13.7.26

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Evocava-se ao mesmo tempo o gênio dos jacobinos e dos industriais , atribuía-se este dito a Luís Filipe: Deus seja louvado e minhas boutiques também. As passagens como templo do capital mercantil. 

[A 2, 2] 

 

A passagem como construção em ferro fica na fronteira do espaço largo (Breitraum). Esta é uma das razões decisivas de sua aparência “antiquada”. Ela ocupa aqui uma posição híbrida, que tem certa analogia com a da igreja barroca: “a cobertura (Halle) em abóbada, que admite até mesmo as capelas apenas como alargamento do seu próprio espaço, mais largo que nunca. Mas também nesta cobertura barroca prevalece a tendência ‘para o alto’, o êxtase dirigido às alturas, como rejubila nos afrescos do teto. Enquanto os espaços das igrejas pretendem servir a algo mais do que para fins de reunião, enquanto querem abrigar a idéia do eterno, o espaço único e contínuo apenas poderá satisfazê-los se a altura superar a largura.” A. G. Meyer, Eisenbauten , p. 74. Inversamente, pode-se dizer que permanece algo de sagrado, um resquício de nave de igreja, nesta fileira de mercadorias que é a passagem. Do ponto de vista funcional, a passagem já se encontra no domínio do espaço largo, porém, do ponto de vista arquitetônico, ainda está no espaço da antiga “cobertura”.

[F 4, 5]

 



Benjamin pretendia criar Passagens como a Torre Eiffel: 12000 peças de metal, milimetricamente ajustadas e ligadas por 2 1/2 milhões de parafusos. Uma “estrutura em aço da historiografia materialista.”
 

Sarah Bernhardt

 

Charles Baudelaire. Fotografia de Nadar.

 

Cocotes com crinolinas. Litografia de Honoré Daumier. 

 

 Litografia de Honoré Daumier do Nadar fotografando e os Esgotos de Paris, fotografados por Nadar (1861-1862).

 

Esquerda: Alexandre Dumas, pai, 1855. Fotografia de Nadar (esquerda). Dumas empregava mais de 8000 pessoas para os romances publicados com seu nome. 

Direita: “Esta obra é minha pois eu a assino.

Um pobre diabo observa com tristeza um jovem senhor que assina o quadro que ele havia pintado.

 

Barricada durante a Comuna de Paris, março de 1871.
 

Manuscrito das Passagens, em caracteres góticos. de [N 1, 1] até [N1, 11].

N
[Teoria do Conhecimento, Teoria do Progresso]
[...]

A reforma da consciência consiste apenas em despertar o mundo ... do sonho de si mesmo.

Karl Marx, Der historische MaterialismusDie Frühschriften, Leipzig, 1932, vol. I, p. 226 (Carta de Marx a Ruge, Kreuzenach, setembro de 1843.)

Nos domínios de que tratamos aqui, o conhecimento existe apenas em lampejos. O texto é o trovão que segue ressoando por muito tempo.

[N 1, 1]

Comparação das tentativas dos outros com empreendimentos de navegação, nos quais os navios são desviados do Pólo Norte magnético. Encontrar esse Pólo Norte. O que são desvios para os outros, são para mim os dados que determinam a minha rota. - Construo meus cálculos sobre os diferenciais de tempo - que, para outros, perturbam as “grandes linhas da pesquisa.

[N 1, 2]

Dizer algo sobre o próprio método da composição: como tudo em que estamos pensando durante um trabalho no qual estamos imersos deve ser-lhe incorporado a qualquer preço, Seja pelo fato de que sua intensidade aí se manifesta, seja porque os pensamentos de ão carregam consigo um télos em relação a esse trabalho. É o caso também deste projeto, que deve caracterizar e preservar os intervalos da reflexão, os espaços entre as partes essenciais deste trabalho, voltadas com máxima intensidade para fora.

[N 1, 3]

[…]

O pathos deste trabalho: não há épocas de decadência. Tentativa de ver o século XIX de maneira tão positiva quanto procurei ver o século XVII no trabalho sobre o drama barroco.1 Nenhuma crença em épocas de decadência. Assim também (fora dos limites) qualquer cidade para mim é bela; e, por isso, não acho aceitável qualquer discurso sobre o valor maior ou menor das línguas. 

1 W. Benjamin, Ursprung des deutschen Trauerspiels (1928), in: GS I, 203-430; Origem do Drama Barroco Alemão (ODBA). (R.T.; w.b.)

[N 1, 6]

[...]

Este trabalho deve desenvolver ao máximo a arte de citar sem usar aspas. Sua teoria está intimamente ligada à da montagem.  

[N 1, 10]

 

Referências topográficas das Passagens

 

BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.  

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