Tem até o Scorsese atuando em uma sequencia.
Direção19.9.26
Taxi Driver • Martin Scorsese • Cinemateca Brasileira
Eleições Presidenciais
16.9.26
Mel Brooks • Primavera para Hitler • Mostra Amor ao Cinema 2026 • CineSesc
Aquele humor bem Billy Wilder que, algumas vezes é velho e preconceituoso, trazendo lembranças de outra época, mas muitas vezes é tão preconceituoso que dá como uma volta na fita de Mœbius e fica muito engraçado.
Direção: Mel Brooks.
Elenco principal: Zero Mostel e Gene Wilder
Local: CineSesc (Rua Augusta, 2075 — Cerqueira César, São Paulo)
Evento: Mostra Amor ao Cinema
15 de setembro às 18h
15.9.26
continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua
[...]
III. Metrópole & Megacidade: Histoire Croisée19
19 A histoire croisée, “história cruzada” ou “entrelaçada”, é uma variante metodológica dos estudos de transferência cultural que enfatiza a “troca de olhares” e a interação entre as culturas; cf. Werner, Michael; Zimmermann, Bénedicte, orgs., De la Comparaison à l’Histoire Croisée, Paris: Seuil, 2004. O signo “&” no nosso entretítulo, normalmente usado em nomes de empresas, indica que se trata de uma relação no contexto da economia política global, assim como na obra que nos serviu de modelo: Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre.
[...]
Daqui a duzentos anos — ou bem antes, talvez — grandes exércitos vindos da Inglaterra, da França e da América ... descerão na velha Ásia sob o comando de seus generais; suas armas serão enxadas, seus cavalos, locomotivas. Eles se lançarão cantando sobre essas terras incultas e inaproveitadas... É assim, talvez, que se fará mais tarde a guerra contra todas as nações improdutivas [...]. [d 3, 3]
As guerras contra os territórios periféricos e as guerras que se travam no centro da metrópole são inter-relacionadas. Nos debates da Câmara dos Deputados, em Paris, surgiu a questão para onde deportar os insurgentes de 1848 [cf. d 9, 4], Assim como na antiga Roma, era quase consenso que o lugar mais adequado seriam os territórios coloniais. O deputado Jacques Arago, irmão do grande físico, advogou como lugar de deportação uma região da América do Sul, a Patagônia; os amplos benefícios que resultariam dessa operação, tanto para o Estado francês quanto para os próprios deportados, são expostos com estas palavras:
[E]stes antílopes, estes pássaros, estes peixes, estas águas fosforescentes, este céu pontilhado de nuvens passando aqui e ali como um rebanho de corças errantes, [...] estas mulheres, das quais as mais novas são muito apetitosas depois de uma hora de natação — [...] tudo isto é a Patagônia, tudo isto é uma terra virgem, rica, independente... [...] transportai para a Patagônia os homens que foram punidos pelas vossas leis; depois, quando chegar o dia da luta [da França contra a Inglaterra], estes mesmos homens que exilastes estarão na vanguarda, de pé, implacáveis. [a 12, 5]
Através destas amostras de pesquisas nas Passagens de Walter Benjamin, o leitor terá percebido o quanto a periferia do mundo se encontra no centro da metrópole, e o quanto de “desvario” e “inferno” [cf. <Go, 13> e <Go, 17>], próprios das megacidades do Terceiro Mundo, essas gigantescas reproduções deformadas do modelo da “metrópole civilizada”, já estavam presentes na “capital do século XIX”.23 Da época de redação das Passagens para cá, ocorreram profundas transformações históricas, desde os movimentos de descolonização, como a guerra da Algéria, até a migração de “massas escuras” [cf. E 6a, 1] para a banlieue da “cidade-luz”. Assim como sob o céu aberto da História, assim também nesse painel de comando que é o texto de Benjamin, algumas lâmpadas se apagaram, outras se acendem, e outras ainda se reacendem...
23 Sobre a loucura e o inferno na cidade de São Paulo, estudados com base na Paulicéia Desvairada, de Mário de Andrade, e no CD, Sobrevivendo no Inferno, dos Racionais MC’s, ver W. Bolle, Metrópoli & Mega-urbe: Histoire Croisée, in: Topografias de la Modemidad: Walter Benjamin, orgs. Dominik Finkelde, Teresa de la Garza, Francisco Mancera, Cidade do México, previsto para 2007.
Aqui encerramos; agora é a vez de o leitor fazer suas incursões, pesquisas e descobertas nesse Grande Arquivo que são as Passagens.
...
BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.
14.9.26
Lançamento de Livro Mapa de Limite, COSAC + Limite • Cinemateca Brasileira
No dia 12 de setembro de 2026 (sábado), a Cinemateca Brasileira e Cosac convidam para o lançamento da nova edição de ‘Mapa de Limite’, obra fundamental de Saulo Pereira de Mello sobre o clássico LIMITE (1931), de Mário Peixoto.
Organizado por Carlos Augusto Calil e Patricia de Filippi, o volume recupera a histórica partitura visual que permite “ler” o filme plano a plano e reúne ensaios, documentos e materiais inéditos. Entre os destaques está a recriação, em storyboard, de uma sequência desaparecida, realizada por Patricia de Filippi a partir de anotações e desenhos de Saulo Pereira de Mello.
O lançamento celebra também uma nova etapa na trajetória do Arquivo Mário Peixoto, agora integrado ao acervo da Cinemateca Brasileira.
Na ocasião acontece uma conversa com os organizadores, seguida de sessão de autógrafos e a exibição do filme ‘Limite’, que se inicia às 18h, na Sala Oscarito.
Adoro rever este filme sempre que posso no cinema (tenho em DVD e ainda tenho em VHS). Um filme que tanto vi, tentando pegar todos elementos.
E o eterno retorno do Quarteto de Debussy, Op10. Na primeira vez em que ele aparece, os dois movimentos mais incríveis (e comparando com os outros!) tocam na sequência: a beleza do 2o (Assez vif et bien rythmé) acompanhado com aquele pizzicato do 3o (Andantino, doucement expressif). E estes movimentos não se repetem mais.
Nunca gosto de perguntas como: qual é o seu compositor favorito?; qual é o seu poema favorito?; qual é o seu filme favorito? Mas para esta última, mesmo sabendo que não é uma verdade, que depende de qual ponto de vista, sempre respondo: Limite.
François Boucq/Alejandro Jodorowsky/Cara de lua/Face de lune/entra

X
Lili: VERDADE!... MAS se A ONDA MATAR VíTİMAS iNOCENTES DEMAiS, cORREMOS O RiScO DE UM LEVANTE GERAL, BEBê!
Boucq/Little Tulip/sai
13.9.26
Boucq/Little Tulip/entra
12.9.26
Le locataire • O Inquilino • Roman Polanski • Cinemateca Brasileira
Ao se mudar para um apartamento em Paris, um homem quieto e reservado passa a acreditar que os vizinhos conspiram contra ele.
continua/CATALVNYA ROMÀNICA XV EL PALLARS: EL PALLARS SOBIRÀ, EL PALLARS JVSSÀ/Antoni Pladevall i Font
11.9.26
The Shootist • O Último Pistoleiro • John Wayne • Cinemateca Brasileira
Um lendário pistoleiro descobre que está com uma doença terminal e decide enfrentar seus últimos dias com dignidade. Enquanto tenta encontrar paz, sua fama atrai antigos inimigos em busca de um último confronto.
Como alguns gêneros determinado, o western usa um forma preestabelecida, mas tenta passar novas informações (e pode chegar até em outros gêneros).
continua/benjamin/passagens/Das Passagen-Werk/continua
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II. O Método Historiográfico:
a Terminologia de Benjamin e a dos Historiadores
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[...] “A chance [do fascismo]”, escreve Benjamin, “consiste, não por último, em que seus adversários o afrontem em nome do progresso, como se este fosse uma norma histórica. — O espanto em constatar que os acontecimentos que vivemos sejam ‘ainda’ possíveis no século XX, não é nenhum espanto filosófico” (GS I, 697; Teses, p. 83, trad. modificada).
[...]
A “planta primeva” é para Goethe, por um lado, uma “imagem primeva” (Urbild) ideal de todas as plantas, portanto a-histórica, por outro, “a idéia da planta primeva corresponde à folha e a idéia transformada em movimento é a metamorfose das plantas”.16 E essa idéia de metamorfose e “passagem” que é adotada por Benjamin. No Urphãnomen goetheano, ele enxerta o seu conceito de Ursprung, carregado com o elemento de “extinção”, ou seja, com a marca da mortalidade, própria do ser histórico.17
16 Jost Schieren, Anschauende Urteilskraft: Methodische und philosophische Grundlagen von Goethes naturwissenschaftlichem Erkennen, Düsseldorf-Bonn, Parerga, 1998, p. 187 apud Magali dos Santos Moura, “A Poiesis Orgânica de Goethe”, tese de doutorado, FFLCH-ÜSP, 2006, p. 163.
17 Ursprung, Urphänomen, Urpflanze, Urbild, Urgeschichte — em sua obra sobre a Grande Cidade contemporânea, Benjamin reúne uma sugestiva constelação de termos com a partícula silábica “ur”. Muito a propósito vem o artigo de Guilherme Wisnik “Ur, de Urbano” (Folha de S.Paulo, 1 maio 2006, p. E 2) que chama a atenção para a “associação do ‘ur’ germânico ao ‘Ur’ mesopotâmico” e focaliza “a semelhança dos nomes Ur e Uruk, que designam as primeiras cidades de que se tem notícia, construídas na Mesopotâmia por volta de 3.200 a.C., com o radical da nossa palavra ‘urbano’, do latim ‘urbe’”.
[...]
O despertar, como “síntese da tese da consciência onírica e da antítese da consciência de vigília” [N 3a, 3], ou como “o agora da cognoscibilidade” [N 18, 4], é um atributo daquilo que constitui o termo mais original da historiografia benjaminiana: a “imagem dialética”, “É uma imagem que lampeja. É assim, como uma imagem que lampeja no agora da cognoscibilidade, que deve ser captado o ocorrido. A salvação que se realiza deste modo [...] não pode se realizar senão naquilo que estará irremediavelmente perdido no instante seguinte.” [N 9,7] O que Benjamin chama de “dialética na imobilidade” [N 3, 1] é a fixação vertical, momentânea e fugaz da superposição entre o agora e o ocorrido. Esse conhecimento em forma de lampejo é o exato oposto do historicismo que se acomoda no postulado de que “A verdade não nos escapará” (GS I, 695; Teses, p. 62).
Do alto grau de exigência e da dificuldade de escrever a história por meio de “imagens históricas autênticas”, nos dá uma idéia este testemunho de Benjamin numa carta (de 9/10/1935) a Gretei Adorno. Referindo-se ao ensaio “A Obra de Arte na Era de sua Reprodutibilidade Técnica”, que acabou de concluir, ele escreve: “Com isso, realizei em um exemplo decisivo a minha teoria do conhecimento, que se cristaliza em torno do conceito [...] do ‘agora da cognoscibilidade’. Encontrei aquele aspecto da arte do século XIX que é cognoscível só ‘agora’, que não o foi nunca antes e nunca o será depois. (GS V, 1 148) — Esse desafio se coloca também para as nossas leituras dos textos de Benjamin.
BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.
10.9.26
Brian De Palma • Carrie, a estranha • Cinemateca Brasileira
Brian de Palma é um dos meus preferidos da sua geração hollywoodiana (a última boa). Filmes sempre recheados de citações, especialmente de Hitchcock. (no Dressed to Kill, ele passa tanto desse limite de usar apenas citações, dando volta de 360°, até ficar perfeito, fora a trilha de Pino Donaggio, tão longe da estrutura de Bernard Herrmann, onde ocorre o mesmo. Mas saindo do meu filme preferido dele, vamos para o: Carrie [que tem também a Nancy Allen e Donaggio]).
Carrie White, uma adolescente retraída e sensível, sofre bullying dos colegas e abusos da mãe, uma fanática religiosa. Quando começa a suspeitar que possui poderes sobrenaturais, a situação toma um rumo sombrio e violento.
John Travolta todo jovial. Só não está dançando (Embalos) ou operando som para o próprio De Palma.
1976 — 50 anos depois
Cinemateca Brasileira
Sala Grande Otelo
09/09/26
9.9.26
Contraponto: Os Filhos dos Outros • Teresa Valero
Em Contraponto, Teresa Valero entrega um magistral thriller social que escancara as mentiras de um franquismo capaz de sufocar, com seus tentáculos, qualquer forma de dissidência.
Contraponto consolidou Teresa Valero como uma das grandes vozes dos quadrinhos espanhóis contemporâneos, conquistando em 2026 o prêmio de Melhor Obra Espanhola na Comic Barcelona, a mais importante premiação de quadrinhos da Espanha.
A edição tem acabamento de luxo, com formato grande, capa dura, 152 páginas em cores, impressas em papel couchê de alta gramatura.
Teresa Valero nasceu em Madri, Espanha, em 1969. Iniciou sua carreira na animação, atuando na produção de séries como As Aventuras de Tintim, Babar e A Pantera Cor-de-Rosa, além de longas-metragens como Asterix na América. Em 1996, cofundou o estúdio Tridente Animación ao lado de artistas como Juan Díaz Canales, participando da produção de obras como a adaptação de Corto Maltese e o filme Asterix e os Vikings. Estreou nos quadrinhos em 2008 como roteirista da série Sorcelleries, ilustrada por Juanjo Guarnido, cocriador de Blacksad. Em seguida, escreveu Curiosity Shop (2011) e Gentlemind (2020). Em 2021, lançou Contraponto: Os Filhos dos Outros, seu primeiro trabalho como autora completa e uma das HQs espanholas mais elogiadas dos últimos anos. Paralelamente à carreira nos quadrinhos, Valero leciona storyboard em universidades e escolas de arte de Madri.


