Andrade
Dedicado a Andrea Kaiser e Rubens Ricciardi
tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi
15 Desencanto (1957)
sobre poema de Maria José Aranha Rezende
Dedicado a Andrea Kaiser e Rubens Ricciardi
soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi
16 Dizei, Senhora (1966)
sobre poema de Cid Marcus
Dedicado a Andrea Kaiser e Rubens Ricciardi
tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi
17 A mulher e o dragão (1967)
Texto-fragmento bíblico extraído de “O Apocalipse” de São João
Dedicado a Yuri Serov
soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi
18 Poeminha poemeto poemeu poesseu poessua da flor (1984)
sobre poema de Décio Pignatari
Dedicado a Eládio Perez González
tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi
19 O trovador (1993)
sobre poema de Mário de Andrade
Dedicado a Marta Herr
tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi
20 Finismundo: a última viagem parte I (1993)
sobre poema de Haroldo de Campos
Dedicado a Fernando Portari
tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi
21 Anatomia da musa (1995)
sobre poema de José Paulo Paes
Dedicado a Rosana Lamosa e Rubens Ricciardi
tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi
22 Fenomenologia da certeza (1995)
sobre poema de José Paulo Paes
Dedicado a Fernando Portari e Rubens Ricciardi
tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi
23 Sol de Maiakovski (1995)
sobre poema de Augusto de Campos
Dedicado a Victoria Evtodieva
soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi
24 Tvgrama I (Tombeau de Mallarmé) (1995)
sobre poema de Augusto de Campos
Dedicado a Rosana Lamosa e Rubens Ricciardi
soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi
25 Desesncontros, à memória de Kurt Weil, à lembrança de Gilberto Mendes (1995)
sobre poema de José Paulo Paes
Dedicado a Rosana Lamosa
soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi
26 Luz mediterrânea: no olvido do tempo (1995)
sobre poema de Gil Nuno Vaz
Dedicado a Julia Novikova
soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi
27 O pai do universo (1997)
Texto-fragmento extraído do “Baghavad Gita” com tradução de Rogério Duarte
Dedicado a João Duarte
tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi
28 Amplitude (1999)
sobre poema de Alberto Martins
Dedicado a Rosana Lamosa e Rubens Ricciardi
soprano: Rosana Lamosa • piano: Rubens Ricciardi
29 Mais uma vez (1999)
sobre poema de Carlos Ávila
Dedicado a Fernando Portari e Rubens Ricciardi
tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi
30 A festa (1999)
sobre poema de Narciso de Andrade
Dedicado a Fernando Portari e Rubens Ricciardi
tenor: Fernando Portari • piano: Rubens Ricciardi
MENDES, Gilberto (1922-2016). Música contemporânea brasileira: Gilberto Mendes / coordenação de projeto Francisco Carlos Coelho; texto de Décio Pignatari; inclui CD e caderno de partituras. — São Paulo: Centro Cultural São Paulo. Discoteca Oneyda Alvarenga, 2006. — (Música contemporânea brasileira; v.4)
30 Baudelaire, OC I, p. 430. (R.T.)
[...]
“Aconteceu-me muitas vezes apreender certos fatos menores que se passavam diante de meus olhos e perceber neles uma fisionomia original, na qual eu me comprazia em discernir o espírito da época. ‘Isto’, eu dizia a mim mesmo, ‘só poderia se dar hoje, não poderia ser em outro momento. Isto é um sinal do tempo.’ Ora, reencontrei nove vezes em dez o mesmo fato em circunstâncias análogas em velhos relatos ou em velhas histórias.” A. France, Le Jardin d’Épicure, p. 113. [cf. S 1, 2]
<G°, 4>
A figura do flâneur. Ele se assemelha ao comedor de haxixe, como este absorve o espaço em si. Na embriaguez do haxixe, o espaço começa a piscar para nós: “Então, o que terá acontecido em mim?” E com a mesma pergunta, o espaço aproxima-se do flâneur. [cf. M 1a, 3] Em nenhuma outra cidade ele pode respondê-la de maneira mais exata do que aqui. Pois a respeito de nenhuma outra foi escrito tanto e aqui sabe-se mais sobre certas ruas do que em outros lugares sobre a história de países inteiros.
<G°, 5>
A morte e a moda, Rilke, o trecho nas Elegias de Duíno. [cf. B 1 , 5]
<G°, 6>
[...]
Definição do “moderno” como o novo no contexto do que sempre existiu. [cf. S 1, 4]
<G°, 8>
[...]
A perspectiva no decorrer dos séculos. Galerias barrocas. Cosmorama do século XVIII.
[quer dizer: europeu]
<G°, 10>
[...]
Viagem microcósmica que o sonhador empreende através dos domínios do próprio corpo. Pois ele se sente como o louco: os ruídos do interior do próprio corpo — que para a pessoa sadia se associam para compor a maré da saúde que lhe traz o sono saudável, e que ele mal costuma ouvir — dissociam-se para ele: pressão arterial, movimentos dos intestinos, batimentos cardíacos, sensações musculares, tudo isso torna-se para ele isoladamente perceptível e exige uma explicação, que a loucura ou a imagem onírica têm à disposição. Possui essa aguçada capacidade de percepção o coletivo que sonha, o qual se aprofunda nas passagens como se fossem as entranhas do próprio corpo. Devemos segui-lo para interpretar o século XIX como sua visão onírica. [cf. K 1, 4]
<G°, 14>
O farfalhar da folhagem pintada na abóbada da Bibliothèque Nationale provém das incontáveis páginas viradas dos livros que aqui são constantemente manuseados. [cf. S 3, 3]
<G°, 15>
Paisagem da charneca, tudo fica sempre novo, sempre igual (Kafka, O Processo). [cf. S 1, 4]
<G°, 1 6 >
[...]
Verificação cuidadosa, qual a relação entre a óptica do miriorama33 e a época da modernidade, do mais novo. Ambas são certamente organizadas como as coordenadas fundamentais deste mundo. É um mundo de estrita descontinuidade, o sempre-novo não é o velho que permanece, tampouco o já ocorrido que retorna, e sim uma e a mesma coisa entrecruzada por in úm eras intermitências. (Assim vive o jogador na intermitência.) A intermitência faz com que cada olhar no espaço encontre uma nova constelação. Intermitência, a medida do film e. E o que resulta disso? Tempo do inferno e capítulo sobre a origem no Livro sobre o Barroco.34
33 Pintura de paisagem composta de vários recortes que podem ser combinados de diferentes maneiras. (E/M)
34 Cf. ODBA, pp. 67-69. (w.b.)
<G°, 19>
Todo verdadeiro conhecimento provoca redemoinhos. Nadar a tempo contra a corrente em redemoinhos. Tal como na arte, o decisivo é: escovar a natureza a contrapelo.
<G°, 20>
[...]
“Boneca de tragacanto <?>”. O texto de Rilke sobre bonecas.35
35 Bonecas de cera? Cf. Rainer Maria Rilke, “Puppen. Zu den Wachspuppen von Lotte Pritzel”, in: Sämtliche Werke, vol. 6, Frankfurt a. M., 1966, pp. 1063-1074. (w.b.; R.T).
<G°, 23>
Vidro sobre pinturas a óleo — só no século XIX?
<G°, 24>
Fisiologia do aceno. O aceno dos deuses (v. a introdução ao espólio de Heinle36). O aceno a partir da diligência postal, no ritmo orgânico dos cavalos que trotam. O aceno absurdo, desesperado, cortante, que se faz da janela do trem que parte. O aceno perdeu-se na estação. De outro tipo, o aceno a desconhecidos que passam no trem em movimento. Isto, principalmente, nas crianças que acenam para as pessoas silenciosas, desconhecidas, que nunca retornam, como se fossem anjos. (Elas acenam também ao trem em movimento.)
36 O espólio do poeta Cristoph Friedrich Heinle se perdeu em 1933 assim como o estudo que Benjamin lhe consagrara. (R.T.)
<G°, 25>
[...] Com o neoclassicismo de Cocteau, Stravinsky, Picasso, Chirico etc, ocorre o seguinte: o espaço de transição do despertar, no qual vivemos agora, é percorrido de bom grado pelos deuses. Esta travessia do espaço pelos deuses dá-se com a rapidez de um raio. Também deve pensar-se nesta oportunidade somente em certos deuses. Principalmente em Hermes, o deus viril. É significativo que as musas, que no classicismo humanista são tão importantes, nada significa no neoclassicismo. [...] — A falha fundamental do neoclassicismo é que ele constrói para os deuses em travessia uma arquitetura que nega as relações básicas de sua aparição. (Uma arquitetura ruim, reacionária.)
<G°, 26>
Sobre o ritmo atual que determina este trabalho. É característico no cinema o antagonismo entre a seqüência bastante sincopada das imagens que satisfaz a mais profunda necessidade desta estirpe de ver repudiado o “fluxo” da “evolução” e a música de acompanhamento. Expulsar toda “evolução” da imagem da história e apresentar o devir como uma constelação no ser graças à ruptura dialética entre sensação e tradição, eis também a tendência deste trabalho.
<H°, 16>
Delimitação da tendência deste trabalho em relação a Aragon: enquanto Aragon persiste no domínio do sonho, deve ser encontrada aqui a constelação do despertar. Enquanto em Aragon permanece um elemento impressionista - a “mitologia” — (e a esse impressionismo se devem os muitos filosofemas vagos do livro), trata-se aqui da dissolução da “mitologia” no espaço da história. Isso, de fato, só pode acontecer através do despertar de um saber ainda não consciente do ocorrido. [cf. N 1 , 9]
<H°, 17>
Interiores de nossa infância como laboratórios para a representação de aparições de fantasmas. Relações experimentais. O livro proibido. Ritmo da leitura: duas angústias, em níveis diferentes, apostam uma corrida. A estante com vidros abaulados de onde o livro proibido foi retirado. A vacinação por aparições de fantasmas. O outro antídoto: as “imagens enganosas”.
<H”, 18>
A poesia dos surrealistas trata as palavras como nomes de firmas comerciais e elabora textos que são, na verdade, prospectos de empresas que ainda não se estabeleceram. Nos nomes de firmas aninham-se as qualidades que se queria procurar antigamente nas palavras originárias. [cf. G la, 2]
<H°, 19>
Daumier <?>, Grandville — Wiertz —
<H°, 20>
Revolta das anedotas. As épocas, correntes, culturas, movimentos afetam a vida física sempre da mesma maneira, invariavelmente. Nunca houve uma época que não se sentisse “moderna” no sentido mais excêntrico do termo e não se julgasse estar à beira de um abismo. Uma consciência desesperadamente lúcida da “crise” decisiva é crônica na história da humanidade. Cada época parece a si mesma irremediavelmente moderna. O “moderno”, porém, que afeta fisicamente os homens, é exatamente tão variado quanto os variados aspectos do mesmo caleidoscópio. — As construções da história são comparáveis a instruções que comandavam a verdadeira vida e a confinam em quartéis. Contra isso, se dá a revolta da nas ruas. A anedota aproxima as coisas espacialmente de nós, faz com que entrem ou nossa vida. Ela representa a rigorosa oposição à história que exige a “empatia”, que torna tudo abstrato. “Empatia”, eis o que resulta da leitura do jornal. Aqui está o verdadeiro método um tomar as coisas presentes: representá-las em nosso espaço (não nos representar no espaço delas). Só a anedota consegue nos levar a isso. Apresentadas assim, as coisas não permitem uma construção mediadora a partir de “grandes contextos”. — Assim também a contemplação de grandes coisas passadas — a Catedral de Chartres, o Templo de Paestum — é, na verdade, um recebê-las em nosso espaço (não a empatia em relação a seus arquitetos ou sacerdotes). Não somos nós que nos transportamos até elas: são elas que entram em nossa vida. — A mesma técnica da proximidade deve ser usada em relação às épocas, à maneira dos calendários. Imaginemos que um homem morra exatamente ao completar cinquenta anos, no dia do nascimento de seu filho, a quem ocorrerá o mesmo etc. — Daí resulta: desde o nascimento de Cristo, não viveram mais do que umas quarenta pessoas. Objetivo desta ficção: aplicar às épocas históricas uma escala adequada à vida do homem e que faça sentido para ele. Este páthos da proximidade, o ódio contra a configuração abstrata da vida humana em épocas, animou os grandes céticos. Anatole France é um bom exemplo disso. Sobre a oposição empatia versus presentificação: Leopardi, 13 (“Jubileus”). 38 [cf. S la, 4; S la, 3; H 2, 3]
<I°, 2>
Benda relata a surpresa de um alemão quando, duas semanas após a tomada da Bastilha, sentado à mesa de hóspedes em Paris, ninguém falava de política. A anedota de Anatole France sobre Pôncio Pilatos que, em Roma, durante o lava-pés não se lembra direito do nome do judeu crucificado. [cf. S 1, 3]
<I°, 3>
Máscaras para as orgias. Ladrilhos de Pompéia. Arcos de portão. Talas. Luvas.
<I°, 4>
História da criança com a mãe no panorama. O panorama representa a batalha de Sedan. A criança lamenta que o céu esteja encoberto. “Assim fica o tempo na guerra”, retruca a mãe. [cf. D 1, 1]
<J°, 4>
No fim dos anos sessenta, Alphonse Karr escreve que não se sabe mais fazer espelhos, [cf. R 1, 7]
<J°, 5>