Benjamin Gastineau já havia sido deportado duas vezes para a Argélia sob o governo de Napoleão III. “Durante a Comuna de Paris, o Sr. Gastineau foi nomeado inspetor das bibliotecas comunais. O 20o conselho de guerra, encarregado de julgá-lo, não pôde levantar contra ele acusação de nenhum delito do direito comum. Mas condenou-o, a despeito disso, à deportação para um recinto fortificado.” Pierre Larousse, Grand Dictionnaire Universel du XIXe Siecle, vol. VIII, Paris, 1872, p. 1062. — Gastineau iniciou sua carreira como tipógrafo.
[d 11, 4]
Pierre Dupont: “O poeta, como ele diz num de seus pequenos poemas,
Trata-se, com efeito, de grandes sinfonias agrestes, de vozes com que fala a natureza inteira, ou dos clamores e desesperos, das aspirações e dos lamentos da multidão que ele faz brotar ama dupla inspiração. A canção, como a compreendiam nossos pais..., a canção de beber, ou mesmo a simples balada, lhe são absolutamente estranhas.” Pierre Larousse, Grand Dictionnaire Universel du XIXe Siecle, vol. VI, Paris, 1870, p. 141 (verbete: “Dupont”). Assim, o ódio de Baudelaire por Béranger é ao mesmo tempo um elemento de seu amor por Dupont.
Ouve alternadamente as florestas e a multidão.
Trata-se, com efeito, de grandes sinfonias agrestes, de vozes com que fala a natureza inteira, ou dos clamores e desesperos, das aspirações e dos lamentos da multidão que ele faz brotar ama dupla inspiração. A canção, como a compreendiam nossos pais..., a canção de beber, ou mesmo a simples balada, lhe são absolutamente estranhas.” Pierre Larousse, Grand Dictionnaire Universel du XIXe Siecle, vol. VI, Paris, 1870, p. 141 (verbete: “Dupont”). Assim, o ódio de Baudelaire por Béranger é ao mesmo tempo um elemento de seu amor por Dupont.
[d 11a, 1]
[...]
Os trechos decisivos do romance Les Misérables sao baseados em fatos reais. A condenação de Jean Valjean foi inspirada no caso de um homem que, por ter roubado um pão para os filhos de sua irmã, havia sido condenado a cinco anos de prisão. Hugo documentava tais acontecimentos com grande exatidão.
[d 12, 1]
Uma apresentação detalhada da atitude de Lamartine durante a Revolução de Fevereiro é fornecida por Pokrowski em um artigo que se baseia em parte nos relatos diplomáticos de Kisseliov, que na época era embaixador da Rússia em Paris. ‘“Lamartine ... admitiu escreve Kisseliov — que a França se encontrava numa situação que costuma ocorrer quando um governo é derrubado e o seguinte ainda não se consolidou. Ele acrescentou, porém, que a população provou possuir muito bom senso e um tal respeito pela família e pela propriedade que a ordem em Paris seria preservada pelas próprias circunstâncias e pelo estado de espírito da massa... Dentro de oito ou dez dias seria organizada uma guarda nacional de 200.000 homens — prosseguiu Lamartine —; além disso, havia 15.000 recrutas, cujo estado de espírito era excelente, e 20.000 homens da tropa de linha que já cercavam Paris e que deviam avançar cidade adentro.’ Aqui é preciso parar por um instante. Como se sabe, o pretexto para a reconvocaçao das tropas, que tinham sido retiradas de Paris depois de fevereiro, foi a manifestação dos operários de 16 dc abril; entretanto, a conversa entre Lamartine e Kisseliov deu-se em 6 de abril. Com efeito, Marx percebera, de maneira genial (em Die Khassenkämpfe in Frankreich), que a manifestação fora provocada com a finalidade de trazer de volta à capital ... a mais leal das forças da ordem. Prossigamos, pois. Estas massas (isto é, a guarda nacional burguesa, os recrutas e as tropas de linha — M. N. E) — disse Lamartine — ‘refrearão os fanáticos dos clubes que se apóiam em alguns milhares de vagabundos e elementos criminosos (!) e evitarão qualquer excesso’.” M. N. Pokrowski, Historische Aufsätze, Viena-Berlim, 1928, pp. 108-109 (“Lamartine, Cavaignac e Nicolau I”).
[d 12, 2]
Em 6 de abril, é enviada de São Petersburgo uma instrução de Nesselrode a Kisseliov. “Nicolau e seu chanceler não esconderam de seu agente que precisavam da aliança com a França contra a Alemanha — contra a nova Alemanha vermelha que, com suas cores revolucionárias, começava a fazer sombra à França, que, por sua vez, já começava a readquirir o bom senso.” M. N. Pokrowski, Historische Aufsãtze, Viena -Berlim, p. 112.
[d 12, 3]
[...]
“Um observador perspicaz disse um dia que a Itália fascista era dirigida como um grande jornal e, aliás, por um grande jornalista: uma idéia por dia, concursos, sensações, uma hábil e insistente orientação do leitor para certos aspectos da vida social enfatizados de modo desmedido, uma deformação sistemática do entendimento do leitor para certos fins práticos. Numa palavra, os regimes fascistas são regimes publicitários.” Jean de Lignières, “Le centenaire de La Presse”, Vendredi , junho 1936.
[d 12a, 2]
[...]
“Hoje em dia tantos fatos demonstrados e autênticos originam-se das ciências ocultas que um dia essas ciências serão ministradas como se ministra a química e a astronomia. E mesmo notável que, no momento em que se criam em Paris cadeiras de eslavo, de manchu e de literaturas tão pouco ensinadas como as literaturas do Norte — que nem deveriam dar lições, mas recebê-las —, não se tenha reinstaurado, com o nome de Antropologia, o ensino da filosofia oculta, uma das glórias da antiga Universidade. Nisto, a Alemanha ... adiantouse à França.” Honoré de Balzac, Le Cousin Pons [Œuvres Complètes, vol. XVIII, La Comédie Humaine: Scènes de la Vie Parisienne, vol. VI], Paris, 1914, p. 131. ■ Fisiologias ■
[d 13, 2]
[...]
A respeito de Victor Hugo, vale o mesmo que se diz sobre Dickens: “Dickens é um exemplo admirável do que acontece quando um autor de gênio tem o mesmo gosto literário que o público. Essa conformidade de gosto, no caso, era de ordem moral e intelectual. Dickens não era como nossos demagogos e nossos jornalistas comuns; não escrevia apenas o que as pessoas do povo gostavam — ele mesmo gostava do que elas gostavam... Morreu em 1870; a nação inteira lamentou-o como nunca nenhum grande personagem foi lamentado; porque os primeiros ministros e os príncipes, em comparação com Dickens, eram apenas simples indivíduos. Ele foi um grande soberano popular, semelhante a um rei de alguma época primitiva, ao qual o povo podia chegar quando ele fazia justiça sob um carvalho.” G. K. Chesterton, Dickens, traduzido por Laurent e Martin-Dupont, Paris, 1927, pp. 72 e 168.15
[d 13a, 3]
[...]
Valéry, em sua Introdução às Fleurs du Mal (Paris, 1928, p. XV), sobre Hugo: “Durante mais de sessenta anos, este homem extraordinário trabalhou todos os dias, das cinco da manhã ao meio-dia! Procurava incessantemente combinações de linguagem, desejava-as, esperava por elas e ouvia as suas respostas. Escreveu cem ou duzentos mil versos, e adquiriu com esse exercício ininterrupto uma maneira singular de pensar, que os críticos superficiais julgaram como puderam.”
[d 14, 8]
Em quase todos os românticos, o arquétipo do herói é o boêmio. Em Hugo, o arquétipo é o mendigo. A esse respeito, não se deve deixar de observar que Hugo fez fortuna como escritor.
[d 14a, 1]
15 Op Cit, pp. 106 e 237. (E/M)
BENJAMIN,
Walter (1892-1940). Passagens / Das Passagen-Werk / Walter Benjamin;
edição alemã de Rolf Tiedemann; organização da edição brasileira Willi
Bolle; colaboração na organização da edição brasileira Olgária Chain
Féres Matos; tradução do alemão Irene Aron; tradução do francês Cleonice
Paes Barreto Mourão; revisão técnica Patrícia de Freitas Camargo;
pósfácios Willie Bolle e Olgária Chain Féres Matos; introdução
à edição alemã (1982) Rolf Tiedemann. — Belo Horizonte: Editora UFMG;
São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.

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