GAIMAN, Neil (1960- ); BELARDINELLI, Massimo (1938-2007). Choques Futuristas de Tharg / eu acredito / 2000 AD/ Neil Gaiman, Massimo Belardinelli; em JUIZ DREDD MEGAZINE; No 7; 1981, 1986, 2000, 2005, 2012 e 2013; Rebellion A/S. — São Paulo: Mythos Editora.
GAIMAN, Neil (1960- ); BOLTON, John (1951- ); HAMPTON, Scott (1959- ); VESS, Charles (1951- ); JOHNSON, Paul (1958- ). Os livros da magia / / edição de luxo / Neil Gaiman, John Bolton, Scott Hampton, Charles Vess, Paul Johnson; capa John Bolton; letrista original Todd Klein; introdução Roger Zelazny, 1993; Apocrypha Neil Gaiman; Mood Indigo canção de Duke Ellington e Barney Bigard e letra de Irving Mills; Vertigo/DC Comics. — 1a ed— Barueri, SP: Panini Brasil, 2013.
pois é,
é pior
do que
me lem-
brava
GAIMAN, Neil (1960- ). Dias da meia-noite / / edição de luxo / Neil Gaiman, Teddy Kristiansen, Dave McKean, Mike Mignola, Stephen R.Bissette, John Totleben, Sergio Aragonés, &c; introdução e textos de Gaiman sobre cada história; 1999; Vertigo/DC Comics 1989, 1995, 1998, 1999, 2013. — Barueri, SP: Panini Brasil, 2013.
Estou relendo o que tenho do Gaiman, depois de toda a polêmica em torno dos seus abusos sexuais.
É curioso com nunca gostei muito do seu trabalho, mas ele é e foi amigo dos maiores da segunda metade do séc xx, de Will Eisner até Alan Moore. Todos os bons desenhistas, os mais diferentes e com total liberdade, trabalharam para ele.
Este, talvez, seja o trabalho dele que mais gosto (junto com A Paixão do Arlequim). Caras como Teddy Kristiansen, Dave McKean, Mike Mignola, Stephen R.Bissette, John Totleben, até chegar no divertido Sergio Aragonés.
GAIMAN, Neil (1960- ); KIETH, Sam (1963- ); DRINGENBERG, Mike (1965- ); JONES III, Malcolm (1959-1996). Sandman / volume i / Prelúdios & Noturnos / Preludes & Nocturnes /edição especial 30 anos / Neil Gaiman, Sam Kieth, Mike Dringenberg, Malcolm Jones III; capa Dave McKean; introdução Patrick Rothfuss; prefácio Karen Berger; posfácio Neil Gaiman; tradução Jotapê Martins & Érico Assis (extras); 1989; Vertigo/DC Comics. — Barueri, SP: Panini Brasil, 2019.
GAIMAN, Neil (1960- ); DRINGENBERG, Mike (1965- ); JONES III, Malcolm (1959-1996); BACHALO, Chris (1965- ) ZULLI, Michael (1952–2024); PARKHOUSE, Steve (1948- ). Sandman / volume 2 / Casa de Bonecas / The Doll’s House /edição especial 30 anos / Neil Gaiman, Sam Kieth, Mike Dringenberg, Malcolm Jones III; Chris Bachalo; Michael Zulli; Steve Parkhouse; capa(s) Dave McKean; introdução Kelly DeConnick; prefácio e Envoi Neil Gaiman; tradução Jotapê Martins & Érico Assis (extras); 1989; Vertigo/DC Comics. — Barueri, SP: Panini Brasil, 2019.
Rumney é uma dessas personagens fascinantes que sempre encontramos nas beiradas das histórias de revoluções. Quando jovem foi amigo do historiador marxista E.P.Thompson, dez anos mais velho. Thompson o abrigou em sua casa, quando Rumney fugiu do pai, um pastor anglicano furioso porque, além de pretender escapar do alistamento militar, o filho andava com livros do Marquês de Sade. Na Europa continental, conviveu com Georges Bataille, o pintor Yves Klein, William Burroughs, Marcel Duchamp, Félix Guattari... Ora estava em Paris, ora em Milão, ou Veneza ou novamente em Londres, ou na pequena ilha de Linosa, no sul da Itália. Casou-se com uma herdeira milionária, Pegeen Guggenheim (filha de Peggy Guggenheim), mas anos depois estava trabalhando como telefonista em Londres. O escritor e artista plástico Guy Atkins diz que o amigo “vivia entre a penúria e a mais absurda riqueza. Uma hora estava dividindo um quarto miserável com desempregados em uma rua pobre de Londres, em outra o encontrávamos no Harry’s Bar em Veneza, ou em uma vernissage de uma exposição de Max Ernst em Paris”.
No obituário de Rumney que escreveu para o The Guardian, Malcolm Imrie resume: “uma vida de permanente aventura e eterna experimentação”. Seu apelido era “Consul”, inspirado no enlouquecido protagonista de Sob a Sombra do Vulcão9, que vai ao extremo mortal da bebedeira num Dia dos Mortos de uma pequena cidade mexicana. O “Consul”, o gentil estrangeiro. “Sire, je suis de l’autre pays” (“Majestade, eu sou de outro país”) é a epígrafe do famoso texto de Chtcheglov. Rumney era um estrangeiro, outsider, um nômade, um psicogeógrafo.
Rumney diz que inventou a London Psychogeography Committee em uma das bêbadas reuniões preparatórias da conferência de Cosio d’Arroscia, como uma brincadeira, para dar a impressão que a Interna- cional Situacionista era de fato uma grande organização com base em vários países. Mas, retrospectivamente, o nome não poderia ser mais adequado: foi na Grã-Bretanha que a psicogeografia mais se desenvolveu nas décadas seguintes. Talvez porque fosse um conceito de "agradável imprecisão", como precisado por Debord (“assez plaisant vague”), foi flexível o bastante para se fundir a tradições locais. Debord, em um texto que escreveu originalmente para ser o prefácio do relatório psi- cogeográfico de Rumney, chega mesmo a localizar a invenção da psicogeografia em Londres, mais especificamente no livro Confissões de um Comedor de Ópio (1821), de Thomas de Quincey:
Mas em 1975, mesmo ano em que os Sex Pistols fizeram sua estreia, as livrarias britânicas receberam Lud Heat, no qual o escritor Iain Sinclair desenvolve, em forma de poema, a ideia de que as igrejas londrinas proje- tadas pelo arquiteto Nicholas Hawksmoor (1661-1736) criam um ambiente de malevolência que leva a crimes violentos. Hoje, Sinclair é celebrado pela respeitável crítica literária como um dos maiores escritores britânicos contemporâneos11. Mas ele é muito mais importante que isso: Sinclair reinventou a psicogeografia inglesa com Lud Heat e sua obra posterior.
“A psicogeografia de Londres deve quase tudo a Iain Sinclair”, diz Phil Baker12, para quem o autor se apoia menos em Guy Debord que no esoterismo liberado pelo movimento hippie. “Os anos 1960 viram a ressurgência do interesse na vida rural, na supostamente antiga mitologia da terra e na geometria sagrada”. Para Merlin Coverley, “Sinclair funde o ocultismo paranoico com a investigação histórica em um novo formato que dispensa completamente a teoria situacionista em favor de um retorno a antigas tradições literárias e esotéricas”13. Acho que Coverley exagera nesse “completamente” (“completely”). Primeiro porque Sinclair é um leitor de Guy Debord e dos situacionistas. Segundo porque a produção destes deixa claro a ligação deles com tradições literárias e até mesmo, algumas vezes, senão com o esoterismo pelo menos com certo misticismo, mesmo que de maneira crítica14. Mas, de fato, Sinclair parece levar a magia bem a sério. Até como arma de contra-ataque na guerra contra bruxas como a ex-primeira-ministra Margaret Thatcher: “só se pode entender Thatcher em termos de magia ruim. Essa bruxa perversa concentrou toda a crueldade existente na sociedade. A única maneira de entendê-la é percebendo que estava demoniacamente possuída pelas forças maléficas do mundo da política (...). Ela se tornou a divindade daqueles que querem destruir o poder da cidade. Uma divindade criada por um sistema que a destruiu, como sempre acontece (...). Mas permanece o fato que ela introduziu o ocultismo na política britânica e o papel do escritor é se contrapor a essa cultura política”.15
Sinclair define sua psicogeografia como “a crença de que algo que aconteceu em um lugar afeta permanentemente esse lugar”. E parece citar Chtcheglov quando diz “para mim, é a maneira de fazer a psicanálise da psicose de um lugar no qual eu vivo”.
No final dos anos 1980, depois de fazer Watchmen, Alan Moore queria estar tão longe quanto o possível dos gibis de super-heróis. Naquele mo- mento, inspirado na Teoria do Caos, escrevia Big Numbers, a respeito das consequências da construção de um shopping center em uma cidade do interior da Inglaterra. Foi quando ele ganhou um presente de um amigo:
Durante a produção de Do Inferno, Alan Moore tornou-se amigo de Iain Sinclair e chegou a participar do filme The Cardinal and the Corpse, escrito por Sinclair e dirigido por Chris Petit (do cultuado filme Radio On, de 1979).
Mas, usando ou não os métodos psicogeográficos, os autores deste livro têm todos a ambição de retratar uma Londres não só distante daquela turística, mas uma que a própria cidade tenta esconder de si. Neste sentido, A Vida Secreta de Londres é um guia da capital inglesa. Não um guia de lugares onde tirar selfies ou a respeito dos quais nos vangloriamos de conhecer em nossas conversas com amigos descolados. Mas um guia das entranhas da cidade.
10 Aos 17 anos, o menino rico Thomas de Quincey fugiu do colégio de elite e foi passar fome nas ruas de Londres. Encontrou Ann, uma prostituta de 15 anos, que o protegeu e o alimentou. De Quincey, então, viajou para ver se arrumava algum dinheiro emprestado e quando voltou Ann havia desaparecido. Todas as suas buscas foram em vão e De Quincey passou o resto da vida lamentando o desaparecimento da amiga.
12 Em “Secret City: Psychogeography and the End of London”, do livro London from Punk to Blair (Reaktion Books, Londres, 2003).
14 Chtcheglov escreve com um furor que bem pode ser chamado de místico. E é interessante lembrar que Raoul Vaneigem tornou-se um grande especialista da história das heresias cristãs.
15 Entrevista para o jornal The Guardian, em abril de 2004.
17 Entrevista realizada por Nick Talbot em junho de 2014 para o site The Quietus.
18 Aliás, é interessante lembrar que Guy Debord tinha grande interesse na figura do Jack “l’Éventreur”. ”



















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