17.6.26

Bertolt Brecht/Poesia/introdução & tradução André Vallias/sai

 

INTRODUÇÃO
[DEVOCIONÁRIO]
[EXÍLIO AMERICANO]
4.7 

[REGRESSO]
5.9 

morte de Josef Stálin, em 5 de março de 1953, escreveu
para um número especial da revista Sinn und Form:
Dos oprimidos dos cinco continentes, daqueles que já se libertaram e de todos os que lutam pela paz mundial, o coração deve ter parado quando ouviram que Stálin estava morto. Ele era a encarnação da esperança deles. Mas as armas espirituais e materiais que ele produziu estão aí, e está aí a doutrina para produzir novas.
 
5.13
Em seu discurso no Kremlin, o poeta declarou que os clássicos do socialismo reavivados pelo grande outubro e os relatos sobre a construção de uma nova sociedade na União Soviética tiveram uma influência decisiva sobe ele e lhe deram o conhecimento necessário:
A mais importante das lições era que um futuro para a humanidade só se torna visível a partir de baixo, do ponto de vista dos oprimidos e explorados. Somente lutando ao seu lado, luta-se pela humanidade.
5.16
“Fui eu que fiz.” Eisler quis então saber como ele a tinha composto e ouviu o seguinte: “sempre me lembrei de que você, em certas composições, também utiliza o método contrapontístico da inversão, de que você inverte um tema. Assim, peguei a marcha fúnebre de Chopin, o trio, inverti e surgiu essa melodia”.
5.17
Era o semioticista Roland Barthes, que assistira à peça com seus colegas da recém-fundada revista Théâtre Populaire. Num depoimento a Jean-José Marchand gravado em 1971, ele revela:
lluminou completamente não só a minha concepção do teatro como revelou, deu uma base teórica àquilo que eu amava e àquilo que eu não amava no teatro. Mas, além disso, eu descobri com entusiasmo, no que concerne ao teatro, um pensamento que não tinha medo da teoria. Foi o que me tocou em Brecht. E, também em Brecht, um marxista que não tinha medo de levantar problemas estéticos de gosto, de não vulgaridade, de sentido moral etc.
Perguntado se essa exemplaridade tinha relação com a fundamentação marxista de Brecht, Barthes responde:
Sim, mas, como sempre, não só. Isso quer dizer, não basta ser marxista para se fazer um bom teatro, é óbvio, é até mesmo, muitas vezes, um obstáculo. E, justamente, Brecht, para mim, foi o exemplo de alguém que havia assimilado profundamente a própria essência do marxismo que é, perde-se muito de vista isso atualmente, a dialética. Brecht foi um grande dialético, no sentido realmente forte da palavra, e no sentido que a palavra dialética tem no marxismo. Brecht foi um grande dialético, e o que era admirável é que esse dialético colocava em cena problemas técnicos de dramaturgia de uma extrema fineza.
2. BERLIM [1924-1933]
 
 
1
Auf nach Mahagonny
Die Luft ist kühl und frisch
Dort gibt es Pferd- und Weiberfleisch
Whisky- und Pokertisch.
Schöner grüner Mond von Mahagonny, leuchte uns!
Denn wir haben heute hier
Unterm Hemde Geldpapier
Für ein großes Lachen deines großen dummen Munds.
 
2
Schöner grüner Mond von Mahagonny
Der Ostwind, der geht schon 
Dort gibt es frischen Fleischsalat
Und keine Direktion.
Schöner grüner Mond von Mahagonny, leuchte uns!
Denn wir haben heute hier
Unterm Hemde Geldpapier
Für ein großes Lachen deines großen dummen Munds.

 
3
Auf nach Mahagonny
Das Schiff wird losgeseilt
Die Zi-zi-zi-zi-zivilis
Die wird uns dort geheilt.
Schöner grüner Mond von Mahagonny, leuchte uns!
Denn wir haben heute hier
Unterm Hemde Geldpapier
Für ein großes Lachen deines großen dummen Munds. [1924-1925]

 
 
1
Vamos pra Mahagonny
O ar é fresco e frio e, diz que
Lá tem carne de mula e mulher
Mesas de pôquer e uísque.
Lua verde de Mahagonny, nos ilumina!
Nossa cueca está forrada
De cédulas, pra risada
Graúda da tua boca gigante e cretina.
 
 
2
Vamos pra Mahagonny
Que o leste já está ventando
Lá tem salpicão de carne
Fresco e nem sinal de mando.
Lua verde de Mahagonny, nos ilumina!
Nossa cueca está forrada
De cédulas, pra risada
Graúda da tua boca gigante e cretina.
 
 
3
Vamos pra Mahagonny
O navio vai zarpar.
Lá, da si-fi-li-za-ção
Enfim vamos nos curar.
Lua verde de Mahagonny, nos ilumina!
Nossa cueca está forrada
De cédulas, pra risada
Graúda da tua boca gigante e cretina.
 
 
Vom Geld
 
Vor dem Taler, Kind, fürchte dich nicht.
Nach dem Taler, Kind, sollst du dich sehnen.
 
Ich will dich nicht zur Arbeit verführen.
Der Mensch ist zur Arbeit nicht gemacht.
Aber das Geld, um das sollst du dich rühren!.
Das Geld ist gut. Auf das Geld gib acht!
 
Die Menschen fangen einander mit Schlingen.
Gross ist die Bösheit der Welt.
Darum sollst du dir Geld erringen
Denn größer ist ihre Liebe zum Geld.
 
Hast du Geld, hängen alle an dir wie Zecken:
Wir kennen dich wie das Sonnenlicht.
Ohne Geld müssen dich deine Kinder verstecken
Und müssen sagen, sie kennen dich nicht.
 
Hast du Geld, musst du dich nicht beugen!
Ohne Geld erwirbst du keinen Ruhm.
Das Geld stellt dir die grossen Zeugen.
Geld ist Wahrheit. Geld ist Heldentum.
 
Was dein Weib dir sagt, das sollst du ihr glauben.
Aber komme nicht ohne Geld zu ihr:
Ohne Geld wirst du sie um deiner berauben
Ohne Geld bleibt bei dir nur das unvernünftige Tier.
 
Dem Geld erweisen die Menschen Ehren.
Das Geld wird ueber Gott gestellt.
Willst du deinem Feind die Ruhe im Grab verwehren
Schreibe auf seinen Stein: Hier ruht Geld. [1926]
 
 
Do dinheiro
 
Do táler, guri, não tenhas medo.
O táler, guri, tens que almejar.
 
Não quero te incitar a trabalhar
Para o trabalho o homem não foi feito.
Mas o dinheiro deves almejar!
Dinheiro é bom. Merece o teu respeito!
 
Os homens pegam homens com cilada.
A malvadeza assola o mundo inteiro.
Arranja então dinheiro: não há nada
Maior do que o amor pelo dinheiro.
 
Tens dinheiro, não há quem se descole
De ti, e brilhas feito um sol no céu.
Não tendo, todos fogem. E a tua prole
Vai dizer que jamais te conheceu.
 
Se tens dinheiro, nunca te acabrunhas.
Mas se não tens: adeus, celebridade!
Dinheiro te granjeia testemunhas.
Dinheiro é heroísmo, e é verdade.
 
Dé crédito ao que a esposa te disser
Mas nunca te aproximes sem dinheiro
Ou vais ter que extorquir tua mulher.
Só o animal terás por companheiro.
 
Dinheiro é o que se honra neste mundo.
Deus fica atrás, a grana vem primeiro.
Queres tirar a paz de algum defunto
Na pedra inscreve: Aqui jaz o dinheiro.


Von den großen Männern
 
Die großen Männer sagen viele dumme Sachen
Sie halten alle Leute für dumm
Und die Leute sagen nichts und lassen sie machen
Dabei geht die Zeit herum.
 
Die großen Männer essen aber und trinken
Und füllen sich den Bauch
Und die andern Leute hören von ihren Taten
Und essen und trinken auch.
 
Der große Alexander, um zu leben
Brauchte die Großstadt Babylon
Und es hat andere Leute gegeben
Die brauchten sie nicht. Du bist einer davon.
 
Der große Kopernikus ging nicht schlafen
Er hatte ein Fernrohr in der Hand
Und rechnete aus: die Erde drehe sich um die Sonne
Und glaubte nun, daß er den Himmel verstand.
 
Der große Bert Brecht verstand nicht die einfachsten Dinge
Und dachte nach über die schwierigsten, wie zum Beispiel das Gras
Und lobte den großen Napoleon
Weil er auch aẞ.
 
Die großen Männer tun, als ob sie weise wären
Und reden sehr laut  wie die Tauben.
Die großen Männer sollte man ehren
Aber man sollte ihnen nicht glauben. [1926]
 
 
Dos grandes homens
 
Os grandes homens dizem muito disparate
E fazem os outros de idiota
Contudo o povo não rebate
E o tempo segue a sua rota.
 
Os grandes homens bebem e comem no entanto
E enchem os buchos. Porém
O povo escutando suas façanhas
Bebe e come também.
 
Alexandre, o Grande, pra viver
Precisou da Babilônia, uma cidade
Grande. Mas, assim como você
Outros não terão necessidade.
 
O grande Copérnico não foi dormir
Tinha um telescópio em sua mão
Calculou assim que a Terra gira
Ao redor do sol, achando ter razão.
 
O grande Bert Brecht não entendia as coisas mais elementares
E pensava sobre as mais difíceis, por exemplo: copim
E louvava o grande Bonaparte
Pois ele comia mesmo assim.
 
Os grandes homens agem como se fossem
Sábios: falam alto  feito os sabiás.
Devemos honrar os grandes homens
Mas acreditar neles, jamais.


Die Städte
 
Unter ihnen sind Gossen.
Ih ihnen ist nichts, und über ihnen ist Rauch.
Wir waren drinnen. Wir haben nichts genossen.
Wir vergingen rasch. Und langsam vergehen sie auch. [c. 1926]
 
As cidades
 
Por baixo delas corre esgoto,
Por dentro, nada; por cima, fumaça.
Lá estivemos. Só tivemos desgosto.
Passamos. Elas também, a cada ano que passa. 
 
Aus dem lesebuch für städtebewohner
 
1
Trenne dich von deinen Kameraden auf dem Bahnhof
Gehe am Morgen in die Stadt mit zugeknöpter Jacke
Suche dir Quartier und wenn dein Kamerad anklopft:
Offne, o öffne die Tür nicht
Sondern
Verwisch die Spuren!
 
Wenn du deinen Eltern begegnest in der Stadt Hamburg oder sonstwo
Gehe an ihnen fremd vorbei, biege um die Ecke, erkenne sie nicht
Zieh den Hut ins Gesicht, den sie dir schenkten
Zeige, o zeige dein Gesicht nicht
Sondern
Verwisch die Spuren!
 
Iß das Fleisch, das da ist! Spare nicht!
Gehe in jedes Haus, wenn es regnet, und setze dich auf jeden Stuhl, der da ist
Aber bleibe nicht sitzen! Und vergiß deinen Hut nicht!
Ich sage dir:
Verwisch die Spuren!
 
Was immer du sagst, sag es nicht zweimal
Findest du deinen Gedanken bei einem andern: verleugne ihn.
Wer seine Unterschrift nicht gegeben hat, wer kein Bild hinterließ
Wer nicht dabei war, wer nichts gesagt hat
Wie soll der zu fassen sein!
Verwisch die Spuren!
 
Sorge, wenn du zu sterben gedenkst
Daß kein Grabmal steht und verrät, wo du liegst
Mit einer deutlichen Schrift, die dich anzeigt
Und dem Jahr deines Todes, das dich überführt!
Noch einmal:
Verwisch die Spuren!
 
[Das wurde mir gesagt] [1926]
 
1
Largue os seus camaradas na estação de trem
Vá de manhã para a cidade com a jaqueta abotoada
Procure um quarto e quando um camarada bater à porta
Não abra, ó não abra a porta
Ao invés
Apague os rastros!
 
Se você se deparar com seus pais em Hamburgo ou em outro lugar
Passe reto, dobre a esquina, não os reconheça
Ponha na cara o chapéu que lhe deram
Não mostre, ó não mostre a sua cara
Ao invés
Apague os rastros!
 
Coma a carne que está all Não poupe!
Entre em cada casa, se chover, e sente-se em cada cadeira que lá estiver
Mas não fique sentado! E não esqueça o seu chapéu!
Eu lhe digo:
Apague os rastros!
 
O que você sempre diz, não diga duas vezes
Se achar um pensamento seu em outra pessoa: renegue-o.
Quem não deu a sua assinatura, quem não deixou o seu retrato
Quem não estava ali, quem não disse nada
Como haverá de ser pego?
Apague os rastros!
 
Cuide, se pensar em morrer
De que não haja nenhum túmulo entregando onde você jaz
Com escrita legível que denuncie você
E com o ano de sua morte o incriminando!
Mais uma vez:
Apague os rastros!
 
[Isso me foi dito]

2
 
Wir sind bei dir in der Stunde, wo du erkennst
Daß du das fünfte Rad bist
Und deine Hoffnung von dir geht.
Wir aber
Erkennen es noch nicht.
 
Wir merken
Daß du die Gespräche rascher treibst
Du suchst ein Wort, mit dem
Du fortgehen kannst
Denn es liegt dir daran
Kein Aufsehen zu machen.
 
Du erhebst dich mitten im Satz
Du sagst böse, du willst gehen
Wir sagen: bleibel und erkennen
Daß du das fünfte Rad bist.
Du aber setzest dich.
 
Also bleibst du sitzen bei uns in der Stunde
Wo wir erkennen, daß du das fünfte Rad bist.
Du aber
Erkennst es nicht mehr.
 
Laß es dir sagen: du bist
Das fünfte Rad
Denke nicht, ich, der ichs dir sage
Bin ein Schurke
Greife nicht nach einem Beil, sondern greife
Nach einem Glas Wasser.
 
Ich weiß, du hörst nicht mehr
Aber
Sage nicht laut, die Welt sei schlecht
Sage es leis.
 
Denn nicht die vier sind zu viel
Sondern das fünfte Rad
Und nicht schlecht ist die Welt
Sondern
Voll.
 
[Das hast du schon sagen hören.] [1926]
 
 
2
 
Estamos com você na hora em que você se dá conta
De que é a quinta roda
E a sua esperança lhe abandona.
Mas nós
Ainda não nos damos conta.
 
Notamos
Que você conduz a conversa mais rápido
Você procura uma palavra com a qual
Possa seguir em frente
Pois para você é importante
Não chamar atenção.
 
Você se levanta no meio da frase
Diz zangado que deseja ir embora
Dizemos: fique! e nos damos conta
De que você é a quinta roda.
Mas você se senta.
 
Assim, fica sentado conosco na hora em que
Nos damos conta de que você é a quinta roda.
Mas você
Não se dá mais conta.
 
Deixe eu lhe dizer: você
É a quinta roda
Não pense, eu que lhe digo isso
Sou um canalha
Não pegue um machado, pegue
Um copo dágua.
 
Sei que você não ouve mais
Porém
Não diga alto, o mundo é ruim
Diga baixo

Pois não são demais as quatro
Rodas, mas a quinta
E o mundo não é ruim
Mas sim
Cheio.
 
[Isso você já ouviu dizer.]
 
3

Wir wollen nicht aus deinem Haus gehen
Wir wollen den Ofen nicht einreißen
Wir wollen den Topf auf den Ofen setzen.
Haus, Ofen und Topf kann bleiben
Und du sollst verschwinden wie der Rauch im Himmel
Den niemand zurückhält.
 
Wenn du dich an uns halten willst, werden wir weggehen
Wenn deine Frau weint, werden wir unsere Hüte ins Gesicht ziehen
Aber wenn sie dich holen, werden wir auf dich deuten
Und werden sagen: das muß er sein.
 
Wir wissen nicht, was kommt, und haben nichts Besseres
Aber dich wollen wir nicht mehr.
Vor du nicht  weg bist
Laßt uns verhängen die Fenster, daß es nicht morgen wird.
 
Die Städte dürfen sich ändern.
Aber du darfst dich nicht ändern.
Den Steinen wollen wir zureden
Aber dich wollen wir töten
Du muß nicht leben.
Was immer wir an Lügen glauben müssen:
Du darfst nicht gewesen sein.
 
[So sprechen wir mit unsern Vätern.] [1926]
 
3
 
Não queremos sair da sua casa
Não queremos quebrar o fogão
Queremos por a panela no fogão.
Casa, fogão e panela podem ficar
E você deve sumir no céu feito fumaça
Que ninguém segura mais.
 
Se você quiser ficar conosco, iremos embora
Se a sua mulher chorar, vamos por nosso chapéu na cara
Mas quando buscarem você, vamos apontar para você
E dizer: deve ser ele.
 
Não sabemos o que virá, e não temos nada melhor
Mas não queremos mais você.
Antes que você não vá
Deixe vedarmos as janelas para que não amanheça.
 
As cidades podem mudar
Mas você não pode mudar
Queremos convencer as pedras
Mas você nós queremos matar
Você não deve viver.
Seja qual a mentira em que devemos crer:
Você não pode ter sido.
 
[Assim falamos com nossos pais.]

4
 
Ich weiß, was ich brauche.
Ich sehe einfach in den Spiegel
Und sehe, ich muß
Mehr schlafen; der Mann
Den ich habe, schädigt mich.
 
Wenn ich mich singen höre, sage ich:
Heute bin ich lustig; das ist gut für
Den Teint.
 
Ich gebe mir Mühe
Frisch zu bleiben und hart, aber
Ich werde mich nicht anstrengen; das
Gibt Falten.
 
Ich habe nichts zum Verschenken, aber
Ich reiche aus mit meiner Ration.
Ich esse vorsichtig: ich lebe
Langsam; ich bin
Für das Mittlere.
 
[So habe ich Leute sich anstrengen sehen.] [1927]
 
4
 
Eu sei do que preciso.
Vejo simplesmente no espelho
E vejo que devo
Dormir mais; o homem
Que eu tenho me maltrata.
 
Quando me ouço cantar, digo:
Hoje estou divertida; isso é bom
Para a pele.
 
Eu me esforço
Para ficar jovial e rija, mas
Não vou me desgastar; isso
Dá rugas.
 
Não tenho nada para dar, mas
Me basto com a minha ração.
Mastigo com cuidado, vivo
Devagar; sou a favor
Do mediano.
 
[Assim vi pessoas se esforçarem.]

5
 
Ich bin ein Dreck. Von mir
Kann ich nichts verlangen, als
Schwäche, Verrat und Verkommenheit
Aber eines Tages merke ich:
Es wird besser; der Wind
Geht in mein Segel; meine Zeit ist gekommen, ich kann
Besser werden als ein Dreck 
Ich habe sofort angefangen.
 
Weil ich ein Dreck war, merkte ich
Wenn ich betrunken bin lege ich mich
Einfach hin und weiß nicht
 
Wer über mich geht; jetzt trinke ich nicht mehr 
Ich habe es sofort unterlassen.
 
Leider mußte ich
Rein um mich am Leben zu erhalten, viel
Tun, was mir schadete; ich habe
Gift gefressen, das vier
Gäule umgebracht hätte, aber ich
Konnte nur so
Am Leben bleiben; so habe ich
Zeitweise gekokst, bis ich aussah
Wie ein Bettlaken ohne Knochen
Da habe ich aber im Spiegel gesehen 
Und habe sofort aufgehört.
 
Sie haben natürlich versucht, mir eine Syphilis
Aufzuhängen, aber es ist
Ihnen nicht gelungen; nur vergiften
Konnten sie mich mit Arsen: ich hatte
In meiner Seite Röhren, aus denen
Floß Tag und Nacht Eiter. Wer
Hätte gedacht, daß so eine
Je wieder Männer verrückt macht? 
Ich habe damit sofort wieder angefangen.
 
Ich habe keinen Mann genommen, der nicht
Etwas für mich tat, und jeden
Den ich brauchte. Ich bin
Fast schon Gefühl, beinah nicht mehr naß
Aber
Ich fülle mich wieder, es geht auf und ab, aber
Im ganzen mehr auf.
 
Immer noch merke ich, daß ich zu meiner Feindin
Alte Sau sage und sie als Feindin erkenne daran, daß
Ein Mann sie anschaut.
Aber in einem Jahr
Habe ich es mir abgewöhnt 
Ich habe schon damit angefangen.
 
Ich bin ein Dreck; aber es müssen
Alle Dinge mir zu besten dienen, ich
Komme herauf, ich bin
Unvermeidlich, das Geschlecht von morgen
Bald schon kein Dreck mehr, sondern
Der harte Mörtel, aus dem
Die Städte gebaut sind.
 
[Das habe ich eine Frau sagen hören.] [1927]
 
 
Eu sou um lixo. De mim
Nada posso exigir, exceto
Traição, fraqueza e depravação
Mas um dia eu percebo:
Vai melhorar; o vento
Sopra em minha vela; chegou a minha hora, eu posso
Ser melhor do que um lixo 
Comecei logo.
 
Porque eu era um lixo, percebi
Que quando estou bêbada, me deito
Simplesmente e não sei

Quem passa por mim; agora não bebo mais 
Eu me abstive logo.
Infelizmente precisei
Fazer, apenas pra me manter viva
Muita coisa que me prejudicou; comi
Veneno que daria para
Matar quatro éguas, mas só
Assim eu pude
Ficar viva; então me enchi de pó
Às vezes até ficar parecendo
Um lençol sem ossos
Mas aí olhei no espelho 
E parei logo.
 
Eles tentaram, é claro, me imputar
Uma sifilis, mas não
Conseguiram; só lograram
Me envenenar com arsénico: eu tinha 
Tubos no meu lado dos quais
Fluía pus noite e dia. Quem
Diria que uma tal podería
De novo enlouquecer os homens-
Comecei logo com isso.
 
Não peguei nenhum homem que não
Pudesse fazer algo por mim, e cada
Um que eu precisasse. Eu já sou
Quase sentimento, por um triz não mais molhada
Mas
Estou me sentindo novamente, a coisa vai em altos e baixos, mas
No geral mais para cima.
 
Ainda percebo que digo à minha inimiga
Porca velha e a reconheço como inimigo por
Conta de um homem olhar para ela.
Mas em um ano
Desabituei-me disso 
Já comecei com isso.

Eu sou um lixo; mas todas
As coisas devem me servir para o melhor, eu
Vou subindo, sou
Inevitável, a geração de amanhã
Em breve não mais lixo, mas
A dura argamassa com a qual
As cidades são construídas.
 
[Isso eu ouvi uma mulher dizer.]
 
6
 
Er ging die Straße hinunter, den Hut im Genick!
Er sah jedem Mann ins Auge und nickte
Er blieb vor jedem Ladenfenster stehen
(Und alle wissen, daß er verloren ist!)
 
Sie hätten ihn hören müssen, wie er sagte, er werde noch
Mit seinem Feind ein ernstes Wort sprechen
Der Ton seines Hausherrn behage ihm nicht
Die Straße sei schlecht gekehrt
(Seine Freunde haben ihn schon aufgegeben!)
 
Er will allerdings noch ein Haus bauen
Er will allerdings noch alles beschlafen
Er will allerdings nicht zu schnell urteilen
(Ach er ist schon verloren, es steht doch nichts mehr hinter ihm!)
 
[Das habe ich schon Leute sagen hören.] [1927]
 
6
 
Ele descia a rua, o chapéu no pescoço!
Olhava cada homem nos olhos e assentia
Ele parava diante de cada vitrine
(E todos sabem que ele está perdido!)
 
Deviam ter ouvido como ele disse que ainda teria
Uma conversa séria com seu inimigo
O tom de seu senhorio não lhe agradava
A rua estaria mal varrida
(Seus amigos já desistiram dele!)
 
Mas ele quer ainda construir uma casa
Mas ele quer ainda consultar o travesseiro
Mas ele não quer julgar com precipitação
(Arre, ele já está perdido, não há mais nada atrás delel)
 
[Isso eu já ouvi pessoas dizerem.]
 
7
 
Reden Sie nichts von Gefahrl
In einem Tank kommen Sie nicht durch ein Kanalgitter:
Sie müssen schon aussteigen.
Ihren Teekocher lassen Sie am besten liegen
Sie müssen sehen, daß Sie selber durchkommen.
 
Geld müssen Sie eben haben
Ich frage Sie nicht, wo Sie es hernehmen
Aber ohne Geld brauchen Sie gar nicht abzufahren.
Und hier können Sie nicht bleiben, Mann,
Hier kennt man Sie.
Wenn ich Sie recht verstehe
Wollen Sie doch noch einige Beefsteaks essen
Bevor Sie das Rennen aufgeben!
 
Lassen Sie die Frau, wo sie ist!
Sie hat selber zwei Arme
Außerdem hat sie zwei Beine
(Die Sie nichts mehr angehen, Herrl)
Sehen Sie, daß Sie selber durchkommen!
 
Wenn Sie noch etwas sagen wollen, dann
Sagen Sie es mir, ich vergesse es.
Sie brauchen jetzt keine Haltung mehr zu bewahren:
Es ist niemand mehr da, der Ihnen zusieht.
Wenn Sie durchkommen
Haben Sie mehr getan als
Wozu ein Mensch verpflichtet ist.
 
Nichts zu danken. [1926]
 
7
 
Não fale nada sobre perigo!
Num tanque você não entra pela grade do bueiro:
Você tem que descer.
Melhor deixar sua máquina de chá no lugar
Você tem que ver como se sair dessa sozinho.

Você só tem que ter dinheiro
Não lhe pergunto de onde o tirou
Mas sem dinheiro você nem precisa partir.
E aqui você não pode ficar, homem.
Aqui você é conhecido.
Se bem o entendi
Você quer ainda comer alguns bifes
Antes de desistir da corrida!
 
Deixe a mulher onde ela está!
Ela mesma tem dois braços
Além disso, tem duas pernas
(Que não são mais da sua conta, Senhor!)
Veja como se sair dessa sozinho!
 
Se deseja ainda falar algo, então
Fale comigo, eu esqueço.
Não precisa mais manter a pose:
Não tem mais ninguém observando você.
Se você se sair dessa
Já fez mais do que
Uma pessoa está obrigada.
 
Nada a agradecer.
 
8
 
Laßt eure Träume fahren, daß man mit euch
Eine Ausnahme machen wird.
Was eure Mutter euch sagte
Das war unverbindlich.
 
Laßt euren Kontrakt in der Tasche
Er wird hier nicht eingehalten.
Laßt nur eure Hoffnungen fahren
Daß ihr zu Präsidenten ausersehen seid.
Aber legt euch ordentlich ins Zeug
Ihr müßt euch ganz anders zusammennehmen
Daß man euch in der Küche duldet.
 
Ihr müßt das ABC noch lernen.
Das ABC heißt:
Man wird mit euch fertig werden.
 
Denkt nur nicht nach, was ihr zu sagen habt:
Ihr werdet nicht gefragt.
Die Esser sind vollzählig
Was hier gebraucht wird, ist Hackfleisch.
 
Aber das soll euch
Nicht entmutigen! [1926]
 
8
 
Deixem seus sonhos conduzirem, que se faça
Com vocês uma exceção.
O que as suas mães lhes disseram
Não cria vínculo.
 
Deixem o contrato no bolso
Aqui ele não será cumprido.
Deixem apenas suas esperanças conduzirem
Pois vocês estão fadados a serem presidentes
Mas ponham-se direito na coisa
Vocês precisam se portar de outro modo
Para que sejam tolerados na cozinha.

Vocês precisam aprender ainda o ABC.
O ABC diz:
Eles vão acabar com vocês.
 
Só não pensem no que vocês tem a dizer:
Ninguém vai lhes perguntar.
Os comensais estão completos
O que se precisa aqui é de carne moída.
 
Mas isso não deve
Desencorajó-los!

9
 
VIER AUFFORDERUNGEN AN EINEN MANN VON VERSCHIEDENER
SEITE ZU VERSCHIEDENEN ZEITEN
 
Hier hast du ein Heim
Hier ist Platz für deine Sachen
Stelle die Möbel um nach deinem Geschmack
Sage, was du brauchst
Da ist der Schlüssel
Hier bleibe.
Es ist eine Stube da für uns alle
Und für dich ein Zimmer mit einem Bett
Du kannst mitarbeiten im Hof.
Du hast deinen eigenen Teller
Bleibe bei uns.
 
Hier ist deine Schlafstelle
Das Bett ist noch ganz frisch
Es lag erst ein Mann drin.
Wenn du heikel bist
Schwenke deinen Zinnlöffel in dem Bottich da
Dann ist er wie ein frischer
Bleibe ruhig bei uns.
 
Das ist die Kammer
Mach schnell, oder du kannst auch dableiben
 
Eine Nacht, aber das kostet extra.
Ich werde dich nicht stören
Obrigens bin ich nicht krank.
Du bist hier so gut aufgehoben wie woanders.
Du kannst also dableiben. [1926]
 
9
 
QUATRO SOLICITAÇÕES A UM HOMEM DE DIFERENTES PONTOS
EM DIFERENTES TEMPOS
 
Aqui você tem um lar
Aqui tem lugar para suas coisas
Arrume os móveis ao seu gosto
Diga o que precisa
Esta é a chave
Fique aqui.
Há uma mansarda para todos nós
E para você um quarto com uma cama
Você pode trabalhar no pátio
Você tem seu próprio prato
Fique conosco.
 
Este é seu lugar para dormir
A cama ainda está fria
Só um homem se deitou nela.
Se você é enjoado
Agite sua colher de lata ali na banheira
Assim ela ficará parecendo nova
Fique descansado com a gente.
 
Esse é o quartinho
Vá rápido, ou pode ficar of também

Uma noite, mas é um custo extra.
Não vou lhe incomodar
Aliás, não estou doente.
Você está em boas mãos aqui como em qualquer lugar.
Pode ficar então.
 
10
 
Wenn ich mit dir rede
Kalt und allgemein
Mit den trockensten Wörtern
Ohne dich anzublicken
(Ich erkenne dich scheinbar nicht
In deiner besonderen Artung und Schwierigkeit)
 
So rede ich doch nur
Wie die Wirklichkeit selber
(Die nüchterne, durch deine besondere Artung unbestechliche
Deiner Schwierigkeit überdrüssige)
Die du mir nicht zu erkennen scheinst. [1927]
 
10
 
Quando falo com você
Friamente e por alto
Com as palavras mais secas
Sem olhar para você
(Pelo visto não o reconheço
Em sua índole e dificuldade peculiares)
 
Então falo apenas
Como a própria realidade
(A sóbria, incorruptível pela sua índole
Enfastiada de sua dificuldade)
Que você não me parece reconhecer.
 
Blasphemie
 
Wenn es etwas gibt
Was du haben kannst für Geld
Dann nimm dir das Geld
Wenn einer vorüber geht und hat Geld
Schlage ihn auf den Kopf
Und nimm dir sein Geld
Du darfst es.
 
Willst du wohnen in einem Haus?
Gehe in ein Haus
Lege dich in ein Bett
Wenn die Frau herein kommt
Beherberge sie.
Wenn das Dach durchbricht, gehe weg.
Du darfst es.
 
Wenn es einen Gedanken gibt
De du nicht kennst
Denke den Gedanken
Kostet er dich Geld
Verlangt er dein Haus
Denke ihn, denke ihn.
Du darfst es.
 
Im Interesse der Ordnung
Zum Besten des Staates
Für die Zukunf der Menschheit
Zu deinem eigenem Wohlbefinden
Darfst du. [1927]
 
Blasfêmia
 
Se há alguma coisa
Que você pode ter por dinheiro
Tome então o dinheiro
Se alguém passar e tiver dinheiro
Bata-lhe na cabeça
E tome seu dinheiro
Isso você pode.
 
Você deseja morar numa casa?
Entre numa casa
E deite-se na cama
Se a mulher entrar
Abrigue-a.
Se o telhado desabar, dê o fora.
Isso você pode.
Se há um pensamento
Que você não conhece
Pense o pensamento
Se lhe custar dinheiro
Exigir sua casa
Pense-o, pense-o.
Isso você pode.
 
No interesse da ordem
Pro bem do Estado
Pelo futuro da humanidade
Pro seu próprio bem-estar
Você pode.


Ich höre gern meine Rechte aufzählen
Es ist mein Recht
Genug zu essen zu haben
(Mir mein Essen zu nehmen, ist nicht mein Recht)
 
Es ist ein Recht von mir
Unter einem Dach zu schlafen
Aber gibt es so viele Dächer?
Wie es Rechte gibt?
 
Es ist mein Recht
Gerechtigkeit zu bekommen
Eingeladen zu werden
Nicht zu kommen
Einen guten Anzug zu tragen
Einen schlechten zu tragen
 
Geld auszuleihen
Mir einen Tritt in den Hintern geben zu lassen
Ihnen die Wahrheit zu sagen
Die Wahrheit zu hören
 
Vor allem hätte ich doch wohl noch das Recht
Zu leben. [c. 1927]
 
 
Eu gosto de ouvir enumerarem meus direitos
É meu direito
Ter o suficiente pra comer
(Tirar a comida de mim não é meu direito)
 
É um direito meu
Dormir sob um teto
Mas há tanto teto assim?
Tanto quanto há direitos?
 
É meu direito
Rocaber justica
Ser convidado
Não ir
Trajar um bom terno
 
Trajar um ruim
Pedir dinheiro emprestado
Deixar alguém me dar um chute no traseiro
Dizer a verdade a você
Ouvir a verdade
 
Queria ter, acima de tudo, ainda o direito
De viver.
 
Aber wenn sie meine Ansicht kennenlernen
wollen, meine Herren
 
Meine Herrn, das kenne ich alles
Das ist für uns ein Hohn
Liebe, Tugend, Gesundheit
Und das Dümmste der Himmelslohn
Ja Himmel, das ist schön gesagt
Da können Sie von mir einen Tritt haben
Die Frage ist, wer friẞt wen
Sonst wird weiter nichts gefragt
Ein Mensch muß eben Appetit haben
Und dann muß es ohne Mühe gehn [1927]

Mas se quiserem conhecer meu ponto
de vista, Senhores
 
Senhores, sei disso tudo
É um insulto para nós
Amor, saúde, virtude
E o Reino dos Céus, que tolice atroz
Sim, Céu, bonito falar
Mas mando vocês praquele lugar
A questão é quem devora
Quem, sem mais perguntas: ora
Tem que ter apetite a pessoa
Pra que tudo corra numa boa

Die Seeräuber-Jenny oder Träume eines Küchenmädchens

Meine Herrn, heute sehn Sie mich Gläser abwaschen
Und ich mache das Bett für jeden
Und Sie geben mir einen Penny und ich bedanke mich schnell
Und Sie sehen meine Lumpen und dies lumpige Hotel
Und Sie wissen nicht, mit wem Sie reden.
Aber eines Abends wird ein Geschrei sein am Hafen.
Und man fragt: “Was ist das für ein Geschrei?
Und man wird mich lächeln sehn bei meinen Gläsern
Und man sagt: “Was löchelt die dabei?
Und ein Schiff mit acht Segeln
Und mit fünfzig Kanonen
Wird liegen am Kai.
 
Man sagt: “Geh, wisch deine Gläser, mein Kind
Und man reicht mir den Penny hin
Und der Penny wird genommen und das Bett wird gemacht
Es wird keiner mehr drin schlafen in dieser Nacht
Und sie wissen immer noch nicht, wer ich bin.
Aber eines Abends wird ein Getös sein am Hafen
Und man frogt: “Was ist das für ein Getös
Und man wird mich stehen sehn hinterm Fenster
Und man fragt: “Was lächelt die so bös?
Und das Schiff mit acht Segeln
Und mit fünfzig Kanonen
Wird beschießen die Stadt.
 
Meine Herren, da wird wohl ihr Lachen aufhörn
Denn die Mauern werden fallen hin
Und die Stadt wird gemacht dem Erdboden gleich
Nur ein lumpiges Hotel wird verschont von jedem Streich
Und man fragt: “Wer wohnt Besonderer darin?
Und in dieser Nacht wird ein Geschrei um das Hotel sein
Und man fragt: “Warum wird das Hotel verschont?
Und man wird mich sehen treten aus der Tür gen Morgen
Und man sagt: “Die hat darin gewohnt?
Und das Schiff mit acht Segeln
Und mit fünfzig Kanonen
Wird beflaggen den Mast.
 
Und es werden kommen Hundert gen Mittag an Land
Und werden in den Schatten treten
Und fangen einen jeglichen aus jeglicher Tür
Und legen in Ketten und bringen zu mir
Und fragen: “Welchen sollen wir töten?
Und an diesem Mittag wird es still sein am Hafen
Wenn man fragt, wer wohl sterben muß
Und dann werden sie mich sagen hören: “Alle!
Und wenn dann der Kopf fällt, sag ich: “Hoppla!
Und das Schiff mit acht Segeln
Und mit fünfzig Kanonen
Wird entschwinden mit mir. [1927]
 
Jenny Bucaneira ou Sonhos de uma ajudante de cozinha
 
Senhores, hoje vocês me veem lavando copos
E eu faço a cama de todo mundo
E vocês me dão um vintém e eu agradeço na hora
E vocês veem os meus trapos e este hotel imundo.
E vocês não sabem com quem jogam conversa fora.
Mas uma tarde vai ter gritaria no porto
E vão perguntar: “Essa gritaria quem faz?
E vão me ver rindo enquanto lavo os copos
E vão dizer: “Mas do que ela ri ali atrás?
E o navio com oito velas
E com cinquenta canhões
Atraca no cais.
 
Eles dizem: “Lava os teus copos, garota
E me oferecem mais um vintém
E o vintém é aceito e a cama é arrumado
Mas nesta noite não vai dormir ninguém
E de mim eles ainda não sabem nada.
Mas uma tarde vai ter alvoroço no porto
E vão perguntar: “Mas o que é esse alvoroço?
E vão me ver em pé, atrás das janelas
E vão perguntar: “Por que esse riso maldoso?
E o navio com oito velas
E com cinquenta canhões
Arrasa a cidade.
 
Senhores, aí o riso de vocês se acabe
Porque as muralhas vieram ao chão
E desmoronado ficou a cidade
Só um imundo hotel escapa ons firos de conhão
E vão perguntor: “More all ume celebridade?
E nesto noite voi ter gritario em voho do hotel
E vão perguntar, “Por que pouparam essa ruína?
E vão me ver saindo do hotel pela manhã
E vão falar: “Era ali que morava a menina?
E o navio com oito velas
E com cinquenta canhões
Desfroldo a bandeira.

E uns cem vão descer à terra ao meio-dia
E vão se esgueirar por entre as sombras
E aprisionar cada um de porta em porta
E vão trazer até mim ocorrentados
E vão perguntar: “Qual dessas gentinhas deve ser morto?
E nesse meio-dia emudece o porto
Quando se pergunta quem deve ser morto
E então eles vão me ouvir dizendo: “Todos!
E quando a cabeça cai, eu grito: “Hurra!
E o navio com oito velas
E com cinquenta canhões
Zarpa comigo.
 
Die Ballade vom Nein und Ja
 
Einst glaubte ich, als ich noch unschuldig war
Und das war ich einst grad so wie du 
Vielleicht kommt auch zu mir einmal einer
Und dann muß ich wissen, was ich tu.
Und wenn er Geld hat, und wenn er nett ist
Und sein Kragen ist auch werktags rein
Und wenn er weiß, was sich bei einer Dame schickt
Dann sage ich ihm: Nein!
Da behält man seinen Kopf oben
Und man bleibt ganz allgemein.
Sicher scheint der Mond die ganze Nacht
Sicher wird das Boot am Ufer losgemacht
Ja, aber weiter kann nichts sein.
Ja, da kann man sich doch nicht nur hinlegen
Ja, da muß man kalt und herzlos sein
Ja, da könnte doch viel geschehen
Ach, da gibt's überhaupt nur: Nein!
 
Der erste, der kam, war ein Mann aus Kent
Der war, wie ein Mann sein soll.
Der zweite hatte drei Schiffe im Hafen
Und der dritte war nach mir toll.
Und als sie Geld hatten und als sie nett waren
Und ihr Kragen war auch werktags rein

Und als sie wußten, was sich bei einer Dame schickt
Da sagte ich ihnen: Nein.
Da behielt ich meinen Kopf oben
Und ich blieb ganz allgemein.
Sicher schien der Mond die ganze Nacht
Sicher ward das Boot am Ufer losgemacht
Ja, aber weiter konnte nichts sein.
Ja, da kann man sich doch nicht nur hinlegen,
ja, da mußt' ich kalt und herzlos sein.
Ja, da könnte doch viel geschehen
Aber da gibt's überhaupt nur: Nein!
 
Jedoch eines Tages, und der Tag war blau
Kam einer, der mich nicht bat
Und er hängte seinen Hut an den Nagel in meiner Kammer
Und ich wußte nicht was ich tat.
Und als er kein Geld hatte, und als er nicht nett war,
Und sein Kragen war auch am Sonntag nicht rein
Und als er nicht wußte, was sich bei einer Dame schickt
Zu ihm sagte ich nicht: Nein.
Da behielt ich meinen Kopf nicht oben
Und ich blieb nicht allgemein.
Ach, es schien der Mond die ganze Nacht
Und es ward das Boot am Ufer festgemacht
Und es konnte gar nicht anders sein.
Ja, da muß man sich doch einfach hinlegen
Ja, da kann man doch nicht kalt und herzlos sein.
Ach, da mußte soviel geschehen
Ja da gab's überhaupt kein Nein! [1927]
 
Balada do sim e não
 
Acreditava, quando eu era pura
Sim, isso eu fui assim como você 
Que se talvez também me viesse um
Teria que saber o que fazer.
Se ele é gentil e for cheio da grana
Conserva o colarinho branco na semana
Sabe tratar uma dama com educação
Então lhe digo: nãol
Depois espicho o colo
E sigo o protocolo.
É claro, a lua brilha a noite inteira.
É claro, o barco fica ali na beira.
Sim, porém não tem prorrogação.
Sim, não pode apenas se deitar
Sim, nada de abrir o coração
Sim, sabe-se lá o que vai rolar
Ah, aí só pode ser um: não!
 
O primeiro que veio era de Kent
Era tal qual um homem deve ser
O segundo possuia três navios
O terceiro gamou de enlouquecer.
E como são gentis, cheios da grana
Conservam o colarinho branco na semana

Sabem tratar uma dama com educação
Então lhes disse: não.
Espichei depois o colo
E segui o protocolo.
É claro, a lua brilha a noite inteira.
É claro, o barco fica ali na beira.
Sim, porém não tem prorrogação.
Sim, não pode apenas se deitar
Sim, nada de abrir o coração
Sim, sabe-se lá o que vai rolar
Ah, aí só pode ser um: não!
 
Mas um dia, e o dia estava azul
Veio um que nada me pedia
Pendurou seu chapéu num prego do meu quarto
E eu não sabia mais o que eu fazia.
Mas como é descortês e não tem grana
Seu colarinho é sujo até em fim-de-semana
Nunca tratou uma dama com educação
A ele, eu não disse: não.
Não espichei depois o colo
E nem segui o protocolo.
Ah, a lua brilhou a noite inteira
O barco ficou preso ali na beira.
Mas de outra forma não deu, não
Sim, aí basta apenas se deitar
Sim, aí tem que abrir o coração
Ah, aí tanta coisa vai rolar
Sim, aí não teve nenhum não!

700 Intellektuelle beten einen Öltank an
 
1
Ohne Einladung
Sind wir gekommen
700 (und viele sind noch unterwegs)
Überall her, wo kein Wind mehr weht
Von den Mühlen, die langsam mahlen, und
Von den Ofen, hinter denen es heißt
 
2
Daß kein Hund mehr vorkommt
Und haben dich gesehen
Plötzlich über Nacht
Öltank.
 
3
Gestern warst du noch nicht da
Aber heute
Bist nur du mehr.
 
4
Eilet herbei, alle!
Die ihr absägt den Ast, auf dem ihr sitzet
Werktätigel
Gott ist wiedergekommen
In Gestalt eines Öltanks.
 
5
Du Häßlicher
Du bist der Schönste!
Tue uns Gewalt an
Du Sachlicher!
Lösche aus unser Ich!
Mache uns kollektivl
Denn nicht, wie wir wollen
Sondern wie du willst.
 
6
Du bist nicht gemacht aus Elfenbein
Und Ebenholz, sondern aus
Eisen.
Herrlich! Herrlich! Herrlich!
Du Unscheinbarer!
 
7
Du bist kein Unsichtbarer
Nicht unendlich bist dul
Sondern sieben Meter hoch.
In dir ist kein Geheimnis
Sondern Öl.
Und du verfährst mit uns
Nicht noch Gutdünken noch unerforschlich
Sondern nach Berechnung.
 
Was ist für dich ein Gras?
Du sitzest darauf.
Wo ehedem ein Gras war
Da sitzest jetzt Du, Oltank!
Und vor Dir ist ein Gefühl
Nichts.
 
9 
Darum erhöre uns
Und erlöse uns von dem Übel des Geistes
Im Namen der Elektrifizierung
Des Fordschrift und der Statistik. [1927]

700 intelectuais rezam a um tanque de petróleo
 
1
Sem convite
Nós viemos
700 (e muitos estão ainda a caminho)
De todo lugar onde não venta mais
Dos moinhos que moem devagar, e
Dos fornos, atrás dos quais, se diz
Que nenhum cão aparece mais
 
2
E súbito avistamos você
À noite, tanque de
Petróleo.

3
Ontem você não estava ainda aí
Mas hoje
Só você é mais.
 
4
Depressa, venham todos!
Vocês que serram o galho em que estão sentados
Trabalhadores!
Deus voltou na forma de um
Tanque de petróleo.

5
Você, o feio
É o mais bonito!
Violente-nos
Você, tão objetivol
Apague o nosso eul
Torne-nos coletivos!
Seja feita: não a nossa
Mas a sua vontade.
 
Você não é feito de marfim
E ébano, mas de
Ferro.
Forte! Forte! Forte!
Você, imperceptivel!
 
7
Você não é nenhum invisível
E infinito você não é
Você tem sete metros de altura.
Em você não há mistério
Mas petróleo.
E você não nos trata
Com capricho ou despropósito
Mas com cálculo.
 
8
O que é para você a relva?
Você está sentado nela.
Onde antes havia relva
Lá está você, tanque de petróleo
E diante de você um sentimento é
Nada.

9
Por isso escute-nos
E livre-nos do mal do espírito
Em nome da fordificação
Do dieselvolvimento e da estatística.
SEALIM
221

Morgenchoral für Jedermann
 
Wach auf, du verrotteter Christ!
Mach dich an dein sündiges Leben
Zeig, was für ein Schurke du bist
Der Herr wird es dir dann schon geben.
 
Verkauf deinen Bruder, du Schuft!
Verschacher dein Ehweib, du Wicht!
Der Herrgott, für dich ist er Luft?
Er zeigt dir's beim jüngsten Gericht! [1928]

Coral matutino para um qualquer
 
Ei, cristão enferrujado, acordal
Gás na tua vida de pecado
Mostra a tua classe de calhorda
O teu troco, Deus já pôs de lado!
 
Vende o teu irmão, seu mau-caráter!
Vai, leiloa a esposa, sacripanta!
Achas que o Senhor apenas late
No Juízo Final, Ele te janta!
 
Grabschrift 1919
 
Die rote Rosa nun auch verschwand.
Wo sie liegt, ist unbekannt.
Weil sie den Armen die Wahrheit gesagt
Haben die Reichen sie aus der Welt gejagt. [1929]
 
Epitafio 1919
 
Rosa, a vermelha, se foi também.
Onde jaz, não sabe ninguém.
Falou a verdade aos pobres, por isso
Os ricos do mundo lhe deram sumiço.
 
Gründungssong der National Deposit Bank
 
Nicht wahr, eine Bank zu gründen
Muß doch jeder richtig finden
Kann man schon sein Geld nicht erben
Muß man's irgendwie erwerben.
Dazu sind doch Aktien besser
Als Revolver oder Messer
Nur das eine ist fatal 
Man braucht Anfangskapital.
Wenn die Gelder aber fehlen
Woher nehmen, wenn nicht stehlen?
Ach, wir wolln uns da nicht zanken
Woher habens die andern Banken
Irgendwoher ists gekommen
Irgendwem haben sie's genommen. [1930]

Funk de fundação do Banco Nacional de Depósitos
 
Fundar um banco é um projeto
Que ninguém acha incorreto
Quem não for rico de herança
Tem que lidar com finança.
Bem melhor comprar ações
Que revólveres e facões
Mas tem algo que é fatal
Para início  o capital.
Se, contudo, falta grana
Que fazer? A gente afana.
Ademais, sejamos francos
De onde a arrancam os outros bancos?
Se o dinheiro vem de um lado
De algum bolso foi tirado.

Paragraph 1
 
1
Die Staatsgewalt geht vom Volke aus
– Aber wo geht sie hin?
Ja, wo geht sie wohl hin?
Irgendwo geht die doch hin!
Der Polizist geht aus dem Haus.
– Aber wo geht er hin?
usw.
 
2
Seht, jetzt marschiert das große Trumm.
 Aber wo marschiert es hin?
Ja, wo marschiert es hin?
Irgendwo marschiert das doch hin!
Jetzt schwenkt es um das Haus herum.
– Aber wo schwenkt es hin?
usw.
 
3
Die Staatsgewalt macht plötzlich halt.
Da sieht sie etwas stehn.
– Was sieht sie denn da stehn?
Da sieht sie etwas stehn.
Und plötzlich schreit die Staatsgewalt
Sie schreit: Auseinandergehn!
– Warum auseinandergehen?
Sie schreit: Auseinandergehen!
 
4
Da steht so etwas zusammengeballt
Und etwas fragt: warum?
Warum fragt es denn warum?
Da fragt so was warum!
Da schießt natürlich die Staatsgewalt
Und da fällt so etwas um.
Was fällt denn da so um?
Warum fällt es denn gleich um?
 
5
Die Staatsgewalt sieht: da liegt was im Kot.
Irgendwas liegt im Kot!
Was liegt denn da im Kot?
Da liegt etwas, das ist mausetot.
Aber das ist ja das Volk!
Ist das denn wirklich das Volk?
Ja, das ist wirklich das Volk. [1930]
 
Parágafo 1
 
1
O poder do Estado vem do povo
Mas ele vai para onde?
Sim, para onde é que vai?
Para algum lugar ele vai!
O policial sai da casa.
-Mas ele vai para onde?
etc.
 
2
Vejam, agora marcha a grande turba.
– Mas ela marcha para onde?
Sim, para onde é que marcha?
Para algum lugar ela marcha!
Agora vira ao redor da casa.
– Mas ela vira para onde?
etc.

3
O poder do Estado súbito para.
Ele vê que algo está ali.
– O que ele vê que está ali?
Ele vê que algo está ali.
E súbito o poder do Estado grita
Ele grita: Debandar!
 Debandar por quê?
Ele grita: Debandar!
 
4
Algo está se aglomerando ali
E algo pergunta: por quê?
Por que é que pergunta por quê?
Algo pergunta por quê!
E, claro, o poder do Estado atira
E algo cai ali no chão.
O que cai ali no chão?
Por que é que cai logo no chão?

5
O poder do Estado vê: algo está na merda.
Alguma coisa está na merda!
O que que está na merda?
Algo está lá, mortinho da silva.
Ora, mas é o povo!
Será que é mesmo o povo?
Sim, é mesmo o povo.

Das Lied vom SA-Mann
 
Als mir der Magen knurrte, schlief ich
Vor Hunger ein.
Da hört ich sie ins Ohr mir
Deutschland erwache! schrein.
 
Da sah ich viele marschieren
Sie sagten: ins dritte Reich.
Ich hatte nichts zu verlieren
Ich lief mit, wohin war mir gleich.
 
Als ich marschierte, marschierte
Neben mir ein dicker Bauch
Und als ich Brot und Arbeit schrie
Da schrie der Dicke das auch.
 
Der Staf hatte hohe Stiefel
Ich lief mit nassen Füßen mit
Und wir marschierten beide
In gleichem Schritt und Tritt.
 
Ich wollte nach links marschieren
Nach rechts marschierte er
Da ließ ich mich kommandieren
Und lief blind hinterher.
 
Und die da Hunger hatten
Marschierten matt und bleich
Zusammen mit den Satten
In irgendein drittes Reich.
 
Sie gaben mir einen Revolver
Sie sagten: Schieß auf unsern Feind!
Und als ich auf ihren Feind schoß
Da war mein Bruder gemeint.
 
Jetzt weiß ich: drüben steht mein Bruder.
Der Hunger ist's, der uns eint
Und ich marschiere, marschiere
Mit seinem und meinem Feind.
 
So stirbt mir jetzt mein Bruder
Ich schlacht' ihn selber hin
Und weiß nicht, daß, wenn er besiegt ist
Ich selber verloren bin. [1931]
 
A canção do homem da SA
 
O estômago ronca, adormeci
Com uma fome tamanha.
Quando soa em meu ouvido
Um grito: Acorda, Alemanha!
 
Então vi muitos em linha
Marchando: ao Terceiro Reich
Dizem. Como eu nada tinha
A perder, como de praxe
 
Marchei com eles. Quando gritei
Bem alto Trabalho e pão!
Um barrigudo também
Esgoelou o meu refrão.
 
Com botas de cano longo
Eles marcham, e eu descalço
No molhado, mas me ponho
A marchar no mesmo passo.
 
Para esquerda, certa feita
Quis marchar, mas esse assunto
Não discutem e pra direita
Foram. E às cegas eu fui junto.

Quem estava bem magrinho
Pálido gritava marche!
Entre os fartos, a caminho
Desse tal Terceiro Reich.
 
E me deram um revólver
E disseram: Mete bala
No inimigo! Mas é do
Meu irmão que a gente fala.
 
Nossa fome, sei agora
Nos irmana. E pelo breu
Vou marchando rua afora
Com o inimigo dele e o meu.
 
Assim morre o meu irmão
Minha mão é que o estraçalha.
Derrotando-o, não sabia então:
Me perdi nessa batalha.

Lob des Kommunismus
 
Er ist vernünftig, jeder versteht ihn. Er ist leicht.
Du bist doch kein Ausbeuter, du kannst ihn begreifen.
Er ist gut für dich, erkundige dich nach ihm.
Die Dummköpfe nennen ihn dumm, und die Schmutzigen
nennen ihn schmutzig.
Er ist gegen den Schmutz und gegen die Dummheit.
Die Ausbeuter nennen ihn ein Verbrechen
Wir aber wissen:
Er ist das Ende der Verbrechen.
Er ist keine Tollheit, sondern
Das Ende der Tollheit.
Er ist nicht das Rätsel
Sondern die Lösung.
Er ist das Einfache
Das schwer zu machen ist. [c. 1931]
 
Elogio do comunismo
 
Ele é inteligível, todos o entendem. Ele é fácil.
Você não é um explorador, você pode compreendê-lo.
Ele é bom para você, informe-se sobre ele.
Os burros o chamam de burro, e os sujos
O chamam de sujo.
Ele é contra a sujeira e contra a burrice.
Os exploradores o chamam de crime
Mas nós sabemos:
Ele é o fim dos crimes.
Ele não é nenhuma idiotice, mas
O fim da idiotice.
Ele não é o enigma
Mas a solução.
Ele é o simples
Que é difícil de fazer.
 
Von allen Werken
 
Von allen Werken, die liebsten
Sind mir die gebrauchten.
Die Kupfergefäße mit den Beulen und den abgeplatteten Rändern
Die Messer und Gabeln, deren Holzgriffe
Abgegriffen sind von vielen Händen: solche Formen
Schienen mir die edelsten. So auch die Steinfliesen um alte Häuser
Welche niedergetreten sind von vielen Füßen, abgeschliffen
Und zwischen denen Grasbüschel wachsen, das
Sind glückliche Werke.
 
Eingegangen in den Gebrauch der vielen
Oftmals verändert, verbessern sie ihre Gestalt und werden Köstlich
Weil oftmals gekostet.
Selbst die Bruchstücke von Plastiken
Mit ihren abgehauenen Händen liebe ich. Auch sie
Lebten mir. Wenn auch fallen gelassen, wurden sie doch getragen.
Wenn auch überrannt, standen sie doch nicht zu hoch.
Die halbzerfallenen Bauwerke
Haben wieder das Aussehen von noch nicht vollendeten
Groß geplanten: ihre schönen Maße
Sind schon zu ahnen; sie bedürfen aber
Noch unseres Verständnisses. Anderseits
Haben sie schon gedient, ja, sind schon überwunden. Dies alles
Beglückt mich. [1932]
 
De todas as coisas
 
De todas as coisas, as mais queridas
Por mim são as usadas.
As vasilhas de cobre com amassos e bordas achatadas
As facas e garfos com seus cabos de madeira
Degradados por tantas mãos: essas formas
Me pareciam as mais nobres. Também os pisos de pedra ao redor
De casas antigas, pisoteados por tantos pés, desgastados
E por entre os quais nascem tufos de capim, isso
São coisas felizes.
 
Levadas para o uso de muitos
Alteradas amiúde, aprimoram sua forma e se tornam deleitosas
Porque deleitadas amiúde.
Até os fragmentos de esculturas
Com suas mãos decepadas eu adoro. Eles também
Viveram para mim. Ainda que derrubados, foram carregados.
Ainda que atropelados, não se ergueram alto demais.
As edificações semidestruídas
Têm de novo a feição da inacabada grandeza
Planejada: suas belas medidas
Já são perceptíveis; precisam, porém
De nossa compreensão. Por outro lado
Já serviram, sim, já foram superadas. Isso tudo
Me agrada.

Lob der dialektik
 
Das Unrecht geht heute einher mit sicherem Schritt.
Die Unterdrücker richten sich ein auf zehntausend Jahre.
Die Gewalt versichert: So, wie es ist, bleibt es.
Keine Stimme ertönt außer der Stimme der Herrschenden.
Und auf den Märkten sagt die Ausbeutung laut:
Jetzt beginne ich erst.
Aber von den Unterdrückten sagen viele jetzt:
Was wir wollen, geht niemals.
 
Wer noch lebt, sage nicht: niemals!
Das Sichere ist nicht sicher.
So, wie es ist, bleibt es nicht.
Wenn die Herrschenden gesprochen haben
Werden die Beherrschten sprechen.
Wer wagt zu sagen: niemals?
An wem liegt es, wenn die Unterdrückung bleibt? An uns.
An wem liegt es, wenn sie zerbrochen wird?
Ebenfalls an uns.
Wer niedergeschlagen wird, der erhebe sich!
Wer verloren ist, kämpfe!
Wer seine Lage erkannt hat, wie soll der aufzuhalten sein?
Denn die Besiegten von heute sind die Sieger von morgen
Und aus Niemals wird: Heute noch! [c. 1932]
 
Elogio da dialética
 
A injustiça avança hoje a passos firmes.
Os opressores se preparam para dez mil anos.
A violência assegura: assim como está, vai ficar.
Nenhuma voz ressoa, exceto a dos governantes.
E nos mercados a exploração diz alto:
Agora é que eu começo.
Mas entre os oprimidos muitos dizem agora:
O que queremos, nunca dá.
 
Quem ainda vive, não diz: nunca!
O seguro não está seguro.
Assim como está, não vai ficar.
Quando os governantes tiverem falado
Os governados hão de falar.
Quem se atreve a dizer: nunca?
De quem é a culpa, se a opressão perdura? Nossa.
De quem é a culpa, se ela for destruída?
Também nossa.
Quem for derrotado que se levante!
Quem está perdido, lute!
Quem reconheceu sua situação, como haverá de ser detido?
Os vencidos de hoje hão de ser os vencedores de amanhã
E do nunca se faz: ainda hoje!
 
3. SVENDBORG [1933-1939] 

Das Lied vom Anstreicher Hitler
 
Der Anstreicher Hitler
Sagte: Liebe Leute, laßt mich ranl
Und er nahm einen Kübel frische Tünche
Und strich das deutsche Haus neu an. 
Das ganze deutsche Haus neu an.
 
Der Anstreicher Hitler
Sagte: Diesen Neubau hat's im Nu!
Und die Löcher und die Risse und die Sprünge
Das strich er einfach alles zu.
Die ganze Scheiße strich er zu.
 
O Anstreicher Hitler
Warum warst du kein Maurer? Dein Haus
Wenn die Tünche in den Regen kommt
Kommt der Dreck drunter wieder raus.
Kommt das ganze Scheißhaus wieder raus.
 
Der Anstreicher Hitler
Hatte bis auf Farbe nichts studiert
Und als man ihn nun eben ranließ
Da hat er alles angeschmiert.
Ganz Deutschland hat er angeschmiert. [1933]
 
Canção do pintor de paredes Hitler
 
Hitler, o pintor de paredes
Disse: Povo, deixa eu dar uma mão!
Pegou um balde de cal e deixou
Novo em folha o lar alemão.
Renovado o lar alemão.
 
Hitler, o pintor de paredes
Disse: Prédios novos pego pra já!
As rachaduras e frinchas e furos
Sem mais ele pôs-se a pintar.
Toda a merda pôs-se a pintar.
 
Ei, Hitler, pintor de paredes
Por que você não é pedreiro? Ora
Sempre que chove e respinga na cal
A imundície de baixo aflora.
A merda inteira vem pra fora.

Hitler, o pintor de paredes
Jamais estudou nada além de tinta.
Quando o deixaram mostrar seu talento
A nossa Alemanha ele pinta
Numa cor marrom indistinta.
 
Außenpolitischen Ballade
 
Und es sprach der Anstreicher Hitler:
Jetzt haben wir Deutschland geeint
Und jetzt müssen wir nur mehr sorgen
Daß wir sonst haben keinen Feind.
 
Und er schlug die Arbeiter nieder
Und begann sein Friedenswerk
Und schickte sogleich nach England
Seinen Duzfreund Rosenberg.
 
Der konnte kein Englisch sprechen
Er hatte es nicht gelernt
Vier Tage verstand er die Engländer nicht
Und dann hat er sich wieder entfernt.
 
Und er sprach zu seinem Freund Hitler:
Was ist das für ein Stuß
Daß, um England ind den Arsch zu kriechen
Man englisch sprechen muß? [1933]
 
Balada da política externa
 
O pintor de paredes Hitler
Falou: o povo está unido
Melhor nos preocupar agora
Em deixar de ter inimigo.
 
Os operários subjugou
E um plano de paz foi feito
E ele enviou à Inglaterra
Rosenberg, amigo do peito.
 
Mas este não sabia inglês
E com os ingleses durante
Quatro dias não se entendeu
E voltou, achando um displante.
 
E disse a seu amigo Hitler:
Ora, pra lamber o colhão
Da Inglaterra não basta ter
Na ponta da língua o alemão?!

3. SVENDBORG [1933-1939] 
 
An die Kämpfer in den Konzentrationslagern
 
Kaum Erreichbare, ihr!
In den Konzentrationslagern begraben
Abgeschnitten von jedem menschlichen Wort
Unterworfen den Miẞhandlungen
Niedergeknüppelte, aber
Nicht Widerlegte!
Verschwundene, aber
Nicht Vergessene!
 
Hören wir wenig von euch, so hören wir doch: ihr seid
Unverbesserbar.
Unbelehrbar, heißt es, seid ihr der proletarischen Sache ergeben
Unabbringbar davon, daß es immer noch in Deutschland
Zweierlei Menschen gibt: Ausbeuter und Ausgebeutete
Und daß nur der Klassenkampf
Die Menschenmassen der Städte und des Landes aus
dem Elend befreien kann.
Nicht durch Stockschläge, noch durch Aufhängen, hören wir, seid ihr
So weit zu bringen, zu sagen, daß
Zwei mal zwei jetzt fünf ist.
 
Also seid ihr
Verschwunden, aber
Nicht vergessen
Niedergeknüppelt, aber
Nicht widerlegt
Zusammen mit allen unverbesserbar Weiterkämpfenden
Unbelehrbar auf der Wahrheit Beharrenden
Weiterhin die wahren
Führer Deutschlands. [1933]
 
Aos combatentes nos campos de concentração
 
Quase inacessíveis, vocês!
Nos campos de concentração enterrados
Apartados de qualquer palavra humana
Submetidos aos maus-tratos
Espancados, mas
Não refutados!
Desaparecidos, mas
Não esquecidos!
 
Pouco escutamos de vocês, mas escutamos: vocês são
Imelhoráveis.
Inensináveis, diz-se, entregues à causa proletária
Irremovíveis disso, porquanto na Alemanha ainda
Há dois tipos de pessoas: explorador e explorado
E somente a luta de classes
Pode livrar as massas humanas da miséria
Na cidade e no campo.
Nem por meio de porretes nem por meio de forcas ouvimos
Que vocês estão prestes a dizer que
Dois mais dois são cinco.
 
Por isso vocês estão
Desaparecidos, mas
Não esquecidos!
Espancados, mas
Não refutados
Com todos os que seguem lutando, imelhoráveis
Inensináveis, perseverando na verdade
Os verdadeiros Führers
Da Alemanha.

In finsterer Zeit
 
Blutigster Unterdrückung
Geht die Wahrheit über das Land
In löchrigen Schuhen
Geht sie mitten durch die Verfolgung.
 
Der Knüppel sagt: es sind alle satt
Die Pistole schwört: hier friert keiner
Aber sieben mal weggescheucht
Kehrt der Verfolgte zu seinesgleichen zurück
Und verbreitet die Wahrheit.
 
Von der Oberfläche weggescheucht
Berät ohne Unterlaß
Der Untergrund.
 
Freilich
Kleiner werden die Kader. Es sinken Boten dahin
Nicht abgeholt wird die Nachricht.
Es gerät in Vergessenheit der Treffpunkt.
Die Folterung öffnet die Münder nicht
Aber der Mord schließt sie. [c. 1933]
 
Em tempos sombrios
 
De opressão mais sanguinária
A verdade anda pelo país
Com sapatos furados
Caminha em meio à perseguição.
 
O porrete diz: estão todos saciados
A pistola jura: ninguém morre de frio
Mas sete vezes escorraçado
O perseguido volta para os seus
E difunde a verdade.
 
Escorraçado da superfície
Aconselha sem trégua
O subterrâneo.
 
Claro
Os quadros encolhem. Os mensageiros escoceam
Não é recolhida a mensagem.
Cai em esquecimento o ponto de encontro.
A tortura não faz as bocas se abrirem
Mas o assassinio as fecha.
 
Verlust eines wertvollen Menschen
 
Du hast eines wertvollen Menschen verloren.
Daß er von dir ging, ist kein Beweis
Daß er nicht wertvoll ist. Gib zu:
Du hast eines wertvollen Menschen verloren.
 
Du hast eines wertvollen Menschen verloren.
Er ging von dir, weil du einer guten Sache dienst
Und er ging zu einer nichtigen. Und dennoch, gib zu:
Du hast eines wertvollen Menschen verloren. [c. 1933]
 
Perda de uma pessoa valiosa
 
Você perdeu uma pessoa de valor.
Que ela se foi não é nenhuma prova
De que não tinha valor. Reconheça:
Você perdeu uma pessoa de valor.
 
Você perdeu uma pessoa de valor.
Foi-se, pois você serve a uma causa boa
E ela foi para uma ruim. Mas reconheça:
Você perdeu uma pessoa de valor.

Gegen die Objektiven
1
Wenn die Bekämpfer des Unrechts
Ihre verwundeten Gesichter zeigen
Ist die Ungeduld derer, die in Sicherheit waren
Groß. 
 
2
Warum beschwert ihr euch, fragen sie
Ihr habt das Unrecht bekämpft! Jetzt
Hat es euch besiegt: schweigt also!
 
3
Wer kämpft, sagen sie, muß verlieren können
Wer Streit sucht, begibt sich in Gefahr
Wer mit Gewalt vorgeht
Darf die Gewalt nicht beschuldigen.
 
4
Ach, Freunde, die ihr gesichert seid
Warum so feindlich? Sind wir
Eure Feinde, die wir Feinde des Unrechts sind?
Wenn die Kämpfer gegen das Unrecht besiegt sind
Hat das Unrecht doch nicht recht!
 
5
Unsere Niederlagen nämlich
Beweisen nichts, als daß wir zu
Wenige sind
Die gegen die Gemeinheit kämpfen
Und von den Zuschauern erwarten wir
Daß sie wenigstens beschämt sind! [c. 1933]
 
Contra os imparciais
 
1
Quando os que combatem a injustiça
Mostram suas faces machucadas
A impaciência dos que estavam em segurança
É grande.
 
2
Por que vocês reclamam, eles perguntam
Vocês combateram a injustiça!
Ela venceu: calem-se, portanto!
 
3
Quem luta, dizem, tem que saber perder
Quem procura briga, põe-se em perigo
Quem procede com violência
Não pode a violência recriminar.
 
4
Ah, amigos que estão em segurança
Por que tanta inimizade? Então somos
Inimigos, nós, os inimigos da injustiça?
Se os que combatem a injustiça são vencidos
Não deixa a injustiça de ser injustal
 
5
Ora, as nossa derrotas
Apenas comprovam que somos
Muito poucos
Os que combatem a maldade
E dos espectadores esperamos
Que ao menos se envergonhem!

Über die Bedeutung des zehnzeiligen Gedichts
in der 888. Nummer der Fackel (Oktober 1933)
 
Als das Dritte Reich gegründet war
Kam von dem Beredten nur eine kleine Botschaft.
In einem zehnzeiligen Gedicht
Erhob sich seine Stimme, einzig um zu klagen
Daß sie nicht ausreiche.
 
Wenn die Greuel ein bestimmtes Maß erreicht haben
Gehen die Beispiele aus.
Die Untaten vermehren sich
Und die Weherufe verstummen.
Die Verbrechen gehen frech auf die Straße
Und spotten laut der Beschreibung.
 
Dem, der gewürgt wird
Bleibt das Wort im Halse stecken.
Stille breitet sich aus und von weitem
Erscheint sie als Bewilligung.
Der Sieg der Gewalt
Scheint vollständig.
 
Nur noch die verstümmelten Körper
Melden, daß da Verbrecher gehaust haben.
Nur noch über den verwüsteten Wohnstätten die Stille
Zeigt die Untat an.
 
Ist der Kampf also beendet?
Kann die Untat vergessen werden?
Können die Ermordeten verscharrt und die Zeugen geknebelt werden?
 
Kann das Unrecht siegen, obwohl es das Unrecht ist?
Die Untat kann vergessen werden.
Die Ermordeten können verscharrt und die Zeugen können geknebelt werden.
 
Das Unrecht kann siegen, obwohl es das Unrecht ist.
Die Unterdrückung setzt sich zu Tisch und greift nach dem Mahl Mit den blutigen Händen.
 
Aber die das Essen heranschleppen
Vergessen nicht das Gewicht der Brote; und ihr Hunger bohrt noch
Wenn das Wort Hunger verboten ist.
 
Wer Hunger gesagt hat, liegt erschlagen.
Wer Unterdrückung rief, liegt geknebelt.
Aber die Zinsenden vergessen den Wucher nicht.
Aber die Unterdrückten vergessen nicht den Fuß in ihrem Nacken.
Ehe die Gewalt ihr äußerstes Maß erreicht hat
Beginnt aufs neue der Widerstand.
 
Als der Beredte sich entschuldigte
Daß seine Stimme versage
Trat das Schweigen vor den Richtertisch
Nahm das Tuch vom Antlitz und
Gab sich zu erkennen als Zeuge. [1933]
 
Sobre o significado do poema de dez versos
no 888o número de O Archote (outubro 1933)
 
Quando o Terceiro Reich foi fundado
Veio do Loquaz apenas uma pequena mensagem.
Num poema de dez versos
Sua voz elevou-se só para lamentar
Que ela não bastava.
 
Quando o horror atinge um certo nível
Os exemplos se acabam.
Os crimes se multiplicam
E os clamores se calam.
A contravenção desfila atrevida pela rua
E debocha alto do relato.
 
Quem é estrangulado
Fica com a palavra presa na garganta.
O silêncio se alastra e de longe
Assemelha-se a uma licença.
O triunfo da força
Parece completo.
 
Somente os corpos mutilados ainda
Avisam que os criminosos moraram ali.
Somente nas moradias devastadas o silêncio ainda
Denuncia o crime.
 
Então a luta terminou?
Pode o crime ser esquecido?
Os assassinados podem ser enterrados e as testemunhas amordaçadas?
 
A injustiça pode vencer, apesar de ser injustiça?
O crime pode ser esquecido.
Os assassinados podem ser enterrados e as testemunhas amordaçadas.
 
A injustiça pode vencer, embora seja a injustiça.
A opressão se senta à mesa e agarra a refeição
Com mãos ensanguentadas.

Mas os que carregam a comida
Não esquecem o peso dos pães; e a fome deles persiste ainda
Que a palavra fome esteja proibida.
 
Quem disse fome, foi trucidado.
Quem clamou opressão, foi amordaçado.
Mas os endividados não esquecem os agiotas.
Mas os oprimidos não esquecem os pés em suas costas.
Antes que a força atinja o seu extremo
A resistência começa de novo.
 
Quando o Loquaz se desculpou
De que sua voz falhara
O silêncio se apresentou ao juiz
Tirou a toalha de seu rosto e
Declarou-se testemunha.
 
Über den schnellen Fall des guten Unwissenden
 
Als wir den Beredten seines Schweigens wegen entschuldigt hatten
Verging zwischen der Niederschrift des Lobs und seiner Ankunft
Eine kleine Zeit. In der sprach er.
 
Er zeugte aber gegen die, deren Mund verbunden war
Und brach den Stab über die, welche getötet waren.
Er rühmte die Mörder. Er beschuldigte die Ermordeten.
Den Hungernden zählte er die Brotkrusten nach, die sie erbeutet hatten.
Den Frierenden erzählte er von der Arktis.
Denen, die mit den Stöcken der Pfaffen geprügelt wurden
Drohte er mit den Stahlruten des Anstreichers.
So bewies er
Wie wenig Güte hilft, die sich nicht auskennt
Und wie wenig der Wunsch vermag, die Wahrheit zu sagen
Bei dem, der sie nicht weiß.
Der da auszog gegen die Unterdrückung, selber satt
Wenn es zur Schlacht kommt, steht er
Auf der Seite der Unterdrücker.
 
Wie unsicher ist die Hilfe derer, die unwissend sind!
Der Augenschein täuscht sie. Dem Zufall anheimgegeben
Steht ihr guter Wille auf schwankenden Beinen.
 
Welch eine Zeit, sagten wir schaudernd
Wo der Gutwillige, aber Unwissende
Noch nicht die kleine Zeit warten kann mit der Untat
Bis das Lob seiner guten Tat ihn erreicht!
So daß der Ruhm, den Reinen suchend
Schon niemand mehr findet über dem Schlamm
Wenn er keuchend ankommt. [1934]
 
Sobre a queda rápida do bom desinformado
 
Ao desculparmos o Loquaz por seu silêncio
Transcorreu entre a escrita do elogio e sua chegada
Um pequeno tempo. No qual ele falou.
 
Ele testemunhou contra os que tinham suas bocas unidas
E quebrou o bastão sobre os que foram mortos.
Enalteceu os assassinos. Culpou os assassinados.
Enumerou as migalhas que os famintos amealharam.
Falou sobre o Ártico aos que morriam de frio.
Os que foram espancados com o cajado dos padres
Ameaçou com o porrete de aço do pintor de paredes.
Assim comprovou
O quão pouco ajuda a bondade que não se entende
E quão pouco alcança a vontade de dizer a verdade
Em quem não a conhece.
Aquele que irrompeu contra a opressão, saciado de si
Quando a batalha vem, encontra-se
Do lado do opressor.
 
Quão insegura é a ajuda dos que são desinformados!
A aparência os ludibria. À mercê do acaso
Sua boa vontade está com as pernas bambas.
 
Que tempos, dissemos estremecidos
Em que o homem de boa vontade, mas desinformado
Não pode esperar com sua transgressão o pequeno
Tempo para receber o elogio de sua ação!
De modo que a fama à procura do puro
Não encontra ninguém sobre a lama
Quando chega resfolegando.

Wer belehrt den Lehrer?
 
Ich bin Lehrer
Aber wer belehrt mich?
Wie soll ich wissen, was sie gelehrt haben wollen?
Ich bin guten Willens, bereit, alles zu lehren
Den Schlächtern gebührt Ehre
Aber doch nicht allen Schlächtern?
Welchen zum Beispiel nicht? Vielleicht
Bin ich schon verloren: ich habe
Den Führer nur einen Heiligen genannt.
Ich tue alles, aber
Ich bin ein Mensch und kann irren. [1934]
 
Quem ensina o professor?
 
Sou professor
Mas com quem vou aprender?
Como vou saber o que querem que ensine?
De bom grado me disponho a tudo ensinar
Os carniceiros devem ser prestigiados
Mas nem todos os carniceiros?
Quais, por exemplo, não? Quem sabe
Eu já esteja perdido: chamei
O Führer apenas de santo.
Faço tudo, contudo
Sou humano e posso errar.
 
Die Medea von Lodz
 
Da ist eine Märe
Von einer Frau, Medea genannt
Die kam vor tausend Jahren
An einen fremden Strand.
Der Mann, der sie liebte
Brachte sie dorthin.
Er sagte: du bist zu Hause
Wo ich zu Hause bin.
 
Sie sprach eine anderer Sprache
Als die Leute dort
Für Milch und Brot und Liebe
Hatten sie ein anderes Wort.
Sie hatte andere Haare
Und ein anderes Gehn
Ist nie dort heimisch geworden
Wurde scheel angesehn.
 
Wie es mit ihr gegangen
Erzählt der Euripides
Seine mächtigen Chöre singen
Von einem vergilbten Prozeß.
 
Nur der Wind geht noch über die Trümmer
Der ungastlichen Stadt
Und Staub sind die Stein, mit denen
Sie die Fremde gesteinigt hat.
 
Da hören wir mit einem
Mal jetzt die Rede gehn
Es würden in unseren Städten
Von neuen Medeen gesehn.
Zwischen Tram und Auto und Hochbahn
Wird das alte Geschrei geschrien
1934
In unserer Stadt Berlin. [1934]

A Medeia de Lodz
 
Este é o mito de Medeia
Mulher que desembarcou
Há mil anos numa praia
Estrangeira por amor.
O homem que se enamorou
Dela e a levou pra lá
Disse: aonde quer que eu for
O meu lar será teu lar.
 
A língua que ela falava
Era estranha: para amor
Leite e pão, outras palavras
Usava. No corte e cor
Do cabelo e na maneira
Como andava ela diferia
E por isso com maus olhos
A população lhe via.
 
O que aconteceu com ela
Foi narrado por Euripedes
E seus coros poderosos
Entoaram o sucedido.

Só o vento ainda erra
Pela inóspita cidade
E viraram pó as pedras
Com que estranhos lapidava.
 
Mas ouvimos um rumor
(Não sabemos se é verdade)
Que novas Medeias foram
Vistas em nossas cidades.
Entre bondes, trens e carros
Gritam seu grito primal
1934
Em Berlim, a capital.

Ulm 1592
 
Bischof, ich kann fliegen
Sagte der Schneider zum Bischof.
Paß auf, wie ich's mach!
Und er stieg mit so 'nen Dingen
Die aussahn wie Schwingen
Auf das große, große Kirchendach.
Der Bischof ging weiter.
Das sind lauter so Lügen
Der Mensch ist kein Vogel
Es wird nie ein Mensch fliegen
Sagte der Bischof vom Schneider.
 
Der Schneider ist verschieden
Sagten die Leute dem Bischof.
Es war eine Hatz.
Seine Flügel sind zerspellet
Und er liegt zerschellet
Auf dem harten, harten Kirchenplatz.
Die Glocken sollen läuten
Es waren nichts als Lügen
Der Mensch ist kein Vogel
Es wird nie ein Mensch fliegen
Sagte der Bischof den Leuten. [1934]

Ulm 1592
 
Bispo, voar eu sei que posso
Disse o alfaiate ao bispo.
Veja sól E com um troço
A um par de asas parecido
Sobe ao mais alto local
Da alta, alta catedral.
Mas o bispo nem deu trela
E se foi. Que disparate!
O homem não é passarinho
Nunca vai sair do chão
Disse o bispo do alfaiate.
 
O alfaiate passou dessa
Pra melhor, disseram ao bispo.
Foi um grande rebuliço.
O par de asas se rompeu
E ele jaz espatifado
Sobre o duro, duro adro.
Logo soa o carrilhão:
Não passou de um disparate
O homem não é passarinho
Nunca vai sair do chão
Disse o bispo à multidão. 
 
Es war einmal ein Rabe
Ein schlauer alter Knabe
Dem sagte ein Kanari, der
In einem Käfig sang: schau her
Von Kunst
Hast du keinen Dunst.
Der Rabe sagte ärgerlich:
Wenn du nicht singen könntest
Wärst du so frei wie ich. [1934]
 
Era uma vez uma gralha-
-azul, sagaz e grisalha.
Um canarinho gabola
Que cantava na gaiola
Disse-lhe: da arte
Você não faz parte.
Brava, a gralha respondeu:
Se você não soubesse cantar
Seria tão livre quanto eu.

Den Hungernden, der dir
Das letzte Brot wegnimmt, siehst du als Feind an.
Aber dem Dieb, der nie gehungert hat
Springst du nicht an die Gurgel. [c. 1934]
 
O faminto que leva
Teu último pão tu vês como inimigo.
Mas no pescoço do ladrão que nunca
Passou fome tu não pulas.

Aber aus dem Montag wird der Dienstag
Er beginnt am Montag.
Aus dem Heute wird das Morgen und das Morgen fängt heute an.
Da ist keine Grenze.
 
Wo die Grenzpfähle laufen, da ist keine Wand. Die Grenzpfähle
Sind zum Herumtragen.
Die da schweigen zu den Schreien de Gequälten
Werden selber schreien und nicht gehört werden. [c. 1934]
 
Mas da segunda-feira virá a terça
Ela inicia na segunda.
Do hoje virá o amanhã e o amanhã começa hoje.
Aí não há fronteira.
 
Onde correm os marcos de fronteira, aí não há parede. Os marcos
De fronteira são transportáveis.
Os que se calam ante os gritos dos torturados
Hão de gritar eles próprios sem serem ouvidos.
 
Seht ihr nicht, daß ihr zu viele seid?
 
Als der Anstreicher kam, hat er euch versprochen
Daß da keiner mehr herumlaufen soll
Der nicht seinen Schweiß vergießen darf.
 
Viele bereiten jetzt den Krieg vor
So sind sie von der Straße.
Aber da sind immer noch viele, die zuviel sind.
 
Im Krieg
Werden sie beschäftigt werden.
Nach dem Krieg
Werden sie nicht mehr da sein. [c. 1934]

Vocês não veem que estão sobrando?
 
Quando o pintor de paredes veio, prometeu
Que ninguém mais iria perambular
Que não pudesse dar o seu suor.
 
Muitos agora preparam a guerra
E por isso estão longe das ruas.
Mas ainda há muitos que estão sobrando.
 
Na guerra
Vão receber ocupação.
Depois da guerra
Não estarão mais aí.
 
Fragen eines lesenden Arbeiters
 
Wer baute das siebentorige Theben?
In den Büchern stehen die Namen von Königen.
Haben die Könige die Felsbrocken herbeigeschleppt?
Und das mehrmals zerstörte Babylon
Wer baute es so viele Male auf ? In welchen Häusern
Des goldstrahlenden Lima wohnten die Bauleute?
Wohin gingen an dem Abend, wo die chinesische Mauer fertig war
Die Maurer? Das große Rom
Ist voll von Triumphbögen. Wer errichtete sie? Über wen
Triumphierten die Cäsaren? Hatte das vielbesungene Byzanz
Nur Paläste für seine Bewohner? Selbst in dem sagenhaften Atlantis
Brüllten doch in der Nacht, wo das Meer es verschlang
Die Ersaufenden nach ihren Sklaven.
 
Der junge Alexander eroberte Indien.
Er allein?
Cäsar schlug die Gallier.
Hatte er nicht wenigstens einen Koch bei sich?
Philipp von Spanien weinte, als seine Flotte
Untergegangen war. Weinte sonst niemand?
Friedrich der Zweite siegte im Siebenjährigen Krieg. Wer
Siegte außer ihm?
 
Jede Seite ein Sieg.
Wer kochte den Siegesschmaus?
Alle zehn Jahre ein großer Mann.
Wer bezahlte die Spesen?
 
So viele Berichte
So viele Fragen. [1935]
 
Perguntas de um trabalhador que lê
 
Quem construiu a Tebas de sete portas?
Nos livros estão os nomes dos reis.
Foram os reis que arrastaram os blocos de pedra?
E a mais de uma vez destruída Babilônia
Quem a construiu tantas vezes? Em que casas
Da ouro-radiante Lima residiam os peões de obra?
Para onde foram, na noite em que a muralha da China ficou
Pronta, os pedreiros? A grande Roma
Está repleta de arcos de triunfo. Quem os erigiu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? Tinha a tão decantada Bizâncio
Palácios só para seus moradores? Mesmo na lendária Atlântida
Na noite em que o mar a tragou, gritavam por seus
Escravos os que se afogavam.
 
O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Ele sozinho?
César subjugou os gauleses.
Não tinha ao menos um cozinheiro ao seu lado?
Felipe de Espanha chorou quando sua frota
Afundou. Não chorou mais ninguém?
Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos. Quem
Além dele, venceu?
 
Cada página uma vitória.
Quem preparou o festim da vitória?
Cada década um grande homem.
Quem pagou a conta?
 
Tantos relatos
Tantas perguntas.

Gedanken eines Revuemädchen während
des Entkleidungsaktes
 
Mein Los ist es, auf dieser queren Erde
Der Kunst zu dienen als die letzte Magd
Auf daß den Herrn ein Glück bescheret werde
Doch wenn ihr fragt
 
Was ich wohl fühle, wenn ich mich entblöße
In schönen schlauen Griffen und des Lichts
Der goldenen Lampen teilhaft, als Stripptöse
Antwort ich: nichts.
 
Es geht auf zwölf. Ich komm zu spät zum Bus.
Der Käse ist im andern Laden besser.
Die Dicke sagt, sie geht jetzt in den Fluß
Er hat ein Messer.
 
Halbvoll. Am Samstag! Heut wird's wieder zwölfe.
Mehr lächeln. Diese Luft ist ein Skandal.
Halt's Maul da vorn, ich zeig sie dir schon. Wölfe.
Wie ich die Miete zahl..?
 
Milchabbestellen hab ich auch vergessen.
Den Hintern aber zeig ich heute nicht.
Ein bißchen schwenken muß ich ihn. Das Essen
Im Gelben Hund ist so, daß man's erbricht. [1935]
 
Pensamentos de uma corista durante
o ato de se despir
 
Meu destino é servir, no mundo torto
A arte como última empregada
Que ao patrão dá de prenda algum conforto.
No entanto, cada
 
Vez que perguntam o que eu sinto quando
Lânguida à luz da lâmpada dourada
No estripetise, vou me desnudando
Respondo: nada.
 
Deu meia-noite. O ônibus saiu?
Ali vende o melhor queijo de vaca.
A gorda diz que agora vai pro rio.
O homem tem uma faca.
 
Que sábado minguado... E não termina.
Sorrir mais. Esse ar faz um estrago.
Calem seus bicos, aves de rapina!
O aluguel, como eu pago?
 
Cancelei o leiteiro? Hoje não quero
Mostrar o meu traseiro. Mas preciso
Sacudi-lo. A comida no Cão Amarelo
Basta comer pra vomitar no piso.
 
Das Grabmal des unbekannten Soldaten der Revolution
 
Der unbekannte Soldat der Revolution ist gefallen.
Ich sah sein Grabmal im Traum.
 
Es lag in einem Moor. Es bestand aus zwei Feldsteinen.
Es trug keine Inschrift. Aber der eine Stein
Fing an zu reden.
 
Der hier liegt, sagte er, marschierte
Nicht um eine fremdes Land zu erobern, sondern
Das seine. Sein Name
Ist nicht bekannt, aber die Geschichtsbücher
Nennen die Namen derer, die ihn besiegten.

Weil er leben wollte wie ein Mensch
Wurde er erschlagen wie ein wildes Tier.

Seine Letzten Worte waren ein Flüstern
Denn sie kamen aus einer gewürgten Kehle, aber
Der kalte Wind trug es überallhin
Zu viele Frierenden. [c. 1935]

O túmulo do soldado desconhecido da Revolução
 
O soldado desconhecido da revolução tombou.
Eu vi seu túmulo num sonho.
 
Ficava num pântano. Consistia de duas rochas.
Não havia inscrição. Mas uma das rochas
Se pôs a falar.
 
Quem jaz aqui, disse, não marchou
Para conquistar uma terra estrangeira, mas
A sua própria. Seu nome
Não é conhecido, mas os livros de história
Citam os nomes daqueles que o derrotaram.
 
Porque queria viver como ser humano
Foi morto como um animal selvagem.
 
Suas últimas palavras foram um sussurro
Porque saíram da garganta estrangulada, mas
O vento cortante as carregou a todo lugar
Para muitos que congelavam no frio.

Die nicht zu vergessende Nacht
 
Der Himmel über mir in der nicht zu vergessende Nacht
War hell genug. Der Stuhl, auf dem ich saß
War bequem genug. Das Gespräch
War leicht genug. Das Getränk
War scharf
genug.
Und weich genug
War dein Arm, Mädchen, in der
Nicht zu vergessende Nacht. [c. 1935]
 
A noite que não dá para esquecer
 
O céu sobre mim na noite que não dá para esquecer
Estava claro o bastante. A cadeira na qual me sentei
Estava cômoda o bastante. A conversa
Estava afável o bastante. A bebida
Estava forte o bastante. E macio o bastante
Estava teu braço, menina, na
Noite que não dá para esquecer. 

Auf ein Stadion
 
Dieses Stadion, erbaut
Aus dem Volk gestohlenen Geldern
Soll dienen
Der Ertüchtigung der Mörder
Schneller laufen
Sollen die Diebe
Höher springen die
Denen der Boden zu heiß unter den Füßen geworden ist [1936]
 
Num estádio
 
Este estádio, erguido
Com dinheiro roubado ao povo
Deverá servir
Para treinamento dos sicários
Correr mais rápido
Deverão os bandidos
Saltar mais alto
Aqueles que agora estão pisando em brasa 

Es ist nacht.
 
Die Ehepaare
Legen sich in die Betten. Die jungen Frauen
Werden Waisen gebären. [1936]
 
É de noite.
Os casais
Deitam-se nas camas. As mulheres jovens
Darão à luz órfãos.
  
Auf der Mauer stand mit Kreide:
Sie wollen den Krieg.
Der es geschrieben hat
Ist schon gefallen.
 
Wenn es zum Marschieren kommt, wissen viele nicht
Daß ihr Feind an ihrer Spitze marschiert.
Die Stimme, die sie kommandiert
Ist die Stimme ihres Feindes.
 
Der da vom Feind spricht
Ist selber der Feind.
 
In der Schlacht
Haben sie den Feind im Rücken.
Vor ihnen stehen ihresgleichen
Die ihren Feind auch im Rücken haben. [1936]


Riscado no muro com giz:
Eles querem a guerra.
Quem escreveu isso
Já tombou em combate.
 
Na hora de marchar, muitos não sabem
Que o seu inimigo marcha à frente.
A voz que os comanda
É a voz do inimigo.
 
Aquele que fala do inimigo
É ele próprio o inimigo.
 
Em meio à batalha
Eles, com o inimigo vindo atrás.
Diante deles, estão os seus iguais
Também com o inimigo vindo atrás.
 
Wenn das bleibt, was ist
Seid ihr verloren.
Euer Freund ist der Wandel
Euer Kampfgefährte ist der Zwiespalt.
Aus dem Nichts
Müst ihr etwas machen. Aber das Großmächtige
Soll zunichte werden.
Was ihr habt, das gebt auf, und nehmt euch
Was euch verweigert wird. [c. 1936]
 
Se o que está perdura
Estais perdidos.
Vossa amiga é a mudança.
Vosso irmão de armas, a discórdia.
Do nada tereis
De fazer algo. Mas o grão-senhor
Deve ser aniquilado.
Do que tendes, abri mão, e tomai
O que vos é negado.

Lied des Kin-Jeh über den enthaltsamen Kanzler
 
Ich habe gehört, der Kanzler trinkt nicht
Er iẞt kein Fleisch und er raucht nicht
Und er wohnt in einer kleinen Wohnung.
Aber ich habe auch gehört, die Armen
Hungern und verkommen im Elend.
Wieviel besser wäre da doch ein Staat, wo es hieße:
Der Kanzler sitz betrunken im Kabinettsrat
Dem Rauch ihrer Pfeifen nachsend, ändern
Einige Ungelehrte die Gesetze
Arme gibt es nicht. [c. 1936-1937]
 
Canção de Kin-jeh sobre o chanceler abstêmio

Ouvi dizer que o chanceler não bebe
Que ele não come carne e não fuma
E mora numa casa pequena.
Porém, ouvi também que os pobres passam
Fome e padecem na miséria.
Seria bem melhor um Estado em que se dissesse:
Estando o chanceler bêbado na sala ministerial
Contemplando a fumaça dos cachimbos
Alguns iletrados alteram a lei
Não existe pobre.
 
Das Waschen
C. N.
Als ich dir vor Jahren zeigte
Wie du dich waschen solltest in der Frühe
Mit Eisstückchen im Wasser
Des kleinen kupfernenKessels
Das Gesicht eintauchend, die Augen offen
Beim Abtrocknen mit dem rauhen Tuch
Vom Blatt an der Wand die schwere Zeilen
Der Rolle lesend, sagte ich:
Das tust du für dich und tue es
Vorbildlich.
 
Jetzt höre ich, du sollst im Gefängnis sein.
Die Briefe, die ich für dich schrieb
Blieben unbeantwortet. Die Freunde, die ich für dich anging
Schweigen. Ich kann nichts für dich tun. Wie
Mag dein Morgen sein? Wirst du noch etwas tun für dich?
Hoffnungsvoll und verantwortlich
Mit guten Bewegungen, vorbildlichen? [1937]
 
A lavagem 
C. N. 
Quando há tempos te mostrei
Como devias te lavar de manhã
Com cubinhos de gelo
Da pequena bacia de cobre
Imergindo o teu rosto, os olhos abertos
E ao te enxugar com a toalha áspera
Lendo da página na parede as árduas
Linhas do teu papel, te disse:
Isso fazes para ti e faze-o
Exemplarmente.
 
Agora ouço que estarias no cárcere.
As cartas que te escrevi ficaram
Sem resposta. Os amigos a quem por ti recorri
Calaram-se. Nada posso fazer por ti. Como
Será teu amanhã Hás de fazer ainda algo por ti?
Cheia de esperança e responsável
Com bons movimentos, exemplares?

Notwendigkeit der Propaganda
 
1
Es ist möglich, daß in unserem Land nicht alles so geht, wie es gehen solite.
Aber niemand kann bezweifeln, daß die Propaganda gut ist.
Selbst Hungernde müssen zugeben
Daß der Minister für Ernährung gut redet.
 
2
Als das Regime an einem einzigen Tage
Tausend Menschen erschlagen ließ, ohne
Untersuchung noch Gerichtsurteil
Pries der Propagandaminister die unendliche Geduld des Führers
Der mit der Schlächterei so lange gewartet
Und die Schurken mit Gütern und Ehrenstellen überhäuft hatte
In einer so meisterlichen Rede, daß
An diesem Toge nicht nur die Verwandten der Opfer
Sondern auch die Schlächter selber weinten.
 
3
Und als an einem andern Tage das größte Luftschiff des Reiches
In Flammen aufging, weil man es mit entzündbarem Gas gefüllt hatte
Um das nicht entzündbare für Kriegszwecke zu sparen
Versprach der Luftfahrtminister vor den Särgen der Umgekommenen
Daß er sich nicht werde entmutigen lassen, worauf
Sich lauter Beifall erhob. Selbst aus den Särgen
Soll Händeklatschen gekommen sein.
 
4
Und wie meisterhaft ist die Propaganda
Für den Abfall und für das Buch des Führers!
Jedermann wird dazu gebracht, das Buch des Führers aufzulesen
Wo immer es herumliegt.
Um das Lumpensammeln zu propagieren, hat der gewaltige Göring
Sich als den größten Lumpensammler aller Zeiten erklärt und
Um die Lumpen unterzubringen, mitten in der Reichshauptstadt
Einen Palast gebaut
Der selber so groß wie eine Stadt ist
 
5
Ein guter Propagandist
Macht aus einem Misthaufen einen Ausflugsort.
Wenn kein Fett da ist, beweist er
Daß eine schlanke Taille jeden Mann verschönt.
Tausende, die ihn von den Autostraßen reden hören
Freuen sich, als ob sie Autos hätten.
Auf die Gröber der Verhungerten und Gefallenen
Pflanzt er Lorbeerbüsche. Aber lange bevor es soweit war
Sprach er vom Frieden, wenn die Kanonen vorbeirollten.
 
6
Nur durch vortreffliche Propaganda gelang es
Millionen davon zu überzeugen
Daß der Aufbau der Wehrmacht ein Werk des Friedens bedeutet
Jeder neue Tank eine Friedenstaube ist
Und jedes neue Regiment ein neuer Beweis
Der Friedensliebe.
 
7
Allerdings: vermögen gute Reden auch viel
So vermögen sie doch nicht alles. Manchen
Hat man schon sagen hören: schade
Daß das Wort Fleisch allein noch nicht sättigt, und schade
Daß das Wort Anzug so wenig warm hält.
Wenn der Planminister eine Lobrede auf das neue Edelgespinst hält
Darf es nicht dabei regnen, sonst
Stehen seine Zuhörer im Hemd da.
 
8 
Und noch etwas macht ein wenig bedenklich
Über den Zweck der Propaganda: je mehr es in unserem Land Propaganda
Desto weniger gibt es sonst. [1937]
 
Necessidade da propaganda
 
1
É possível que no nosso país nem tudo ande como deveria andar.
Mas ninguém pode duvidar de que a propaganda é boa
Até os famintos precisam reconhecer
Que o ministro da Alimentação fala bem.
 
2
Quando o regime mandou num único dia
Trucidar milhares de pessoas, sem
Inquérito nem sentença judicial
O ministro da Propaganda elogiou a infinita paciência do Führer
Que tanto tempo esperou pela carnificina
E cumulou os canalhas com bens e postos de honra
 Num discurso tão magistral, que
Nesse dia não só os parentes das vítimas
Como até mesmo os algozes choraram.
 
3
E quando num outro dia o maior dirigível do Reich
Se consumiu em chamas porque o encheram com gás inflamável
De modo a economizar o não inflamável para fins militares
O ministro da Aviação prometeu diante dos caixões dos mortos
Que não iria se deixar abater, no que
Arrancou aplausos efusivos. Até de dentro dos caixões
Dizem que as palmas retumbaram.
 
4
E que primorosa é a propaganda
Para o lixo e para o livro do Führer!
Qualquer um é levado a ler o livro do Führer
Onde quer que este se encontre jogado.
Para difundir a catação de trapos, o poderoso Göring
Declarou-se o maior catador de trapos de todos os tempos e
Para abrigar os trapos, construiu no meio da capital do Reich
Um palácio que é
Ele próprio tão grande quanto uma cidade.
 
5
Um bom propagandista
Faz de um monte de estrume um lugar de passeio.
Quando não há gordura, ele demonstra
Que uma compleição magra nos embeleza.
Milhares que o escutam discursar sobre rodovias
Alegram-se como se possuíssem automóveis.
Nos túmulos dos que tombaram ou morreram de fome
Ele planta loureiros. Mas bem antes de se chegar a isso
Falava da paz quando os canhões desfilavam ao lado
 
6
Somente através de uma propaganda excepcional
Foi possível convencer milhões
De que o incremento das forças armadas assinalova uma obra de paz
Que cada novo tanque era uma pombinho do paz
E cada novo regimento, uma nova demonstração
De amor à paz.
 
7
Todavia: ainda que se alcance muito com bons discursos
Não se alcança tudo. Escutou-se
Muitos dizerem: que pena
Que a palavra carne não sacie por si só, e pena
Que a palavra roupa aqueça tão pouco.
Quando o ministro do Planejamento tece loas ao valioso novo fio têxtil
Não pode chover, senão
Os ouvintes vão ser pegos de calças curtas.
 
8
E mais uma coisa nos deixa apreensivos
Sobre os propósitos da propaganda: quanto mais propaganda há
No nosso país, menos há no resto do mundo.
 
Über die Bezeichnung Emigranten
 
Immer fand ich den Namen falsch, den man uns gab: Emigranten.
Das heißt doch Auswanderer. Aber wir
Wanderten doch nicht aus, nach freiem Entschluß
Wählend ein anderes Land. Wanderten wir doch auch nicht
Ein in ein Land, dort zu bleiben, womöglich für immer.
Sondern wir flohen. Vertriebene sind wir, Verbannte.
Und kein Heim, ein Exil soll das Land sein, das uns da aufnahm.
Unruhig sitzen wir so, möglichst nahe den Grenzen
Wartend des Tags der Rückkehr, jede kleinste Veränderung
Jenseits der Grenze beobachtend, jeden Ankömmling
Eifrig befragend, nichts vergessend und nichts aufgebend
Und auch verzeihend nichts, was geschah, nichts verzeihend.
Ach, die Stille der Sunde täuscht uns nicht! Wir hören die Schreie
Aus ihren Lagern bis hierher. Sind wir doch selber
Fast wie Gerüchte von Untaten, die da entkamen
Über die Grenzen. Jeder von uns
Der mit zerrissenen Schuhn durch die Menge geht
Zeugt von der Schande, die jetzt unser Land befleckt.
Aber keiner von uns
Wird hier bleiben. Das letzte Wort
Ist noch nicht gesprochen. [1937]
 
Sobre a designação de emigrantes
 
Sempre achei errado o nome que nos deram: emigrantes.
Isso quer dizer retirantes. Mas nós
Não nos retiramos por livre decisão
Escolhendo um outro país. Tampouco nos retiramos
Para um país a fim de ali ficar, quem sabe para sempre.
Mas fugimos. Fomos expulsos, expatriados.
E não um lar, um exílio há de ser o país que nos acolhe.
Quedamos inquietos, o mais próximo possível da fronteira
Esperando o dia do regresso, observando a menor
Mudança no outro lado da fronteira, interrogando com ânsia
Cada recém chegado, não esquecendo nada, não entregando
Nada, não perdoando nada que se passou e nada perdoando.
Ah, não nos ilude o silêncio dos estreitos! Ouvimos os gritos
Que vêm dos campos de concentração. E não somos nós mesmos
Quase como rumores de crimes que escaparam através
Da fronteira. Cada um de nós
Que caminha com sapatos rotos por entre a multidão
Dá testemunho da vergonha que agora enxovalha a nosso terra.
Mas nenhum de nós
Vai ficar aqui. A última palavra
Ainda não foi falada.
 
Letztes Liebeslied
 
Als die Kerze ausgebrannt war
Blieb uns nur ein kalter Stumpen
Als der Weg zu End gerannt war
Schimpften wir uns wie zwei Lumpen.
Beatrize war gestellet
Spitzel wurde ihr Begleiter
Tatbestand ward aufgehellet
Statt der Schwüre floß der Eiter.
Alle Himmel aufzureißen
Nur dem Haß wurd's zum Gewinne
Hinz und Kunz, die großen Weisen
Wußten dies von Anbeginne. [c. 1937]
 
Última canção de amor
 
Quando a vela se apagou, somente
Nos restava uma bituca fria
Quando a estrada terminou, a gente
Feito dois vadios se ofendia.
Beatriz caiu: o delator
Ainda lhe fazia companhia
Crime elucidado com rigor
Pus, ao invés de juras, escorria.
Trespassar o céu de cabo a rabo
Deu apenas ódio como prêmio
Mas o Zé Povinho, grande sábio
Já sabia disso no proêmio.

So wie der Mensch der Steinzeit
Taumelnd sich aufhob
In den finsteren Wäldern
 
Das Gehirn erfüllt von dunklen Bildern, schwankenden
In großem Hunger
 
Seinen mühsamen Weg begann
Oft ermattend
Vielfach getäuscht
Unvernünftig zornig
Unvernünftig milde
 
Die Hast seiner Feinde nicht kennend
Seinen Weg nicht wissend
Immer wieder niedergestreckt
Von den grausamen Schlägen unbekannter Mächter
Regungslos liegend lange Zeit
Wieder aufstand
Aus Mut oder aus Furcht [c. 1937-1938]
 
Assim como o homem da idade da pedra
Levantou-se trôpego
Nas florestas sombrias
 
O cérebro cheio de imagens escuras, cambaleando
Com fome enorme
 
Iniciou seu caminho árduo
Não raro definhando
Muitas vezes iludido
Desrazoadamente irado
Desrazoadamente manso
 
Desconhecendo o ímpeto de seus inimigos
Sem saber o seu caminho
 
Constantemente derrubado
Pelos golpes cruéis de forças ocultas
Prostrado inerte um longo tempo
Para se levantar de novo
Por coragem ou temor
 
Die Oberen sagen: Frieden und Krieg
Sind aus verschiedenem Stoff.
Aber ihr Frieden und ihr Krieg
Sind wie Wind und Sturm.
 
Der Krieg wächst aus ihrem Frieden
Wie der Sohn aus der Mutter
Er trägt
Ihre schrecklichen Züge.
 
Ihr Krieg tötet nur
Was ihr Frieden
Obriggelassen hat. [1938]
 
Os de cima dizem: paz e guerra
São feitas de matéria distinta.
Mas a paz e a guerra deles
São como vento e tempestade.
 
A guerra nasce da paz deles
Como da mãe o filho
Ele traz
As terríveis feições dela.
 
A guerra deles só
Mata o que a paz deles
Deixou de pé.

Legende von der Entstehung des Buches Taoteking
auf dem Weg des Laotse in die Emigration
 
1
Als er siebzig war und war gebrechlich
drängte es den Lehrer doch nach Ruh
denn die Güte war im Lande wieder einmal schwächlich
und die Bosheit nahm an Kräften wieder einmal zu
und er gürtete den Schuh.
 
2
Und er packte ein, was er so brauchte:
Wenig. Doch es wurde dies und das.
So die Pfeife, die er abends immer rauchte
und das Büchlein, das er immer las.
Weißbrot nach dem Augenmaß.
 
3
Freute sich des Tals noch einmal und vergaß es
Als er ins Gebirg den Weg einschlug.
Und sein Ochse freute sich des frischen Grases
kauend, während er den Alten trug.
Denn dem ging es schnell genug.
 
4
Doch am vierten Tag im Felsgesteine
hat ein Zöllner ihm den Weg verwehrt:
„Kostbarkeiten zu verzollen?“ — „Keine.
Und der Knabe, der den Ochsen führte, sprach: „Er hat gelehrt.
Und so war auch das erklärt.
 
5
Doch der Mann in einer heitren Regung
fragte noch: „Hat er was rausgekriegt?
Sprach der Knabe: „Daß das weiche Wasser in Bewegung
Mit der Zeit den harten Stein besiegt.
Du verstehst, das Harte unterliegt.
 
6
Daß er nicht das letzte Tageslicht verlöre
Trieb der Knabe nun den Ochsen an.
Und die drei verschwanden schon um eine schwarze Föhre
Da kam plötzlich Fahrt in unsern Mann
Und er schrie: „He dul Halt an!
 
7
Was ist das mit diesem Wasser, Alter?
Hielt der Alte: Intressiert es dich?
Sprach der Mann: „Ich bin nur Zollverwalter
Doch wer wen besiegt, das intressiert auch mich.
Wenn du's weißt, dann sprichl
 
8
Schreib mir's auf! Diktier es diesem Kindel
So was nimmt man doch nicht mit sich fort.
Da gibt's doch Papier bei uns und Tinte
und ein Nachtmahl gibt es auch: ich wohne dort.
Nun, ist das ein Wort?
 
9
Über seine Schulter sah der Alte
Auf den Mann: Flickjoppe, keine Schuh.
Und die Stirne eine einzige Falte.
Ach, kein Sieger trat da auf ihn zu.
Und er murmelte: „Auch Du?"
 
10
Eine höfliche Bitte abzuschlagen
War der Alte, wie es schien, zu alt.
Denn er sagte lout: „Die etwas fragen,
Die verdienen Antwort. Sprach der Knabe: „Es wird auch schon kalt.
„Gut, ein kleiner Aufenthalt.
 
11
Und von seinem Ochsen stieg der Weise
Sieben Tage schrieben sie zu zweit.
Und der Zöllner brachte Essen (und er fluchte nur noch leise
Mit den Schmugglern in der ganzen Zeit.)
Und dann war's soweit.
 
12
Und dem Zöllner händigte der Knabe
Eines Morgens einundachtzig Sprüche ein.
Und mit Dank für eine kleine Reisegabe
Bogen sie um jene Föhre ins Gestein.
Sagt jetzt: kann man höflicher sein?
 
13
Aber rühmen wir nicht nur den Weisen
Dessen Name auf dem Buche prangt!
Denn man muß dem Weisen seine Weisheit erst entreißen.
Darum sei der Zöllner auch bedankt:
Er hat sie ihm abverlangt. [1938]
 
 
Lenda da origem do livro Tao-te king
no caminho de Lao-Tsé para a emigração
 
1
Aos setenta anos, frágil de saúde
Ansiava o mestre por lugar pacato
Pois o bem enfraquecera e a força rude
Se expandia no país com espalhafato.
E amarrou o seu sapato.
 
2
No alforje ele pôs o que costuma
Usar: muito pouco. E mais um quê.
O cachimbo que à noite ele fuma
O livrinho que ele sempre lê
E pão branco pra comer.
 
3
Viu o vale alegremente e foi
Dele se esquecendo enquanto ia
Subindo a montanha no seu boi 
O frescor da relva, que alegria
Pro animal, quando comia.
 
4
Mas no quarto dia, no penhasco um
Guarda alfandegário bloqueou
A passagem: Bens a declarar? — Nenhum.
O rapaz que conduzia o boi falou: É professor.
E assim tudo se explicou.
 
5
Todavia, com desenvoltura
O homem perguntou: O que tirou do ofício?
Disse o rapaz: Que água mole em pedra dura
Tanto bate até que fura. E nisso
Torna o rijo submisso.
 
6
Para não perder a luz do dia
O garoto toca o boi adiante
Mas o trio mal se distancia
Deu em nosso homem um rampante:
Parem, parem! Um instantel
 
7
Que sucede, velho, com aquela água?
O velho se vira: Acaso te interessa
O homem fala: Eu sou somente um guarda
De aduana, mas quem-vence-quem me intriga à beça..
Diz, se o sabes, mas sem pressal
 
8
Deita por escritol Dita a esse rapaz!
Não é coisa que se guarde só pra si.
O papel e a tinta te forneço, e mais
Refeição: eu moro logo ali.
Bom convite, hás de convir!
 
9
E por cima do ombro, o velho, isto posto
Examina o homem: uniforme roto, sem
Botas. Uma ruga só no rosto.
Ah, não é um vencedor que me detém.
E murmura: Tu também?
 
10
Um pedido tão cordial, ao que parece
Não podia o velho recusar.
Uma vez que disse de bom som: Merece
Ter resposta uma pergunta. E o rapaz: Já está
Frio, melhor descansar.
 
11
E do boi o sábio então desceu
Sete dias escreveram os dois.
A comida guarnecida pelo guarda (e, no interim, ele só deu
Bronco em muambeiro e pouco se indispôs.)
Foi assim que se compôs

12
A obra que o rapaz um belo dia
Entregou ao guarda da aduana: oitenta
E um ditados, em retorno à cortesia
E seguiram pela estrada poeirenta.
Gentileza gera gentileza: hoje se comenta.
 
13
Não devemos só prezar, no entanto
Quem seu nome empresta ao livro! Que é forçoso
Extrair dos sábios o saber. Portanto
Obrigado ao guarda venturoso
Que o pediu por simples gozo.
 
General, dein Tank ist ein starker Wagen.
Er bricht einen Wald nieder und zermalmt hundert Menschen.
Aber er hat einen Fehler:
Er braucht einen Fahrer.
 
General, dein Bombenflugzeug ist stark.
Es fliegt schneller als der Sturm und trägt mehr als ein Elefant.
Aber es hat einen Fehler:
Es braucht einen Monteur.
 
General, der Mensch ist sehr brauchbar.
Er kann fliegen, und er kann töten.
Aber er hat einen Fehler:
Er kann denken. [1938]
 
General, teu tanque é um automóvel forte.
Derruba uma floresta e tritura cem pessoas.
Mas ele tem um defeito:
Necessita de um chofer.
 
General, o teu bombardeiro é forte.
Voa mais veloz que o vendaval e carrega mais que um elefante.
Mas ele tem um defeito:
Necessita de um mecânico.
 
General, as pessoas são bem necessárias.
Elas sabem voar, e elas sabem matar.
Mas elas têm um defeito:
Elas sabem pensar.

Verjagt mit gutem Grund
 
Ich bin aufgewachsen als Sohn
Wohlhabender Leute. Meine Eltern haben mir
Einen Kragen umgebunden und mich erzogen
In den Gewohnheiten des Bedientwerdens
Und unterrichtet in der Kunst des Befehlens. Aber
Als ich erwachsen war und um mich sah
Gefielen mir die Leute meiner Klasse nicht
Nicht das Befehlen und nicht das Bedientwerden
Und ich verließ meine Klasse und gesellte mich
Zu den geringen Leuten.
 
So
Haben sie einen Verräter aufgezogen, ihn unterrichtet
In ihren Künsten, und er
Verrät sie dem Feind.
 
Ja, ich plaudere ihre Geheimnisse aus. Unter dem Volk
Stehe ich und erkläre
Wie sie betrügen, und sage voraus, was kommen wird, denn ich
Bin in ihre Pläne eingeweiht.
Das Lateinisch ihrer bestochenen Pfaffen
Obersetze ich Wort für Wort in die gewöhnliche Sprache, da
Erweist es sich als Humbug. Die Waage ihrer Gerechtigkeit
Nehme ich herab und zeige
Die falschen Gewichte. Und ihre Angeber berichten ihnen
Dass ich mit den Bestohlenen sitze, wenn sie
Den Aufstand beraten.
 
Sie haben mich verwarnt und mir weggenommen
Was ich durch meine Arbeit verdiente. Und als ich mich
Nicht besserte
Haben sie Jagd auf mich gemacht, aber
Da waren
Nur noch Schriften in meinem Haus, die ihre Anschläge
Gegen das Volk aufdeckten. So
Haben sie einen Steckbrief hinter mir hergesandt
Der mich niedriger Gesinnung beschuldigt, das ist
Der Gesinnung der Niedrigen.
 
Wo ich hinkomme, bin ich so gebrandmarkt
Vor allen Besitzenden, aber die Besitzlosen
Lesen den Steckbrief und
Gewähren mir Unterschlupf. Dich, höre ich da
Haben sie verjagt mit
Gutem Grund. [1938]
 
 
Escorraçado com razão
 
Eu cresci como filho
De gente abastada. Os meus pais
Puseram uma coleira em mim e me educaram
Nos hábitos de ser servido
E me instruíram na arte de mandar. Mas
Quando estava crescido e olhei ao redor
Não me agradaram as pessoas da minha
Laia nem mandar nem ser servido
E eu larguei a minha laia e me juntei
À raia miúda.
 
Assim
Eles criaram um traidor, o instruíram
Em suas artes, e ele
Os entregou ao inimigo.
 
Sim, eu revelo seus segredos. Entre o povo
Me coloco e esclareço
Como eles trapaceiam, e predigo o que virá, pois
Fui consagrado nos seus planos.
O latim de seus sacerdotes vendidos
Eu traduzo palavra por palavra em língua comum, e
Se comprova o disparate. A balança de sua justiça
Eu arranco e mostro
As falsas medidas. E seus buföes os informam
Que eu me sento entre os roubados, quando estes
Discutem a revolta.
 
Eles me preveniram e me tiraram
O que eu ganhei com meu trabalho. E ao não
Me corrigir
Saíram à minha caça, mas
Em casa
Só havia escritos que desvendavam
Seus ataques contra o povo. Assim
Expediram uma ordem de prisão contra mim
Me acusando de índole fraca, isto é
Da índole dos mais fracos.

De onde vim, estou assim estigmatizado
Perante os de posse, mas os despossuídos
Leem a ordem de prisão e
Me dão guarida. Você, eu escuto lá
Foi escorraçado
Com razão.

Kritik an Michelangelos Weltschöpfung
 
1
Dies Bildnis, das er von de Schöpfung machte
Versteh ich nicht. Wie konnt er so was glauben?!
Das heißt: der Menschen Wahn ins Schwarze schrauben!
Ich werf ihm vor, daß er es nicht bedachte.
 
2
Ich gönne jedem, daß er tot ist, und verachte
Nicht den, der Sorge trüg zurückzukehren
Um nunmehr vor der Welt sich zu erklären
Warum er auf ihr machte, was er machte.
 
3
So machte der ein Bild, wo ihr Gott seht
Wie er den Menschen auf Granit stellt und vergeht
Statt den vergehen zu sehn und selber zu verweilen?
Welch ein Betrug! Wie konnt er so was glauben?
Das heißt: der Menschen Wahn ins Schwarze schrauben!
Und das — um ein Papier gut einzuteilen! [c. 1938]

Crítica à  “Criação do Mundo de Michelangelo
 
1
A imagem que ele fez da Criação
Me aturde. Como pôde nisso crer?!
A insônia humana em preto distorcer!
Acuso-o de pintar sem distinção.
 
2
Sei bem que ele morreu, mas se talvez
Pudesse aqui voltar pra se explicar
Eu, de bom grado, iria perguntar
Por que diabos então fez o que fez.
 
3
Afresco em que se vê como Deus cria
Sobre o granito o homem e então se manda
Ao invés de vê-lo errar no dia a dia?
 
4
Que embustel Como pôde crer naquilo
E distorcer em preto a insônia humana?!
E por papel — só para dividi-lo!

(Vermutliche) Antwort des Malers
 
1
(Vermutliche) Antwort des Malers
Was ihr von mir Totem bekommt, ist das
Was er dem Irrtum abpreßte, um es
Dem Irrtum zu hinterlassen. Den zehnten Teil von dem, was ich wollte Habe ich gemalt, zehnmal soviel, als ich sah
Ihr
Seht den hundertsten davon.
 
Da er sich auf einem Felsen vorfand, dachte er
Zeit seines Lebens, Felsen seien sicher.
Denn er dachte nur, um sicher zu sein.
Doch ist in Wahrheit sicher nur, was ohne Halt ist.
Was lebt, ist nur nicht fertig. Gott
Allein ist vergänglich.
 
Darum malte ich ihm daß so, er entkommt.
Wenn er im Flug geschaffen hat. Und ihm so malend
Glaube ich nichts Schlimmeres getan zu haben als er
Als er mich schuf. [c. 1938]
 
(Suposta) resposta do pintor
 
1
O que vocês recebem de mim, morto
aquilo que ele removeu do erro
Para legar depois ao erro. Um décimo do que eu queria
Pintar pintei, dez vezes mais do que enxerguei
Vocês
Veem um centésimo daquilo.
 
2
Por estar num rochedo, ele pensou
Que, na vida, rochedos são seguros.
Pois só pensava para assegurar-se.
Mas só está seguro de verdade o que não para.
O que vive é somente inacabado. Deus
Apenas é fugaz.
 
Por isso o retratei assim, fugindo.
Quando criava em voo. E ao retratá-lo assim
Não creio ter feito nada pior do que ele
Fez ao me criar.
 

An die Nachgeborenen

1
 
Wirklich, ich lebe in finsteren Zeiten!
 
Das arglose Wort ist töricht. Eine glatte Stirn
Deutet auf Unempfindlichkeit hin. Der Lachende
Hat die furchtbare Nachricht
Nur noch nicht empfangen.
 
Was sind das für Zeiten, wo
Ein Gespräch über Bäume fast ein Verbrechen ist.
Weil es ein Schweigen über so viele Untaten einschließt!
Der dort ruhig über die Straße geht
Ist wohl nicht mehr erreichbar für seine Freunde
Die in Not sind?
 
Es ist wahr: ich verdiene noch meinen Unterhalt
Aber glaubt mir: das ist nur ein Zufall. Nichts
Von dem, was ich tue, berechtigt mich dazu, mich sattzuessen.
Zufällig bin ich verschont. (Wenn mein Glück aussetzt, bin ich verloren.)
 
Man sagt mir: iss und trink dul Sei froh, dass du hast!
Aber wie kann ich essen und trinken, wenn
Ich dem Hungernden entreiße, was ich esse, und
Mein Glas Wasser einem Verdurstenden fehlt?
Und doch esse und trinke ich.

Ich wäre gerne auch weise.
In den alten Büchern steht, was weise ist:
Sich aus dem Streit der Welt halten und die kurze Zeit
Ohne Furcht verbringen.
Auch ohne Gewalt auskommen
Böses mit Gutem vergelten
Seine Wünsche nicht erfüllen, sondern vergessen
Gilt für weise.
Alles das kann ich nicht:
Wirklich, ich lebe in finsteren Zeiten! [1937-1938]
 
2
 
In die Städte kam ich zur Zeit der Unordnung
Als da Hunger herrschte.
Unter die Menschen kam ich zur Zeit des Aufruhrs
Und ich empörte mich mit ihnen.
So verging meine Zeit
Die auf Erden mir gegeben war.
 
Mein Essen aß ich zwischen den Schlachten.
Schlafen legte ich mich unter die Mörder.
Der Liebe pflegte ich achtlos
Und die Natur sah ich ohne Geduld.
So verging meine Zeit
Die auf Erden mir gegeben war.
 
Die Straßen führten in den Sumpf zu meiner Zeit.
Die Sprache verriet mich dem Schlächter.
Ich vermochte nur wenig. Aber die Herrschenden
Saßen ohne mich sicherer, das hoffte ich.
So verging meine Zeit
Die auf Erden mir gegeben war.
 
Die Kräfte waren gering. Das Ziel
Lag in großer Ferne
Es war deutlich sichtbar, wenn auch für mich
Kaum zu erreichen.
So verging meine Zeit
Die auf Erden mir gegeben war. [1934]
 
3
 
Ihr, die ihr auftauchen werdet aus der Flut
In der wir untergegangen sind
Gedenkt
Wenn ihr von unseren Schwächen sprecht
Auch der finsteren Zeit
Der ihr entronnen seid.
Gingen wir doch, öfter als die Schuhe die Länder wechselnd
Durch die Kriege der Klassen, verzweifelt
Wenn da nur Unrecht war und keine Empörung.
 
Dabei wissen wir doch:
Auch der Hass gegen die Niedrigkeit
verzerrt die Züge.
Auch der Zorn über das Unrecht
Macht die Stimme heiser. Ach, wir
Die wir den Boden bereiten wollten für Freundlichkeit
Konnten selber nicht freundlich sein.
 
Ihr aber, wenn es so weit sein wird
Dass der Mensch dem Menschen ein Helfer ist
Gedenkt unserer
Mit Nachsicht. [1937-1938]
 
 
Aos pósteros
 
1
 
Verdade, vivo em tempos sombrios!
 
A palavra inofensiva é tola. Uma testa lisa
Sinal de insensibilidade. Aquele que ri
Apenas não recebeu ainda
A notícia terrível.
 
Que tempos são esses, em que
Uma conversa sobre árvores é quase um crime
Pois implica em calar-se sobre tanta atrocidade!
Quem atravessa calmamente a rua
Não está mais disponível para seus amigos
Necessitados?
 
É verdade: ainda ganho o meu sustento
Mas creiam-me: isso é mero acaso. Nada
Do que faço me permite comer até me saciar.
Fui poupado por acaso. (Quando acabar a minha sorte, estou perdido.)
 
Dizem para mim: coma e beba! Alegre-se de ter
Mas como posso comer e beber, se
Tiro aquilo que como do faminto, e
Meu capo d'água falta a quem tem sede?
E, contudo, bebo e como.
 
Quem me dera ser sábio também,
Nos velhos livros se lê o que é sábio:
Afastar-se da peleja do mundo e passar
O breve tempo sem medo.
Também evitar a violência
Pagar a maldade com o bem
Não satisfazer seus desejos, mas esquecê-los
É tido por sábio.
Nada disso eu consigo:
Verdade, vivo em tempos sombrios!
 
2
 
Vim para as cidades no tempo da desordem
Quando a fome imperava.
Cheguei entre os homens no tempo da revolta
E com eles me insurgi.
Assim transcorreu o tempo
Que na Terra me foi dado.
 
Minha comida comi entre batalhas.
Fui dormir entre assassinos.
Do amor cuidei desatento
E a natureza olhei sem paciência.
Assim transcorreu o tempo
Que na Terra me foi dado.
 
As estradas levavam ao pântano no meu tempo.
A linguagem me entregou ao carniceiro.
Eu pouco podia. Mas sem mim os poderosos
Sentavam-se mais seguros, esperava.
Assim transcorreu o tempo
Que na Terra me foi dado.

As forças eram poucas. O alvo
Estava a uma grande distância
Visível o bastante, ainda que para mim
Quase inatingível.
Assim transcorreu o tempo
Que na Terra me foi dado.
 
3
 
Vocês que emergirão da enchente
Em que nós soçobramos
Lembrem-se
Quando falarem das nossas fraquezas
Também do tempo sombrio
Do qual fugiram.
Mas fomos, trocando de países mais do que de sapatos
Através das guerras de classes, desesperados
Quando havia só injustiça e nenhuma revolta.
 
E contudo sabemos:
O ódio contra a baixeza
Também desfigura o semblante.
A ira contra a injustiça
Também enrouquece a voz. Oh, nós
Que queríamos preparar o solo para a gentileza
Não conseguimos nós mesmos ser gentis.
 
Mas vocês, quando então chegar a hora
Do ser humano ser do ser humano amparo
Lembrem-se de nós
Com benevolência.

Schlechte Zeit für Lyrik
 
Ich weiß doch: nur der Glückliche
Ist beliebt. Seine Stimme
Hört man gern. Sein Gesicht ist schön.
 
Der verkrüppelte Baum im Hof
Zeigt auf den schlechten Boden, aber
Die Vorübergehenden schimpfen ihn einen Krüppel
Doch mit Recht.
 
Die grünen Boote und die lustigen Segel des Sundes
Sehe ich nicht. Von allem
 
Sehe ich nur der Fischer rissiges Garnnetz.
Warum rede ich nur davon
Daß die vierzigjährige Häuslerin gekrümmt geht?
Die Brüste der Mädchen
Sind warm wie ehedem.
 
In meinem Lied ein Reim
Käme mir fast vor wie Übermut.
In mir streiten sich
Die Begeisterung über den blühenden Apfelbaum
Und das Entsetzen über die Reden des Anstreichers.
Aber nur das zweite
Drängt mich zum Schreibtisch. [1939]
 
Mau tempo para poesia
 
Eu sei: só quem é feliz
É amado. Sua voz
Se ouve com prazer. Seu rosto é belo.
 
A árvore atrofiada no pátio
Indica um solo ruim, mas
Os passantes a insultam por seu aleijão
E com razão.
 
Os barcos verdes e as divertidas velas do estreito
Eu não vejo. De tudo
 
Vejo apenas a rede esgarçada do pescador.
Por que só falo disso
Que a criada quarentona caminha encurvada?
Os seios das meninas
Estão quentes como antes.
 
Na minha canção uma rima
Me soaria quase uma arrogância.
 
Brigam dentro de mim:
O entusiasmo pela macieira florindo
A ojeriza aos discursos do pintor de paredes.
Mas somente a última
Me impele à escrivaninha.
 
4. LIDINGÖ HELSINQUE [1939-1941] 
 
10.1.41
A razão pela qual poetas como Gelsted fracassam assim na política: para eles, a exploração ou a luta de classes não é uma categoria poética, mas moral. Há muito que consideram tais coisas como naturais, ainda que para fins inestéticos. Agora veem-no como antinatural, e o antinatural nunca é um campo da estética. Na poesia, a moralidade não consiste na indignação, mas na verdade. Além disso, esses poetas gostam de impor uma alta missão aos trabalhadores. O que enche os trabalhadores de uma suspeita justificada, porque eles não querem ser bucha de canhão para missões éticas. Seu objetivo não é a ética, ainda que seja ético. Eles não precisam prometer nada a ninguém além de a si mesmos. Esses poetas são contra o capitalismo porque este não é tão inofensivo quanto eles. Aos trabalhadores, parecem uns pobres coitados.

[ANOTAÇÕES AUTOBIOGRÁFICAS 1940]
 
Brecht é ariano, seu irmão ainda é professor universitário na Alemanha. A mulher de Brecht, que foi atriz do Staatstheater e do Teatro de Max Reinhardt sob seu nome de solteira Helene Weigel, é judia; o que por si só já teria sido um motivo para Brecht emigrar da Alemanha. No entanto, anos antes de Hitler chegar ao poder, ele já era um dos que combatiam os nazis, e toda a sua produção literária seria impossível sob o regime nazista. Ele nunca pertenceu a um partido político e não pertence a nenhum agora. Contra os nazistas, publicou poemas e escreveu a peça Terror e Miséria do Terceiro Reich, que mostra em 27 cenas independentes, que se passam em residências, clínicas, tribunais, campos de concentração, escolas, fábricas, casernas etc., a escravidão de quase todos os estratos do povo alemão sob a ditadura. Atualmente, está trabalhando num romance histórico satírico sobre o fim da República Romana, Os Negócios do Sr Júlio César. É membro do PEN Clube. É amigo pessoal de Lion Feuchtwanger. W.H.Auden e Archibald MacLeish provavelmente o defenderão também. Assim como a atriz americana Stella Adler, Fritz Kortner e o diretor de cinema Fritz Lang. Não tem agentes comerciais. Além da peça Terror e Miséria do Terceiro Reich, ele completou a peça Vida do Físico Galileu (a partir de pesquisa livre) e uma peça-parábola A Boa Alma de Setsuan (que mostra como é difícil e dispendioso ser uma pessoa boa em nosso tempo). Além disso, um pequeno livro satírico (mais semelhante em estilo ao Cândido de Voltaire) no qual um refugiado foge de um país para outro porque em toda parte virtudes demais são exigidas. Num país, para se poder comer três vezes ao dia, é necessária uma energia com a qual daria outrora para se conquistar reinos; num outro, para que o regime continue governando é necessário ajudá-lo a conquistar o mundo inteiro; no terceiro, é preciso ter bastante amor à liberdade, porque lá impera a proibição em demasia etc. etc. O refugiado procura um país onde se possa, num meio termo, viver com virtudes medianas e alguns vícios modestos.

Provavelmente na Suécia, em 1939
 
Die Festung Europa
 
Europa ist Hitlers Festung
Sagt Göbbels jedem Kind
Doch wo hat man je eine Festung gesehn
Wo die Feinde nicht nur außen stehn
Sondern auch innen sind? [1939]
   
Fortaleza Europa
 
A Europa é o baluarte de Hitler
Goebbels diz a qualquer criança
Mas onde já se viu um baluarte
Em que o inimigo está em toda parte
E dentro também avança?
 
Mutter Courages Lied
 
Herr Hauptmann, laß die Trommel ruhen
Und laß dein Fußvolk halten an:
Mutter Courage, die kommt mit Schuhen
In denens besser laufen kann.
Mit seinen Läusen und Getieren
Bagasch, Kanone und Gespann 
Soll es dir in den Tod marschieren
So will es gute Schuhe han.
Das Frühjahr kommt. Wach auf, du Christ!
Der Schnee schmilz weg. Die Toten ruhn.
Doch was noch nicht gestorben ist
Das macht sich auf die Socken nun.
 
Herr Hauptmann, deine Leut marschieren
Dir ohne Wurst nicht in den Tod.
Laß die Courage sie erst kurieren
Mit Wein von Leibs- Geistesnot.
Kanonen auf die leeren Mägen
Herr Hauptmann, das ist nicht gesund
Doch sind sie satt, hab meinen Segen
Und führ sie in den Höllenschlund.
Das Frühjahr kommt. Wach auf, du Christ!
Der Schnee schmilz weg. Die Toten ruhn.
Doch was noch nicht gestorben ist
Das macht sich auf die Socken nun.
 
So mancher wollt so manches haben
Was es für manchen gar nicht gab;
Er wollt sich schlau ein Schlupfloch graben
Und grub sich nur ein frühes Grab.
Schon manchen sah ich abjagen
In Eil nach einer Ruhestatt 
Liegt er dann drin, mag er sich fragen
Warums ihm so geeilt hat.
Das Frühjahr kommt. Wach auf, du Christ!
Der Schnee schmilz weg. Die Toten ruhn.
Doch was noch nicht gestorben ist
Das macht sich auf die Socken nun.
 
Von Ulm nach Metz, von Metz nach Mähren!
Mutter Courage ist dabei!
Der Krieg wird seinen Mann ernähren
Er braucht nur Pulver zu und Blei.
Von Blei allein kann er nicht leben
Von Pulver nicht, er braucht noch Leut!
Müßts euch zum Regiment begeben
Sonst steht er um! So kommt noch heut!
Das Frühjahr kommt. Wach auf, du Christ!
Der Schnee schmilz weg. Die Toten ruhn.
Doch was noch nicht gestorben ist
Das macht sich auf die Socken nun.
 
Mit seinem Glück, seiner Gefahre
Der Krieg, er zieht sich etwas hin:
Der Krieg, er dauert hundert Jahre
Der gmeine Mann hat keinn Gewinn.
Ein Dreck sein Fraß, sein Rock ein Plunder!
Sein halben Sold stiehlts Regiment
Jedoch vielleicht geschehn noch Wunder:
Der Feldzug ist noch nicht zu End!
Das Frühjahr kommt. Wach auf, du Christ!
Der Schnee schmilz weg. Die Toten ruhn.
Doch was noch nicht gestorben ist
Das macht sich auf die Socken nun. [1939] 
 
Canção da Mãe Coragem
 
Seo Capitão, cala o tambor
E dá aos teus peões descanso:
A Mãe Coragem vai repor
Coturnos pro melhor avanço
No ataque. Com piolhos, bestas
Tralhas, canhões e munição 
Se à marcha pra morte te prestas
Que pises bem calçado o chão.
Cristãos, a primavera é linda!
Derrete a neve. O morto jaz
Em paz. Quem não morreu ainda
Se manda sem olhar pra trás.
 
Seo Capitão, soldados sem
Linguiça não marcham pra morte.
Deixa, que a Mãe Coragem tem
O que alma e corpo reconforte.
Levar de estômago vazio
Chumbo não é, Seo Capitão
Sadio, mas se os homens sacio
Até no inferno marcharão.
Cristãos, a primavera é linda!
Derrete a neve. O morto jaz
Em paz. Quem não morreu ainda
Se manda sem olhar pra trás.

 
O que se quer e mal se viu 
A maioria nunca prova;
Esperto, ele cava um covil
E assim cavou a própria cova.
Muitos já vi com afobação
A procurar um bom jazigo 
Deitando, surge uma questão:
Por que a pressa, meu amigo?
Cristãos, a primavera é linda!
Derrete a neve. O morto jaz
Em paz. Quem não morreu ainda
Se manda sem olhar pra trás.
 
De Ulm a Metz, de Metz a Mähren!
A Mãe Coragem perambulal
Com chumbo e pólvora, essa guerra
Fornece aos seus uma matula.
Mas chumbo e pólvora somente
Não pode ser, vai precisar
De bons recrutas, minha gente
Ou ela acaba! Cheguem lá!
Cristãos, a primavera é linda!
Derrete a neve. O morto jaz
Em paz. Quem não morreu ainda
Se manda sem olhar pra trás.
 
Com risco, sorte e desenganos
A guerra então vai se estendendo:
E esta já dura cem anos
E ao pobre não traz dividendos.
Comida é um lixo, a roupa um saque!
E o meio soldo alguém lhe furta:
Mas pode ser que um dia emplaque
Por um milagre, e segue a luta!
Cristãos, a primavera é linda!
Derrete a neve. O morto jaz
Em paz. Quem não morreu ainda
Se manda sem olhar pra trás.


Ardens sed virens
 
Herrlich, was im schönen Feuer
Nicht zu kalter Asche kehrt!
Schwester, sieh, du bist mir teuer
Brennend, aber nicht verzehrt.
 
Viele sah ich schlau erkalten
Hitzige stürzen unbelehrt
Schwester, dich kann ich behalten
Brennend, aber nicht verzehrt.
 
Ach, für dich stand, wegzureiten
Hinterm Schlachtfeld nie ein Pferd
Darum sah ich dich mit Vorsicht streiten
Brennend, aber nicht verzehrt. [1939]
 
Ardens sed virens
 
Soberbo, o que no fogo belo
Não quer volver à cinza fria!
Vê só, irmã, como eu te quero
Queimando, mas não consumida.
 
Muitos eu vi dentro do gelo
De cabeça-quente e vazia
Então, irmã, eu te conservo
Queimando, mas não consumida.
 
Para fugir, jamais te deram
No campo de batalha montaria
Por isso vi lutares com cautela
Queimando, mas não consumida.
 
Der Kirschdieb
 
An einem frühen Morgen, lange vor Hahnenschrei
Wurde ich geweckt durch ein Pfeifen und ging zum Fenster.
Auf meinem Kirschbaum, Dämmerung füllte den Garten
Saß ein junger Mann mit geflickter Hose
Und pflückte lustig meine Kirschen. Mich sehend
Nickte er mir zu, mit beiden Händen
Holte er die Kirschen von den Zweigen in seine Taschen.
Noch eine ganze Zeitlang, als ich wieder in meiner Bettstatt lag
Hörte ich ihn sein lustiges kleines Lied pfeifen. [1938]

O ladrão de cereja
 
Numa madrugada, bem antes do galo cantar
Fui acordado por um assovio e me dirigi à janela.
Na minha cerejeira, o lusco-fusco enchia o jardim
Um jovem de calça remendada se sentara
E colhia, alegre, as minhas cerejas. Ao me ver
Acenou-me com a cabeça, com ambas as mãos
Tirava dos galhos as cerejas e enfiava nos bolsos.
Durante um bom tempo ainda, quando já estava de novo na cama
Ouvi ele assoviando a sua alegre melodia.
 
5. SANTA MONICA [1941-1947] 
[DOS DIÀRIOS 1941-1947]
21.7.41
Chegamos em San Pedro, o porto de Los Angeles. [...]
[...]
9.8.41
Sinto-me como se eu tivesse sido tirado de uma era, isto aqui é um Tahiti em forma de metrópole; agora mesmo olho para um pequeno jardim com grama. Arbustos florindo vermelhos, uma palmeira e cadeiras de jardim brancas, e a voz de um homem cantando algo sentimental ao piano  não no rádio. Eles têm natureza aqui e, como tudo é tão artificial, até um sentimento mais forte pela natureza, que é alienada. Da casa de Dieterle pode-se ver o vale San Fernando; um reluzente fluxo incessante de carros rompe a natureza; mas a gente descobre que apenas por meio de sistemas de irrigação todo esse verde é arrancado do deserto. Arranhe um pouco, e o deserto transparece: deixe de pagar a conta de água, que nada mais floresce. A quinze mil quilômetros de distância através da Europa, onde é mais longo, dia e noite, um massacre sangrento e crucial para o nosso destino produz uma fraca reverberação no burburinho do mercado de arte. 
Walter Benjamin envenenou-se numa pequena localidade da fronteira espanhola [a la regió catalana]. A guarda nacional havia detido o pequeno grupo em que estava. Quando os seus companheiros de viagem quiseram informar-lhe, na manhã seguinte, que a continuação da viagem fora autorizada, encontraram-no morto. Estou a ler o último trabalho que ele enviou ao Instituto Para Pesquisa Social. Günther Stern me entregou com a observação de que seria obscuro e confuso, creio que a palavra  também foi empregada. O pequeno tratado aborda a pesquisa histórica e pode ter sido escrito depois da leitura do meu César (com qual Benjamin, quando o leu em Svendborg, não soube muito o que fazer). Benjamin vira-se contra as noções de história como um fluxo, do progresso como um poderoso empreendimento de mentes descansadas, do trabalho como fonte de moralidade, do operariado como protegidos da técnica etc. Ele zomba da frase frequentemente ouvida de que é preciso se surpreender com o fato de que algo como o fascismo possa ter acontecido ainda neste século (como se não fosse o fruto de todos os séculos). — Em suma, a pequena obra é clara e desembaraçante (apesar de toda a metafórica e judaísmos), e a gente pensa com horror o quão pequeno é o número daqueles que estão dispostos a pelo menos mal interpretá-la.
E agora aos sobreviventes! Numa garden party na casa de Rolf Nürnberg, encontrei a dupla de palhaços Horkheimer e Pollock, os dois tuis do Instituto Sociológico de Frankfurt. Horkheimer é milionário, Pollock apenas de uma boa família, por isso só Horkheimer consegue comprar uma cátedra no lugar em
que reside para cobrir externamente as atividades revolucionárias do instituto. Desta vez é na Columbia, mas desde que as grandes razzias contra vermelhos tiveram lugar, Horkheimer perdeu o desejo de vender a sua alma, o que sempre se sucede em menor ou maior grau numa universidade, e eles se mudam para o oeste paradisíaco. O que são palmeiras acadêmicas! — Com seu dinheiro, eles mantêm à tona uma dúzia de intelectuais que precisam entregar todo o seu trabalho sem a garantia de que a revista alguma vez irá publicá-lo. Assim, podem afirmar que poupar o dinheiro do instituto tem sido o seu principal dever revolucionário ao longo de todos esses anos.
 
22.10.41
A relação com o dinheiro revela aqui o capitalismo colonial. A gente tem a impressão de que todas as pessoas, onde quer que estejam, estão aqui apenas para fugir. Elas estão nos Estados Unidos apenas para ganhar dinheiro. É um teatro nômade, de pessoas em trânsito para pessoas que perderam o caminho. Time is money, os tipos são montados já prontos, os ensaios são puro trabalho de montagem. Não se vive nas colônias.
[...]
21.1.42
Estranho, não consigo respirar neste clima. O ar é completamente inodoro, tanto de manhã como à noite, dentro de casa como no jardim. [...]. Em todo lugar, fazia parte das minhas tarefas matinais inclinar-me à janela e apanhar o ar fresco; aqui cortei essa tarefa. Não há cheiro de fumaça nem de grama. As plantas me parecem como os galhos que a gente espetava na areia quando era criança; dez minutos depois, as folhas murchavam. Sempre se espera aqui também que a irrigação possa ser desligada de repente, e então o qué? As vezes, especialmente ao dirigir para Beverly Hills, percebo algo como feições de uma paisagem que parecem realmente atraentes: linhas suaves de colina, arbustos de limão, um carvalho californiano e um ou outro posto de gasolina que é realmente divertido, mas tudo isso fica como atrás de uma vidraça, e em cada grupo de colinas ay em cada limoeiro eu procuro involuntariamente uma etiqueta de preço. Essas etiquetas de preços a gente também procura nas pessoas.  Não cabe a mim, por si só, ficar insatisfeito com um ambiente, especialmente nestas circunstancia Atribuo grande importância à minha posição distinta de refugiado, e ao refugiado não é de todo apropriado ser tão servil e subserviente como esse ambiente o é. Mas são provavelmente as condições de trabalho que me tornam impaciente. O costume aqui exige que se procure vender tudo, desde um encolher de ombros até uma ideia, ou seja, é preciso lutar constantemente por um comprador, e assim se é incessantemente um comprador ou vendedor vende-se para o pinico a própria urina. O oportunismo é tido como a mais alta virtude, a gentileza vira logo covardia.
 
27.2.42
Feuchtwanger e outros não conseguem lidar com o fenômeno de Hitler porque não veem o fenômeno da pequena burguesia governante. A pequena burguesia não é economicamente uma classe independente. Permanece sempre objeto da politica, agora é o objeto da politica da grande burguesia. (Os sociais-democratas exilados, por exemplo, agarram-se agora classes da alta burguesia da Inglaterra e da América.) Isso é o marionetismo de Hitler. Ele é um mero ator que apenas interpreta o grande homem, o Ninguém (qualquer um seria tão bom quanto), o homem sem caroço” porque justamente representa a pequena burguesia, que sempre, no político, somente atua e joga (jogar aqui é jogo de azar) [como vemos exemplos em todo o mundo atual. O que era tragédia, no Brasil, já mira para uma sanguinolenta Comédia, de pai para filho]. No teatro, isso significaria que Hitler só poderia ser concebido como figurante (figura de proa). Isso, porém, seria inadequado. Ele é falso, na verdade, apenas como representante da pretensão ao poder da pequena burguesia, não pessoalmente. Dentro da pequena burguesia, ele não é falso. O seu destino é real quando é levado ao limite das possibilidades pequeno burguesas, aí se torna subitamente uma personalidade” e protagonista.
 
17.3.42
Palestra de Reichenbach na Universidade da Califória sobre determinismo Nosso sistema de razões é limitado por um tipo de reproduibilidade que Einstein uma vez expressou como segue: ele fez alguns movimentos muito irregulares e ritmicamente instáveis com seu dedo e disse: Se as estrelas se movessem assim, por exemplo, não haveria astronomia. (Ainda que tivessem, sem dúvida, boas razões para isso.) Os filósofos ficom imitados com o teorema de Heisenberg, segundo o qual o ponto de espaço e o ponto de tempo não podem ser coordenados. Mesmo que se houvesse apontado um limite para além do qual os métodos de descrição não pudessem, em principio, ser melhorados, continuaria a ser para os filósofos uma questão do possibilidade de descrição, de modo que o teorema deles de que nodo acontece sem razão permaneceria válido. Os físicos derrubam-no provando o seu vazio; deixam-no, por assim dizer, abandonando-o. Razões que, par princípio, não podem ser conhecidas não são, para eles, razões.
A incapacidade dos filósofos de imaginar o nada já não impede os físicos, naturalmente, de tratar o nada como nada. Afinal, eles têm como um de seus hábitos saudar o zero como uma grandeza, com a maior consciência. Num sistema de grandezas, o zero pode talvez ser referido como grandeza, ou melhor, dificilmente pode ser chamado de outro jeito, mas sem um sentimento pela dialética, não se pode dar o salto lógico das outras grandezas para esta não grandeza. Assim, o espaço como propriedade da matéria torna-se inimaginável para os filósofos. Que o espaço deva ser apenas o que a matéria absorve é estranho para eles. Infelizmente, Reichenbach não diz uma palavra sobre isso.
 
22.3.42
Em certo sentido, os nazistas têm o direito de chamar seus feitos de revolução. A burguesia alemã leva a cabo a sua revolução sob a forma de uma tentativo de conquistar o mundo. Emancipou-se imediatamente como condutora de escravos e apresentou-se para o posto — como assaltante. No final, porém, não conseguiu acabar ainda, mesmo agora, com a sua aristocracia, e assim começou imediatamente a sua guerra de roubos, pulou por cima de seu Robespierre, submeteu-se imediatamente ao seu Napoleão (que, depois deste, é um Napoleão fetal!). Por isso essa miséria de ferro, essa síndrome de Amok meticulosamente planejada, essa Potsdam de Schwabing.
 
3.10.42
Eisler toca para Winge e Herbert Marcuse as Elegias e alguns dos Epigramas Finlandeses. Ele não consegue se libertar completamente  quando fala sobre essas composições, não quando as compõe  da visão convencional de que se trata de pequenas obras de circunstância, pouco significativas, à maneira de uma anotação de diário, ou talvez espere apenas encontrar contradição quando fala tão "modestamente" e que alguém, por exemplo, lhe diga que essas coisas importantes são insignificantes para o compositor, não nós (o modesto gesto de Bruckner). Mas, na verdade, as composições têm uma importância real, também enquanto música provavelmente, porém seguramente para os epigramas, incentivando uma leitura investigativa, um estudo de escavação. Estes são poemas completos, eles contêm, por causa de sua natureza lacônica, não menos do que um longo poema.

19.10.42
Interessante como o estrangulamento da função estrangula a pessoa.
O ego torna-se disforme quando não é mais abordado, encarado, dominado.
A autoalienação se inicia.
 
20.10.42
O que eu gosto de fazer é regar o jardim. Curioso como a consciência política influencia todas essas atividades diárias. De onde mais vem a preocupação de que uma parte do gramado possa ser negligenciada, que a pequena planta ali receba nada ou bem menos, que a velha árvore ali possa ser negligenciada por parecer tão forte. E que todo verde, erva daninha ou não, precisa de água; e a gente descobre tanto verde na Terra quando começa a regar.
[...]
25.6.43
Eisler escreveu dois grandes ciclos para seu Pequeno Livro de Canções Hollywoodiano, poemas de Anacreonte e poemas de Hölderlin.
Aqui fica visivel a possibilidade de se chegar a coros dramáticos, uma vez que as composições são agora total e completamente gésticas.
 
9.8.43
Quando, no domingo passado, Thomas Mann se inclinou para trás, com as completamente bestial. O colarinho falou. Nenhuma luta foi mencionada nem mãos no colo, e disse: Sim, meio milhão deve ser morto na Alemanha, soou reivindicado para essa matança, tratava-se de castigo frio, e onde a higiene
como fundamento já seria animalesco, o que aí é vingança (pois isso era ressentimento do animal).
 
9.8.43
Regar o jardim para encorajar o verde. E: A cidade natal, como vou encontrá-la? Mas uma obra poética completa deve ter uma história (interior) que possa estar em harmonia ou contraste com a história exterior. Penso em algo como as "fases" dos pintores, no nosso tempo, de Picasso, por exemplo.
Por mais desordenadas que as impressões possam ser, por mais arbitrárias que sejam as intervenções nestes anos — o que eu escrevo de poemas mantém sempre o seu caráter experimental, e as experimentos organizam-se numa certa relação entre si, e a leitura dificilmente pode proporcionar um gozo adequado se, por exemplo, um poema como o primeiro também não puder ser apreciado em sua novidade no todo de produção, como domesticum.
 
24.8.43
Os grandes crimes só são possíveis por meio de sua incredulidade. Fraude comum, mentira simples, apropriação com um mínimo grau de vergonha, atinge muitos desprevenidamente. Os espíritos mais sutis recusam-se a suspeitar de enganos primitivos, já desconfiados, são ainda demasiadamente exigentes ao postularem crimes sofisticados e magistralmente refinados. Recusam-se com indignação a confundir estadistas com ladrões de cavalos, generais com especuladores da bolsa, e assim as roubos de cavalos e as especulações na boba permanecem completamente incompreensíveis para eles. Naturalmente, eles procuram, com razão, a astúcia entre os grandes, mas é uma astúcia limitada à execução dos delitos. Os golpes que cometem nem sempre são letais.
Passam a perna no povo com belos discursos que não devem tornar as suas vítimas incapazes de trabalhar, apenas mentalmente incapazes.

8.9.43
Thomas Mann, ouço de uma testemunha auricular, anda agora dizendo por aí esses esquerdistas como Brecht cumpriam ordens de Moscou quando tentaram persuadi-lo a declarar que deve ser feita uma distinção entre Hitler e a Alemanha. O réptil não consegue imaginar que se possa fazer alguma coisa pela Alemanha (e contra Hitler) sem ordens vindas de algum lado e que se posso até por si só, digamos por convicção, ver na Alemanha algo além de um grande público leitor. E notável a perfídia com a qual o casal Mann — sua esposa é muito ativa nisso — espalha tais suspeitas, que, como eles sabem,
podem fazer grande mal a qualquer um.
[...]
11.11.43
Leio em 19th Century and After uma reportagem sobre o extermínio dos judeus na Polônia. Desejo que nunca mais se volte a falar ou a escrever sobre homem alemão, que não atribuamos essas qualidades a cada um de nós!
Todas estas expressões — engenhosa capacidade de venda da ciência alemãtemperamento alemãocultura alemã, conduzem inevitavelmente a estas ignomínias alemãs. Somos justamente a raça que deve começar a chamar nosso país de número II e pronto. A Alemanha não deve se emancipar como nação, mas como povo, mais precisamente como classe trabalhadora. Não foi nunca uma nação, mas foi uma nação, ou seja, jogou o jogo das nações pelo poder mundial e desenvolveu um nacionalismo fedorento.
[como o que é feito atualmente em relação à religião judaica, a mãe de todas as religiões modernas dos últimos 20 séculos, do cristianismo ao Alcorão. A eterna confusão entre a religião, julgando ser igual aos políticos que estão no poder de Israel mais os políticos evangélicos brasileiros. E normalmente pensada pelos pós-pós-cristãos latino americanos. Como um fusion.] 
 
20.6.44
Trabalho numa nova série de foto-epigramas. Uma vista geral dos antigos, em parte originados nos primeiros tempos da guerra, revela que não tenho quase nada a eliminar (politicamente nada mesmo), com o aspecto constantemente em mudança da guerra, é uma boa prova do valor do meu modo de observação.
São agora mais de sessenta quartetos, e com Terror e Misério do Terceiro Reich, os volumes de poesia e talvez Cinco Dificuldades em Escrever o Verdade, a obra dará um relato literário satisfatório sobre o tempo do exílio.
 
20.11.45
Ezra Pound foi preso na Itália e trazido para cá como traidor. Um quê de dignidade feudal paira sobre George, Kipling, D’Annunzio, Pound. Em todo caso, são personalidades históricas que a gente não encontra exatamente nos mercados, mas sim nos templos — nos arredores dos mercados.
[...]
30.10.47
Pela manhã, em Washington, perante o Un-American Activities Committee [Comitê de Atividades Antiamericanas]. Após dois escritores de Hollywood (Lester Cole e Ring Lardner Jr.) terem respondido à pergunta se pertenciam ao Partido Comunista dizendo apenas que a pergunta era inconstitucional, eu fui chamado a depor, seguido pelos advogados dos 1967, Bob Kenny e Bartley C. Crum, que não foram autorizados a intervir de forma alguma.
Cerca de oitenta representantes da imprensa, duas estações de rádio, cinegrafistas, fotógrafos; no público, pessoas do teatro da Broadway como observadores simpáticos a nós. Em concordância com os 18 e os advogados, respondi à pergunta, enquanto estrangeiro, e conforme à verdade, com um “não”. O procurador Stripling lê muito da “Medida Tomada” e me deixa contar-lhe a fábula. Remeto ao ensinamento japonês, dou como conteúdo a devoção a uma ideia e nego a interpretação de que se trate de um assassinato disciplinar, retificando que se trata de um autoextermínio. Admito que a base das minhas peças é marxista e observo que as peças, especialmente as de conteúdo histórico, não poderiam ser de outra maneira escritas de forma inteligente. O interrogatório é desproporcionadamente educado e termina sem acusação; beneficia-me o fato de eu não ter quase nada a ver com Hollywood, de nunca ter interferido na política americana, e de os meus antecessores na bancada terem se recusado a dar resposta aos congressistas.  Os 18 estão muito satisfeitos com o meu testemunho, bem como os advogados.
Deixo Washington imediatamente, com Losey e Hambleton, que tinham ido para lá.  À noite, escuto no rádio uma parte do meu interrogatório com Hellie Budzislawski.

[ANOTAÇÕES AUTOBIOGRÁFICAS 1942]
[...]
São certamente exteriores, mas não vejo qualquer solução interior para esse problema. A morte não é boa para nada. Nem todas as coisas devem servir para o melhor, nenhuma sabedoria insondável se estabelece daí. Não pode haver consolação.
[uma lógica e um sentimento da não-lógica e do não-sentir. Como uma não-compreensão do branco ser todas as cores juntas; e o negro não ser nenhuma cor; e um só existir pelo outro; e todas as cores possíveis nascerem daí. É o eterno vice-versa. A beleza da vida está nas boas coisas e nas más coisas. Sorrimos porque choramos. Assim como choramos de alegria e rimos de tristeza.] 

WB
 
selbst der wechsel der
jahreszeiten
rechtzeitig erinnert
hame ihn zurückhalten
müssen
 
der anblick never gesichter
und alter auch
 
never gedanken heraufkunft
und never schwierigkeiten [1941]
 
WB
 
mesmo a mudança das
estações do ano
rememorada a tempo
deveria tê-lo
detido
 
a visão de novos rostos
e antigos também
 
a vinda de novas ideias
e novas dificuldades
 
Zum Freitod des Flüchtlings W. B.
 
Ich höre, daß du die Hand gegen dich erhoben hast
Dem Schlächter zuvorkommend.
Acht Jahre verbannt, den Aufstieg des Feindes beobachtend
Zuletzt an eine unüberschreitbare Grenze getrieben
Hast du, heisst es, eine überschreitbare überschritten.
 
Reiche stürzen. Die Bandenführer
Schreiten daher wie Staatsmänner. Die Völker
Sieht man nicht mehr unter den Rüstungen.
 
So liegt die Zukunft in Finsternis, und die guten Kräfte
Sind schwach. All das sahst du
Als du den quälbaren Leib zerstörtest. [1941]
 
Ao suicídio do fugitivo W. B.
 
Ouço que levantaste a mão contra ti mesmo
Te antecipando ao carniceiro.
Oito anos desterrado, observando a ascensão do inimigo
Por fim, coagido a uma fronteira intransponível
Uma transponível, diz-se, ultrapassaste.
 
Reinos desabam. Os chefes de quadrilha
Avançam como homens de Estado. Não
Se vé mais os povos sob os armamentos.
 
Assim o futuro jaz na escuridão, e as forças do bem
Estão fracas. Tudo isso tu vias
Ao destruíres o torturável corpo.

Die Verlustliste
 
Flüchtend vom sinkenden Schiff, besteigend ein sinkendes
— Noch ist in Sicht kein neues , notiere ich
Auf einem kleinen Zettel die Namen derer
Die nicht mehr um mich sind.
Kleine Lehrerin aus der Arbeiterschaft
MARGARETE STEFFIN. Mitten im Lehrkurs
Erschöpft von der Flucht
Hinsiechte und starb die Weise.
So auch verließ mich der Widersprecher
Vieles Wissende, neues Suchende
WALTER BENJAMIN. An der unübertretbaren Grenze
Müde der Verfolgung, legte er sich nieder.
Nicht mehr aus dem Schlaf erwachte er.
Und der stetige, des Lebens freudige
KARL KOCH, Meister im Disput
Merzte sich aus in dem stinkenden Rom, betrügend
Die eindringende SS.
Und nichts höre ich mehr von
KASPAR NEHER, dem Maler. Könnte ich doch wenigstens ihn
Streichen von dieser Liste!
 
Diese holte der Tod. Andere
Gingen weg von mir für das Lebens Notdurft
Oder Luxus. [1941]
 
A lista de óbitos
 
Fugindo do navio que afunda, subindo em um que afunda
 Ainda não há nenhum novo à vista , anoto
Num pequeno papel os nomes dos
Que já não estão mais ao meu redor.
Pequena professora vinda do operariado
MARGARETE STEFFIN. No meio do curso
Exaurida da fuga
Definhou e morreu a sapiente.
Assim também me deixou o contraditor
O que muito sabia, e o novo buscava
WALTER BENJAMIN. Na intransponível fronteira
Cansado da perseguição, ele se deitou.
Para não mais levantar do sono.
E o perene, alegre da vida
KARL KOCH, mestre em disputar
Erradicou-se na fétida Roma, ludibriando
Os SS invasores.
E nada mais ouvi de
KASPAR NEHER, o pintor. Quem me dera ao menos
Riscar seu nome desta lista!
 
Estes, a morte os levou. Outros
Se foram de mim por necessidades da vida
Ou luxo.
 
Angesichts der Zustände in dieser Stadt
Handle ich so:
Wenn ich eintrete, sage ich meinen Namen und zeige
Die Papiere, die ihn belegen mit Stempeln, die
Nicht gefälscht sein können.
Wenn ich etwas sage, führe ich Zeugen an, für deren Glaubwürdigkeit
Ich belege habe.
Wenn ich schweige, gebe ich meinen Gesicht
Einen Ausdruck der Leere, damit man sieht:
Ich denke nicht nach.
So
Erlaube ich niemandem, mir zu glauben. Jedes Vertrauen
Lehne ich ab.
 
2
Dies tue ich, weil ich weiß: der Zustand dieser Stadt
Macht zu glauben unmöglich.
 
Dennoch geschiet es mitunter
Ich bin zerstreut oder beschäftigt
Daß ich überumpelt werde und gefragt
Ob ich kein Schwindler bin, nicht gelogen habe, nichts
Bestimmtes im Schilde führe
Und ich
Werde immer noch verwint, rede unsicher und verschweige
Alles, was für mich spricht, sondern
Schäme mich. [1941]
 
Em face à situação desta cidade
Procedo assim:
Quando entro, digo meu nome
mostro
Os documentos que o comprovam com carimbos que
Não podem ser falsificados.
Quando digo algo, apresento testemunhas cuja idoneidade
Posso comprovar.
Quando me calo, dou à minha cara
Uma expressão de vazio, para que se veja:
Não estou pensando em nada.
Assim
Não permito que ninguém acredite em mim. Recuso
Qualquer confiança.
 
2
Faço isso porque sei: a situação desta cidade
Torna impossível crer-se em algo.
 
3
Contudo, quando estou disperso
Ou ocupado, acontece às vezes
De eu ser surpreendido e questionado
Se não sou um impostor, se não menti, se não
Tenho segundas intenções.
E vou
Ficando atrapalhado, converso inseguro e omito
Tudo o que falaria a meu favor, e sinto
Vergonha de mim.
[Franz Kafka, entre outros, e em outros locais, já via isso antes no Império Austro-Húngaro. Das Passagen-Wer, de Walter Benjamin, foca isto no século anterior.]
 
. 
HOLLYWOODELEGIEN / ELEGIAS HOLLYWOODIANAS
 
1
 
Das Dorf Hollywood ist entworfen nach der Vorstellungen
Die man hierorts vom Himmel hat. Hierorts
Hat man ausgerechnet, daß Gott
Himmel und Hölle benötigend, nicht zwei
Etablissements zu entwerfen brauchte, sondern
Nur ein einziges, nämlich den Himmel. Dieser
Dient für die Unbemittelten, Erfolglosen
Als Hölle. [1942]
 
1
 
A aldeia Hollywood foi projetada segundo a ideia
Que ali se faz do céu. Ali
Calculou-se que Deus
Necessitando de céu e inferno, não precisava
Projetar dois estabelecimentos, mas
Apenas um único, o céu. Este
Serve aos desprovidos e fracassados
De inferno.
 
2
 
Am Meer stehen die Oltürme. In den Schluchten
Bleichen die Gebeine der Goldwäscher. Ihre Söhne
Haben die Traumfabriken von Hollywood gebaut.
Die vier Städte
Sind erfüllt von dem Olgeruch
Der Filme. [1942]
 
2
 
Defronte ao mar, há torres de petróleo. Nos desfiladeiros
Descoram ossadas de garimpeiros. Seus filhos
Construíram as fábricas de sonho de Hollywood.
As quatro cidades
Estão infestadas do ranço
Dos filmes.

3
 
Die Engel von Los Angeles
Sind müde vom Lächeln. Am Abend
Kaufen sie hinter den Obstmärkten
Verzweifelt kleine Fläschchen
Mit Geschlechtsgeruch. [1942]
 
3
 
Os anjos de Los Angeles
Estão fartos de sorrir. À noite
Desesperados compram, atrás das
Bancas de frutas, frascos
Com cheiro de sexo.

4
 
Unter den grünen Pfefferbäumen
Gehen die Musiker auf den Strich, zwei und zwei
Mit den Schreibern. Bach
Hat ein Strichquartett im Täschchen. Dante schwenkt
Den dürren Hintern. [1942]
 
4
 
A sombra das pimenteiras verdes
Os músicos fazem trottoir, dois a dois
Com os roteiristas. Bach
Leva uma cantata na bolsinha. Dante mexe
Seu esquálido traseiro.

Die Stadt ist nach den Engeln genannt
 Und man begegnet allenthalben Engeln.
Sie riechen nach Ol und tragen goldene Pessare
Und mit blauen Ringen um die Augen
Füttern sie allmorgendlich die Schreiber in ihren Schwimmpfühlen. [1942]
 
A cidade deve o seu nome aos anjos
E com anjos se esbarra em todo lugar.
Cheiram a petróleo e usam pessários dourados
E com olheiras roxas ao redor dos olhos
Alimentam todas as manhãs os escritores em suas pool-cilgas.
 
Jeden Morgen, mein Brot zu verdienen
Fahre ich zum Markt, wo Lügen gekauft werden.
Hoffnungsvoll
Reihe ich mich ein unter die Verkäufer. [1942]
 
Toda manhã, para ganhar meu pão
Dirijo até o mercado onde se compra mentiras.
Esperançoso
Eu me ponho na fila dos vendedores.

Die Stadt Hollywood hat mich belehrt
Paradies und Hölle
Können eine Stadt sein: für die Mittellosen
Ist das Paradies die Hölle. [1942]
 
A cidade de Hollywood ensinou-me
Inferno e paraíso
Podem ser uma cidade: para os desprovidos
É um inferno o paraíso.
 
In den Hügeln wird Gold gefunden
An der Küste findet man Öl.
Größere Vermögen bringen die Träume vom Glück
Die man hier auf Zelluloid schreibt. [1942]
 
Nas colinas ouro é encontrado
Na costa se encontra petróleo.
Maiores fortunas trazem os sonhos de felicidade
Que são escritos aqui no celuloide.
 
Über den vier Städten kreisen die Jagdflieger.
Der Verteidigung. In großer Höhe
Damit der Gestank der Gier und des Elends
Nicht bis zu ihnen heraufdringt. [1942]

Sobre as quatro cidades circunvoam as caças.
Da salvaguarda. Em grande altitude
A fim de que o fedor da ganancia e misério
Não consiga chegar até eles.
In der Chinesenstadt von Los Angeles

Ein Tropfen der rechten Essenz
Andert den Geschmack des Wassers
Einer ganzen Meeresbucht. [1942]
 
Na Chinatown de Los Angeles
 
Uma gota da essência propicia
Muda o sabor da água
De toda uma baía.
.
Lied einer deutschen Mutter
 
Mein Sohn, ich hab dir die Stiefel
Und dies braune Hemd geschenkt:
Hätt ich gewußt, was ich heute weiß
Hätt ich lieber mich aufgehängt.
 
Mein Sohn, als ich deine Hand sah
Erhoben zum Hitlergruß
Wußte ich nicht, daß dem, der ihn grüßet
Die Hand verdorren muß.
 
Mein Sohn, ich hörte dich reden
Von einem Heldengeschlecht.
Wußte nicht, ahnte nicht, sah nicht:
Du warst ihr Folterknecht.
 
Mein Sohn, und ich sah dich marschieren
Hinter dem Hitler her
Und wußte nicht, daß, wer mit ihm auszieht
Zurück kehrt er nimmermehr.
 
Mein Sohn, du sagtest mir, Deutschland
Wird nicht mehr zu kennen sein.
Wußte nicht, es würd werden
Zu Asche und blutigem Stein.
 
Sah das braune Hemd dich tragen
Habe mich nicht dagegen gestemmt.
Denn ich wußte nicht, was ich heut weiß:
Es war dein Totenhemd. [1943]
 
Canção de uma mãe alemã
 
Meu filho, a camisa marrom
E a bota te dei comovida
Mas se soubesse o que sei hoje
Tirava a minha vida.
 
Meu filho, ao ver a tua mão
Erguida a Hitler, não sabia
Que a mão daquele que o saúda
Há de secar um dia.
 
Meu filho, te ouvi exaltando
A tal raça superior.
Não vi nem soube ou suspeitei:
Foste o torturador.

Meu filho, te vi desfilando 
À frente o Führer, tu atrás.
Não sabia que quem o segue
Não vai voltar jamais.
 
Meu filho, disseste: a Alemanha
Há de ganhar outra feição.
Eu não sabia que eram cinzas
E sangue sobre o chão.
 
Meu filho, te vi de camisa
Marrom, não movi uma palha.
Não sabia o que eu hoje sei:
Era a tua mortalha.
 .
Vom Sprengen des Gartens
 
O Sprengen des Gartens, das Grün zu ermutigen!
Wässern der durstigen Bäume! Gib mehr als genug und
Vergiß nicht das Strauchwerk, auch
Das beerenlose nicht, das ermattete
Geizige! Und übersieh mir nicht
Zwischen den Blumen das Unkraut, das auch
Durst hat. Noch gieße nur
Den frischen Rasen oder den versengten nur:
Auch den nackten Boden erfrische du. [1943]
 
Do regar o jardim
 
Regar o jardim, para encorajar o verde!
Aguar as árvores sedentas! Dê mais do que o bastante e
Não esqueça os arbustos, mesmo
Os que não têm bagos, os desbotados
Sovinas! E não me passe batido pela
Erva daninha entre as flores, ela também
Tem sede. Nem molhe apenas
O gramado viçoso ou o ressequido apenas:
O solo nu você refresque também.

Die Verwandlung der Götter
 
Die alten heidnischen Götter  das ist ein Geheimnis 
Waren die ersten, die sich zum Christentum bekehrten
Durch die grauen Eichenhaine gingen sie vor allem Volk
Murmelten volkstümliche Gebete und bekreuzten sich.
 
Durch das ganze Mittelalter stellten sie sich
Wie zerstreut in die steinernen Nischen der Gotteshäuser
Überall, wo göttliche Gestalten gebraucht wurden.
 
Und zur Zeit der französischen Revolution
Legten sie als erste die goldenen Masken der reinen Vernunft an
Und als mächtige Begriffe
Gingen sie, alte Blutsäufer und Gedankenknebler
Über die gebeugten Rücken der schuftenden Menge. [1943]
 
A metamorfose dos deuses
 
Os antigos deuses pagãos  isto é um segredo 
Foram os primeiros a se converterem ao Cristianismo
lam, através dos carvalhais cinzas, até o povo
Murmuravam rezas fortes, faziam o sinal da cruz.
 
Durante toda a Idade Média se mostravam
Como que dispersos em nichos de pedra nas igrejas
Onde quer que se demandasse efígies divinas
 
E na época da Revolução Francesa
Foram os primeiros a pôr as máscaras de ouro da razão puro
E, como conceitos poderosos, andavam
Velhos sanguessugas e mordaças do pensamento
Por sobre as costas curvadas da multidão que trabalha.
.
Der Bauch Laughtons
 
Sie alle verschleppen ihre Bäuche
Als war es Raubgut, als würde gefahndet danach
Aber der große Laughton trug ihn vor wie ein Gedicht
Zu seiner Erbauung und niemandes Ungemach.
Hier war er: nicht unerwartet, doch nicht gewöhnlich
Und gebaut aus Speisen, ausgekürt
In Muße, zur Kurzweil.
Und nach gutem Plan, vortrefflich ausgeführt. [1944]
 
A barriga de Laughton
 
Eles todos carregam suas barrigas
Como se fosse um butim, sob a mira da polícia
Mas o grande Laughton a expunha como um poema
Para edificação própria e desgosto de ninguém.
Aqui estava: não inesperada, mas invulgar
E construída de iguarias selecionadas
No ócio, como passatempo.
E conforme um bom plano, realizado com primor.
.
Wenn ich auf dem Kirchhof liegen werde
Bring die Liebeste mir eine Handvoll Erde.
Sagt: Hier ruhn die Füße, die zu mir gegangen
Hier die Arme, die mich oft umfangen. [1944]
 
Quando forem me deitar no cemitério
A amada trará um punhado de terra.
Dirá: aqui jazem os pés que o trouxeram
Até mim, dois braços que ainda me apertam.
 
Bei der Nachricht von der Erkrankung
eines mächtigen Staatsmanns
 
Wenn der unentbehrliche Mann die Stirn runzelt
Wanken zwei Weltreiche.
Wenn der unentbehrliche Mann stirbt
Schaut die Welt sich um wie eine Mutter, die keine Milch für ihr Kind hat.
Wenn der unentbehrliche Mann eine Woche nach seinem Tod zurückkehrte
Fände man im ganzen Reich für ihn nicht mehr die Stelle eines Portiers. [1944]
 
A notícia do adoecimento de
um poderoso estadista
 
Quando o homem imprescindível franze a testa
Dois impérios estremecem.
Quando o homem imprescindível morre
O mundo se olha feito uma mãe que não tem leite para o filho.
Se o homem imprescindível voltasse uma semana após a sua morte
Não arranjaria, em todo o império, sequer uma vaga de porteiro.
 
Alles wandelt sich. Neu beginnen
Kannst du mit dem letzten Atemzug.
Aber was geschehen, ist geschehen. Und das Wasser
Das du in den Wein gossest, kannst du
Nicht mehr herausschütten.
 
Was geschehen, ist geschehen. Das Wasser
Das du in den Wein gossest, kannst du
Nicht mehr herausschütten. Aber
Alles wandelt sich. Neu beginnen
Kannst du mit dem lezten Atemzug. [1944]

Tudo se transforma. Recomeçar
Você vai poder com o último fôlego.
Mas o que passou, passou. E a água
Que você entornou no vinho, essa
Não dá mais para separar.
 
O que passou, passou. A água
Que você entornou no vinho, essa
Não dá mais para separar. Mas
Tudo se transforma. Recomeçar
Você vai poder com o último fôlego.

Abgesang
 
Soll die letzte Tafel dann so lauten
Die zerbrochene, ohne Leser?
 
Der Planet wird zerbersten
Die er erzeugt hat, werden ihn vernichten.
 
Zusammen zu leben, erdachten wir nur den Kapitalismus.
Erdenkend die Physik, erdachten wir mehr.
Da war es, zusammen zu sterben. [1945]
 
Canto final
 
Então a tábua derradeira há de ser
A despedaçada, sem leitor?
 
O planeta irá pelos ares
Os que ele criou vão destruí-lo.
 
Para vivermos juntos, inventamos só o capitalismo.
Inventando a física, inventamos mais.
Foi isso, para morrermos juntos.
 
Seht doch die Leichtigkeit
Mit der der gewaltige
Fluß die Dämme zerreißt!
Das Erdbeben
Schüttelt mit lässiger Hand den Bodens.
Das entsetzliche Feuer
Greift mit Anmut nach der vielhäusrigen Stadt
Und verzehrt sie behaglich
Eine geübte Esserin. [c. 1945]

Vejam só a facilidade
Com que o enorme rio
Arrebenta as represas!
O terremoto
Sacode o chão com mão displicente.
O fogo hediondo agarra
Com garbo a cidade multiedificado
E a devora à vontade
Uma versada comedora.
.
Der Sumpf
 
Manchen der Freunde sah ich, und den geliebsten
Hilflos versinken im Sumpfe, an dem ich
Täglich vorbeigeh.
 
Und es geschah nicht an einem
Einzigen Vormittag. Viele
Wochen nahm es oft;
Dies machte es schrecklicher.
Und das Gedenken an die gemeinsamen
Langen Gespräche über den Sumpf, der
So viele schon birgt.
 
Hilflos nun sah ich ihn zurückgelehnt
Bedeckt von den Blutegeln
In den schimmernden
Sanft bewegten Schlamm. Auf dem versinkenden
Antlitz das gräßliche
Wonnige Lächeln. [1947]
 
O pântano
 
Quantos amigos eu vi, e os mais amados
Afundarem desamparados no pantano
Por onde passo todo dia.
 
E não se passou numa
Única manhã. Levou
Muitas vezes semanas;
Tornando isso mais macabro.
E a lembrança das nossas longas
Conversas sobre o pantano
Que tantos já abriga.
 
Desamparado o vi então, caído
E coberto de sanguessugas
Na lama cintilante
Suavemente movediça. No semblante
Que afunda, o medonho
E ledo sorriso.

6. ZURIQUE/BERLIM ORIENTAL [1947-1956]
[DOS DIÁRIOS]
[...] 
13.4.48
Agora as tentativas de isolar espiritualmente o nacional-socialismo, como certos exageros, hipertrofias, mas o que foi exagerado, hipertrofiado? As câmaras de gás do truste IG Farben são monumentos da cultura burguesa destas décadas.
O líder das SS Heydrich (ou foi Kaltenbrunner) era um excelente conhecedor de Bach; Einstein toca quarteto e é um humanista, e em algum lugar há fábricas de bombas atômicas trabalhando dia e noite. Nós líamos histórias do oeste selvagem; nossos bisnetos deveriam ler histórias do leste selvagem; pioneiros em luta contra certas tribos.
[como as ideologias que, se observarmos as eleições, continuam atuais, em todo o mundo. No Brasil tem até candidatos que se dizem bozonaritas de bem. Benjamim e o eterno retorno]
[...] 
12.11.48
Na estação Friedrichstraße há uma livraria com livros velhos. Pertence a um comunista. Escolho uma edição de Goethe e ele recusa-se a me deixar pagá-la.
[...]
17.12.48
Deixo-me ser seduzido a comprar uma primeira edição dos poemas de Hölderlin e uma segunda edição de Hermann e Dorothea, Pode-se mostrar isso para os impressores! Que bom gosto! Como os poemas são tratados com sensibilidade! No conjunto como no detalhe. O impressor deixa incessantemente que os poemas lhe proponham problemas, e corajosamente os resolve. E não há aí nem o papel feito à mão para os ricos, nem o muito barato para as massas. Aliás, tempo não significa ainda lucro.
 
3.1.49
Em resposta à minha pergunta, Walcher me diz que o túmulo de Karl e Rosa em um subúrbio (no setor russo), que os nazistas destruíram, não havia sido reconstruído; Pieck the disse que haviam decidido não fazer nada sobre isso.
Os alemães não têm qualquer senso para história, provavelmente porque não têm história.
 
3.1.49
Gostaria de publicar os volumes de poesia numa forma de impressão diferente da habitual, pelo menos no zona oriental. Menor para caber no bolsa, à maneira das edições de cerca de 1820. Só no Antiqua e são no estilo Biedermeier, naturalmente.
 
18.1.49
Ao longo de todas estas semanas, não me sai da cabeça a vitória das comunistas chineses, que altera completamente a face do mundo. Isto está interruptamente presente para mim e me ocupa de hora em hora.
 
20.1.49
Traduzo, de Mao Tse-Tung, Pensamentos ao Sobrevoar a Grande Muralha”.
[...] 
8.7.54
Steff me envia, por meio de desvios, a longa e fundamentada defesa de Oppenheimer, Esse homem infeliz ajudou a fazer a primeira bomba atômica quando, na Guerra a Hitler, os físicos americanos ouviram que Hitler teria mandado trabalhar numa bomba atômica. Para seu terror e de seus colegas, ela foi jogada depois sobre o Japão. Ele tinha preocupações morais com a bomba de hidrogênio, e agora será enviado ao deserto. A sua escrita parece a de um homem acusado por uma tribo canibal de ter se recusado a comer carne. E que, agora, para se desculpar, afirma que estava recolhendo lenha para o caldeirão durante a caçada ao homem! Que trevas!
 
Die Freunde
 
Mich, den Stückschreiber
Hat der Krieg getrennt von meinem Freund, dem Bühnenbauer.
Die Städte, in denen wir arbeiteten, sind nicht mehr.
Wenn ich durch die Städte gehe, die noch sind
Sage ich mitunter: dieses blaue Stück Wäsche dort
Hätte mein Freund besser plaziert. [1948]

Os amigos
 
A mim, o escritor de peças
A guerra separou do meu amigo, o construtor de cenas.
As cidades em que trabalhávamos não existem mais.
Quando passo pelas cidades que ainda estão de pé
Digo às vezes: essa peça de pano azul ali
Meu amigo teria posicionado melhor.
.
Paul Dessau, music; Bertold Brecht, lyrics 
  • I. Grabschrift für Rosa Luxembourg, pour chœur mixte et orchestre.
  • II. Grabschrift für Liebknecht, pour chœur mixte et orchestre.
  • Grabschrift Liebknecht
     
    Hier liegt
    Karl Liebknecht
    Der Kämpfer gegen den Krieg.
    Als er erschlagen wurde
    Stand unsere Stadt noch. [1948]

    Epitafio Liebknecht
     
    Aqui jaz
    Karl Liebknecht
    Guerreiro contra a guerra.
    Quando foi trucidado
    Esta cidade estava de pé.
    Grabschrift Luxemburg
     
    Hier liegt begraben
    Rosa Luxemburg
    Eine Jüdin aus Polen
    Vorkämpferin deutscher Arbeiter
    Getötet im Auftrag
    Deutscher Unterdrücker. Unterdrückte
    Begrabt eure Zwietracht! [1948]
     
    Epitafio Luxemburgo
     
    Aqui está enterrada
    Rosa Luxemburgo
    Uma judia da Polônia
    Paladina dos trabalhadores alemães
    E morta por ordem
    De alemães opressores: oprimidos
    Enterrai vossa discórdia!
    .
    Durch die Trümmer der Luisenstrasse
    Fuhr eine Frau auf dem Fahrrad
    Über der Lenkstange hielt sie Weintrauben
    Und aß im Fahren. Angesichts
    Ihres Appetits bekam auch ich Appetit
    Und nicht nur auf Weintrauben. [1949]
     
    Através dos escombros da Luisenstrasse
    Passou uma mulher de bicicleta
    Levava no guidão um cacho de uvas
    Que ela comia a pedalar. Face
    A seu apetite, também fiquei com apetite
    E não apenas por uvas.
    . 
     
    An den Schauspieler P. L. im Exil
     
    Höre, wir rufen dich zurück. Verjagter
    Jetzt sollst du wiederkommen. Aus dem Land
    Da einst Milch und Honig geflossen ist
    Bist du verjagt worden. Zurückgerufen
    Wirst du in das Land, das zerstört ist.
    Und nichts anderes mehr
    Können wir dir bieten, als daß du gebraucht wirst.
     
    Arm oder reich
    Gesund oder krank
    Vergiss alles
    Und komm. [1950]
     
    Ao ator P. L. no exílio
     
    Ouve, te chamamos de volta. Expulso
    Deves regressar agora. Da terra
    Onde outrora corria leite e mel
    Te expulsaram. És chamado de volta
    Para a terra que está devastada.
    E nada mais podemos
    Te oferecer senão que precisamos de ti.
     
    Pobre ou rico
    Sadio ou doente
    Esquece tudo
    E vem.
    . 
    An R.
     
    Geh ich zeitig in die Leere
    Komm ich aus der Leere voll.
    Wenn ich mit dem Nichts verkehre
    Weiß ich wieder, was ich soll.
     
    Wenn ich liebe, wenn ich fühle
    Ist es eben auch Verschleiß
    Aber dann, in der Kühle
    Werd ich wieder heiß. [1950]
     
    Para R.

    Se vou cedo pro vazio
    Do vazio volto cheio.
    Quando ao nada me associo
    Sei de novo o que eu anseio.
     
    Quando eu sinto, quando amo
    É um desgaste isso também
    No frio, porém
    De novo me inflamo.
    . 
    Paul Dessau, music; Bertold Brecht, lyrics; vocals and guitar:  
    Nr4 Der Liebste Gab Mir Einen Zweig
    Die Liebste gab mir einen Zweig
    Mit gelbem Laub daran.
    Das Jahr, es geht zu Ende
    Die Liebe fängt erst an. [1950]
     
    A mais amada me deu um ramo
    Com folhagem amarela.
    O ano chega ao fim. O amor
    Começa a aflorar por ela.
    .  
    Begegnung mit dem Dichter Auden
     
    Lunchend mich, wie sich's gehört
    In a Brauhaus (unzerstört)
    Saß er gleichend einer Wolke
    Ober dem bebierten Volke
     
    Und erwies die Referenz
    Auch der nackten Existenz
    Ihrer Theorie zumindst
    Wie du sie in Frankreich findst. [Ic. 1950]
     
    Encontro com o poeta Auden
     
    Rangando-me, como se preza
    Numa cervejaria (ilesa)
    Ele, feito uma nuvem sobre
    Aquela multidão insóbria.
     
    E a deferência atribuía
    Igualmente à existência nua
    Ao menos pela teoria
    Que na França você situa.
     
    Athlet und Virtuose sind willkommen
    Pfaff und Bonze werden nicht angenommen.
    Dies ist nicht Tempel noch Warenhaus
    Schwindel und Schacher bleiben draus. [c. 1950]
     
    São bem-vindos aqui: virtuose e atleta
    Burocrata e presbítero a gente ejeta.
    Isto não é uma igreja, tampouco armazém
    Picareta e patife, não vem que não tem!
     
    Auf einen chinesischen Theewurzellöwen
     
    Die Schlechten fürchten deine Klaue.
    Die Guten freuen sich deiner Grazie.
    Derlei
    Hörte ich gern
    Von meinem Vers. [1951]
     
    A um leão de raiz-de-chá chinês
     
    Os maus temem tuas garras.
    Os bons prezam tua graça.
    Quem dera
    Ouvir isso
    Dos meus versos.

    Frage
     
    Wie soll die große Ordnung aufgebaut werden
    Ohne die Weisheit der Massen? Unberatene
    Können den Weg für die vielen
    Nicht finden.
    Ihr großen Lehrer
    Wollet hören beim Reden! [1952]
     
    Pergunta
     
    Como há de ser construída a grande ordem
    Sem a sabedoria das massas? Desinformados
    Não podem achar o caminho
    Para os muitos.
    Vocês, grandes mestres
    Querem escutar discursando!
     
    Die sieben Leben der Literatur
     
    Daß die Literatur keine Mimose ist
    Hat sich herumgesprochen. Wie oft schon
    Ward sie als Göttin geladen und
    Als Vettel behandelt. Ihre Herren
    Fickten sie nachts und spannten sie tags vor den Holzpflug. [c. 1953]

    As sete vidas da literatura
     
    Que a literatura não é nenhuma melindrosa
    Está falado e dito por aí. Quantas vezes já foi
    Carregada como deusa e
    Tratada como vadia. Seus senhores
    Fodiam-na de noite e a atrelavam no arado de dia.

    Ach wie solln wir nun die kleine Rose buchen
    Plötzlich dunkelrot und jung und nah
    Ach wir kamen nicht, sie zu besuchen
    Aber als wir kamen, war sie da
     
    Vor sie da war, war sie nicht erwartet
    Als sie da war, war sie kaum geglaubt
    Ach, zum Ziele kam, was nie gestartet
    Aber war es so nicht überhaupt? [1954]

    Ah, a pequena rosa, como registrar?
    Súbito rubra, jovem e tão perto
    Não vínhamos visitá-la, mas ao chegar
    Ali, o seu botão já estava aberto
     
    Antes de estar ali, inesperada
    Depois de estar, por pouco não se crê;
    Chega à meta o que nem teve largada
    Ah, mas não foi assim, sem mais nem quê?
     
     
     
    E.P. ODE POUR L’ELECTION DE SON SEPULCHRE
      
    Por três anos tentou, à parte
    De sua idade, restaurar a arte
    Morta da poesia; manter o sublime
    Dos velhos tempos. Este seu crime −

    Se tanto. Mas vendo que surgira
    Fora do tempo, num país semi-selvagem,
    Passou a arrancar lírios de uma vagem;
    Capaneu; truta para uma isca de mentira;

    ἴδμεν γάρ τοι πάν πάνθ', όσ' ένι Τροίη
    No ouvido desobstruído;
    Dando, nas rochas, pouco pano,
    O oceano o apanhou nesse ano.
     
    Sua real Penélope: Flaubert.
    Pescou por ilhas obsedantes,
    Observando o penteado de Circe
    Antes que os lemas dos quadrantes.
     
    Indene à marcha dos acontecimentos,
    Passou de memória no an trentiesme
    De son eage. Ao diadema
    Das musas nenhum aditamento.
    II
    A Idade exigia uma imagem
    De sua ágil maquilagem,
    Tablado para um novo ato,
    Nada do ático artefato;
     
    Não, nada dos confusos pesadelos
    Do olhar introspectivo;
    Melhor paliativo
    Que os clássicos por modelos!
     
    Idade exigia um molde em gesso
    Feito com rapidez, não obra-prima,
    Cinema em prosa, o avesso
    Do alabastro, a escultura da rima.
    III
    Rosa-chá pó-de-arroz
    Suplantam a musselina de Cós,
    A pianola abafa
    O bárbitos de Safo.
     
    Cristo sucede a Dioniso,
    O falus e o mel
    Dão lugar ao cilício;
    Caliban bane Ariel.
     
    Tudo flui − dizia
    O inclito Heracleitos;
    Mas ouropéis perfeitos
    Restarão destes dias.
     
    Mesmo o Belo cristão
    Decai face a Samotrácia;
    Já vemos το καλόν
    Cotado no mercado.
     
    Carne de fauno é-nos defesa
    Como a sacra visão;
    Temos por hóstia a imprensa,
    O voto por circuncisão.
     
    Todos iguais perante a lei.
    Livres de Pisistrato,
    Um eunuco ou um rato
    Será nosso rei.
     
    Ó lúcido Apolo,
    τίν᾽ ἄνδρα, τίν' ἥρωα, τίνα θεόν
    A que deus, homem, herói
    Destina-se a coroa de latão!
    IV
    Esses, afinal, combateram,
    e alguns acreditando,
    pro domo, afinal...

    Alguns por amor às armas.
    alguns por aventura,
    alguns por medo da fraqueza,
    alguns por medo da censura,
    alguns por amor à mortandade, em pensamento, 
    aprendendo mais tarde...
    alguns com medo, aprendendo a amar a mortandade;

    Morreram uns, pro patria,
    não dulce, não et decor...
    andaram de olhos fundos pelos inferno,
    acreditando nas mentiras dos mais velhos,
    depois, descrentes, voltaram
    para casa, voltaram para uma mentira,
    para muitos engodos,
    para velhas mentiras e nova infâmia;
    a usura decrépita e adiposa
    e os mentirosos nos postos públicos.
     
    Audácia como nunca antes,
    desperdício como nunca antes.
    Sangue jovem e sangue quente,
    belas faces e corpos sãos;
     
    vigor como nunca antes
     
    franqueza como nunca antes,
    desilusões como nunca se ouviu nos velhos dias,
    histerias, confissões de trincheira,
    riso frouxo de ventres mortos.
    V
    Ali jaz uma miríade,
    E dos melhores, entre eles,
    Por uma velha cadela desdentada,
    Por uma civilização de remendos,
     
    Viço nos lábios sorridentes,
    Faísca de olhos sob a pálpebra da terra,
     
    Por duas grosas de cotos de estátuas,
    Por algumas pilhas de livros rotos.
     
    POUND, Ezra Loomis (1885-1972). E.P. ODE POUR L’ELECTION DE SON SEPULCHRE; traduzido por Augusto de Campos em: Poesia / Ezra Pound; tradução, organização e notas de Augusto de Campos; traduções de Augusto de Campos, Décio Pignatari, Haroldo de Campos, José Lino Grünewald e Mário Faustino; textos críticos de Haroldo de Campos São Paulo: HUCITEC; Brasília: Ed.Universidade de Brasília, 1993. 
     
    6. ZURIQUE/BERLIM ORIENTAL [1947-1956] 
    5. SANTA MONICA [1941-1947] 
     
    E. P. Auswahl seines Grabstein
     
    Die Herstellung von Versteinerungen
    Ist ein mühsames Geschäft und
    Kostspielig. Ganze Städte
    Müssen in Schutt gelegt werden
    Und unter Umständen umsonst
    Wenn die Fliege oder der Farn
    Schlecht plaziert wurde. Überdies
    Ist der Stein unserer Städte nicht haltbar
    Und auch Versteinerungen
    Halten sich nicht sicher. [c. 1954]
     
    E. P. escolhe sua lápide
     
    A produção de petrefatos
    um empreendimento árduo e
    Dispensioso. Cidades inteiras
    Precisam virar escombros e, sob
    Certas circunstâncias, em vão
    Se a mosca ou feto tiver sido
    Mal posicionado. Além disso
    A pedra de nossas cidades não é durável
    E petrefatos tampouco
    Perduram seguros.

    Wie es war
     
    Deine Sorg war meine Sorg
    Meine Sorg war deine
    Hattest du eine Freude nicht mit
    Hatt ich selber keine. [1956]
     
    Como era
     
    Teu zelo era meu zelo
    Meu zelo era teu
    Não tivesses nisso tua alegria
    A minha eu não teria.


    Der Zar hat mit ihnen gesprochen
    Mit Gewehr und Peitsche
    Am blutigen Sonntag. Dann
    Sprach zu ihnen mit Gewehr und Peitsche
    Alle Tage der Woche, alle Werktage
    Er verdiente Mörder des Volkes.
     
    Die Sonne der Völker
    Verbrannte ihre Anbeter.
    Der größte Gelehrte der Welt
    Hat das kommunistische Manifest vergessen.
    Der genialste Schüler Lenins
    Hat ihn aufs Maul geschlagen.
     
    Aber jung war er tüchtig
    Aber alt war er grausam
    Jung
    War er nicht Gott.
     
    Der zum Gott wird
    wird dumm. [1956]
     
    O Czar falou a eles
    Com armas e açoites
    No domingo sangrento. Depois
    Falou a eles com armas e açoites
    Todos os dias da semana, todo dia útil
    Ele, benemérito algoz do povo.
     
    O sol dos povos
    Torrou os seus adoradores
    O maior mestre do mundo
    Esqueceu o Manifesto Comunista.
    O aluno mais genial de Lênin
    Deu-lhe um murro na boca.
     
    Mas, quando jovem, era ativo
    Mas, quando velho, era atroz
    Jovem
    Não era Deus.
     
    Quem vira Deus
    Emburrece.

    Die Gewichte auf der Waage 
    Sind groß. Hinausgeworfen
    Wird auf die andere Skale die Klugheit
    Und als nötige Zuwaag
    Die Grausamkeit.
     
    Die Anbeter sehen sich um:
    Was war falsch? Der Gott?
    Oder das Beten?
     
    Aber die Maschinen?
    Aber die Siegestrophäen?
    Aber das Kind ohne Brot?
    Aber der blutenden Genossen
    Ungehörter Angstschrei?
     
    Der alles befohlen hat
    Hat nicht alles gemacht.
     
    Versprochen worden sind Äpfel
    Ausgeblieben ist Brot. [1956]
     
    Os pesos na balança
    São grandes. Serão jogados
    Na outra escala a perspicácia
    E como contrapeso necessário
    A crueldade.
     
    Os devotos olham ao redor:
    O que era falso? O deus?
    Ou a reza?
     
    Mas, e as máquinas?
    Mas, e os troféus da vitória?
    Mas, e a criança sem pão?
    Mas, e o grito de medo inaudito
    Dos camaradas sangrando?
     
    Quem tudo ordenou
    Não fez isso tudo.
     
    O prometido foram maçãs
    O que ficou de fora, pão.
     

    POESIA E PINTURA PARA CASAS DO POVO
     
    Trata-se, a seguir, da combinação de dois gêneros de arte, a poesia e a pintura. Elas devem aparecer juntas, e a sua aliança deve ser de um novo tipo.
    A ideia é muito simples. Numa tábua de madeira é pintada uma imagem, numa segunda tábua é escrito um poema. Os dois painéis podem ser pendurados um ao lado do outro ou em frente um do outro, e o espectador passa do poema para a imagem e da imagem para o poema. Isto pode ser feito em qualquer edifício público, biblioteca, escola, clínica etc., mas especialmente em Casas do Povo. A ideia de criar tais quadros, que consistem de poesia e pintura, pode ser considerada boa ou má, mas à primeira vista não parece particularmente difícil de ser realizada. Estranhamente, porém, ele oferece uma série de dificuldades para os realizadores, o pintor e o poeta. Vamos tratar disso aqui, porque se pode aprender muito sobre as especificidades dos dois gêneros.
    É claro que tal combinação de poesia e pintura deve ser um caso especial. Um painel desse tipo não significa concorrência para pinturas sem texto ou para poemas sem imagens. Continuará havendo pinturas que não precisam de texto e tampouco o toleram, e poemas que podem ser melhor apreciados quando lidos em livro ou escutados em recitação. Nem toda imagem ou poema é adequado para tal combinação. Então não se trata do novo caminho para a pintura ou para a poesia, é um dos muitos caminhos novos e antigos, e como já foi dito, ele apresenta suas dificuldades. 
    A pintura desenvolveu-se no século passado numa direção muito específica, o que a levou, entre outras coisas, a afastar-se da literatura. Tornou-se não literária, até mesmo hostil à literatura. A pintura emancipou-se. Recusou-se a ser julgada, no futuro, a partir dos pontos de vista que valem para obras literárias. Recusou-se também a desencadear estados de ânimo religiosos, por exemplo, e rejeitou temáticas hagiográficas. Também se recusou a resolver problemas sociais ou a ensinar história. Os quadros se zangavam, por assim dizer, quando eram perguntados sobre o seu sentido, entendendo-se sentido por algo que não tinha nada a ver com problemas de pintura, com questões ópticas. Os pintores disseram: uma bota bem pintada é um trabalho mais honesto do que alguns metros quadrados do fim de expediente da vovozinha. E na vida cotidiana pode ser decisivo o que se faz com uma bota, pode não servir apenas para olhar, mas na arte só se faz uma coisa com ela: você a pinta, e na pintura ela só está aí para o olhar. Quando ela aparece em uma composição que ainda tem um significado especial para si mesma, por exemplo, na perna de um médico sentado na cama de uma jovem que infelizmente morre, o prazer puramente sensual das formas e cores da bota, que é a única coisa que importa para a pintura, é
    perturbado. Porque a pintura não tem a tarefa de fazer as pessoas pensarem sobre este ou aquele problema humano ou de fazer com que simpatizem com as pessoas pintadas, mas de criar o que em alemão se chama uma festa para os olhos. Ela permite que o sentido óptico se divirta.
    Não se pode (e nem se deve) negar que os pintores que adotaram essa atitude foram os mais avançados do seu tempo e que a pintura deve a esse posicionamento uma grande época artística com muitas obras boas. Não precisamos examinar aqui como, mais tarde, após uma forte hipertrofia do princípio, surgiram outras direções na pintura, que também consideraram como tarefas da pintura a criação de certos processos mais significativos entre as pessoas. Para estes pintores, o isolamento do sentido óptico não parecia frutifero. Com isso, podemos afirmar que a imagem do nosso painel deve ser uma criação totalmente independente, que, em si e por si só, não necessite de qualquer texto para ser eficaz. Não representa de modo algum uma ilustração do poema. Pode estar em contato próximo com o poema, mas não é apoiada por ele, e não constitui ela mesmo um suporte. Se o poema tem uma tendência, a imagem não precisa ter essa tendência. Ela pode estar conectada de qualquer maneira com o tema do poema, talvez até mesmo remotamente. Pode ser uma contribuição para um detalhe. Pode até representar o ouvinte do poema. Pode, praticamente, ser pintada tanto antes quanto depois do poema. Se o poema for escrito depois da imagem, ele também pode escolher uma conexão bastante solta. Sim, poemas e imagens podem ser criados independentemente uns dos outros e combinados por terceiros. A união das duas artes é uma livre associação.
    Uma dificuldade poderá ser vista no fato de que um painel com um poema pode parecer opticamente muito pobre próximo a uma imagem. No entanto, numa observação mais próxima, verifica-se que essa objeção é de natureza muito formal. Tanto nos tempos antigos, quando havia todo o tipo de escritos
    de parede e várias inscrições de objetos do cotidiano, quanto nos nossos tempos de publicidade em luminosos e colunas que carregam a escrita na imagem da rua, há exemplos suficientes de que os textos, colocados assim diante das pessoas, produzem o seu efeito.
    É importante, claro, que a imagem não se agarre ao poema como uma pessoa que se afoga agarra a outra, impedindo que ambos consigam nadar. A imagem não deve perturbar (ou querer substituir) o material imagético inerente ao poema, que é de natureza diferente. Não deve estreitar a imaginação do
    leitor. Por outro lado, o poema não deve conter momentos tão sensuais que atrapalhem as atrações ópticas de uma imagem. Isso, como já mencionado, apresenta dificuldades.
    No entanto, a unificação das duas artes também alivia cada uma delas. Cada artista que hoje deseja fazer de sua arte a causa do povo, e da causa do povo a sua arte, sabe as dificuldades de emprestar a sua arte uma grande função social. A inquietação das massas, que deriva da insegurança da existência de cada indivíduo nas enormes lutas sociais do nosso tempo, é um elemento de desenvolvimento e progresso demasiado valioso para ser rejeitado pela arte apenas como um fator de perturbação. Mas é muito difícil para o artista responder a todas as perguntas que o povo, como cada produtor e cada companheiro, lhe faz no âmbito da sua arte peculiar.
    Ainda se levanta a questão do sentido, talvez não tanto da arte como de todos os fenômenos da vida em geral que a arte trata. Tanto a poesia quanto a pintura tornam as coisas mais fáceis para si quando se apresentam juntas, pelo menos às vezes.
    A vantagem de tais painéis, que combinam poesia e pintura, poderia residir no fato de que, respeitando rigorosamente os limites e funções dos vários gêneros artísticos, dão ao espectador a oportunidade de combinar os dois prazeres. Isto pode ser importante num tempo que, como esse nosso, empurra para a especialização e faz tão pouco pela universalidade e plena sensualidade do homem. É justo a adoção de ambos os pontos de vista que enriquece o espectador.
    Pode-se também formular assim: no gozo subjetivo da arte adentra um momento objetivo. Vale a pena refletir sobre isso um pouco. Os que refletiram sobre isso refletiram sobre um importante capítulo da arte.
    O tema dos painéis aparece diante do espectador em duas composições subjetivas (como o pintor o vê e como o poeta o vé). O espectador toma ambos os pontos de vista e, mudando de um para o outro, toma um terceiro, o seu próprio. Tomemos como exemplo dois painéis feitos para uma sala da biblioteca de uma Casa do Povo chamada Quarto de Górki. Num painel está representado Górki, no outro está escrito um poema sobre ele. O pintor fez de Górki uma composição bastante específica, o poeta igualmente, as duas composições dificilmente corresponderão, mas mesmo que o fizessem, a diversidade dos meios de arte envolvidos na composição garantiria que o próprio Górki, o tema do painel, aparecesse de uma forma muito mais objetiva do que através de uma única composição artística.
    Esses painéis, sem dúvida, exibidos em Casas do Povo, causariam mais discussão do que uma pintura ou um poema sozinho poderiam deflagrar E a discussão é um dos mais altos níveis de prazer artístico que a sociedade pode atingir. [1939]
     
    Nota: 
    Casas do Povo: centros de convivência e cultura criados pelo movimento operário em
    vários países da Europa a partir do final do século XIX.
    [Como os Clubes dos Trabalhadores da União Soviética, que cheguei a conhecer alguns em Moscow, como:

    Clube Zuyev Trabalhadores ( Клуб имени Зуева )

    projeto: Ilya Golosov

    Лесная улица, 18 Moscou

    18 Lesnaya Ulitsa, a nordeste da Estação Belorusskaya, a noroeste do centro da cidade ao longo da Tverskaya Ulitsa

    ou

    club Svoboda (trabalhadores)

    Konstantin Stepanovich Melnikov (Константин Степанович Мельников),

    entre outros.

    Sempre projetos dos alunos e professores da ВХУТЕМАСа:

    От ВХУТЕМАСа к МАРХИ, Vkhutemas, 1920-1936: архитектурные проекты из собрания Музея МАРХИ. Л. И. Иванова-Везн. — Москва: А-Фонд, 2005.
    _________________. 1918-2018
    Vkhutemas / O Futuro em Construção / Celso Lima e Neide Jallageas. — São Paulo: музей Мархи; Sesc Pompéia, 2018.
     

    Assim com a idéia dos Sescs. Cada Clube do Trabalhadores parece um Sesc, mas anos antes [e abandonados]. Tem un texto do Walter Benjamin que ele fala da importancia disso na União Soviética (me foge agora da cabeça em qual texto dele, ainda mais que estou relendo todos)]


    FORMALISMO E NOVAS FORMAS
     
    A marcha em ponto morto na literatura da época capitalista tardia mostra-se, como é bem sabido, pelo fato de seus poetas tentarem constantemente obter novos estímulos dos antigos conteúdos burgueses através de uma reformatação desesperada. Ocorre assim um fenômeno peculiar de decomposição, ou seja, a separação da forma e do conteúdo na obra de arte, em que a forma nova se distingue do conteúdo que é velho. Por outras palavras: só os novos conteúdos suportam novas formas. Eles até os requerem. Com efeito, se os novos conteúdos fossem forçados em formas antigas, a desastrosa separação de conteúdo e forma voltaria a ocorrer imediatamente, na medida em que agora a forma que seria antiga se distinguiria do conteúdo que seria novo. A vida que se desenrola em novas formas por aqui, onde os fundamentos da sociedade estão sendo revolucionados, não pode ser moldada ou influenciada por uma literatura na forma antiga. [1950]
     
    BRECHT, Bertolt. 1898-1956. Poesia / Bertolt Brecht (Eugen Bertholt Friedrich Brecht); 300 poemas (edição bilíngue); fragmentos dos diários, anotações autobiográficas, 20 textos sobre poesia; seleção, introdução & tradução André Vallias; texto de 2a capa Augusto de Campos; e 3a capa Lion Feuchtwanger (1928).  São Paulo: Perspectiva, 2019. – (Coleção Signos; 60 / dirigida por Augusto de Campos) 

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