9.8.26

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O ANEL DE SATURNO
OU SOBRE A CONSTRUÇÃO EM FERRO  
[...]
Enquanto, num âmbito maior, realizava-se um trabalho heróico em construções exemplares e pioneiras, reina curiosamente, ainda, uma confusão jocosa num âmbito menor. Parece que as pessoas [...] não conseguem utilizar abertamente esse novo material com todas as suas possibilidades. Enquanto deixamos hoje nossos móveis de aço lisos e lustrosos como são, há cem anos padecíamos com o esforço de impingir aos móveis de ferro, já então produzidos, a aparência das madeiras mais nobres, graças às elaboradas camadas de tinta. Na época, começou a ser uma questão de honra produzir vidros imitando porcelana, jóias de ouro imitando correias de couro, mesas de ferro imitando o vime, e coisas desse gênero. Ainda em 1805, um líder da velha escola publicou um texto com o título: “Sobre a incapacidade da matemática em assegurar a estabilidade de construções.”81 [...] Simultaneamente, porém, essa época heróica da técnica encontrou seu monumento na incomparável Torre Eiffel, a respeito da qual o primeiro historiador das construções de ferro escreveu: “Aqui a forma plástica da imagem cede espaço a uma enorme tensão de energia espiritual... Cada uma das 12.000 peças de metal foi milimetricamente definida, como também cada um dos dois e meio milhões de parafusos... Neste canteiro de obras não se ouvia nenhum golpe de formão que retira da pedra a sua forma; mesmo ali o pensamento dominava a força muscular, transferindo-a para seguros andaimes e gruas.”82

81 Charles-François Viel, De Llmpuissance dês Mathématiques pour Assurer la Solidité des Bâtimens <sic>, et Recherches sur la Constructions des Ponts, Paris, 1805. (R.T.)

82 Alfred Gotthold Meyer, Eisenbauten: Ihre Ceschichte und Aesthetik, Esslingen, 1907, p. 93. Cf. F 4a, 2. (R.T.; J.L.) 

 

BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.

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