Disposição dos panoramas: uma plataforma elevada, cercada por uma balaustrada, permite a vista sobre superfícies pintadas situadas à frente e abaixo. A pintura estende-se ao longo de uma parede cilíndrica, de aproximadamente 100 metros de comprimento e 20 metros de altura. Os principais panoramas de Prévost (o grande pintor de panoramas): Paris, Toulon, Roma, Nápoles, Amsterdam, Tilsit, Wagram, Calais, Antuérpia, Londres, Florença, Jerusalém, Atenas. Entre seus discípulos: Daguerre. [cf. Q la, 1]
<E°, 24>
Localização da Passage du Caire na mal-afamada “Cour des Miracles (v. Hugo, Notre Dame de Paris). Era denominada cour des miracles porque os mendigos ao chegar ali — que era o refugio de sua corporação —, despiam-se de suas doenças simuladas, [cf. A 3a, 6]
<E°, 25>
[...]
Um fabricante de pianos, Schmidt, de Estrasburgo, construiu a primeira guilhotina.
<E°, 27 >
[...]
Rei-Maçon — apelido de Luís Filipe, [cf. E la, 1]
<E°, 32>
Em 1863, Jacques Fabien publica Paris en Songe. Ele demonstra ali como a eletricidade freqüentemente provoca cegueira pelo excesso de luz, e desvario por conta do ritmo acelerado das notícias, [cf. B 2, 1]
<E°, 33>
[...]
Origem da lanterna mágica. Descobridor Athanasius Kircher.
<E°, 37>
Em 1757, só havia três cafés em Paris. [cf. D 3a, 1]
<E°, 38>
[...]
Quando surge o costume de conferir às ruas nomes que não têm relação alguma com elas, e sim que devem lembrar um homem famoso etc.?
<E°, 50>
[...]
O que é a lâmpada astral? Inventada por Bordin-Marcet <?> em 1809- 22
<E°, 53>
O que são os trens de ferro atmosféricos de Vallance?23
23 Um senhor Vallance (de Brighton) foi o primeiro a ter a idéia de utilizar trens com rodas pneumáticas no transporte de passageiros. Experiências foram feitas na década de 1840. (J.L.)
<E°, 54>
[...]
De onde Picabia tirou a sugestão de fazer dois espelhos se olharem um ao outro e um dentro do outro? Igualmente citado em Crevel. Como epígrafe do capítulo sobre espelhos.
<E°, 56>
Informações sobre a construção da lâmpada Carcel, na qual um mecanismo impulsionava o óleo até o pavio, enquanto na lâmpada Argand (quinquet) o óleo pingava de um recipiente em cima do pavio, produzindo assim uma sombra, [cf. T la, 7]
<E°, 57>
Onde Charles Nodier escreveu contra a iluminação a gás?25 [cf. T 2a, 3]
25 Ch. Nodier e Amédée Pichot, Essai Critique sur le Gaz Hydrogène et les Divers Modes d’Éclairage Artificiei, Paris, 1823. (J.L.)
<E°, 58>
[...]
........................................................
[...]
Música nas passagens. Parece ter se estabelecido nesses espaços com o declínio das passagens, isto é, simultaneamente à época da música mecânica. (Gramofone. O “teatrofone”, de certa forma seu precursor.) E, no entanto, havia música no espírito das passagens, uma música panoramática que se consegue ouvir agora apenas em antiquados concertos elegantes, por exemplo, da orquestra da estação de águas de Monte Cario: as composições panoramáticas de David (Le Désert, Herculanuni). [cf. H 1, 5]<F°, 3>
As nove musas do Surrealismo: Luna, Cléo de Mérode, Kate Greenaway, Mors, Fríederike Kempner, Baby Cadum, Hedda Gabler, Libido, Angelika Kauffmann, a Condessa de Geschwitz. 27 [cf. F°, 10 e C 1, 3]
27
Luna: a lua; Cléo de Mérode (1875-1966): dançarina de boate; Kate
Greenaway (1846-1901): pintora inglesa, conhecida por suas ilustrações
de livros infantis; Mors: a morte; Friederlke Kempner (18361904):
poetisa e sodalite alemã; Baby Cadum: figura do reclame e da
publicidade; Hedda Gabler: heroína da peça homônima de Henrik Ibsen;
Libido: referência a Freud; Angelika Kaufmann (17411807): pintora, amiga
de Goethe; Condessa de Geschwitz: artista lésbica, personagem da peça
de Frank Wedekind, A Caixa de Pandora, que inspirou a ópera Lulu,
de Alban Berg. Esse catálogo de musas reaparece, com leves variações,
em F°, 10 e C 1, 3. A primeira versão, bastante diferente, parece ser a
de h°, 1. (J.L.; E/M.)
<F°, 4>
Na fumaça das batalhas das folhas ilustradas mora uma fumaça na qual emergem os espíritos (das Mil e Uma Noites), [cf. D 2a, 8]
<F°, 5>
Existe uma experiência da dialética totalmente singular. A experiência compulsória, drástica, que desmente toda “progressividade” do devir e comprova toda aparente “evolução” como reviravolta dialética eminente e cuidadosamente composta, é o despertar do sonho. Para o esquematismo dialético, que está na base dessa ocorrência mágica, os chineses encontraram em sua literatura de contos maravilhosos e novelas a expressão mais radical. E assim apresentamos o método novo, dialético, de escrever a historia: atravessar o ocorrido com a intensidade de um sonho para experienciar o presente como o mundo da vigília ao qual o sonho se refere! (E cada sonho refere-se ao mundo da vigília. Todo o anterior deve ser perscrutado historicamente.) [cf. h°, 4 e K 1, 3]
<F, 6>
O despertar é um processo gradual que se impõe na vida tanto do indivíduo quanto da geração. O sono é o seu estágio primário. A experiência de juventude de uma geração tem muito em comum com a experiência do sonho. Sua configuração histórica é configuração onírica. Cada época tem um lado voltado aos sonhos, o lado infantil. Para o século passado, isto aparece claramente nas passagens. Porém, enquanto a educação de gerações anteriores interpretava esses sonhos segundo a tradição, no ensino religioso, a educação atual volta-se simplesmente à “distração” das crianças. O que é apresentado a seguir é um ensaio sobre a técnica do despertar. A revolução dialética, copernicana, da rememoração (Bloch). [c£ h°, 4 e K 1, 1]
<P, 7>
Tédio e poeira. Sonho, um casaco que não se pode virar do avesso. Por fora, o tédio cinzento (do sono). O estado de sono, isto é, hipnótico, das figuras empoeiradas do Musée Grevin. Uma pessoa que dorme não pode ser bem representada em cera. O tédio é sempre o lado exterior do acontecimento inconsciente. Por isso, o tédio pôde parecer elegante para os grandes dândis. Como justamente <?> o dândi despreza a roupa nova; o que ele veste, precisa ter a aparência levemente usada. Contra uma teoria do sonho, segundo a qual “almas” surgem a nós, o mundo em que não há espanto. Como é ele? [cf. e°, 2 e D 2a, 2]
<F°, 8>
Passagens: casas, galerias, que não têm o lado exterior. Como o sonho. [cf. L la, 1]
<F°, 9>
Catálogo de musas: Luna, a Condessa de Geschwitz, Kate Greenaway, Mors, Cléo de Mérode, Dulcinéia (variante: Hedda Gabler), Libido, Baby Cadum e Friederike Kempner.28 [cf. F°, 4 e C 1, 3]
28 As duas diferenças desta lista de musas, em comparação com a de F°, 4, são a introdução de Dulcinéia, a mulher amada de Dom Quixote, e a ausência de Angelika Kaufmann. (w.b.)
<F°, 10>
E o tédio é a treliça diante da qual a cortesã provoca a morte. [cf. B 1, 1]
<F°, 11>
Há, no fundo, dois tipos de filosofia c dois modos de anotar os pensamentos: um é semeá-los na neve — ou então, se você preferir, na argila das páginas. Saturno é o leitor para contemplar o crescimento deles, ate mesmo para deles recolher a flor, o sentido ou o seu fruto, o verbo. O outro é enterra-los dignamente e erguer como sepultura a imagem, a metáfora, mármore frio e infecundo, acima de seu túmulo.
<F°, 12>
Aspecto mais secreto das grandes cidades: esse objeto histórico da cidade grande com suas mas uniformes e incontáveis fileiras de casas faz existir arquiteturas sonhadas pelos antigos: ela transformou em realidade os labirintos. Homem da Multidão. Instinto que transforma as grandes cidades em labirinto. Perfeição através das galerias cobertas das passagens, [cf M 6a, 4]
<F°, 13>
[...]
Hegel: em si — para si — em si e para si. Estes momentos da dialética tornam-se na Fenomenolona consciência — consciência de si — razão.
<F°, 16>
Escalas musicais na palavra “passage”.
<F°, 17>
“As pancadas de chuva fizeram nascer muitas aventuras.” Diminuição da força mágica da chuva. Capa de chuva [cf D 1, 7]
<F°, 18>
O que a cidade grande da era moderna fez da antiga concepção do labirinto. Através dos nomes de ruas, ela o elevou à esfera da linguagem, a partir da rede de ruas, na qual ela denominava <x> de <x> no interior da linguagem <x>.
<F°, 19 >
A cidade possibilitou a todas as palavras, ou pelo menos a uma grande quantidade delas, algo que só era acessível a pouquíssimas, a uma casta privilegiada delas, aos nomes: serem elevadas à nobreza do nome. E esta suprema revolução na língua foi realizada pelo que há de mais comum: a rua. E uma poderosa ordem vem aí à tona, o fato de que nas cidades todos os nomes se entrechocam sem exercer influências <x> uns sobre os outros. De fato, mesmo os nomes de homens ilustres, por serem empregados com excessiva freqüência, quase já se tornaram conceitos, passam aqui mais uma vez por um filtro e reencontram o absoluto. A cidade, através dos nomes de mas, é imagem de um cosmos lingüístico. [cf. P 3, 5]
<F°, 20>
Apenas o encontro de dois nomes diferentes de ruas produz a magia da “esquina”.
<F°, 21>
[...]
Luzes vermelhas como entrada ao Hades dos nomes. Combinação de nome e labirinto no metrô. [cf. C la, 2]
<F°, 30>
[...]
Ao fim de Matière et Mémoire, Bergson desenvolve a idéia de que a percepção é uma função do tempo. Poder-se-ia dizer que, se vivêssemos segundo um outro ritmo, mais sereno, não existiria para nós nada “duradouro”; ao contrário, tudo se desenrolaria diante de nossos olhos, tudo viria de encontro a nós. Ora, assim é precisamente o sonho. Para compreender as passagens a fundo, nós as imergimos na camada onírica mais profunda, falamos delas como se tivessem vindo de encontro a nós. De maneira semelhante um colecionador observa as coisas. As coisas vêm de encontro ao grande colecionador. Como ele as persegue e as encontra, qual não é a modificação provocada por uma nova peça em seu conjunto — tudo isso faz com que ele veja as suas coisas como dissolvidas num fluxo perpétuo, como o real no sonho. [cf. H la, 5]
<F°, 34>
[...]
........................................................
BENJAMIN,
Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin;
edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi
Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain
Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice
Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo;
pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução
à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG;
São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.

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