14.5.26

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 X

[MARX]

[...]

Origem da falsa consciência: “A divisão do trabalho só se torna realmente uma divisão a partir do momento em que se dá uma divisão do trabalho ... material e espiritual. A partir desse momento, a consciência pode realmente imaginar ser algo diferente da consciência da práxis existente..., e que ela realmente representa algo, sem representar algo real.” Marx und Engels über Feuerbach: Aus dem literarischen Nachlaß von Marx und Engels”, Marx-Engels-Archiv, org. por D. Rjazanov, vol. I, Frankfurt a. M., 1928, p. 248.

[X 1, 4] 

[...]

Auto-alienação: “O operário produz o capital, o capital o produz; portanto, ele produz a si mesmo e ... suas qualidades humanas existem apenas ..., na medida em que elas existem para o capital alheio a ele... O operário existe como operário apenas enquanto ele existe para si como capital, e ele existe como capital apenas enquanto algum capital existe para ele. A existência do capital é sua existência..., e esta determina o conteúdo de sua vida de uma maneira que lhe é indiferente... A produção produz o homem ... como um ... ser desumanizado.” Karl Marx, Der historische Materialismus: Die Frühschriften, ed. org. por S. Landshut e J. P. Mayer, Leipzig, vol. I, pp. 361-362 (“Nationalõkonomie und Philosophie”).

[X 1a, 1]

[...]

“A natureza que se constitui na história humana  no ato de criação da sociedade humana — é a natureza real do homem; por isso a natureza, tal como se constitui através da indústria — ainda que sob uma forma alienada , é a verdadeira natureza antropológica.” Karl Marx, Der historische Materialismus: Die Frühschriften, ed. org. por S. Landshut e J. P. Mayer, Leipzig, vol. I, p. 304 (“Nationalökonomie und Philosophie”).

[X 1a, 3]   

Ponto de partida para uma crítica da “cultura”: “A superação positiva da propriedade privada enquanto apropriação da vida humana é ... a superação positiva de toda alienação  portanto, o retorno do homem da religião, da família, do Estado etc., para sua existência humana, isto é, social.” Karl Marx, Der historische Materialismus, ed. org. por Mayer e Landshut, Leipzie, vol. I, p. 296 (“Nationalökonomie und Philosophie”).

[X 1a, 4]

Uma derivação do ódio de classe, que se refere a Hegel: “A superação da objetividade sob a forma da alienação  que vai necessariamente da estranheza indiferente até a alienação hostil real  significa para Hegel ao mesmo tempo, e principalmente, que a objetividade deve ser superada, porque não é o caráter determinado do objeto, e sim seu caráter de objeto que é, para a autoconsciência, o elemento ofensivo na alienação.” Karl Marx, Der historische Materialismus, Leipzig, vol. I, p. 335 (“Nationalökonomie und Philosophie”).

[X 1a, 5] 

[...]

Seria um erro desenvolver a psicologia da burguesia a partir da atitude do consumidor. O ponto de vista do consumidor é representado apenas pela camada social dos esnobes. As bases para uma psicologia da classe burguesa encontram-se antes na seguinte frase de Marx, que permite descrever também — e principalmente — a influência que esta classe exerce sobre a arte, como modelo e como comitente: “Um certo grau de desenvolvimento da produção capitalista exige que o capitalista possa utilizar todo o tempo em que ele funciona como capitalista, isto é, como capital personificado, para a apropriação e, portanto, para o controle do trabalho alheio e para a venda dos produtos desse trabalho.” Karl Marx, Das Kapital, vol. I, ed. org. por K. Korsch, Berlim, 1932, p. 298.

 [X 2, 2] 

[...]

O tempo na técnica. “Como em uma verdadeira ação política, a escolha ... do momento certo é decisiva. ‘A ordem do capitalista no campo da produção torna-se agora tão indispensável quanto a ordem do general no campo de batalha’ (I, p. 278). ...O ‘tempo’ possui aqui, na técnica, um significado diferente daquele que possui no decorrer dos acontecimentos históricos da mesma época, em que ... as ‘ações coincidem sem mais nem menos’. O ‘tempo’ possui ainda, na técnica ... um significado diferente daquele que possui na economia moderna, que ... mede o tempo do trabalho pelo relógio.” Hugo Fischer, Karl Marx und sein Verhältnis zu Staat und Wirtschaft, Jena, 1932, p. 42; citando Das Kapital, vol. I, 1923.
[X 2, 4]

2 Na revisão das passagens extraídas de Karl Marx, Das Kapital, foi consultada a edição brasileira: O CapitalCrítica da Economia Política, vol. I, tomo 1, trad. de Regis Barbosa e Flávio R. Kothe, São Paulo, Abril Cultural, 1983; a passagem citada encontra-se na p. 243. (w.b.)

BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.

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