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Player Piano Vol. 1 - Nancarrow Studies for Player Piano Vol. 1

Player Piano 1

Conlon Nancarrow (1912-1997)
Studies for Player Piano Vol. 1: Nr. 1-12

Bösendorfer-Ampico- Selbstspielflügel 
Germany 

Enquanto leio: Boris Schnaiderman/Tradução, Ato Desmedido

SCHNAIDERMAN, Boris (1917-2016). Tradução, Ato Desmedido / Boris Schnaiderman; Coleção Debates dirigida por J.Guinsburg. — São Paulo: Perspectiva, 2011. (Debates 321)
 
dou uma (re)espiada em: 
BÁBEL, Isaac (1894-1940). No campo da honra e outros contos / Isaac Bábel  Исаа́к Ба́бель; organização, tradução, posfácio e notas Nivaldo dos Santos; prefácio Boris Schnaiderman São Paulo: Ed.34, 2014. (Coleção Leste) 

2.6.26

Enterrei Todos no Meu Quintal • Luckas Iohanathan

Contada a partir de fragmentos, acompanhamos a vida de Júlia, da infância à velhice. Entre descobertas, erros e a inevitável solidão, ela transforma memórias em raízes, enterrando em seu quintal todos aqueles que, de alguma forma, ajudaram a compor sua história. Uma narrativa sobre o amadurecimento e a delicada arte de existir.

Luckas Iohanathan — autor de Como Pedra, vencedor do Prêmio Jabuti 2024 — é uma das vozes mais potentes dos quadrinhos brasileiros contemporâneos, e Enterrei Todos no Meu Quintal é um de seus primeiros trabalhos. Originalmente publicada de forma independente e digital em 2021, a graphic novel ganha agora sua primeira edição impressa.

A edição tem acabamento de luxo, com capa dura, 120 páginas em preto e branco, impressas em papel pólen bold de alta gramatura.

Luckas Iohanathan nasceu em 1994, na cidade de Mossoró, no interior do Rio Grande do Norte. Formado em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda, pela Universidade Estadual do Rio Grande do Norte, encontrou nas histórias em quadrinhos sua verdadeira paixão. O Monstro Debaixo da Minha Cama, sua primeira obra, foi publicada gratuitamente na internet, em 2020, sendo indicada ao 33º Troféu HQMix nas categorias Publicação Independente de Edição Única e Novo Talento – Roteirista. A obra venceu a 2ª edição do Prêmio Geek de Literatura, em 2023. No ano seguinte, seu trabalho Como Pedra, publicado pela Comix Zone, foi laureado com o Prêmio Jabuti, na categoria Histórias em Quadrinhos. Trabalha como diretor de arte e ilustrador freelancer há quase dez anos.


Capa dura
Formato 15,7 x 22,5 cm
120 páginas
ISBN 9786598916930
edição: Ferréz e Thiago Ferreira   

continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua

 
“A poesia e o progresso são dois ambiciosos que se odeiam com um ódio instintivo, e, quando se encontram no mesmo caminho, é preciso que um deles sirva ao outro. Se for permitido à fotografia suprir a arte cm algumas de suas funções, ela a suplantará logo ou a terá corrompido inteiramente, graças à adesão natural que encontrará na imbecilidade da multidão. E preciso, pois, que ela volte a seu verdadeiro dever, que é o de ser a serva das ciências e das artes, mas a serva muito humilde, como a imprensa c a estenografia, que não criaram nem supriram a literatura. Que ela enriqueça rapidamente o álbum do viajante e proporcione a seus olhos a precisão que faltaria à sua memória, que ela orne a biblioteca do naturalista, amplie os animais microscópicos, fortifique até mesmo com algumas informações as hipóteses do astrônomo, que ela seja enfim a secretária, o vade-mécum de quem precisa, em sua profissão, de uma exatidão material absoluta: até aqui, não há nada melhor. Que ela salve do esquecimento as ruínas pendentes, os livros, as estampas e os manuscritos que o tempo devora, as coisas preciosas cuja forma desaparecerá e que pedem um lugar nos arquivos de nossa memória, e ela terá nosso agradecimento e nosso aplauso. Mas se lhe é permitido usurpar o domínio do impalpável e do imaginário, de tudo o que só tem valor quando o homem ali coloca sua alma, então, pobres de nós!” Charles Baudelaire, Œuvres, Salon de 1859, ed. org. por Y.-G. Le Dantec, vol. II, p. 224 (“Le public moderne et la photographie”).18
 [Y 11, 1]
[...]
18 Op. cit., vol. II, pp. 618-619. (J.L.) 
Z
[A Boneca, o Autômato]1
 [...]
“Sabe-se que é Longchamps que inventa a moda. Não vi nada de novo, mas amanha todos os Follets, todos os Petits Couriers des Dames, todas as Psychés comentarão, em seus suplementos, os novos modelos  que já tinham sido inventados e estavam disponíveis antes do dia da reunião em Imngchamps. Desconfio até que em algumas carruagens, no lugar da dama que parecia estar ali sentada, houvesse apenas um manequim, colocado pelo proprietário e vestindo xales, sedas e veludo, conforfite o seu gosto.” Karl Gutzkow, Briefe aus Paris, Leipzig, 1842, vol. I, pp- 119-120. 
[Z 1, 3]
Sobre as Ombres Chinoises [Sombras chinesas] do Palais-Royal: “Uma ... demoiselle deu a luz em cena, e as crianças logo saíram engatinhando, como toupeiras. Havia quatro delas, e poucos instantes após o nascimento já dançavam uma bela quadrilha. Uma outra demoiselle balançava a cabeça bem forte, e sem que ninguém o esperasse, uma segunda demoiselle, completamente vestida, saiu de sua cabeça com um salto. Esta logo começou a dançar, c também começou a balançar a cabeça: eram as dores do parto, e logo uma terceira saltou e sua cabeça. Também esta pôs-se a dançar, e logo também começou a balançar a cabeça e dela surgiu uma quarta. E assim por diante, até juntarem oito gerações no palco  todas parentes entre si por superfetação, como piolhos.” J. F. Benzenberg, Briefe geschneben auf einer Reise nach Paris, Dortmund, 1805, vol. I, p. 294.
[Z 1, 4]
A um cerno momento, o tema das bonecas adquiriu um significado de crítica social. Por exemplo: “O senhor não imagina o quanto estes autômatos e estas bonecas podem se tomar detestáveis, e o quanto ficamos aliviados quando encontramos nesta sociedade uma criatura autêntica.” Paul Lindau, Der Abend, Berlim, 1896, p. 17.
[Z 1, 5]
“Numa loja, na Rue Legendre, em Batignolles, toda uma série de bustos femininos sem cabeça e sem pernas, com ganchos de cortina no lugar dos braços e pele de percalina de cor absoluta  castanho seco, rosa cm, negro fone , alinham-se numa só fila, empalados em hastes ou apoiados sobre mesas... Olhando esta estiagem de colos, este museu Curtius de seios, vislumbramos os porões onde repousam as esculturas antigas do Louvre, onde o mesmo torso eternamente repetido faz a alegria ensinada das pessoas que o contemplam, bocejando, nos dias de chuva... Quão superiores às insípidas estátuas das Vênus são estes manequins, tão vivos, dos costureiros; quanto mais insinuantes são estes bustos capitonês. cuja visão evoca longos devaneios:  devaneios libertinos, diante de seios adolescentes e tetas maduras; — devaneios caridosos, diante de mamas envelhecidas, encarquilhadas pela clorose ou intumescidas pela gordura; — porque pensamos nas dores das infelizes que ... sentem que se aproxima a indiferença do marido, a iminente deserção do amante, a perda final dos encantos que lhes permitiam as conquistas, nessas inevitáveis batalhas travadas contra a carteira bem guardada dos homens.” J. K. Huysmans, Croquis Parisiens, Paris, 1886, pp. 129, 131-132 (“Létiage” [A estiagem]).
[Z 1a, 1] 
 [...]
Marx explica que “do século XVI até meados do século XVIII  portanto, durante o período que vai do desenvolvimento da manufatura a partir do artesanato até a grande indústria propriamente dita — as duas bases materiais em que se apóia, no âmbito da manufatura, o trabalho preparatório para a indústria mecânica são o relógio e o moinho (de início, o moinho de cereais; mais precisamente o moinho hidráulico); sendo os dois legados da Antiguidade... O relógio é o primeiro instrumento automático utilizado para finalidades práticas; toda a teoria sobre a produção de movimentos uniformes desenvolveu-se a partir dele. Ele se funda, por sua própria natureza, na combinação de um artesanato semi-artístico com a teoria direta. Cardanus, por exemplo, escreveu (e deu instruções práticas) sobre a fabricação de relógios. Entre os autores alemães do século XVI, a relojoaria é chamada de artesanato erudito (não submetido às regras das guildas)’, e seria possível demonstrar a partir do estudo do desenvolvimento do relógio como a relação entre a erudição e a prática no artesanato é diferente, por exemplo, daquela na grande indústria. Não há dúvida alguma, também, de que no século XVIII o relógio deu a primeira idéia de emprego de um mecanismo automático (movido a mola) na produção. As experiências de Vaucanson neste sentido tiveram um efeito extraordinário, e historicamente comprovável, sobre a imaginação dos inventores ingleses. Quanto ao moinho, por outro lado, constataram-se desde o início  desde o surgimento do moinho d’água  as diferenças essenciais do organismo de uma máquina. A propulsão mecânica. O prime motor [motor principal], de que esta provém. O mecanismo de transmissão. Finalmente, a máquina operatriz, que trata a matéria. Cada uma dessas partes existindo de forma autônoma em relação às outras. A teoria da fricção, e a partir daí as pesquisas posteriores sobre as formas matemáticas das engrenagens e peças dentadas etc., foram desenvolvidas a partir do moinho; o mesmo se aplica à teoria da medida do grau da força motriz, da melhor maneira de empregá-la etc. Quase todos os grandes matemáticos desde meados do século XVII, na medida em que se ocupam da mecânica prática e teorizam a respeito, tomaram como ponto de partida o simples moinho hidráulico. Com efeito, é a partir daí que o nome moinho  Mühle e Mill , surgido no período da manufatura, é utilizado para todos os mecanismos de propulsão mecânica destinados a fins práticos. Porém, no caso do moinho, assim como no caso da imprensa mecânica, da forja, do arado etc., o trabalho propriamente dito  moer, prensar, martelar, triturar etc.  é realizado desde o início sem a participação humana, mesmo quando se utilizava como força motriz a força humana ou animal. Portanto, este tipo de máquina é ... muito antigo... Por isso, também, é quase a única máquina que surge no período da manufatura. A revolução industrial começa quando as máquinas passam a ser empregadas onde, desde sempre, o resultado final exigiu o trabalho humano  e, portanto, não onde, como no caso daqueles utensílios, a matéria a ser efetivamente trabalhada jamais exigiu o trabalho direto da mão do homem.” Marx a Engels, 28 de janeiro de 1863, de Londres, in: Karl Marx e Friedrich Engels, Ausgewählte Briefe, ed. org. por V. Adoratskij, Moscou-Leningrado, 1934, pp. 118-119.
[Z 2] 
Em seu estudo intitulado “La mante religieuse: recherches sur la nature et la signification du mythe”, Callois fàz referência ao automatismo dos reflexos, especialmente evidente nos louva-deus (praticamente não existe uma função vital que eles não realizem, mesmo quando decapitados). Ele os relaciona, em razão de seu significado funesto, aos autômatos fatais de que falam os mitos. Assim é Pandora, “autômato fabricado pelo deus ferreiro para a perdição dos homens, para que estes ‘envolvam de amor sua própria infelicidade’ (Hesíodo, Os Trabalhos e os Dias, verso 58). A ela se juntam, da mesma forma, as Krtya indianas, bonecas animadas pelos feiticeiros para causar a morte daqueles que as abraçam. A literatura também conhece, no capítulo das mulheres fatais, a concepção de uma mulher-máquina, artificial, mecânica, que nada tem em comum com as criaturas vivas, e que é, sobretudo, assassina. A psicanálise certamente não hesitaria em interpretar essa representação como uma maneira particular de encarar as relações entre morte e sexualidade, e, mais precisamente, como um pressentimento ambivalente de encontrar uma na outra.” Roger Callois, “La mante religieuse: recherches sur la nature et la signification du mythe”, Mesures, III, n°2, 15 abr. 1937, p. 110.
[e também O Homem de areia / Der Sandmann, E. T. A. Hoffmann]
[Z 2a, 1]
Baudelaire, na seção “Les femmes et les filies” de seu ensaio sobre Guys, cita as palavras de La Bruyère: “Algumas mulheres têm uma grandeza artificial, ligada ao movimento dos olhos, ao meneio de cabeça, à maneira de andar, e que não vai muito além disso.” Comparar com “Le mensonge”, de Baudelaire.  Na mesma seção, Baudelaire cita o conceito da “fœmina simplex, do satírico latino”. LArt Romantique, Paris, p. 109.4 
[Z 2a, 2]
Primórdios da grande indústria: “Muitos camponeses emigram para as cidades, onde o vapor permite a concentração das fábricas que antes ficavam dispersas ao longo do curso dos rios.” Pierre-Maxime Schuhl, Machinisme et Philosophie, Paris, 1938, pp. 56-57.
[Z 2a, 3]
“Aristóteles declara que a escravidão deixaria de ser necessária se as lançadeiras e os plectros se movimentassem por si mesmos: esta idéia combina perfeitamente com sua definição do escravo: um instrumento animado... Assim também o velho poeta Pherekydes de Syros disse que os Dáctilos, ao mesmo tempo que construíam uma casa para Zeus, fabricavam para ele servidores e servidoras: estamos no reino da fábula... E, no entanto, não se passaram nem três séculos para que um poeta da Anthologie, Antiphilos de Bisâncio, respondesse a Aristóteles cantando a invenção do moinho hidráulico, que libera as mulheres do penoso trabalho de moagem: ‘Tirai vossas mãos da mó, mulheres da moenda; dormi por muito mais tempo, mesmo que o canto do galo anuncie o dia, porque Deméter encarregou as Ninfas do trabalho que ocupava as vossas mãos: elas se precipitam do alto de uma roda e fazem girar o eixo que, com os pinos da engrenagem, move o peso côncavo das mós de Nisyra. Nós gozaremos a vida da Idade do Ouro se conseguirmos aprender a saborear sem pesares as obras de Deméter.”’ Nota: “Anthologie Palatine, IX, 418. Este epigrama ... já foi aproximado ao texto de Aristóteles, e ao que parece foi Maix quem o fez pela primeira vez” (provavelmente in: Das Kapital, trad. Molitor, Paris, 1924, vol. III, p. 61). Pierre-Maxime Schuhl, Machinisme et Philosophie, Paris, 1938, pp. 1 9-20.5
[Z 3]
 
1 A palavra alemã Puppe pode designar tanto a boneca quanto o manequim; cf. [Z 1 , 1 ]. 0 texto Lob der Puppe (GS III, 213-218)  Elogio da Boneca, in: W. Benjamin, Reflexões sobre a Criança, o Brinquedo e a Educação, trad. de Marcus Mazzari, São Paulo, 2002, pp. 131-138  sugere também uma aproximação com as marionetes. Ver também o boneco em trajes turcos e o autômato que joga xadrês, na primeira tese de W. Benjamin, Uber den Begriff der Geschichte, GS I, 693; Teses, p. 41. (J.L.; wb.)
4 Baudelaire, OC II, pp. 720 e 721. (R.T.) 
5 O autor antigo do elogio do moinho hidráulico é, na verdade, Antipatros, e é este que é citado por Marx em Das Kapital, MEW, vol. XXIII, Berlim, 1962, p. 430. A discussão de Aristóteles sobre o escravo enquanto “instrumento animado" encontra-se na sua Política, livro I, cap. 3 (E/M; w.b.)
 
BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.  

Enquanto leio: Boris Schnaiderman/Tradução, Ato Desmedido

SCHNAIDERMAN, Boris (1917-2016). Tradução, Ato Desmedido / Boris Schnaiderman; Coleção Debates dirigida por J.Guinsburg. — São Paulo: Perspectiva, 2011. (Debates 321)
 
dou uma (re)espiada em: 
GÓGOL, Nikolai (1809-1852). O capote e outras histórias / Nikolai Gógol  Николай Гоголь; tradução, posfácio e notas Paulo Bezerra São Paulo: Ed.34, 2010. (Coleção Leste)