Adoro rever este filme sempre que posso no cinema (tenho em DVD e ainda tenho em VHS). Um filme que tanto vi, tentando pegar todos elementos.
Pura pureza onde o sentido de limite fica claro em todas as suas formas estéticas. A imagem de um plano/contraponto/o filme: tudo estruturado mostrando o limite, com os 3 personagens em um barco (limites: barco/água; horizonte da água/céu; &c) e suas lembranças do limite, em todos os aspectos. Um plano onde o personagem cai: o plano sequência que começa com os pés dele, sobe lentamente até o céu, passando pelo horizonte, dá o giro 180°, até voltar para suas mãos.
Todos as técnicas narrativas de anos depois ali estão. Câmera filmando do chão para cima, bem antes de Orson Welles, movimentos rápidos e precisos da câmera, tudo sempre tendo como objetivo a precisa linguagem.
E o eterno retorno do Quarteto de Claude Debussy, Op10. Na primeira vez em que ele aparece, os dois movimentos mais incríveis (e comparando com os outros!) tocam na sequência: a beleza do 2o (Assez vif et bien rythmé) acompanhado com aquele pizzicato do 3o (Andantino, doucement expressif). E estes dois movimentos não se repetem mais.
Mas sempre se pensa na Gymnopédie No3, do Erik Satie (orquestrada por Debussy).
Nunca gosto de perguntas como: qual é o seu compositor favorito?; qual é o seu poema favorito?; qual é o seu filme favorito? Mas para esta última, mesmo sabendo que não é uma verdade, que depende de qual ponto de vista, sempre respondo: Limite.
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