<fase média>
[d 4, 1]
[...]
“O exemplar incompleto da Biblioteca Nacional é suficiente para avaliarmos a ousadia e a novidade do empreendimento tentado por Balzac... O Feuilleton des Joumaux Politiques não visava nada menos que a supressão das livrarias. Seria preciso organizar a venda direta do editor ao comprador ... cada um teria seu benefício — o editor e o autor ganhando mais, e o comprador pagando menos pelos livros. O acordo ... não deu resultado, sem dúvida porque as livrarias se opuseram.” Louis Lumet, Introdução a Honoré de Balzac, Critique Littéraire, Paris, 1912, p. 10.
[mas, finalmente, isso acontece hoje. Algumas livrarias — Simples, Martins Fontes — também tentam fazer o mesmo com livros das editoras (como a Martins, que tem mesmo tendo 2 editoras, faz de outras, até de editoras estrangeiras)]
[d 4a, 3]
[...]
Victor Hugo, em carta a Baudelaire — com referência específica aos poemas “Les sept vieillards” e “Les petites vieilles”, ambos dedicados a Hugo (que forneceu o modelo para o segundo poema, como comunica Baudelaire a Poulet-Malassis): “Você põe no céu da Arte algo como um raio macabro. Você cria um frêmito novo.” Cit. em Louis Barthou, Autour de Baudelaire, Paris, 1917, p. 42 (“Victor Hugo et Baudelaire”).
[d 5, 6]
Maxime Leroy, em Les Premiers Amis Français de Wagner, explica que o momento revolucionário representou um papel importante na conversão de Baudelaire a favor de Wagner. De fato, reunia-se em tomo das obras de Wagner uma fronda antifeudal. O fato de o balé ter sido abolido de suas óperas escandalizou os aficionados do gênero.
[d 5, 7]
[...]
A respeito de Victor Hugo: Baudelaire “acreditava na coexistência do gênio com a tolice”. Louis Bardiou, Autour de Baudelaire, Paris, 1916, p. 44 (“Victor Hugo et Baudelaire”). No mesmo sentido, antes do banquete organizado por ocasião do tricentenário do nascimento de Shakespeare (23 de abril de 1864), ele fala do “livro de Victor Hugo sobre Shakespeare, que, cheio de belezas e de tolices como todos os seus outros livros, talvez ainda desaponte seus mais sinceros admiradores” (cit. em op. cit., p. 50). E: “Hugo, sacerdote, tem sempre a cabeça inclinada, inclinada demais para enxergar alguma coisa além de seu umbigo.” (cit. em op. cit., p. 57)
[d 6, 2]
A administração do Feuilleton des Joumaux Politiques oferecia certos livros abaixo do preço oficial, sem intermédio das livrarias. Balzac orgulha-se da própria iniciativa, contra as hostilidades dos opositores, e almeja consolidar por meio dela o contato direto entre editor e público. No primeiro exemplar da publicação, Balzac apresenta a história do mercado livreiro e editorial desde a revolução de 1789, encerrando-a com a seguinte exigência: “É preciso, enfim, que se consiga que um livro seja fabricado exatamente como um pão, e seja vendido como um pão; que não haja outro intermediário entre um autor e um consumidor senão o livreiro. Então esse comércio será o mais seguro de todos... Quando um livreiro for obrigado a gastar uma dezena de milhares de francos numa operação, ele não a fará de forma arriscada nem mal planejada. Então eles perceberão que a instrução é uma necessidade de sua profissão. Um vendedor que não sabe em que ano Gutemberg imprimiu a Bíblia não imaginará que, para ser livreiro, basta apenas inscrever seu nome acima de uma loja.” Honorc de Balzac, Critique Littéraire, com introdução de Louis Lumet, Paris, 1912, pp. 34-35.
[Atualmente temos que pesquisar para encontrar as, boas, padarias que fazem pão de verdade, azedo e com fermentação natural lenta. Mas ainda existe]
[d 6, 3]
Pélin publica a carta de um editor que se declara disposto a comprar o manuscrito de um autor com a condição de poder publicá-lo sob o nome de quem ele quisesse (“com a condição ... de que ele seja assinado por uma pessoa cujo nome poderá ser para meu negócio um elemento de sucesso”). Gabriel Pélin, Les Laitleurs du Beau Paris, Paris, 1861, pp. 98-99.
[d 6, 4]
Honorários. Victor Hugo recebe 300.000 francos de Lacroix em troca da cessão dos direitos sobre Les Misérables por 12 anos. “É a primeira vez que Victor Hugo recebe uma soma tão elevada. ‘Em vinte e oito anos de trabalho intenso, diz o Sr. Paul Souday, com uma obra de 31 volumes ... ele havia embolsado ao todo 553.000 francos... Ele nunca ganhou tanto quanto Lamartine, Scribe ou Dumas pai...’ Lamartine, de 1838 a 1851, recebeu algo em torno de cinco milhões de francos, dos quais 600.000 foram pela Histoire des Girondins.” Edmond Benoit-Lévy, “Les Misérables” de Victor Hugo, Paris, 1929, p. 108. Relação entre ganhos e aspirações políticas.
[d 6a, 1]
“Quando Eugène Sue, depois de Les Mystères de Londres ... concebeu o projeto de escrever Les Mystères de Paris, sua proposta básica era a de interessar o leitor pela descrição do submundo. Ele começou qualificando seu romance de ‘história fantástica’... Foi um artigo de jornal que decidiu seu futuro; o La Phalange fez um elogio ao início do romance que abriu os olhos do autor: ‘O Sr. Sue acaba de empreender a crítica mais incisiva da sociedade... A ele as nossas felicitações, por haver retratado ... os terríveis sofrimentos do povo e a cruel indiferença da sociedade...’ O autor desse artigo ... recebeu a visita de Sue; eles conversaram — e foi assim que o romance já começado tomou um novo rumo... O próprio Eugène Sue convenceu-se, participou da batalha eleitoral, foi eleito... (1848)... As tendências e o alcance dos romances de Sue eram tais que o Sr. Alfred Nettement viu neles uma das causas determinantes da Revolução de 1848.” Edmond Benoit-Lévy, “Les Misérables” de Victor Hugo, Paris, 1929, pp. 18-19.
[d 6a, 2]
Um poema saint-simoniano dedicado a Sue como autor de Les Mystères de Paris. Savinien Lapointe, “De mon échoppe”,9 in: Une Voix d’en Bas, Paris, 1844, pp. 283-296.
[d 6a, 3]
[...]
Os romances de George Sand provocaram um aumento do número de divórcios, quase todos requeridos pela mulher. A autora mantinha uma vasta correspondência, na qual assumia o papel de conselheira das mulheres.
[d 6a, 7]
[...]
“A audácia com que o comunismo, esta lógica ... da democracia, ataca a sociedade na ordem moral, anuncia que ... o Sansão popular, tornando-se prudeiue, solapará as colunas sociais no porão, em vez de sacudi-las na sala do banquete.” Balzac, Les Paysans, cit. em Abbé Charles Calippe, Balzac: Ses ldées Sociales, Reims-Paris, 1906, p. 108.
[d 9,1]
9 Échoppe tem o duplo sentido de “oficina” e “buril”. 0 autor, Savinien Lapointe, foi um sapateiro que realizou também gravuras em couro. (E/M)
BENJAMIN,
Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin;
edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi
Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain
Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice
Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo;
pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução
à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG;
São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.

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