9.7.20

PALESTRA “A Música no Teatro Épico” com Willy Corrêa de Oliveira

Sinopse
      Música língua linguagem
            Música e Capitalismo / Música e Revolução
      Aprendendo com Brecht
            Música e Teatro Épico

Sobre o palestrante
“Nasci no Recife (PE) cinco anos após o ascendimento de Hitler ao poder. De início aprendi a falar a língua e o mundo (a um só tempo). Mais velho, me dei conta do quão tomara o mundo e a língua erradamente. Nunca: ninguém – em casa – nunca me havia avisado que, no capitalismo, há conluio para a falsificação do mundo e da linguagem, para que aceitemos a sujeição e a bestialização da imensa maioria (como coisa natural). Quem não se submete à adoração do bezerro de ouro já está condenado. Nem sequer dispomos de uma linguagem musical universalizante.” - Willy Corrêa de Oliveira

15.4.20

Harmonia

“Mas os tolos têm sempre medo de serem tomados por tolos, ou seja: de serem reconhecidos. Receiam que algum embusteiro os engane. Essa insegurança lhes exige uma proteção. (…) Nada o medíocre receia mais do que ser coagido a trocar sua concepção de vida. E, assim, estabelece para si um ideal que é a expressão desse medo: o caráter. O homem de caráter pleno é aquele (variando uma palavra de Karl Krauss) cuja arteriosclerose procede de sua concepção de mundo.”

Schoenberg, Arnold. Harmonia. Introdução, tradução e notas de Marden Maluf —São Paulo: Editora UNESP, 2001.

28.3.20

não confundir o Mito com a Verdade

16  — Cristrovão Corumbas! Danczardo deveras! Dervibólico
17   dervixe. Ortovito semi ricordo. Pantalonica afecção
18   na corrente sangüínea qual influenza a tremular no ponto
19   de ebulicao?
                                                                                        [513]

5   Essexelcência, e não tou engolindo ar, verdade da Ponte de Ouro [Golden].
6   Monta a nada em libras e pence. Nem mesmo a mina lá dum
7   espelho nem tanto quanto o preço das calças dum planaltino ou as
8   três coroas de tua bandeira (não é lamentável pacas?) por toda
9   essa porqueira destória?
                                                                                        [521]

Joyce, James. Finnegans Wake / Finnicius Revém. Livro 5 [livro iii e iv, capítulos 13,14,15,16, e 17. Capítulo 15: Lowly / Lenta]. Introdução / Versão / Notas: Donaldo Schüller. Ateliê Editorial, São Paulo, 2003.

16.1.20

Capa Preta / Lourenço Mutarelli

Enquanto trabalhava nos Estúdios Maurício de Sousa (1988), no dia do seu aniversário, alguns colegas acharam que seria uma boa ideia simular um sequestro para levá-lo a uma festa surpresa. O trote desencadeou uma crise depressiva crônica. O autor encontrou nas histórias em quadrinhos o remédio para superar esse trauma e personificou, em seus heróis, os dramas por ele vividos. Durante essa fase, produziu quatro álbuns: Transubstanciação (1991), Desgraçados (1993), Eu Te Amo Lucimar (1994) e A Confluência da Forquilha (1997). Cada uma dessas publicações foi contemplada com um Troféu HQ Mix. Capa Preta reúne em volume único esses quatro álbuns, esgotados há anos e vendidos a preço de ouro. As pranchas originais foram redigitalizadas para amplificar a experiência gráfica do leitor.

Capa dura: 304 páginas
Editora: Comix Zone
Idioma: Português
ISBN-13: 978-8562848124
Lourenço Mutarelli



22.11.19

O Eternauta 1969


Nesse clássico dos quadrinhos mundiais, originalmente ilustrado por Francisco Solano López, acompanhamos a invasão de Buenos Aires por uma raça extraterrestre conhecida como "Eles". Ao longo da trama, repleta de reviravoltas e personagens incríveis, o protagonista Juan Salvo resiste a alienígenas, viaja no tempo e, apesar de si mesmo, se torna o legatário final de toda a humanidade. Dez anos depois, em 1969, à convite da revista Gente, Oesterheld se debruça novamente sobre seu magnum opus e nos oferece um remake abrangente. Os desenhos desta nova versão ficam a cargo do uruguaio Alberto Breccia, com quem Oesterheld havia colaborado em outras obras, como Mort Cinder e Sherlock Time. O autor não apenas muda a história em detalhes, dando a ela um tom político mais acentuado, como o estilo surreal de colagem de Alberto Breccia cria um mundo totalmente novo, mais sombrio e distópico. O Eternauta 1969 não é apenas uma grande obra de ficção científica, é um documento contemporâneo de alta tensão da esquerda argentina do final dos anos 1960, finalmente publicado no Brasil pela editora Comix Zone.

Oesterheld foi militante dos Montoneros. Entrou na clandestinidade depois do sequestro e do assassinato de suas 4 filhas e da apropriação de dois de seus netos pelo governo, antes de ser sequestrado pelas forças-tarefa da ditadura. Ele foi torturado e assassinado. Seus restos mortais, assim como os de muitos outros desaparecidos daquele período negro, nunca foram encontrados
O Eternauta 1969 (Português) Capa dura
por Héctor Germán Oesterheld, Alberto Breccia

Capa dura: 64 páginas
Editora: Comix Zone
Idioma: Português
ISBN-10: 8562848107
ISBN-13: 978-8562848100
Dimensões do produto: 29,2 x 21,4 x 1,2 cm
Héctor Germán Oesterheld, Alberto Breccia

29.8.19

My Way – a periferia de moicano


Esse livro tem importância de quem viveu dentro do tema, de quem foi o tema, e de quem construiu muita coisa desse movimento.

O autor Valo Velho, fala muito dessa aproximação, também nos traz as guerras, as viagens, as lutas ideológicas e como o movimento Anarchopunk teve tanta influência de um país como a Finlândia.

Valo Velho, É um dos pioneiros da fundação do Movimento Anacrhopunk junto a indivíduos e coletivos da segunda metade da década de 80. Mobilizou campanhas anti militares e protestos contra armamentos nucleares e pela queda do muro de Berlin. Entre 95 e 99 fez parte de coletivos, cooperativas de trabalho autônomo, com os Panteras Negras, Hippies e Punks nos Estados Unidos. Militante pacifista que tem dedicado seu tempo como professor voluntário em ONGs e projetos sociais desde 2000. Mora a 40 anos no Valo Velho, bairro do Extremo Sul da Zona Sul de São Paulo e porquanto o nome do bairro se tornou seu homônimo. O Punk começou por volta de 76 na Europa e E.U.A. essas datas não são tão precisas, mas também não é só o surgimento da primeira banda ou seja limitado e exclusivamente a um estilo musical, tudo nasce numa simbiose.

Punk mais que som, é um comportamento uma postura, um modo de viver mesmo tá ligado? E assim como todos movimentos não se separa isso. Surgiu como uma necessidade, no momento que a crise e o desemprego agravavam ou seja no final dos 70. Por serem tão diferentes, começam não querer permanecer no lugar a eles destinado, a periferia, a circulação pela cidade é constante e daí se produz o choque. As denúncias estão feitas, as experiências vividas e as lutas travadas; não há nada que eu possa fazer para mudar a história de opressão que vivi, mas muito que eu possa fazer para que ela não se repita?". Valo Velho.

Título: My Way
Autor: Valo Velho
Editor: Ferréz
Revisão: Ni Brisant e Ferréz
Capa e projeto gráfico: Paulo Vidal de Castro & Thais Vilanova
Formato: 14 × 21 cm
Número de Páginas: 208
Tiragem: 300
este livro foi composto em caecilia & syntax
e impresso pela gráfica Psi7 em papel lux cream 90g em julho de 2019

Editora Selo Povo


16.5.19

Almanhaque de 2019

“O Brasil foi descoberto, por acaso, em 1500, e ficou sendo colônia de Portugal até 1822, mas não por acaso. Nesse ano, um príncipe português proclamou a Independência do Brasil e o país, desde então, passou a fazer dívidas por conta própria, ficando cada vêz mais dependente de seus credores. Em 1889 foi proclamada a Republica, a qual foi passando por muitos estados de evolução, entre os quais podemos citar o estado de sitio, o estado de emergência, o estado de guerra, o Estado Novo, que culminou, afinal, no estado a que chegamos.
(...)
Segundo Nossoptôlo (um tolo – letra P) a Terra devia pairar no meio do Universo, enquanto o Sol, os planetas e as estrelas descreveriam círculos perfeitos, girando em torno do nosso planeta.
(...)
PINHEIRO – Antigo político mineiro, deputado federal e ex-presidente da Companhia do Vale do Rio Doce. Seus inimigos dizem que, neste ponto, comeu o “doce”, bebeu o “rio” e deixou o “vale” na “caixa”.
(...)
Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato
(...)
Bôa Memória
O homem cumprimentou o outro no café:
– Creio que fomos apresentados na casa do Olavo.
– Não me recordo.
– Pois eu tenho certeza. Faz um mês e meio, mais ou menos.
– Como me reconheceu?
– Pelo guarda-chuva.
– Mas naquela época eu não tinha guarda-chuva.
– Realmente, mas eu tinha.
(...)
Num governo sem razão todos gritam e ninguem tem pão
(...)
ANISTIA é um ato pelo qual o governo resolve perdoar generosamente as injustiças que ele mesmo cometeu.
(...)
Como ia dizendo, meus senhores, o banco é uma instituição que empresta dinheiro á gente, mas se a gente apresentar prova de que não precisa de dinheiro...
(...)
Os armazenistas também querem “pás”, porque são coveiros
(...)
(…) falando com mais desembaraço, cofessou que, se tentasse concluir qualquer tratado pacífico, perderia o seu emprego de ministro e, então, seria ele quem já não poderia viver em paz, acossado pelos credores, nem teria recurso para comprar camisas azuis e usar chapéu-de-côco. E sentenciou gravemente: – Tratado de paz significa desarmamento, isto é, a cessação dos grandes negócios de armas, a falência da prospera industria da defesa nacional da qual vivem honradamente as pessoas mais decentes e distintas (…). Um tratado de paz seria a ruína desses bons patriotas. Por esse motivo, é indispensável criar e tratar carinhosamente um monstruoso e traiçoeiro inimigo, ao qual, entretanto, devemos amar, conforme mandam os Evangelhos.”

Torelly, Aparício, 1895-1971
Almanhaque para 1949, Primeiro Semestre, ou, “Almanhaque d'A Manha”/ Aparício Torelly, o Barão de Itararé. -- São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo; Imprensa Oficial do Estado, 2002. -- (Coleção Almanhaques do Barão de Itararé).- fac-símile da primeira edição


10.5.19

Cadernos, de Willy Corrêa de Oliveira: Livro aborda o drama da música erudita no capitalismo

Paul Badura-Skoda, pianista austríaco notável por suas interpretações de Mozart, foi surpreendido, certa vez, com a mais calorosa recepção de sua vida ao desembarcar no Aeroporto de Guarulhos para realizar um recital em São Paulo. Depois de minutos de ovações, deu-se conta de que os aplausos eram para atletas de um time de vôlei que vinham no mesmo voo. Sua presença pouco importou.
Essa historieta ilustra a situação complicada em que a música erudita se encontra. Do ponto de vista do mercado, observa-se que, no auge da globalização do CD, no começo da década de 90, a venda de discos de música erudita correspondia a apenas 3,8% do mercado mundial de CDs. Atualmente a situação se agravou e, nos Estados Unidos, país que concentra a maior venda de discos, a música erudita representa 1,6% do total de vendas de CDs, mesmo com seus ouvintes preferindo os discos físicos aos produtos virtuais.
Em 1998 essa conjuntura da música erudita foi antevista pelo professor Willy Corrêa de Oliveira, do Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, em sua tese de livre-docência intitulada Cadernos. É essa tese que a Editora da USP (Edusp) vai lançar no dia 23 de abril, terça-feira, às 17 horas, na Livraria João Alexandre Barbosa, na Cidade Universitária, em São Paulo.
O argumento central do trabalho de Willy é que, pelo fato de a música erudita ser uma linguagem milenar e – em razão disso – fazer muitas exigências para seu cultivo e apreensão, ela encontra muitas dificuldades para se tornar uma mercadoria no capitalismo. Isso ocorreria porque toda a estrutura desse sistema econômico está erigida para o lucro, o qual é necessariamente redirecionado para a ampliação constante da acumulação e da base de reprodução do capital. Nessa ordem de coisas que dá primazia a uma produção mais material, a música erudita constitui um investimento de alto custo e baixíssimo retorno, o que torna inviável, aos olhos do Estado, sua ampla generalização como política de ensino a largo prazo. Na prática, isso equivale a dizer que, no Brasil, enquanto mais de 350 mil pessoas se matriculam anualmente em cursos de Engenharia Civil, a cada ano pouco mais de 3 mil começam um curso de Música.
Por ser um tema algo complicado e espinhoso, poderia se pensar que a tese de Willy é um trabalho volumoso, da cepa dos livros do sociólogo alemão Theodor Adorno, que podem parar em pé sozinhos, ou um escrito repleto de estatísticas de produção e consumo, elaborado a partir de um estruturalismo à la Althusser. E todavia não. Antes, saibamos que Willy é um apreciador de haikais e da arte breve dos prelúdios de Chopin, um adepto do dichten = condensare de Ezra Pound. Recordemo-nos que Willy Corrêa de Oliveira é compositor, que integrou o Música Nova junto de Gilberto Mendes e foi colega de trabalho de Haroldo e Augusto de Campos. Acima de tudo: que a tese de Willy a ser lançada pela Edusp no dia 23 é também o testemunho de um artista que esteve fundamentalmente comprometido com o projeto vanguardista de renovação da linguagem musical e que se apercebeu, em um segundo momento, da fantasia que é levar a cabo tal projeto dentro do sistema capitalista. Mais: em seu texto, Willy defende que a própria vanguarda estética, por mais que se proponha revolucionária, integra a ideologia do capitalismo devido ao seu acirrado individualismo; e que, nesse sistema, a música erudita não subsiste como prática musical possível e universalizável, mas sim como propaganda.

O livro Cadernos, de Willy Corrêa de Oliveira – Foto: Reprodução/Edusp
A tese de Willy é, portanto, de uma feitura muito particular. É um texto altamente condensado e direto, formalizado no aparente descompromisso de quatro cadernos: um é uma autobiografia fantasiada que ilustra as diversas vidas que os compositores podem levar dentro do capitalismo; outro são recortes de jornais, revistas, “notícias que manifestassem – de modo o mais transparente – o atual estado de coisas”; um terceiro é um caderno de ensaios, “uma série de reflexões para demonstrar o drama da música erudita no capitalismo” e evidenciar a insuficiência da argumentação da parte contrária; e o quarto é a tese propriamente dita, o cerne da argumentação. Um quinto caderno, ausente na tese original de 1998, foi acrescentado a fim de incluir reflexões recentes de Willy sobre arte, diferenças entre música erudita, popular e folclórica e as relações entre música e prática política.
Cadernos, de Willy Corrêa de Oliveira, Editora da USP (Edusp), 524 páginas, R$ 92,00.
VITOR RAMIREZ

30.3.19

Sobre o conceito de História – 1º de abril

1633
Nancy

















As Misérias e os Infortúnios da Guerra Representados por Jacques Callot, Nobre da Lorena, e Publicado por seu Amigo Israel

Campos, Rogério de. Imageria: o nascimento das histórias em quadrinhos – São Paulo: Veneta, 2015.

BOI MORTO

Como em turvas águas de enchente,
Me sinto a meio submergido
Entre destroços do presente
Dividido, subdividido,
Onde rola, enorme, o boi morto,

Boi morto, boi morto, boi morto.

Árvores da paisagem calma,
Convosco – altas, tão marginais! –
Fica a alma, a atônita alma,
Atônita para jamais.
Que o corpo, esse vai com o boi morto,

Boi morto, boi morto, boi morto.

Boi morto, boi descomedido,
Boi espantosamente, boi
Morto, sem forma ou sentido
Ou significado. O que foi
Ninguém sabe. Agora é boi morto,

Boi morto, boi morto, boi morto!

Manuel Bandeira – 1951

11.3.19

Sobre o conceito de História

1939
Paris
“pág. 76
Now gode. Let us leave theories there and return to here's here.     10
 Now hear. 'Tis gode again. The teak coffin, Pughglasspanelfitted,      11
feets to the east, was to turn in later, and pitly patly near the      12
porpus, materially effecting the cause. And this, liever, is the     13
thinghowe. Any number of conservative public bodies, through      14
a number of select and other committees having power to add to    15
their number, before voting themselves and himself, town, port     16
and garrison, by a fit and proper resolution, following a koorts     17
order of the groundwet, once for all out of plotty existence, as    18
a forescut, so you maateskippey might to you cuttinrunner on a     19
neuw pack of klerds, made him, while his body still persisted,     20
their present of a protem grave in Moyelta of the best Lough      21
Neagh pattern, then as much in demand among misonesans as     22
the Isle of Man today among limniphobes. Wacht even! It was     23
in a fairly fishy kettlekerry, after the Fianna's foreman had taken      24
his handful, enriched with ancient woods and dear dutchy deep-     25
linns mid which were an old knoll and a troutbeck, vainyvain of      26
her osiery and a chatty sally with any Wilt or Walt who would      27
ongle her as Izaak did to the tickle of his rod and watch her     28
waters of her sillying waters of and there now brown peater      29
arripple (may their quilt gild lightly over his somnolulutent     30
form!) Whoforyou lies his last, by the wrath of Bog, like the     31
erst curst Hun in the bed of his treubleu Donawhu. 32

pág. 80
For hear Allhighest sprack for krischnians as for propagana     20
fidies and his nuptial eagles sharped their beaks of prey: and       21
every morphyl man of us, pome by pome, falls back into this      22
terrine: as it was let it be, says he! And it is as though where      23
Agni araflammed and Mithra monished and Shiva slew as maya-     24
mutras the obluvial waters of our noarchic memory withdrew,     25
windingly goharksome, to some hastyswasty timberman torch-      26
priest, flamenfan, the ward of the wind that lightened the fire that       27
lay in the wood that Jove bolt, at his rude word. Posidonius      28
O'Fluctuary! Lave that bloody stone as it is! What are you      29
doing your dirty minx and his big treeblock way up your path?      30
Slip around, you, by the rare of the ministers'! And, you, take      31
that barrel back where you got it, Mac Shane's, and go the way      32
your old one went, Hatchettsbury Road! And gish! how they      33
gushed away, the pennyfares, a whole school for scamper, with      34
their sashes flying sish behind them, all the little pirlypettes!      35
Issy-la-Chapelle! Any lucans, please?      36
e pág. 81
Yes, the viability of vicinals if invisible is invincible. And we      1
are not trespassing on his corns either. Look at all the plotsch!       2
Fluminian! If this was Hannibal's walk it was Hercules' work.      3
And a hungried thousand of the unemancipated slaved the way.      4
The mausoleum lies behind us (O Adgigasta, multipopulipater!)      5
and there are milestones in their cheadmilias faultering along     6
the tramestrack by Brahm and Anton Hermes! Per omnibus     7
secular seekalarum. Amain. But the past has made us this present      8
of a rhedarhoad. So more boher O'Connell! Though rainy-      9
hidden, you're rhinohide. And if he's not a Romeo you may      10
scallop your hat. Wereupunder in the fane of Saint Fiacre! Halte!     11”

Finnegans Wake: James Joyce

1940
Paris

“B

O tempo que os áugures interrogavam para saber o que ele trazia no seu ventre não era certamente visto como tempo homogéneo e vazio. Quem tiver isto presente talvez possa fazer uma ideia de como o tempo passado foi experienciado na rememoração [Eingedenken] – exatamente dessa maneira. Como se sabe, os Judeus estavam proibidos de investigar o futuro. Pelo contrário, a Tora e as orações ensinam a prática dessa rememoração. Isso retirava ao futuro o seu carácter mágico, que era aquilo que procuravam os que recorriam aos áugures. Mas isso não significa que, para os Judeus, o tempo fosse homogéneo e vazio, pois nele cada segundo era a porta estreita por onde podia entrar o MESSIAS.”

Sobre o conceito de História: Walter Benjamin

2001
Rio de Janeiro

1escatologia s.f. (1873 cf. dv) 1 doutrina das coisas que devem acontecer no fim dos tempos, no fim do mundo 1.1 TEOL doutrina que trata do destino final do homem e do mundo; pode apresentar-se em discurso profético ou em contexto apocalíptico ETIM 'escato-(gr. éschatos,˜e,on 'extremo, último') + -logia;f.hist. 1873 eschatologia

 Benjamin, Walter, 1982-1940
      O Anjo da História. Organização e tradução de João Barreto – Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2012. – (Filô/Benjamin)
     Houaiss, Antônio (1915-1999) e Villar, Mauro de Salles (1939- ). Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. – Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

16.2.19

2019 – Sobre o conceito de História

1911
Viena 
“Resolvem-se problemas de modo a desembaraçar-se de um inconveniente. Mas, como se resolvem? E, sobretudo, acredita-se tê-los por resolvidos! Nisso se mostra, da forma mais clara, qual é o pressuposto da comodidade: a superficialidade. Assim é muito fácil possuir uma “concepção do mundo” [Weltanschauung] quando se considera digno de apreço somente o que parece ser agradável, sendo o restante indigno de quaisquer olhadelas. O restante, ou seja, o essencial: aquilo que permite concluir que tais “concepções do mundo” adaptam-se, com efeito, a seus sustentadores, mas que os motivos constituíntes delas nascem, sobretudo, do empenho por se desculparem. É, pois, um cômico proceder: os homens de nosso tempo, que estabelecem novas leis morais – ou, melhor ainda, que dão por terra com antigas –, não podem viver com a ideia de culpa!”

Schoenberg: Harmonia

1915
Praga
“A defesa, na verdade, não é realmente admitida pela lei, apenas tolerada, e há controvérsia até mesmo em torno da pertinência de deduzir essa tolerância a partir das respectivas passagens da lei. (…) O que se quer é excluir o mais possível a defesa, tudo deve recair sobre o próprio acusado.”

Kafka: O Processo


1920

Angelus Novus, Paul Klee

2019
Bras(z)il??? 

Kafka, Franz. O Processo. Tradução de Modesto Carone. São Paulo: Companhia das Letras, 1997
Schoenberg, Arnold. Harmonia. Tradução de Marden Maluf. São Paulo: Editora UNESP, 2001.


11.11.18

Festival Sesc de Música de Câmara

Por Claudia Toni*

As práticas musicais são atividades dinâmicas e colaborativas. Elas incluem a performance, a composição, o ensino, o ouvir, o falar a respeito, o produzir e viver a música, pois ela só ocorre se todos os envolvidos atuarem de alguma forma. Da “comedoria” ao camarim, após o concerto, todos “musicaram” em alguma medida.

A música de câmara é o exemplo mais vivo de como a colaboração permite que se atinja a excelência na sua criação e interpretação. Em razão disso, ela norteia o Festival Sesc de Música de Câmara 2018. Busquei formas de unir convidados estrangeiros a músicos brasileiros, de incentivar instrumentistas de larga experiência a acolherem jovens promissores, de permitir que compositores escrevessem novos trabalhos para o Festival.

Assim, o francês Quatuor Zaïde tocará com o clarinetista brasileiro Ovanir Buosi, o norte-americano Tesla Quartet com o pianista baiano Ricardo Castro e o brasileiro Quarteto Camargo Guarnieri se juntará ao acordeonista dinamarquês Andreas Borregaard. Mas há muito mais! O Berlin Counterpoint, sexteto alemão que junta sopros e piano, fará a estreia mundial de uma obra do brasileiro Leonardo Martinelli.

O Duo Contexto e o fagotista Fábio Cury, diretor do espetáculo “Sopro Transcendente”, lideram dois programas diferentes que têm quase três dezenas de jovens tocando repertórios inovadores, incluindo uma peça especialmente encomendada à compositora brasileira Michelle Agnes.

O conjunto vocal britânico Tallis Scholars – estrela de projeção internacional –, dirigido por Peter Phillps, faz um programa extraordinário, no qual a música sacra da Renascença e de hoje é a atração central.

Nosso elenco tem também o quarteto londrino Troupe que usa seu talento e criatividade para fazer música de câmara dedicada à família, de olho na formação de novos públicos. “O Mau Humor” é o tema do espetáculo sofisticado e imaginoso que o conjunto fará em todas as sete Unidades do Sesc que recebem o Festival. Mas as britânicas não estão sós: “Entre Tambores, Baquetas e Chocalhos” é o espetáculo que quatro jovens percussionistas brasileiros farão para o público jovem que ainda não conhece mais de perto a riqueza dos instrumentos de percussão.

A colaboração maior e mais valiosa, da qual a música não pode prescindir, é a do público. O que seria tocar para uma sala vazia? E cantar num teatro deserto? Preparar-se, aprimorar-se, moldar uma interpretação pressupõem que alguém fruirá e sairá da sala de concerto modificado por aquilo que ouviu.

Venha e aproveite ao máximo esse elenco de excelentes artistas, extraindo deles aquilo que de melhor a música pode oferecer!

*Claudia Toni é idealizadora e curadora do Festival Sesc de Música de Câmara

uma das apresentações (Ionisation, de Edgar Varèse):

Duo Contexto & Convidados (BRA)
Duração:
60 minutos
Ingressos: R$ 30 |■ R$ 15 |● R$ 9 | 12 anos
29/11. Qui. 20h30 | Sesc Rio Preto
30/11. Sex. 21h | Sesc Bom Retiro
01/12. Sáb. 20h | Sesc Sorocaba

Os percussionistas Ricardo Bologna e Eduardo Leandro formaram em 1989 o Duo Contexto. Após conquistarem reconhecimento nacional, fizeram também uma importante carreira internacional, em paralelo às suas atividades individuais. Com a participação de 11 jovens percussionistas e do pianista Horácio Gouveia, o Duo interpreta peças do século XX e XXI, incluindo a célebre Ionisation, para 13 percussionistas.

https://www.sescsp.org.br/programacao/172604_FESTIVAL+SESC+DE+MUSICA+DE+CAMARA+2018#/content=programacao



31.10.18

Peter Brötzmann, Marino Pliakas e Michael Wertmüller – Full Blast com repertório do álbum Live in Rio

Terceira passagem do Brötzmann por São Paulo (até onde me lembro – ou fui...)
Originado em 2014, o Full Blast é um trio formado pelo ícone do jazz Peter Brötzmann junto a Marino Pliakas e Michael Wertmüller, músicos que têm atuação tanto no circuito do free jazz quanto da música contemporânea de concerto.
Entre os discos lançados pelo trio, estão Full Blast (2006), Black Hole (2009), Crumbling Brain (2010), Sketches and Ballads (2011) e Risc (2016).
A turnê brasileira, que visita Rio de Janeiro, São Paulo e Ribeirão Preto, promove o álbum Live in Rio, gravado no espaço Audio Rebel (RJ). Os shows são uma parceria entre Instituto Goethe, Sesc SP, Quintavant (coletivo e selo carioca), Agência Alavanca e Desmonta Discos.
Peter Brötzmann é uma das figuras centrais do free jazz e da improvisação livre na Europa, com 50 anos de carreira e mais de 100 discos lançados. No disco Machine Gun, de 1968, o artista contou com um octeto formado por nomes como Han Bennink e Evan Parker. O álbum, marco da improvisação, é caracterizado por uma prática musical energética, agressiva e ruidosa. Brötzmann também tocou com John Zorn, Derek Bailey, Anthony Braxton, entre outros.
FICHA TÉCNICA
Peter Brötzmann: Sopros
Marino Pliakas: Contrabaixo Elétrico
Michael Wertmüller: Bateria
Sesc 24 de Maio
31/10/18
quarta
21h

25.10.18

Brasil – 28/10/18 – Sobre o conceito da História

"1845
EUA, 1943, Brasil (1964, 2019,...)"
nunca mais
Foi uma vez: eu refletia, à meia-noite erma e sombria,
a ler doutrinas de outro tempo em curiosíssimos manuais,"****

"1933-4
Alemanha"

"1936
Rio de Janeiro

Olga y él
A la cabeza de su ejército rebelde, Luis Carlos Prestes había atravesado a pie el inmenso Brasil de punta a punta, ida y vuelta desde las praderas del sur hasta los desierr tos del nordeste, a través de la selva amazónica. En tres años de marcha, la Columna Prestes había peleado contra la dictadura de los señores del café y del azúcar sin sufrir jamás una derrota. De modo que Olga Benárío lo imaginaba gigantesco y devastador. Menuda sorpresa se llevó cuando conoció al gran capitán. Prestes resultó ser un hombrecito frágil, que se ponía colorado cuando OIga lo m'rraba a los ojos. Ella, fogueada en las luchas revolucionarias en Alemania, militante. Sin fronteras, se vino al Brasil. Y él, que nunca había conocido mujer, fue por ella amado y fundado.

Al tiempo, caen presos los dos. Se los Ilevan a cárceles diferentes.

Desde Alemania, Hitler reclama a Olga por. judía y comunista, sangre vil, viles ideas, y el presidente brasileño, Getulio Vargas, se la entrega. Cuando los soldados llegan a buscarla a la cárcel, se amotinan los presos. Olga acaba con la revuelta, para evitar una matanza inútii, y se deja llevar Asomado a la rejilla de su celda, el novelista Graciliano Ramos la ve pasar, esposada, panzona de embarazo.

En los muelles, la espera un navío que ostenta la cruz esvástica. El capitán tiene órdenes de no parar hasta Hamburgo. Allá Olga será encerrada en un campo de concentración, asfixiada en una cámara de gas, carbonizada en un horno.
(263, 302 y 364)"

1940
 «i

É conhecida a história daquele autômato que teria sido construído de tal maneira que respondia a
cada lance de um jogador de xadrez com um outro lance que lhe assegurava a vitória na partida.
Diante do tabuleiro, assente sobre uma mesa espaçosa, estava sentado um boneco em traje turco,
cachimbo de água na boca. Um sistema de espelhos criava a ilusão de uma mesa transparente de
todos os lados. De fato, dentro da mesa estava sentado um anãozinho corcunda, mestre de xadrez, que
conduzia os movimentos do boneco por meio de um sistema de arames. É possível imaginar o
contraponto dessa aparelhagem na filosofia. A vitória está sempre reservada ao boneco a que se
chama "materialismo histórico". Pode desafiar qualquer um se tiver ao seu serviço a teologia, que,
como se sabe, hoje é pequena e feia e, assim como assim, não pode aparecer à luz do dia.

 (...)
vii

Fustel de Coulanges recomenda ao historiador interessado em  reviver uma época que esqueça tudo o que sabe sobre fases posteriores da história. Impossível caracterizar melhor o método com o qual rompeu o materialismo histórico. Esse método é o da empatia (Einfühlung). Sua origem é a inércia do coração, a acedia, que desanima de apropriar-se da autêntica imagem histórica, em seu relampejar fugaz. Para os teólogos medievais, a acedia era o primeiro fundamento da tristeza. Flaubert, que a conhecia, escreveu: “Peu de gens devineront combien il a fallu être triste pour ressuciter Carthage”. A natureza dessa tristeza se tornará mais clara se nos perguntarmos com quem o investigador historicista estabelece propriamente uma relação de empatia. A resposta é inequívoca: com o vencedor. Ora, os que num momento dado dominam são os herdeiros e todos os que venceram antes. A empatia com o vencedor beneficia sempre, portanto, esses dominadores.  Isso já diz o suficiente para o materialista histórico. Todos os que até agora venceram participam do cortejo triunfal, como de praxe. Eles são chamados de bens culturais. O materialista histórico os observa com distanciamento. Pois todos os bens culturais que ele vê têm uma origem sobre a qual ele não pode refletir sem horror. Devem sua existência não somente ao esforço dos grandes gênios que os criaram, mas também à servidão anônima dos seus contemporâneos. Nunca houve um documento da cultura que não fosse simultaneamente um documento da barbárie. E, assim como o próprio bem cultural não é isento de barbárie, tampouco o é o processo de transmissão em que foi passado adiante. Por isso, o materialista histórico se desvia desse processo, na medida do possível. Ele considera sua tarefa escovar a história a contrapelo.

(...)
xvi

O materialista histórico não pode renunciar ao conceito de um presente que não é transição, mas pára no tempo e se imobiliza. Porque esse conceito define exatamente aquele presente em que ele mesmo escreve a história. O historicista apresenta a imagem "eterna" do passado, o materialista histórico faz desse passado uma experiência única. Ele deixa a outros a tarefa de se esgotar no bordel do historicismo, com a meretriz "Era uma vez". Ele fica senhor das suas forças, suficientemente viril para fazer saltar pelos ares o continuum da história. 

(...)
xviii

"Os insignificantes cinco milênios do Homo Sapiens" , diz um biólogo da nova geração, "correspondem , em comparação com a história da vida orgânica da Terra, a qualquer coisa como vinte e quatro horas. E toda a história da civilização humana, se a inseríssemos nesse registro, mais não seria do que um quinto do último segundo da última hora". O Agora (Jetztzeit), que, como modelo do tempo messiânico, concentra em si, numa abreviatura extrema, a história de toda a humanidade, correspondente milimetricamente àquela figura da história da huminidade no contexto do universo.»**

1945
Animal Farm (George Orwell)


"Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que outros. [Naro?]

(...)

Aqueles que renunciam à liberdade em troca de segurança acabarão sem nem uma nem outra. [Bolsodoria?]"

1964
Rio de Janeiro
«Hay nubes sombrías», 
dice Lincoln Gordon:

—Nubes sombrías se ciernen sobre nuestros intereses económicos en Brasil…
El presidente João Goulart acaba de anunciar la reforma agraria, la nacionalización de las refinerías de petróleo y el fin de la evasión de capitales; y el embajador de los Estados Unidos, indignado, lo ataca a viva voz.

Desde la embajada, palabras de dinero caen sobre los envenenadores de la opinión pública y los militares que preparan el cuartelazo.
Se difunde por todos los medios un manifiesto que pide a gritos el golpe de Estado. Hasta el Club de Leones estampa su firma al pie.

Diez años después del suicidio de Vargas, resuenan, multiplicados, los mismos clamores. Políticos y periodistas llaman al uniformado mesías capaz de poner orden en este caos. La televisión difunde películas que muestran muros de Berlín cortando en dos a las ciudades brasileñas. Diarios y radios exaltan las virtudes del capital privado, que convierte los desiertos en oasis, y los méritos de las fuerzas armadas, que evitan que los comunistas se roben el agua. La Marcha de la Familia con Dios por la Libertad pide piedad al Cielo, desde las avenidas de las principales ciudades.

El embajador Lincoln Gordon denuncia la conspiración comunista: el estanciero Goulart está traicionando a su clase a la hora de elegir entre los devoradores y los devorados, entre los opinadores y los opinados, entre la libertad del dinero y la libertad de la gente.
(115 y 141)"

13/03/2016
São Paulo


15/10/2018
 

2018
São Paulo
Goldman (Ex-governador de São Paulo e integrante da Executiva Nacional do PSDB)
https://vimeo.com/296908072

25 de Outubro de 2018
itália roda em círculos
(em todos os vértices possíveis)
rodando Riviera

"Mussolini, quem diria, tinha mais educação
por Egênio Bucci

(Se você acredita sinceramente que defende a liberdade, este artigo foi escrito para os seus olhos.)
Em política, palavras são atos. Falar é fazer. A liderança política age na linguagem e, pela palavra, agrega ou divide seus pares e seus seguidores. Disso sabemos, certo?
Talvez não. Apoiadores de Bolsonaro (refiro-me àqueles minimamente ilustrados) desprezam as palavras dele. Acham que seus pronunciamentos infamantes não têm importância. Acham que poderão controlá-lo depois de eleito, que farão dele um fantoche a serviço das causas liberais. Estão enganados.
Ainda que seja tarde, olhemos, uma vez mais, para as palavras do deputado. No domingo, num discurso transmitido por celular em que ele se dirigiu, à distância, a manifestantes de rua, ele disparou novas saraivadas de descalabros. Alguns repetidos, alguns novos. O tom não é o de um candidato a presidente de uma República democrática, mas o de alguém que se lança como futuro senhor de todos os poderes, com atribuições plenas de fazer leis, de aplicá-las e depois executar as penas, de banir quem quiser e de prender quem bem entender.
Exemplo: “Esses marginais vermelhos serão banidos de nossa Pátria”. Outro exemplo: “Essa Pátria é nossa. Não é dessa gangue que tem a bandeira vermelha e tem a cabeça lavada”.
Em outra passagem, roga sua condenação prévia contra o que vem chamando grosseiramente de “ativismo”: “Bandido do MST, bandido do MTST, as ações de vocês serão tipificadas como terrorismo! Vocês não levarão mais o terror ao campo ou à cidade. Ou vocês se enquadram e se submetem às leis, ou vão fazer companhia ao cachaceiro lá em Curitiba!”.
Em transe de onipotência, anuncia que seu adversário nesta eleição também será preso. Dirigindo-se a Lula, que “vai apodrecer na cadeia”, assegura: “Aguarde, o Haddad vai chegar aí também. Mas não será para visitá-lo, não. Será para ficar alguns anos ao seu lado. Já que vocês se amam tanto, vocês vão apodrecer na cadeia”.
Com que autoridade ele fala isso? Que mandato imagina que receberá das urnas? O de xerife nacional? O mais chocante, porém, não é isso. O mais chocante é que seus apoiadores - alguns cultos, eruditos - nem se incomodam. Fingem que tais pronunciamentos não terão consequências para a ordem democrática ou para o tratamento respeitoso entre os compatriotas. Fingem que o presidente da República não tem mais o dever da urbanidade. O que se passa?
Mas a declaração mais escabrosa de Jair Bolsonaro no domingo não foi nenhuma dessas. O pior insulto não teve como alvo a integridade física de seus desafetos, mas a liberdade de imprensa. E outra vez ficou o dito pelo não dito. Ninguém protestou.
No momento em que conclamava seus cabos eleitorais a seguirem “mobilizados” até o dia 28, ele descreveu as condições ideais do que entende por um clima de eleições democráticas: “Sem mentiras, sem fake news, sem Folha de S.Paulo!”. E prosseguiu: “Nós ganharemos essa guerra. Queremos a imprensa livre, mas com responsabilidade. A Folha de S.Paulo é o (sic) maior fake news do Brasil. Vocês não terão mais verba publicitária do governo. Imprensa livre: parabéns! Imprensa vendida: meus pêsames!”
Sim, você leu corretamente. Ele celebra a “imprensa livre”, desde que essa imprensa siga o que ele, Bolsonaro, entende como “responsabilidade”. Pelo que lemos com absoluta clareza em seus gritos bélicos - bélicos, sim, pois o candidato se refere à eleição como uma “guerra” -, a “imprensa livre” terá direito de existir no governo dele, mas deve ser também uma imprensa que ele considere “responsável”. A Folha de S.Paulo, bem, essa aí ele parece considerar “imprensa vendida”. Por quê? Ele não explica. Talvez porque a Folha tenha publicado reportagens sobre as declarações de sua ex-mulher, que, no passado, se disse ameaçada por ele, e sobre mecanismos de difusão de notícias fraudulentas no WhatsApp que o teriam favorecido. De todo modo, o orador não esclarece nada.
Em seu telecomício anti-imprensa, o candidato extrapolou. Ameaçou a Folha com o corte futuro de “verba publicitária do governo”. Nesse ponto, suas inclinações pouco democráticas se escancaram. A partir de uma distorção da nossa República - a profusão de dinheiro público no mercado anunciante -, promete produzir uma segunda distorção, muito mais deletéria.
Para entender. Você sabe que os recursos da União, dos Estados, dos municípios e das empresas estatais, todos somados, totalizam bilhões de reais. A conta exata é impossível, pois os dados não são abertos. Mesmo assim, é possível afirmar que o maior anunciante do mercado publicitário no Brasil é o dinheiro público. Trata-se de uma enorme distorção. Diante disso, em vez de prometer mudar o quadro, Bolsonaro promete tirar proveito da distorção para punir os jornais que o criticam. E faz isso abertamente, sem a menor cerimônia. De queixo empinado, atropela o dever que teria, como administrador público, de agir conforme o princípio constitucional da impessoalidade. Ignora que ao servidor público não é facultada discricionariedade de comprar espaços publicitários conforme suas preferências partidárias. Ele não está nem aí. Seria uma ilegalidade, mas ele não liga.
Nem Benito Mussolini se atreveria a tanto. No dia 27 de janeiro de 1924, já primeiro-ministro, na abertura do Congresso de Imprensa Fascista e Philofascista, ele declarou que “a liberdade de imprensa não é somente um direito, mas um dever” (para quem duvida há uma nota a respeito na primeira página do jornal A Noite de 28 de janeiro de 1924). Nada de errado com a frase. O primeiro dever da imprensa é mesmo ser livre.
Mussolini nunca foi um liberal, mas, ao menos durante um tempo, segurava o facho. Tinha alguma educação. Podia até pensar que o primeiro dever da imprensa era elogiá-lo, mas maneirava no discurso. Sabia que a liberdade tinha defensores atentos. E hoje"***
  
115. Corrêa, Marcos Sá, 1964 visto e comentado pela Casa Branca, Porto Alegre, LPM, 1977.
141. Dreifuss, René Armand, 1964: A conquista do Estado. Ação política, poder e golpe de classe, Petópolis, Vozes, 1981.
263. Lima, Louren,co Moreira, A coluna Prestes (marchas e combates), São Paulo, Alfa-Omega, 1979.
302. Morais, Fernando, Olga, São Paulo, Alfa-Omega, 1979.
364. Ramos, Graciliano, Memória do cárcere, Rio de Janeiro, José Olímpio, 1954.

****The Raven: Edgar Poe traduzido por Milton Amado
**Benjamin, Walter. O anjo da história. Belo Horizonte, Autêntica, 2012.
Galeano, Eduardo. Memória del fuego (iii). El siglo del viento. Montevideo, Ediciones del Chanchoto, 1987.
***Estado de São Paulo
*Wagner, Richard. Tannhäuser WWV 70. Leipzig: C.F. Peters, 1920.

22.10.18

Jacob Guinsburg – 1921, Rîșcani, Moldávia – 2018, São Paulo – Editora Perspectiva

Sinto cheiro de 1938’ (sobre os tempos atuais...)

Camerata Aberta – Varèse


 22 de outubro às 20h30 24 de outubro às 20h30
Grande Auditório do MASP
Camerata Aberta
Guillaume Bourgogne | regente
Quarteto Modigliani
Diana Ligeti | violoncelo
Camerata AbertaAlunos da EMESP Tom Jobim A Camerata Aberta apresenta três concertos gratuitos na série extra-assinatura da Cultura Artística: nos dias 22 e 24 de outubro no Auditório do MASP, com regência do maestro Guillaume Bourgogne e participação do Quarteto Modigliani e da violoncelista Diana Ligeti; e no dia 18 de outubro na 33ª Bienal de São Paulo, com a participação de alunos da Escola de Música do Estado de São Paulo (EMESP Tom Jobim).

Especializada na interpretação, divulgação e ensino da música dos séculos XX e XXI, a Camerata foi fundada em 2010 pela Santa Marcelina Cultura como corpo Artístico Pedagógico da EMESP. Com direção artística do compositor Sergio Kafejian, o grupo inaugura, a partir deste ano, uma nova fase de sua existência, na qual suas atividades passaram a ser geridas pelo seus músicos integrantes, direção e conselho artístico.
Na Bienal de São Paulo, a Camerata realiza a performance “Estados Transitórios”, junto à obra de Alejandro Corujeira e com repertório especialmente selecionado para a ocasião, incluindo uma peça inédita de Sergio Kafejian. "De forma a explorar sonoramente os espaços arquitetônicos do Pavilhão da Bienal, a performance Estados Transitórios desenvolve uma narrativa cujas forças de atração se fazem através da associação entre estados sonoros e espaços físicos do pavilhão. Esses estados, que se transformam ao longo do tempo, encontram no deslocamento espacial de seus materiais sonoros a lógica de condução de seu discurso", explica Kafejian.
Já no auditório do MASP, com ingressos gratuitos distribuídos uma hora antes da apresentação, a Camerata Aberta interpreta obras de Kaija Saariaho, Edgard Varèse, Valéria Bonafé, Tatiana Catanzaro, Rodrigo Lima e Alexandre Lunsqui com regência de Guillaume Bourgogne e a participação da violoncelista Diana Ligeti e do Quarteto Modigliani, que realiza concerto na Temporada 2018 da Cultura no dia 23 de outubro

22 de outubro às 20h30, MASP
VARÈSE Edgard - Octandre
BONAFÉ Valéria - Terceira Margen do Rio
LUNSQUI Alexandre - Telluris****
SAARIAHO Kaija - Terra Memoria
SAARIAHO Kaija - Notes on LightParticipação: Quarteto Modigliani

24 de outubro às 20h30, MASP
VARÈSE Edgard - Octandre
CATANZARO Tatiana - Ijareheni
LIMA Rodrigo - AntiphonasSolista: Pedro Bittencourt (saxofone)
****
SAARIAHO Kaija - Terra Memoria
SAARIAHO Kaija - Notes on LightParticipação: Quarteto Modigliani

18.10.18

Cronista de um Tempo Ruim

Vocês fizeram essa realidade, eu sou só o cronista (Ferréz)

O autor escreveu na revista caros amigos por 10 anos, além de inumeras colaborações com: folha de são paulo, Estadão, Le Monde diplatique, Brasil, RevistaTrip, e relatório da ONU.

Neste Livro pode - se encontrar a crônica sppcc, que o escritor escreveu meses antes dos atentatdos cometidos pela facção criminosa, assim como também a crônica Meu Dia na Guerra que, além de narrar os fatos após os atentados, denuncia as dezenas de chacinas que vieram em seguida.
O Autor 
Nascido e criado no capão redondo, bairro da periferia de SP, começou a escrever aos 12 anos, seu primeiro foi fortaleza da Desilusão (1997) Seguido por Capão pecado, Manual Pratico do ódio, amanhecer esmeralda, O Pote Magico, Os Ricos também Morrem, Entre outros, Sua Obras foram traduzidas na Italia, Alemanha, Inglaterra, Portugal, Espanha, França e Estados Unidos.

Editora selo povo
A Selo povo é uma Editora Fundada na Periferia de São Paulo e já Publicou 8 Autores, nossa missão é trabalhar tanto o autor como o livro de forma digna.
www.selopovo.com.br
Medium: Facebook e Instagram, youtube

Vocês fizeram essa realidade, eu sou só o cronista (Ferréz)
o autor escreveu na revista caros amigos por 10 anos, além de inumeras colaborações com: folha de são paulo, Estadão, Le Monde diplatique, Brasil, RevistaTrip, e relatório da ONU.
  Título Cronista de um tempo ruim
Autor Ferréz
Capa dura 21x28,9 cm, 4xo cores, escala europa em couchefosco LD 170g
Miolo: 1 cor, tinta preta em polen bold Ld
Lombada: 9 mm, dobrado, cartunagem, vinco capa, alceado, trilateral, laminação fosca, papelão 18
Projeto Gráfico Paulo Vidal de Castro & Thais Vilanova
Formato 14 x 21 cm
Fontes Caecilia & Syntax


13.8.18

Fred Frith Trio com participação de Susana Santos Silva (ING/POR)

O guitarrista britânico Fred Frith integrou grupos de jazz rock e avant-garde como Henry Cow, Art Bears e Naked City. Com um trio, ele mostra o disco Another Day in Fucking Paradise, em show com participação da trompetista portuguesa Susana Santos Silva, destaque da cena de jazz contemporânea por seu talento em improvisar. A artista visual Heike Liss é responsável pelas projeções durante as apresentações.  
Local: Teatro

Sesc Pompéia
30/08
QUI
21H

31/08
SEX
21H

Archie Shepp & Ritual Trio, com Kahil El’Zabar (EUA)


Um dos ícones do jazz avant-garde, o saxofonista americano Archie Shepp reúne-se com o percussionista Kahil El Zabar para um tributo a John Coltrane. Um de seus mais talentosos discípulos, Shepp tocou com Coltrane em seus últimos anos de vida.
Local: Teatro

Sesc Pompéia

01/09
SAB
21H
   
DOM
18H

Willy Corrêa de Oliveira


12h00

Caroline De Comi – soprano
Gustavo Fontes – contrabaixo
Maurício De Bonis – piano
Rodrigo Prado – violoncelo
Escola Municipal de Música.
Tons da Escola. Núcleo Réplica.
Música de Câmara Hoje.
Programa: obras de Willy Corrêa de Oliveira.
Sala do Conservatório.
Cidade: São Paulo, SP
Data: 25/08/2018
Local: Praça das Artes Endereço: Av. São João, 281 - Centro - Tel. (11) 4571-0401 - Auditório e Escola de Música de São Paulo (80 lugares); Sala Mário de Andrade (200 lugares). Ingressos:
Entrada franca.