29.3.26

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U
[Saint-Simon, Ferrovias]
[...]
Socialismo utópico. “A classe capitalista ... considerava seus adeptos como meros excêntricos ou fanáticos inofensivos... Estes adeptos, aliás, fizeram tudo o que era humanamente possível para parecerem ... como tais. Assim, vestiam roupas de corte especial (por exemplo, os saint-simonianos abotoavam seus hábitos nas costas, para que ao vesti-los fossem obrigados a pedir ajuda a um companheiro, sendo lembrados, dessa maneira, da necessidade da união), usavam chapéus excepcionalmente grandes, barbas muito longas etc.” Paul Lafargue, “Der Klassenkampf in Frankreich”, Die Neue Zeit, XII, n° 2, p. 618.
[U 3, 2] 
[...]
Engels sobre Das Wesen des Christentums [A Essência do Cristianismo] , de Feuerbach: “Mesmo as falhas do livro contribuíram para seu efeito imediato. O estilo beletrista, por vezes até empolado, garantiu um público maior, e em todo caso foi um conforto após longos anos de hegelianismo abstrato e abstruso. O mesmo vale para o endeusamento excessivo do amor, que encontrou uma desculpa diante da já insuportável soberania do pensamento puro’. Mas o que não deve ser esquecido é que precisamente estas duas fraquezas de Feuerbach foram tomadas como ponto de partida pelo verdadeiro socialismo’, que se alastrou desde 1844 na Alemanha culta como uma peste, substituindo o conhecimento científico pela retórica literária, e a emancipação do proletariado através da transformação econômica da produção pela libertação da humanidade por meio do ‘amor’. Em suma, ele naufragou na beletrística repugnante e no pdthos sentimental, cujo representante típico foi o Sr. Karl Grün.” Friedrich Engels, “Ludwig Feuerbach und der Ausgang der klassischen deutschen Philosophie”, Die Neue Zeit, IV, Stuttgart, 1886, p. 150. [Resenha de C. N. Starcke, Ludwig Feuerbach, Stuttgart, 1885.]
[U 3a, 1]
“As estradas de ferro ... exigiram, ao lado de outras coisas impossíveis, uma transformação do modo de propriedade... De fato, até então, um indivíduo burguês conduzia uma indústria ou um comércio apenas com seu dinheiro, ou, no máximo, com o dinheiro de mais um ou dois amigos ou conhecidos... Ele administrava o dinheiro e era o efetivo proprietário da fábrica ou do estabelecimento comercial. As estradas de ferro, no entanto, exigiram capitais tão gigantescos que não era possível encontrá-los concentrados nas mãos de algumas poucas pessoas. Assim, um grande número de burgueses teve que confiar seu precioso dinheiro, que nunca perdiam de vista, a pessoas que mal conheciam de nome... Uma vez que o dinheiro era aplicado, eles perdiam qualquer controle sobre sua utilização, e nem sequer tinham direito de propriedade sobre as estações ferroviárias, vagões, locomotivas etc. ... Tinham direito apenas sobre os proventos; em vez de um objeto, ... era-lhes entregue ... um mero pedaço de papel, que representava a ficção de uma parte infinitamente pequena e inacessível da propriedade efetiva, cujo nome vinha escrito embaixo em letras graúdas... Esta forma ... representava uma contradição tão violenta àquela familiar aos burgueses ... que em sua defesa se encontravam apenas pessoas ... suspeitas de querer derrubar a ordem social, ou seja, os socialistas: primeiro Fourier, e depois Saint-Simon, recomendaram a mobilização da propriedade na forma de ações em papel.” Paul Lafargue, “Marx’ historischer Materialismus”, Die Neue Zeit, XXII, Stuttgart, 1904, n° 1, p. 831.
[U 3a, 2]
Há uma revolta por dia. Nessas ocasiões, os estudantes, filhos de burgueses, unem-se fraternalmente aos operários, e estes crêem que chegou a hora. Conta-se também, seriamente, com os alunos da École Polytechnique.” Nadar, Quand Jétais Photographe, Paris, 1900, p. 287. 
[U 3a, 3]
[...]
Uma diferença notável entre Saint-Simon e Marx. O primeiro amplia do modo mais abrangente possível o número dos explorados, incluindo entre eles até os empresários, uma vez que estes pagam juros a seus credores. Marx, ao contrário, inclui na burguesia todos aqueles que de alguma forma são exploradores, ainda que estes também sejam vítimas de exploração.
[U 4,2]
BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-WerkWalter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009. 

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