<fase tardia>
[...]
Blanqui no Libérateur de março de 1834: “Ele demoliu com uma comparação o famoso lugar comum: ‘Os ricos colocam os pobres para trabalhar.’ ‘Mais ou menos’, disse ele, ‘como os fazendeiros colocam os negros para trabalhar, com a diferença que o operário não é um capital para ser administrado, como o era o escravo’.” Gustave Geffroy, L’Enfermé, Paris, 1926, vol. I, p. 69.
[a 20, 2]
Propostas de Garat, de 2 de abril de 1848: “Instalação de um cordon sanitaire [cordão de isolamento] em volta das residências dos ricos, que são destinados a morrer de fome.” Gustave Geffroy, L’Enfermé, Paris, 1926, vol. I, p. 152.
[a 20, 3]
[...]
Blanqui, durante o interrogatório do processo da Societè des Amis du Peuple, respondendo às perguntas do presidente: ‘“Qual a sua profissão?’ — Blanqui: ‘Proletário.’ — O presidente: ‘Isso não é uma profissão.’ — Blanqui: ‘Como não?! Não é uma profissão?! Pois é a profissão de trinta milhões de franceses que vivem de seu trabalho e que estão privados de direitos políticos.’ — O presidente: ‘Pois bem! que seja. Escrivão, escreva que o acusado é proletário.’” Défense du Citoyen Louis Auguste Blanqui Devant la Cour d’Assises, 1832, Paris, 1 832, p. 4.
[a 20, 8]
[...]
“O homem de gênio representa ao mesmo tempo a maior força e a maior fraqueza da humanidade... Ele prega às nações que o interesse do fraco e o interesse do gênio se confundem, que não se pode atingir um sem atingir o outro, e que o último limite da perfeição só será alcançado quando o direito do mais fraco tiver substituído sobre o trono o direito do mais forte.” Auguste Blanqui, Critique Sociale, Paris, 1885, vol. II, Fragments et Notes, p. 46 (“Propriété intellectuelle” — 1867 — Conclusão!).
[a 20a, 3]
[...]
Doutrina de Blanqui: “Não! Ninguém sabe nem detém o segredo do futuro. Somente alguns pressentimentos, golpes de vista, vislumbres vagos e fugidios, são possíveis aos mais clarividentes. Apenas a Revolução, aplainando o terreno, iluminará o horizonte, levantará pouco a pouco as velas, abrirá as estradas, ou melhor, as trilhas múltiplas que conduzem à ordem nova. Aqueles que pretendem ter no bolso o mapa completo dessa terra desconhecida, estes são insensatos.” Auguste Blanqui, Critique Sociale, Paris, 1885, vol. II, pp. 115-116 (“Les Sectes et la Révolution”, outubro de 1866).
[a 20a, 5]
[...]
“A matéria assumirá ... a figura de um ponto no céu? Ou se contentará com mil, dez mil, cem mil pontos que aumentariam de modo insignificante seu magro domínio? Não, sua vocação e sua lei é o infinito. Ela não se deixará ultrapassar pelo vazio. O espaço não se tornará seu cárcere.” A. Blanqui, L’Eternité par les Astres: Hypothese Astronomique, Paris, 1872, p. 54.
[a 21, 4]
No fim de uma assembléia, nos primeiros dias da Terceira República: “Louise Michel anunciou que iam pedir esmolas para as mulheres e os filhos dos prisioneiros. ‘O que nós vos pedimos’, disse ela, hão é um ato de caridade, mas um ato de solidariedade, porque aqueles que fazem caridade sentem-se depois orgulhosos e contentes; mas nós, nós não estamos nunca satisfeitos’.” Daniel Halévy, Pays Parisiens, Paris, 1932, p. 165.
[a 21, 5]
[...]
Barricadas: “Às nove horas, em uma bela noite de verão, Paris — sem lampiões, sem boutiques , sem gás, sem veículos — oferecia um quadro único de desolação. À meia-noite, com as pedras do calçamento amontoadas, com suas barricadas, seus muros em ruínas, suas mil carruagens atoladas na lama, seus boulevards devastados, com suas mas negras e desertas, Paris não se parecia com nada de conhecido; Tebas e Herculano seriam menos tristes: nenhum ruído, nenhuma sombra, nenhum ser vivo, fora o operário imóvel que guardava a barricada com seu fuzil e suas pistolas. Como moldura de tudo isso, o sangue da véspera e a incerteza do amanhã.” Barthélemy e Méry, L’Insurrection: Poème, Paris, 1830, pp. 52-53 (Nota). ■ Antiguidade parisiense ■
[a 21a, 1]
“Quem poderia imaginar! Dizem que, irritados contra a hora,
Novos Josués, ao pé de cada torre,
Atiraram nos relógios para parar o dia.”
A este respeito, a nota: “Este é um traço único na história da insurreição; é o único ato de vandalismo cometido pelo povo contra os monumentos públicos — e que vandalismo! Como ele exprime bem o estado dos espíritos na noite de 28!27 Com que raiva assistia-se cair a sombra, e o impassível ponteiro que avançava para a noite como nos dias comuns! O que há de mais singular neste episódio é que ele se deu na mesma hora em bairros diferentes; não foi uma idéia isolada, um capricho excepcional, mas um sentimento quase geral.”28 Barthélemy e Méry, L’Insurrection: Poème Dedié aux Parisiens, Paris, 1830, pp. 22 e 52.
[a 21a, 2]
Na Revolução de Julho, pouco tempo antes que se afirmasse a bandeira tricolor, o estandarte dos insurgentes era negro. Com ele cobriu-se o <corpo> feminino, sem dúvida o mesmo que foi carregado à luz de tochas pelas ruas de Paris.29 Cf. Barthélemy e Méry, L’Insurrection, Paris, 1830, p. 51.
[a 21a, 3]
[...]
“O tipógrafo Burgy, em seu livro Présent et Avenir des Ouvriers, prega ... o celibato a seus compagnons: o quadro da condição proletária não estaria completo sem o traço da resignação e do derrotismo.” Jean Cassou, Quarante-huit, Paris, 1939, p. 77.
[a 22a, 1]
Guizot em Du Mouvement et de la Résistance en Politique: “Todo homem que, com uma inteligência acima da média, não tem nem uma propriedade nem uma indústria, isto é, que não quer ou não pode pagar um tributo ao Estado, deve ser considerado um homem perigoso do ponto de vista político.” Cit. em Cassou, Quarante-huit, p. 152.
[a 22a, 2]
Guizot, em 1837, na Câmara: “Contra essa disposição revolucionária das classes pobres, os senhores hoje não têm nenhuma outra garantia eficaz e poderosa — afora o uso da força legal — a não ser o trabalho, a necessidade incessante do trabalho.” Cit. em Cassou, Quarante-huit, pp. 152-153.
[a 22a, 3]
Blanqui na carta a Maillard: “Graças aos céus, há muitos burgueses no campo Proletário. São eles que constituem a principal força, ou, pelo menos, a mais persistente. Eles trazem nm contingente de luzes que o povo infelizmente não pode ainda fornecer. Foram os Burgueses que ergueram primeiro a bandeira do Proletariado, que formularam as doutrinas igualitárias, que as propagam, que as mantêm, e que as reerguem depois da queda. Por toda parte, são os burgueses que conduzem o povo em suas batalhas contra a Burguesia.” A passagem seguinte trata da exploração do proletariado como tropa de choque da política burguesa. Maurice Dommanget, Blanqui à Belle-Ile, Paris, 1935, pp. 176-177.
[a 22a, 4]
27 28 de julho de 1830 foi o segundo dos três dias de insurreição, conhecidos como “os três dias gloriosos” (les trois gloríeuses) da Revolução de Julho. (E/M)
28 Cf. a tese XV de W. Benjamin, “Über den Begriff der Geschichte”, GS I, 702; Teses, p. 123. (w.b.)
29 Ver a 1, 3, embora esta passagem se refira à Revolução de Fevereiro de 1848. (E/M)
BENJAMIN,
Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin;
edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi
Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain
Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice
Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo;
pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução
à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG;
São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.

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