11.6.26

continua/Bertolt Brecht/Poesia/introdução & tradução André Vallias/ZURIQUE/BERLIM ORIENTAL [1947-1956]

6. ZURIQUE/BERLIM ORIENTAL [1947-1956]
 
Die Freunde
 
Mich, den Stückschreiber
Hat der Krieg getrennt von meinem Freund, dem Bühnenbauer.
Die Städte, in denen wir arbeiteten, sind nicht mehr.
Wenn ich durch die Städte gehe, die noch sind
Sage ich mitunter: dieses blaue Stück Wäsche dort
Hätte mein Freund besser plaziert. [1948]

Os amigos
 
A mim, o escritor de peças
A guerra separou do meu amigo, o construtor de cenas.
As cidades em que trabalhávamos não existem mais.
Quando passo pelas cidades que ainda estão de pé
Digo às vezes: essa peça de pano azul ali
Meu amigo teria posicionado melhor.
.
Paul Dessau, music; Bertold Brecht, lyrics 
  • I. Grabschrift für Rosa Luxembourg, pour chœur mixte et orchestre.
  • II. Grabschrift für Liebknecht, pour chœur mixte et orchestre.
  • Grabschrift Liebknecht
     
    Hier liegt
    Karl Liebknecht
    Der Kämpfer gegen den Krieg.
    Als er erschlagen wurde
    Stand unsere Stadt noch. [1948]

    Epitafio Liebknecht
     
    Aqui jaz
    Karl Liebknecht
    Guerreiro contra a guerra.
    Quando foi trucidado
    Esta cidade estava de pé.
    Grabschrift Luxemburg
     
    Hier liegt begraben
    Rosa Luxemburg
    Eine Jüdin aus Polen
    Vorkämpferin deutscher Arbeiter
    Getötet im Auftrag
    Deutscher Unterdrücker. Unterdrückte
    Begrabt eure Zwietracht! [1948]
     
    Epitafio Luxemburgo
     
    Aqui está enterrada
    Rosa Luxemburgo
    Uma judia da Polônia
    Paladina dos trabalhadores alemães
    E morta por ordem
    De alemães opressores: oprimidos
    Enterrai vossa discórdia!
    .
    Durch die Trümmer der Luisenstrasse
    Fuhr eine Frau auf dem Fahrrad
    Über der Lenkstange hielt sie Weintrauben
    Und aß im Fahren. Angesichts
    Ihres Appetits bekam auch ich Appetit
    Und nicht nur auf Weintrauben. [1949]
     
    Através dos escombros da Luisenstrasse
    Passou uma mulher de bicicleta
    Levava no guidão um cacho de uvas
    Que ela comia a pedalar. Face
    A seu apetite, também fiquei com apetite
    E não apenas por uvas.
    . 
     
    An den Schauspieler P. L. im Exil
     
    Höre, wir rufen dich zurück. Verjagter
    Jetzt sollst du wiederkommen. Aus dem Land
    Da einst Milch und Honig geflossen ist
    Bist du verjagt worden. Zurückgerufen
    Wirst du in das Land, das zerstört ist.
    Und nichts anderes mehr
    Können wir dir bieten, als daß du gebraucht wirst.
     
    Arm oder reich
    Gesund oder krank
    Vergiss alles
    Und komm. [1950]
     
    Ao ator P. L. no exílio
     
    Ouve, te chamamos de volta. Expulso
    Deves regressar agora. Da terra
    Onde outrora corria leite e mel
    Te expulsaram. És chamado de volta
    Para a terra que está devastada.
    E nada mais podemos
    Te oferecer senão que precisamos de ti.
     
    Pobre ou rico
    Sadio ou doente
    Esquece tudo
    E vem.
    . 
    An R.
     
    Geh ich zeitig in die Leere
    Komm ich aus der Leere voll.
    Wenn ich mit dem Nichts verkehre
    Weiß ich wieder, was ich soll.
     
    Wenn ich liebe, wenn ich fühle
    Ist es eben auch Verschleiß
    Aber dann, in der Kühle
    Werd ich wieder heiß. [1950]
     
    Para R.

    Se vou cedo pro vazio
    Do vazio volto cheio.
    Quando ao nada me associo
    Sei de novo o que eu anseio.
     
    Quando eu sinto, quando amo
    É um desgaste isso também
    No frio, porém
    De novo me inflamo.
    . 
    Paul Dessau, music; Bertold Brecht, lyrics; vocals and guitar:  
    Nr4 Der Liebste Gab Mir Einen Zweig
    Die Liebste gab mir einen Zweig
    Mit gelbem Laub daran.
    Das Jahr, es geht zu Ende
    Die Liebe fängt erst an. [1950]
     
    A mais amada me deu um ramo
    Com folhagem amarela.
    O ano chega ao fim. O amor
    Começa a aflorar por ela.
    .  
    Begegnung mit dem Dichter Auden
     
    Lunchend mich, wie sich's gehört
    In a Brauhaus (unzerstört)
    Saß er gleichend einer Wolke
    Ober dem bebierten Volke
     
    Und erwies die Referenz
    Auch der nackten Existenz
    Ihrer Theorie zumindst
    Wie du sie in Frankreich findst. [Ic. 1950]
     
    Encontro com o poeta Auden
     
    Rangando-me, como se preza
    Numa cervejaria (ilesa)
    Ele, feito uma nuvem sobre
    Aquela multidão insóbria.
     
    E a deferência atribuía
    Igualmente à existência nua
    Ao menos pela teoria
    Que na França você situa.
     
    Athlet und Virtuose sind willkommen
    Pfaff und Bonze werden nicht angenommen.
    Dies ist nicht Tempel noch Warenhaus
    Schwindel und Schacher bleiben draus. [c. 1950]
     
    São bem-vindos aqui: virtuose e atleta
    Burocrata e presbítero a gente ejeta.
    Isto não é uma igreja, tampouco armazém
    Picareta e patife, não vem que não tem!
     
    Auf einen chinesischen Theewurzellöwen
     
    Die Schlechten fürchten deine Klaue.
    Die Guten freuen sich deiner Grazie.
    Derlei
    Hörte ich gern
    Von meinem Vers. [1951]
     
    A um leão de raiz-de-chá chinês
     
    Os maus temem tuas garras.
    Os bons prezam tua graça.
    Quem dera
    Ouvir isso
    Dos meus versos.

    Frage
     
    Wie soll die große Ordnung aufgebaut werden
    Ohne die Weisheit der Massen? Unberatene
    Können den Weg für die vielen
    Nicht finden.
    Ihr großen Lehrer
    Wollet hören beim Reden! [1952]
     
    Pergunta
     
    Como há de ser construída a grande ordem
    Sem a sabedoria das massas? Desinformados
    Não podem achar o caminho
    Para os muitos.
    Vocês, grandes mestres
    Querem escutar discursando!
     
    Die sieben Leben der Literatur
     
    Daß die Literatur keine Mimose ist
    Hat sich herumgesprochen. Wie oft schon
    Ward sie als Göttin geladen und
    Als Vettel behandelt. Ihre Herren
    Fickten sie nachts und spannten sie tags vor den Holzpflug. [c. 1953]

    As sete vidas da literatura
     
    Que a literatura não é nenhuma melindrosa
    Está falado e dito por aí. Quantas vezes já foi
    Carregada como deusa e
    Tratada como vadia. Seus senhores
    Fodiam-na de noite e a atrelavam no arado de dia.

    Ach wie solln wir nun die kleine Rose buchen
    Plötzlich dunkelrot und jung und nah
    Ach wir kamen nicht, sie zu besuchen
    Aber als wir kamen, war sie da
     
    Vor sie da war, war sie nicht erwartet
    Als sie da war, war sie kaum geglaubt
    Ach, zum Ziele kam, was nie gestartet
    Aber war es so nicht überhaupt? [1954]

    Ah, a pequena rosa, como registrar?
    Súbito rubra, jovem e tão perto
    Não vínhamos visitá-la, mas ao chegar
    Ali, o seu botão já estava aberto
     
    Antes de estar ali, inesperada
    Depois de estar, por pouco não se crê;
    Chega à meta o que nem teve largada
    Ah, mas não foi assim, sem mais nem quê?
     
    BRECHT, Bertolt. 1898-1956. Poesia / Bertolt Brecht (Eugen Bertholt Friedrich Brecht); 300 poemas (edição bilíngue); fragmentos dos diários, anotações autobiográficas, 20 textos sobre poesia; seleção, introdução & tradução André Vallias; texto de 2a capa Augusto de Campos; e 3a capa Lion Feuchtwanger (1928).  São Paulo: Perspectiva, 2019. – (Coleção Signos; 60 / dirigida por Augusto de Campos)  

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