22.9.26

Limite • Mário Peixoto • Mostra Amor ao Cinema 2026 • CineSesc

LIMITE (1931), de Mário Peixoto. Nunca vi ele no cinema duas vezes em menos de um mês! Vejo normalmente em longos intervalos, e em casa é bem mais comum. (Mas na primeira, na Cinemateca, teve uma palestra — e palestras tendem a ser muito ruins antes do contato com a obra, pois é comum passar, para quem não conhece, a própria opinião do palestrante... — muito boa com Carlos Augusto Calil e Patricia de Filippi, mulher que tem uma importância para o filme existir hoje).

Adoro rever este filme sempre que posso no cinema (tenho em DVD e ainda tenho em VHS). Um filme que tanto vi, tentando pegar todos elementos. 

Pura pureza onde o sentido de limite fica claro em todas as suas formas estéticas. A imagem de um plano/contraponto/o filme: tudo estruturado mostrando o limite, com os 3 personagens em um barco (limites: barco/água; horizonte da água/céu; &c) e suas lembranças do limite, em todos os aspectos. Um plano onde o personagem cai: o plano sequência que começa com os pés dele, sobe lentamente até o céu, passando pelo horizonte, dá o giro 180°, até voltar para suas mãos.

Todos as técnicas narrativas de anos depois ali estão. Câmera filmando do chão para cima, bem antes de Orson Welles, movimentos rápidos e precisos da câmera, tudo sempre tendo como objetivo a precisa linguagem. 

E o eterno retorno do Quarteto de Claude Debussy, Op10. Na primeira vez em que ele aparece, os dois movimentos mais incríveis (e comparando com os outros!) tocam na sequência: a beleza do 2o (Assez vif et bien rythmé) acompanhado com aquele pizzicato do 3o (Andantino, doucement expressif). E estes dois movimentos não se repetem mais.

Mas sempre se pensa na Gymnopédie No3, do Erik Satie (orquestrada por Debussy).

Nunca gosto de perguntas como: qual é o seu compositor favorito?; qual é o seu poema favorito?; qual é o seu filme favorito? Mas para esta última, mesmo sabendo que não é uma verdade, que depende de qual ponto de vista, sempre respondo: Limite.

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