<fase média>
Surgiu na Comuna o projeto de um Marco Maldito, que deveria ser erigido na esquina de uma praça cujo centro seria ocupado por um memorial. Nele (conforme o projeto) deveriam ser listadas todas as personalidades oficiais do Segundo Império. Não faltaria nem mesmo o nome de Haussmann. Desta forma, deveria ser inaugurada uma “história infernal’ do regime. Contudo, pretendia-se remontar até Napoleão I, “o celerado do Brumário — chefe desta Raça maldita de boêmios coroados que a Córsega vomitou sobre nós, desta linhagem fatal de bastardos que já não seria reconhecida nem mesmo em seu país de origem”. Este projeto, impresso na forma de um cartaz, data de 15 de abril de 1871. (Exposição La Commune de Paris”, Prefeitura de Saint-Denis).
[k 2, 1]
[...]
As ilusões que ainda alimentavam a Comuna vêm à tona expressamente na fórmula de Proudhon, em seu apelo à burguesia: “Salvai o povo, salvai a vós mesmos, como fizeram vossos pais: pela Revolução.” Max Raphael, Proudhon, Marx, Picasso, Paris, 1933, p. 118.
[k 2a, 1]
[...]
No Primeiro Império e, sobretudo, no Segundo Império, Engels vê estados que poderiam exercer o papel de instâncias de mediação entre os burgueses e os proletários, que dispõem de força praticamente igual. Cf. G. Mayer, Friedrich Engels, vol. II, Berlim, 1933, p.441.
[k 2a, 7]
[...]
Engels e a Comuna: “Enquanto o Comitê Central da Garde Narionale comandou as ações militares, ele mantinha suas esperanças. Partiu dele, sem dúvida, o conselho que Marx transmitiu a Paris na ocasião — o de fortificar ‘o lado norte das colinas de Montmartre, o lado prussiano’.5 Ele temia que, de outra forma, a sublevação pudesse cair ‘em uma ratoeira’. Mas a Comuna não seguiu o conselho e, como lamentou Engels, ela perdeu o momento certo para lançar uma ofensiva... No início, Engels ainda achava que o combate duraria muito tempo... No Conselho Geral, ele enfatizou ... que os operários parisienses estavam melhor organizados que em qualquer outra revolta anterior; que os trabalhos de alargamento das ruas, realizados sob Napoleão III, os favoreceriam, caso ocorresse um ataque à cidade; que, pela primeira vez, as barricadas seriam defendidas por canhões e tropas regularmente organizadas.” Gustav Mayer, Friedrich Engels, vol. II, Engels und der Aufstieg der Arbeiterbewegung in Europa, Berlim, 1933, p. 227.
[k 3, 2]
“Em 1884, ele” [Engels] “confessou a Bernstein que no texto de Marx ‘as tendências inconscientes da Comuna foram atribuídas a ela como planos mais ou menos conscientes’, e acrescentou que, ‘em vista das circunstâncias, isto tinha sido legítimo e mesmo necessário’... A maioria dos participantes da revolta era constituída de blanquistas, portanto, de revolucionários nacionalistas, que depositavam suas esperanças na ação política imediata e em uma ditadura autoritária exercida por alguns poucos homens decididos. Somente uma minoria pertencia à <Primeira> Internacional, que, além do mais, era dominada pelo espírito de Proudhon, e por isso náo se poderia dizer que era constituída por revolucionários sociais, e muito menos por marxistas. Isto não impediu que em toda a Europa os governos e a burguesia considerassem esta sublevação ... como uma trama do Conselho Geral da Internacional.” Gustav Mayer, Friedrich Engels, vol. II, Engels und der Aufstieg der Arbeiterbewegung in Europa, Berlim, p. 228.
[k 3a, 1]
A primeira communio: a cidade. “Os imperadores da Alemanha, como Frederico I e Frederico II, por exemplo, promulgaram editos contra estas communiones [comunidades], conspirationes..., bem no espírito do parlamento federal alemão... É engraçado que a palavra communio ... tenha sido amaldiçoada, muitas vezes, da mesma maneira que o comunismo hoje em dia. Assim, por exemplo, escreve o clérigo Guilbert de Noyon: ‘Communio é uma designação nova e péssima.’ Há por vezes algo de patético na maneira como os Spießbürger [os burgueses filisteus]6 do século XII convidam os camponeses a se refugiar nas cidades, na communio jurata.” Marx a Engels, 27 de julho de 1854, de Londres, in: Karl Marx e Friedrich Engels, Ausgewählte Briefe, ed. org. por V. Adoratskij, Moscou-Leningrado, 1534, pp. 60-61.
[k 3a, 2]
[...]
<fase tardia>
[...]
Georges Laronze em Histoire de la Commune de 1871, Paris, 1928, p. 143, sobre o fuzilamento dos reféns: “Quando caíram os reféns, a Comuna havia perdido o poder. Mas ela continuou sendo responsável <pelos seus atos>.”7
[k 4, 3]
O aparato administrativo parisiense durante a Comuna: “Ela conservava intacto todo o seu organismo, animada por um desejo agudo de recolocar em funcionamento suas menores engrenagens e de aumentar ainda, bem ao gosto burguês, o número de funcionários de classe média.” Georges Laronze, Histoire de la Commune de 1871, Paris, 1928, p. 450.
[k 4, 4]
5
Depois da vitória em Sedan e a prisão de Napoleão III, em 1 de setembro
de 1870, o exército prussiano avançou sobre Paris, completando o cerco
da cidade em 23 de setembro. 0 estado de sítio durou até fins de janeiro
de 1871, quando foi assinado um armistício, preparando o fim da Guerra
Franco-Prussiana. (E/M)
6 Cf. arquivo [I], nota 3.
7 Durante a “Semana Sangrenta” (de 21 a 28 de maio de 1871), os comunardos resistiram às tropas do governo de Thiers em combates rua por rua, recuando até o centro de Paris. Nessa situação de desespero, executaram vários reféns, entre eles o arcebispo de Paris. (E/M)
[...]
l
[O Sena, A Paris Mais Antiga]
<fase média>
[...]
Antes de Haussmann: “Antes dele, os antigos aquedutos só conseguiam levar água até o segundo andar.” Dubech e D’Espezel, Histoire de Paris, p. 418.
[l 1, 4 ]
[...]
“O Sena parece seguir exalando o ar parisiense até sua foz.” Friedrich Engels, “Von Paris nach Bern”, Die Neue Zeit, XVII, n° 1 (Stuttgart, 1899), p. 11.
[l 1, 8]
“Se agora é permitido ler nos jardins públicos, é proibido fumar ali; a liberdade, como se começa a dizer, não é permissividade.” Nadar, Quand J’étais Photographe, Paris, 1900, p. 284 (“1830 e environs” [Por volta de 1830]).
[l 1, 9]
[...]
“Paris está entre duas camadas: uma camada de água e uma camada de ar. O lençol aquático, situado numa profundidade subterrânea bastante grande ... é sustentado por uma camada de arenito verde, situada entre o calcário cretácio e o calcário jurássico. Esta camada pode ser representada por um disco de vinte e cinco milhas de raio; uma grande quantidade de rios e ribeirões é filtrada por ela; bebe-se o Sena, o Marne, o Yonne, o Oise, o Aisne, o Cher, o Vienne e o Loire em um copo de água do poço de Grenelle. A camada de água é salubre, ela vem primeiro do céu, em seguida da terra; a camada de ar é insalubre, ela vem do esgoto.” Victor Hugo, Œuvres Completes, Roman, IX (Les Misérables), Paris, 1881, p. 182.
[l la, 2]
BENJAMIN,
Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin;
edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi
Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain
Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice
Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo;
pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução
à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG;
São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.

Nenhum comentário:
Postar um comentário