“Querem fortificar Paris, gastando assim centenas de milhões numa obra de guerra, enquanto esse mágico, com um milhão, teria extirpado para sempre a causa de todas as revoluções, de todas as guerras.” Ferrari, “Des idees et de l’école de Fourier”, Revue des Deux Mondes, XIV, n° 3, Paris, 1845, p. 413.
[W 7, 2]
Michelet, a respeito de Fourier: “Singular contraste entre tamanha ostentação de materialismo e uma vida espiritualizada, abstêmia e desinteressada!” J. Michelet, Le Peuple, Paris, 1846, p. 294.
[W 7, 3]
Comparar a idéia de Fourier sobre a propagação dos falanstérios por meio de explosões com duas idéias de minha “política”:6 a da revolução como inervação dos órgãos técnicos do coletivo (comparação com a criança que, ao tentar pegar a lua, aprende a agarrar as coisas) e a idéia da “ruptura da teleologia natural”. <Cf. X la, 2 e W 8a, 5>
[W 7, 4]
[...]
“É fácil compreender que todo ‘interesse’ da massa..., tão logo ele surge no palco do mundo, ultrapassa seus limites reais como ‘idéia’ ou ‘representação’ e se confunde com o interesse humano em geral. Esta ilusão constitui aquilo que Fourier denomina o tom de cada época histórica.” Marx e Engels, Die heilige Familie, in: Der historische Materialismus. vol. I, Leipzig, 1932, p. 379.
[W 7, 8]
[...]
A propósito do feminismo da escola de Fourier: “Em Herschell e em Júpiter, os cursos de botânica são ministrados por jovens vestais de dezoito a vinte anos... Quando digo ‘de dezoito a vinte anos’, refiro-me à linguagem da Terra, já que os anos em Júpiter são muito mais longos que os nossos, e o vestalato só se inicia ali por volta dos cem anos.” A. Toussenel, L’Esprit des Bêtes, Paris, 1884, p. 93.
[W 7a, 3]
Um modelo de psicologia fourierista no capítulo de Toussenel sobre o javali: “Existe na humanidade uma enorme quantidade de cacos de garrafa, pregos que se soltaram e tocos de velas que estariam completamente perdidos para a sociedade se alguma mão cuidadosa e inteligente não se encarregasse de recolher todos esses dejetos sem valor, e reconstituí-los ruma massa suscetível de ser reelaborada e devolvida de novo ao consumo. Essa tarefa importante entra nas atribuições do avarento... Aqui, o caráter e a missão do avarento se devam visivelmente: o sovina torna-se trapeiro... O porco é o grande trapeiro da natureza; de não engorda as custas de ninguém.” A. Toussenel, L’Esprit des Bêtes, Paris, 1884, pp. 249 - 250 .
[W 7a, 4]
Marx caracteriza a insuficiência de Fourier, que “concebeu um modo particular de trabalho — o trabalho nivelado, segmentado, e por isso não-livre... — como a fonte da perniciosidade da propriedade privada e de sua existência alienada do homem”, em vez de denunciar o trabalho enquanto tal como essência da propriedade privada. Karl Marx, Der historische Materialismus, ed. org. por S. Landshut e J. P. Mayer, Leipzig, 1932, vol. I, p. 292 (“Nationalökonomie und Philosophie”).
[W 7a, 5]
[...]
“Segundo ele, as almas transmigram de corpo em corpo, e mesmo de mundo em mundo. Cada planeta tem uma alma que irá animar outro planeta superior, levando com ela as almas dos homens que o habitaram. É dessa forma que, antes do fim de nosso planeta (que deve durar oitenta e um mil anos), as almas humanas terão tido mil seiscentas e vinte existências, e terão assim vivido cinqüenta e quatro mil anos num outro planeta, vinte e sete mil neste... No exercício de sua primeira infância, a terra foi atingida por uma febre pútrida, que ela transmitiu à lua, que por isso morreu. Mas a terra, organizada em harmonia, ressuscitará a lua.” Nettement, Histoire de la Littérature Française sous le Gouvemement de Juillet, Paris, vol. II, pp. 57, 59.
[W 8, 6]
O fourierista, sobre a aviação: “O aeróstato leve ... é a carruagem de fogo que ... respeita em toda parte a obra de Deus, não precisando nem encher os vales, nem perfurar as montanhas, como a locomotiva homicida que o agiota desonrou.” A. Toussenel, Le Monde des Oiseaux, vol. I, Paris, 1853, p. 6.
[W 8a, 1]
[pensamento anterior ao pensar nos aviões movidos a petróleo...]
[...]
Os homens de cauda de Fourier foram objeto de caricatura em 1849, nos desenhos eróticos de Emy, publicados em Le Rire. Para explicar as extravagâncias de Fourier, é preciso evocar a figura de Mickey Mouse, na qual se consumou a mobilização moral da natureza, bem no espírito das concepções de Fourier. Com Mickey Mouse, o humor põe a política à prova. Confirma-se, assim, que Marx tinha razão ao ver em Fourier principalmente um grande humorista. A ruptura da teleologia natural se dá segundo o plano do humor.
[W 8a, 5]
6 Não fica claro se Benjamin se refere aqui às suas idéias políticas em geral, ou mais específicamente ao seu artigo, infelizmente perdido, "Der wahre Politiker" (O político autêntico, 1919-1920), chamado por ele também de "Prolegomena zur zweiten Lesabéndio-Kritik" (Prolegômenos para uma segunda crítica do Lesabéndio — romance utópico de Paul Scheerbart); cf. GS II, 1423. (R.T.)
BENJAMIN, Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin; edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo; pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.

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