5.4.24

A Mulher do Mágico • François Boucq • Jerome Charyn

 


O que acontece quando os caprichos de um mágico conseguem despertar a sua própria besta interior? Neste conto onírico, no qual se entrelaçam fantasia e realidade, o sedutor Edmond se diverte envolvendo a jovem Rita em truques cruéis que vão muito além da simples prestidigitação.

A Mulher do Mágico marca a primeira colaboração da dupla Jerome Charyn e François Boucq (Boca do Diabo, Little Tulip) e é considerado um clássico incontornável dos quadrinhos franco-belgas, tendo conquistado o prestigioso Prêmio Alfred no Festival de Quadrinhos de Angoulême, em 1986.

A edição tem acabamento de luxo, com formato grande, capa dura com verniz localizado, 88 páginas em cores, impressas em papel couché de alta gramatura.

François Boucq iniciou sua carreira como ilustrador editorial, fazendo caricaturas para revistas renomadas como Le Point, LExpansion ou Privé, mas foi nos quadrinhos que ele realmente explodiu. De sua experiência prévia, traz um gosto acentuado por rostos expressivos e pelo desenho detalhado, aprimorado por um senso incomum de enquadramento e encenação. Torna-se conhecido por suas histórias de humor, nas quais o absurdo frequentemente concorre com a paródia. Cria o personagem Jérôme Moucherot, um agente de seguros diferente dos demais, que percorre a selva da existência em trajes de leopardo. Dotado de uma capacidade incomum de trabalho (já aconteceu de desenhar até duas pranchas por dia, sem jamais abrir mão da qualidade que construiu sua reputação), François Boucq renuncia de bom grado ao humor para se dedicar a narrativas mais realistas. Adapta assim o romancista americano Jerome Charyn (Boca do Diabo, A Mulher do Mágico, Little Tulip), cria Cara de Lua na revista (À Suivre) com Alejandro Jodorowsky – com quem em seguida desbravaria o Velho Oeste nas páginas de Bouncer – e explora o serviço secreto do Vaticano com Yves Sente (Le Janitor). Herdeiro de Franquin e Mœbius, Boucq abriu portas no desenho realista. Ao longo dos anos, sua síntese de caricatura e rigor, legibilidade e precisão do desenho, originou um estilo único, que lhe permite dar vida a qualquer gênero de narrativa com o mesmo brio.

 


O prolífico e premiado trabalho de Jerome Charyn traz uma escrita única e um universo fabulosamente pessoal. Inspiradas pela cidade de Nova York, onde o autor nasceu em 1937, suas obras retratam uma metrópole repleta de ruas misteriosas, cantos secretos e bairros sombrios. Natural do Bronx, Jerome Charyn nos conduz por lugares inusitados, de becos estreitos, entre o desequilíbrio e o caos, até regiões policiais. Mestre indiscutível do suspense (Blue Eyes, Marilyn the Wild, Citizen Sidel), ele parte em busca dos sonhos da América e de todas as pessoas que lá vivem. Traficantes, policiais, imigrantes, políticos corruptos, almas solitárias... Ele fala dos condenados e dos excluídos da cidade que nunca dorme. Boca do Diabo, A Mulher do Mágico e Little Tulip, produzidas em colaboração com François Boucq, não são exceções. Escritor humanista e talentoso, Jerome Charyn também é autor de diversos romances (Darlin’ Bill, Metropolis), ensaios e contos. Considerado por alguns como um dos escritores mais importantes da literatura americana contemporânea, ele não para de nos impressionar.


 



 



Capa dura
Formato 21 x 28,5 cm
88 páginas
ISBN 9786500893199
edição: Ferréz e Thiago Ferreira

continua/

NAZARETH, Ernesto {1863-1934}. Todo Nazareth: obras completas: caixa com 6 volumes  Valsas Dor secreta / Noêmia / Fantástica / texto de 4a capa: Francisco Mignone / Ernesto Nazareth. Organização: Thiago Cury & Cacá Machado. Direção editorial: Thiago Cury. Consultoria, Catálogo e Imagens: Luiz Antonio de Almeida. Produção Executiva: Joana Cury. Projeto Gráfico: Paulo Vidal de Castro & Thais Vilanova. Edição musical: Maurício De Bonis, Marcus Siqueira, Thomas Hansen & Daniel Bondaczuk de Castro Lobo. Reprodução de partituras: Maurício De Bonis, Thiago Cury & Cacá Machado. Tradução: Alexandre Barbosa de Souza & Alex Barros (Cronologia). Água-Forte Edições Musicais. São Paulo: 2011. fonte de texto: Kennerley (1911), de Frederic Goudy. Projeto Gráfico: Paulo Vidal de Castro & Thais Vilanova.



 


 

 







BORGES, Tadeu. (piano) interpreta Ernesto Nazareth Dor Secreta / Noêmia / Fantástica / Ernesto Nazareth / Tadeu Borges. Paulus: 2009.

3.4.24

caminho tarot jodorowsky


Na época em que fui concebido, sem ser desejado, meus pais se odiavam. Minha chegada instalou entre eles uma relação sufocante. Os nove meses de gestação se converteram para mim numa luta para sobreviver. Isso tudo fez com que eu nascesse impregnado de um terror visceral. A cada instante, eu sentia a ordem: 'Você está proibido de viver. Você é culpado de ter invadido nosso mundo. Você não devia ter resistido ao cordão umbilical que o estrangulava. Para nós, você é um veneno'. Compreendi que era por isso que muitos anos mais tarde, apesar de viver relativamente feliz, de tempos em tempos, talvez a cada nove meses, eu sentia desejos de morrer... Sentia-me dominado pela frieza de minha mãe, que brandindo  uma espada imaginária, como A Justiça, decretava: 'Você não tem o direito de nascer, obedeça a minha ordem: desapareça'. O que eu podia fazer?
...
Para mim, o 'personagem' Deus, ator principal de toda obra sagrada, não podia ter nome, nem forma humana, nem sexo, nem idade. Não podia ser propriedade exclusiva de nenhuma religião. Qualquer denominação ou atributo que lhe dermos, será apenas uma aproximação supersticiosa. Impossível de definir com conceitos ou imagens, inacessível quando perseguido, sendo tudo, é absurdo tentar lhe acrescentar qualquer coisa. Única possibilidade: recebê-lo. Mas como, se é inconcebível, impalpável? Pode-se recebê-lo apenas por mudanças e mutações que ele aporta à nossa vida em forma de clareza mental, felicidade amorosa, capacidade criativa, saúde e prosperidade. Se o imaginamos eterno, infinito e todo poderoso, é unicamente por comparação com aquilo que pensamos de nós mesmos: finitos, efêmeros e impotentes diante dessa transformação que convencionamos chamar de 'morte'. Se tudo é Deus e Deus não morre, nada morre. Se tudo é Deus e Deus é infinito, nada tem limites. Se tudo é Deus e Deus é eterno, nada começa nem nada termina. Se tudo é Deus e Deus é todo poderoso, nada é impossível... Sendo incapaz de nomeá-lo, e de crer nele  n'Ele , posso senti-lo de maneira intuitiva no mais profundo de mim mesmo; posso aceitar sua vontade, essa vontade que cria o universo e suas leis, e imaginá-lo como aliado, aconteça o que acontecer. 'Sou teu... Tenho confiança em ti.' Isso é tudo, não preciso dizer mais nada, as palavras não são um caminho direto, elas o indicam mas não o percorrem. Aceito pertencer a esse mistério incomensurável, entidade sem ser ou não ser, sem dimensão, sem tempo. Aceito me entregar a seus desígnios, e contar que minha existência não seja um capricho, nem uma brincadeira, uma ilusão ou um jogo, mas uma necessidade inexplicável de sua Obra. Saber que essa permanente impermanência faz parte daquilo que meu espírito concebe como projeto cósmico. Crer que sendo uma engrenagem ínfima da incomensurável máquina participo de sua eternidade, que essa mudança que meu corpo chama de 'morte' é a porta que devo atravessar para submergir naquilo que meu coração sente como um amor total, que meu centro sexual concebe como um orgasmo sem fim, que meu intelecto nomeia 'vacuidade iluminada'.
...
Compreendendo assim a unidade divina, origem do criado, nós nos encontramos diante de uma impotência da linguagem racional que, com seu sistema conceitual sempre em busca de diferenças e limites, desejaria compreender, definir, explicar uma realidade onde absolutamente tudo está unido e forma um só corpo. Se aceitarmos o fato de que cada conceito não constitui a realidade, mas é dela um retrato reduzido, aprenderemos a utilizar as palavras não tanto como definições do mundo, mas como símbolos que o representam. 
...
Uma semente contém uma floresta, da mesma forma que o ventre de uma mulher contém a humanidade inteira. O inconsciente individual encerra, dentro do inconsciente coletivo, o passado de toda a raça humana, do planeta e do cosmos. Do ponto de vista iniciático, o continente é sempre menor que seu conteúdo, pois cada átomo contém Deus...
...
(Se partimos da hipótese de que o Tarot é de origem francesa, podemos encontrar mensagens ocultas nos nomes das cartas. Le Bateleur [O Mago] diria 'Le bas te leurre' [O baixo te engana], La Papesse [A Papisa]: 'L'appât pese' [A isca pesa], L'Empereur [O Imperador]: 'Lampe erreur' [Lâmpada erro], Le Pendu [O Enforcado]: 'Le pain dÍl' [O pão devido], Tempérance [Tem- perança]: 'Temps-errance' [Tempo-errância], Le Jugement [O Julgamento]: 'Le juge ment' [O juiz mente], La Maison Dieu [A Casa Deus]: 'L'âme et son Dieu' [A alma e seu Deus].)
 

JODOROWSKY, Alejandro; COSTA, Marianne (1966- ). O caminho do tarot / Alejandro Jodorowsky e Marianne Costa. Tradução de Alexandre Barbosa de Souza. La Voie du Tarot, 2004. — São Paulo: Editora Campos (Rogério de Campos), 2016. (Selo Chave)

JODOROWSKY, Alexandre; CAMOIN, Philippe. Tarot de MarseilleAlexandre Jodorowsky e Philippe Camoin. Marseille: CAMOIN.


25.3.24

continua/

NAZARETH, Ernesto {1863-1934}. Todo Nazareth: obras completas: caixa com 6 volumes  Tangos vol 3 {P-Z}: Soberano / Suculento / texto de 4a capa: Mário de Andrade/ Ernesto Nazareth. Organização: Thiago Cury & Cacá Machado. Direção editorial: Thiago Cury. Consultoria, Catálogo e Imagens: Luiz Antonio de Almeida. Produção Executiva: Joana Cury. Projeto Gráfico: Paulo Vidal de Castro & Thais Vilanova. Edição musical: Maurício De Bonis, Marcus Siqueira, Thomas Hansen & Daniel Bondaczuk de Castro Lobo. Reprodução de partituras: Maurício De Bonis, Thiago Cury & Cacá Machado. Tradução: Alexandre Barbosa de Souza & Alex Barros (Cronologia). Água-Forte Edições Musicais. São Paulo: 2011. fonte de texto: Kennerley (1911), de Frederic Goudy. Projeto Gráfico: Paulo Vidal de Castro & Thais Vilanova.


 

 

  




BORGES, Tadeu. (piano) interpreta Ernesto Nazareth Soberano / Suculento / Ernesto Nazareth / Tadeu Borges. Paulus: 2009.

22.3.24

continua/

NAZARETH, Ernesto {1863-1934}. Todo Nazareth: obras completas: caixa com 6 volumes  Polcas: A fonte do Lambari / Caçadora / Pipoca / texto de 4a capa: Darius Milhaud / Tangos vol 2 {F-O}: O futurista / Labirinto / texto de 4a capa: Mário de Andrade/ Ernesto Nazareth. Organização: Thiago Cury & Cacá Machado. Direção editorial: Thiago Cury. Consultoria, Catálogo e Imagens: Luiz Antonio de Almeida. Produção Executiva: Joana Cury. Projeto Gráfico: Paulo Vidal de Castro & Thais Vilanova. Edição musical: Maurício De Bonis, Marcus Siqueira, Thomas Hansen & Daniel Bondaczuk de Castro Lobo. Reprodução de partituras: Maurício De Bonis, Thiago Cury & Cacá Machado. Tradução: Alexandre Barbosa de Souza & Alex Barros (Cronologia). Água-Forte Edições Musicais. São Paulo: 2011. fonte de texto: Kennerley (1911), de Frederic Goudy. Projeto Gráfico: Paulo Vidal de Castro & Thais Vilanova.



 

 






BORGES, Tadeu. (piano) interpreta Ernesto Nazareth A fonte do Lambari / Caçadora / Pipoca / O futurista / Labirinto / Ernesto Nazareth / Tadeu Borges. Paulus: 2009.

 entra/

JODOROWSKY, Alejandro; COSTA, Marianne (1966- ). O caminho do tarot / Alejandro Jodorowsky e Marianne Costa. Tradução de Alexandre Barbosa de Souza. La Voie du Tarot, 2004. — São Paulo: Editora Campos (Rogério de Campos), 2016. (Selo Chave)

JODOROWSKY, Alexandre; CAMOIN, Philippe. Tarot de MarseilleAlexandre Jodorowsky e Philippe Camoin. Marseille: CAMOIN.

sai/

JODOROWSKY, Alexandro 1929- ; LIU, Dongzi 1982- . Sangue Real / Alejandro Jodorowsky, Dongzi Liu; tradução de Thiago Ferreira; edição: Ferréz e Thiago Ferreira; Sang Royal, 2020. — São Paulo: Comix Zone!, 2023.


 


 
 

19.3.24

continua/


sai/

Infeliz de quem ergue

uma vila em meio ao sangue e

funda uma cidade sobre a injustiça,

pois a violência o submergirá...

Não é

nem pelo poder,

nem pela força,

mas pelo espírito”

 

JODOROWSKY, Alexandro 1929- ; BOUCQ 1955- . Cara de lua / Alejandro Jodorowsky, François Boucq; tradução de Fernando Paz; edição: Ferréz e Thiago Ferreira; Face de lune, 2018. — São Paulo: Comix Zone!, 2022.

 

Aquele que pretende viver na luz

enquanto odeia o próprio irmão

vive ainda nas trevas.

 

Para esses, o sol se tornará

escuro como um manto de crina.

 

Eles tombarão sobre a terra

como figos abortados, projetados

por uma figueira torcida pela tempestade.”


 

entra/

JODOROWSKY, Alexandro 1929- ; LIU, Dongzi 1982- . Sangue Real / Alejandro Jodorowsky, Dongzi Liu; tradução de Thiago Ferreira; edição: Ferréz e Thiago Ferreira; Sang Royal, 2020. — São Paulo: Comix Zone!, 2023.


 
 

16.3.24

Em Busca do Pássaro do Tempo • Serge Le Tendre • Régis Loisel

 


O reino de Akbar enfrenta uma grave ameaça: Ramor, o deus maldito, está prestes a se libertar da concha em que foi aprisionado por seus irmãos. A princesa-feiticeira Mara descobre que apenas o mítico Pássaro do Tempo pode selar permanentemente a prisão de Ramor. Diante disso, ela confia à sua filha Pelisse e ao guerreiro Bragon, seu antigo noivo, a missão de recuperar a lendária ave.

Esta edição integral reúne os quatro álbuns da série, originalmente publicados entre 1983 e 1987. Escrita por Serge Le Tendre e desenhada por Régis Loisel, Em Busca do Pássaro do Tempo é considerada a primeira grande saga de espada e feitiçaria dos quadrinhos europeus. Muitas vezes imitada, mas até agora jamais igualada, nenhum autor de fantasia heroica conseguiu escapar à influência desse original.

A edição tem formato grande, capa dura com verniz localizado, 224 páginas em cores, impressas em papel offset de alta gramatura.


 
Nascido em Vincennes, França, em 1946, Serge Le Tendre percebeu desde muito cedo que queria trabalhar com quadrinhos. Ele se matriculou na universidade de sua cidade natal e frequentou as aulas de quadrinhos ministradas por Mézières, Giraud e Moliterni. Em 1974, criou histórias curtas para as revistas Pilote e Tousse Bourin. Em 1975, na revista Imagine, editada por Rodolphe, publicou a primeira versão da série Em Busca do Pássaro do Tempo, desenhada por Régis Loisel, que mais tarde foi relançada na revista Charlie Mensuel e em álbuns pela Dargaud. Em 1984, co-escreveu Jérôme K. Jérôme Bloche com Makyo para a revista Spirou. Roteirista insaciável, Serge Le Tendre é autor de mais de 20 séries, como Les Errances de Julius Antoine (1985-1989), Les Voyages de Takuan (1987-1996), Labyrinthes (1993-1995), La Gloire d’Héra (1996-2002), Chinaman (1997-2007), Le Livre des Destins (2004-2012), entre outras.


 
Régis Loisel nasceu em 1951 em Saint-Maixent-l'École, França. Durante os anos 1970, mudou-se para Paris, onde começou sua jornada no mundo dos quadrinhos. Aos 20 anos, começou a publicar na revista Les Pieds Nickelés. No ano seguinte, frequentou brevemente aulas de desenho na Universidade de Vincennes, onde conheceu Serge Le Tendre. O trabalho de Loisel começou a ser publicado em revistas como Pilote, Pif, Mormoil, Fluide Glacial e Métal Hurlant. No início dos anos 1980, em parceria com Le Tendre, criou Em Busca do Pássaro do Tempo. A série, pré-publicada na revista Charlie Mensuel, alcançou um enorme sucesso e estabeleceu Loisel como um dos maiores desenhistas da nova geração. Entre suas obras notáveis também estão Peter Pan e Magasin Général, esta última realizada em parceria com Jean-Louis Tripp. Em 2003, recebeu o prestigioso Grand Prix de Angoulême.
 

 






Capa dura
Formato 21 x 27,5 cm
224 páginas
ISBN 9786500825732
edição: Ferréz e Thiago Ferreira