3. SVENDBORG [1933-1939]
Über den schnellen Fall des guten Unwissenden
Als wir den Beredten seines Schweigens wegen entschuldigt hatten
Verging zwischen der Niederschrift des Lobs und seiner Ankunft
Eine kleine Zeit. In der sprach er.
Er zeugte aber gegen die, deren Mund verbunden war
Und brach den Stab über die, welche getötet waren.
Er rühmte die Mörder. Er beschuldigte die Ermordeten.
Den Hungernden zählte er die Brotkrusten nach, die sie erbeutet hatten.
Den Frierenden erzählte er von der Arktis.
Denen, die mit den Stöcken der Pfaffen geprügelt wurden
Drohte er mit den Stahlruten des Anstreichers.
So bewies er
Wie wenig Güte hilft, die sich nicht auskennt
Und wie wenig der Wunsch vermag, die Wahrheit zu sagen
Bei dem, der sie nicht weiß.
Der da auszog gegen die Unterdrückung, selber satt
Wenn es zur Schlacht kommt, steht er
Auf der Seite der Unterdrücker.
Wie unsicher ist die Hilfe derer, die unwissend sind!
Der Augenschein täuscht sie. Dem Zufall anheimgegeben
Steht ihr guter Wille auf schwankenden Beinen.
Welch eine Zeit, sagten wir schaudernd
Wo der Gutwillige, aber Unwissende
Noch nicht die kleine Zeit warten kann mit der Untat
Bis das Lob seiner guten Tat ihn erreicht!
So daß der Ruhm, den Reinen suchend
Schon niemand mehr findet über dem Schlamm
Wenn er keuchend ankommt. [1934]
Sobre a queda rápida do bom desinformado
Ao desculparmos o Loquaz por seu silêncio
Transcorreu entre a escrita do elogio e sua chegada
Um pequeno tempo. No qual ele falou.
Ele testemunhou contra os que tinham suas bocas unidas
E quebrou o bastão sobre os que foram mortos.
Enalteceu os assassinos. Culpou os assassinados.
Enumerou as migalhas que os famintos amealharam.
Falou sobre o Ártico aos que morriam de frio.
Os que foram espancados com o cajado dos padres
Ameaçou com o porrete de aço do pintor de paredes.
Assim comprovou
O quão pouco ajuda a bondade que não se entende
E quão pouco alcança a vontade de dizer a verdade
Em quem não a conhece.
Aquele que irrompeu contra a opressão, saciado de si
Quando a batalha vem, encontra-se
Do lado do opressor.
Quão insegura é a ajuda dos que são desinformados!
A aparência os ludibria. À mercê do acaso
Sua boa vontade está com as pernas bambas.
Que tempos, dissemos estremecidos
Em que o homem de boa vontade, mas desinformado
Não pode esperar com sua transgressão o pequeno
Tempo para receber o elogio de sua ação!
De modo que a fama à procura do puro
Não encontra ninguém sobre a lama
Quando chega resfolegando.
Wer belehrt den Lehrer?
Ich bin Lehrer
Aber wer belehrt mich?
Wie soll ich wissen, was sie gelehrt haben wollen?
Ich bin guten Willens, bereit, alles zu lehren
Den Schlächtern gebührt Ehre
Aber doch nicht allen Schlächtern?
Welchen zum Beispiel nicht? Vielleicht
Bin ich schon verloren: ich habe
Den Führer nur einen Heiligen genannt.
Ich tue alles, aber
Ich bin ein Mensch und kann irren. [1934]
Quem ensina o professor?
Sou professor
Mas com quem vou aprender?
Como vou saber o que querem que ensine?
De bom grado me disponho a tudo ensinar
Os carniceiros devem ser prestigiados
Mas nem todos os carniceiros?
Quais, por exemplo, não? Quem sabe
Eu já esteja perdido: chamei
O Führer apenas de santo.
Faço tudo, contudo
Sou humano e posso errar.
Die Medea von Lodz
Da ist eine Märe
Von einer Frau, Medea genannt
Die kam vor tausend Jahren
An einen fremden Strand.
Der Mann, der sie liebte
Brachte sie dorthin.
Er sagte: du bist zu Hause
Wo ich zu Hause bin.
Sie sprach eine anderer Sprache
Als die Leute dort
Für Milch und Brot und Liebe
Hatten sie ein anderes Wort.
Sie hatte andere Haare
Und ein anderes Gehn
Ist nie dort heimisch geworden
Wurde scheel angesehn.
Wie es mit ihr gegangen
Erzählt der Euripides
Seine mächtigen Chöre singen
Von einem vergilbten Prozeß.
Nur der Wind geht noch über die Trümmer
Der ungastlichen Stadt
Und Staub sind die Stein, mit denen
Sie die Fremde gesteinigt hat.
Da hören wir mit einem
Mal jetzt die Rede gehn
Es würden in unseren Städten
Von neuen Medeen gesehn.
Zwischen Tram und Auto und Hochbahn
Wird das alte Geschrei geschrien
1934
In unserer Stadt Berlin. [1934]
A Medeia de Lodz
Este é o mito de Medeia
Mulher que desembarcou
Há mil anos numa praia
Estrangeira por amor.
O homem que se enamorou
Dela e a levou pra lá
Disse: aonde quer que eu for
O meu lar será teu lar.
A língua que ela falava
Era estranha: para amor
Leite e pão, outras palavras
Usava. No corte e cor
Do cabelo e na maneira
Como andava ela diferia
E por isso com maus olhos
A população lhe via.
O que aconteceu com ela
Foi narrado por Euripedes
E seus coros poderosos
Entoaram o sucedido.
Só o vento ainda erra
Pela inóspita cidade
E viraram pó as pedras
Com que estranhos lapidava.
Mas ouvimos um rumor
(Não sabemos se é verdade)
Que novas Medeias foram
Vistas em nossas cidades.
Entre bondes, trens e carros
Gritam seu grito primal
1934
Em Berlim, a capital.
Ulm 1592
Bischof, ich kann fliegen
Sagte der Schneider zum Bischof.
Paß auf, wie ich's mach!
Und er stieg mit so 'nen Dingen
Die aussahn wie Schwingen
Auf das große, große Kirchendach.
Der Bischof ging weiter.
Das sind lauter so Lügen
Der Mensch ist kein Vogel
Es wird nie ein Mensch fliegen
Sagte der Bischof vom Schneider.
Der Schneider ist verschieden
Sagten die Leute dem Bischof.
Es war eine Hatz.
Seine Flügel sind zerspellet
Und er liegt zerschellet
Auf dem harten, harten Kirchenplatz.
Die Glocken sollen läuten
Es waren nichts als Lügen
Der Mensch ist kein Vogel
Es wird nie ein Mensch fliegen
Sagte der Bischof den Leuten. [1934]
Ulm 1592
Bispo, voar eu sei que posso
Disse o alfaiate ao bispo.
Veja sól E com um troço
A um par de asas parecido
Sobe ao mais alto local
Da alta, alta catedral.
Mas o bispo nem deu trela
E se foi. Que disparate!
O homem não é passarinho
Nunca vai sair do chão
Disse o bispo do alfaiate.
O alfaiate passou dessa
Pra melhor, disseram ao bispo.
Foi um grande rebuliço.
O par de asas se rompeu
E ele jaz espatifado
Sobre o duro, duro adro.
Logo soa o carrilhão:
Não passou de um disparate
O homem não é passarinho
Nunca vai sair do chão
Disse o bispo à multidão.
BRECHT, Bertolt. 1898-1956. Poesia / Bertolt Brecht (Eugen Bertholt Friedrich Brecht);
300 poemas (edição bilíngue); fragmentos dos diários, anotações
autobiográficas, 20 textos sobre poesia; seleção, introdução &
tradução André Vallias; texto de 2a capa Augusto de Campos; e 3a capa
Lion Feuchtwanger (1928). – São Paulo: Perspectiva, 2019. – (Coleção Signos; 60 / dirigida por Augusto de Campos)

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